quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Consensos sem senso (nem vergonha)



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Vale a pena ver esta entrevista com o vice presidente do PSD, José Matos Correia e Vera Jardim do PS.

Por razões picarescas a comunicação social disseminou a ideia de que António Costa tinha um fortíssimo poder negocial mercê da sua especial visão para os consensos. Eis que agora se insiste na ideia do interesse nacional como uma ponderosa razão para o PSD se sensibilizar à sugestão de consensos com o PS gerada por António Costa. Este desdobra-se em afirmações sobre a necessidade de consenso, mesmo respeitando «o luto da Direita e sugerindo que ela saia do casulo». Ou seja, de uma penada, a crise é como que lançada para os braços da Direita  que se encasulou e ainda não cumpriu o seu período de nojo  e, assim sendo,  se o orçamento não for aprovado a culpa é da Direita.

A comunicação social, tal como se nota nesta entrevista acha que em nome do interesse nacional deveria haver consenso e dizem isto com um ar de que a não haver consenso a culpa é do PSD. Não é. O PSD promoveu um vasto campo de cooperação durante o período eleitoral. Costa, transviado pela ideia do Poder e por umas quantas costelas de esquerda que lhe ficaram de pequenino, não só o rejeitou como se referiu a essa rejeição com desplante, arrogância e evidente má-criação.

Acho assim que o interesse nacional esteja exactamente na liminar rejeição de qualquer consenso com esta gente e aguardar os acontecimentos. Nem Costa merece crédito nem os seus comparsas nos merecem qualquer tipo de confiança, do ponto de vista de interesse nacional.


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quarta-feira, maio 14, 2014

A crise como rolo compressor dos dedicados benfiquistas


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A esquerda prepara uma acção conjunta (por uma vez, eles entendem-se) de protesto contra a troika, banqueiros, patrões, poderosos, famílias remanescentes do 25 de Abril, Pingo Doce e Angela Merkel pela profunda provação a que os adeptos benfiquistas estão a ser submetidos. Apenas 30% da capacidade do estádio de Turim será ocupada por benfiquistas (cerca de 12.000) que se deslocam a Turim nos cerca de 30 aviões que neste preciso momento «bicham» na pista nr. 1 do aeroporto da Portela e comboios e autocarros fretados para o efeito. Não falando nas viaturas particulares que neste momento devem estar já por ali a descer os Alpes.

Não fosse a crise e a gente mostrava àqueles espanhóis duma cana quem é que enchia o estádio.

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segunda-feira, agosto 05, 2013

A crise… de repórteres decentes


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Devo ter ido três ou quatro vezes à Costa da Caparica, na minha vida. Mas todos os anos, muitos anos, ouvi falar mil vezes da praia da Caparica. Que tinha muita gente, que os transportes eram morosos e esquartejavam-nos a paciência em bichas longas, ao sol, esperando autocarros que saíam apinhados do Areeiro e chegavam «à Costa» cerca de noventa minutos depois. Quem tinha carro queixava-se, à mesma, da muita gente na praia e em vez das bichas para os autocarros, queixava-se das longas bichas do trânsito, da ponte, do sítio para arrumar o carro, do calor ou de qualquer coisa, já que o português tem sempre qualquer coisa para se queixar e se não tiver, descobre.

Tudo junto e somado, parece que «ir à Costa» foi sempre um suplício, mais ou menos suportado com o estoicismo dos portugueses que não dispensam um golpe de sol na barriga. Mas este ano é diferente. A «Caparica» continua um horror de gente mas, desta vez, há uma explicação – a crise. Há muita gente na Caparica, por causa da crise. Não há dinheiro para ir mais longe e, assim, os portugueses vão à Caparica, tesos e submissos. Como é que a comunicação social chegou a esta conclusão, não sei. Lá deve saber como e os porquês. Não explica porque é que nos outros anos não havia crise e a praia estava cheia na mesma. Só explica que há crise, há austeridade e os portugueses não têm dinheiro. A culpa é, assim, da austeridade, do Passos Coelho, da troika, da Merkel, dos bancos, dos capitalistas, dos poderosos, dos swapistas, PPP's e portagens na Via do Infante.

A nossa comunicação social é assim. Prestimosa e bem informada. Tenho a certeza que quando a crise acabar e os «capariquistas» continuarem a ir à Caparica, a comunicação social entretém-se com outra coisa qualquer. Até lá… vamos ter que aturar os repórteres em directo, os banhistas em directo, os turistas domésticos em directo e a crise em directo e a idiotia como um directo aos nossos queixos.
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quinta-feira, julho 11, 2013

Será que o Presidente precisa de férias?


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Não estou certo de estar a ver bem o problema, aceito uma certa reserva, mas acho que Cavaco Silva deu a estocada final no resto de credibilidade e confiança que se tinha conseguido no exterior. Poderão existir muitas razões que desaconselhem a permanência de Coelho e de Portas no governo, mas a medida de Cavaco Silva surge, na minha maneira de ver, completamente desajustada dos superiores interesses do meu país. Por razões diversas, mas sobretudo porque não vejo a diferença entre um governo a prazo de 10 meses ou eleições antecipadas. Eu que até sempre fui de opinião que eleições antecipadas eram o dilúvio. Pois acho que Cavaco fez pior. Não sei se de propósito, se mal aconselhado, se por pura incompetência ou défice de capacidade de análise. Mas fez. Talvez o Presidente ande cansado, também, e com pouca paciência para aturar isto tudo.

Se eu fosse Coelho ou Portas compareceria ao chamamento de Cavaco por mero respeito institucional mas no minuto seguinte demitia-me. E Cavaco que descalçasse a bota. A menos que ela tenha já outra bota para calçar, mas não creio. Coelho e Portas dariam uma lição de dignidade se se demitissem já. E no caso de Portas funcionaria até como acto de contrição pela tremenda borrada que fez quando, irrevogavelmente, se demitiu.
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quarta-feira, julho 10, 2013

Isto da crise está a surtir efeito


[4925]

Não me venham dizer que a irrevogabilidade de Portas e o firme «não abandono» de PPC não estão a funcionar. A SICN anda mais moderada, o Carlos Zorrinho já deixa (um bocadinho) falar os opositores nos debates e a comunicação social começa a informar-nos do facto (refrescante) do Johnny Depp não usar cuecas e hoje fiquei a saber que a namorada do George Clooney quer filhos, ele não quer, diz-se que se separaram mas afinal, parece que não… humm… isto só pode significar uma melhoria de situação em Portugal, que os juros vão baixar, que o plano de ajustamento está mesmo a ajustar e que a Maria Luís Albuquerque está para durar. É certo que os indefectíveis do caos, no FB, continuam a falar dos aplausos nos Jerónimos ao Passos Coelho e a berrar por eleições mas há que convir que estas duas últimas notícias do DN são o garante de que a coisa se compõe. Sobretudo pôr-nos a vivenciar o Johnny Depp com as partes soltas, arejadas e libertas, literalmente, dos espartilhos de umas boxers que nos tolhem, a nós homens, a liberdade. Que isto de «os ter» no sítio é desejável, mas há que deixá-los bem à vontade. Ah! E o FêQuêPê parece que quer o Bruma, o calor está a passar das zonas laranjas para amarelas e este ano há menos incêndios. Foi bom ou não foi o despautério (desvairo, em pedromarqueslopês…)
de Portas?
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terça-feira, novembro 06, 2012

Magna descoberta da nossa comunidade científica

Qual crise?

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Estou muito mais descansado. A nossa comunidade científica fez uma notável descoberta, segundo a qual os portugueses andam a dormir mal por causa da crise. Certamente estudos aturados, profundos e comparticipados levaram os nossos cientistas a tão preclara conclusão. Por mim, sinto um alívio extreme, gratificante, porque andava realmente a dormir mal, mas atribuía o fenómeno a qualquer coisa que eu andasse a comer e que fosse indigesta para o jantar, mas Deus quis que me descobrissem a causa da maleita e as televisões, pressurosamente, informaram-me das causas da minha insónia.

Agora janto o que me dá na gana, vou para a cama sabendo que a causa da insónia é a crise e o Passos Coelho e o resultado é que durmo que nem um gansolino que se esqueceu de limpar o celeiro…
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terça-feira, setembro 25, 2012

Conviver com a liberdade



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Sabendo-se, sem hesitações mentais titubeantes, como a esquerda convive mal com a liberdade, não é novidade a conduta orgástica da esquerda em geral sobre a forma simples e democrática (lá nos botões dela) como se resolvem as crises políticas.

Mário Soares, Alegre, os comunistas, o Sr. Arménio e vários comentadores comentaristas pensadores politólogos sociólogos antropólogos psicólogos e até astrólogos do nosso palco mediático já se manifestaram, convictamente e sem se rirem, que este governo tem que sair. Não dizem bem como. Se à pedrada, ao estalo, se à la mode de Jorge Sampaio quando embirrou com as sestas de Santana Lopes e depois de Ferro Rodrigues estar convenientemente afastado, sabe-se e dizem é que tem de ser demitido. O facto de ser um governo legítimo, democrático e pela vontade expressa do povo soberano (como, de resto, reza a cartilha da esquerda) não interessa nada. Interessa apenas aquilo que estes preclaros «donos da bola» acham. E sabe-se que o que eles acham é partilhado por uma franja residual de eleitorado, mas isso para eles são outros quinhentos.

Agora são as duas cabeças do Bloco que acham que o Governo tem de ser demitido. Se João e Catarina fossem coerentes, deviam exigir a saída do governo e nomear já uma dupla de primeiros-ministros. Melhor… uma troika…hummmm… uma quadra…. Ou mesmo um quinteto… sei lá, qualquer coisa que para além de uma representação dúplice de género incluísse ainda primeiros-ministros com diferentes orientações sexuais, ciganos, negros, islamitas e ex-passageiros da TAP. Ou outros de que, entretanto, se lembrassem.

Começo a ter dificuldade em respirar…
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terça-feira, dezembro 27, 2011

Do what you gotta do



[4500]

Sim, por que hay que tenerlos. Como diria a Rititi.

Já agora…tardo em entender o seguinte: Se, por um lado, há que resolver a situação e equilibrar as contas dos países, e façamo-lo depressa, por outro não vejo que se faça alguma coisa no sentido de:

- Responsabilizar criminalmente aqueles que nos conduziram ao desastre. Em vez, por exemplo, de andarmos preocupados com o que eles vão estudar em Paris ou com o conteúdo de afirmações feitas a grupos de jovens estudantes;

- Fazer (não sei bem o quê, mas deve haver alguma forma…) com que estas situações não se repitam e não continuemos à mercê desta fauna «iluminada» que esgrime com pundonor a sua estupidez e libertinagem (ao mesmo tempo, sim…) com o dinheiro dos outros;

- Começar desde já uma campanha séria no sentido de fazer chegar às pessoas a mensagem desde deputado. Para que não «socratizemos, guterremos, sampaiemos ou cravinhemos» uma vez mais a política e, depois, nos queixemos amargamente. Ou, mais grave, persistamos na falácia idiota e no proselitismo criminoso que nos tem arruinado o presente e minado o futuro.
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quinta-feira, maio 05, 2011

Amen

[4152]

A gente podia ler isto e apenas pasmar. Seria uma das mil tonterias com que estes socialistas nos brindam todos os dias. Sobretudo se socialistas de aviário como este deputado jugular, petulante e pateta. O problema é que podíamos pasmar com os dislates e nada vir de mal ao mundo. Mas esta gente faz mal. Ao país, aos cidadãos e, talvez sem saber, a eles próprios. O que este senhor deputado diz aqui é de uma enormidade atroz, roça a religiosidade fanática e remete para uma subserviência sem nome. Porque, não conhecendo a criatura, consta que é homem da ciência dos números e de prosa composta. Bem poderia aproveitar estas prendas para estar calado, quanto mais não fosse por pudor.
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segunda-feira, dezembro 20, 2010

A Crise


[3992]


2010 foi um ano bem difícil mas, enfim, lá sobrevivi!!! Todavia, nem toda a gente teve a sorte que eu tive. A situação é, realmente, caótica e os sinais do abismo avolumam-se. Senão, vejamos:

- A economia está tão má que recebi pelo correio um cartão de crédito pré-recusado;

- Fui aos Estados Unidos e pedi um “burger” no McDonalds e a menina pergunta-me:- Can you afford fries with that?

- Os CEO’s agora já só jogam minigolfe;

- Se os bancos nos devolvem um cheque por insuficiência de fundos, agora temos de perguntar: - Fundos de quem? Nossos ou vossos?

- Numa outra ida aos Estados Unidos e nova visita ao McDonalds verifiquei que agora estão a vender o "¼ do ouncer”;

- Os pais da Quinta da Marinha estão as despedir as babás e a aprender os nomes das suas próprias criancinhas;

- Li algures num jornal que a polícia apanhou um camião carregado de americanos tentando emigrar clandestinamente para o México;

- A Mafia tem vindo a despedir juízes;

- A BP Oil já despediu 25 congressistas americanos;

- Com tudo isto, por estas e por outras, tenho andado tão deprimido pensando na economia global, guerras, desemprego, as minhas poupanças, segurança social, pensões de reforma, corrupção, a possibilidade do Sócrates ser reeleito e o FêQuêPê ganhar o campeonato que liguei para a Linha de Apoio ao Suicida. Não é que a minha chamada é reencaminhada para o Paquistão e de lá me perguntam se eu sabia guiar camiões?

Adaptado de mail recebido de amigo dos EUA
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terça-feira, outubro 12, 2010

Culpa minha, o tanas


[3932]

Que descaramento é este o desta rapaziada socialista em poder dizer que somos todos culpados pelo descalabro das nossas finanças, porque vivemos acima das nossas possibilidades? Mas afinal a culpa é de quem compra (e paga) ou de quem promove a disponibilidade de crédito e bens de consumo? Que patranha é esta de se querer agora distribuir responsabilidades pelos cidadãos consumidores e deixar a ideia de que devemos TODOS compartilhar a tripa forra a que os socialistas alegre e irresponsavelmente se entregaram? Que culpa tenho eu de que o Figo goste de vir a Lisboa «matabichar» com Sócrates e que alguém vá lá convidá-lo de «jatinho» e esse alguém ganhe dois milhões de euros por ano e seja do Futebol Clube do Porto desde pequenino? Que culpa tenho eu de que o meu primeiro ministro tenha passado praticamente uma legislatura afogado em escândalos, nunca cabalmente esclarecidos e estrategicamente escamoteados à justiça através de uma das mais descaradas protecções de que tenho memória? Que culpa tenho eu de que se forme e pague milhares de fundações, institutos e outras organizações serventuárias do regime, que ninguém sabe bem para que servem e que custam milhares de milhões e dão emprego a milhares que se lhes tiram essas instituições nada mais sabem fazer na vida? Que culpa tenho eu de ter vindo sistematicamente a ser «gerido» por amadores que a única experiência que têm de trabalho cabe num cadinho de poesia avulsa, máximas de grande impacto político, rasto curricular assente em meia dúzia de tiradas para «português ver» ou uma passagem pelos calabouços (masmorras, masmorras) da PIDE? Que culpa é que eu tenho que um grupo de sábios iluminados se tenha auto-convencido da sua indispensabilidade no processo de governação de um punhado de gente inculta e meio grunha, no seu douto convencimento, a que se vai dizendo umas patranhas e, sempre que julgado necessário, se responsabiliza e chama a atenção no sentido de que os grunhos têm de sofrer como o governo? Que culpa tenho eu, realmente, de que um grupo de gente promíscua e espertalhona submeta este país a tratos de polé e se embrulhe em teias pegajosas de robalos, documentos perdidos, juízes exprobrados quando se limitam a cumprir a nobre missão que lhes foi confiada, caciques de verbo incendiário, parolos, esses, sim, genuinamente grunhos a quem se entregou uma autarquia ou um clube de futebol, chico-espertos que se assoam à gravata e, enfim, a um rol interminável de patranhas, conluios, amiguismos, negócios escuros, de dinheiros sujos ou de cueca (mesmo que lavada…)?

Que culpa é que eu tenho, afinal, para que me queiram agora meter no mesmo saco e dizer que a culpa é de todos nós? O tanas, ou, para usar uma expressão que o Almirante Azevedo celebrizou… essa. Essa mesmo. E que lhes faça bom proveito. Ou que sigam o conselho de um dos contemporâneos e vão (finalmente) trabalhar.

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terça-feira, maio 18, 2010

Eu cá afinava...


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… fosse eu Manuela Ferreira Leite, por me sentir trocada por um macho lusitano por muito garboso que fosse, numa tarefa tão sensual e delicada como deixar-me arrastar na vertigem e volúpia do tango, fosse eu Pedro Passos Coelho por me sentir distinguido… hummm… pelas mesmas razões. Mas Sócrates não foi de meias tintas e, descoberto o parceiro, cortou a eito. “Engatou” o mais técnico que pôde da língua castelhana e evoluiu pelo salão. E descobriu a cana para o foguete. Literalmente!

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segunda-feira, maio 17, 2010

As grandes tiradas - "Há vida para além do défice"


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Sempre me incomodou a prosápia vácua dos que se presumem bem-falantes. Sobretudo quando acompanhada duma expressão facial que nos remete para as virtudes evangélicas caldeadas no raspanete severo às massas ignorantes e embrutecidas, vítimas da repressão fascista ou, pior, àqueles que apostam no enriquecimento fácil e sem respeito pelo Estado social porque não tiveram a dita de ser iluminados pelo sol, nascido para todos, sem distinção de castas, raças, credos ou ideologias, tropeçando com uma data de amigos em cada esquina, apostados na solidariedade internacionalista, contra os maus que não permitem a consumação do tal paraíso socialista que nunca mais se desembrulha e vai atirando gerações seguidas para a miséria (e para a cova, já agora, aqui e ali, quando calha e é necessário…). E depois, quando as coisas dão para o torto, se encolhem na casca e lá permanecem, esperando que uma réstea de sol novo lhes permita botar faladura de novo.

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sexta-feira, junho 12, 2009

€ 94 M - E depois?


[3183]

Cristiano Ronaldo passou a noite com Paris Hilton em LA e, segundo as más-línguas, acabou em casa da irmã (dela). É o que dá ter graça e saber contar anedotas.

Já quanto aos 94 milhões, não percebo qual é o problema. O dinheiro é deles, ninguém me veio ao bolso por causa da transferência, ninguém me congelou contas de banco por causa disso. Por outro lado, num país como o nosso em que o Governo é tu cá tu lá com milhões e milhares de milhões, onde meia dúzia de pareceres jurídicos com meia dúzia de fotocópias facilmente atingem importâncias mais ou menos obscenas, deveríamos ser os últimos a estar preocupados ou escandalizados.

Por último. Há uma coisa que eu gostaria de enfatizar. CR, um rapaz modesto, madeirense, espoletou uma transferência milionária e vai ganhar qualquer coisa como €25.000 por dia (and change, por via de uns contratos de publicidade). Vem de uma família modesta, tem uma irmã gorda e Kátia e que aparentemente canta pimba, vivia numa casa em que um galo de plástico daqueles que mudam de cor com o tempo tem honras de bibelô. Vai daí, veio para Lisboa e sem padrinhos, amigos, lóbis, “jotas” nem “lambebotismos”, licenciaturas domingueiras, projectos de gosto duvidoso, sem mentiras nem demagogias, sem esbirros nas bancadas a dizer “muito bem” de cada vez que metia um golo ou fazia uma jogada mais vistosa, sem beijinhos nos mercados (pelo contrário, teve a ousadia de levantar o dedo médio a uma assistência completa do estádio da Luz), sem qualquer destes acessórios, dizia eu, atingiu o cume do sucesso. Por si próprio, pelo engenho que mostrou em fazer qualquer coisa. No caso, pontapés na bola, mas engenho. O que é isto senão mérito? Espere-se que o cume que atingiu não seja o de Dante e não se dê uma erupção que arrase tudo á volta. Mas até nisso parece que o jovem é bom. Em gerir a sua própria fortuna, sem precisar que lho façam por ele.

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segunda-feira, maio 04, 2009

Tirar-nos "disto"


[3107]

"Pode ser necessário fazer uma coligação. Uma coligação de partidos para "sairmos disto"...disse Jorge Sampaio com o seu proverbial tom melodramático".

Eu pensava que Sampaio nos tinha "tirado disto" há poucos anos atrás quando despediu Santana para dar lugar a Sócrates. Pelo menos fê-lo com o ar salvífico e regenerador para que descansássemos do pesadelo. Afinal parece que não tirou e apresta-se agora a debitar novas soluções. E sempre com aquele ar de irritação que nos faz olhar todos uns para os outros como quando cheira mal no elevador e toda a gente se interroga sobre quem se terá descuidado.

Sampaio tem o condão de irritar as pessoas. Sobretudo quando parece ele o irritado, o que acontece quase sempre.


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segunda-feira, abril 20, 2009

Crise?

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Acabei de ouvir, notícia fresca do noticiário da manhã das televisões, que muitas casas de penhor estão cheiinhas de Magalhães. Esses. Os tais que andam a ser distribuídos pelas escolas.
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segunda-feira, dezembro 29, 2008

A crise da crise


[2852]

O miserabilismo nacional não perdoa e este ano a crise económica parecia ser o caldo ideal para a cultura do choradinho, durante a época natalícia. É assim que tem havido um verdadeiro assalto pelos jornalistas a comerciantes e clientes, com uma barragem de perguntas de resposta óbvia, quais sendo se o negócio se ressentiu na quadra de Natal da crise que atravessamos. Surpreendentemente, a tónica geral é a de que o negócio se manteve e, em alguns casos, até melhorou. Ao mesmo tempo, os indicadores estatísticos demonstram que há mais dinheiro gasto, mais dinheiro levantado em multibanco e maior uso de cartões de débito e de crédito. Mas os repórteres não desarmam e por cada resposta positiva lançam-se numa ávida insistência, na esperança, muitas vezes vã, de ouvir o comerciante dizer que este ano foi uma desgraça. Um ou outro faz-lhes a vontade mas, surpreendentemente, repito, as voltas dos repórteres têm sido trocadas.

Dando de barato que a crise existe mesmo, tem sido flagrante o desconsolo dos profissionais do microfone que este ano, vá-se lá saber porquê, não têm tido o choradinho do costume.
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sábado, novembro 29, 2008

Crise


[2799]

Os hotéis de neve estão esgotados. A crise faz-se sentir assim em mais um sector da economia portuguesa. Já um português quer ir de mini férias e não pode. Está tudo esgotado. O governo devia fazer alguma coisa!

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Estatísticas


[2798]

Por via do 25 centímetros de neve cheguei a um conjunto de dados estatísticos (OCDE indicators Education at a glance, 2008, relatório de Setembro de 2008) segundo os quais os professores portugueses:

- Têm as turmas mais pequenas (19 contra uma média da OCDE de 21,5 e 20,2 da EU. USA - 23,1; UK - 24,1; França - 22,5; Alemanha - 22,1 ou Holanda - 22,1);

- São dos que trabalham menos horas. 1.440 horas contra uma média na OCDE de 1.662 e na UE19 de 1.619. Dinamarca - 1.680; Alemanha 1.765; Holanda - 1.659; Noruega - 1.688; Suécia - 1.767);

- São dos que ganham mais dinheiro no topo de carreira, em termos absolutos. US$51.552 em paridade de poder de compra, o que compara com 43.289 na Austrália, 49.634 na Dinamarca, 43.058 em Inglaterra, 49.155 em França, 38.525 na Grécia, 36.264 na Islândia, 40.934 em Itália, 40.785 na Noruega ou 38.760 na Suécia);

- São dos que ganham mais dinheiro em termos relativos, por relação ao PIB per capita (os portugueses ganham 1,58 vezes mais, o que compara com uma média OCDE de 1,34 e uma média UE19 de 1,31. Outros valores comparativos - USA - 0,98; Suécia - 0,98; Noruega - 0,72; Islândia - 0,95; França - 1,1 ou Grécia - 1,18).

O que me parece verdadeiramente estranho é o silêncio em que passam estes indicadores estatísticos. Porque será? São falsos? Ninguém lê? Dá muito trabalho? Em contrapartida ouvimos Mário Nogueira todos os dias. Várias vezes por dia.

Nota: MN acabou de dizer na televisão que no próximo dia 3 a greve tem de ser com 100% dos professores. Com P grande, diz ele. Os professores com P pequeno ficam em casa a estragar a estatística e a levantarem atoardas sobre a pressão dos professores com P grande sobre os professores com P pequeno. Mário Nogueira deveria estabelecer um modelo de avaliação para classificar os professores em P’s grandes e P’s pequenos. Ainda que isso não condiga bem com a outra avaliação. Então não têm de ser todos iguais? Massificados e tudo a pensar para o mesmo lado?

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quinta-feira, outubro 30, 2008

Ler os outros

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"...Por este andar ainda vou ver o Pacheco Pereira na fila à espera de chegar a sua vez para receber o certificado que garante que nunca foi liberal nem coisa que se pareça, podendo então circular livremente por Lisboa sem levar uma galheta bem dada pelo Manuel Alegre ou ouvir de Soares um "desapareça daqui" igual ao que ouviu o coitado do agente da Brigada de Trânsito.

São assim os nossos pensadores, enquanto por esse mundo fora procuram uma solução que salve o capitalismo e o dinheiro da China comunista, por cá os teóricos optaram por reconstituir um ringue de luta entre correntes do pensamento económico como se estivéssemos no século XIX. Isso não me espanta, afinal as personagens que mais têm criado agitação no museu de cera da política portuguesa há muito que pertencem ao domínio da história do pensamento político português. Morreram politicamente mas alguém se esqueceu de os enterrar..."


Ler o post todo no Jumento.
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