sexta-feira, agosto 07, 2015

A remota esperança


[5275]

O chamado socialismo democrático, uma forma espúria de camuflar a ditadura e, em última análise, conduzir as sociedades igualmente para a penúria, miséria e carência, tem uma característica incontornável. É alimentado pela arrogância dos seus mentores, por uma insuportável manifestação de superioridade moral, pela má-criação e violência e, a finalizar, uma inaceitável e asfixiante incompetência. No caso doméstico, o nosso, são conhecidas as consequências de um socialismo colocado no poder com uma frequência assustadora e que ciclicamente nos mergulha na banca rota. Para depois virem outros repará-la, até os socialistas ganharem de novo e voltarem a pôr tudo de pantanas.

Este pequeno preâmbulo para ilustrar a ideia de que desta vez tenho a esperança, ainda que lamentavelmente remota, de que os socialistas não ganharão o poder. Desta vez parece haver gente com uma noção mais nítida dos acontecimentos, há um reconhecimento mais ou menos consensual das trampolinices e vigarices em que o socialismo medra, para o que o último consulado de Sócrates contribuiu decisivamente, já que que era por demais evidente a torrente de casos em que ele e os seus acólitos se viam permanentemente envolvidos. Bem assim como a inaceitável cumplicidade ou vista larga da justiça. Por contraponto, os portugueses percebem hoje que têm um governo com um elevado número de falhas, mas que provou estar à altura das contrariedades, desde a recusa em aceitar a demissão irrevogável de Portas, à tremenda onda de ataque movida pela comunicação social e, sobretudo, isenta de casos mal cheirosos. Sente-se que o governo é composto de gente séria e não dada à imensa lista de «casos» que pontilharam a legislatura de Sócrates. Por junto e atacado, parece que houve um curso mal tirado e um deputado que se demitiu e pediu isenção de imunidade parlamentar por causa dos vistos dourados. E só não repara e valoriza este estado de coisas quem não quer.

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sábado, setembro 21, 2013

A mesma matriz


[4981]

Começa a ser exasperante a semelhança entre as perguntas feitas pela comunicação social aos políticos e aos homens do futebol. A mesma iniquidade, a mesma atitude mesquinha na procura incessante do supérfluo, em detrimento daquilo que realmente interessa, a mesma impreparação e a mesma maldade.

Curiosamente, esta forma de ser, estar e actuar da nossa comunicação social acaba por criar dinâmicas muito próprias, quais sejam a de se ir definindo alvos que, pouco a pouco, se vão tornando em sacos de pancada à medida das excitações dos, normalmente jovens, repórteres, ávidos das grandes cachas. E o resultado é um rosário de perguntas palermas. E mais curioso ainda é como essas dinâmicas acabam por aglutinar pessoas ou instituições que o bom jornalismo entende submeter à verborreia incontida dos repórteres. Jorge Jesus e o PSD, por exemplo, estão no mesmo saco. Qualquer vírgula de um membro daquele partido ou bocejo de um jogador de Benfica são escrutinados em regime de permanência e são ponto de partida para perguntas com o acinte e a verrina de Cícero do costume.

Já o PS e o FeQuêPê se equiparam na bonomia exasperante concedida àqueles a quem tudo é permitido dizer e fazer. Não só. Citados como exemplos de como as coisas «devem de ser».

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segunda-feira, agosto 26, 2013

Memória curta



[4974]

É obsceno o escarcéu que vai por aí com a meia dúzia de rendas que Meneses terá pago em Gaia, se nos lembrarmos como o PS se prestava (e prestará, é só terem campo para isso) a episódios de autêntica pornografia, como o que se pode ver neste vídeo. Não me lembro de queixumes do Público nem da verrina dos comentadores do costume sobre este tipo de acções a que Sócrates deitava mão nos intervalos de outras laboriosas actividades, para as quais nunca a justiça terá encontrado material de pronúncia.
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segunda-feira, outubro 01, 2012

Será assim tão difícil de entender, ou a muitos de nós não dá jeito?

[4781]

Clarividente crónica de Alberto Gonçalves no DN, que vale a pena ler até ao fim. Negrito da minha responsabilidade.

É extraordinária a quantidade de gente capaz de interpretar os sentimentos expressos nas manifestações de rua. Não possuo tal dom. Ouço e leio as palavras de ordem (pelo televisor, salvo seja) e acabo mais confuso do que comecei.

Ao que tudo indica, o povo em protesto não quer aumentos de impostos e, em simultâneo, não quer a redução na despesa que compensaria a manutenção dos impostos tal como estão ou estavam. O povo pretende a expulsão da troika e não se encontra minimamente preparado para a penúria que a partida da troika implicaria. O povo rejeita a austeridade sem perceber que a alternativa é uma austeridade maior e menos meiga. O povo está contra o Estado e vive apavorado com a ideia de que o Estado recue nas suas vidas. O povo insulta o Governo que desastradamente tenta corrigir as contas públicas embora não deseje que as corrija com acerto, nem dedique grandes insultos aos governos que deliberadamente transformaram as contas públicas na ruína actual. O povo, em suma, é realista à maneira do Maio de 68: pedindo o impossível. Impossível no sentido de que não tem pés nem cabeça.


É natural que o povo, às vezes constituído por serventes partidários, às vezes por gente em autênticas dificuldades, às vezes por sujeitos que berram qualquer coisa, caia nesta teia de contradições. Não deveria ser natural que as contradições chegassem a jornais ditos de referência sob a forma de colunas de opinião. A opinião é livre? É, e Deus nosso Senhor sabe o quanto agradeço a benesse. Por acaso, a irracionalidade também não conhece amarras, donde a emergência de textos do calibre do de José Vítor Malheiros, no Público de 25 de Setembro.


O título do texto ("A Dívida Existe Mesmo?) já arrepia. O pior é que após a pergunta do título o sr. Malheiros gasta uma data de caracteres a responder "não". Não perderei tempo a comentar os, digamos, "argumentos" do homem (o João Caetano Dias fê-lo brilhantemente no blogue Blasfémias). Basta resumi-los: para o sr. Malheiros, o défice e a dívida que decorre dos sucessivos défices (ele pensa ser ao contrário) são uma história mal contada, um provável estratagema para oprimir as massas que nada justifica, excepto talvez os favores às construtoras e aos bancos.


Perante isto, o que fazer? Podemos, claro, organizar uma colecta a fim de enviar o sr. Malheiros para um curso de Economia ou um merecido descanso. Porém, podemos igualmente aproveitar o mote e estender a tese ao que nos aprouver. A dívida não existe. O Estado esbanjador não existe. Os gastos com os salários e as prestações sociais não existem. Os custos da educação e da saúde não existem. As autarquias e as regiões autónomas não existem. As fundações e as empresas públicas não existem. O Magalhães não existe. Os estádios do "euro" não existem. Os pareceres, as consultorias e os estudos encomendados a amigos não existem. Os subsídios às energias "renováveis" não existem. Os apoios à "cultura" não existem. O socialismo não existe. O eng. Sócrates nunca existiu. E é duvidoso que, a médio prazo, o próprio país exista.

O exercício não é fortuito: se passarmos por doidos varridos, o mundo exterior comove-se e dá-nos um desconto moral. Infelizmente, dado que ninguém investe na demência, o mundo não nos dará um desconto material. Mas, de acordo com a escola financeira do sr. Malheiros, dinheiro não nos falta.

Terça-feira, 25 de Setembro

Objectividade pelos ares

A mulher de Mitt Romney viajava num avião que sofreu um pequeno incêndio e se encheu de fumo. A peripécia foi inconsequente. Ou nem por isso: mais tarde, numa sessão de campanha, o candidato referiu o assunto já ao lado da esposa, dizendo não perceber porque é que as janelas dos aviões não abrem para deixar entrar o ar. Tratou-se, conforme os correspondentes do Los Angeles Times e do New York Times (nenhum suspeito de simpatias republicanas) asseguraram, de uma brincadeira, aliás evidente no vídeo do episódio. É claro que a internet canhota local tentou remover as declarações do contexto e apresentar Romney como um tontinho, mas para efeitos internos a coisa morreu ali. Externamente, a coisa estava apenas a começar.

Um pouco por toda a parte, incluindo em muitos países europeus e incluindo, quase sem excepções, os media portugueses, o "jornalismo" a que temos direito diagnosticou em uníssono a idiotia terminal de Romney, o qual, segundo a opinião geral, gostaria de facto que as janelas de um jacto comercial descessem à semelhança das de um Fiat Punto. A veneração cega do actual inquilino da Casa Branca, misturada com a tendência para ver em cada membro do GOP um monumento à ignorância, dá nisto: uma mentira transformada em "notícia" e um espectáculo em que sujeitos com dificuldade para alinhavar uma singela peça sem erros ortográficos discorrem sobre a boçalidade de um discípulo de Stanford e Harvard. Boçal é o fanatismo.

Boçal e distraído, já que a reacção a gafes imaginárias impede inúmeros "jornalistas" de reagirem a gafes reais. Que eu saiba, por cá ninguém se riu após um político americano ter afirmado que os EUA construíram o "primeiro comboio intercontinental". Ou após um político americano ter exaltado o bom exemplo da FedEx por oposição ao dos correios públicos enquanto pretendia defender um sistema de saúde financiado pelo Estado. Ou após um político americano ter confessado que não sabia falar austríaco. Ou após um político americano ter declarado que percorrera 57 estados da União. Ou após um político americano ter classificado as recentes fúrias no Médio Oriente (que assassinaram um embaixador de Washington na Líbia) de "lombas na estrada". Em qualquer dos casos, o político americano era Barack Obama, um simpático colecionador de cargos públicos e um presidente medíocre que, ainda assim, paira largos furos acima do político indígena médio.

A terminar: nas circunstâncias adequadas (altitude, despressurização, etc.), os aviões podem voar com as janelas abertas. Fechadas sem remédio só algumas visões do mundo.

Quarta-feira, 26 de Setembro

A marca de Zorrinho

Não me canso de admitir algo de admirável no Partido Socialista: a rigorosa e absoluta falta de vergonha. Em seis miraculosos anos, o PS conseguiu duplicar a tendência para o desastre lentamente acumulada nas décadas anteriores e enfiar a pátria amada na bancarrota e na dependência de esmolas caríssimas. Em circunstâncias ideais, a derrota eleitoral de 2011 teria lançado os autores da façanha para um justificado limbo ou, no que respeita aos principais responsáveis, para a cadeia. Em Portugal, quase (quase) todos andam aí, a instruir os incréus sobre a arte de bem governar e a recriminar, com voz pungida, a má governação.

Esta semana, o descaramento maior coube a Carlos Zorrinho, o qual, a propósito dos pífios "cortes" nas fundações, lamentou com total precisão e nenhuma legitimidade: "Quando é para aumentar os sacrifícios aos portugueses, é sempre mais do que aquilo que esperamos; quando é para cortar despesa, é sempre menos do que aquilo que esperamos." Brincadeira? Parece. Mas não é. É apenas o PS a confiar na amnésia terminal do eleitorado.

Em matéria de amnésia, nem vale a pena notar o impulso do PS a incontáveis fundações. Sobretudo, importa descontar a facilidade com que o PS alterna as exigências de "investimento" público com a mágoa de que a despesa pública não seja devidamente reduzida. O primeiro sermão tem a atenuante da coerência face ao modus operandi que nos deixou na penúria. No segundo, trata-se de puro desplante. E se apetecer ao cidadão médio comparar o caso ao do gatuno que condena as escassas medidas de segurança depois de esvaziar o banco, a comparação é redundante: é literalmente isso o que se passa.

O pior é que, se calhar, o cidadão médio prefere o encanto do logro a uma dose de realidade e não está para aí virado. Se calhar, a acreditar nas sondagens recentes, uma quantidade suficiente de pessoas esqueceu-se de facto de quem as colocou nos limites da indigência. Se calhar, os drs. Zorrinhos deste mundo sabem o que fazem e o que dizem. Se calhar, o PS merece o país, e o país merece o PS.
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terça-feira, setembro 25, 2012

Conviver com a liberdade



[4777]

Sabendo-se, sem hesitações mentais titubeantes, como a esquerda convive mal com a liberdade, não é novidade a conduta orgástica da esquerda em geral sobre a forma simples e democrática (lá nos botões dela) como se resolvem as crises políticas.

Mário Soares, Alegre, os comunistas, o Sr. Arménio e vários comentadores comentaristas pensadores politólogos sociólogos antropólogos psicólogos e até astrólogos do nosso palco mediático já se manifestaram, convictamente e sem se rirem, que este governo tem que sair. Não dizem bem como. Se à pedrada, ao estalo, se à la mode de Jorge Sampaio quando embirrou com as sestas de Santana Lopes e depois de Ferro Rodrigues estar convenientemente afastado, sabe-se e dizem é que tem de ser demitido. O facto de ser um governo legítimo, democrático e pela vontade expressa do povo soberano (como, de resto, reza a cartilha da esquerda) não interessa nada. Interessa apenas aquilo que estes preclaros «donos da bola» acham. E sabe-se que o que eles acham é partilhado por uma franja residual de eleitorado, mas isso para eles são outros quinhentos.

Agora são as duas cabeças do Bloco que acham que o Governo tem de ser demitido. Se João e Catarina fossem coerentes, deviam exigir a saída do governo e nomear já uma dupla de primeiros-ministros. Melhor… uma troika…hummmm… uma quadra…. Ou mesmo um quinteto… sei lá, qualquer coisa que para além de uma representação dúplice de género incluísse ainda primeiros-ministros com diferentes orientações sexuais, ciganos, negros, islamitas e ex-passageiros da TAP. Ou outros de que, entretanto, se lembrassem.

Começo a ter dificuldade em respirar…
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terça-feira, setembro 18, 2012

Pelas alminhas do purgatório...



[4770]

Acordei… a TV tinha ficado ligada… e a primeira visão do dia foi António José Seguro a dizer que o PS só será governo se os portugueses quiserem.

Pronto estou mais descansado. O homem contém-se e não participará em nenhum governo de salvação nem congemina nenhum golpe de estado. Mas depois, preocupei-me outra vez. E se os portugueses um dia destes querem mesmo que o PS volte a ser governo? É um desassossego, é o que é...
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sábado, setembro 01, 2012

Go ahead... make my day



[4748]

Alguns indefectíveis de Clint Eastwood estão um bocado para o chateado. Então o homem com um currículo daqueles vai para ali dizer uma série de barbaridades e ninguém o manda calar? A não ser o imaginário Obama que por várias vezes, ao longo do vídeo, o manda calar e fazer qualquer coisa que Eastwood diz que não pode fazer a ele próprio.

A comunicação social portuguesa, sobretudo a televisão e os jornais estão a passar de mau a pestilento. Passando por cima das quezílias intestinas paroquiais (ainda esta manhã ouvi várias e doutas prédicas sobre a demissão da administração a RTP o que é, no mínimo, ridículo, diria mesmo que infantil), tem-me impressionado a forma miserável (este «miserável» roubei ao Rodrigo) como a comunicação social tem reportado as eleições norte-americanas. A forma ressabiada e mentirosa (na maior parte das vezes por omissão) como as reportagens nos vão chegando tem sido uma constante. Um tal de Costa Ribas, de resto bem conhecido dos tempos da sua azia «bushista», chegou a dizer há dias na SIC Notícias que Romney era feio e antipático e que isso contava muito para o povo americano. Isto diz bem onde pode chegar o desvario (muitos comentadores de televisão e figuras gradas do socialismo agora dizem muito desvairos, ainda me hei-de deitar a investigar se é distracção ou uma nova corrente de é assim, desde logo e paradigma) de muitos dos nossos iluminados na análise das eleições americanas, onde não me lembro de ouvir uma vez que fosse que os candidatos estão tecnicamente empatados.

Fica o vídeo. Mr Eastwood mantém um apurado sentido de humor e, não menos importante, uma notável clarividência. Em todo o vídeo. Como é um homem bonito e simpático, desta vez Costa Ribas terá que dizer que Eastwood está envelhecido, entaramelado e, quem sabe… esclerosado.

Hilights:

You, us, own this country.
Politicians are employees of ours;
When somebody does not do the job we got let them go;
I can’t tell him to do that (referindo-se a uma imaginária imprecação de Obama a Romney), he couldn’t do that to himself. I can’t do it to myself, either;
Hope and change, yes we can, lightening candles and people crying… I can’t remember crying so much since I heard of our 23.000.000 unemployed; e mais!
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sábado, agosto 18, 2012

Os actos políticos

[4739]

Valha-nos a Helena Matos com a sua habitual minúcia e presteza em desengavetar tralhas antigas e pôr a ridículo as tralhas modernas. Ou de como há galinheiros maus e colmeias boas.

Houve uma altura em que joguei râguebi na Académica. Ao tempo do professor Bruno como treinador. Lembro-me que no fim dos treinos (no estádio universitário, o do Calhabé era para o futebol) havia sempre um ou dois líderes estudantis que nos substituíam de imediato as estratégias de jogo do professor Bruno por uma autêntica barrela ao cérebro através da retórica inflamada anti-salazarista habitual. Eu não sabia bem porquê, era um jovem inexperiente, mas sabia que Salazar, entre outras malfeitorias, era um ditador, um provinciano, um fascista e um asceta deplorável que nos queria a todos pobrezinhos e que para nos dar o exemplo criava galinhas em casa. Tudo isto se me chocalhava na cabeça, como, de resto, à maioria dos meus colegas, mas se aqueles líderes o diziam, mais velhos, mais adiantados e com muito mais experiência que nós é porque devia estar certo. Também devíamos partir montras e bater em polícias. Frequentemente me perguntavam se eu alguma vez tinha batido num polícia e quando eu dizia que não, de imediato se instalava em mim um sentimento de culpa muito grande. Também me questionavam se alguma vez algum polícia me batera. Era urgente a absolutamente necessário que um polícia me batesse, ou que eu batesse num polícia, sob pena de eu não ser um entre iguais. Apesar de muitos como eu nunca terem sido brutalizados pela polícia. Lembro-me de um dia um de nós dizer que o facto de Salazar criar galinhas em casa era um acto político. O líder retrucou que o «cagar é um acto político». Lembro-me como se fosse hoje. Fiquei pensando na relação política entre o cagar e criar galinhas e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Mas devia haver alguma porque o tal líder falava e falava e falava e embora não falasse em galinhas nem em merda, parecia haver ali um fio condutor qualquer.

Porque é que isto me veio à ideia? Nem sei bem. Talvez porque ser do reviralho era um estado de alma e hoje quando oiço muitos políticos no activo apresentarem como currículo o facto de terem sido anti-salazaristas na Academia, eu lembro-me bem das minhas angústias por nunca ter sido sovado por um polícia, ou da filosófica interpretação de alguns líderes estudantis sobre o cagar, como acto político. E percebo hoje como muito do que parecia ser ridículo e condenável, como um primeiro-ministro a criar galinhas, acaba por se tornar num exemplo feliz de boas práticas, quando se trata de personagens politicamente correctas. E de como os idiotas úteis não estão realmente em perigo de extinção.
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quarta-feira, maio 23, 2012

Já cá faltava…

[4640]

Eu andava a estranhar. A verdade é que cheguei de uma viagem já há quatro dias e o habitual activismo da nossa comunicação social parecia andar esquecido da truculenta e vácua figura de Mário Soares.

Pois bem, há pouco minutos, num dos vários programas da manhã da nossa TV, alguém se lembrou de perguntar a Soares o que ele pensava sobre a vinda da troika a Portugal por estes dias. Soares respondeu com o argumentário conhecido, mas desta vez decidiu juntar um toque patriótico à coisa dizendo que quando muito a troika deveria falar com o governo e não emitir opiniões públicas, porque considerava isso uma ofensa à Pátria (SIC).

Se os argumentos de Soares sobre economia e finanças já passam ao lado de qualquer cidadão minimamente informado, já a alusão a ofensas à Pátria soam a coalhado. Porque se Soares se mete pelas veredas das ofensas à Pátria arrisca-se a tropeçar em alguém de boa memória e lhe recorde alguns episódios em que as ofensas à Pátria pareciam ter um sentido muito diverso para ele. Soares que se cale com as ofensas à Pátria. Faria, certamente, melhor figura.
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quinta-feira, março 29, 2012

Shhhiiiuuuuuuu...

[4604]

Ontem ouvi Santana Lopes, Fernando Assis e Fernando Rosas na TVI24 e, pela conversa, acho que recentemente se tem instalado a ideia da necessidade absoluta de não se falar em Sócrates. De caminho, aproveita-se a deixa para tecer duras críticas ao PSD e ao Governo que não resistem, diz-se, a lançar farpas constantes ao anterior governo. Falar mal de Sócrates é prejudicial à imagem externa do nosso país, reflecte desunião, pode condicionar o BCE, o FMI, a Comissão Europeia, olhem o que está acontecer à Grécia de que só se fala nas próximas eleições, enfim, um rosário de observações carpidas, se falarmos na criatura só falta mesmo dizer que dá sarna, urticária ou herpes labial.

O Partido Socialista, particularmente, deveria ter um mínimo de pudor em integrar esta procissão e, mais, de se irar com a alegada contundência do governo e do PSD. Deveria o PS lembrar-se, um pouquinho só que fosse, da grosseira truculência de Sócrates em relação à oposição, da forma desabrida, ofensiva, com que referia os seus adversários políticos (e não só políticos, incluía no seu mau perder jornalistas, comentadores, manifestantes, organizações sindicais, tudo o que mexesse contra ele) e das sessões contínuas de comícios, congressos, discursos e entrevistas em que a criatura fugia claramente ao que se lhe perguntava e se entretinha a insultar toda a gente. Deveria ainda o Partido Socialista lembrar e introverter as circunstâncias factuais que indicam que Sócrates em pessoa e a sua entourage, atenta veneradora e obrigada, foram responsáveis pela precipitação deste país no caos e não apenas porque o deixou chegar a uma situação de pré insolvência (as pessoas esquecem-se que quando Sócrates caiu, parece que já não havia dinheiro para os salários do mês seguinte), mas também pela continuada acção do seu governo de amizades, compadrios, cumplicidades obscenas, maroscas, tramóias, envolvimentos suspeitos que desaguaram, inevitavelmente, na situação presente.

O Partido Socialista devia ter um pinguinho de vergonha e não se irritar tanto quando se fala do seu Grande Líder. Quanto ao PSD e ao Governo, podem deixar de bater no ceguinho, é verdade. Mas não é menos verdade que, às vezes, há que o recordar para que a memória não se esbata e se acabe por «lavar» um dos mais vergonhosos e perniciosos períodos de governação no pós 25 de Abril.
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quarta-feira, março 28, 2012

É preciso meter explicador?

[4602]

«Os portugueses adoram a modernidade e a ecologia. Na área da energia isso implica formas de produção não lucrativas. Os políticos, para os contentar, querem também ser modernos e ecológicos. Como as energias ecológicas não são rentáveis, os políticos têm que compensar os investidores com rendas».

Ler o post todo aqui.

Reside neste singelo período, uma das facetas mais trágicas da falência do Estado Social. A convergência entre o espírito pueril das populações no tratamento e na assimilação dos fenómenos sociais e a atitude de claques políticas sem escrúpulos, que, explorando a permeabilidade das populações e através de um eficaz discurso do politicamente correcto, estabelecem conúbios difusos com o sector empresarial e, através deles, obtêm resultados obscenos de enriquecimento pessoal, ao mesmo tempo que vão endividando o país e penhorando o futuro por muitas gerações.
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sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Pessoal distraído

[4572]

Corre por aí alguma surpresa pelo facto de o PCP ter votado contra a adopção de crianças por pares do mesmo sexo. Confesso que não percebo bem a surpresa. Ou as pessoas andam muito mal informadas sobre o pensamento (e as acções…) dos comunistas em matérias relativas à homossexualidade ou então andam distraídas com a seca. Por outro lado, esta surpresa remete para a clara e generalizada convicção de que as questões relativas à homossexualidade e adopção de crianças por pares do mesmo género são uma causa de esquerda. E isso fere de morte qualquer tentativa de análise séria do problema, quer do ponto de vista social, quer político, quer humano.
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sábado, fevereiro 11, 2012

A insolência como acto político



[4551]

A esquerda caviar não é racionalmente argumentativa. Certamente porque lhe escasseiam os argumentos. Daí pontilhar a sua intervenção política com a insolência e a má-criação. Ser insolente ou malcriado não requer grande preparação, basta sê-lo. Se a isso acrescentarmos os momentos em que a dita esquerda caviar se apercebe que lhe falta massa crítica para argumentar e percebe que o que defendem não releva de convicções políticas mas mais de um ressabiamento que Deus saberá porque a tem, temos o cenário ideal para que se refugiem na insolência e numa insuportável arrogância para discutir seja o que for. Da política ao futebol, passando pela gastronomia ou de quanto em quanto tempo é que a baleia tem de vir ao de cimo para respirar.

Fernando Rosas é um bom exemplo. Enquanto Louçã berra e tenta conter as pupilas na córnea, sobretudo nos momentos em que a sua fonética se excita na estridência dos seus «erres», Fernando Rosas adopta o tom professoral de quem tem uma bagagem demasiadamente rica para descer ao nível dos outros, mas condescende.

Foi mais ou menos isso que lhe aconteceu quando acedeu a discutir qualquer coisa com Santana Lopes. Daí a chamar-lhe Salazar, sem propósito reconhecível, foi um passo. Felizmente que Santana Lopes reagiu. E bem. Faz falta reagir desta forma, de quando em vez. Quanto mais não seja, já por uma questão de higiene. E aqui, PSL goleou.
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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

D. Januário anda agoniado

[4549]

O ditado popular cada macaco no seu galho pode até ser inapropriado em matéria de politica, arte em que todos nós nos achamos, e muito bem, aptos e legitimados para dar a nossa opinião. Todavia, inquieta-me quando um pastor de almas, obrigado às vicissitudes do seu mister, certamente por vontade própria, desenvolve a sua pastorícia pelos caminhos ínvios do partidarismo e das ideologias, sabendo D. Januário que Cristo morreu por todos nós sem distinção de raças, credos ou filiação partidária.

Sobretudo repugna-me (mas isto sou eu a dizer, que sou suspeito) que D. Januário não se tenha revestido destes pruridos há bem pouco tempo, quando vivíamos sob um governo grotesco liderado por uma grotesca criatura. O que é, no mínimo e salvaguardada a liberdade de cada qual opinar como quiser, grotesco também.
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Miguel Relvas não deixa

[4547]

Se eu não estivesse já familiarizado com a forma manipuladora de o «Público» titular as suas opiniões notícias, ia pensar que Miguel Relvas tinha dado um ralhete a Passos Coelho e lhe tinha dito: - o menino não vai à Assembleia da República, não senhor. Recuso. E agora vire-se para a parede e fique de castigo enquanto vou ali buscar umas orelhas de burro.

É o que o Público ardilosamente sugere quando diz que Relvas recusa a ida de Passos Coelho à AR explicar secretas. Que Passos vai à AR de 15 em 15 dias e assim continuará a ser.

O tom e o texto usados pelo jornal não têm nada a ver com o que realmente se passou (por acaso vi a peça correr na televisão) onde Relvas se limitou a «explicar» o óbvio aos jornalistas.
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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Natais pós-modernos





[4498]

Sinal dos tempos, provavelmente. Tempos em que a sanha contra tudo o que cheira a Cristo e em que altas personalidades da igreja não resistem à tentação de meterem uma colherada na política, o que nem seria grave se a colher não saísse besuntada de utopia e uma hábil tentativa de configurar a igreja católica ao pensamento corrente de que os países estão comandados por máfias de empresários que, mais do que rendibilizarem as empresas, saltam todos os dias da cama com o pensamento incontornável de decidirem quantos trabalhadores é que vão despedir nesse dias.

Recorrendo a três exemplos, num universo de muitos que me tolhem o entendimento, acordo e leio uma notícia «boazinha» do Público que quase pede desculpa pelos islamistas estarem cada vez mais sofisticados e acalentarem ambições nacionais enquanto, de caminho, assassinam cerca de quarenta pessoas que, imagine-se, tiveram a ousadia de ir à igreja celebrar o Natal.

Depois vi farrapos de um programa inenarrável na RTP, no qual um comediante monologava com um crucifixo e se interrogava para que lado Cristo estaria a olhar naquela altura…ao mesmo tempo que o submetia a um jogo esquisito de movimentos que nem consegui definir e que me pareceram situar-se entre o obsceno e o idiota, enquanto chegava outro «artista» que se ria muito e lavava as mãos na pia de água benta… momentos abjectos que mesmo aqueles que não vão à missa, como é o meu caso, se sentem envergonhados com estes nossos artistas modernaços e, mais grave, parece que há gente que acha graça aquilo.

Por fim, oiço o Patriarca de Lisboa deixar uma mensagem de Natal, na qual o nosso Patriarca se evolve em espirais oníricas de justiça social, do sofrimento, do colectivo, desigualdades chocantes e para isso só uma nova etapa de civilização com uma nova ordem económica pode resolver a questão. Por outras palavras, trocado por miúdos, o nosso colectivo tem de arrancar para uma nova ordem económica que esta não presta, esquecendo-se o Patriarca que se houve ordem económica que trouxe bem-estar e desenvolvimento aos povos e diminuiu o chamado fosso económico foi exactamente este que o Patriarca verbera, uma coisa que lhe vai bem com o hábito, mas mal com alguma vergonha na casa, presumindo eu que ele saberá o resultado das condições de trabalho da Igreja católica em países onde o colectivo e a ordem económica eram exactamente o que agora ele parece preconizar. Par além de que me faz impressão D. Policarpo, de resto vezeiro nesta linguagem correcta, se ter esquecido do massacre de Natal na Nigéria. Faz-lhe mais impressão a falta de iquidade, o dinheiro e os bens matérias, para o que ele acha que precisamos todos de dar um grito.
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segunda-feira, novembro 21, 2011

O que faz correr esta rapaziada? Ou «Já vai tarde (take two)»



[4468]

Era de esperar. A derrota de Zapatero, o pior primeiro-ministro espanhol desde a invenção dos caramelos de Badajoz, foi tratada pela generalidade da comunicação social com a dinâmica habitual concedida ao socialismo e aos socialistas, mesmo àqueles em fim de carreira, depois de conduzirem os seus respectivos países a uma condição de quase indigência. Por isso, a derrota do homem foi atribuída ao desgaste e, adivinhemos, à crise internacional. Não fosse o desgaste e a crise e outro galo cantaria. No fundo com o nosso Sócrates foi a mesma coisa. Apenas apimentada com a irresponsabilidade da Oposição que resolveu derrubar o governo só porque queria ir ao pote.

Não há remissão possível para esta rapaziada da pena e do microfone. Eles acreditam mesmo…
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quarta-feira, novembro 16, 2011

Guardas prisionais a mais, médicos de família a menos, especialistas a mais...






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Crítica, Paula Teixeira da Cruz não deixou porém de notar que o custo de horas extraordinárias feitas pelos guardas prisionais atinge os 12 milhões de euros. “Os senhores guardas prisionais trabalham por escalas, mas depois, se formos ver ao orçamento, o custo das horas extraordinárias é de 12 milhões de euros (...) O que há neste momento são duas escalas e enquanto alguns guardas descansam estão a receber horas extraordinárias”, disse.

Infelizmente, esta será uma de muitas situações em que os portugueses são especialistas. Nada contra os guardas prisionais, portanto. É uma cultura instalada, uma mentalidade quiçá moldada na dieta mediterrânica, seja lá o que for, mas só os ingénuos não acreditarão que esta é a forma de nos irmos safando. E por este status vamos lutando, não fosse ele um conjunto de direitos adquiridos. Para o que contamos com os diligentes sindicatos, cujos diligentes (e sempiternos) líderes vão conduzindo de forma cordata e adequada.

Tenho vindo a gostar da actual ministra da Justiça. Apesar do bastonário dos advogados achar que ela tem cunhados que não devia ter e de dar trabalho aos amigos desses cunhados, Paula já disse que é tudo mentira mas num país em que em qualquer contenda há sempre um que mente (quando não os dois), as gentes vão ficando imunes a este tipo de comadrices.

Já agora e a talhe de foice, adorei ver ontem o ministro da saúde corrigir um dirigente do BE que apontava um défice de mil médicos de família e de seiscentos médicos especialistas, dizendo-lhe que, em contrapartida, havia em Portugal mil médicos especialistas a mais. O deputado engasgou-se (ele próprio, segundo julgo, médico…) e balbuciou umas tretas do tipo «o sr. ministro anda mal informado». Ficarei à espera de saber se há especialistas a mais ou a menos.
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sexta-feira, novembro 04, 2011

Uma visão romântica da soberania





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Eu sei que é difícil, mas Pacheco Pereira ontem esforçou-se imenso por conseguir mesmo a quadratura do círculo. Discorreu longamente sobre o que considero uma visão romântica da liberdade, soberania e qualidade democrática dos diferentes países da União Europeia. Eu sei que a simples referência a uma visão romântica da democracia pode acomodar uma basta argumentação sobre o tema, podendo mesmo desembocar numa alma mais iluminada acabando a chamar-me «fassista». Mas a verdade é que não me ocorre outro termo que não seja mesmo o de uma visão romântica da democracia, liberdade e soberania. Pois se os países que aderiram à União Europeia o fizeram de livre vontade e em consciência plena, tinham a obrigação de saber da absoluta necessidade de flexibilizar a sua soberania a favor dos interesses da colectividade europeia, no quadro de uma inevitável abrangência política, económica, social e até cultural.

Se havia divergências hoje consideradas brutais no entendimento das políticas de cada qual, elas deveriam ter sido equacionadas bem antes de os países terem aderido à comunidade e não agora, como a Grécia, um de alguns países europeus mais ou menos estilhaçados pela irresponsabilidade dos socialistas, que se entretém a jogar à política como quem joga aos cinco cantinhos, dando provas de uma grande irresponsabilidade e desrespeito pelos seus parceiros da União.

Que os iluminados do costume usem a Grécia como florete para esgrimirem as suas utopias ainda entendo. Que uma personalidade com a arqueação e gabarito intelectual de Pacheco Pereira insista na argumentação pura e, insisto, romântica, que ontem usou na «Quadratura do Círculo» é que já se estranha um pouco. Por tão clara ser a situação.
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segunda-feira, outubro 10, 2011

A cirandinha madeirense




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Uma curta reflexão sobre os resultados das eleições na Madeira.

OS RESULTADOS

Não surpreendem a vitória do PSD nem a maioria ser mais escassa que a anterior. Há abundantes razões para uma e para a outra. E, se tal não bastasse, a pressurosa comunicação social compôs o ramalhete;

O PS

Viu o número de deputados bastante reduzido e ainda bem. Este Partido, na Madeira ou no todo nacional, é objectivamente responsável pelo descalabro que atravessamos pelo que quanto menos poder lhe derem, melhor. Os madeirenses tê-lo-ão entendido. Verdade que o líder socialista também não convence ninguém;

O CDS

Praticamente triplicou a votação e aumentou nove vezes o número de deputados. Portas fez uma campanha inteligente, atacando o PSD, mas não arranhando muito. O aumento de votos do CDS representa verdadeiramente o eleitorado de direita, já que a maioria de Jardim, na sua génese, estratifica a esquerda nacional que se rege mais ou menos por um conceito de «tudo feito» ou, numa versão mais comezinha, de cama, mesa, roupa lavada, uma reformazinha e poucas correntes de ar que a levem ao SNS gratuito num hospital perto de si e junto à escola pública onde a ambulância alugada aos bombeiros e o transporte escolar cheguem através de uma auto-estrada, dois viadutos, um túnel e várias rotundas;

O FOLCLORE

Reúne cerca de 15% dos votos da região. Penso que o fenómeno terá a ver com a nossa tendência para o circo. E se juntarmos ao circo ao discurso ecológico e correcto, tipo caldeirada de verdes e misses universo, temos a palhaçada ideal.

A ESQUERDA PURA E DURA

PCP e Bloco reduzidos ao valor residual que já atingiram noutras partes do Globo. O PCP baixou para os 3,8% e o Bloco nem aos 2% chegou. É bem feito por fazerem tanto barulho e chatearem tanto o pessoal.

A COMUNICAÇÃO SOCIAL

Igual a si própria. Acirrada contra Jardim, com uma conduta reactiva à la PS,
incompetente e semi-idiota, fez uma campanha obnóxia e em rigoroso acordo com a sua realidade existencial. Sobre Jardim disse tudo menos o que, eventualmente, interessava e deveria ter dito. Criticando os oito mil milhões de défice sem nunca estabelecerem um módico de dinâmica incontornável entre os procedimentos da Região e o destempero criminoso do anterior governo da República que desbaratou muitos milhares de milhões obtidos por via da banca portuguesa e que os filhos dos nossos netos muito provavelmente ainda terão de vir a pagar.


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