sábado, maio 20, 2017

O fetiche dos 20 cm


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Há qualquer coisa de mágico com o número vinte. Ele é o 20 valores, ele é os 20 centímetros. Por qualquer razão o vinte lusitano tem valor acrescentado e funciona de cada vez que sentimos aumentar a auto-estima. Na circunstância, vinte pode ser igualmente um valor de referência de cada vez que o português quer (ou sente) aumentar qualquer coisa. E não há nada de machismo na coisa quando digo o português, porque para a portuguesa não há verdadeiramente nada que suscite o anseio de ter alguma coisa com vinte centímetros, ainda que, aplicados ao homem, isso lhe antecipe uma provável e irreprimível volúpia.

Pois desta vez foi Marcelo. Para além de se entusiasmar a falar de PIB e crescimentos económicos em conversas informais com deputados croatas, mesmo que mais tarde tenha corrigido o tiro e tenha dito que o que disse era apenas uma hipótese, Marcelo transbordou de entusiasmo com a vitória na Eurovisão. Depois de explicar a um grupo de jovens que no dia do festival os portugueses “telefonaram todos uns aos outros” (ipsis verbis) para saber se estávamos todos a ver a votação e de que o António Costa lhe mandou um sms a perguntar o mesmo, acabou por disparar com os tais vinte centímetros. Porque foi o dia em que os portugueses se sentiram com mais vinte centímetros. E desta vez, em altura. Lá está… os vinte centímetros a funcionarem na alma portuguesa. E não deixa de ser curioso verificar o efeito de detalhe que pode acontecer por sermos vinte centímetros mais altos. É… já Florbela Espanca dizia que os poetas eram mais altos.

No meio disto tudo, com vinte centímetros a mais ou vinte centímetros a menos, a questão é que cada vez mais me sinto entregue a um grupo de gente que dá a ideia clara de que estamos no recreio, tal qual quando estávamos na escola. Andamos, felizes, contentes, entusiasmados, eufóricos e até mais altos. O que me preocupa não é propriamente que venha o diabo, mas que toque a sineta a anunciar o fim do recreio e tenhamos de voltar para a sensaboria da aula. E aposto, singelo contra dobrado, que nessa altura encolhemos bem mais que os vinte centímetros apregoados por Marcelo. Na altura e, eventualmente, noutros detalhes da nossa morfologia. 

E, já agora, alguém que diga alguma coisa a Marcelo. A Judite de Sousa, o Júlio Magalhães ou assim…

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sexta-feira, maio 19, 2017

Um amável convite do "Delito de Opinião"

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O meu blogue anda meio chato. Ou chato inteiro, mais propriamente. São quase 13 anos (em Julho e quase, quase 6.000 posts, desde Julho de 2004). E sozinho. Tem sido uma companhia admirável e uma via para conhecer gente e criar amizades com gente boa e bonita. Mas confesso estar a atravessar uma irritante abulia e quase não escrevo. António Costa tem culpa, também, até de escrever pouco, de cada vez que abro o laptop vem-me a criatura à cabeça. Sebosa, rindo e irritante. Acabo a escrever sobre ele, de tal maneira que amigos já me têm dito que estou até a tornar-me chato.

Este preâmbulo para dizer que fui honrado (uma vez mais) pelo convite do Pedro Correia para escrever um post para ser publicado no Delito de Opinião. Prometi a mim mesmo que não falava no Costa. E não falei. Tentei fazer uma coisa ligeira e pedi desculpa ao Pedro por ser, talvez, demasiado ligeiro. Mas foi o que se pôde arranjar. Mesmo que o post não esteja com assinalável qualidade, vale pelo prazer de aceder ao pedido do Pedro e desejar a todos boas leituras no Delito. E que eu, mesmo modestamente, tenha desta forma contribuído para tal.

E o post é este:




Bruscamente, debaixo do chuveiro

Tenho andado entra e sai, em casa, por motivos vários. Ao mesmo tempo, a minha filha pediu-me para lhe ficar com as duas gatinhas enquanto ela se ausentou por um par de dias.

Anteontem entro em casa, ligo mecanicamente o televisor para quebrar a paz e o silêncio, as gatas ronronavam num maple e fui para o duche. Eis senão quando, oiço miadelas estridentes, correrias, barulho de um par de coisas a cair e a estilhaçarem-se…mais correrias, choques com portas e é aí que, debaixo do chuveiro, me pergunto se estarei a ser assaltado. Molhado e nu não é propriamente a melhor maneira de resistir a assaltantes, salvo especialíssimas circunstâncias… mas enchi-me de coragem, enrolei-me na toalha e segui para o hall. Olhei para a sala, não vi nada, vou à cozinha e vejo as gatinhas assustadas, muito encolhidas e enroscadas, junto ao fogão. Que coisa, pensei eu… serão mesmo assaltantes?

E é neste ponto que oiço uma gritaria que, por motivos claros, não provinha das gatas, Vou à sala, procuro identificar o ruído, mais ou menos semelhante a um grupo de carpideiras bem pagas, talvez, ainda, uma vaca que um dia vi o meu irmão veterinário ajudar a parir e deparo com a imagem do Manuel Serrão, na TV, no “Prolongamento”, a imitar (!!!!????!!!!) o Salvador. Pensei sobre que diabo se estaria a passar. Curioso, aproximei-me e na ininteligibilidade dos lances canoros da criatura percebo que havia uma tentativa de uma letra. É isso. O homem imitava o Salvador, o que percebi pelos gestos, naturalmente não pela música. Mas a letra, meu Deus… só percebi Poooooorto… peeeeeenta e qualquer coisa que rimava com penta. Não era pimenta, mas algo por lá perto e que não consegui definir. Insisti E quando julgava que a letra continuava, o homem insistia… peeeeeenta….. pimeeeeeeeeeeeeenta…. (acho) e fiquei-me por aqui. 

Volto à cozinha e olhei, enternecido e solidário com as gatinhas. Pequei no “remote” e calei o Serrão. As gatas olharam para mim, embevecidas e agradecidas. Peguei nelas fiz-lhe um mimo e elas deitaram-se de novo no maple. Eu voltei ao chuveiro e  prolonguei aquele jacto quente e gostoso até me desaparecer aquela rima estranha de …peeeeeenta…..pimenta…

Mesmo assim, quando me deitei, e cada vez que fechava os olhos… é… aquela sensação que todos nós certamente temos e que faz com que não consigamos deixar de trautear mentalmente uma canção… lá estava ela. Só que desta vez era mais grave. Além do peeeeenta, pimeeeeeenta mesmo de olhos fechados eu tinha a visão festivaleira do Manuel Serrão e de gatas assustadas, tal como se nota na foto. Tomei um Dormonoct. 




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quinta-feira, maio 18, 2017

Quem se mete com o PS leva



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Acabei de chegar de uma viagem por estrada de cerca de três horas. Neste tipo de coisas, as pessoas entretêm-se a testar os consumos, a apreciar a paisagem ou ouvindo a “smooth”. Por qualquer razão que não me ocorre, vim sintonizado com uma estação de rádio normal e, em vez de consumos e paisagem, entretive-me a contar o número de vezes e a cadência com que davam a notícia que o presidente da Câmara do Porto era sócio duns terrenos onde queria construir, mas os terrenos afinal são da Câmara e blá blá blá. Ouvi várias opiniões, uma delas chegando ao ponto, mesmo, de dizer que Rui Moreira deveria ser destituído. Assim uma espécie de “impeachment” à portuguesa. Chego a casa, tomo um banho, sento-me ao computador, ligo a TV e…adivinhem… já são três vezes que oiço a ladainha.

Eu, que nem conheço Rui Moreira nem por ele tenho uma especial simpatia, não pude deixar de reconhecer que o PS ameaça quem se mete com ele e não demora a partir “as fuças” seja a quem for ou, em casos mais benignos, a dar um par de bofetadas (isto para usar léxico socialista). Dai que não me surpreenda que Rui Moreira tenha passado de presidente-modelo a um desprezível corrupto que até quer construir obra particular em terrenos camarários, imagine-se o despautério.

O PS pode ser duma incompetência aflitiva, duma irresponsabilidade atroz, pode ser até uma espécie de agente oficial de falências soberanas pela maneira como parte (e, alegadamente, rouba, por via de alguns dos seus mentores) o dinheiro dos contribuintes que continuam alegremente a votar nele. Mas uma coisa é certa. Quem se mete com ele, leva mesmo.


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quarta-feira, maio 17, 2017

Ad nauseum



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Ontem ouvi o comentário de José Miguel Júdice na TVI24. O tema era a sorte. Existência ou não de.

Júdice apresentou três exemplos típicos de sortudos, Macron, Marcelo e Costa e defendeu uma tese pessoal de que a sorte existe, independentemente do mérito, dando estes três homens como exemplos vivos e recentes de sorte.  Há personagens com mérito a quem as coisas correm mal (azar) e personagens sem préstimo a quem as coisas correm bem (sorte), era o mote de Júdice. 

E foi baseado neste princípio que Júdice estabeleceu uma tese, de resto interessante e consistente com vários episódios das pessoas citadas, sobre o facto incontornável dum fenómeno subjectivo, como a sorte.

E foi patético perceber em José Alberto Carvalho, por via de repetidas insinuações e logo que se falou em Costa, a ideia de que a sorte é sempre indissociável do mérito. Júdice, de resto, acho que nem reparava bem na insistência do “pivot” e permanecia na explanação da sua tese sobre a existência de sorte. Mas JAC insistia. E Júdice contrapunha. E a cena atingiu raias de idiotia ao perceber-se a perseverança de JAC no mérito de Costa, sem o qual ele não teria sorte.

No fim do programa perguntei-me porque diabo uma personalidade menor, trafulha e mentirosa, como Costa, consegue arregimentar estes defensores, e são vários, que insistem numa atitude laudatória sobre Costa. E não consigo entender. Provavelmente tenho o azar de não perceber. Ou a sorte, sabe-se lá…


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