sexta-feira, março 28, 2008

O lado bom do vídeo da "miúda do telemóvel"


[2419]

O vídeo da “miúda do telemóvel” do Carolina Michaelis teve a virtude de "soltar" uma imensidão de outros vídeos para o You Tube mostrando cenas de violência sobre os professores.

Pela minha parte confesso que sabia haver violência, que tinha a noção da costela simiesca que se formou nos nossos jovens, muito (ou quase toda) por culpa dos sociólogos, “pedos”, professores avançados, técnicos de educação e outros inomináveis agentes do eduquês e do politicamente correcto e tinha ainda a noção da componente inata na “maralha nacional” para comportamentos deste tipo, sempre que à solta. Mas confesso que não tinha a noção da dimensão do problema. Esta última reflexão nada tem a ver com saudades de qualquer tipo de autoritarismo, que abomino, mas com o reconhecimento de que cada vez mais estou convicto que uma sociedade como a nossa não tem capacidade de sobreviver sem um capataz. Isso, um capataz. Que nos desconte na féria, nos puna, nos ralhe e, porque não, nos chegue a roupa ao pelo sempre que a outra argumentação não chegue para nos portarmos como “deve ser”, já que não vivemos em cavernas e temos de conviver com o resto do mundo.

Os programas, debates e intervenções a que tenho assistido a propósito da “miúda do telemóvel” fazem-me prever o pior. Ou seja, que nem para aprendermos o episódio serviu. É que por um lado surgem aqueles que acham que a miúda devia pura e simplesmente levar uma “carga de porrada” e ser banida do sistema. E depois há os que continuam a lenga-lenga conhecida, de vocabulário conhecido, de ideias pré estabelecidas ou pura e simplesmente sem ideias e fluindo uma verbosidade adequada ao vazio e/ou à imbecilidade que marcaram os caminhos da nossa educação (?).

Inapelavelmente vem-me à ideia a total irresponsabilidade dos sindicatos (muitos, como se sabe) que, aparentemente, nunca se preocuparam muito com os problemas da segurança dos professores e dos próprios professores que ano após ano se foram refugiando no silêncio cúmplice, blindado no receio de represálias tanto dos órgãos de tutela como dos próprios pais que não hesitam em agredir professores, o que, como se sabe, é verdade. Mas se professores e sindicatos conseguiram reunir 100.000 pessoas (não 100.000 professores, como se vulgarizou) em militância feroz contra a ministra, ocorre-me perguntar porque é que nunca os professores e os respectivos sindicatos exerceram tamanha capacidade de aglutinação para se indignarem com a verdadeira tragédia em que se tornou o estado da educação em Portugal e, especificamente, contra a insegurança dos professores. Ao invés andamos todos entretidos a apontar as culpas da frágil (e inábil, diria eu) professora, ou da energúmena criança, ou do sistema ou, ou, ou, ou, ou. O essencial, seja o reconhecimento de que a educação em Portugal é um exemplo vivo de um fio de actuação política em que a esquerda é exímia através da desconstrução, por via de um conjunto de acções que só poderiam resultar no que está à vista ficou para trás. O que era isso comparado com o achincalhamento dos professores, a progressão na carreira, as férias, a avaliação e outras prementes questões que arrastaram milhares de professores para a rua?

Adenda: Agora é o divórcio simplex. Mas afinal para que é que há casamentos civis? Por outro lado, e dentro da mesma linha de raciocínio, porquê a excitação em homologar, rapidamente e em força, o casamento entre homossexuais?
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13 Comments:

At 3:25 da tarde, Blogger cristina disse...

«Mas confesso que não tinha a noção da dimensão do problema.»

Pois! Tu e muita gente! Mas não é que nunca tenham ouvido relatos... No entanto, na voz do professor ficam esquecidos entre lamúrios...

 
At 6:19 da tarde, Blogger papoilasaltitante disse...

Espumadamente!
Há muito que por aqui não vinha. A vida não tem sido muito fácil e o tempo que resta é pouco. As saudades ficam.
Na sequência do que disse a Cristina dá um salto até este blog
http://educar.wordpress.com/
Muito se diz aí de interessante e pertinente sobre o professor dos dias de hoje.
Há um post em especial que eu "saquei" para o meu blog que está muito bem escrito e que fala sobre os opinion makers versus professores.
A dimensão do problema é real e cresce de dia para dia.
Bjs

 
At 11:52 da manhã, Blogger espumante disse...

Cristina

"No entanto, na voz do professor ficam esquecidos entre lamúrios..."

Lá está. É um dos pontos do meu post. Talvez que uma marcha de indignação sobre esta problemática ajudasse a que a voz dos professores não ficasse esquecida entre lamúrios. Em vez disso, o acento tónico da manifestação foi pautado por uma estratégia delineada ao milímetro por um militante do partido comunista que incidentalmente faz parte da Fenprof. Não é que seja pecado ser comunista que não é mas como sei que os interesses partidários estão sempre, mas sempre, acima dos interesses da classe que dizem defender... indigno-me, para usar a própria terminologia usada na marcha. No fundo é essa parte (o facto de estar convicto que a maioria dos professores não é comunista) que me custa a perceber...
Saudações amigas aí para Coimbra

 
At 11:55 da manhã, Blogger espumante disse...

papoilasaltitante

Tenho muito gosto em ver-te de volta. Já lá fui ao teu blog e oercebi que está reactivado.
Quanto ao tema, talvez que o meu comentário à Cristina e outros meus posts anteriores te ajude a perceber onde me situo.
Quanto ao "Umbigo", costumo lê-lo.
Beijinhos

 
At 2:35 da tarde, Blogger António Chaves Ferrão disse...

António Barreto sobre o Estatuto do Aluno:
O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo “científico”, “técnico”, desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública. [Público, 30 de Março de 2008]

A ler integralmente aqui.


Abraço

 
At 4:06 da tarde, Blogger espumante disse...

antónio chaves ferrão

Não precisei de ir onde sugeres porque já tinha lido o artigo do António Barreto.
Não entendo a relação que fazes entre o artigo e este post. Basicamente, acho que tudo o que tenho dito sobre a educação a propósito dos acontecimentos recentes, mormente sobre a "marcha da indignação", está de acordo como que o António Barreto escreve. Claro que não posso fazê-lo com o brilho e engenho com que ele o faz, mas eu não poderia estar mais de acordo. Tenho dito, e repito à exaustão, é que a marcha dos professores foi comandada milimetricamente por gente em que me habituei a não confiar. Por fortes razões. Só isso. Para ser mais concreto, se eu fosse professor e me sentisse com toda a razão do mundo contra a ministra nunca teria alinhado num movimento planeado, caucionado e executado por um partido desconfiável, sobretudo com um limitante inteligente como é Mário Nogueira, aos comandos, no cockpit. Quanto mais não seja por respeito pela verdade e por respeito por mim próprio. É nisto que eu considero que os professores agiram mal, com mais oportunismo do que bondade de causas. Deixei, por exemplo, várias vezes no ar a pergunta da razão de os professores nunca terem feito uma manifestação com a dimensão desta última a propósito da sua própria segurança e da desconstrução em curso da educação, às mãos do mesmo tipo de gente que pensou e escreveu o estatuto do aluno.
Portanto, repito, não percebo a relação que fazes entre este post e mandares-me ler o estatuto. Já agora. Acho irónico como é que de repente o eduquês e a Ana Benavente te causam tanta eripsela. Pela parte que me toca já referi a Ana Benavente várias vezes e o eduquês também. Mas... as coisas evoluem sempre, a seu tempo.
Um abraço

 
At 4:11 da tarde, Blogger espumante disse...

antónio chaves ferrão

correcção

No comentário anterior onde se lê "...sobretudo com um limitante inteligente como Mário Nogueira..." deve-se ler "... sobretudo com um militante inteligente como Mário Nogueira..."

 
At 10:16 da tarde, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Caríssimo Espumante
Não sei se desentendes ou se te fazes desentendido.
António Barreto (ao contrário de ti) não aponta o dedo à marcha da indignação, não vê nela a causa de todos os males. Aponta o dedo, sim, à obsecação legislativa asfixiante do ME. Se agora estás de acordo, registo o facto com agrado, pois começas a ver qualquer coisa de válido, embora algo timidamente, pois me parece que a actual ministra ainda á o membro deste governo da tua eleição.
Quanto a Ana Barreto, isto é perfeitamente marginal, da minha parte, desconheço quase tudo o que escreveu, excepção feita a um ou dois artigos recentes. Mas já sei que foi uma entusiasta do eduquês, com a agravante de ter assumido em tempos responsabilidades governativas. Onde foste buscar simpatias minhas por esta escola é que eu gostaria de saber. Ser-te-á fácil apontar, tão conhecedor pareces.
Pareces desconhecer quem escreveu o Estatuto do Aluno e a relação deles com os professores em geral. Dir-te-ei apenas que o mal-estar dos professores com muitos dos funcionários "permanentes" do ME não é de hoje.
Quanto à tua irrestível atracção por explicações conspirativas, não te incomoda passares um atestado de menoridade mental a tanta gente?
Um abraço

 
At 10:17 da tarde, Blogger António Chaves Ferrão disse...

...obcecação...

 
At 10:34 da tarde, Blogger espumante disse...

antónio chaves ferrão

Um apontamento muito brecve;

1) Nunca me faço desentendido, salvo se estiver a brincar com alguém ou alguma coisa;

2) Eu nunca disse que a marcha da indignação era a causa de todos os males;

3) "...Se agora estás de acordo, registo o facto com agrado..."
Eu sempre estive de acordo e sempre me identifiquei com o que diz o Antónuio Barreto, nesta matéria.

4) Definitivamente me parece que a haver subentendimento esse será teu, tão claro eu tenho sido no que tenho dito.

Um abraço

 
At 10:45 da tarde, Blogger espumante disse...

antónio chaves ferrão

Só mais um pormenor. Tu sabes, sabes bem, como sou crítico deste governo. Estou a anos-luz deste governo e do PS. Maria de Lurdes Rodrigues está em funções vai para três anos. Ana Benavente foi do governo de Guterres, em 2005, imagina. Daí que tudo o que António Barreto diz não é aplicável a este governo, mas sim aos vários governos em geral e ao PS em particular. Parece-me tudo claro.

Poucas vezes me referi à figura da ministra. Ocorre-me ter dito que nunca a vi responder às questões que lhe põem que não fosse com calma, profissionalismo e elevação. Ao contrário, muitos professores vão para a rua e os vocábulos ladra, mentirosa, sinistra são comuns e berrados entre muitos outros. Com exemplos destes, mesmo que com razão, não me admira que uma aluna malcriada berre com uma professora (incrivelmente inábil) a exigir-lhe o telemóvel.
Parece, assim, que nem sempre falamos das mesmas coisas.

 
At 8:11 da manhã, Blogger espumante disse...

antónio chaves ferrão
"...do Coverno de Guterres em 1995...", obviamente e não em 2005, como escrevi...

 
At 10:29 da tarde, Anonymous Anónimo disse...

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