quarta-feira, janeiro 06, 2016

Guterrar outra vez


[5351]

Este homem, hoje por hoje, é um dos principais artífices do destrambelhamento do nosso país, como é do conhecimento geral. Desde o dia em que alegremente debitava discursatas hiperbólicas de êxito assegurado durante a campanha eleitoral, intervaladas pelo trauteio de Vangelis entre as suas deslocações, até ao dia de juízo final em que, com ar grave (mas acusatório) fugiu da vida política, acusando o país de se encontrar no pântano que ele próprio nutriu.

Agora, liberto das suas funções profissionais, resolveu regressar às origens, começando por fazer estrondosas acusações à Europa de falta de solidariedade para com os refugiados. Não lhe passa pela cabeça acusar seja quem for, quiçá os verdadeiros causadores de toda esta tragédia, mas sim uma Europa quase exaurida de recursos (e de paciência) perante a magnitude do êxodo. Só em 2015, entraram cerca de um milhão de refugiados que a Europa, com os recursos disponíveis e manejando diferenças naturais de posicionamento político numa manta de mais de uma vintena de retalhos, foi absorvendo. Apesar de tudo, entenda-se os trágicos acontecimentos de percurso. Este, noticiado ontem, acaba por ser pequeno, se comparado com contínuos assassinatos e comportamentos inadmissíveis que a falta de solidariedade europeia não conseguiu acomodar satisfatoriamente. Paralelamente, a Europa teve de aguentar ainda o percurso viral do politicamente correcto, onde nem o Papa faltou com algumas diatribes e em que qualquer gesto recriminatório contrário á torrente politicamente correcta era de imediato considerado fascista, chauvinista, xenófobo, racista e o mais que fosse apropriado.

Faltava agora Guterres acusar a Europa, alto e bom som. Esta oratória já cansa e chega a nausear os mais resistentes. A Europa não só tem sido solidária, mau grado as dificuldades próprias de uma inusitada situação, como continua a ser o destino preferido de hordas de migrantes, uns trágica e genuinamente vítimas de regimes sanguinários, outros, com clareza, aproveitando a corrente para, com a maior desfaçatez, dar continuidade a este degradante processo dos valores que nos levou décadas a estabelecer. E fazem-no por estratégia ou meramente por ódio. 

E Guterres… que vá chatear o Camões. Ou que concorra a outro cargo qualquer na ONU. Por cá, tirando um ou outro crédulo (já cheguei a ler por aí que depois do que ele disse, apesar de beato até votavam nele para presidente), estamos cansados de guterrices.


*
*

Etiquetas: , ,

sábado, novembro 08, 2014

Os suspeitos do costume


[5188]

E é isto. Para os socialistas, o voto é soberano. Desde que votem neles. Se assim não for, a porca torce o rabo. E todos sabemos do que é capaz de fazer um rabo socialista torcido, passe a ausência de um eufemismo. Solta-se-lhes a verve, têm imensos celulares para usarem as «redes sociais» e os sindicatos colaboram freneticamente.

Mais coisa menos coisa, o filme é este, mesmo. O socialismo ganha eleições, escangalha a economia ao mesmo tempo que canta as vacuidades do costume, depois vem a direita e lá vai remendando os estragos. Depois, o socialismo diz mais umas tretas, a direita perde-se em casos de corrupção e os fautores do homem novo e dos regimes impolutos voltam para escaqueirar a economia de novo, mesmo que se percam em actos de corrupção ainda maiores. E se a coisa aperta-se pede-se a um magistrado colocado na União que ralhe com os magistrados indígenas e, em casos mais mais primários e esquerdas mais jovens, expulsam-se juízes porque a justiça é cega e os juízes, às vezes, vêem demais. Mas são as corrupções boas e os eleitores têm que compreender que é assim. E se a coisa der demasiado para o torto, pede-se um resgate e «prontes». Portugal é mestre nisso.

Cada vez há menos regimes socialistas na União. Portugal (sempre nós) arrisca-se, em breve e possivelmente, a exibir um Sócrates qualquer ou um arrivista em estado de graça. Como os pobres nunca acabam (apesar de nunca antes terem vivido tão bem), é fácil fazer medrar a berraria do costume e colocar umas centenas de milhares de pessoas na rua. Depois passa tudo e vêm os do costume pôr as montras nas lojas, varrer as ruas e tratar os feridos. É o fado da direita.

*
*

Etiquetas: , ,

sexta-feira, junho 06, 2014

O nosso dentista


[5139]

Para nós, europeus, os americanos funcionam tal qual os dentistas. Só nos lembramos deles quando nos dói o dente. Depois da cárie tratada ou extracção realizada, malhamos-lhes em cima, maltratamo-los e armazenamos neles todas as malfeitorias terrenas. E divinas, mesmo, para os dados à coisa.

O D-Day constitui uma autêntica gesta de um punhado de heróicos soldados que invadiram a Normandia e num extremado acto de nobreza e valentia contribuíram para purificar a Europa das cíclicas maleitas em que somos peritos em contaminá-la. Uma grande parte dessa força expedicionária era constituída por soldados americanos, uma vez mais. De longe, o maior número de Divisões dos Aliados eram americanas.

Depois disso, Europa limpa, arrumada e reconstruída, já deu tempo para nos começarmos a entreter com novas tricas e um dia destes rebenta por aí uma «bernarda» qualquer. Enquanto rebenta e não rebenta, ocupamo-nos com denodo a falar mal dos dentistas, outra vez. Ele é o Vietname, ele é a Coreia do Norte, o bloqueio de Cuba, ele é o Irão, ele é a Palestina, ele é o Iraque, ele é Guantanamo, ele é os aviões que aterram nos Açores, ele é uma série de coisas que precisam de ser dealt with enquanto os europeus se ocupam a determinar o tamanho dos pepinos, o diâmetro das sanitas e se a bandeira da UE deve ficar, ou não, a meia haste quando morre um Papa.

Eu que nem sou muito (melhor, sou nada) de dias disto e daquilo, tenho um respeito especial por este dia. O dia de hoje, efeméride de 6 de Junho de 1944 quando, com mais de 1000 mortos na praia, um grupo de heróis permitiu que a Europa atingisse os mais elevados índices de conforto, de progresso, segurança, bem-estar e, acima de tudo, liberdade. Coisas que um grupo de mentecaptos e desocupados se esforça por destruir. Um dia lá teremos, de novo, de chamar o dentista.





*
*

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, maio 30, 2014

Ao velhinho já não se torce o pepino…


[5127]

… a menos que sejamos europeus, imbuídos deste convencimento endémico de que o mundo não só não pode passar sem nós como, sem recalcitrar, deverá agir, pensar e sentir como nós. Nós que, por qualquer capricho do divino ou, pensando melhor, por um arremedo perfeccionista do darwinismo que nos tornou eleitos, temos a responsabilidade de zelar pelo bem-estar da humanidade.

No caso vertente trata-se de alergias. E se aos pepinos conseguimos torcê-los, de pequeninos, por forma a que eles fossem para o mercado prontinhos a ser consumidos desde que tivessem todos o mesmo tamanho e se apresentassem irrepreensivelmente erectos, como se impõe num continente onde o crescimento demográfico deixa muito a desejar, já os perfumes tinham de ser igualmente domesticados. Ao ponto de fórmulas quase centenárias, como o lendário Chanel 5, serem agora questionadas sobre o perigo de nos provocarem horrendas alergias por causa de um tal de citral, uma coisa que existe no limão e na tangerina que, tanto quanto julgo saber, se consomem às toneladas por esse mundo fora.

Sempre tive horror aos amanuenses encartados. Uns porque não sabem fazer mais nada e merecem algum desconto. Outros, porque não sabem fazer mais nada na mesma, mas acham que sabem fazer tudo. E têm a aviltante mania de acharem que não podemos passar sem eles. E que eles é que têm de nos proteger, educar, pastorear e, enfim, fazer como que sejamos todos como deve ser. É o socialismo no seu melhor.

*
*
.

Etiquetas: ,

sábado, março 10, 2012

Deixem lá dar ração às vaquinhas...

Cachorro biológico. Recusa-se a comer ração. Só come ossos. Mas, razoavelmente, não se importa se é osso de vaca biológica

[4588]

Assunção Cristas vai pedir a Bruxelas para que possamos dar ração às vacas biológicas. Esta notícia ilustra bem a hipocrisia que tem rodeado o fragor à volta da chamada agro-pecuária biológica. Mães conscienciosas e paladinos do politicamente correcto percorrem dezenas ou centenas de quilómetros para comprar um nabo, uma cenoura ou um cestinho de morangos isentos de nitratos (uma coisa que qualquer ecologista traz na ponta da língua, mas poucos saberão exactamente o que seja ou que mal fazem).

Ocorre-me uma banca de produtos biológicos aqui ao pé de mim, na Casa da Guia, aos Domingos, onde normalmente se aglomeram grupos de senhoras conscienciosas e correctas para comprar produtos bacteriologicamente puros… como ouvi no domingo passado e sem que ninguém lhes explique que é porque os produtos são possivelmente portadores de bactérias e/ou doenças criptogâmicas que não são bacteriologicamente puros coisa nenhuma, já que não sofreram tratamento químico. Falta dizer que a maioria dos produtos expostos são enfezados, raquíticos, razoavelmente disformes e super caros. E ocorre-me ainda aqueles que fazem dezenas ou centenas de quilómetros, poluindo a atmosfera, para comprar um pepino marreco, mas saudavelmente isento de nitratos.

Havia tanto para dizer sobre a agro-pecuária biológica…mas talvez baste as pessoas perceberem que sem o elevado padrão atingido na eficácia e reduzido grau de toxicidade de muitas das moléculas de síntese hoje disponíveis no mercado, milhões morreriam de fome no mundo.

Voltando a Assunção Cristas, acho bem que alguém lhe tenha dito que se poderia e deveria dar ração aos biológicos animais que nos dão carne, leite, ovos, manteiga, iogurtes, queijo, requeijão, salsichas, bife com ovo a cavalo, presuntos, paios, fiambres, chourição e outras mariquices que o nosso conforto e padrão de vida inventaram. E se um ou outro destes produtos vierem com um bocadinho de vitaminas a mais ou vacinas a menos, a gente perdoa, em face da seca que atravessamos. E rezemos para que um qualquer comissário de uma qualquer comissão em Bruxelas, não seja alérgico à lactose nem zelota encartado e, em função disso, menos sensível à magna questão de se poder dar ração aos animais.
.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Chegou a conta

[4556]

Não consigo perceber bem a analogia que se faz entre descontentamento popular e uma clara intervenção de grupos organizados que se entretêm a destruir, ferir, matar se preciso for, como o que vai acontecendo em Atenas. Atenas não é a Grécia e muitos dos bárbaros à solta provavelmente nem atenienses são. Parece-me evidente que estamos em face de um claro exemplo de alteração da ordem pública que deveria ser exemplarmente reprimido.

Também me choca observar a onda de simpatia de uma considerável fatia de «bloggers» e jornalistas e comentadores pelos distúrbios que se verifica na maltratada capital grega. Não entendo mesmo a distorção que objectivamente se faz dos factos, condenando sempre a Alemanha pelo que acontece. Qualquer pessoa minimamente informada perceberá que o estado calamitoso em que se encontram as finanças da Grécia se deve à política habitual dos socialistas que continuam a sonhar com o estabelecimento de Estados Sociais à custa dos outros, já dizia Margareth Thatcher que o socialismo é óptimo enquanto o dinheiro dos outros não acaba. Os governos socialistas estabeleceram níveis de benefícios sociais, salários e hábitos de consumo, incomportáveis com a realidade económica, sempre com à convicção habitual de quem leu na cartilha os direitos do povo, sem fazerem contas ou, fazendo-as, na presunção que os ricos e os poderosos as pagassem. A isto iam juntando a sua proverbial incompetência e irresponsabilidade na gestão das despesas, ao mesmo tempo que mergulhavam frequentemente em escândalos, conúbios e cumplicidades. O povo ia recebendo e gostava, pudera. Agora chegou a conta. O povo esperneia e o governo vê-se na necessidade de escolher entre pagar contas e reduzir os benefícios em nome da desejável democracia e desenvolvimento ou apaparicar as vergônteas do sistema e manter o discurso que se conhece.

Aqui pela paróquia continua a procissão socialista do costume e a emulação dos gregos, perante os nazis. Já vi por aí, até, que a Alemanha devia era pagar o que deve e roubou aos gregos durante a guerra, ficando por saber porque se esqueceram da cidade de Londres, da Polónia, da Bélgica, da Noruega, da França e da Rússia. Para só citar alguns. Ressalta até um aparente desejo de que Portugal se torne um foco de instabilidade «à la grega». Não sei bem em nome de quê, talvez deixássemos de ter de pagar as contas no imediato. E, mais uma vez, deixar uma herança esperta para os nossos filhos e netos.

Rezemos para que permaneça o bom senso. E que continuemos, como até aqui, a cumprir as nossas obrigações e avançar com a resolução da nossa crise. Ámen.
.

Etiquetas: , , ,

terça-feira, janeiro 03, 2012

Para o país das túlipas

[4510]

Durante muito tempo a parolice nacional achou que isto da livre circulação de capitais era porreiro-pá e dava para ir comprar caramelos a Badajoz sem a chatice de termos que andar a comprar pesetas. Agora que se vai percebendo que afinal não era bem isso, rasgam-se vestes, berra-se por harmonização fiscal, canta-se a generosidade e fala-se de imbecil ganância http://youtu.be/3nKHalrxQnc e, uma vez mais, achamos que estamos a ser sacaneados. Não tarda, o Bloco está a lançar outro panfleto, o Jerónimo alarga o seu leque de ladrões e o Bernardino faz uma prédica sobre o Querido Líder.
.

Etiquetas: ,

terça-feira, dezembro 27, 2011

Do what you gotta do



[4500]

Sim, por que hay que tenerlos. Como diria a Rititi.

Já agora…tardo em entender o seguinte: Se, por um lado, há que resolver a situação e equilibrar as contas dos países, e façamo-lo depressa, por outro não vejo que se faça alguma coisa no sentido de:

- Responsabilizar criminalmente aqueles que nos conduziram ao desastre. Em vez, por exemplo, de andarmos preocupados com o que eles vão estudar em Paris ou com o conteúdo de afirmações feitas a grupos de jovens estudantes;

- Fazer (não sei bem o quê, mas deve haver alguma forma…) com que estas situações não se repitam e não continuemos à mercê desta fauna «iluminada» que esgrime com pundonor a sua estupidez e libertinagem (ao mesmo tempo, sim…) com o dinheiro dos outros;

- Começar desde já uma campanha séria no sentido de fazer chegar às pessoas a mensagem desde deputado. Para que não «socratizemos, guterremos, sampaiemos ou cravinhemos» uma vez mais a política e, depois, nos queixemos amargamente. Ou, mais grave, persistamos na falácia idiota e no proselitismo criminoso que nos tem arruinado o presente e minado o futuro.
.

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, novembro 18, 2011

Tédio



[4462]

O Público, jornal que cada vez mais me parece um órgão oficioso do Bloco de Esquerda, mas isto digo eu que tenho azia se não tomar os remédios, deu mais antena a Mário Soares, como é de bom-tom a um jornal de referência, entendendo-se por referência, por exemplo, dar antena aos Soares do nosso descontentamento e perfilando-os como os veneráveis vultos da nossa inevitável (mais tarde ou mais cedo) ascensão à elite dos povos iluminados. E é assim que fui lendo que Soares acha que:

- Merkel é responsável pela decadência da Europa, parece que por vir da Alemanha do Leste e de um país que já provocou duas guerras (não a mandou coser meias para casa, como costuma, mas faltou pouco);
- Merkel é uma senhora muito atrevida e que teve o topete de chamar preguiçosos aos gregos, logo eles, nascidos e criados no berço da nossa civilização;
- Isto, para a Europa entrar nos eixos tinha de passar por ser o BCE a emitir moeda. O dinheiro circulava por aí e não havia problema nenhum. Confesso que não percebi bem o alcance desta tirada de Soares, presumo que, à boa maneira socialista, quando o dinheiro faltasse mandava-se imprimir umas notas e já ninguém devia nada a ninguém.

Soares desfia um chorrilho, avançado numa Oração de Sapiência no Instituto Politécnico de Leiria. Lá mais para o fim, ele acha que a Europa tem de meter as agências de rating na ordem e acabar com a ladroagem dos países fiscais.

Soares dixit. Uma vez mais não disse nada para além do jargão habitual. Coisa inócua, não fosse constituir um indicador desmoralizante da forma e da substância com que continuamos a fazer política e a fazer comunicação social cá pela paróquia. Para além do sinal inequívoco da nossa pobreza intelectual. Seria tão bom que a Europa seguisse os conselhos de Soares e metesse, sim, alguma coisa na ordem. Podia era, em vez das agência de rating, meter o próprio Soares. Poupava-nos a estes dislates. Para além de que isso poderia constituir igualmente uma estimável medida de higiene.
.

Etiquetas: , ,

sexta-feira, novembro 04, 2011

Uma visão romântica da soberania





[4448]

Eu sei que é difícil, mas Pacheco Pereira ontem esforçou-se imenso por conseguir mesmo a quadratura do círculo. Discorreu longamente sobre o que considero uma visão romântica da liberdade, soberania e qualidade democrática dos diferentes países da União Europeia. Eu sei que a simples referência a uma visão romântica da democracia pode acomodar uma basta argumentação sobre o tema, podendo mesmo desembocar numa alma mais iluminada acabando a chamar-me «fassista». Mas a verdade é que não me ocorre outro termo que não seja mesmo o de uma visão romântica da democracia, liberdade e soberania. Pois se os países que aderiram à União Europeia o fizeram de livre vontade e em consciência plena, tinham a obrigação de saber da absoluta necessidade de flexibilizar a sua soberania a favor dos interesses da colectividade europeia, no quadro de uma inevitável abrangência política, económica, social e até cultural.

Se havia divergências hoje consideradas brutais no entendimento das políticas de cada qual, elas deveriam ter sido equacionadas bem antes de os países terem aderido à comunidade e não agora, como a Grécia, um de alguns países europeus mais ou menos estilhaçados pela irresponsabilidade dos socialistas, que se entretém a jogar à política como quem joga aos cinco cantinhos, dando provas de uma grande irresponsabilidade e desrespeito pelos seus parceiros da União.

Que os iluminados do costume usem a Grécia como florete para esgrimirem as suas utopias ainda entendo. Que uma personalidade com a arqueação e gabarito intelectual de Pacheco Pereira insista na argumentação pura e, insisto, romântica, que ontem usou na «Quadratura do Círculo» é que já se estranha um pouco. Por tão clara ser a situação.
.

Etiquetas: , ,

terça-feira, janeiro 18, 2011

Errata. Corrigenda. Com sua licença


[4030]

Eu não apanhei tudo, mas pareceu-me ouvir ontem a Maria José Nogueira Pinto falar na SIC-N sobre a famosa agenda da Comissão Europeia. A tal que traz as festas religiosas de todos os credos e religiões professados na Europa, mas onde parece que se esqueceram de colocar as cristãs. Com excepção do Natal e da Páscoa, aparentemente, mesmo assim, e se ouvi bem a Maria José, a alusão ao Natal é num contexto histórico e cultural. Ficámos a saber que a primeira árvore de Natal surgiu na Etiópia...

Vamos longe, assim. Esta brutal descaracterização da Europa vai continuando a ter lugar em nome do respeito pelos direitos humanos, multiculturalismo, fronteiras abertas, laicidade e liberdade e bla bla bla. Não percebo é porque é que para respeitar estes valores seja necessária esta autêntica escalada contra os valores primordiais e essenciais da Europa e dos europeus. Coisa que, pelo menos no que a mim me diz respeito, não me faz corar de vergonha ou assumir sentimentos de culpa, bem pelo contrário, especialmente se comparados com muitos valores (ou falta deles) de outras civilizações ou culturas.

Nota: Parece que a Comissão Europeia já mandou fazer 3.000.000 de erratas. Coisa esperta, não é? Sobretudo baratinha.

.

Etiquetas: ,

segunda-feira, maio 31, 2010

"Chapeau" à Itália


[3778]

A Itália parece ter sido o único país com suficiente bom senso para condenar vivamente a provocação que um grupo de activistas (profissão generosa e, suponho, bem paga…) resolveu levar a efeito, invadindo águas territoriais israelitas, a pretexto de levar ajuda humanitária a palestinianos, um povo que sempre mereceu mais humanitarismo dos israelitas do que das suas próprias organizações políticas, que os matam indiscriminadamente e deles fazem escudos humanos, sempre que necessário.

Israel teve ainda a hombridade de avisar que não toleraria a invasão das suas águas territoriais. Mas os activistas fartam-se de activar e activação que não meta uns cadaverezitos não é activação que se cheire. Assim, lá arranjaram uns mártires e maneira de a Europa andar entretida com mais uns quantos veementes e patéticos protestos até as coisas de diluírem.

“Chapeau” à Itália que soube manter a razoabilidade e dignidade em níveis elevados, mesmo que deplorando a morte de 19 pessoas. Como se esperaria, aliás…

.

Etiquetas: , ,

terça-feira, abril 21, 2009

Vital desvitalizado


[3076]

No "Prós e Contras" de ontem, o friso de socialistas estrategicamente colocados na primeira linha da assistência e as suas palmas organizadas e aquele sorriso insuportável que só os socialistas sabem afivelar não foram suficientes para ofuscar um Paulo Rangel aguerrido, controlado e grandiloquente. Aguerrido porque soube atacar os problemas com afinco e contornar a “conversa mole” (e, surpreendentemente, mal preparada) de Vital Moreira, suportar com elegância a bravata habitual de Ilda Figueiredo e lidar com a sageza de Miguel Portas. Controlado porque não é fácil manter a calma perante a forma habitual do debate socialista e, repito, a bravata habitual de Ilda. Grandiloquente porque, apesar da berraria e da claque encabeçada por Ana Gomes e Edite Estrela, conseguiu manter a articulação desejável ao discurso.

Rangel (e Manuela Ferreira Leite) está de parabéns. Meteu Vital no bolso.
.

Etiquetas: , ,

sábado, janeiro 26, 2008

He fell


[2284]

Nem sou muito destas coisas. Mas um diabinho de entre aqueles que habitam em mim dá pulos de contente com a queda de Prodi. Por nada em especial. Pelo menos para além de o homem ser o exemplo perfeito daquilo que há cerca de uma dezena de anos um bom amigo meu, em Maputo, denominava de coninhas de sabão, sempre que se referia àquele tipo de gente que nem aquenta nem arrefenta.

.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Almoço no Museu dos Coches


[2201]

Almoçarão aqui os vinte e sete chefes de Estado europeus, onde chegarão de “amarelo da Carris”. Pouco antes terão assinado o Tratado com uma caneta de prata individualizada com o nome de cada qual. Um grupo coral lisboeta interpretará o hino da alegria e, a seguir, ouvir-se-á a Canção do Mar. Foto de família tirada e seguem para o eléctrico que os levará para o almoço, nas mãos de uma guarda freios loura de 30 anos e com cinco anos de serviço.

O sumo do acordo é este e eu peço licença para pensar que poderá ser um primeiro passo para os meus bisnetos poderem vir a morar num quarteirão do mundo, seguro, próspero e civilizado. Parece que há muito lixo que tem de ir para baixo do tapete, como disse JPP no Prós. Mas julgo incontornável caminhar por um caminho qualquer que nos conduza a um porto seguro onde, em total respeito pelas liberdades e direitos humanos, consigamos manter a identidade europeia com tudo o que isso representa de valores civilizacionais, de liberdade e de respeito pelo indivíduo que cada um de nós, melhor ou pior, é. Mesmo que o processo seja longo e a via sinuosa.

E o programa da cerimónia, tal como o local, parece-me excelente. Há coisas em que nos mantemos imbatíveis – um fino gosto e lhaneza na arte de bem receber. Não sei qual será o menu do almoço no museu dos coches, mas tenho a certeza de que será uma finíssima amostra de excelente gastronomia. E se Sócrates não estragar tudo e começar com oratorical flights provincianos e matrecos, a coisa, no fim, junta e somada, vai correr muito bem. E eu fico todo contente porque acho que se deu mais um passo no sentido do europeísmo que eu gostaria de ter para todos nós.

A politician chosen to be president of the European Council for two-and-a-half years, replacing the current system where countries take turns at being president for six months

A new post combining the jobs of the existing foreign affairs supremo, Javier Solana, and the external affairs commissioner, Benita Ferrero-Waldner, to give the EU more clout on the world stage

A smaller European Commission, with fewer commissioners than there are member states, from 2014

A redistribution of voting weights between the member states, phased in between 2014 and 2017

New powers for the European Commission, European Parliament and European Court of Justice, for example in the field of justice and home affairs

Removal of national vetoes in a number of areas


.

Etiquetas: ,

quarta-feira, outubro 24, 2007

Acordemos



[2107]

Este homem começa a despertar em mim uma desagradável sensação de desconforto, passe a redundância. Já nem é a substância, mas a forma como Sócrates exercita o poder ou maneja a influência que ele acha que tem nos areópagos internacionais. A forma como ele gritou o seu ACORDEM para os eurodeputados, quando instado a responder sobre a possibilidade de referendar o tratado, mostra como o presidente em exercício da União Europeia é um sinal inequívoco e insuportável de uma clara impreparação para as relações internacionais, para além de dar um triste contributo á imagem dos líderes portugueses. O homem é autoritário, ele grita, ele enerva-se, ele incha, guincha, ele ralha, ele é um exemplo acabado de uma arrogância provinciana de quem nunca mandou em nada na vida e sabe que tem nas mãos a grande oportunidade de ver a sua imagem espelhada no rio.
.

Etiquetas: ,

sábado, outubro 20, 2007

Entrega do primeiro A380


Clicar para aumentar

[2095]


Tempo para parar a discussão académica sobre o Tratado de Lisboa e celebrar este exemplo de avanço científico e tecnológico de uma Europa que ainda há sessenta anos estava em escombros.

Ver mais fotos aqui e aqui.
.

Etiquetas: ,

domingo, março 11, 2007

Europeans/éennes/eus


[1609]

Eu gostei muito
deste texto do FJV. Revejo-me, aliás, em muitos dos exemplos que ele citou, sem orgulho mas com deleite. Mas, que diabo, podemos ser todos um bocadinho preguiçosos, absentistas, atrasados e gostar de sarrabulho ou paraniscas com arroz de feijão sem embargo de convergirmos no essencial de um projecto global europeu, ou não podemos?

O problema é que a convergência é, normalmente, tratada e manipulada por burocratas ineptos, insubstituíveis e correctos (lá foi Solana a Beirute, outra vez…), que acham que ser europeu é comer (e, provavelmente, ter) tomates normalizados, pensarmos todos de igual, achar que os americanos são umas bestas e ter um dia-a-dia normalizado, do comer ao dormir. Não fora esse pormenor e eu acho que seria bastante meritória a aglutinação de vários povos que, queiramos ou não, têm muito em comum e projectos muito importantes a defender. Uns por padrão de vida, outros por pura sobrevivência.

Se pensarmos bem, haverá mosaico mais diversificado que o americano? E eles são irlandeses, ingleses, franceses, libaneses, mexicanos, portugueses, saharianos, italianos, gregos? Não. Todos são americanos. E proud of it.

Daí que todos poderíamos e deveríamos (sou um europeísta convicto) ser europeus. Cada um à sua maneira, mas europeus. Talvez, a breve trecho, não tenhamos outra alternativa que não essa mesmo. Entendermo-nos


.

Etiquetas: ,