sábado, março 08, 2014

A comunicação social do costume


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Tenho estado a trabalhar e a ouvir em ruído de fundo um comentário da actualidade feito pela actriz Maria do Céu Guerra. No miolo de tal comentário subjaz algumas das razões que justificam o nosso atraso e o ambiente conflitual em que todos vivemos. Quando uma actriz de reconhecido mérito e cultura afirma que o mundo está complicado porque a culpa dos acontecimentos na Ucrânia é dos poderosos, a primavera árabe surgiu porque os árabes conseguiram libertar-se dos carniceiros que os governavam mas os poderosos também não sei quê não sei quantas… e em África… e os poderosos… e na América latina… os poderosos, embora (este embora é importante no contexto e demonstra bem o grau de entendimento da senhora) a Venezuela seja uma excepção, porque Chávez sabia muito bem o que queria, mas este actual presidente, o Maduro, está um pouco… imaturo, mas os poderosos… enfim, uma cantata de poderosos e , nem por isso, a sonata conduzida pela pivot se opôs muito no concerto porque se complementavam, nunca se opondo. A actriz também falou muito do nosso país, isto está podre e perigoso… veja bem o que aconteceu agora ao banqueiro Jardim Gonçalves que a justiça deixou escapar. 

De resto este escapar, logrou fugir e outras expressões semelhantes são frequentes hoje na nossa já insuportável media. Aquela velha corrente da presunção de inocência até a condenação transitar em julgado, bem assim como a ilegalidade de provas (ocorre-me, assim de repente, as gravações de Sócrates e Pinto da Costa, apenas para falar em pormenores) aplica-se apenas aos presumíveis criminosos bons, porque aos maus, como Jardim Gonçalves não é aplicável. O homem devia ser preso e, quem sabe, aproveitando até alguns daqueles polícias que telefonam para a SIC dizendo que é preciso começar a matar por aí, apedrejá-lo, castrá-lo e dar o dinheiro dele aos pobrezinhos. E isto não dando sequer confiança à ligeireza com que alguns jornais misturam habilmente condenações com contra-ordenações do Banco de Portugal. Enfim, a miséria da vergonhosa comunicação social que temos.

A propósito de Jardim Gonçalves, ler aqui. E aqui. Vale a pena.

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quarta-feira, agosto 21, 2013

Talentos elevados e merecedores de subsídios



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É isto. A qualidade do som não é famosa, mas vale a pena ouvir «isto» até ao fim. E partilhar a angústia deste pessoal incompreendido que se zanga imenso por não ter (mais) subsídios. E concluir como estamos bem servidos. E com boa escolha. Ou conversa elevada, socialista e abrangente como esta ou realizadores que querem que os espectadores se fodam. Que não feneçam os subsídios para tanto talento e elevação.

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quinta-feira, março 29, 2012

Shhhiiiuuuuuuu...

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Ontem ouvi Santana Lopes, Fernando Assis e Fernando Rosas na TVI24 e, pela conversa, acho que recentemente se tem instalado a ideia da necessidade absoluta de não se falar em Sócrates. De caminho, aproveita-se a deixa para tecer duras críticas ao PSD e ao Governo que não resistem, diz-se, a lançar farpas constantes ao anterior governo. Falar mal de Sócrates é prejudicial à imagem externa do nosso país, reflecte desunião, pode condicionar o BCE, o FMI, a Comissão Europeia, olhem o que está acontecer à Grécia de que só se fala nas próximas eleições, enfim, um rosário de observações carpidas, se falarmos na criatura só falta mesmo dizer que dá sarna, urticária ou herpes labial.

O Partido Socialista, particularmente, deveria ter um mínimo de pudor em integrar esta procissão e, mais, de se irar com a alegada contundência do governo e do PSD. Deveria o PS lembrar-se, um pouquinho só que fosse, da grosseira truculência de Sócrates em relação à oposição, da forma desabrida, ofensiva, com que referia os seus adversários políticos (e não só políticos, incluía no seu mau perder jornalistas, comentadores, manifestantes, organizações sindicais, tudo o que mexesse contra ele) e das sessões contínuas de comícios, congressos, discursos e entrevistas em que a criatura fugia claramente ao que se lhe perguntava e se entretinha a insultar toda a gente. Deveria ainda o Partido Socialista lembrar e introverter as circunstâncias factuais que indicam que Sócrates em pessoa e a sua entourage, atenta veneradora e obrigada, foram responsáveis pela precipitação deste país no caos e não apenas porque o deixou chegar a uma situação de pré insolvência (as pessoas esquecem-se que quando Sócrates caiu, parece que já não havia dinheiro para os salários do mês seguinte), mas também pela continuada acção do seu governo de amizades, compadrios, cumplicidades obscenas, maroscas, tramóias, envolvimentos suspeitos que desaguaram, inevitavelmente, na situação presente.

O Partido Socialista devia ter um pinguinho de vergonha e não se irritar tanto quando se fala do seu Grande Líder. Quanto ao PSD e ao Governo, podem deixar de bater no ceguinho, é verdade. Mas não é menos verdade que, às vezes, há que o recordar para que a memória não se esbata e se acabe por «lavar» um dos mais vergonhosos e perniciosos períodos de governação no pós 25 de Abril.
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sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Pessoal distraído

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Corre por aí alguma surpresa pelo facto de o PCP ter votado contra a adopção de crianças por pares do mesmo sexo. Confesso que não percebo bem a surpresa. Ou as pessoas andam muito mal informadas sobre o pensamento (e as acções…) dos comunistas em matérias relativas à homossexualidade ou então andam distraídas com a seca. Por outro lado, esta surpresa remete para a clara e generalizada convicção de que as questões relativas à homossexualidade e adopção de crianças por pares do mesmo género são uma causa de esquerda. E isso fere de morte qualquer tentativa de análise séria do problema, quer do ponto de vista social, quer político, quer humano.
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sexta-feira, novembro 11, 2011

Cada um tem o General Alcazar que merece






















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De quando em vez tratamos, com sucesso, de recordar ao mundo civilizado que mantemos bem acesa a centelha do povo atrasado que fazemos questão em ser. Mais, não chegasse esse atraso, temos de lhe juntar uma embaraçosa porção de complexos, problemas mal resolvidos de pequeninos e, até, racismo em estado puro.

Os disparates de um pateta perigoso como Otelo, um indivíduo aventureiro e de personalidade martelada entre várias acções que em qualquer país do mundo o manteria atrás das grades, voltaram à ribalta, para gáudio de uns quantos agentes de comunicação social, muitos deles quiçá não fazendo ideia do que este homem fez (e quis fazer) aos portugueses que não comungavam do estranho conceito que ele tinha (tem) de liberdade, na altura em que prendeu gente só porque acordava mal disposto, mandou matar gente porque sim e se lembrava de meter o pessoal no Campo Pequeno só porque também. Ele agora quer um golpe de Estado. Deve até ter estudado a situação, pois acha que oitocentos homens chegariam. Há menos quartéis, os portugueses andam mais distraídos e tudo seria mais fácil.

Que continuemos a manter no nosso seio uns quantos Generais Alcazar ou Tapioca, reminiscências de um passado que mesmo já na América latina já não se usa (salvo para os mostrarmos como atracção turística) apesar dos esforços de um ou outro Chávez e Evo Morales, ainda se tolera. Desde que se mantenham quietos e não chateiem o pessoal. Dêem-lhes uma roca, um apito ou um assobio. Sobretudo se ilibados/perdoados por crimes de sangue por razões que, pela parte que me toca, nunca cheguei a entender, mas que Mário Soares deve saber muito bem. Mas que os deixem vir a terreiro dizer barbaridades como estas, é que não. Prendam-nos, exilem-nos, usem mesmo do seu próprio conceito de justiça e dêem-lhes uma carga de porrada, mas que não se permita que esta gentalha continue a chatear.

Nota: No meu tempo havia uma coisa chamada RDM, passava por ser um Regulamento de Disciplina Militar. Por bem menos do que o que Otelo disse, se era detido e, de imediato, se nomeava um oficial de justiça para um auto de averiguações. Hoje, dá a ideia que parece mal. Salvo se for um elemento da extrema-direita, esse, sim, deverá ser exprobrado, preso e, preferencialmente, enforcado ou feito em fricassé aos bocadinhos em lume brando. Otelo, é que não.
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segunda-feira, janeiro 10, 2011

Separar as águas


Esta foto já foi usada uma vez por uma confrade. Peço desculpa pelo atrevimento, mas foi a foto que me surgiu mais «à mão de semear» para ilustrar o texto

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Tomás Vasques não tem razão quando mistura as águas. A caminha que fizeram a Cavaco a propósito das acções não tem nada a ver com as trapalhadas de Sócrates no «Fripór». Isto se nos ativermos apenas ao «Fripóres», que com Sócrates, valha-nos a santa, sobram exemplos que dariam para uma fornada de campanhas se fosse ele o presidenciável.

Mas é isso que o Tomás Vasques faz. Mistura as coisas, nivela as trapalhadas das acções de Cavaco com as trapalhadas de Sócrates, mas injustamente. Porque as acções de Cavaco não meteram familiares a darem entrevistas (concludentes) na televisão, filhos de tios que nos intervalos das suas meditações transcendentais no Extremo Oriente iam mandando uns «bitaites» para Portugal, não metiam procuradoras adjuntas a dar entrevistas, pressões sobre magistrados, (um dos quais foi mesmo punido…), também não meteu vídeos, diálogos comprometedores e todo um conjunto de acções, palavras ou actos que configuravam um profundo enredo de Sócrates num assunto turvo e que porventura jamais virá a ser explicado.

Já com Cavaco houve umas afirmações mais ou menos inflamadas (e ingénuas, diria eu) de Manuel Alegre sobre o preço da venda e da compra de acções e possíveis favores do BPN a Cavaco e um «abominável» lucro de 140% (imperdoável, não se faz) e uma ausência total de suspeição. Nem por conversas, nem por vídeos, nem por entrevistas.

Misturar estas trapalhadas e colocá-las no mesmo plano (sendo que uma NEM trapalhada é) configura um exercício que, de duas uma: ou reflecte um mau discernimento sobre as matérias em apreço ou, mais grave, um deliberado propósito de diluir as trapalhadas de Sócrates num episódio absolutamente normal e legal de compra e venda de acções.

Esta «mistura» nem seria muito grave se ao andor do cura não se juntassem os sacristães de serviço que de imediato ajudam à procissão. Acresce que a prestação de Alegre com o texto literário/publicidade/pagamento em cheque/transferência/depósito/devolução de cheque/instruções para dar o cheque a uma instituição de caridade/secretária provavelmente desmazelada/declarações de que o cheque nunca foi devolvido/declarações de que o IRS de Manuel Alegre do ano em causa incluía os €1500, aconselhariam que Alegre nem abrisse mais a boca. O que, de resto e avisadamente, ele parece ter feito. Por isso me espanta continuar-se a bater no ceguinho.

Poucas vezes o aforismo das águas será tão aplicável como no caso vertente.

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segunda-feira, dezembro 20, 2010

Proposta indecente

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Há evidências perturbadoras. Se um dentista não sobreviveria num país de galinhas, um vendedor de aparelhos condicionados declararia insolvência no Pólo Norte, gostaria de saber como é que os patetas, vaidosos e que nascem com a mania que fazem uma falta desgraçada poderiam sobreviver se não houvesse capitalismo, iniciativa privada?

Não fosse o capitalismo mai-las sua malfeitorias, quem é que falaria do Zé que faz falta? Ou mesmo, quem é que saberia que ele existe?

Via Insurgente
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segunda-feira, novembro 08, 2010

Imbecilidade militante


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No fundo esta rapaziada beijoqueira e exibicionista, antes de serem gays são, fundamentalmente, idiotas. Vale-lhes a virtude de estarem a prestar um bom serviço à comunidade, incluindo a igreja católica. Porque se a condição gay (esta da condição gay é mais ou menos por comodidade discursiva, não me ocorre outra…) está consensualmente aceite na sociedade moderna como uma expressão livre de opções sobre práticas sexuais, já o primado da decência continua a ser suficientemente forte para que achemos esta maralha desprovida de um módico mínimo da mesma, no pressuposto de que neste mundo todos temos de nos respeitar uns aos outros. E é por isso que eu acho que estão a prestar um bom serviço. Encenarem episódios deste tipo, a propósito ou não de uma visita do Sumo Pontífice, ajuda-nos a que não nos desviemos, por um milímetro, da fronteira entre um quadro social e humanamente aceitável e a manifestação indecorosa de um punhado de imbecis.

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quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Impossível deixar de esboçar um sorriso

O homem novo...

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"Talvez assim se extinga muita vocação para aqueles de cursos psico-sociologia que formam aquelas multidões que sonham reinserir, reenquadrar e dinamizar as problemáticas emergentes do actual contexto"

Diz a Helena Matos, aqui, a propósito desta notícia.


...a caminho da sociedade perfeita !

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