quarta-feira, setembro 20, 2017

Não é que sonhei com ele?



[6182]

Isto está grave. Por muito estranho que pareça, acordei estremunhado, saído de um sonho onde eu percorria várias ruas de Lisboa, pedindo que alguém me desse uma razão, UMAZINHA que fosse para se dar o voto a Medina nas autárquicas. Já acordado, reflecti, entre os golos do meu habitual e delicioso café, que pagaria de bom grado um almoço a quem me explicar a razão pela qual as sondagens, os jornais, as TV’s, a opinião publicada, são unânimes em considerar Medina o natural e legítimo (???) vencedor das autárquicas.

O que terá feito este genro feliz, este ajustador directo de obras urgentíssimas, este afortunado herdeiro da Câmara mais importante do País, este jovem de sonsa expressão e verbo trivial, este aprendiz de político hábil, este protegée das televisões que o entrevistam amiúde, com temas e perguntas inócuas e de respostas óbvias, este trapalhão de estratégias eleitorais que transformou Lisboa numa cidade caótica para se circular e estacionar, tudo em nome do sacrossanta doutrina de acabar com os malditos carros, em linha com o pensamento idiota de que devemos todos andar de bicicleta ou caminhar em extensos e largos passeios desoladoramente vazios, criando até curvas e nós onde algumas viaturas, como os transportes públicos, não conseguem sequer circular, este homem sem ideias, de fala mansa e expressão submissa, atenta, veneradora e obrigada, este candidato, enfim, a merecer o estatuto de inevitável vencedor das autárquicas em Lisboa?

Vão por mim. Pago mesmo um almoço num restaurante agradável, perto do mar e cardápio excelente a quem me souber explicar este fenómeno. Mas quem me manda a mim sonhar com Medina?


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segunda-feira, junho 26, 2017

A D. Natércia



Serra do Caldeirão - 2012. A D. Natércia não aparece, devia estar em ensaios

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Por duas vezes, em poucas horas, a SicN transmitiu um compacto de largos minutos sobre um “grande incêndio” na Serra do Caldeirão.

Fui ouvindo, incomodado, pensando que ali estaria outro incêndio com consequências imprevisíveis. O compacto era razoavelmente longo e o cenário era o habitual, gente a chorar, as labaredas altaneiras cumprindo a sua destruidora missão e gente a apagar o fogo com os baldes da ordem e mangueiras de jardim. Vários populares se queixavam sobre a falta de bombeiros, desorganização, matas por limpar e dificuldades de ligação. Não se falava em mortos. Mas as reclamações sobre a desorganização e incúria continuavam e há uma D. Natércia (nome real) que gritava, e cito, “este governo é uma merda, este governo é uma merda”. Depois de largos minutos, a SicN (porque é da SicN que se trata, acabou por dizer que este incêndio era de 2012 e que, imagine-se já em 2012 havia incêndios com deficiências deste género. Não morreu ninguém mas havia uma D. Natércia aos gritos “este governo é uma merda, este governo é uma merda”.

Fiz umas contas de cabeça e percebi que em 2012, o governo era o de Passos Coelho. Porque é que a SicN passava aquela longa peça aos gritos é que não percebi. Mas cerca de duas horas depois, quando a estação repetiu a pantomina com a D. Natércia, percebi.

Fiquei sem saber se a pobre da D. Natércia recebeu algum pagamento pelo serviço e se passou recibo, mas se não recebeu devia ter recebido, já que os seus “este governo é uma merda” foram repetidos à exaustão de forma convincente e assinalável competência.

A SicN perdeu o resto da vergonha que tinha. E uma vez mais fico sem perceber esta sanha contra Passos Coelho (não se confunda o que digo com partidarite. É factual). E quanto ao Partido Socialista, bem nutrido com estes mimos da comunicação social, continua a usar técnicas comunicacionais que eu julgava de há muito expurgadas, desde a queda do muro de Berlim. Pelo visto, aqui em Portugal ainda não. Continuam de boa saúde e recomendam-se. O que é, no mínimo, confrangedor. E reflectem fielmente como é possível que em Portugal estas técnicas ainda funcionem.

Nota: Esta preciosidade de comunicação teve lugar ontem, no período da tarde. Desconheço se durante a manhã houve mais “este país é uma merda”.


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domingo, junho 11, 2017

A nova Inquisição




[5526]

Meu caro Gomes Ferreira. Não sou jornalista e muito menos economista (sim, sei que também o não é, não precisa de esclarecer) … É só para dizer que essa fogueira da Nova Inquisição que crepita por aí, não queima apenas os jornalistas, lançando-lhe os epítetos que menciono. Quem quer que seja que tenha um blogue ou "facebuque” ou “twite" por aí (passem os palavrões), se entretém, espasmodicamente, a atear essa fogueira com a arrogância e sobranceria costumadas dos iluminados.

Mas olhe, podia começar aí por casa. Fale com os seus amigos do "Eixo", um tipo de pornografia que a minha costela masoquista me leva a ver depois do "Governo Sombra" e aperceba-se do que ainda ontem disseram sobre a sua entrevista. Mais grave... disseram pouco, no estilo não vale a pena perder tempo com semelhante crustáceo.

Por último, tive pena que algumas perguntas lhe tivessem ficado no bolso, provavelmente por falta de tempo. E corrija os seus amigos que dizem à boca cheia que o optimismo, o à-vontade, estado de graça e o facto das coisas estarem a correr bem (????) e a habilidade (a habilidade, valha-me Deus, a habilidade…) de Costa chegaram para o meter a si no bolso. Não há como digerir esta linha de raciocínio, se aplicada a uma criatura como Costa (lá está... como entrevistador, você não lhe podia chamar de criatura...).




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sexta-feira, junho 09, 2017

Jogar ao "perde-ganha"



[5525]

Theresa foi inábil. Ganhou as eleições mas perdeu a maioria. Corbyn, perdeu as eleições. Mas ganhou o festim que corre por aí, transformando-o no herói do momento.

Agora está na moda ganhar eleições e depois perder maiorias. Tal como perder eleições e formar geringonças. Sinal dos tempos. Mas nada explica a triste figura de tanta gente incensando de repente um homem completamente desfasado da realidade, com ideias do jurássico e que há bem pouco tempo lambia as botas de Chávez, Castro, Lula, Maduro e o boliviano de que nem me ocorre o nome e estou preguiçoso para ir ver ao Google, Morales… acho.

As TV’s, então, deleitam-se a comentar a derrota (a mulher ganhou…) e a grande vitória de Corbyn (o homem perdeu…), ao mesmo tempo que salientam os seus objectivos primários como as renacionalizações, uma coisa que, está visto, todos os ingleses preferem. Só o Barclays é que destoou e quer sair da City para uma capital europeia. Uns fassistas, aqueles tipos do Barclays.

E é isto. Aqueles que dizem que os media maltratavam cruelmente Corbyn, deviam reparar no que os media agora dizem. No fundo tudo isto explica o delírio que se vive com a geringonça até o tal mafarrico chegar.

PS: Sobre Theresa até já li que ela tem cara de cavalo ou pernalta escocesa. Sobre Corbyn já li, até, que é um homem bonito…


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quarta-feira, maio 17, 2017

Ad nauseum



[5514]

Ontem ouvi o comentário de José Miguel Júdice na TVI24. O tema era a sorte. Existência ou não de.

Júdice apresentou três exemplos típicos de sortudos, Macron, Marcelo e Costa e defendeu uma tese pessoal de que a sorte existe, independentemente do mérito, dando estes três homens como exemplos vivos e recentes de sorte.  Há personagens com mérito a quem as coisas correm mal (azar) e personagens sem préstimo a quem as coisas correm bem (sorte), era o mote de Júdice. 

E foi baseado neste princípio que Júdice estabeleceu uma tese, de resto interessante e consistente com vários episódios das pessoas citadas, sobre o facto incontornável dum fenómeno subjectivo, como a sorte.

E foi patético perceber em José Alberto Carvalho, por via de repetidas insinuações e logo que se falou em Costa, a ideia de que a sorte é sempre indissociável do mérito. Júdice, de resto, acho que nem reparava bem na insistência do “pivot” e permanecia na explanação da sua tese sobre a existência de sorte. Mas JAC insistia. E Júdice contrapunha. E a cena atingiu raias de idiotia ao perceber-se a perseverança de JAC no mérito de Costa, sem o qual ele não teria sorte.

No fim do programa perguntei-me porque diabo uma personalidade menor, trafulha e mentirosa, como Costa, consegue arregimentar estes defensores, e são vários, que insistem numa atitude laudatória sobre Costa. E não consigo entender. Provavelmente tenho o azar de não perceber. Ou a sorte, sabe-se lá…


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sexta-feira, abril 07, 2017

Difícil ser Passos Coelho



[5511]

Ouvi a entrevista toda de Passos Coelho. Não ouvi a entrevista toda de A. Costa. Por falta de oportunidade, não porque tenha já uma dificuldade intestina em ouvir semelhante criatura. Mas deste, ouvi excertos e transcrições. 

O que me ficou do que vi e ouvi foi que, com tristeza, verifico estarmos mais ou menos num contexto manipulativo de uma maioria de jornalistas seguidistas, oportunistas, incultos ou, mesmo, irremediáveis devedores à natureza de um módico de inteligência que deveria ser uma das condições primeiras para se desempenhar o cargo. 

O período pós entrevistas demonstrou isso mesmo, Os “leads” (agora diz-se assim não é?) de ambas as entrevistas demonstravam isso mesmo. Enquanto que, por exemplo e metaforicamente, Costa dizia que quando uma nuvem tapa o sol se faz sombra, Coelho apontava, com alguma inabilidade e nervosismo, admito, argumentos válidos e sérios para justificar as perguntas, mais ardilosas que interessantes, que lhe colocavam. Um resultado avulso deste cenário foi o arraial feito por Costa ter dito que se alcançasse a maioria absoluta não deixaria de contar com os Partidos à esquerda que agora suportam o governo e a comiseração mostrada, por PPC ter dito que se perdesse as autárquicas não veria motivo para se demitir. Esta última afirmação, então, foi glosada com abundância e com um acervo de críticas, vá lá saber-se porquê. 

Repito. É difícil ser-se Passos Coelho. É preciso ter muita presença de espírito e domínio do Grande Simpático para não mandar um berro e remeter estes aprendizes de feiticeiro para a mãezinha que os pôs neste mundo. Ocorre-me avulso a insistência daquele jovem jornalista que fez parelha com o José Gomes Ferreira que por três vezes insistiu, excitado: - Então felicita o governo, não é? Isto a propósito desses números mágicos que circulam por ai e que produzem o “bem-estar” que, em estilo bovino, desfrutamos. PPC tentava explicar como é que aqueles números tinham sido atingidos (basicamente investimento estatal zero, profunda degradação dos serviços públicos, dívidas crescentes de sectores como a saúde, juros aterradores e crescimento incontido da dívida pública e a insustentabilidade do sistema, já que não será possível manter a mesma engenharia financeira por mais anos, sob pena de o “castelo ruir”, como qualquer cidadão medianamente informado percebe) e o jornalista insistia: - Mas felicita o novo governo? Mas felicita o novo governo? 

Não sou “Coelhista”, votei numa coligação onde ele estava, o que é algo diferente. O que não me impede de reconhecer ver nele um homem sério, isento das trapalhadas e conluios em que o PS é fértil e de uma notável coerência. E que vive num caldo político em que a oposição se faz à Oposição ao invés de ser feita a um governo trapalhão, fraudulento, jacobino, que toma como conteúdo valorativo do seu currículo a sua acção como “resistentes do Estado Novo” ou, frequentemente, filhos desses resistentes, com uma pulsão conducente à submissão do rebanho e que nos conduz alegremente para um beco sem saída e que não nos dignifica no exterior. Entenda-se por “exterior”, termo de onde vamos pedir dinheiro emprestado que achamos que os países ricos têm obrigação de nos proporcionar, sem recalcitrar e achando-nos graça pelo clima, praia e pastéis de nata. 

E quanto a jornalistas, não há muito que dizer. Salvo honrosas excepções, constituem um grupo alargado de maus profissionais. Venais, incultos, que fazem da venalidade e da hipocrisia o seu motto (alguns não saberão o que motto quer dizer, mas podem sempre ir ao Google…). E que por razões que não descortino bem, conseguem campo propício às suas diatribes, por parte de quem lhes paga o ordenado e outras benesses. As televisões são um bom exemplo, com um extenso rol de comentadores e especialistas que, frequentemente, confrange ver e ouvir. É difícil ser Passos Coelho.


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quinta-feira, março 16, 2017

Adormecer com a TV ligada é o que dá...





[5507]


Acordei estremunhado com a TV ligada e uma salgalhada de notícias que metiam portugueses residentes na Holanda eufóricos com a derrota da extrema-direita e Santos Silva a anunciar que o populismo começou finalmente a estiolar.

É aquela sensação estranha de que há populismos de direita, maus, perigosos, horríveis e que é preciso combater a todo o custo e os populismos de esquerda, os bons, os moralmente superiores e, sobretudo, redentores. Que devemos, portanto, absorver, cultivar, introverter e exercer com o fim sublime de extirparmos o mal e preservarmos a espécie.

E essa sensação estranha traz-me ainda uma dúvida angustiante: - se os portugueses já nasceram assim ou se foram operados em pequeninos, assim como quem faz a circuncisão. Por alguma razão somos o ÚNICO país europeu (e quase mundial) onde o comunismo puro e duro ainda faz fé, onde o povo acha que os comunistas já "resolveram" uns pequenos desmandos com que se entretiveram até o muro cair (o muro bom, não o mau como o que Trump quer aumentar) e onde é possível que uma excrescência política semelhante a um quisto infectado como António Costa seja considerado um político hábil e suba nas sondagens do bem-aventurado povo português.


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terça-feira, fevereiro 28, 2017

"Eles" nao queriam que ele fosse PR


[5503]

Ontem não vi a entrevista de Sócrates na TVI. Estou cansado de tal alegado traste e repugna-me ver semelhante criatura. Mas depois li alguns comentários aqui pela net e lá fui à power box, para ver se haveria algum novo ângulo na tragédia em que ele e um grupo de "respeitáveis" criaturas nos conseguiram enfiar.

Acabei por não ver nada de novo. Talvez a convicção que a execrável figura gerou em si própria que tudo começou porque eles (eles, quem? Perguntou Judite, “eles”, o MP e o Presidente da República, respondeu Sócrates) armaram toda esta tramóia porque não queriam que ele fosse Presidente da República. Imagine-se, logo ele, que nunca lhe tinha passado isso pela cabeça.

Chegado aqui, desisti e fui ver o 1º episódio das “big little lies”. Mentiras por mentiras, antes as que resultam de um bom trabalho de televisão e com mulheres bonitas. E não uma trama como esta em que o primeiro-ministro do 18º Governo Constitucional (Oh! Como entendo Cavaco…) se envolveu, de tal maneira que genuinamente procuro um novo significado para o conceito de verosimilhança. Confesso que nunca me passaria pela cabeça ser possível urdir uma tão complicada e, ao mesmo tempo, dolosa situação, tão difícil de imaginar e de tanto, mas tanto, prejuízo para todos os portugueses.

Sócrates é um mentiroso nato. E há um abúlico rebanho de muitos portugueses a quem ainda é possível vender o Cristo Redentor no Rio de Janeiro ou as Berlengas. E nunca se lhes diga que foram vigarizados, porque eles zangam-se imenso.


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segunda-feira, janeiro 23, 2017

Lying is an elementary means of self-defense (Susan Sontag)



[5494]

Ainda hoje a Fernanda Câncio mentiu. Na sua crónica do DN de hoje, entre outras preciosidades, afirmou, preto no branco, que Trump mandou calar o repórter da CNN. É MENTIRA. Eu vi e ouvi e Trump não o mandou calar. Disse-lhe, de resto com cortesia, que não respondia a estações que davam notícias falsas. O que, de resto, se veio a comprovar que era verdade.

Não tenho qualquer preconceito contra jornais e jornalistas, televisões ou comentaristas. Limito-me a registar que uma grande parte deles são mentirosos, manipuladores, tendenciosos, desonestos, ignorantes e malfalantes. Assim sendo, no caso particular de Trump não responder ao repórter da CNN não vejo onde esteja a, chamemos-lhe, heresia. Já mentir sobre alguém, conscientemente e valer-se de uma marca reputada como a CNN e acabar por se insurgir e praticamente ralhar com um presidente eleito, dá lastro ao que acabei de dizer sobre a f. e muitos outros jornalistas. 

São atitudes normalmente provindas de jornalistas que se arvoram em detentores de regime especial e conduta, quando deveriam ser os primeiros a aprimorar e respeitar esse desiderato. Sobretudo se trabalhando para órgãos de comunicação social com reconhecido impacto social.

Espero não receber já trinta telefonemas acusando-me de estar a defender Trump. Nem ele precisa que o faça nem sequer é o caso. Se estou a acusar alguém é o tal jornalista da CNN que na tal conferência de imprensa ficou escandalizado e colérico com a recusa do presidente. E é disto que estamos a falar, como se diz agora.

Já agora e a talhe de foice, já que falei da f.. Diz ela, a linhas tantas: «…porque ele - o multimilionário a quem nunca se conheceu atividade cívica…». Pode ser até verdade, mas uma coisa eu sei. Criou muitos milhares de postos de trabalho para muitos milhares de famílias. Não será seguramente uma sopinha aos “sem-abrigo”, com direito a reportagem do exterior, como ainda há dias aconteceu aqui na paróquia. Mas criar muitos milhares de postos de trabalho, chame-lhe a f. o que quiser, é obra.



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sexta-feira, janeiro 20, 2017

"Quadraturas" quadradas





[5493]

Já faz DUAS "Quadraturas" consecutivas que todos os comentadores, sem excepção, incluindo Lobo Xavier, gastam cerca de 70% do tempo injuriando o PSD pelo sentido de voto anunciado à descida da TSU.

Eu deixo-me ficar a ouvir (excepto o Jorge Coelho que já gerou em mim uma real incapacidade física em ouvi-lo, vou à cozinha beber um sumo de manga enquanto ele fala…) na esperança de perceber porquê. Não consigo, não dá. Pacheco Pereira diz que é por o PSD ter perdido a matriz social-democrata. Lobo Xavier diz que não concorda com o voto anunciado porque é absurdo. Continuo aguardando para perceber porque é que é absurdo e ele diz que é absurdo porque é absurdo. Ficamos assim. Depois guardaram os 10 minutos finais para falar da posse de Trump. 


Como se sabe, o absurdo PSD e a solidariedade expressa por P. Pereira a Peneda, Ferreira Leite, Rangel, Capucho, Marques Mendes, Marcelo e outros "proscritos" do Partido é uma matéria candente que remete a posse de Trump para a categoria das coisas desinteressantes e mais ou menos inócuas.

Doentio. E bem pago. Excepto a quem assiste. Que nos sentimos...isso... e mal pagos. Começo a pensar que Passos Coelho deve ser realmente uma personagem sólida, honesta, competente e educada para pegar “nisto” outra vez.


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sábado, janeiro 14, 2017

Então não querem lá ver que o PSD vota contra? E a servir de muleta ao BE e PCP? Que safados…



Entendam-se. E lixem-nos só um bocadinho. Tudo isto já fede...

[5491]

A vozearia que vai por aí sobre a intenção de Passos Coelho votar contra a baixa da TSU pelo governo é simplesmente ridícula (faltava a Ferreira Leite, mas já apareceu, feita D. Constança…) e suscita em mim um par de comentários a que não resisto deitar para o lixo dos energúmenos do Vitorino e do MST. Quais sejam:

1 – Acho extraordinário criticar-se o sentido de voto de qualquer bancada partidária. Ou está tudo doido, ou pensa-se que estão a lidar com débeis mentais, ou estão eles próprios, os críticos, com uma assustadora debilidade mental. Deixem-me repetir a questão: Criticar o sentido de voto de um Partido? Isto é uma nuance claramente socialista, para quem a democracia é boa desde que seja a deles. Vão por mim, que sei do que falo;

2 – Quanto à substância do tema, acho que é tempo, mesmo arrostando com as consequências, sejam elas quais forem, de demonstrar que Costa deve ter absorvido em demasia a opinião pública de que é um político hábil e astuto. Não é. É, na minha modesta opinião, um fulano sem princípios, sem sentido de Estado, vingativo e mal formado. Não pode descartar o facto de que tem um acordo com a extrema-esquerda e era o que faltava estabelecer esta trapalhada de, face à objecção dos parceiros, contar com o beneplácito dos seus opositores;

3 – Finalmente e que isto sirva de crítica também ao PSD em geral e a Passos Coelho em particular. Já começa a doer esta situação de impunidade em que os socialistas navegam, acusando o PSD de falta de sentido de Estado e de “mau perder”. Para isso usam uma linguagem grosseira, malcriada, em que são exímios e usam todos os meios, incluindo a manipulação de uma esquisitíssima parte da comunicação social para convencer os eleitores de que a culpa disto tudo é do PSD. Por mim, já chega. Meteram-se nisto, desenrasquem-se, falando português curto. E quanto às doutas opiniões que oiço por aí, Presidente incluído, ao que parece já ouvi que Marcelo está “furioso” (sic) com PPC e até Lobo Xavier se mostrou muito crítico, que lhes faça bom proveito.


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quarta-feira, janeiro 11, 2017

Náusea



[5489]

Mário Soares é já um factor secundário na pantomina que tem entretido a grei nestes últimos dias. Jamais pensei ser possível tamanha manipulação das pessoas por via da televisão e dos jornais A morte de Soares tornou-se um exemplo vivo (irónico, porque vindo de um morto) da força dos órgãos de comunicação social, da influência e domínio que ela tem nos seus fautores e na náusea máxima que conseguem causar a quem, com a serenidade e sentido crítico destas coisas, vai acompanhando a evolução dos acontecimentos. Os jornalistas mais novos mostraram à saciedade uma comoção que terá eventualmente mais a ver com o contexto profissional em que estão inseridos do que propriamente com o passamento de Soares. E os comentadores e peritos de opinião descascaram o evento até ao caroço, com a agravante de mesmo chegando ao caroço continuarem a roê-lo com banalidades do discurso redondo a que nos habituaram e amestraram ao longo dos anos.

O funeral e luto de Soares constituiu para mim, que já não sou propriamente um garoto, o exemplo mais chocante de como continuam a existir ditaduras, ainda que com vestes diversas. Através dos que ditam, pelas mais variadas razões e pelos mais diferentes meios e através dos ditados que uma vez mais mostraram esta notável e trágica tendência para serem pastoreados. Por um cardeal, uma santa que apareça a uns quaisquer pastorinhos, um rei, um futebolista, basicamente, um ditador que lhes cuide da alma e do corpo. É a mais triste das verdades. E convenhamos que é uma situação que não desperta um particular orgulho ou uma assinalável nobreza.

Continuo a não falar de Soares por respeito pelos que partem. Mas reconheço uma inesperada surpresa pelo grau de proselitismo, ignorância, arrogância (ocorre-me, assim de repente Miguel Sousa Tavares e António Vitorino, que da cátedra da sua projecção pública chamaram lixo e energúmenos a todos os que se atreveram a criticar Soares. Apetece-me chamar-lhes idiotas, oportunistas, enjoado militante e careca baixinho, mas isso iria colocar-me ao nível deles, coisa que liminarmente recuso) que reinou por aí, como que “proibindo” as pessoas de criticar Soares. E não me apetece ser lixo nem energúmeno aos olhos daqueles dois. Começo a fartar-me do assunto. E já bastaram estes dias em que ouvi música de encomenda e vi séries e filmes em regime contínuo.


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quarta-feira, janeiro 04, 2017

Que bom, que bom, que bom…



[5482]

…termos alguém que olhe por nós. Que tenha conseguido reverter as maldades do governo anterior e possamos, enfim, começar a colher os frutos. Que bom, que bom, que bom termos jornais que no-lo recordem, não vá nós andarmos distraídos e nos percamos nos caminhos ínvios da injustiça, como quando o ano passado quase nos enganámos e demos mais votos àquele malandro do Passos Coelho.

Que bom, que bom, que bom folhearmos o jornal enquanto almoçamos circunstancialmente sozinhos e nos apercebemos deste manto de virtude e aconchego em que vivemos e do paraíso que aí vem, sem serpentes, maçãs ou mulheres nuas tapadas com parras. Mas reparemos no DN de hoje, em boa hora re…qualquer coisa pelo Baldaia que, de repente, retomou a arte de cavalgar a sela dos ideais sociais e conseguiu pôr o jornal a gorjear virtudes, trilando notícias de encantar como o som melodioso de um canário de estirpe. Mas sigam-me jornal fora:

1ª página

Título a três colunas: Entrevista a Mário Centeno. “Não haverá garantias de Estado no Novo Banco”. E segue-se um rosário de notas e comentários, entre muitos, como “Nacionalizações – Quando se trata de garantir a estabilidade do sistema nada estará fora de questão”. E mais, Centeno, zangado e muito sério diz, sobre Domingues, que a tentativa de generalizar sms como se fossem facebooks (sic) comigo não funciona. Ah! Centeno duma cana. Metam-se contigo, metam… entretanto lá vem a ladainha do crescimento acima de 1,2% e défice abaixo dos 2,5% do PIB, e a dívida pública líquida desceu um ponto percentual do PIB no ano passado e fiquemos por aqui. Não li a entrevista porque já não há saco.

2ª página

Aleluia. Maria de Lurdes Rodrigues em todo o seu esplendor E de sorriso bem aberto, o que me indica que a escola Costa deve estar a dar frutos. É uma página inteira para ela – que não li. Não há saco e, apesar do Nogueira a detestar, o que era um ponto a favor dela, desde que a ouvi dizer que os milhões do Parque Escolar eram uma festa, nunca mais consegui olhar direito para a criatura. Muito menos, lê-la.

3ª página até à 7

Festival Centeno. A entrevistinha. Baldaia com a batuta. Mas, vacinado pelos subtítulos da 1ª página, já não consegui ler.

8ª página

Fico a saber que o bastonário dos médicos limita o recurso a internos nas urgências. É só saúde.

9ª página

O esplendor da justiça. Tribunais a reabrir só para chatear aqueles fassistas do anterior governo. Não li tudo. Mas parece que não há pessoal para as 20 reaberturas. Ah! Nem processos. Mas reverteram, prontos.

10ª página

Foto de 1/3 da página com o ministro da educação parecendo que vai dar um “Hi-five” a um puto duns 7 anos. Pelo caminho qualquer coisa sobre o perigo de incêndios mas, finalmente, o perigo desapareceu por via das garantias de segurança “por escrito”. Tudo seguro. E tudo escrito. Não se fala mais nisso.

11ª página

Ui… uma dissidenciazinha. Agora sem Alberto Gonçalves também é preciso pôr qualquer coisa de mal. Lamas, ex-director do CCB e em ruptura com Costa, vai apoiar Cristas. O sacaninha, né? O descaramento do homem…

Daqui para a frente a coisa serena um pouco, umas noticiazinhas avulso porque se começa a entrar naquela parte maçuda do jornal, meteorologia, publicidade, palavras cruzadas, desporto, etc. Ah! Na página 26 ainda há um título garrafal que cito: “Os maiores disseram que não mas ela canta o hino para Trump”. Meteu-me pena, coitado do Trump- O maiores não cantam para ele. E assim fiquei a saber que Elton John, Garth Brooks, Andrea Bocelli e Celine Dion (a sorte de Trump, com esta última… ) se recusaram a cantar para ele. Os maiores, como se vê. Mas não é que a notícia, lá para o finzinho, diz que uma azougada e excepcional miúda de 16 anos e que aos 10 já tinha feito furor no "America’s got talent", Jackie Evancho de seu nome e, hoje por hoje, a coqueluche dos States iria cantar o hino para Trump, sucedendo a Beyoncé e Aretha Franklin (tudo gente menor, como se vê). Falta dizer que a pequena Evancho já vendeu três milhões de cópias e, horror, por duas vezes já tinha cantado para Obama. É… isto está tudo na notícia mas é preciso lê-la toda. E nem toda a gente o faz. Mas fica o título garrafal sobre os maiores que disseram não a Trump.

Chego à sobremesa com o Guterres a dizer que não é milagreiro (!!!), a Joana Petiz a dizer que as urgências estão melhoradas e Adriano Moreira a falar de uma teoria qualquer da morada errada e que confesso já não ter lido. De resto, vistas bem as coisas, só li títulos. Ou quase.

Feliz do português em Portugal que goza de tal Comunicação Social. E agora vou trabalhar, porque cheguei ao computador e não resisti a fazer esta pequena nota. E, em definitivo: agora não tenho mesmo mais jornais para ler. Por muito que o Miguel Sousa Tavares, o Centeno e o Pacheco Pereira se choquem ou amuem, passo a ler só na net e um ou outro jornal estrangeiro.


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quarta-feira, dezembro 21, 2016

What a wonderful (portuguese) world...



[5475]

O DN é como o algodão. Não engana. Ou melhor, engana só um bocadinho, não se nota. Melhor ainda… engana que se farta, mas persegue a sua infrene luta com o Público para ver qual deles é o pasquim mais pestilento.

De há pouco tempo a esta parte, porém, a coisa torna-se insuportável. Tendo desistido, em permanência, do Público, tenho comprado o DN. Até porque tem uma página de passatempos meritória, melhor que a do Público o que, na obediência diária que um cidadão saudável deve ao seu trato intestinal pode ser de elementar utilidade. Sentado na “privada” e a fazer as palavras cruzadas do DN, eis um binómio que cada vez reflecte com mais nitidez o uso diário do euro e vinte.

O problema é que a “coisa” está que não se pode. Todos os dias, repito… todos os dias há notícias lindas, fofas, segundo as quais os portugueses vivem no melhor dos mundos, nada que se compare com as tragédias do governo anterior. Ele é o metro que vai abrir mais duas estações (em 2018, eu sei, mas o Costa é especialista nesta forma de dar notícias boazinhas) ele é o passe social que vai ser mais caro mas, segundo Costa, vai ser mais barato (não estou a brincar, o homem faz para ali umas contas e no fim bate certo…) ele é os lesados do BES que ainda NINGUÉM percebeu quem é que lesa quem, o que não inibiu um lesado de dizer que “aquilo era uma bênção” ele é as máquinas dos bilhetes do metro que vão, finalmente, ter bilhetes, ele é a Carris que vai ter mais de para cima duma quantidade de autocarros e dará emprego a muitas famílias (nunca o termo famílias se usou tanto), ele é isto, ele é aquilo, ele é tudo o que um português pode aspirar para ser um homem feliz.

Mas hoje, convenhamos. O DN abusou. Tirou partido de mim… abusou…tra-la-la que eu já nem sei se é meninice ou cafonice o meu amor… e vai daí logo na primeira página, afirma (ipsis literis):

- Há seis anos que não se gastava tanto no Natal;

- Consumo registado ao nível das compras antes da crise (entenda-se por antes da crise, o ultimo ano de Sócrates, é preciso ter lata, mas é o que o Jornal diz);
Há menos pessoas a escolher centros comerciais, enquanto o comércio tradicional está a ganhar clientes (eis aqui, sem mais, o espírito de cidadania dos portugueses, contra os capitalistas);

- Em 2011, 47% dos consumidores diziam fazer as compras exclusivamente em centros comerciais, mas este ano apenas 29% dão esta resposta (fantástica, esta mudança dos portugueses).

E por aí fora, confesso faltar-me a paciência para mais.

Não comprem o jornal. Não vale a pena. É sempre igual. E a crónica do Alberto Gonçalves vem na net, de qualquer modo. Portanto, não vale a pena, a menos que se tenha adquirido o saudável hábito de fazer palavras cruzadas durante o acto. Esse. O da “privada”. E aí recomenda-se o DN.


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domingo, outubro 16, 2016

Absurdo



[5453]

A situação é absurda. Parece querer gerar-se a ideia que o orçamento carece de uma orientação clara sobre o aumento do crescimento económico. Vai daí percebe-se, sobretudo ao nível dos repórteres da SicN que o orçamento é óptimo, o problema é que o PSD, imagine-se, não apresenta ideias que promovam o crescimento económico. Perceberam? Pois… não é fácil. Mas é o que se depreende. Ainda agora, mais uma serigaita da SicN (a Sic é uma serigaitada pegada), em Genebra, perguntava excitadíssima ao presidente Marcelo se ele não achava que a Oposição deveria dar ideias sobre o crescimento económico. Marcelo respondeu que não comentava o orçamento.

Tudo isto é absurdo mas, realmente, explica como é que que a geringonça vai ganhando nas sondagens. É difícil entender o que esta miudagem é capaz de pensar com um microfone na mão. Sem microfone é capaz ainda de ser mais idiota porque, mais reflexivos, irão depositar o voto na geringôncica coligação. Coligação que certamente teria feito um óptimo orçamento, não fosse a estúpida da Oposição não apresentar nem uma ideia para o crescimento económico.


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quarta-feira, outubro 12, 2016

O respaldo a que temos direito



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Tenho de sair, mas fecho o laptop e saio muito mais descansado. Ali atrás ouvi na TV alguém dizer, num tom circunspecto e renovador, de que o sistema de educação tem de ser mudado. É uma coisa que oiço dizer há uma série de anos, que a educação tem de ser mudada, Ora se temos de mudar outra vez é porque tem estado mal até aqui. Por acaso tenho dado por isso, mas pensei que era mesmo assim. 

Logo a seguir, de rajada, a pivot diz que não sei quem, do ministério da saúde afirmou que o serviço de saúde tem de ser mais centrado no doente. Seja o que for que isto queira dizer, parece-me bem. Não vá dar-se o caso de um médico estar a consultar um paciente (agora diz-se utente, não é?…) e estar centrado noutra coisa qualquer, no Jorge Jesus ou na Moda Lisboa e assim. Acho bem. Nada como uma governança atenta. Mudar a educação e centrar nos doentes. Estamos aqui, estamos a mudar coisas na justiça ou a centrar nos Mirós.


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segunda-feira, outubro 10, 2016

Ficamos assim...



[5450]


Nota de rodapé - Não tenho qualquer simpatia por Trump apesar da campanha contínua contra ele me fazer despertar algum capital de simpatia, Mas não, não tenho. Acho-o, mesmo,  uma awful ignominy. Mas isso não me impele a engolir este permanente decúbito politicamente correcto. Porque, para mim, Trump ganhou o debate. De goleada.


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sábado, setembro 10, 2016

Fiquei mais esclarecido



[5442]

Fiquei, finamente, formado na história, origens e causas da guerra da Síria. Eu não sabia lá muito bem, mas cheguei a casa, liguei a tv, estava na SicN, e depois de ouvir aquele separador a dizer, em versão de rap tuga, para eu não ser xenófobo, nem racista e a perguntar se fosse comigo, ouvi uma senhora a explicar-me, ao que parece a propósito do acordo de tréguas assinado com a Rússia e os EEUU, que em 2011 vieram uns rebeldes (a senhora não disse rebeldes, disse outra coisa qualquer…) para a rua protestar pacificamente. Mas, pacificamente, repetiu ela. Foi então que Bashar al-Assad dispersou os manifestantes à lei da bala (SIC, eu seja ceguinho).

“Prontes”, eis a história da guerra na Síria. O pão está por um preço que não se pode, as farinhas também, os hospitais não têm medicamentos e já morreram cerca de 300.000 pessoas. Tudo isto porque Bashar al-Assad resolveu dispersar os manifestantes (pacíficos) à lei da bala.

Cá para mim, o Passos Coelho também deve ter tido culpas, mas passou-se-lhes.


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sexta-feira, agosto 26, 2016

Gente com opinião tem sempre razão

[5438]

Torna-se-me cada vez mais espinhoso perceber os desígnios da nossa comunicação social. Oscilo ente uma campanha especialmente gizada para manter os níveis do politicamente correcto em boa medida ou, simplesmente, começo a convencer-me que os seus agentes são maioritária e firmemente estúpidos.

Estou a trabalhar e oiço uma torrente de comentários sobre o tal burkini. Abstenho-me de fazer as minhas próprias considerações sobre a questão, tanto mais que até há pouco tempo atrás ninguém falava no assunto (porque o assunto não existia) e, sobretudo, porque me impressiona a dificuldade ou negação de muitas pessoas em perceber que o tal do burkini, mais do que o exercício de uma liberdade que as burkineiras não têm na terra delas, constitui claramente uma ferramenta provocatória. Por isso, repito, não vou entrar em considerandos sobre um assunto idiota. E que as pessoas se lembrem de que tanto direito têm as muçulmanas de se vestirem como quiserem (ou os homens as obrigarem), na terra delas, como os franceses têm o direito de proibir o que lhes apetecer na terra deles.

Voltando à TV, estou a trabalhar e tenho em ruído de fundo, repito, uma torrente de gente indignada com os franceses e produzindo os mais disparatados argumentos sobre a matéria, desde a liberdade das mulheres ao exemplo das freiras, passando pelo respeito dos símbolos religiosos e tradicionais de cada qual. Um coro de indignados, curiosamente mais mulheres que homens, de gente que provavelmente há pouco tempo atrás berrava contra os cruxifixos nas escolas. À função colaborava a apresentadora da TV, quiçá mais indignada que os ouvintes, ao mesmo tempo que anunciava a opinião de um “especialista” na matéria, nos intervalos dos telefonemas.

E assim vai o mundo (o português). Uma plêiade de gente justa, que preza a liberdade e com um espírito solidário que lhe vem das entranhas. E, ainda, com uma notável clarividência sobre os mais delicados e momentosos problemas do planeta. Foi assim com Timor, é com Angola, com a invasão do Iraque, a cimeira dos Açores e com Guantánamo, entre outros. Que não usem a mesma clarividência para tratarem dos seus próprios problemas e ratifiquem coisas estranhas como uma geringonça governante já são outros quinhentos.


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quarta-feira, agosto 24, 2016

Vai-se a ver e a SicN ainda nos põe a achar que foram poucas



[5437]

Se a SicN continuar a produzir notícias e entrevistas sobre estes dois rapazes ao nível e frequência com o que tem vindo a fazer, ainda acabo por gostar deles e achar que o miúdo português não tinha nada que levar murros e pontapés e muito menos deixar que o espezinhassem ao ponto de lhe provocarem múltiplas fracturas, o desfigurassem e passar a ter um prognóstico neurológico reservado. De certa forma é um sentimento que já vou percebendo em determinados sectores.

Não entendo bem esta atitude dos media. Não esperaria que se vituperasse gratuitamente os iraquianos ou que se organizasse alguma forma de justiça popular. Certamente que o tal Ruben não estará inocente nesta história, mas uma coisa é um par de murros e pontapés, (quem não se envolveu em brigas quando jovem?) outra é um ataque mortífero como, ao que parece, o Ruben sofreu. E manter uma cobertura continuada aos “gémeos”, dois rapazes, bonitos, bem falantes e com forte argumentação, enquanto o outro se manteve em coma induzido e, agora, parece estar longe ainda da recuperação por força de um ataque assassino e de ódio é uma acção desprezível, ao nível do que é habitual na SicN.

Nota: Crítico como sou da geringonça, não posso deixar, porém, de referir o que me parece ser uma actuação pausada, pensada, digna e sapiente do ministro Santos Silva.


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