segunda-feira, dezembro 26, 2011

Natais pós-modernos





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Sinal dos tempos, provavelmente. Tempos em que a sanha contra tudo o que cheira a Cristo e em que altas personalidades da igreja não resistem à tentação de meterem uma colherada na política, o que nem seria grave se a colher não saísse besuntada de utopia e uma hábil tentativa de configurar a igreja católica ao pensamento corrente de que os países estão comandados por máfias de empresários que, mais do que rendibilizarem as empresas, saltam todos os dias da cama com o pensamento incontornável de decidirem quantos trabalhadores é que vão despedir nesse dias.

Recorrendo a três exemplos, num universo de muitos que me tolhem o entendimento, acordo e leio uma notícia «boazinha» do Público que quase pede desculpa pelos islamistas estarem cada vez mais sofisticados e acalentarem ambições nacionais enquanto, de caminho, assassinam cerca de quarenta pessoas que, imagine-se, tiveram a ousadia de ir à igreja celebrar o Natal.

Depois vi farrapos de um programa inenarrável na RTP, no qual um comediante monologava com um crucifixo e se interrogava para que lado Cristo estaria a olhar naquela altura…ao mesmo tempo que o submetia a um jogo esquisito de movimentos que nem consegui definir e que me pareceram situar-se entre o obsceno e o idiota, enquanto chegava outro «artista» que se ria muito e lavava as mãos na pia de água benta… momentos abjectos que mesmo aqueles que não vão à missa, como é o meu caso, se sentem envergonhados com estes nossos artistas modernaços e, mais grave, parece que há gente que acha graça aquilo.

Por fim, oiço o Patriarca de Lisboa deixar uma mensagem de Natal, na qual o nosso Patriarca se evolve em espirais oníricas de justiça social, do sofrimento, do colectivo, desigualdades chocantes e para isso só uma nova etapa de civilização com uma nova ordem económica pode resolver a questão. Por outras palavras, trocado por miúdos, o nosso colectivo tem de arrancar para uma nova ordem económica que esta não presta, esquecendo-se o Patriarca que se houve ordem económica que trouxe bem-estar e desenvolvimento aos povos e diminuiu o chamado fosso económico foi exactamente este que o Patriarca verbera, uma coisa que lhe vai bem com o hábito, mas mal com alguma vergonha na casa, presumindo eu que ele saberá o resultado das condições de trabalho da Igreja católica em países onde o colectivo e a ordem económica eram exactamente o que agora ele parece preconizar. Par além de que me faz impressão D. Policarpo, de resto vezeiro nesta linguagem correcta, se ter esquecido do massacre de Natal na Nigéria. Faz-lhe mais impressão a falta de iquidade, o dinheiro e os bens matérias, para o que ele acha que precisamos todos de dar um grito.
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quarta-feira, janeiro 14, 2009

D. Policarpo metido em sarilhos


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Aguardo com serenidade a reacção às declarações do Cardeal Patriarca, sobre o sarilho em que uma mulher se pode meter casando com um muçulmano. O
Jugular já esboçou umas linhas e o Arrastão deve andar distraído. Mas lá virá.

CORRECÇÃO (16:06): Eu escrevi que o Arrastão anda distraído. Corrijo para andava, porque já não anda. De resto, dificilmente me ocorre outra altura em que D. OLIVEIRA tenha sido tão sectário e intelectualmente desonesto como neste post. Sobretudo porque não acredito que ele acredite naquilo que ele acredita que nós possamos vir a acreditar que ele acredita.

O registo, porém, terá de ir para a atitude corajosa de um representante da igreja católica em que mais do que cumprir um imperativo moral denunciando a profunda arbitrariedade com que uma mulher é tratada na sociedade muçulmana, ele acaba por prestar um inestimável serviço às mulheres que, por ignorância ou boa fé, se deixam enredar num mundo onde são vítimas certas e antecipadas de práticas e doutrinas medievais, onde a mulher, entre outras minudências, pode e deve ser castigada (leia-se agredida) pela vontade de Deus.

Congratulo-me muito com a coragem do Cardeal Patriarca, sobretudo tendo em atenção as condições particularmente difíceis do contexto internacional.

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