quinta-feira, junho 07, 2012

Um povo amestrado…

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que devia estar no Jardim Zoológico, diz D. Januário, um bispo que, por mais que se esforce, não consegue dissimular a sua condição de «lateiro». No seu caso particular, duplo «lateiro» pois tanto o é no exército ascendendo a major-general, como na hierarquia da igreja católica.

Torgal Ferreira dificilmente reprime os seus ódios e liberta-os com a mesma espontaneidade com que se calava no período socrático, uma altura em que ele achava que o povo não se chocava tanto e, portanto, ele não via necessidade de que a grei viesse para a rua fazer democracia.

O clero, aqui e ali, é mal representado. Gente que não consegue esconder o seu espírito de claque mas, mais grave, com um diabólico e muito estranho sentido de democracia e liberdade. Deus lhes perdoe e os livre do mal!
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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Natais pós-modernos





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Sinal dos tempos, provavelmente. Tempos em que a sanha contra tudo o que cheira a Cristo e em que altas personalidades da igreja não resistem à tentação de meterem uma colherada na política, o que nem seria grave se a colher não saísse besuntada de utopia e uma hábil tentativa de configurar a igreja católica ao pensamento corrente de que os países estão comandados por máfias de empresários que, mais do que rendibilizarem as empresas, saltam todos os dias da cama com o pensamento incontornável de decidirem quantos trabalhadores é que vão despedir nesse dias.

Recorrendo a três exemplos, num universo de muitos que me tolhem o entendimento, acordo e leio uma notícia «boazinha» do Público que quase pede desculpa pelos islamistas estarem cada vez mais sofisticados e acalentarem ambições nacionais enquanto, de caminho, assassinam cerca de quarenta pessoas que, imagine-se, tiveram a ousadia de ir à igreja celebrar o Natal.

Depois vi farrapos de um programa inenarrável na RTP, no qual um comediante monologava com um crucifixo e se interrogava para que lado Cristo estaria a olhar naquela altura…ao mesmo tempo que o submetia a um jogo esquisito de movimentos que nem consegui definir e que me pareceram situar-se entre o obsceno e o idiota, enquanto chegava outro «artista» que se ria muito e lavava as mãos na pia de água benta… momentos abjectos que mesmo aqueles que não vão à missa, como é o meu caso, se sentem envergonhados com estes nossos artistas modernaços e, mais grave, parece que há gente que acha graça aquilo.

Por fim, oiço o Patriarca de Lisboa deixar uma mensagem de Natal, na qual o nosso Patriarca se evolve em espirais oníricas de justiça social, do sofrimento, do colectivo, desigualdades chocantes e para isso só uma nova etapa de civilização com uma nova ordem económica pode resolver a questão. Por outras palavras, trocado por miúdos, o nosso colectivo tem de arrancar para uma nova ordem económica que esta não presta, esquecendo-se o Patriarca que se houve ordem económica que trouxe bem-estar e desenvolvimento aos povos e diminuiu o chamado fosso económico foi exactamente este que o Patriarca verbera, uma coisa que lhe vai bem com o hábito, mas mal com alguma vergonha na casa, presumindo eu que ele saberá o resultado das condições de trabalho da Igreja católica em países onde o colectivo e a ordem económica eram exactamente o que agora ele parece preconizar. Par além de que me faz impressão D. Policarpo, de resto vezeiro nesta linguagem correcta, se ter esquecido do massacre de Natal na Nigéria. Faz-lhe mais impressão a falta de iquidade, o dinheiro e os bens matérias, para o que ele acha que precisamos todos de dar um grito.
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quarta-feira, dezembro 10, 2008

Imposição?


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A f. (fernanda câncio, para quem não esteja familiarizado com este f pequenino) teve um ataque de brotoeja e zangou-se imenso com a ministra da saúde por causa desta notícia.

Com deliberada superficialidade, f. mistura alhos com bugalhos e acha que um acordo com a Igreja Católica tem um sentido semântico que, aparentemente, só ela descortina quando diz que se trata de uma imposição. Discorre imenso, entretanto, transcrevendo vários artigos da lei da liberdade religiosa e da concordata. Dei-me ao trabalho de ler os artigos todos que a f. transcreve e esforcei-me genuinamente para descobrir onde estava a imposição da assistência católica nos hospitais e o favorecimento da confissão católica mas desconsegui, como diria o Mia Couto. Devo ter ficado confundido e tudo passou a ser peanuts.

Vou ali sacudir as cascas e esquecer o post.
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