sábado, novembro 25, 2017

Hoje faz anos



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Faz hoje anos, quarenta e dois, que um grupo de comunistas enquadrados por uns quantos paraquedistas e uma coisa sinistra que dava pelo nome de Copcon, tendo à frente ilustres camaradas que ainda hoje andam por aí a dizer disparates e a chatear meio mundo, quis tomar o país e torná-lo numa Cuba qualquer, ao tempo, ou numa Venezuela deste tempo. Jaime Neves e Ramalho Eanes tiveram entre outros, um papel preponderante em suster esta vaga de loucos delinquentes e as coisas normalizaram.

Quarenta e dois anos depois, vai por aí uma movimentação semelhante. Grande maioria dos comunistóides em uso corrente não eram sequer ainda nascidos e, provavelmente, não terão sequer conhecimento do que aconteceu, assentando a sua cultura e registo histórico em alguns livros que leram, algumas RGA’s, ou histórias familiares de corajosos assaltos a bancos e navios de passageiros. E há também gente que à altura eram ainda uns rapazelhos entre os catorze e quinze anos que acharam graça à coisa, e que hoje também acham (fartam-se de achar…) que dá para aparecerem na fotografia, mesmo que para isso tenham de conduzir o país para um beco sem saída e para uma clara regressão de valores.

Hoje faz anos que mantivemos a ordem. Daqui a quarenta e dois anos já cá não estarei mas alguém eventualmente escreverá uma nota semelhante a esta. O nosso país é assim.

PS – Lembro-me, como se fosse hoje, que há dois ou três anos a circunspecta TSF (eu, sinceramente, sei que existe mas não a oiço há muito tempo, desde que criei filtros naturais para o que oiço, leio e vejo) difundia uma crónica (Paulo Baldaia? Não posso afirmá-lo convictamente) segundo a qual “a história do 25 de Novembro era muito mal contada”.


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terça-feira, outubro 31, 2017

Dia Mundial da Poupança - Mentalidadezinha



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Ali atrás na TV oiço vários peritos em poupança a explicar aos portugueses como é que um português que ganha 1.000 euros deve fazer uma folha de receitas e despesas, usando uma folha de papel e uma esferográfica ou usando o “Excel”. Aí deve-se registar as receitas (ou seja o que ganha) e s despesas (ou seja o que gasta). E não se deve esquecer de registar 35% para poupança (ou seja 350 euros). Procurei ser literal.

A coisa depois passa para uma escola (parei de trabalhar e olhei para trás) onde algumas professoras dissertam sobre este princípio de poupança, numa linguagem mais acessível, já que se trata de crianças entre seis e oito anos. E entre várias explicações às criancinhas de como devem acautelar o seu futuro, poupando, uma professora enceta o seguinte diálogo, com uma menininha amorosa:

Menininha: Sô professora, eu ontem engoli um euro. Acha que me vai fazer mal?

Professora: Não, minha querida, os políticos comem muitos e não lhes faz mal nenhum.

Não sei bem o que chamar a este exemplo de indigência. Nas vinhas há uma praga chamada filoxera, conhecida por se alimentar exclusivamente da madeira das videiras e das fêmeas serem ápteras (sem asas) e se reproduzirem assexuadamente. Entre nós há evidentes semelhanças. Não temos asas (excepto as vacas do Costa) e a nossa madeira alimentar assenta exclusivamente num atavismo congénito com os resultados que se conhece. Por enquanto ainda não nos reproduzimos assexuadamente, mas para lá caminhamos.

O resultado é o aparecimento gradual, mas firme, de uma sociedade estereotipada no ódio e desprezo por uma classe social. Quando era pequenino ensinavam-nos a odiar os polícias. Hoje, começamos de pepino torcido a odiar os políticos.

Verdade seja dita que tantos os polícias como os políticos têm bastas razões para ser odiados, mas a culpa é de todos nós em geral. Porque com este tipo de educação os polícias se foram tornando cada vez maiis brutos e os políticos comem, impunemente, cada vez mais euros. E nós continuamos, alegremente, a ser cada vez mais estúpidos. Não que não alimentemos esta dinâmica educacional ao longo dos anos.


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quarta-feira, outubro 18, 2017

Experiência

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Experiência



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O passarinho



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Era uma vez um passarinho. Pequenino, bonitinho e que gostava muito de voar no céu azulinho sentindo a brisa fresquinha que lhe beijava o bico.

E quem quiser ler o meu modesto blog, é seguir o passarinho.

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terça-feira, setembro 12, 2017

A culpa é dos acontecimentos



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Uma parte considerável do território americano foi atingida por uma catástrofe (parece ter sido o maior furacão de sempre) que causou elevadas perdas materiais e perda de vidas humanas. O Presidente fez uma curta declaração onde assegurou aos cidadãos um plano federal de ajuda aos atingidos e enalteceu o facto de ser na desgraça e na contingência que os cidadãos americanos se sentem unidos e proud of it.

Em Portugal, uma catástrofe semelhante mereceria uma declaração do nosso sorridente primeiro-ministro (ladeado pela ministra Constança fungando e de olhos tristes) explicando os porquês da situação a que não seriam estranhos um elevado número de malfeitorias e desmazelos do governo anterior, as alterações climáticas que os americanos se recusam a subscrever em Paris, as injustiças sociais (apesar de tudo minoradas pelo aumento de rendimento das famílias a que ele, claramente, não era alheio), as dificuldades na resposta à catástrofe pela infernização a que o governo PSD/CDS submeteu as famílias, os pensionistas e os reformados, ao descalabro de uma oposição sem liderança, sem propostas, respostas ou planos e outras singularidades muito próximas daquilo que Maduro diria aos infelizes venezuelanos, numa situação semelhante. Tudo acompanhado de um sorriso e de uma catadupa de “orabamoslaber” ou, até, de uma vaca de brinquedo com asas e Costa aos pulos num palco improvisado, com o pessoal a bater palmas.

Após o que teríamos Catarina e Jerónimo a dizer mais ou menos as mesmas alarvidades - ela com a tacha razoavelmente arreganhada e ele com o mento reflectindo as heroicidades do passado e as certezas venturosas dos amanhãs. No fim, o habitual cotejo de comentários políticos, todos eles dizendo a mesma coisa e, assim, não cotejando coisa nenhuma e um remate obsceno dum “Eixo do Mal”, de uma “Quadratura” e de uma Constança Cunha e Sá à maneira.

O pano cairia com declarações alarves mais ou menos ao estilo de que "no limite" não teria havido furacão (sem acusação e sem confissão), na pronta resposta do governo, na abertura de seis inquéritos e nas culpas de um punhado de instituições. Para além das de Passos Coelho, naturalmente.


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segunda-feira, setembro 11, 2017

No limite...



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Que Costa estabeleça um nexo de causalidade entre o aumento do número de entradas no ensino superior e a sua acção governativa no aumento do rendimento das famílias não me incomoda mais do que um simples episódio, parecido ou igual aos muitos episódios a que a “geringonça” nos tem vindo a habituar, ainda que reflicta um estado já bem apurado de um lamentável  primitivismo demagógico. Coisa a que de resto, este primeiro-ministro parece ser o grau máximo das suas competências.

Restam duas dúvidas. Se o homem é um demagogo inato e vive no conforto de se sentir iluminado por tamanha benfeitoria, quiçá divina, e acredita piamente no que diz, reforçando a minha convicção de que é apenas uma criatura limitada, ou se sabe que está a ser demagogo e o usa em seu proveito pessoal, achando que pode, impunemente, tratar os cidadãos como estúpidos de pai e mãe.

Qualquer destas dúvidas me inquieta. E pouco haverá a fazer senão aguardar que uma qualquer trovoada seca solte um raio que lhe corte o pio – para usar o léxico em moeda corrente.

Ouvir aqui as barbaridades (e a berraria habitual) de Costa sobre o assunto.


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quarta-feira, setembro 06, 2017

É chamar um contabilista e um fiel de armazém



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Isto confrange, isto é uma vergonha, isto revela bem que se um governo não sabe gerir sequer uma operação de donativos populares para uma tragédia (de que é objectivamente culpado), perguntamo-nos sobre o que saberá gerir, para além do patuá habitual de inanidades com que nos vai azucrinando, por via da TV e dos (poucos que restam) jornais.

Mais do que ter havido alguém que se tenha “abotoado” com umas massas pelo caminho (coisa a que desgraçadamente, já vamos estando habituados) a mim o que realmente me descoroçoa e envergonha é o facto de, aparentemente, o Governo não ser capaz de gerir uma campanha de recolha de donativos. Coisa simples, parece-me. Tudo para uma conta aberta para o efeito, uma comissão (coisa em que o governo é exímio) a gerir a conta, obrigatoriedade de todo o dinheiro recebido reverter para essa conta e, a partir dela, fazer a distribuição adequada das verbas.

Mas não. Uma miríade de organizações sociais, da Santa Casa à Cáritas, passando pela Defesa Civil, autarquias e aquele grupo de gente que aparece sempre nestas situações (os portugueses adoram meter-se nestas coisas…) apoderou-se dos louros da nobreza da função.

Ao ponto de hoje parecer ser impossível, ao menos, saber quanto há. Isto é um desaforo para os necessitados e um desrespeito para todos os que contribuíram. E a certeza de que a geringonça nem uma campanha de solidariedade sabe gerir.


Vergonha. E espanto. Mesmo com Marcelo, "de verbo frenético" dizendo que precisamos de ser esclarecidos. Porque parece que vamos ter geringonça por uns tempos. Com os eleitores que votam nela a dizer que a culpa é do Passos Coelho.


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segunda-feira, setembro 04, 2017

Quando as crianças ganham voz grossa



[6175]

Sou pai, conheço muitos pais, sei que há níveis de tolerância para com as crianças mais ou menos gradativas com o desenvolvimento da idade. O que se desculpa a um garoto de 2 anos, pode ser já motivo de reprimenda aos seis ou sete mas, ainda, a tolerância mantém-se para episódios aceitáveis aos sete, mas já reprováveis aos 15 e por aí fora. E chega a altura em que os filhos são adultos e as asneiras que fazem, por muito que custe aos pais, são da sua inteira responsabilidade.

De alguma forma isto aplica-se, erradamente, aos políticos. Esta faixa de gente, razoavelmente inútil do ponto e vista de saberem fazer alguma coisa de produtivo, a que se convencionou chamar políticos, pintam a manta, dizem asneiras, pegam-se à bulha, são intrinsecamente maus uns ou para os outros e muitas vezes cúmplices em tropelias, quase todas em prejuízo daqueles que supostamente deviam representar e defender. Mas a bonomia da grei é semelhante à dos pais que desculpam a criança que fez um disparate. O que está, claramente errado. Os políticos são homenzinhos (e mulherzinhas, “prontes”) já formados. O problema é que são maioritariamente mal formados. O que poderia não ser muito grave se fosse possível baixar-lhes as calças e dar-lhes umas palmadas. Mas não podemos, é um mau aspecto. E isso faz que vivam em permanente imunidade e cometam toda a sorte de dislates e se cinjam a conceitos que têm pouco ou nada a ver com a moral, a justiça e o interesse dos cidadãos.

O resultado são estes Galambas de trazer por casa que dizem o que lhes apetece, o que é uma nobre e estimável liberdade, mas que eles não merecem. Pintam a manta com os pincéis que têm à mão e com as cores quer lhes vêm à cabeça. E não hesitam em ser malcriados, abusivos, mesquinhos e até violentos. E o resultado é não passarmos um dia sem ouvirmos uma frase alarve ou observarmos gestos ou atitudes que são objectivamente lesivos dos nossos interesses individuais e colectivos.

Como se cura “isto”, não sei. Lá está, se fossem as tais crianças, um par de palmadas  no rabo poderiam ser efectivas, benfazejas  e terapêuticas. Já um par de palmadas num traste como este dava-lhe mais lenha para a sua fogueira privada de parvoíces.

Assim como assim, vamos andando. Na esperança que um dia alguma coisa muda. Mas a esperança é ténue.


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sexta-feira, setembro 01, 2017

Sad



[6173]

A CS hoje exulta e transborda a excitação com a popularidade (a maior de sempre) de Costa no pedaço, o que o poderá levar a uma segunda legislatura consecutiva e a um lugar de destaque na nossa História.

De duas, uma: ou estamos sob um qualquer fenómeno cósmico que condiciona o status doméstico ou estamos definitivamente infantilizados por anos consecutivos de submissão a um regime castrador.

Seja como for, daqui resultará que, muito provavelmente, Costa poderá, impune e de sorriso alarve, continuar a ser um rematado malcriado, um compulsivo mentiroso e um meio eficaz de levar ao colo um grupelho de loucos furiosos que não descansam enquanto não reduzirem a nossa economia a cacos. E Costa não estará lá para os apanhar. Eventualmente, para apenas levar com algum na cabeça.

Apetecia-me ser Trump por uns segundos, para dizer: SAD.


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quarta-feira, agosto 30, 2017

Uma imagem de marca



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Este trio é objectivamente responsável por uma grande parte e gravidade das tremendas dificuldades que estamos a atravessar.

Lamentavelmente, uma dose de intenso jacobinismo e, com frequência, pura imbecilidade, deu cobertura à nefanda actividade destas criaturas. O resultado está aí, à vista de quem quer que seja e tudo indica que “isto”, de uma maneira ou outra, vai acabar mal. Ou continuamos com a actual trampolinice em uso nesta repartição e acabaremos vergonhosamente excluídos do concerto europeu, tornando-nos uma espécie de Venezuela com o socratismo em plena forma, mesmo que pautado por um fulano que o próprio Sócrates acha que é um merdas ciumento e sem tomates, ou isto vira e caímos de novo na salgalhada, desordem e violência que caracterizaram o tempo do anterior governo, quando uma simples deslocação de um membro do governo, fosse onde fosse, era insultado e, deixando, agredido.

Não auguro nada de bom. Nem ficando como estamos, nem mudando. Duma maneira ou outra virá ao de cima a nossa cantada característica de não sabermos governar nem sermos governados. O que resultará deste pressuposto não sei. Mas sei que o trio da imagem contribuiu vergonhosamente para tudo o que se está a passar. E para condimentar a coisa, Costa tratou de dar o poder e a influência a provar a esse fenómeno estranho, com sanha destruidora (porque é isso mesmo que consta na cartilha que estudaram) a que chamam esquerda. E foi Costa que os levou para lá.

Até lá, vou sentindo vergonha de tudo isto.




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domingo, agosto 27, 2017

E a criatura não enrouquece…



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Não há uma particular dissemelhança entre os guinchos de um varrasco a ser arrastado para a matança e a inflamação oratória de António Costa. O homem acha que ó comício é um palco adequado para berrar, agora que é primeiro-ministro, o que gostaria de ter berrado quando era mais jovem.

Costa adopta uma postura (odeio este termo, mas não me ocorre outro…) beligerante, tonitruante e que ele, provavelmente, associa ao carisma que o 44 diz que ele não tem, mas quer ter, ou ao vigor com que ele considera ser a forma adequada de se dirigir às massas. Acresce que um primeiro-ministro deveria ser uma personagem vigorosa, pois então, mas com a elegância e a virtude de quem consegue dizer coisas importantes sem desatar aos berros como o tal varrasco que pressente ir à faca longa e aguçada da matança

Há ainda a questão da educação. Costa não tem o direito de entrar aos berros na casa de quem quer que seja, ao ponto de nos obrigar a reduzir substancialmente o volume do som do televisor. Um primeiro-ministro é suposto ter um módico de educação e maneiras para não fazer a figura que faz.

Para terminar, escusava de mentir e de ser trampolineiro, dizendo coisas claramente falsas e encavalitando outras, no seu peculiar português em que deglute mais palavras do que expele, para não falar na troca de sílabas e não correspondência de género. Uma desgraça.

Isto poderia vir a propósito de muitas coisas (o homem berra todos os dias…). Mas foi só porque a criatura me tirou do sério pela forma grotesca e desabrida como se referiu a Assunção Cristas e como mentiu, dizendo que Passos Coelho acusava os bombeiros de baixa qualidade. Isto passa-se no Comício de Verão do PS, mas se fosse na Assembleia era a mesma coisa. Ou pior. Um ou dois dias depois de se permitir pensar em consensos com o PSD.

Costa é uma criatura insuportável. E pouco digna do lugar que ocupa.


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domingo, agosto 13, 2017

Heeeeeelp



[6167]

No conforto da sala, fresquinha e ouvindo música baixinho, o remorso ataca, quando pensamos nas centenas (milhares?) de pessoas afectadas pela autêntica tragédia que assola Portugal. E vamos omitir as muitas dezenas de mortos, por respeito por eles próprios.

Dizer que, em matéria de incêndios, acho que este ano será o pior de sempre dá lugar a que me caiam em cima a dizer que estou a fazer aproveitamento político. Mas os factos estão aí. 33% de toda a área ardida em toda a Europa é portuguesa - nossa, o que é coisa que faz pensar. Enumerar as causas é já repetitivo, bem assim como o registo de outros acontecimentos que já são história, como Tancos e a triste figura de um general gorducho que veio palrar umas inanidades à Televisão.

E a Geringonça prossegue o seu trilho comunicacional e até para o pedido de auxílio à União Europeia tinha de incluir um parágrafo em que a patética ministra que nos saiu na rifa frisou que vários países já beneficiaram deste auxílio como a França, a Turquia e a Albânia, o que só prova como estamos bem acompanhados. Isto enquanto o rubicundo Costa deve andar ocupado a planear a defesa das cheias do Mondego que estão aqui, estão aí.

Um cineasta razoavelmente apetrechado poderia fazer um filme interessante destes episódios. Mas não dá… senão quem é que fazia mais filmes sobre os capitães de Abril e se ocupava dos destinos da TAP?


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sábado, agosto 12, 2017

Conversa de xaxa, p’ra boi dormir



Costa mandou a ministra assegurar o combate aos fogos enquanto ele vai para Montemor-o-Velho acalmar a população sobre as cheias no Inverno, que já não vão ser cheias porque ele... pois

[6165]

Quando um país reúne condições legais para ter um fulano deste calibre como primeiro-ministro, mesmo tendo sido preterido pelo voto popular, é legítima uma introspecção sobre que país somos e sobre quem somos.

Costa não é estúpido. E nem sequer é hábil, como sói dizer-se na nossa estuporada comunicação social. Está longe de ser hábil. Pelo contrário é tosco, bronco, inculto e de má índole. O que Costa consegue é um discurso que continua a colar numa sociedade vincada por longos períodos de continuado adestramento ao Estado que tudo faz, protege e promove em benefício dos cidadãos.

Infelizmente a revolução de Abril, salvaguardada a liberdade de, por exemplo, eu estar a escrever isto sem ir preso ou lançado no desemprego, tem agravado este desiderato, através do qual se explora esta faceta popular, por via da concessão de ridículos benefícios (custeados por elevadíssimos impostos indirectos e carência de meios em sectores fundamentais da nossa segurança e bem estar) e de uma retórica adequada, com base num processo de infantilização confrangedor. Isto é criminoso e repulsivo.

Costa, que não é hábil mas também não é estúpido, sabe tirar proveito deste fenómeno para se eternizar no poder, qualquer coisa que, no fundo, tem muito de Maduro, Chávez, Castro ou Morales. De tal maneira que não hesitou em deitar mão de inescrupulosos agentes da chamada Esquerda, para manter uma consuetudinária actuação, mantendo e nutrindo os costumes e natureza da nossa sociedade, o que lhe permite vir papaguear, com sucesso,  inanidades deste género, como se verifica no vídeo. Costa sonha manter-se no Poder, principalmente porque fora dele não há nada que se pressinta que ele saiba fazer a preceito. E o Poder afaga-lhe o ego e, já, agora, o proeminente ventre.

Numa altura em que meio Portugal arde, com auto-estradas cortadas, gente a dormir em instituições sociais, gente destituída de bens materiais e, mais grave, que perderam familiares mortos por via da mais atabalhoada desorganização que, tudo indica, poderá ter origem numa descarada acção de proselitismo na Protecção Civil e outros centros de controle, Costa aparece com um punhado de comparsas a anunciar o desassoreamento do Mondego, para prevenir… as cheias do Inverno (ver vídeo). É lastimável, amoral e absolutamente cretino. Independentemente do mérito de se desassorear o Mondego naquela área que, por acaso, conheço bem, ali bem perto de Montemor-o-Velho.

Esperemos que na época das cheias não ande toda a gente a desassorear o rio e falte alguma para limpar as sarjetas lisboetas (embora Costa tenha dito em 2014 que não havia solução para as cheias de Lisboa), mas contemos que lá para Dezembro ou Janeiro, Costa é bem capaz de aparecer em Pedrógão para avisar os cidadãos que temos de começar a pensar nos incêndios de Verão, enquando o Medina anda de fato-macaco a desobstruir sarjetas em Alcântara. 

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quinta-feira, agosto 03, 2017

A desventura de andar toda a gente a falar do Boaventura outra vez



[6163]

Muito nosso. Muito cá de casa. Por vezes conhecemos as coisas ou as pessoas e esquecemo-nos que elas existem. Mas eis que qualquer coisa nos agita a memória e despoleta o fulminante… e é um rosário de comentários, análises, opiniões e, até, descobertas sobre a natureza das tais coisas ou pessoas que há muito conhecemos, mas jazem dormentes no cérebro, pela modulação sináptica que nos remete a memória de curto prazo para a memória de longo prazo. Por outras palavras. O sicrano é arquivado, com displicência, no “arquivo morto” de cada qual.

É o caso, agora, de Boaventura. De repente, o homem escreve uma série de disparates sobre a Venezuela e aqui d’el-rei que a torrente atropela os rápidos do leito do rio da inteligência de cada um de nós e a cada hora, a cada post, a cada comentário, achamos que o homem é uma besta quadrada, roído por ódios à liberdade e à democracia e amante intenso das ditaduras do proletariado (uma espécie de gente a que ele, graças a Deus, escapou pela sua rara inteligência).

Por mim, de há muito que me apercebera que a criatura não é uma variedade recomendável da minha espécie, se quisermos pôr isto em termos de taxonomia plana. As barbaridades e imbecilidades que lhe ouvi durante anos seguidos, sem embargo da sua reputação cultural e académica, foram suficientes para que me fosse esquecendo dele aos bocadinhos. Não seria agora, por via da tragédia em curso na Venezuela que voltaria a falar do beltrano. E mesmo este modesto desabafo, se virem bem, não tem a ver com o magano. Tem a ver com a quantidade de gente que não se cansa de andar a falar nele outra vez. O que ele, sorridente, agradece.


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sábado, julho 29, 2017

António Lobo Costa Xavier



[6161]

Foi na Quadratura do Círculo. O programa onde supostamente se junta a nata dos comentadores/analistas políticos, mesmo com o terno e planeado pluralismo que naturalmente emana da presença de um político (!!!) do calibre de Jorge Coelho, de quem, Deus me perdoe, só oiço banalidades inanes, proselitismo nauseabundo e palavreado balofo onde abundam os “hadem” e, anteontem, a "grandidade" (suponho que ele queria falar na “grandeza” deste governo, mas saiu-lhe aquilo). Se houver dívidas é verem o vídeo do programa de anteontem.

Pois no cream of the crop do comentário político foi possível usar, sem exagero, 4/5 do tempo malhando no PSD em geral e no Passos Coelho em particular. Por mim, acho que a “coisa” assume já contornos de uma patologia estranha que não sei definir. Quando o comentário político que, por definição, presume um posicionamento crítico em relação ao Poder e se torna na mais despudorada, contínua e acéfala campanha contra um homem de quem há dois anos ouço dizer que está morto e enterrado, eu tenho de parar para reflectir e tentar fazer uma avaliação higiénica de tudo quanto se está passando, no meio de quem ando a ser pastoreado e a quem pago cerca de metade dos meus proventos anuais.

Não é crível, nem aceitável, que se assista ao presente desiderato. Sobretudo quando tenho um governo que, esse sim, deveria pedir desculpa aos portugueses pela sua arrepiante ineficácia, pela forma como conduz Portugal a um posicionamento dúbio no palco internacional que só nos envergonha e que nos encaminha, literalmente, para nova bancarrota e, sensivelmente, estende uma passadeira vermelha aos regimes obsoletos e danosos de totalitarismo, pensamento único e destruição de tudo quanto nos tem custado alcançar. E, neste caso, como gosta de dizer Jorge Coelho, são os próprios números que falam. Como os da dívida e dos juros, mas aqui diria eu, não Jorge Coelho.

Ontem, até Lobo Xavier parecia um caniche enclausurado em casa e que se leva ao parque ao fim da tarde e começa aos pinotes. Lobo Xavier anteontem ontem esperneou, saltou, fez cangochas, pinos e cambalhotas para acusar o homem que tem andado mais calado nos últimos tempos – Passos Coelho. Apesar, e reconheçamo-lo, de ter cometido um erro de que já se penitenciou e desculpou. E, naturalmente, daquela cena idiota das 24 horas, protagonizada por um inexperiente chefe da bancada parlamentar e que deu origem ao gáudio da geringonça.

Tudo isto é estranho. Como um homem morto e enterrado faz soltar tanta poeira é coisa que verdadeiramente me espanta. E faz-me lembrar aqueles cães com uma incrível e improvável mistura de genes que quando mordem não abrem a boca nem à paulada na cabeça, ou as barracudas, com o mesmo tipo de reacção. Com a diferença de que tanto o cão como a barracuda se limitam ao impulso dos genes, enquanto os malhadores de serviço no anterior legislatura e no lambebotismo de uma situação de conveniência têm, se quiserem, capacidade de pensar. E de manter um módico da dignidade que, obviamente lhes falta.


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domingo, julho 16, 2017

Pesadelo em Elm Country




[6156]

Costa agora deu em gritar... as TV's não se calam, em obediência ao título que lhe outorgaram de político hábil (vá-se lá saber porquê...) e o homem grita, gesticula, acho mesmo que ralha por não percebermos bem o que este governo faz por nós... e agora já inclui mesmo a tragédia de Pedrógão e a vergonha de Tancos, “fechadas” as questões como causas naturais para Pedrógão e roubo de sucata no paiol.

O homem está possesso...acho, logo eu que não acredito no mafarrico, mas que o diabo veio, parece que sim. Só que em vez de lhe borrar a escrita do défice (uma das mais fraudulentas acções do homem), tratou de o possuir.

Isto está a tornar-se um pesadelo, O tom de voz, os temas, a forma, as mentiras e até as ameaças a empresas privadas (a bravata do energúmeno na AR sobre a Altice foi uma situação confrangedora...) e a aquiescência gelatinosa dos seus sequazes tornam este país um lugar só apetecível aos turistas, ainda que alguns deles possam estranhar as aparições histriónicas da criatura na TV e puxem do GPS para confirmar se estão mesmo na Europa.

Alguém que diga alguma coisa. Alguém que seja ouvido. Uma ou outra entrevista avisada, como a de António Barreto não chega. E as reclamações por aqui não têm peso específico porque são tituladas de excrescências de “direitolas” que se entretêm a falar mal da geringonça nas redes sociais. Alguém, ainda que minimamente, possa explicar ao Presidente Sousa (por sinal muito calado ultimamente, benza-o Deus) que não há um plano de recuperação, uma reforma estrutural, qualquer que seja, que nos livre da dívida, dos juros e do papel de idiotas bacanos que estamos para aqui na ponta da Europa, à conta de nos mandarem uns trocos. E que se deixe de assustar os investidores e se produza cabalmente um programa de desenvolvimento económico como deve ser. Como dizia o já saudoso Medina Carreira.

E se acabe com esta treta das esquerdas, maravilhadas como andam com o gosto do Poder mas, hélas, o essencial permanece. São forças que lidam muito mal com a liberdade e a democracia (excepto com as que lhes dão) e que, podendo, tornam isto tudo numa Venezuela qualquer, assim como assim, o objectivo último desse pessoal. Da agressiva Catarina ao fofinho (no dizer jocoso do João Miguel Tavares, não sei bem porquê…) do Jerónimo.

Até lá, vamos resistindo. Mas cansa. E dói. E preocupa pelos filhos, pelos netos e pelos filhos dos netos e netos dos netos Este país está mal e um dia destes fica "redondo", entenda-se, sem ponta por onde se lhe pegue.

Uma última coisa. Não há um jornalista, “unzinho” que seja, que explique à pateta Catarina que a PT entrou em fragmentação no tempo de Guterres, depois em total regabofe no tempo de Sócrates e que o anterior governo se limitou a apanhar os cacos? Ninguém lhe diz que os grandes culpados daquela tragédia, incluindo o provável despedimento de uma centena de trabalhadores, se deve ao Partido com quem ela anda agora de namoro? É assim tão difícil de lhe explicar? Por qué no te calas, Catarina? Relaxa e compra o livro do “direitolas” Alberto Gonçalves. Talvez te ajude.


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sexta-feira, junho 30, 2017

Incêndios grandes e roubos graves… dizem eles.



[6143]

Estamos gradualmente a atingir o grau zero. Da política, da segurança, da credibilidade, da economia. A conversa barata que nos impingem sobre as brisas favoráveis que nos afagam devia ser objecto de trabalhos sérios e objectivos por parte de quem tem a autoridade ética e científica para explicar aos portugueses que as auras favoráveis são o resultado de cortes brutais em sectores vitais para o funcionamento das instituições e para o bem-estar e segurança dos portugueses.

Não é por ter havido uma tragédia em Pedrógão ou por terem roubado uma assinalável quantidade de material de guerra, que vai inevitavelmente parar à mãos de terroristas que se entretêm a matar inocentes, que devíamos chegar a esta conclusão. As conclusões de há muito que estão identificadas e remetem, indubitavelmente, para a irresponsabilidade de um grupo de gente que usurpou o Poder e se entretém a dizer piadolas no Parlamento, à custa de um indivíduo pernicioso e sem carácter que se prestou e presta a “circunvoluções” de carácter para obter os seus fins à custa dos cidadãos, mesmo, ou sobretudo, daqueles que convictamente lhe deram o seu voto, sem que lhes passasse pela cabeça que o desenlace da situação fosse o que foi. Soubessem eles que Costa se iria aliar à extrema-esquerda e jamais, repito, jamais lhe dariam o seu voto.

O resultado está bem à vista. De há muito que o funcionamento das instituições de serviço ao cidadão, como os transportes públicos, a saúde, a justiça e a educação (a educação, valha-me Deus) vogam ao sabor de humores caducos e cortes orçamentais em nome duma coisa que irritava imenso Jorge Sampaio e lhe servia para umas tiradas tonitruantes e que dava pelo nome do défice, aquela coisa que existia para aquém da vida. Costa sabe que cumprindo essas metas, sobretudo o défice, vai aguentando aquilo que eu chamaria, e glosando Pacheco Pereira, a masturbação do Poder. Porque tem consciência de que é a única coisa que ele sabe fazer – manigâncias espúrias para manter o Poder, mesmo que dando umas migalhas à extrema-esquerda, que vai experimentando igualmente a volúpia de mandar.

O roubo de Tancos envergonha-me. Não se trata de roubar um automóvel ou uma salva de prata da casa de um vizinho. Trata-se do assalto, presumo que fácil, a um quartel, uma instituição que não pode estar sujeita às mirabolâncias de Costa e dos seus sequazes. Igualmente não podemos continuar a sofrer estes vexames e putativas consequências destes actos e a sublinhá-los com vacuidades como Constança a dizer que o incêndio em Pedrógão foi muito grande e Azeredo a dizer que o roubo de Tancos foi muito grave.

Não sei como é que estas coisas se fazem para explicar aos portugueses que esta maralha tem de ir para a rua. Alguém deveria ter o engenho e a arte de explicar aos eleitores a trapaça em que estamos envolvidos, explicar convenientemente e sem medo de dizer coisas ou chatear individualidades. Ou mesmo de cometer erros, como os suicídios de Passos Coelho. Alguém que, de caminho, explique aos portugueses que, tão mau como a geringonça é este circo da comunicação social em função permanente, em que os palhaços são a colecção infinda de comentadores e especialistas que vão dando cobertura e aconchego a Costa e seus rapazes. Alguém que consiga explicar às pessoas que não temos condições para aguentar muito mais tempo esta situação, sob pena de qualquer dia nem país termos. Não sei quem, nem como. Mas alguém tem de ter a coragem e a força para acabar com isto. 

Quando andei na tropa, na altura de passarmos à disponibilidade tínhamos de fazer contas por CADA BALA, repito, por cada bala, que faltasse ao espólio, com excepção de arrolamentos feitos logo após acções de combate. Agora… roubam quartéis. E não há ninguém que veja. Que guarde. Que tome conta. Se calhar, não há. Não chega … não sei. Não deve haver dinheiro. Porque é preciso manter o défice e distribuir umas migalhas a funcionários e pensionistas. E reverter. Desfazer. E conduzir as coisas para o “quanto pior, melhor”, afinal ao grande motto da esquerda que sabe que esta é a única forma de se manter no Poder.


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terça-feira, junho 27, 2017

O meu pai é farmacêutico, passa a vida a fazer pírulas. E eu, só pró chatear, vou à gaveta e tiro-las





O menino de oiro, apresentado pela menina de oiro da TVI

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1 - Não sou uma figura pública. O meu pai sabia pouco de finanças, mas tinha uma razoável biblioteca. Já a minha mãe lia nos livros do meu pai e confiava, fiel e amante, nele. Mas não eram comunistas. Quiçá isso me terá privado dum futuro brilhante (!!!) como o do menino de oiro.

Mesmo assim, os meus pais fizeram, criaram e educaram quatro filhos dando a cada um deles um curso superior, o que nos possibilitou ir para o mercado de trabalho sem termos de recorrer a qualquer enfeite político.

2 – Não sou uma figura pública (lá está…) por isso as pessoas não têm obrigação de saber que fui um razoável (ia a dizer bom, mas sem a costela comunista ganhei alguma modéstia) pescador desportivo. Para quem não saiba (é caro, é preciso mar fértil e barco apropriado e bem aparelhado), há dois tipos de pescadores desportivos. Os que usam “lure” (sometinhg that attracts, entices, or allures) e que consiste num dispositivo colorido e com um jogo de espelhos que, reflectindo o sol, acaba por funcionar como chamariz do peixe graúdo. E os que não usam lure, uma espécie de pescadores virtuosos que acham que um marlin, um veleiro ou um veloz wahoo devem ser apanhados sem lure.

Posto isto, tenho de admitir que viver num país em que:

Primo: Ter sangue comunista é um item importante no currículo de um cidadão;

Secundo: Que ter sangue comunista ainda hoje funciona como lure e é a prova acabada que vivemos ainda num país cheio de complexos contextos e mecanismos que promovem e agraciam currículos baseados na ascendência comunista de cada qual. O que provoca uma sensação de lástima pelo reconhecimento que vivemos num terceiro-mundismo com pretensões mas, ao mesmo tempo, no seio de um número de exemplos que fazem brilhar de orgulho e realização pessoal todos os que não precisam de lure para atrair seja o que for e apresentam currículos limpos e reveladores do seu talento e valia. Sem precisar de patetices, pantominas e manipulações para atingir o Nirvana.


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segunda-feira, junho 26, 2017

A D. Natércia



Serra do Caldeirão - 2012. A D. Natércia não aparece, devia estar em ensaios

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Por duas vezes, em poucas horas, a SicN transmitiu um compacto de largos minutos sobre um “grande incêndio” na Serra do Caldeirão.

Fui ouvindo, incomodado, pensando que ali estaria outro incêndio com consequências imprevisíveis. O compacto era razoavelmente longo e o cenário era o habitual, gente a chorar, as labaredas altaneiras cumprindo a sua destruidora missão e gente a apagar o fogo com os baldes da ordem e mangueiras de jardim. Vários populares se queixavam sobre a falta de bombeiros, desorganização, matas por limpar e dificuldades de ligação. Não se falava em mortos. Mas as reclamações sobre a desorganização e incúria continuavam e há uma D. Natércia (nome real) que gritava, e cito, “este governo é uma merda, este governo é uma merda”. Depois de largos minutos, a SicN (porque é da SicN que se trata, acabou por dizer que este incêndio era de 2012 e que, imagine-se já em 2012 havia incêndios com deficiências deste género. Não morreu ninguém mas havia uma D. Natércia aos gritos “este governo é uma merda, este governo é uma merda”.

Fiz umas contas de cabeça e percebi que em 2012, o governo era o de Passos Coelho. Porque é que a SicN passava aquela longa peça aos gritos é que não percebi. Mas cerca de duas horas depois, quando a estação repetiu a pantomina com a D. Natércia, percebi.

Fiquei sem saber se a pobre da D. Natércia recebeu algum pagamento pelo serviço e se passou recibo, mas se não recebeu devia ter recebido, já que os seus “este governo é uma merda” foram repetidos à exaustão de forma convincente e assinalável competência.

A SicN perdeu o resto da vergonha que tinha. E uma vez mais fico sem perceber esta sanha contra Passos Coelho (não se confunda o que digo com partidarite. É factual). E quanto ao Partido Socialista, bem nutrido com estes mimos da comunicação social, continua a usar técnicas comunicacionais que eu julgava de há muito expurgadas, desde a queda do muro de Berlim. Pelo visto, aqui em Portugal ainda não. Continuam de boa saúde e recomendam-se. O que é, no mínimo, confrangedor. E reflectem fielmente como é possível que em Portugal estas técnicas ainda funcionem.

Nota: Esta preciosidade de comunicação teve lugar ontem, no período da tarde. Desconheço se durante a manhã houve mais “este país é uma merda”.


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quarta-feira, junho 21, 2017

Não sei que título hei-de dar a isto...



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Começam a surgir alguns vultos por aí, que se auto-avaliam em supra-sumos da iluminação cerebral com que cada um de nós é dotado ao nascer, clamando pela inevitável queda da plebe cultural na politiquice baixa, usando o rescaldo (literalmente) da tragédia que nos bateu à porta.

Não há como convencer esta gentinha de que a politiquice baixa está precisamente em achar politiquice baixa a enumeração de alguns dos mais elucidativos exemplos da nossa peculiar desorganização, ânsia de protagonismo e absoluta falta de sentido de responsabilidade nas diferentes tarefas que nos são cometidas. Um pais como o nosso só podia mesmo ter uma multitude de organismos, organizações, comissões, institutos, presidentes disto, daquilo e daqueloutro, centros de decisão (bombeiros profissionais é que nem por isso), numa variedade, enfim, de gente que ganha o seu minuto de ouro em vir a uma qualquer televisão botar uma faladura qualquer, dizendo nada, antes exibindo uma forma pueril de estar que nos envergonha e atrofia a réstia de sentido cívico que não fazíamos mais que a nossa obrigação em ter.

Ele é o SIRESP (que nem sei bem o que é) que não funciona, ele é o camião frigorífico que avariou (obrigando ao aluguer de uma camião de transporte de peixe…), ele é o avião que caiu mas que afinal era uma roulotte com gás, ele é um  secretário de estado com uma deplorável dicção e que vai debitando umas tretas, ele é uma ministra que fala como se estivesse a fazer um grande frete e lhe devêssemos dinheiro, ele é o IPMA (isto sei o que é…) a explicar o que é uma trovoada seca, ele é a jornalista que noticia já se ter encontrado a árvore que apanhou com um raio (atingida por um relâmpago, segundo o Paulo Baldaia) ele é a GNR que nem percebe bem o que está a acontecer e dá indicações erradas, ele é os Kamov que não voam, ele é o atropelo geral das pobres pessoas despojadas, feridas ou mortas em sessões contínuas duma tragédia que tem como único responsável um chamado estado social que de social não tem porra nenhuma a não ser o desfile idiota de figurinhas inoperantes e patéticas que vão dizendo o que podem, mal, ele é um presidente da República estranho que vai ensaiando a sua comoção e coração destroçado por via de abraços e beijinhos enquanto brada, poucos minutos depois do início da tragédia, que era impossível fazer melhor, ele é, enfim, uma comunicação social espúria e venal que se desdobra numa acção indescritível de desculpabilização de um governo não eleito, onde não se vislumbra competência para além dos pontapés gerais na gramática e no bom senso, sem qualquer sentido de Estado que não seja bater na Oposição (como o inenarrável Capoulas Santos), uma comunicação social que leva já dias seguidos de transmissão ininterrupta com tantos momentos idiotas e estupidificantes (como a Judite de Sousa a mostrar um cadáver, acho que faltou pouco para levantar uma pontinha do lençol), como o número de especialistas que surgem do nada para explicar ao rebanho meio estupidificado uma série de vulgaridades, desde o acompanhamento psicológico até às verdadeiras razões dos incêndios, onde não podiam faltar especialistas silvícolas, como aquele estranho Miguel Sousa Tavares que fala de eucaliptos com a mesma segurança e assertividade com que eu falo das diferentes técnicas de hibridação de aves canoras.

Uma lástima. E um desrespeito condenável pelos mortos. Pelos cidadãos. Pelos eleitores que ciclicamente vão depositar um voto que permite a esta gentinha continuar a não perceber nada do assunto e a passear a sua arrogância e insignificância, de repente transformada numa significância que não merecem.

Passos Coelho tem passado ao largo e faz muito bem. Um deputado do CDS por ter falado em “beijinho no doi-dói” ia sendo esfolado vivo. Também já houve um, do milhão de especialistas e comentadores, que já experimentou trazer à liça o facto de Passos Coelho andar muito calado. Não teve grande êxito, provavelmente porque há outros que há bem pouco tempo se desfizeram em dislates idiotas e hoje andam calados como ratos. Refiro-me, naturalmente, àquele rancho pateta de gente que dá pelo nome de “esquerda” não sei das quantas a quem Costa deu o respaldo e o quentinho de uma coisa que nunca tinham experimentado e que lhes está a proporcionar sensações orgásticas que não esperavam – o Poder. E aqui refiro-me, naturalmente, a essa gentinha do Bloco e do PC, um grupo de gente anquilosada, sentada em teorias anquilosadas que nos vão tolhendo o progresso.

E pronto, apeteceu-me dizer isso. Dificilmente voltarei a falar no assunto. Faltou dizer que corre à boca cheia que estão a ”tratar” o número real de mortos, que parece ser bem superior à realidade. Mas admito que seja boato da reacção.


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