sábado, dezembro 21, 2013

A pedra professoral


[5049]

Confesso que mantenho algumas reservas e dúvidas sobre a atribuição do cheque-ensino. Ainda penso que esse dinheiro poderia ser usado de forma mais abrangente na melhoria do ensino público, mas um considerável número dos professores que temos vai-se encarregando de me convencer do contrário.

Na verdade, desde manifestações de professores com Ches no peito e postura menchevique, passando pelo eterno Nogueira a queimar papéis e berrando as cassetes do costume, até às recentes e chocantes imagens de professores forçando entradas, partindo vidros, invadindo salas de escolas onde as provas de avaliação se processavam, rasgando provas, berrando e entoando «grândolas», «a luta continua», «professores unidos jamais serão vencidos» e «esta escola não é tua, Crato para a rua», vi de tudo um pouco e compreendi que muitos pais haverá que gostariam de poupar os seus filhos à acção deste gentinha graduada que acha que um diploma é um contrato de trabalho vitalício entre o Estado e eles próprios, para além de que as criancinhas têm de ser inoculadas, de pequeninas, com a revolução.

Foram imagens degradantes as que fui vendo ao longo destes dias. Quanto à natureza das provas, vi o conteúdo de algumas. E se muitas delas me pareceram mais ou menos aviltantes pelo conteúdo demasiado simples para ser questionado a professores, por outro talvez nos surpreendêssemos pela quantidade daqueles que não saberiam resolver os problemas apresentados. Quiçá, até, redigir as respostas, tantas têm sido as vezes que já vi professores escrever tipo já brincaste, brincás tracinho te…

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sexta-feira, julho 20, 2012

Não entendo, prontes!

[4710]

Ainda a propósito de professores. Por muito respeito que a classe me mereça, não consigo entender porque é pode haver desempregados trolhas, engenheiros, topógrafos, pasteleiros, advogados, veterinários, economistas, e muitos outros, mas não pode haver professores. Os professores não podem estar desempregados e mesmo que não tenham escola nem alunos, o governo tem de os empregar. Pagando-lhes com o dinheiro de todos nós. Não entendo, «prontes»!
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Os bons exemplos

[4709]

Já não tenho filhos em idade escolar. Mas se tivesse, iria sentir muito desconforto e constrangimento em explicar-lhes a atitude grotesca e a agressividade, as palavras de ordem (gatuno, gatuno, gatuno, gatuno) e o reboliço, que obrigou mesmo à intervenção da polícia expulsando-os da Assembleia, de um grupo de professores (muitos afectos à Fenprof, dizia o comentador…). Porque não é fácil explicar a crianças que aqueles são as pessoas que os formam e ensinam e que, em última análise, para além da tabuada, lhes devia dar um exemplo de comportamento cívico e de educação. Que demonstraram não ter.
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domingo, dezembro 18, 2011

Os tontos

[4493]

Por acaso ouvi Passos Coelho discorrer sobre um conjunto de circunstâncias que poderiam incentivar alguns professores a procurar trabalho em países de expressão portuguesa. A crise económica, o decrescimento demográfico, o elevado nível de desemprego seriam, só por si, matéria de reflexão para que os professores pensassem em alternativas, Passos Coelho disse-o com clareza, limpidez e com honestidade.

Já Mário Nogueira aproveitou o ensejo para disparatar, soltar um chorrilho e demonstrar bem o tipo de mentalidade que enforma esta gente que acha que vem ao mundo e, no berço, tem direito a uma oferta de emprego e uma reforma esperando por ela, sem embargo de outras conquistas que lhe vão pondo no sapatinho, como as horas de trabalho, as férias, as faltas justificadas, injustificadas, ordenados mínimos, subsídios, progressões de carreira e tudo aquilo que acham que têm direito desde a fase do espermatozóide, sem alguma vez se quedarem a perguntar quem é que há-de pagar tudo isso.

Uma vez, já lá vão uns anos e era eu muito jovem, disseram-me que eu tinha perdido uma guerra e, no meio de tiros e da destruição da economia em resultado do roubo ajuramentado da maioria das empresas, tive de me fazer à vida indo trabalhar para outras latitudes, recorrendo às aptidões que achei que tinha. Não sei que idade Nogueira teria nessa altura e se já era tonto como hoje. Porventura haveria de estar estudando sindicalismo para, uns anos mais tarde, chatear as pessoas e contribuir decisivamente para o estado do Estado em que estamos.

Alguém deveria explicar a esta rapaziada que emigrar não é desonra e, por acréscimo, nos dá uma visão mais lata da vida e nos enriquece o conhecimento e, porque não dizê-lo, a carteira. Tal como perguntar-lhe, à tal rapaziada, o que é que verdadeiramente propõe quando, ao que parece, há quinze mil professores a mais. Abrir escolas e pô-los a ensinar quem? Ou, mais pragmaticamente, pôr os quinze mil a planearem, estudarem, estruturarem, comissionarem, discutirem, reunirem, organizarem e sindicalizarem, com salários que eventualmente seriam cobertos pelos impostos daqueles que, entretanto, emigraram e remeteram para Portugal as suas poupanças.

É por estas e por outras, por causa dos tontos como Nogueira, que jamais me esquecerei de uma cena patética que observei numa televisão – uma jovem aparentemente saudável, mas raivosa, dizendo para uma repórter: - «Já saí da faculdade há quatro anos e até hoje o Estado não me arranjou emprego!»

Olha se eu tivesse feito isto em 1974… A Mário Nogueira faria bem emigrar. Ele e uns quantos Nogueiras que eu cá sei. Ao regressarem, poderiam decisivamente contribuir melhor, para um país melhor. Sem tretas. Nem tonterias.
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segunda-feira, março 15, 2010

Pornografia política


Este homem não dá aulas, ao que julgo saber, há 19 anos. É o stress final! Ele parece que queria dar, mas se desse onde é que ele ia arranjar tempo para o stress dos outros?

[3694]

Há notícias que me “encanitam”, para usar uma terminologia que flui, de vez em quando, aqui pela Blogo.

Esta ideia peregrina de que os professores se “stressam” imenso é coisa antiga e deve-se quiçá aos mesmos que criaram um apropriado caldo de cultura para que o stress medre, livremente entre a classe, através de meios por demais conhecidos de eduquês, politicamente correcto, novas correntes e práticas pedagógicas, posicionamento do aluno, dos pais e encarregados de educação, facilitismo na aprendizagem, instilação de ideologias apropriadas ao desejado homem novo (que há-de morrer de velho), aplicação de pedagogias correctas e toda uma parafernália de elementos que tornam a vida quase impossível aos professores e que vão, alegremente, fabricando inaptos e ignorantes.

Mas, nada disto é muito diferente do que se passa noutras classes profissionais… outras que não têm tantas férias como os professores, nem regalias, progressão de carreira e, pasme-se, nível de salários. Como se cabe, os professores são uma das raras classes profissionais que, em matéria de salários, não devem nada à média europeia. É uma questão de se informarem, lendo jornais e blogues. E nas outras classes profissionais encontram, de certeza, muito quem deva ao exercício do seu mister fortes razões de stress. Não têm é Mários Nogueiras. Experientes, militantes, calculistas e inteligentes.

Esta notícia tresanda. Pelo oportunismo que revela e pelo desrespeito obsceno por muitas outras classes trabalhadoras. Pura pornografia política. Os professores fariam uma boa figura se se demarcassem em definitivo deste senhor Mário Nogueira. Mas, ao que parece, sabe-lhes bem apanhar uma boleia aqui e ali…
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quinta-feira, maio 21, 2009

Os nossos parlamentares


[3144]

Ainda assarapantado com o caso da professora de Espinho que diz aos alunos que a mãe lhe rasgou o hímen à nascença e lhes explica, com detalhe romano, o que eram as orgias e se vangloria de ter estudado 12 anos de secundário mais quatro de faculdade mais não sei quantos de estágio e pós-graduação e que, ainda assim, diz “amiguíssimos” e “dissestes”, cai-me agora no prato a indigência dos nossos partidos que, ao discutirem o episódio, o colam à bondade de haver ou não educação sexual nas escolas.

Há em tudo isto um défice tremendo de… tudo, quando uma professora actua da forma que já toda a gente ouviu e os nossos eleitos glosam o acontecimento da forma como o fizeram. Uns a clamar por educação sexual e outros a atacar os que pensam isso, com a algazarra e falta de nível do costume. Como se tudo o mais, implícito na lamentável cena de uma professora de hímen rasgado à nascença pela mãezinha, que explica que as orgias metiam mulheres e tudo e que exige que lhe chamem sotôra, não estivesse muito para além de um programa, seja ele qual for, de educação sexual.

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terça-feira, maio 19, 2009

Professora avançada

[3140]

Ora aqui está um caso interessante. Se a juventude socialista se tivesse interessado pelo caso há uns vinte ou trinta anos atrás já esta professora não explicava aos alunos como é que os pais lhe tinham rasgado o hímen e não teria dito as barbaridades que disse. Provavelmente teria ido à máquina de preservativos da escola e tinha dado um queca e os jovens socialistas teriam hoje um legítimo motivo de orgulho. Já quanto ao jipe
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domingo, março 08, 2009

Garantia de emprego?


[2997]

Ainda voltando aos professores, alguém lhe terá ocorrido explicar aos professores que a escola não existe para lhes dar emprego mas para ensinar e formar as nossas crianças? O emprego é, apenas, um degrau na escala dos valores do ensino e haverá tanto mais emprego para professores quanto mais forem os alunos a ser ensinados e formados. Alguém se terá lembrado, alguma vez, que a relação entre o número de professores e as necessidades da escola deverá obedecer aos mecanismos normais que funcionam para qualquer outra profissão e que uma licenciatura não é uma garantia de emprego? Sobretudo de emprego para a vida?

Infelizmente, muitos deles terão essa convicção. O que está errado mas, sobretudo, mostra um trágico desfasamento da realidade. Desfasamento que poderá ter sido induzido pela fortíssima carga ideológica dos seus sindicatos mas, que diabo, já vai sendo tempo para os professores perceberem e mudarem o paradigma da sua percepção sobre a sociedade.

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Chantagem


[2996]

Os professores fizeram ontem mais um cordão humano, que é uma expressão que vai muito bem. Segundo ouvi aí pelas notícias, a coisa esteve para o fraquito, mas a verdade é que se muita gente já não tem paciência para ouvir falar de professores, a verdade é que haverá igualmente muitos professores que já não têm pachorra para Mário Nogueira.

Mas Mário Nogueira não perdeu a oportunidade de manifestar a sua tarimba ao dar à estampa a sua forma de resolver os problemas da classe. Ouvindo-o, percebemos que aos professores não interessa a situação económica do país, a segurança, a justiça, a assistência médica, as injustiças sociais, o problema das reformas e da segurança social e outras minudências mais ou menos basilares duma sociedade. Para os professores, o que verdadeiramente interessa é avisar bem os partidos da oposição para que se portem bem. E portarem-se bem significa apresentarem propostas para resolver os problemas do sector, sublinhando que isso poderá ajudar os docentes a decidir o seu voto nas próximas legislativas.

É o comunista, o oportunista e o sindicalista sem escrúpulos caldeados em Mário Nogueira, um comunista de maneirismos actuais e de pensamento da velha guarda. É a chantagem política sem decoro que Mário Nogueira usa para atingir os seus fins. E a chantagem é feia. Vinda de quem vem, não admira. Mas é feia. É o desrespeito total pelos interesses gerais da sociedade em favor dos interesses específicos da classe.

Esta brilhante alocução foi feita com a música de fundo dos professores a cantarem que está na hooooora está na hooooora, da ministra se ir embora, entrecortada pela declaração de uma senhora idosa dizendo que está pouca gente porque é fim-de-semana e as pessoas têm muito que fazer.

E ficou ainda o aviso de que ou o ministério faz alguma coisa ou a luta continua. A luta continua inclui, segundo Mário Nogueira, greves na altura da avaliação dos alunos. Assim. Tal e qual.

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segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Os maus exemplos


[2966]

Há qualquer coisa de errado nesta foto. Não porque se discorde ou concorde com as razões que possam assistir a esta professora que decidiu desfilar amordaçada e agrilhoada, ou porque se defenda ou condene a celebração do carnaval como uma festa institucionalizada pelo ministério de educação. O que soa mal nesta foto é a forma como essa professora transmite às crianças o protesto do seu desacordo com as ordens que recebeu. É claro que isto daria pano para mangas, sobretudo do ponto de vista de quão discutíveis poderão ser as ordens emanadas de uma hierarquia, seja ela qual for. Em todo o caso há, à partida, um princípio profundamente errado, qual seja o de os professores acharem que a hierarquia e o poder são sempre discutíveis e que nada poderá ou deverá ser feito à revelia do seu escrutínio e vontade. Ainda não perceberam, por exemplo, ou não quiseram perceber, porque os professores não são estúpidos, que não é possível moldar o poder de uma pirâmide hierárquica à opinião de cada qual. E que fosse.

Neste caso, parece que estava em causa os professores se recusarem a participar nos cortejos de carnaval, dando expressão à continuidade da sua luta. É evidente que a ser assim, os professores estão abusivamente a usar os alunos como ferramenta da sua luta e isso é, no mínimo, inaceitável. Por muito idiota e peregrina que pudesse ser a ideia de pôr criancinhas a desfilar no carnaval, os professores não deveriam dar este exemplo de insurreição, de desafio da autoridade, àqueles que, em última análise, são os destinatários naturais da sua forma de actuação.

Quanto ao resto, se devia haver ou não carnaval isso é perfeitamente secundário. O que está mal é este espectáculo insólito de porem professores a desfilar amordaçados e acorrentados. Por muitas voltas que se dê ao texto, é uma instigação á revolta e à insurreição. Nada, de resto, muito diferente da linha doutrinária do PC e do BE que ainda recentemente promoveram cursos intensivos de desobediência civil.

As crianças não precisam de ser ensinadas a ser insurrectas. Precisam é de ser formadas para, mais tarde, serem insurrectas ou não, conforme aquilo que, em consciência, decidirem. E era nessa direcção que estes professores algemados e acorrentados deveriam ter ido. Se conseguissem.

Nota: Como se esperava, esta foto ilustrou alguns blogues e foi devidamente exaltada nos meios da especialidade.

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Repulsa


[2848]

Ainda falando de educação, Mário Nogueira está a tornar-se numa figura a roçar o repulsivo. Teve o topete de aproveitar a homilia de D. Policarpo para mais uma das suas batalhas, ainda por cima, usando conclusões que só ele é que tirou. Nunca D. Policarpo se colou à Plataforma Sindical dos Professores nem ao Governo, limitou-se a desferir uma crítica contundente a ambas as partes e a urgir um entendimento rápido no interesse dos jovens estudantes. Foi isto que D. Policarpo disse mas Mário Nogueira, à boa maneira leninista, joga com as palavras e lança-as no éter como se fossem papas e bolos e todos nós fôssemos tolos.

D. Policarpo é uma insigne figura e não merecia o polé com que este sindicalista de pacotilha o trata. Os professores, por seu lado, teriam a estrita obrigação de se demarcarem desta atitude desonesta e mentirosa de Nogueira. Não vi nenhum fazê-lo. Foi pena.

Adenda (15:42):
Já depois de ter publicado este post, cheguei a um outro do Paulo Ferreira do Câmara de Comuns. Confesso que não sabia dos pormenores que o Paulo refere. E pergunto-me, uma vez mais, mas não há um grupo de professores que se oponha à criatura? Que publicamente se demarque de um trauliteiro que, sem qualquer respeito pelos interesses dos estudantes, continua a fazer a sua guerra política? E os professores não dizem nada? Não fazem nada? Ou terei de concluir que os tais cento e vinte mil estão todos de acordo com o senhor Nogueira
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Deprimente


[2847]

Há um senhor que vive no Porto, chama-se Manuel Valente e pertence a uma coisa que se chama Federação das Associações dos Pais do Porto. Vai daí, o senhor Valente soube do incidente recente numa escola do Cerco, em que um aluno apontou uma pistola de brincar à cabeça da professora e lhe exigiu que a mesma lhe desse positiva. A professora zangou-se um bocadinho e disse que ia marcar falta disciplinar, a DREN já disse que foi tudo uma brincadeira, apesar de um bocadinho de mau gosto, aquilo é tudo alunos "pacholas" e só um é que tinha negativa e mesmo essa negativa era uma negativa porreira, apenas um nove e até o sindicalista Nogueira já veio dizer que não foi ele que instigou os alunos a fazer o vídeo e a pô-lo na Net.

Mas o senhor Valente é que não se ficou nas covas e disse que era absolutamente necessário acabar com os telemóveis ligados nas salas de aula (gosto deste pormenor do "ligados"). E afirmou ainda que já denunciámos isso em Março, ao nível do Conselho de Educação (é espantoso o número de órgãos, conselhos, directórios e etecaeteras que existem na Educação em Portugal), mas infelizmente ninguém quis ouvir (feitios, diria eu…) e agora lá temos outro vídeo a circular na net, que é o que o Público diz hoje, só para os assinantes.

A mim o que surpreende mesmo (surpreende?) é o senhor Valente achar que os professores têm a obrigação estrita de forçar uma educação que as criancinhas deveriam, supostamente, receber em casa, por outras palavras, já que os pais não conseguem impedir os filhos de levar os telemóveis para as aulas (ligados, ainda por cima) então os professores que o façam. Que para isso é que há conselhos, directórios, comissões, plataformas e associações para se debater estes problemas e, com sorte, vir no telejornal do dia seguinte…

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

A evolução no nosso sistema educativo


[2809]

Da preocupação generalizada de que as criancinhas não sabem a tabuada e escrevem com demasiados erros de ortografia, entrámos numa fase mais avançada no legado educativo actual, àqueles que serão os responsáveis de amanhã. É assim que lhes estamos a ensinar, com proficiência assinalável, como usar a truculência, a má educação e a hipocrisia política para a obtenção dos fins em vista, sobretudo quando esses objectivos têm mais a ver com benesses sociais ou de classe do que com a função específica de se ensinar jovens com qualidade e rigor.

A greve de ontem levada a efeito pelos professores, as vigílias e greves regionais que vêm aí e o rescaldo do passado recente onde se percebeu de como uma mulher educada pode perecer perante uma das mais violentas campanhas políticas a que tenho assistido fazem-me admitir que esta ministra, independentemente da bondade ou maldade das suas decisões, irá cair no campo de batalha, às mãos de um político truculento, violento e grosseiro, em que muitos professores dizem não se rever mas que todos ou quase todos seguem ordeiramente.

Um mau exemplo. Sobretudo para os jovens. Não admira os sucessivos episódios de sublevação, indisciplina e violência que esses jovens protagonizam. Estão a ter bons mestres.


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sábado, novembro 29, 2008

Estatísticas


[2798]

Por via do 25 centímetros de neve cheguei a um conjunto de dados estatísticos (OCDE indicators Education at a glance, 2008, relatório de Setembro de 2008) segundo os quais os professores portugueses:

- Têm as turmas mais pequenas (19 contra uma média da OCDE de 21,5 e 20,2 da EU. USA - 23,1; UK - 24,1; França - 22,5; Alemanha - 22,1 ou Holanda - 22,1);

- São dos que trabalham menos horas. 1.440 horas contra uma média na OCDE de 1.662 e na UE19 de 1.619. Dinamarca - 1.680; Alemanha 1.765; Holanda - 1.659; Noruega - 1.688; Suécia - 1.767);

- São dos que ganham mais dinheiro no topo de carreira, em termos absolutos. US$51.552 em paridade de poder de compra, o que compara com 43.289 na Austrália, 49.634 na Dinamarca, 43.058 em Inglaterra, 49.155 em França, 38.525 na Grécia, 36.264 na Islândia, 40.934 em Itália, 40.785 na Noruega ou 38.760 na Suécia);

- São dos que ganham mais dinheiro em termos relativos, por relação ao PIB per capita (os portugueses ganham 1,58 vezes mais, o que compara com uma média OCDE de 1,34 e uma média UE19 de 1,31. Outros valores comparativos - USA - 0,98; Suécia - 0,98; Noruega - 0,72; Islândia - 0,95; França - 1,1 ou Grécia - 1,18).

O que me parece verdadeiramente estranho é o silêncio em que passam estes indicadores estatísticos. Porque será? São falsos? Ninguém lê? Dá muito trabalho? Em contrapartida ouvimos Mário Nogueira todos os dias. Várias vezes por dia.

Nota: MN acabou de dizer na televisão que no próximo dia 3 a greve tem de ser com 100% dos professores. Com P grande, diz ele. Os professores com P pequeno ficam em casa a estragar a estatística e a levantarem atoardas sobre a pressão dos professores com P grande sobre os professores com P pequeno. Mário Nogueira deveria estabelecer um modelo de avaliação para classificar os professores em P’s grandes e P’s pequenos. Ainda que isso não condiga bem com a outra avaliação. Então não têm de ser todos iguais? Massificados e tudo a pensar para o mesmo lado?

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terça-feira, novembro 25, 2008

Prós e Contras (não há como evitar...)


[2791]

Uma professora do Norte, de quem, infelizmente, não fixei o nome ou a escola, soube pôr em sentido Mário Nogueira e a sua militância oportunista. Gostei. Também gostei de ouvir a Drª Maria do Céu, sobretudo nas considerações que fez sobre o primado do mérito e o repúdio pela doutrina de pensamento único que parece enformar uma considerável parte dos professores. Por último, também me foi grato ouvir uma professora, aparentemente, de um dos órgãos de gestão escolar, dizer que ao invés de um pretenso clima de terror que o ministério terá imposto nas escolas, há, sim, uma pressão insuportável por parte daqueles que acham que toda a gente deve pensar como eles. Haverá mesmo, segundo ela, ameaças físicas. Nada que, no fundo, me surpreenda. Tenho dito várias vezes por aqui que a esquerda sempre conviveu mal com a liberdade e pluralidade de ideias e não vejo porque haveria de ser diferente com os professores.

Do programa de ontem ficou-me, admito, a ideia de quem nem tudo está perdido. E quanto a Mário Nogueira, divertiu-me ver o autêntico “baile” a que foi sujeito, sobretudo depois da sua entrada de leão, quando se sentiu ofendido pelo facto de a ministra ter enviado um secretário de estado ao programa e não ter vindo ela própria. Terá perdido uma oportunidade de abandonar o programa ao fim de cinco minutos, em frente às câmaras. Seria isso?
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quarta-feira, novembro 19, 2008

Teatro de marionetas


[2780]

Helena Matos publica um notável artigo no Público de hoje sobre a educação e os dois actores do momento – Maria de Lurdes Rodrigues e Mário Nogueira e que pode ser lido na íntegra aqui.

Há um pormenor em que a Helena me parece ser omissa. Uma questão que me parece tão clara como água. É que Maria de Lurdes e Mário Nogueira, no fundo, são farinha do mesmo saco. Mais polida a ministra, mais grosseiro e trauliteiro o sindicalista, como convém. Mas ambos bem enquadrados na escola que lhes serviu de modelo. Tivessem eles de se adaptar às incidências naturais da progressão de uma carreira por mérito e objectivos e a situação seria bem diferente, com ganhos para a nossa juventude e para o país em geral. Isto é, aliás, aplicável aos professores que na sua maioria adoptaram a atitude expectante da materialização dos seus desígnios. Mesmo que pactuando com os contornos ideológicos dos sindicatos ou com a bandalheira de muitos deles terem pactuado com os alunos a atirar ovos e tomates á ministra. Esta última parte choca-me particularmente.

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quarta-feira, outubro 08, 2008

Um "beto", aquele Rodrigo


A miséria deste país sulista e elitista são os homens e mulheres sem rosto, do eixo Cascais-Lisboa, que mandam efectivamente no reino. São 200 famílias, a brigada da mão fria, os que andam em festas de whisky na mão, por isso, enquanto é tempo, os cidadãos do Porto têm de voltar à rua para gritar: "Basta!"

Aqui está uma opinião de um preclaro blog sobre os "betinhos". Opinião para partilhar?

[2705]


O recente "bruáá" que correu por aí sobre um post do Rodrigo Moita de Deus e a respectiva reacção de alguns professores (infelizmente muitos, num cortejo de posts e comentários) vem provar-me exactamente o que sinto em relação à chamada “luta dos professores” (mais aqui).

A forma rasteira da argumentação desses professores sempre que lhes mordem as canelas, são indiciadoras de uma aflitiva ausência de elevação de nível de contradição que se esperaria da classe a que pertencem e a confirmação de que os assuntos que realmente preocupam muitos destes professores têm a ver com os problemas inerentes à classe. Assuntos como a avaliação ou a perda de pausas de Natal, Carnaval e Páscoa (!!!... palavra de honra se eu sabia que este problema ainda se punha…) são temas maiores das suas preocupações, mesmo que para isso tenham de alinhar numa frente ideológica encabeçada pela Fenprof. Questões como a dos manuais de história aqui há pouco referidos (e em vários outros blogues) passam-lhes totalmente ao lado ou, possivelmente, é um dado adquirido que, para eles, esses manuais estão correctos, assim é que está bem. Provavelmente isso explicaria muito da forma de luta de muitos dos professores.

Nota: Que me perdoem alguns professores por quem tenho a amizade e o respeito devido aos grandes profissionais. Porque esses me merecerão sempre o maior carinho e o respeito devido aos grandes mestres.

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sexta-feira, junho 20, 2008

Onde pára a militância?




[2553]

Tenho andado com uma certa curiosidade em ouvir os professores sobre o alegado “facilitismo” dos exames que estão a decorrer. Afinal, quando eu julgava que a sua militância poderia e deveria ser utilizada no tratamento de questões tão sensíveis e importantes como esta, parece que ela, a militância, se esgotou na defesa dos direitos adquiridos, das conquistas e na prossecução de programas políticos, milimétrica e religiosamente observados. E todavia seriam exactamente os professores as pessoas mais indicadas para se pronunciarem sobre aquilo que à primeira vista parece ser uma autêntica fraude a nível nacional, com resultados de assustadora imprevisibilidade. Mas não. Parece que tudo se resolveu depois das cedências do ministério. O "resto" parece já não incomodar muito.

Ler este post do Jorge Ferreira com detalhes, sobre o assunto.

E ainda Avaliar no Hole Horror


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quinta-feira, maio 15, 2008

Leave the kids alone


[2506]

“Na escola desejável, alunos e professores encontram no seu quotidiano um fio condutor apelativo e comum, que é o de aprender e ensinar competências, num cenário estruturante e holístico onde ser pessoa é ser tolerante, flexível, crítico, e é, também, ser capaz de desempenhos ajustados à exigência de uma sociedade global multidiferenciada, que apela a saberes mobilizáveis, conhecimentos reais e instrumentais, muito para lá da simples informação trazida pelos conteúdos, em si mesmos redutores e simplistas.”

Miriam Rodrigues Aço, Professora Titular, no Público do dia 12, sem link

Se eu fosse professor e tivesse de avaliar esta professora Miriam, ficava um bocadinho de mãos atadas. Por que “isto” é um verdadeiro filme de terror. Se pensarmos que as nossas criancinhas esbarram com esta "escola desejável" deveríamos começar a pôr bolinha vermelha em cada frontespício.

JCD diz aqui que no tempo dele era mais simples, mas sabíamos a tabuada. Mas também não havia escolas desejáveis nem cenários estruturantes e holísticos que nos ensinassem a ser tolerantes, flexíveis, críticos e capazes de desempenhos ajustados.

Uma verdadeira muralha de aço esta professora titular Miriam Aço!

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sexta-feira, março 28, 2008

O lado bom do vídeo da "miúda do telemóvel"


[2419]

O vídeo da “miúda do telemóvel” do Carolina Michaelis teve a virtude de "soltar" uma imensidão de outros vídeos para o You Tube mostrando cenas de violência sobre os professores.

Pela minha parte confesso que sabia haver violência, que tinha a noção da costela simiesca que se formou nos nossos jovens, muito (ou quase toda) por culpa dos sociólogos, “pedos”, professores avançados, técnicos de educação e outros inomináveis agentes do eduquês e do politicamente correcto e tinha ainda a noção da componente inata na “maralha nacional” para comportamentos deste tipo, sempre que à solta. Mas confesso que não tinha a noção da dimensão do problema. Esta última reflexão nada tem a ver com saudades de qualquer tipo de autoritarismo, que abomino, mas com o reconhecimento de que cada vez mais estou convicto que uma sociedade como a nossa não tem capacidade de sobreviver sem um capataz. Isso, um capataz. Que nos desconte na féria, nos puna, nos ralhe e, porque não, nos chegue a roupa ao pelo sempre que a outra argumentação não chegue para nos portarmos como “deve ser”, já que não vivemos em cavernas e temos de conviver com o resto do mundo.

Os programas, debates e intervenções a que tenho assistido a propósito da “miúda do telemóvel” fazem-me prever o pior. Ou seja, que nem para aprendermos o episódio serviu. É que por um lado surgem aqueles que acham que a miúda devia pura e simplesmente levar uma “carga de porrada” e ser banida do sistema. E depois há os que continuam a lenga-lenga conhecida, de vocabulário conhecido, de ideias pré estabelecidas ou pura e simplesmente sem ideias e fluindo uma verbosidade adequada ao vazio e/ou à imbecilidade que marcaram os caminhos da nossa educação (?).

Inapelavelmente vem-me à ideia a total irresponsabilidade dos sindicatos (muitos, como se sabe) que, aparentemente, nunca se preocuparam muito com os problemas da segurança dos professores e dos próprios professores que ano após ano se foram refugiando no silêncio cúmplice, blindado no receio de represálias tanto dos órgãos de tutela como dos próprios pais que não hesitam em agredir professores, o que, como se sabe, é verdade. Mas se professores e sindicatos conseguiram reunir 100.000 pessoas (não 100.000 professores, como se vulgarizou) em militância feroz contra a ministra, ocorre-me perguntar porque é que nunca os professores e os respectivos sindicatos exerceram tamanha capacidade de aglutinação para se indignarem com a verdadeira tragédia em que se tornou o estado da educação em Portugal e, especificamente, contra a insegurança dos professores. Ao invés andamos todos entretidos a apontar as culpas da frágil (e inábil, diria eu) professora, ou da energúmena criança, ou do sistema ou, ou, ou, ou, ou. O essencial, seja o reconhecimento de que a educação em Portugal é um exemplo vivo de um fio de actuação política em que a esquerda é exímia através da desconstrução, por via de um conjunto de acções que só poderiam resultar no que está à vista ficou para trás. O que era isso comparado com o achincalhamento dos professores, a progressão na carreira, as férias, a avaliação e outras prementes questões que arrastaram milhares de professores para a rua?

Adenda: Agora é o divórcio simplex. Mas afinal para que é que há casamentos civis? Por outro lado, e dentro da mesma linha de raciocínio, porquê a excitação em homologar, rapidamente e em força, o casamento entre homossexuais?
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