quinta-feira, dezembro 04, 2008

A evolução no nosso sistema educativo


[2809]

Da preocupação generalizada de que as criancinhas não sabem a tabuada e escrevem com demasiados erros de ortografia, entrámos numa fase mais avançada no legado educativo actual, àqueles que serão os responsáveis de amanhã. É assim que lhes estamos a ensinar, com proficiência assinalável, como usar a truculência, a má educação e a hipocrisia política para a obtenção dos fins em vista, sobretudo quando esses objectivos têm mais a ver com benesses sociais ou de classe do que com a função específica de se ensinar jovens com qualidade e rigor.

A greve de ontem levada a efeito pelos professores, as vigílias e greves regionais que vêm aí e o rescaldo do passado recente onde se percebeu de como uma mulher educada pode perecer perante uma das mais violentas campanhas políticas a que tenho assistido fazem-me admitir que esta ministra, independentemente da bondade ou maldade das suas decisões, irá cair no campo de batalha, às mãos de um político truculento, violento e grosseiro, em que muitos professores dizem não se rever mas que todos ou quase todos seguem ordeiramente.

Um mau exemplo. Sobretudo para os jovens. Não admira os sucessivos episódios de sublevação, indisciplina e violência que esses jovens protagonizam. Estão a ter bons mestres.


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6 Comments:

At 5:20 da tarde, Blogger António de Almeida disse...

-Não tenho a mínima dúvida que nem todos querem ser avaliados. Concordo que nem todos possam chegar ao topo da carreira. Mas com tantos modelos de avaliação disponiveis para serem adaptados, dos EUA ou Canadá à Austrália, já nem falando na UE da Espanha à Escandinávia, que diabo, porque razão se procurou em Portugal inventar um modelo único? Houve também aqui muita inabilidade política...

 
At 5:46 da tarde, Blogger espumante disse...

António de Almeida

Meu caro António de Almeida. Tenho tido alguma dificuldade em passar a mensagem de que não estoua do lado da ministra nem do modelo de avaliação. Nem sequer sou técnico de educção para fazer um juízo apropriado do modelo, apesar de ter uma ideia que é uma coisa mais ou menos estapafúrdia e de grande peso burocrático. Eu insurjo-me claramente é contra a falta de elevação com que muitos professores se têm manifestado e de não haver ninguém que exija se dissocie o problema da vertente política e embarque na falua do PCP. Só isso.
Espero que me tenha expressado melhor, agora.
Um abraço

 
At 10:22 da tarde, Blogger António de Almeida disse...

-Tenho tido exactamente a mesma dificuldade. Não é fácil criticar a ministra e simultaneamente a FENPROF.

 
At 1:46 da manhã, Blogger cristina disse...

«em que muitos professores dizem não se rever mas que todos ou quase todos seguem ordeiramente.»

O que queres dizer com seguir ordeiramente? O que fizeram (ou deixaram de fazer) os tais professores que dizes não se reverem no senhor?

«não haver ninguém que exija se dissocie o problema da vertente política e embarque na falua do PCP.»

Ora concretiza lá essa exigência!
Eu tentei, mas não havia o papelinho para pôr a cruzinha a não autorizar a utilização dos meus dados para outros fins... =)

«Não é fácil criticar a ministra e simultaneamente a FENPROF.»

Eu nem vou tão longe. Para já, bastava-me não ter de ouvir Mário Nogueira. O senhor incomoda-me tanto, que ainda nem tive tempo para perceber se a irritação se estenda à FENPROF... Gosto de acreditar que não...

NOTA FINAL: ao invés de me revoltar, vou ignorar o teu último parágrafo, pode ser?...

 
At 8:42 da manhã, Blogger espumante disse...

Cristina

Nestas coisas é sempre difícil diferenciar as questões, sobretudo individualizá-las. Há nos professores gente boa, má, assim-assim, com vontade própria, ou "ordeira", para glosar uma das qustões que colocas.
Assim e em vez de responder ponto por ponto ao que rebates, acho que devo estabelecer referências globais, fugindo à individualização. E na referência global parece caberem as questões que coloco. Por exemplo, no último parágrafo (aquele que preferes ignorar) só alguém de manifesta má-vontade poderá pensar que me estou a referir aos professores todos. Tenho a certeza absoluta que há muitos e bons professores que serão sempre bons exemplos para os jovens que educam. Mas isso não exclui aqueles que por mor da forma da sua actuação prestam péssimos exemplos aos miúdos. Eu tenho visto (e sobretudo ouvido) coisas que não me passaria pela cabeça pudessem provir de professores. Porque há diferenças entre professores e, sei lá, engenheiros civis, veterinários ou técnicos oficiais de contas. Enquanto uns lidam com betão esforçado, bestas ou algarismos de contabilidade, os professores lidam com crianças em estádio de formaçao e isso faz toda a diferença. Ocorre-me, por exemplo, a evidência clara de manipulação ou tentativa de manipulação de miúdos na questão dos ovos e dos tomates, por exemplo. Só não viu ou ouviu quem não quis. Em circunstância alguma e no meu entender professor algum deveria patrocinas ou incentivar aquelas formas de protesto, mesmo que a ministra fosse uma excrescência humana. Mas fizeram-no.
Espero, Cristina, embora não me conheças pesoalmente, que não me tomes como um anti-professor primário. Pelo contrário, tenho o maior respieto classe, tanto que até casei com uma, faz algum tempo. Aliás referi-o já por várias vezes. Sinto é uma elementar repugnância como muitos se deixam manipular ordeiramente (lá está...) e outros embarcam na corrente do PC sem outras preocupações que não sejam os objectivos dsa corporação. No matter what!

Já agora, há um blogger que te cita. É o 25 centímetros de neve e que rebate algumas afirmações tuas no post "ningém gosta de Gauss". Se quiseres contra argumentar, é aqui.

Beijinho amigo

 
At 2:19 da manhã, Blogger cristina disse...

Para além de te vires "desculpar" =) do último parágrafo - que continuo a achar excessivo - , ficou tudo na mesma e sem explicação:
«muitos se deixam manipular ordeiramente (lá está...)»

 

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