quarta-feira, outubro 08, 2008

Um "beto", aquele Rodrigo


A miséria deste país sulista e elitista são os homens e mulheres sem rosto, do eixo Cascais-Lisboa, que mandam efectivamente no reino. São 200 famílias, a brigada da mão fria, os que andam em festas de whisky na mão, por isso, enquanto é tempo, os cidadãos do Porto têm de voltar à rua para gritar: "Basta!"

Aqui está uma opinião de um preclaro blog sobre os "betinhos". Opinião para partilhar?

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O recente "bruáá" que correu por aí sobre um post do Rodrigo Moita de Deus e a respectiva reacção de alguns professores (infelizmente muitos, num cortejo de posts e comentários) vem provar-me exactamente o que sinto em relação à chamada “luta dos professores” (mais aqui).

A forma rasteira da argumentação desses professores sempre que lhes mordem as canelas, são indiciadoras de uma aflitiva ausência de elevação de nível de contradição que se esperaria da classe a que pertencem e a confirmação de que os assuntos que realmente preocupam muitos destes professores têm a ver com os problemas inerentes à classe. Assuntos como a avaliação ou a perda de pausas de Natal, Carnaval e Páscoa (!!!... palavra de honra se eu sabia que este problema ainda se punha…) são temas maiores das suas preocupações, mesmo que para isso tenham de alinhar numa frente ideológica encabeçada pela Fenprof. Questões como a dos manuais de história aqui há pouco referidos (e em vários outros blogues) passam-lhes totalmente ao lado ou, possivelmente, é um dado adquirido que, para eles, esses manuais estão correctos, assim é que está bem. Provavelmente isso explicaria muito da forma de luta de muitos dos professores.

Nota: Que me perdoem alguns professores por quem tenho a amizade e o respeito devido aos grandes profissionais. Porque esses me merecerão sempre o maior carinho e o respeito devido aos grandes mestres.

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4 Comments:

At 3:26 da tarde, Blogger cristina disse...

Estás perdoado! =)

Estes ataques e contra-ataques Ministério vs professores vs sociedade estão já numa estrutura circular, da qual vai ser difícil sair...

E a principal dificuldade reside no tomar generalizado da parte como sendo o todo: NEM TODAS as medidas do Ministério são más, NEM TODOS os professores estão só preocupados com as "regalias", NEM TODOS os pais se demitiram da educação dos filhos.

Quando todas as partes conseguirem falar umas das outras (e de si próprias, também) numa postura mais abrangente - sobre o que está mal e o que está bem -, sem acusações generalistas, pode ser que se consiga conversar e não apenas disparar reacções a quente a cada discurso incriminatório...

 
At 6:33 da tarde, Blogger Leonor Barros disse...

Infelizmente a forma rasteira de argumentação não é só desses ditos professores, que, adianto desde já, não conheço, não sei quem são, não represento e não defendo de todo. A grande ironia é que a linguagem ofensiva e trauliteira que os professores, é frequente tomar a parte pelo todo, e sindicatos usam é a mesma que usam os que os acusam, apenas a perspectiva é diferente. As parangonas são as mesmas, de um lado, os 'direitos adquiridos', do outro 'o corporativismo'. Para mim valem tanto uns como outros, ambos são incapazes de pensar pelas suas próprias cabeças e vivem de estereótipos e preconceitos, cegos e surdos. De nada adiantará ter uma conversa civilizada, mais tarde ou mais cedo virão ao de cima os velhos chavões. Uma tristeza, caro Espumante. Peço-lhe desculpa pela usurpação do espaço.

 
At 10:32 da manhã, Blogger espumante disse...

cristina
leonor

Peço desculpa por responder em simultâsneo às duas mas sendo ambas do mesmo blog, professoras e duas bloggers que leio regularmente e admiro, tomei a liberdade de o fazer, mesmo admitindo alguma deselegância.

É pacífico que a linguagem trauliteira não é exclusivo dos professores, muito menos alguma vez retive a ideia de que todos os professores são trauliteiros. Vou mesmo longe, na convicção de que a maioria não o é. Mas há o pormenor da responsabilidade, que essa não é igual entre um professor e uma alma mal dormida que vem para a blogoesfera debitar bílis por razões que nem vêm ao caso. Um professor é sempre um exemplo para os seus alunos e o estilo, a forma e a substância das suas reivindicações são naturalmente absorvidos pelos jovens (é interessante ver, aliás, um pequeno apontamento hoje no "SOS Lisboa" sobre a noite em Lisboa. E há, sobretudo, e neste particular atenho-me ao meu ponto de vista pessoal, um aproveitamento político, partidário e sempre numa óptica ideológica na luta que os professores travam. Os professores podem dizer que os sindicatos são os que existem e que é neles que têm de assentar as premissas da sua luta, usando-os para veicular as suas razões. Pois... será aqui que talvez tivesse havido já tempo e espaço para reestruturar a vossa organização sindical, tornando-a num instrumento realmente ao serviço da vossa classe e não ao serviço de um Partido.
Um beijinho para as duas e a Leonor não tem que pedir desculpa de nada, relativamente ao espaço. Tenho o maior prazer e sinto-me sempre privilegiado pela sua atenção e pelos seus comentários.
Bom domingo.

 
At 10:23 da tarde, Blogger leonor disse...

Caro espumante,
Obviamente que concordo sem reservas que um professor é sempre um exemplo. As minhas práticas diárias desenvolvem-se tendo sempre como base aquilo que represento e os exemplos que dou naquilo que faço. Não há outra maneira de se ser professor. Seria óptimo que alguns pais também o fizessem, nada como estar numa reunião com Encarregados de Educação ou frequentar locais públicos onde se encontrem pais com os filhos para percebermos de onde vêm também os exemplos.
Em relação aos sindicatos, e julgo que já lhe disse antes, não me identifico com nenhum, não entendo algumas tomadas de posição e mantenho-me à parte desses ódios contra a ministra, mas confesso-lhe que neste momento da minha vida estou cansada de ser apenas mais uma e de, apenas por ser professora, ser insultada. Outra das questões é que dentro de cada português, do pedreiro ao professor doutor, existe um pedagogo com muitas certezas e ignorância directamente proporcional à gigantesca certeza que manifesta contra qualquer professor. Como não sou igual a muitos, desempenho a minha profissão com responsabilidade, respeito e empenho, tenho todo o direito de me sentir incomodada com os pareceres indecorosos de qualquer um.
Beijinho

 

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