quarta-feira, janeiro 11, 2017

Náusea



[5489]

Mário Soares é já um factor secundário na pantomina que tem entretido a grei nestes últimos dias. Jamais pensei ser possível tamanha manipulação das pessoas por via da televisão e dos jornais A morte de Soares tornou-se um exemplo vivo (irónico, porque vindo de um morto) da força dos órgãos de comunicação social, da influência e domínio que ela tem nos seus fautores e na náusea máxima que conseguem causar a quem, com a serenidade e sentido crítico destas coisas, vai acompanhando a evolução dos acontecimentos. Os jornalistas mais novos mostraram à saciedade uma comoção que terá eventualmente mais a ver com o contexto profissional em que estão inseridos do que propriamente com o passamento de Soares. E os comentadores e peritos de opinião descascaram o evento até ao caroço, com a agravante de mesmo chegando ao caroço continuarem a roê-lo com banalidades do discurso redondo a que nos habituaram e amestraram ao longo dos anos.

O funeral e luto de Soares constituiu para mim, que já não sou propriamente um garoto, o exemplo mais chocante de como continuam a existir ditaduras, ainda que com vestes diversas. Através dos que ditam, pelas mais variadas razões e pelos mais diferentes meios e através dos ditados que uma vez mais mostraram esta notável e trágica tendência para serem pastoreados. Por um cardeal, uma santa que apareça a uns quaisquer pastorinhos, um rei, um futebolista, basicamente, um ditador que lhes cuide da alma e do corpo. É a mais triste das verdades. E convenhamos que é uma situação que não desperta um particular orgulho ou uma assinalável nobreza.

Continuo a não falar de Soares por respeito pelos que partem. Mas reconheço uma inesperada surpresa pelo grau de proselitismo, ignorância, arrogância (ocorre-me, assim de repente Miguel Sousa Tavares e António Vitorino, que da cátedra da sua projecção pública chamaram lixo e energúmenos a todos os que se atreveram a criticar Soares. Apetece-me chamar-lhes idiotas, oportunistas, enjoado militante e careca baixinho, mas isso iria colocar-me ao nível deles, coisa que liminarmente recuso) que reinou por aí, como que “proibindo” as pessoas de criticar Soares. E não me apetece ser lixo nem energúmeno aos olhos daqueles dois. Começo a fartar-me do assunto. E já bastaram estes dias em que ouvi música de encomenda e vi séries e filmes em regime contínuo.


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domingo, janeiro 08, 2017

Os idiotas úteis e os inúteis imbecis



[5486]

Este período pós-passamento de Soares está a tornar-se doentio e reflecte bem o que somos a exercer domínios e a sermos dominados. Deliberadamente não falarei sobre Soares e tanto me apetecia dizer… basta “googlar” «Espumadamente Mário Soares» e quase que dava um livro… mas já o meu avozinho dizia que não se bate em mortos. E Soares está morto e o mínimo a que me sinto obrigado é não aproveitar a maré.

Mas, todavia, há uma questão que me provoca arrepios. Não na TV (sintonizada há dois dias para filmes, futebol e séries…) mas em crónicas e comentários. Qual seja a voz corrente de que Soares é o pai da democracia para a generalidade dos portugueses, com excepção da Direita e dos retornados. Causa-me uma urticária severa ouvir uns quantos badamecos (que de badamecos de trata) falar de coisas de que não têm o mais remoto conhecimento. À partida, fazem um caldeirada entre a Direita e os “retornados” o que é uma prova evidente de ignorância e pura estupidez. E depois quando vejo os autores das crónicas e dos comentários e percebo que grande parte deles nem teriam nascido no 25 de Abril e/ou muito provavelmente jamais terão ido a África no tempo colonial, não consigo evitar um frémito de repulsa por tanta imbecilidade. São frequentes as referências aos colonos como uns “direitolas” que passavam a vida e beber uísque, a caçar gazelas e a bater em pretos. Já li até de pessoas que sabem que a maioria das crianças brancas passava a vida a andar de baloiço, empurradas pelas crianças negras.

É muita imbecilidade e muita ignorância por parte destes cronistas, comentaristas, especialistas, todos muito sociólogos, muito ISCTE, muito Adão e Silva para ficar calado. O que geralmente se tem estado a afirmar é de um desrespeito total por cerca de um milhão de portugueses que viviam nas ex-colónias. E achar que a maioria tinha os filhos a andar de baloiço empurrados por crianças negras enquanto os pais bebericavam uísque no Clube de Caçadores em Luanda é de uma exasperante imbecilidade.

E não precisavam de Soares ter morrido para falar no assunto. Podiam falar antes, porque os retornados já acabaram há cerca de 40 anos (cabe aqui dizer que muitos deles ocupam hoje lugar de relevância no empresariado nacional e, muitos outros, no estrangeiro, em vez de irem para a frente do ministério da educação com cartazes a dizer que saíram da faculdade há mais de um ano e o governo ainda não lhes arranjou emprego). Mas falar agora dá mais sainete. Mesmo que o falecido tenha muito mais a exprobar que enaltecer. Mas isso é outra história de que prometi não falar, em respeito total pela máxima do meu avozinho que Deus tem.


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segunda-feira, janeiro 06, 2014

Porque lhe dão tanta trela?


[5066]

Que não se confundam as coisas. Soares não está senil. Sabe o que diz e porque diz. E a sua petulância e desprezível arrogância não lhe autorizam sentir-se secundarizado. Sobretudo se, como agora foi o caso, por um homem que apenas jogava à bola, almoçava às vezes no lugar onde ele, Soares, almoçava e bebia muito whisky. Ah! E que era um homem de pouca cultura (ouvir aqui).

Esta retórica é miserável e quando me lembro (há quase 40 anos que percebi isso) que foi um homem destes responsável por um processo de (necessária e desejável) descolonização, no qual manifestou o maior desprezo pela segurança e futuro de milhões de cidadãos, até me arrepio. Mais tarde espantei-me como a forma estouvada, incompetente e insolente como geriu este país e como complicou a vida a quem poderia ser melhor do que ele a fazê-lo sugeriram, ainda assim, os encómios de salvador da democracia e outras vacuidades do género. Hoje, limito-me a dar-lhe o mais completo desprezo. Porque já não passa de um vaidoso e repelente malcriado. E se me é indiferente a corte de bajuladores que ainda hoje circulam e intrigam à sua volta, ainda me causa uma profunda irritação a excitação de tantos repórteres e jornalistas que correm para ele de cada vez que um qualquer acontecimento agita a paróquia.

E.T. Sobre este tema, ler ainda, aqui, aqui e aqui .

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quinta-feira, dezembro 12, 2013

Já cansa


[5043]

Mesmo fora do país, ou talvez por isso, a gente lê isto e tem necessariamente de se sentir impelido a reavaliar a noção que temos da figura e carácter de Mário Soares. Questionando se todos os seus desmandos e devastadoras consequências ao país se deveram à sua arreigada ideologia e, outrossim, à sua desmedida vaidade ou se, apenas, ele é um banal idiota.

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quinta-feira, novembro 14, 2013

Vão chamar pai a outro


[5029]

Esta notícia trata basicamente da matéria do post anterior. A pequena diferença é o Expresso, um exemplo doloroso de cretinice galopante, achar que Soares é meu pai. De mim e de mais cerca de dez milhões de cidadãos. E não se coíbe de informar o pagode. Soares, papá dos portugueses. Ah! E gosta de Sócrates não vão os filhos do homem esquecer-se deste importante estado de alma.

Estamos bem servidos.

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Ainda Soares


[5028]

Houve tempo em que este homem foi objectivamente responsável por um período negro da nossa história, no qual demonstrou um total desrespeito pelos mais elementares valores da vida humana, incluindo ela própria, a vida humana. E dizer-se isto era levado à conta de um perigoso «fassismo» e de um desejo encapotado de que os cidadãos residentes nas ex-colónias sonhavam com um Portugal uno e indivisível, com os portugueses de Timor a dançar o vira minhoto. Nada de mais falso, a maioria dos portugueses das ex-colónias tinha a noção exacta da necessidade de mudança, mas que tudo isso se fizesse no respeito absoluto pela vida e valores dos portugueses e dos povos africanos.

Da histeria do momento, e consumada a tragédia que se conhece, Soares ganhou estranhamente a auréola de salvador da pátria por ter mandado uns berros na Alameda e alimentou, sábio, a condição de senador, mau grado as inúmeras trampolinices em que se envolveu e a demonstração da mais cavernosa incompetência na condução dos destinos deste país. Hoje, idoso, goza de uma halo de simpatia e tolerância que lhe permite dizer o que lhe vem à cabeça. Nada de mal viria ao mundo se o que diz fosse minimamente estruturado e honesto. Mas não é o caso. Soares refinou uma dinâmica caldeada no ódio e no ressabiamento e que o leva a demonstrar ser, pateticamente, um imbecil que me faz de corar de vergonha de cada vez que abre a boca. Desta vez acha que isto só vai a tiro. E, entre outras coisas, que Durão Barroso só pensa no dinheiro. E não há ninguém que lhe «explique» que estas coisas hoje não se resolvem a tiro. E, já agora, que Durão Barroso pode até pensar em dinheiro, mas que é dinheiro dele, ganho através da sua legal remuneração e não por via de qualquer «fundação», como a de Soares, que continua a receber uns trocos (!!!) dos contribuintes portugueses.

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segunda-feira, novembro 11, 2013

Banditismo


[5023]

Pondo-me, pouco a pouco, em dia com a actualidade, após uns dias de retiro, vou tropeçando nos factos do costume. Onde não faltaram as tropelias de Soares, uma figura mais ou menos sinistra para qualquer português com mais de sessenta anos e a que a comunicação social continua a achar imensa graça e interesse.

Desta vez Soares acha que Cavaco pertence ao bando. Será, assim, um bandido. Cavaco faz bem em não recalcitrar. Porque isso é que o Soares quer. E a melhor maneira de ele se ir reduzindo à sua desejável e rápida «anodinização»  é não lhe «passar cavaco». Mas que é lamentável ter de continuar aturando a sua gritaria idiota, é.

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quinta-feira, setembro 26, 2013

Um fixe chamado Soares


[4990]

Começa a ser penoso ouvir ou ler as declarações de Soares. Ele tornou-se uma caricatura de mau gosto que remete um furioso adepto da bola para a indiferença de cada vez que se resolve a produzir comentários. Merkel não ganhou as eleições porque não teve a maioria e por outras razões que ele alinhava para os repórteres e espectadores numa sessão de campanha.

As declarações deste homem costumam remeter para um grau de senilidade de que, na minha opinião, Soares não sofre. Por mim, acho que não são mais que uma espécie de apostolado da sua acção e pensamento ao longo dos anos. Acho que ele sabe e sente bem o que diz, porque nunca pensou doutra maneira e não sabe viver num espaço de pluralidade de ideias e de actos. Mas aceito que o seu habitual discurso se esteja, ultimamente, a revestir de cretinismo. O que é penoso, para quem o ouve. Cá dentro, por uma questão de decoro, tratando-se de um homem que tanta influência teve nos nossos destinos. Lá fora, porque, no fundo, bem lá no fundo, se achará que Soares é o retrato vivo da mentalidade dos portugueses. E que com portugueses deste tipo é muto difícil tratar seja o que for. Muito menos emprestar-lhes dinheiro.

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terça-feira, julho 23, 2013

Não fosse ele...e Mandela ainda estaria em Robben Island!





[4942]

«…De Klerk disse-me que não queria a África do Sul isolada do mundo. Desejava, de seguida, acabar com o apartheid. Respondi-lhe: "Isso é impossível." …»

 …«De Klerk disse-me que não queria a África do Sul isolada do mundo. Desejava, de seguida, acabar com o apartheid. Respondi-lhe: "Isso é impossível." …»

«…De Klerk ficou a pensar. E no dia em que, dadas as melhoras do meu filho, regressei a Lisboa, o ministro Pik Botha esteve de novo no aeroporto à minha espera e disse-me: "Hoje à noite vamos libertar dez prisioneiros políticos, como verá quando chegar a Lisboa. Mas não Mandela." Respondi-lhe: "É bom, mas não consegue resolver o problema do isolamento da África do Sul."…»

«…Passaram as semanas até que Mandela foi finalmente libertado. Foi uma explosão de alegria universal. O apartheid entretanto acabou e Nelson Mandela algum tempo mais tarde foi eleito Presidente da República…»

Estas afirmações de Mário Soares são retiradas da sua crónica do DN de hoje onde, no seu estilo próprio e a par das inanidades do costume sobre a decisão de Cavaco Silva e a providência cautelar da Alfredo da Costa, ele se arvora como que em mentor da libertação de Mandela. Não fosse João Soares ter tido o acidente à saída da Jamba e Mário Soares não ter ido a Pretoria visitá-lo (coisa de que a África do Sul tirou partido e vantagens) e de Klerk não teria libertado Mandela. É caso para nos questionarmos porque é que o Nobel foi atribuído a Mandela e de Klerk e não a Soares. Soares, muito provavelmente, fê-lo.

É penoso arrastar esta criatura pela história e arrostar com a sua inqualificável vaidade e permanentes disparates e pensar na sua objectiva contribuição para o trágico destino de muitos cidadãos. Nacionais e estrangeiros.
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sexta-feira, julho 19, 2013

Uma autêntica verruga da democracia e da liberdade...




[4938]

Uma vez mais Mário Soares, desta vez acolitado por Manuel Alegre e devidamente coberto pelo sinuoso Vítor Ramalho, soltou umas diatribes, pelas quais Seguro ficou a saber como é, no caso de as decisões dele não serem as que Soares quer. De resto, em linha com a conduta habitual de Soares, muito egocêntrica, arrogante, malcriada (ver o registo do tom em que ele avisa Seguro) é bem reveladora de como este homem nunca soube lidar com a liberdade, servindo-se dela para alcançar os seus fins e, mais importante, poder exercer o direito às bravatas imbecis a que ele nos habitou. Nos intervalos da sua irresponsável acção como governante e negociador, raiz da desgraça que açoitou milhares de pessoas.


Neste caso particular, nem interessa saber se Seguro deve fazer o acordo ou não. O que interessa é ver como Soares acha que deve ser. E como acha que o que ele acha não pode nem deve ser achado de forma diversa por mais ninguém. Acho eu.
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terça-feira, abril 16, 2013

Mandem lá o homem negociar...


[4891]

O homem tem-se oferecido, mas não lhe ligam nenhuma. Está farto de dizer que andamos a ser brutos com os terroristas e que isto é assim um bocadinho como as dívidas. Não se pagam. Tal como os terroristas não se matam. Negoceia-se com eles.

O resultado está à vista e mais uma tragédia se abateu sobre vítimas indefesas que se entretinham a assistir a uma final desportiva em Boston. Enquanto assassinam e não assassinam o Passos Coelho ou, pelo menos, Cavaco Silva, porque raio não mandar lá a creatura negociar com os incompreendidos terroristas? É tudo à bruta, tudo à bruta e depois é o que vemos. Mandem lá o Mário Soares negociar, chiça. Não é isso que ele diz que se tem de fazer?
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segunda-feira, março 04, 2013

«Roupa velha»



[4868]

Continuo a ter grande dificuldade em perceber se a comunicação social de causas acha mesmo que publicar os dislates de Soares tem interesse jornalístico ou se, num outro prisma, martelar as pessoas com o que Soares diz e escreve serve o propósito dos restos de bacalhau na «roupa velha». Tudo ao molho, mais barulho e aproveitar todos os «restos» que sirvam o propósito de bater no ceguinho.

De resto, há a possibilidade de, por esta via, cada vez se ler menos os jornais e se ver menos as TV’s. Porque ouvir uma criatura manhosa como Soares fazer acusações ao governo de não ouvir nem dialogar, da sua falta de legitimidade, de destruir Portugal, de ser inimigo dos povos e de que o povo indignado uma vez chateou-se e acabou com a monarquia não pode ter outro efeito senão recordar como Soares ouvia e dialogava, por exemplo, a polícia, mesmo que fosse aos berros e insultos, ou o governo, quando era Presidente, da legitimidade de que ele se apropriou ao decidir sobre uma descolonização da forma desonesta como o fez, da destruição que ele causou aos países emergentes da descolonização, para além de Portugal, ou de como foi amigo de vários povos (para além do dele, desde que assalariassem a mulher, bem entendido) e, por fim e para seguir a ordem dos argumentos acima, de se meter na trapalhada de endossar ao povo indignado o fim da monarquia, varrendo a Carbonária Portuguesa para debaixo do tapete.

Soares continua a personagem arrogante, manhosa e indigna e vários jornais continuam a encher páginas com a sua verve maledicente e cretina. Ah! E um «like» num link sobre o tema arrasta centenas de comentários no FB de diligentes progressistas. Num deles cheguei a ler um preclaro jurista que foi sempre contra a pena de morte antes de conhecer Passos Coelho. Não há paciência…
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terça-feira, dezembro 04, 2012

Patético


[4814]

Mário Soares continua a disparar por via de qualquer meio de comunicação social que, babando-se, lhe continua a oferecer protagonismo.

Esta criatura começa a tornar-se já repulsiva de cada vez que usa este tipo de discurso. Porque criou um palco privado para o seu enorme ego, o que não teria importância por aí além se não incorporasse, em si, um rosário de desgraças pelas quais, de resto, parecemos todos estar muito agradecidos. Desde a sua «exemplar descolonização», a uma governação desastrosa (para o que ele próprio reconhecia não ter muito jeito, razão por que lá ia metendo o socialismo na gaveta, quando era preciso) e a uma forma de estar pontilhada por lamentáveis episódios, vai entrando agora num período de penosa actuação, em que demonstra bem como lhe falta, afinal, uma ideia clara do conceito de liberdade e das regras da democracia, ao mesmo tempo que não resiste à vanidade que o enforma e o convence que veio ao mundo para nos explicar porque é que todos devemos pensar como ele. Posição, de resto, bem socialista.

Só me irrita a frequência com que continuam a pôr-lhe um gravador à frente…

Foto via Blasfémias
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quarta-feira, setembro 05, 2012

Molotov? Forquilhas? Partir montras e queimar carros? O que sugere, Dr. Soares?




Mário Soares, quando o paradigma era outro...

[4755]


Do que ele, Soares, é responsável, eu tenho uma ideia bem nítida. Ele, provavelmente, não terá, porque por um lado nunca lhe explicaram uma série de coisas (ou explicaram, mas ele não percebeu) e, por outro, nunca lhe subtraíram o colégio nem fazenda e, que eu saiba e com todo o respeito (está-me a vir a música do separador da SIC ao ouvido), não perdeu nenhum familiar por mor de responsabilidades que jamais lhe serão alijadas. Excepto para os desmemoriados ou distraídos.

Quanto a incitar os portugueses para não ficarem quietos, era bom que Soares, por uma vez, conseguisse (é uma questão de mudar de paradigma intelectual) perceber que os portugueses merecem mais respeito, muito mais, do que o que eles reservam à sua pesporrente figura e, num exame de consciência fininho, mansinho, sozinho, ele se apercebesse da sua quota de responsabilidade na rebaldaria em que o socialismo nos afunilou, em virtude do que estamos a atravessar a situação que todos sentimos na pele. Pelo menos os que não têm fundações custeadas pelo Estado para fazer não se sabe bem o quê, pagam multas por excesso de velocidade do seu próprio bolso e se ralharem com a polícia vão presos por desrespeito à autoridade.

Finalmente, no que se refere a meter os mercados na ordem, permaneço céptico sobre a sua capacidade. Se ele nem uma simples deputada europeia conseguiu manter na ordem, quando a mandou para a cozinha em vez de se andar a meter em coisas de homens, ia agora meter os mercados na ordem? Será que Mário Soares tem verdadeira noção do que diz? Porque que é que este homem não «muda de paradigma»?
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quarta-feira, maio 23, 2012

Já cá faltava…

[4640]

Eu andava a estranhar. A verdade é que cheguei de uma viagem já há quatro dias e o habitual activismo da nossa comunicação social parecia andar esquecido da truculenta e vácua figura de Mário Soares.

Pois bem, há pouco minutos, num dos vários programas da manhã da nossa TV, alguém se lembrou de perguntar a Soares o que ele pensava sobre a vinda da troika a Portugal por estes dias. Soares respondeu com o argumentário conhecido, mas desta vez decidiu juntar um toque patriótico à coisa dizendo que quando muito a troika deveria falar com o governo e não emitir opiniões públicas, porque considerava isso uma ofensa à Pátria (SIC).

Se os argumentos de Soares sobre economia e finanças já passam ao lado de qualquer cidadão minimamente informado, já a alusão a ofensas à Pátria soam a coalhado. Porque se Soares se mete pelas veredas das ofensas à Pátria arrisca-se a tropeçar em alguém de boa memória e lhe recorde alguns episódios em que as ofensas à Pátria pareciam ter um sentido muito diverso para ele. Soares que se cale com as ofensas à Pátria. Faria, certamente, melhor figura.
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terça-feira, maio 08, 2012

Nem longe...

[4633]

Nem ah distancia de 11 horas de voo da paroquia escapo da criatura, que continua a arrastar o impulso pueril da nossa comunicac,ao social, que se baba sempre que Soares decide debitar os seus palpites, a partir do jah grotesco cenahrio que lhe enfeita e embota o raciocinio. Ele agora acha que devemos romper com a troika. Porque esse eh o caminho, porque a austeridade jah chegou ao fim (diz ele, ele lah saberah porqueh) e cortar com a troika eh o unico caminho para o socialismo europeu. Dando de barato que o socialismo europeu deve ter qualquer coisa que o distingue dos socialismos dos outros (ai estes socialistas pohs modernos, sempre classistas…), era bom que os pressurosos jornalistas que cobrem, divulgam, promovem e apadrinham os disparates de Soares se lembrassem de lhe perguntar o que eh que o socialismo europeu tem hoje que o distinga do socialismo que ele, Soares, engavetou, por nao saber o que fazer com o mesmo perante a realidade, ou se ele tem consciencia da consistente e perniciosa accao desse socialismo, sempre que os socialistas ganham o Poder e se entreteem a escaqueirar o que os outros fazem, ateh nao haver outro remedio senao chamar “os outros” de novo e pedir-lhes que ponham meias solas no calc,ado puido e cambado pela histeria socialista.


Soares eh uma figura grotesca e a comunicacao social insiste em achar-lhe grac,a. Nem abaixo do paralelo 27 Sul lhe escapo…
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quinta-feira, abril 26, 2012

Unforgiven

[4628]

Foram cerca de duas semanas ausente da «zona de conforto» do Blogger e isso concedeu-me uma assinalável benfeitoria das meninges.

No regresso às leituras não pude disfarçar uma certa avidez pela actualidade política (????) o que, aliás, já ontem dera um pequeno sinal numa fugaz visita à Feira do Livro, debaixo de uma invernia desconfortável, onde constatei a desolação dos pavilhões vazios e a presença retemperadora de um stand de farturas para afagar o piloro.

Pelo que, entretanto, li, parece que pouco há de novo. As pessoas continuam a reagir como se o actual governo fosse responsável pelos desmandos de Sócrates, a comunicação social continua apostada em alimentar uma espécie de esquizofrenia nacional, empolando tudo o que remeta para a crise e o sindicato dos controladores de voo continua a fazer uma greve qualquer, chateando meio mundo, por razões que ainda não consegui perceber (juro) e me faz recordar Ronald Reagan com alguma nostalgia.

Faço apenas uma chamada à atitude imbecil de Mário Soares e Manuel Alegre, quando se solidarizam com os militares de Abril, não indo à Assembleia da República comemorar o 25 de Abril. E imbecil, porquê? Porque se aquele grupo de reformados que hoje se reclama ainda de herdeiros universais da democracia portuguesa são livres de não ir onde quer que seja, já Alegre e Soares têm obrigações institucionais a que não deveriam, nem poderiam furtar-se. Eles foram espécimes do Poder, devidamente legitimados pelo regime pelo qual dizem ter lutado, e não podem agora andar a brincar às rebeldias ou arvorarem-se em «donos da bola». Recordo ter ouvido, a ambos, que, naquela altura, estavam no exílio e dizem-no com um ar solene de quem quase lhes deve uma genuflexão. Tanto um como outro deveriam pensar que enquanto uns estavam no exílio outros trabalhavam no duro e dando o seu melhor pelo progresso do seu país e pelo bem estar e segurança da sua família. Provavelmente com mais sacrifico do que subir um coqueiro em S. Tomé para apanhar uns refrescantes cocos.

De Alegre, a coisa já não choca tanto, habituados que estamos a perceber que o seu prestígio (??) se fundou à volta de umas quantas trovas de qualidade duvidosa ou ao bucolismo de uma pescaria de sargos na Foz do Arelho. Mas Soares, a quem pagamos ainda salários e alforrias diversas, condescendemos na atribuição de dinheiros para uma Fundação que ainda ninguém percebeu bem para que serve, para além de uns conspícuos contratos de arrendamento ao Estado (e espero que ele pague do seu bolso as multas por excesso de velocidade, pagará?), esperar-se-ia, pelo menos, um módico de honorabilidade e decência. A não ser assim, Soares deita fora qualquer resíduo de respeitabilidade que possa ainda merecer, mesmo que apenas institucionalmente.
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quarta-feira, abril 04, 2012

As crises do capitalismo (2)

[4614]

Por estas e por outras é que o socialismo não tem crises. Tem uns problemazinhos que, quando aparecem, se resolvem com os capitalistas. Mesmo até porque de vez em quando se mete o socialismo na gaveta, para não atrapalhar.

Esta história nem tem muito que escalpelizar, para além de que irá ser repetida em muitos blogues e jornais. Mas vale para se perceber um pouco melhor como este tipo de reacção espontânea define bem a maneira de pensar desta gente. O Estado paga porque, lá nos botões deles, o Estado lhes deve muito. É o caso de Soares que não só pensa assim como faz questão de no-lo lembrar frequentemente. Não vá a gente esquecer-se e a RTP deixar de o convidar para aqueles programas abrilinos, metendo a Pide, Caxias, Tarrafal e S. Tomé, exílios, fugas, torturas, interrogatórios, Afonsos Costas e assim.
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terça-feira, abril 03, 2012

A criatura não se cala com as crises do capitalismo

[4613]

Este homem não se cala. E, não, não creio que esteja senil. Pelo contrário, parece-me arguto e esperto como um alho. Ainda que cada vez mais enleado na sua insuportável vaidade. E não consigo entender o tempo de antena que lhe é dado em jornais e televisões.

Houve tempo em que o lia e já achava penoso o que ele escrevia, sentia mesmo alguma piedade pela criatura. Hoje, reciclada a minha opinião, penoso é para quem lê. E piedade, só se for de mim mesmo.
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quarta-feira, março 21, 2012

Ai que vou para «pousio» outra vez...

[4593]

E começo mal. Dá-me vontade logo de ir para pousio outra vez. Eu já tinha tido um lamiré a ouvir, com a insistência daquele ribombar ecoado das trovoadas distantes, o anúncio de mais uma saga de Mário Soares. Soares isto, Soares aquilo, Soares aqueloutro. Tudo muito revolucionário, muito a preto e branco, muito Maria Barroso jovem e bonita, muito abrilino, muito Pide, muito… idiota. São doses maciças de Soares, uma personagem que me faz estremecer inquieto, por não perceber de onde vem esta veneração por uma figura política de perfil duvidoso e uma figura humana que, com frequência, se revelou um tiranete sombreado pelas delícias da liberdade e da democracia (coisas das quais ele me parece ter uma visão mais ou menos distorcida) e um incorrigível vaidoso.

Agora passo os olhos pela página da RTP e esbarro com um inquérito onde se pergunta aos portugueses (sic) « Acha que, se a situação se degradar, as Forças Armadas deveriam levar a cabo uma operação militar para derrubar o Governo, como sugere Otelo Saraiva de Carvalho? » Esfrego os olhos, incrédulo e concluo que é absolutamente imoral que uma porção do meu salário sirva para dar de comer a um grupelho idiota que se entretém a arejar as suas idiossincrasias à minha custa e de todos os portugueses que lhe vão pagando o bife e a reforma. Esta gente, seja lá quem for que é responsável por esta cretinice estampada na página da RTP, envergonharia até a América Latina de hoje. Porque vivem ainda na América Latina do General Tapioca e hoje é diferente e eles não devem ter dado por isso. Deviam ir abrir RTP’s para a Venezuela ou para a Bolívia, E não chatearem nem envergonharem quem está.

Curiosamente, pode ler-se ainda uma notícia sobre os estaleiros de Viana de Castelo. Se estivermos distraídos a ler a notícia ainda ficamos com a impressão que o Governo se prepara para destruir o que resta dos estaleiros, privatizando-os. Era preciso lembrar estas luminárias da RTP que a destruição aconteceu exactamente pela oposta, quando os estaleiros foram nacionalizados. E deveria haver alguém, também, que explicasse isto aos trabalhadores e aos sindicatos que estão com um medo terrível da privatização.

Ai que vou para pousio outra vez…
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