quarta-feira, junho 07, 2017

Sinistro



[5522]

Continua em velocidade de cruzeiro o “debate” sobre a EDP. Não se esperava outra coisa que não fosse a asserção de que tudo o que os administradores da EDP fizeram foi sempre na estrita observância da lei. O que não parece difícil de perceber é que o Estado (Sócrates, para sermos exactos) extrapolou valores, colocando os níveis de renda muito acima do que era justo e tecnicamente aceitável. Claro que o tema é muito técnico mas é uma questão de se colocar lado a lado os custos de energia de Portugal com os dos outros países europeus. E, ainda, de recordar (a memória é curta…) a excitação doentia com que Sócrates incensava as energias eólicas, tornando Portugal o país número um nesta modalidade de desporto, ao mesmo tempo que não perdia a oportunidade (Sócrates) para mostrar aos papalvos como o Partido do Poder se empenhava no desenvolvimento de Portugal na “pegada ecológica”.

O resultado está à vista. É difícil detalhar as coisas, mas ouvindo os “especialistas” que vêm perorar sobre o assunto à televisão acabamos por concluir que sim, que o reinado de Sócrates foi um período de sinistra corrupção em que a EDP terá sido a sua derradeira acção. É absolutamente inaceitável que esta criatura tenha causado tamanho prejuízo aos portugueses e ainda hoje se ande à procura do papel, da prova, da resposta à carta rogatória e do raio que o parta. É por demais evidente que todas as explicações dadas nas TV’s apontam para um escabroso caminho. Nada se fez na ilegalidade, mas todos os valores considerados nos tais CMEC’s eram escandalosos, cerca de 250 mihões/ano, embrenhámo-nos na maior confusão com as eólicas as termais e as hídricas, o gás, o carvão e, convenientemente, se agiu para que os CMEC’s aparecessem como o corolário necessário ao bom funcionamento da EDP.

No meio disto tudo regista-se a acção sinistra de Sócrates, como chefe do governo em 2007, ano em que se subiu o valor dos CMECs em cerca de 25%, mas igualmente a cumplicidade dolosa de muitos componentes do seu governo, pois, que me recorde, nenhum se levantou e disse que tudo aquilo era uma tramóia sem nome. Muitos deles flauteiam-se agora, saltitantes na geringonça.

Em paralelo, esboça-se por ai um movimento de crítica a Passos Coelho por não ter atalhado na redução das rendas. O que é mentira pois, que eu saiba, foi o único governo a conseguir uma parcial moralização da coisa, com uma redução de dois mil milhões. Vai-se a ver a geringonça ainda vai aparecer como salvadora da pátria. Assim uma espécie de quem fez a merda e agora limpa laboriosa e patrioticamente o cu. E perdoe-se-me o plebeísmo mas não me ocorre expressão mais apropriada a tudo isto.




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segunda-feira, novembro 09, 2015

Preocupados com o PS?


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Reparo que uma das preocupações mais citadas por aí é o facto de o PS estar em risco de desagregar-se, diminuir de importância, desagregar-se ou, até, desaparecer. Não percebo bem porquê esta preocupação se é a ele próprio que o PS deve este estado de coisas. Por outro lado, excluindo aquela tirada emblemática da Fonte Luminosa, não reconheço ao PS qualquer mérito, sem prejuízo de um grupo de individualidades socialistas genuinamente cometidas à social-democracia e dignas do maior respeito e apreço. Pelo contrário, e com mágoa o afirmo, vejo nele uma fonte perene de problemas e graves prejuízos para o país. Desde bancarrotas sequenciais até manifestações frequentes de uma má convivência com a liberdade, uma arrogância e truculência manifestas e, não esquecer, uma teia abjecta de cumplicidades que resultaram em múltiplas actividades criminosas (com gente presa e, provavelmente, outra por prender), de tudo se viu um pouco, não esquecendo até uma repulsiva forma de domínio e controle das instituições judiciais, para o que basta lembrar actos recentes de branqueamento das trafulhices de Sócrates.

Por mim, dito isto, como agora se diz, estou bem mais preocupado com as inevitáveis consequências de um governo golpista, incompetente, perverso, inescrupuloso e irresponsável que nos vai conduzir a mais um período negro da nossa história, sobretudo porque derruba de uma assentada um laborioso trabalho de sacrifício e ourelo a que, goste-se ou não do estilo, o governo da Coligação pôde levar a efeito. Isto é factual e tudo o que se possa dizer em contrário é meramente circunstancial e suspeito. Para além de verificar que, contrariamente ao que eu ia pensando, continuamos a ser um exemplo de um atávico posicionamento na realidade europeia, pela existência do único partido comunista europeu com a ortodoxia do nosso. Que só o é por via do atraso e da insuficiente informação de uma considerável parte da nossa população. Situação que, de resto, serve bem os propósitos do PCP.

Estimo e venero a distinta possibilidade de que a tempestade passe depressa. E parem de me vir com a conversa de que o comunismo do Séc. XXI não tem nada a ver com 1917 ou com o muro de Berlim. Porque tem tudo. Não há comunismos antigos nem modernos. Há comunismo «tout court» e por isso mesmo ele desapareceu da face da terra, com uns infelizes e conhecidos respingos pelo globo. Que nós insistamos em nos tornarmos num desses respingos é que me causa uma repulsa extrema e um desgosto profundo.


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sábado, agosto 29, 2015

Se calhar, são mesmo assim...


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Quando leio, via Lusa, as afirmações de Ferro Rodrigues segundo as quais «…qualquer pessoa inteligente percebe que a posição do PS nada tem que ver com a posição do Syriza desde o princípio, desde antes de o processo grego ter começado…» e que «…foi uma posição suicidária, que levou a que o próprio Syriza esteja neste momento completamente esfrangalhado…» e me recordo perfeitamente das declarações do mesmo Ferro Rodrigues em Janeiro deste ano, segundo as quais «…o resultado das eleições na Grécia é a primeira demonstração de que há um consenso alargado nos países que são vítimas do fracasso estrondoso das políticas de austeridade, no sentido da mudança…» e que «…qualquer ameaça à Grécia deve ser considerada antidemocrática e antieuropeia…» isto para não falar da histeria colectiva que atingiu, entre outros, o próprio A. Costa, Isabel Moreira e Manuel Pizarro, sou obrigado a formular as seguintes questões:

1 – Ferro Rodrigues acha que está a cumprir o seu papel cabal de oposição... ou é mesmo assim?

2 – Eu sei que o PS navega em águas turbulentas, mas não há ninguém com o decoro ajustado aos níveis de exigência mínima que ponha cobro a estes dislates?

3 – Quando, em jornais, TV's ou rádios, não aparece um (unzinho) jornalista ou um comentador/analista/paineleiro/politólogo que confronte Ferro Rodrigues com esta agressiva falta de escrúpulos pela forma como ele ofende a inteligência dos cidadãos, isso deve-se a mera incúria, rematada incompetência ou um sinal inequívoco de cumplicidade com a mentira, a bandalheira e ausência de sentido cívico?

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quarta-feira, janeiro 21, 2015

As Lajes, a adopção, o calote, coisital...


[5221]

O problema das Lajes parece estar a ser tratado à la mode de chez nous. O governador dos Açores vai falar com Cavaco e a seguir com António Costa. O governo deve estar a fazer qualquer coisa, (se é que pode fazer qualquer coisa…) mas, por qualquer razão que me escapa, apenas a visita do governador regional ao PR e ao líder do PS cabe no plano mediático da coisa. Costa diz umas banalidades e a seguir, Carlos César, hoje por hoje uma das figuras mais irritantes do panorama político nacional, a par do bastonário dos médicos e daquela deputada que mora em Paris, filha do maestro Vitorino de Almeida, resolve fazer esticar-nos a paciência com isto. Quo usque tandem abutere, Carlos César, patientia nostra? Já dou de barato a esperteza saloia de se pôr a circular o susto que devíamos aplicar aos americanos, ameaçando entregar as Lajes à China.

Entretanto, à míngua de assuntos mais importantes, Costa traz à liça a sublime pertinácia da regionalização, a meias com Rui Rio e subsequentes artigos de opinião de uns quantos autarcas a norte do Mondego, a adopção de crianças por duas pessoas a fazer de pais volta ao mento irrequieto e progressista de uns quantos deputados e a Catarina do Bloco reinicia mais uma cruzada contra a dívida (temos que pôr a Merkel na ordem e ponto final).

Mais coisa menos coisa, e à falta de problemas de duvidosa importância na Europa e no mundo (!!!), são estes os temas candentes do plano político nacional.

E.T. Pergunta de um apresentador da SIC Notícias, um fulano quase tão irritante como Carlos César, um apresentador pequenino e com uma barbicha daquelas que se usam agora, género barba de cinco dias, a Santana Lopes, ontem: - Pedro Santana Lopes, mas afinal para que serve a base das Lajes, para além de ter servido de palco a Blair, Bush, Hi, Hi, Hi, Hi, Hi, Aznar e Barroso para combinarem a invasão do Iraque? Juro que aquele Hi, Hi, Hi, Hi não é invenção minha, foi mesmo uma risadinha histérica. Realmente, como é que se pode levar esta gente a sério?

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terça-feira, setembro 18, 2012

Pelas alminhas do purgatório...



[4770]

Acordei… a TV tinha ficado ligada… e a primeira visão do dia foi António José Seguro a dizer que o PS só será governo se os portugueses quiserem.

Pronto estou mais descansado. O homem contém-se e não participará em nenhum governo de salvação nem congemina nenhum golpe de estado. Mas depois, preocupei-me outra vez. E se os portugueses um dia destes querem mesmo que o PS volte a ser governo? É um desassossego, é o que é...
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quinta-feira, março 29, 2012

Shhhiiiuuuuuuu...

[4604]

Ontem ouvi Santana Lopes, Fernando Assis e Fernando Rosas na TVI24 e, pela conversa, acho que recentemente se tem instalado a ideia da necessidade absoluta de não se falar em Sócrates. De caminho, aproveita-se a deixa para tecer duras críticas ao PSD e ao Governo que não resistem, diz-se, a lançar farpas constantes ao anterior governo. Falar mal de Sócrates é prejudicial à imagem externa do nosso país, reflecte desunião, pode condicionar o BCE, o FMI, a Comissão Europeia, olhem o que está acontecer à Grécia de que só se fala nas próximas eleições, enfim, um rosário de observações carpidas, se falarmos na criatura só falta mesmo dizer que dá sarna, urticária ou herpes labial.

O Partido Socialista, particularmente, deveria ter um mínimo de pudor em integrar esta procissão e, mais, de se irar com a alegada contundência do governo e do PSD. Deveria o PS lembrar-se, um pouquinho só que fosse, da grosseira truculência de Sócrates em relação à oposição, da forma desabrida, ofensiva, com que referia os seus adversários políticos (e não só políticos, incluía no seu mau perder jornalistas, comentadores, manifestantes, organizações sindicais, tudo o que mexesse contra ele) e das sessões contínuas de comícios, congressos, discursos e entrevistas em que a criatura fugia claramente ao que se lhe perguntava e se entretinha a insultar toda a gente. Deveria ainda o Partido Socialista lembrar e introverter as circunstâncias factuais que indicam que Sócrates em pessoa e a sua entourage, atenta veneradora e obrigada, foram responsáveis pela precipitação deste país no caos e não apenas porque o deixou chegar a uma situação de pré insolvência (as pessoas esquecem-se que quando Sócrates caiu, parece que já não havia dinheiro para os salários do mês seguinte), mas também pela continuada acção do seu governo de amizades, compadrios, cumplicidades obscenas, maroscas, tramóias, envolvimentos suspeitos que desaguaram, inevitavelmente, na situação presente.

O Partido Socialista devia ter um pinguinho de vergonha e não se irritar tanto quando se fala do seu Grande Líder. Quanto ao PSD e ao Governo, podem deixar de bater no ceguinho, é verdade. Mas não é menos verdade que, às vezes, há que o recordar para que a memória não se esbata e se acabe por «lavar» um dos mais vergonhosos e perniciosos períodos de governação no pós 25 de Abril.
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quinta-feira, setembro 16, 2010

Pobretes mas já nem por isso alegretes...


[3900]


Mais uma aterradora notícia sobre a nossa economia (!!). Agora parece que nos endividamos €2,5 milhões/hora. Cá pela minhas contas isto significa que cada português se deita todos os dias €6 mais pobrezinho.

Isto não seria muito grave se alguém soubesse e conseguisse explicar-nos que assim a jangada é mesmo de pedra, não havendo, portanto, outra alternativa senão entregarmos o assunto a gente competente, séria e corajosa ao ponto de criar e estabelecer políticas harmoniosas com as exigências dos mercados, flexibilizando a lei laboral (despedimentos, sim) e criando incentivos apelativos por forma a cativar investimento privado e gerar postos de trabalho. Isto implicaria igualmente uma varridela na tralha socialista, objectivamente responsável por uma criminosa política de embuste, compadrio, corrupção e falência sob a capa dos propósitos virtuosos de um Estado social que, de social só o tem sido para o Partido da rosa que, entre pequenos almoços a futebolistas, caixas de robalos, combinações de pensões milionárias, envolvimento obscuro em manobras obscuras de investimento público e privado e pagamento de luvas a boys idiotas e convencidos que vivem numa coutada de labregos e de uma permanente situação de drible da justiça, vão perpetuando esta desgraça. Em proveito próprio e em prejuízo do resto dos portugueses, está bem de ver.

Nota:
Arrepiante como a notícia dos €2,5 milhões/hora de endividamento desta manhã suscitou de imediato um adequado comentário de Francisco J. Metello na TSF, cuja substância nos remetia subjectivamente para a culpabilização de outrem para o regabofe em que temos vivido. Esta nem ao Carlos Queiroz lembraria…
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segunda-feira, setembro 06, 2010

2000 anos depois, a actualidade das “Catilinárias”




Foto de cima: Cícero acusando Catilina no Senado. (Fresco de Cesare Maccari, Séc XIX;
Foto de Baixo: Sócrates antes de emigrar para a capital
[3890]

Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?

Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor nos enganará? Até que ponto a (tua) audácia desenfreada se gabará (de nós)?

(um dos quatro discursos de Cícero ao Senado Romano com as sentenças acusatórias a Catilina)

Mesmo passados dois mil anos, ainda hoje mantêm a actualidade as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, em pleno Senado Romano.

A diferença é que Catilina apesar de pretender derrubar o governo para se apoderar das suas riquezas era de famílias nobres e estava falido financeiramente. O nosso caso é diferente. O nosso Catilina vem duma família frugal de Trás-os-Montes, notabilizou-se apenas por uns alçados de casas beirãs, emigra então para a capital e já acumulou fazenda considerável. Acresce que há dois mil anos, Catilina, após o confronto aberto por Cícero, acabou por se afastar do Senado. Em 2010, o apego ao poder é maior e bem melhor alicerçado por um grupelho de boys pagos a dois milhões de Euros/ano. No mais, as coisas regulam!...

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quinta-feira, julho 22, 2010

Alguma coisa a revisão da Constituição deve ter de bom

[3822]

Por muito que nos esquivemos, acabamos por inevitavelmente mergulhar na intriga política, depois de um período em que a televisão me interessava apenas retirar a informação sobre o trânsito e a meteorologia. E do que vou lendo, ressalta o frenesi que campeia pela rapaziada socialista acerca do ante-projecto de revisão da Constituição. Como já li por aí algures, tenho de concluir que essa revisão deve ter mesmo alguma coisa de bom, em face do aval que a esquerda vai dando ao que ela tem de mau. Mesmo pela rama, uma coisa me merece aplauso e que só peca por atraso. Uma Constituição que ainda hoje diz que a sociedade portuguesa deve caminhar na construção de uma sociedade socialista não pode ser uma Constituição boa. De resto, já ouvi isso várias vezes e pensei que, de um modo geral toda a gente estava de acordo, salvo a rapaziada que ainda não percebeu, porque não quer ou porque não a deixam perceber. Afinal, não é bem assim, Verifico que figuras improváveis se soerguem contra a revisão, sendo que o argumento mais usado é o de que não é oportuno e vai desviar as atenções do governo e do povo do que é essencial – a crise. Como eu acho que os termos da nossa Constituição são objectivamente responsáveis pelo caldo que entornamos todos os dias, não consigo perceber porque é que não é oportuno. Uma revisão profunda da lei laboral, por exemplo, poderia até trazer mais desemprego no imediato. Mas como é possível não perceber que a médio prazo essa revisão conduziria inevitavelmente a uma descida do desemprego, com os empresários mais soltos e descomprometidos a empregar gente?

Eu sei que este tipo de análises de bloggers amadores e que, no entender das doutas cabecinhas que nos governam, provocam-lhes assim como que uma espécie de orgasmos aos bocadinhos, são teorias de aprendizes de feiticeiros e denotam certamente o desconhecimento de questões importantes que condicionam uma eventual alteração da nossa Constituição. Mas então alguém que explique porque é que mexer nela é uma coisa assim tão… esquisita. E que diga que não entendeu que a visão anquilosada que mantemos ainda sobre o nosso futuro, enfeitada pelo romantismo da rapaziada do PREC é responsável primeira pelo atraso em que nos encontramos e, pior, pela série de obstáculos que se nos deparam para que acertemos o passo com os nossos parceiros europeus.

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quinta-feira, julho 08, 2010

Ó João e será que eles vão?


[3816]

A gente começa a ler este post do João Gonçalves, começa no Vitalino Canas, passa por Macau e chega um resto de leitura assim de relance parar concordarmos e nos sentirmos reconfortados com o último desejo do João, no post. Acho, apenas, que ele peca por defeito em não fazer um post idêntico relativamente a Ferro Rodrigues. Esta rapaziada socialista tem os seus timings próprios e o de FR é este. Ou porque assim decidiu ou porque que lho disseram. Como de costume, ele não sabe bem, ou não faz ideia e acha que não é importante, o que diz. Dispara umas bojardas e tem a noção que o tempo é disso mesmo. Pôr a circular aquela retórica redonda em que o PS é especialista, através da qual se critica este, se diz mal daquele, mas em que a culpa é sempre dos outros. Ferro Rodrigues está a fazê-lo agora com Sócrates, o demo, ao mesmo tempo que acha que a culpa dos acontecimentos é do ultra-neo-liberalismo, da ortodoxia neo-liberal e outros palavrões que se vai pondo a circular para consumo dos já conhecidos idiotas úteis e daqueles que estão sempre de língua de fora esperando o biscoito.

Estou farto destes… gajos. É isso, o termo é este, destes gajos!

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sábado, março 27, 2010

Assim, não dá...


[3711]

Isto está definitivamente a ficar irrespirável. De duas uma. Ou prendem esta rapaziada ou prendem a Felícia Cabrita. Pela simples razão de que ou estamos a ser governados por um venal sem escrúpulos e o homem tem de ser afastado, e estou-me já nas tintas para as empresas de rating, subidas de juros e o blá blá blá do costume, ou a Felícia Cabrita é uma jornalista irresponsável sem escrúpulos e que acorda todas as manhãs a pensar que campanha negra é que vai armar ao primeiro-ministro. Assim, desta forma e tudo em meias tintas é que não dá…

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quinta-feira, março 18, 2010

Projectos de lei, pois então...


[3696]

A numeração ordinal e o posicionamento relativo aos pontos cardeais são uma forma prática e muito objectiva de orientação num agregado populacional, sobretudo nos grandes centos urbanos. A toponímia é igualmente aceitável e a atribuição de nomes de figuras ilustres, locais de relevo ou outras circunstâncias que ajudem à identificação fácil de uma rua, de um bairro ou de uma zona, parques, largos, pracetas e monumentos. Além de que nomes de figuras ilustres da história de um país são, sem dúvida nenhuma, um factor de enriquecimento histórico e social.

Em Portugal, as coisas não são bem assim. Quase todas as ruas, pracetas, rotundas, travessas, ao lado de grandes avenidas, parques e pavilhões desportivos têm nome de gente. E como as gentes, por cá, mais do que se evidenciarem, são evidenciadas de acordo com as suas claques respectivas, apoiadas em bairrismos, provincianismo ou a deferência habitual que dedicamos a “figuras históricas” como um treinador que tenha dado um título ao nosso clube de futebol, toque bem ferrinhos, cantores pimba e outras individualidades correlativas, ao lado de vultos realmente grandes da nossa história, o resultado é que as nossas aldeias, vilas e cidades são um enorme aglomerado de nomes, cuja maioria esmagadora, na maior parte das vezes, desconhecemos. Para agravar a situação e em obediência ao nosso espírito prático, “há razões que a lusa razão desconhece” e daí às ruas projectadas à rua Doutor José Maria dos Anzóis e Aguiar Pincel abrir parêntesis grande impulsionador do jogo do chinquilho na vila de Desaguizados de Baixo fechar parêntesis data de nascimento e de morte, Lote 6 –B, nº 34 - Bloco C, 3º Frente é um passo que ninguém no mundo se atreverá a tentar, sequer, entender.

Este artigo do Público lembrou-me que há as mais improváveis criaturas vivas que integram já a toponímia nacional. Pinto da Costa, Avelino Ferreira Torres, o impagável ex-ministro Pinho e, segurem-se, José Carlos Malato são nomes que já podem figurar nos nossos cartões de visita.

Daí que eu concorde com esta medida do Partido Socialista. "Quer-se dizer"… concordaria, se ela própria não relevasse também desta mola que irreprimivelmente nos projecta do poder discricionário de organizar, legislar e, de preferência, proibir. Proibir qualquer coisa. Uma herança que nos vem dos tempos do proibido proibir, misturada com o aroma do poder que experimentamos em exercê-lo, ao poder, proibindo qualquer coisa. Um desiderato que nos dá uma noção de poder, ainda que efémero e vai bem com o espírito pequenino que gostamos de emprestar às coisas pífias do ritmo paroquial das nossa vidas. E convencer-nos que, não fôssemos nós e…

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segunda-feira, setembro 28, 2009

Algumas notas avulso


[3374]

- O CDS ganhou em toda a linha. A competência, dedicação e coerência têm, sempre, de dar alguns frutos.

- Louçã é consabidamente malcriado e inconveniente. Mas desta vez excedeu-se. Anunciou em directo a remodelação da ministra de educação como se tivesse sido ele a fazê-lo. Grave, grave é muita gente acreditar…

- A telegenia é como o tamanho. Toda a gente diz que não conta, mas conta. Ferreira Leite deveria ter, no mínimo, autorizado que lhe mudassem as fatiotas e aprendido um sorriso ou dois, por tímidos que fossem;

- O PC confirma estar confinado a um canto da história e cada vez mais uma seita alimentada pela utopia de ideias e ortodoxia de métodos. Só mesmo num país como em Portugal consegue sobreviver.

- 40 trotskistas/estalinistas/leninistas no Parlamento, diz o JCD no Blasfémias, como razões do nosso atraso. Não foram quarenta mas anda por lá perto. Em qualquer caso, não poderia concordar mais com ele acerca das razões para o atraso. Mas é preciso salientar que talvez os grandes culpados por essas razões não sejam os próprios, mas sim quem os leva ao colo, quem lhes acha graça e quem os usa para disseminar uma mensagem progressista, moderna, justa, solidária e desenvolvimentista, i.e., muitos jornalistas e comentadores políticos e o próprio Partido Socialista.
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sexta-feira, setembro 25, 2009

É a vida...


[3371]

De vez em quando dá-me disto e sujeito-me à violência de me levantar às cinco da manhã porque tenho de ir a algum lado em trabalho. Volto logo.

Ontem à noite preocupou-me o facto de ter tido alguma dificuldade em adormecer (não uso despertadores, trauma de juventude por força de um daqueles despertadores redondos, de lata, que faziam um tique-taque digno de uma fábrica de pregos e lançavam um trrrimmmm capaz de acordar um quartel de recrutas a cinco quilómetros. Mais tarde, a coisa melhorou. O progresso e uma tia simpática contribuíram para que eu passasse a acordar ao som de uma emissão de rádio qualquer o que era uma avanço considerável, se pensarmos que ainda não havia telemóveis nem serviço de despertar. E repare-se que não foi assim há muito tempo…), o que fazia prever algumas dificuldades para acordar a tempo de me meter no duche para ir ao Porto. Que é onde tenho de ir hoje.

Diagnóstico feito após uma olorosa chávena de café feitinho agora mesmo, a insónia teve a ver com a «Quadratura do Círculo» de ontem à noite, que vi já na cama. Convenhamos que há um milhão de opções melhores de cama do que ver a «quadratura do círculo» mas como queria adormecer cedo, foi isso que aconteceu. E é assim que acordo a saber algumas coisas que já sabia. Que o Partido Socialista tem, ou é, a mais poderosa máquina de manipulação, não olhando a meios, com gente capaz de tudo para alcançar os fins. É feito de gente arrogante, de uma presunção dificilmente igualável e de uma indigência cultural aflitiva. Não hesitam em seguir os mais tortuosos caminhos para chegarem ao destino, sendo que este é o poder que lhes confere e legitima as situações de excepção que não conseguiriam se tivessem de fazer uma carreira profissional, como as pessoas. Estes últimos dias têm sido um exemplo vivo disso mesmo. Ainda ontem, enquanto Pacheco Pereira, visivelmente irritado, dizia umas verdades do tipo que toda a gente conhece mas que por razões ínvias, muita gente parece guardar para si, enquanto António Costa se revelava uma das mais tortuosas (reparo agora que estou a repetir este epíteto) personagens do regime, repetindo á exaustão o argumentário conhecido, que se caracteriza por nada dizer senão mostrar a única coisa que o PS parece saber fazer. Dizer mal de alguém em proveito próprio.

Verdadeiramente nada do que vi ontem na «Quadratura» é novo para mim. Mas tiro o chapéu a P. Pereira pela clarividência com que denuncia esta mistificação de um partido que não hesita em lançar a mão seja o que for para perpetuar a sua influência, para não perderem as benesses que de outra forma não conseguiriam atingir.

Este enredo das «escutas» na presidência é talvez a estocada final no PSD e a história acaba aqui. Domingo será, provavelmente, um dos dias mais tristes da minha vida. Sobretudo porque ainda admiti que Sócrates pudesse ser realmente afastado da via política. Quanto mais não fosse, por razões de higiene. Aparentemente, não vai ser assim.

Felizmente estarei hoje todo o dia fora, ocupado e, a partir de amanhã, estaremos em «reflexão». O que, quanto mais não seja, tem a grande vantagem de não ouvir Sócrates, Silva Pereira, Lello, Santos Silva, Junqueiro (Junqueiro, meu Deus…), Soares e toda esta panóplia de «seres superiores» que acham que não podemos passar sem eles e que lhes devemos tudo.

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quinta-feira, agosto 20, 2009

Picaretices


[3316]

«...Sócrates não é tipo para "debates". É um solipsista que fala essencialmente dele e para ele. Sem encanto, imaginação, rasgo ou qualquer tipo de sofisticação. Lá onde o outro era uma "picareta falante", este é um falante que gosta de exibir picaretas...»

«...Sócrates, pelo contrário, sabe que o país já mal o pode ouvir...»


João Gonçalves, aqui.

Há um pormenor em que discordo do JG. Quando ele diz que o país já mal o pode ouvir, há que descontar aqueles que não só o ouvem (mesmo que o detestem), como acordam diariamente a pensar na cantata socrática que farão ao longo do dia. Vá lá saber-se porquê.

Um outro pormenor em que discordo é que há muitos que já passaram de nível. Do «nível mal o podem ouvir» passaram ao nível seguinte de absoluta incapacidade de ouvir sequer o seu timbre de voz. Ao ponto de mudarem de restaurante sempre que aquele em que acabaram de entrar tem a televisão sintonizada na SIC, já que esta estação agora resolveu acompanhar o Grande Líder ao milímetro. Vá lá saber-se porquê...
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segunda-feira, agosto 17, 2009

País absurdo


[3310]

«Como não era acusado de pedofilia não tive ninguém do PS a receber-me.»

(José Luis Judas em entrevista ao i de hoje)

A mim o que verdadeiramente me choca é como é que frases destas já não chocam ninguém. Nem quem as diz, como José Luis Judas disse hoje em entrevista ao i, nem quem as lê ou ouve.

É o resultado de um sentimento instalado por um governo e por um Partido que continuadamente não respeitou os seus eleitores e não se respeitou a si próprio, patrocinando e avalizando episódios mais ou menos burlescos que de tantos e tão absurdos acabaram por enformar a razão plausível daqueles que hoje dizem, à boca cheia, que Portugal é um lugar mal frequentado. Por isso este desabafo de Judas passará ao esquecimento em menos de vinte e quatro horas. Mas que envergonha e faz pensar, lá isso é verdade.

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quinta-feira, julho 30, 2009

...tem uma saca de farinha para dar à joaninha ( 4 )


[3273]

Já passaram setenta e duas horas e Joana Amaral Dias (gosto de pessoas conhecidas por três nomes) ainda não disse quem é o mentiroso. Se Sócrates, se Louçã, se, pensando melhor, ela própria. Já agora, já alguém se lembrou de perguntar a Mário Soares?

Há um pequeno desenvolvimento. Paulo Campos parece que teve uma pequena conversa com JAD mas como o repórter facilmente perceberá, ele não vai revelar o conteúdo de conversas privadas com uma amiga.
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quarta-feira, julho 29, 2009

…tem uma saca de farinha para dar à joaninha! ( 3 )


[3270]

E a coisa vai-se desvanecendo (Deus sabe da tristeza de uma coisa desvanecida) e vamos mesmo ficar sem saber se o convite a Joana mora numa mentira de Sócrates, de Louçã ou numa travessura ressabiada da própria.

Pronto, ficamos assim. Na falta de um passo em frente de qualquer destes vértices do triângulo formado não há outra hipótese senão ficarmo-nos pelo convencimento de que na matéria em apreço nenhum deles é flor que se cheire. O que não é, de todo, uma novidade.

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terça-feira, julho 28, 2009

…tem uma saca de farinha para dar à joaninha! ( 2 )


[3267]

Já passaram quarenta e oito horas e Joana Amaral Dias (gosto de pessoas conhecidas por três nomes) ainda não disse quem é o mentiroso. Se Sócrates, se Louçã, se, pensando melhor, ela própria. Já agora, já alguém se lembrou de perguntar a Mário Soares?
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segunda-feira, julho 27, 2009

…tem uma saca de farinha para dar à joaninha!


[3262]

Passaram já vinte e quatro horas sobre a acusação de Louçã relativa à oferta de préstimos do PS a Joana Amaral Dias. Joana mantém-se muda e queda. Parece mal. É um assunto demasiado delicado para que Joana se mantenha calada. Seja para desmentir o alegado convite de Sócrates, seja para calar o terrorismo verbal de Francisco Anacleto. Joana não pode ficar calada.

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