sexta-feira, junho 19, 2015

Dos senhores Baetas ou das águas «sobreterrâneas»


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Chego a casa e ligo a TV. Apanho de imediato um tal Sr. Baeta dizendo que o pessoal da TAP (coisa vaga, pessoal, qual?) vai fazer uma demonstração no dia 24. Porquê? Porque os trabalhadores não foram ouvidos nem achados na estratégia e na gestão da empresa e porque não concordam com a privatização. E mais, que até à finalização do processo de privatização muita água vai correr sob(re) o rio (eu seja ceguinho).

Tenho de admitir que uma das coisas em que o socialismo terá tido mais sucesso foi terem conseguido convencer os trabalhadores de que têm um papel preponderante na gestão e estratégias das empresas. Claro que nunca nenhum Sr. Baeta se deu ao trabalho de tentar conhecer exemplos de países socialistas, actuais ou extintos, onde os trabalhadores tivessem voz activa. De vez em quando aparecia um ou outro com umas ideias, pelo menos enquanto não era mandado para um Gulag qualquer ou arrebanhado (como era mais frequente em África, e arrebanhado é o termo correcto), para um campo de reeducação. Onde eram silenciados ou reeducados no sentido de se deixarem de ideias de participarem em estratégias e gestões.

Para o bem do socialismo todos os senhores Baetas vão fazendo conspícuas aparições nos meios de comunicação social, sem perceberem o papel de idiotas úteis que lhes cabe. Deviam dar graças a Deus por viverem em regimes de liberdade que lhes permitem acreditar no seu papel de estrategas e gestores.


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quarta-feira, janeiro 15, 2014

Em defesa do prejuízo dos trabalhadores


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Sobre a recente querela que vai por aí a propósito dos ENVC, vale a pena ler este post do José, do Porta da Loja.

A nossa esquerda passa por ser a mais estúpida da Europa, sabe-se. Talvez por isso, os trabalhadores não se apercebam do efeito pernicioso que os Arménios, Nogueiras, Avoilas e outros têm na defesa dos seus interesses. Mas o melhor mesmo é ler o post. Claro como a água e límpido como o céu duma manhã de sol de Lisboa.

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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Um comunista é um comunista e uma máquina de fazer tostas mistas é uma máquina de fazer tostas mistas


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Um cretino é um cretino e um vintém é um vintém. Lá dizia o treinador do Guimarães num arroubo de inesperada sabedoria. Eu acrescentaria que um comunista é um comunista e uma máquina de fazer tostas mistas é uma máquina de fazer tostas mistas. Nada a opor à simplicidade da asserção. Mas este cavalheiro exorbita claramente das suas atribuições. E efervesce com a mesma facilidade com que se presta a jogadas estratégicas nem que para isso precise de fazer alianças espúrias como esta que fez agora com Isabel Alçada, a propósito da manifestação das escolas do ensino privado.

Este homem é objectivamente prejudicial à educação em Portugal. Deixa-se arrastar pelas suas convicções (???) ideológicas e, mais grave ainda, consegue arrastar consigo uma considerável torrente de professores para situações de inadmissível prejuízo daqueles que deveriam merecer o respeito de todos os agentes de educação. Os alunos. Mas isso não conta para este homem, para quem a única coisa que interessa é o movimento continuado das suas alcatruzes, carregadas de uma suposta ideologia, quem sabe capaz de um dia o guindar à proeminência política que ele claramente ambiciona.

Não há outro sindicato para onde ele possa ser removido? Porque… as crianças, Senhor?

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quarta-feira, novembro 24, 2010

O reaccionarismo criminoso e oportunista da CGTP e da UGT


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A ler este texto do Henrique Raposo (bold da minha responsabilidade):



A CGTP é uma fábrica de desemprego



I. Este greve tem uma ponta de ironia: aqueles que lideram a greve são aqueles que são mais protegidos, isto é, os funcionários públicos. Os funcionários públicos têm uma segurança absurda no emprego. Se uma empresa fecha as portas, os trabalhadores dessa empresa vão para o fundo de desemprego e depois têm de arranjar outro emprego. Se uma repartição pública perde a sua utilidade, os funcionários dessa repartição não são dispensados. Nem pensar, então. Que escandaleira fascista. Não senhor. Esses funcionários-públicos-que-estão-a-mais vão para um quadro de mobilidade, onde ganham, se não me engano, quatro sextos do seu vencimento. Mas, então, eu pergunto: mas há portugueses de primeira e portugueses de segunda? Por que razão os desempregados e trabalhadores das empresas têm de pagar esta segurança extrema do funcionário público? Por que razão o funcionário público têm direito a uma rede de segurança vitalícia? Sim, de facto, devíamos fazer greve, uma greve contra estes privilégios inaceitáveis dos funcionários públicos.

II. O sindicalismo português, representado pela GCTP e pela UGT, está perdido no tempo. A CGTP e a UGT são forças reaccionárias que impedem a adaptação de Portugal ao século XXI. Um exemplo: se os trabalhadores da Auto-Europa tivessem seguido as indicações dos sindicatos, a empresa já não estava cá. Felizmente, a comissão de trabalhadores da Auto-Europa negociou regras de flexibilidade que aumentaram a produtividade da empresa. Resultado: para o ano, os trabalhadores da Auto-Europa vão ter um aumento de 4%. Se os sindicatos tivessem impedido as mudanças "neoliberais" na Auto-Europa, os milhares de trabalhadores da fábrica estariam agora na rua a protestar contra o "neoliberalismo". A UGT e a CGTP são fábrica de desemprego.

III. Mais: os sindicatos são os piores inimigos da minha geração. Ao defenderem leis laborais ultra defensivas (as mais restritivas do espaço da UE, aliás, do espaço da OCDE), a UGT e a CGTP contribuem para a ausência de criação de novos postos de trabalho, de novas empresas. Os mais jovens não conseguem entrar naquilo que já existe (porque é dificílimo fazer um despedimento individual em Portugal; portanto, o jovem só entra a recibos verdes para fazer um trabalho que devia estar a ser feito por uma pessoa do "quadro"; e essa pessoa do quadro continua lá) e, acima de tudo, os jovens não vêem novas empresas a aparecer. Porque a lei laboral está pensada para defender a todo o custo aquilo que já existe. O futuro não interessa à nossa lei laboral. O futuro não interessa à CGTP. A CGTP, tal como o PCP e o BE, representa o passado.

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quinta-feira, setembro 30, 2010

A luta continua...


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O manifestante/protestante cumpriu a sua obrigação. Marchou, berrou, chamou mentiroso a Sócrates e regressou ao autocarro de luxo que esperava por ele na 24 de Julho, estacionado em filas de mais de duas centenas de autocarros que reduziam a circulação a uma faixa para os pobres automobilistas que não se manifestaram nem protestaram e queriam apenas seguir o seu caminho.

O manifestante/protestante, em magotes de várias dezenas, presume-se que cada magote correspondia a um autocarro, ria desabridamente enquanto numa mão segurava um estandarte e na outra fazia prodígios de equilíbrio com uma «sandxe e uma mine». As mulheres, essas, ostentavam gelados de pauzinho. Caído sem querer no caos, observei a cena e gerei sérias dúvidas que o manifestante/protestante tivesse uma páilida ideia do que estava ali a fazer. Disciplinadamente, o manifestante/protestante berrou, cantou e chamou mentiroso a Sócrates. Por entre «abaixos» ao capital e aos poderosos. Agora regressava a casa e tenho a certeza que logo que os autocarros iniciassem a marcha de regresso, puxaria do telemóvel e avisaria a família e os amigos para os verem logo na «telvisão».

De um ponto de vista meramente filosófico e correndo o risco de presunção, achei aquele cenário estranho e inquietante. Estranho porque estas manifestações fazem cada vez menos sentido, e inquietante porque os mentores destes estados de alma, (sucessivos governos venais, populistas e reconhecidamente incompetentes e sindicalistas vitalícios da paróquia) colaboraram decidida e objectivamente para o caos e para os desmandos do rebanho, inculcando-lhe também uma visão distorcida dos direitos e dos deveres de cada qual no mundo do trabalho enquanto o país atravessa uma das suas maiores crises de sempre, com mais de 600.000 desempregados.

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Repulsa


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Ainda falando de educação, Mário Nogueira está a tornar-se numa figura a roçar o repulsivo. Teve o topete de aproveitar a homilia de D. Policarpo para mais uma das suas batalhas, ainda por cima, usando conclusões que só ele é que tirou. Nunca D. Policarpo se colou à Plataforma Sindical dos Professores nem ao Governo, limitou-se a desferir uma crítica contundente a ambas as partes e a urgir um entendimento rápido no interesse dos jovens estudantes. Foi isto que D. Policarpo disse mas Mário Nogueira, à boa maneira leninista, joga com as palavras e lança-as no éter como se fossem papas e bolos e todos nós fôssemos tolos.

D. Policarpo é uma insigne figura e não merecia o polé com que este sindicalista de pacotilha o trata. Os professores, por seu lado, teriam a estrita obrigação de se demarcarem desta atitude desonesta e mentirosa de Nogueira. Não vi nenhum fazê-lo. Foi pena.

Adenda (15:42):
Já depois de ter publicado este post, cheguei a um outro do Paulo Ferreira do Câmara de Comuns. Confesso que não sabia dos pormenores que o Paulo refere. E pergunto-me, uma vez mais, mas não há um grupo de professores que se oponha à criatura? Que publicamente se demarque de um trauliteiro que, sem qualquer respeito pelos interesses dos estudantes, continua a fazer a sua guerra política? E os professores não dizem nada? Não fazem nada? Ou terei de concluir que os tais cento e vinte mil estão todos de acordo com o senhor Nogueira
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terça-feira, dezembro 09, 2008

Para começar bem o dia


[2815]

A perversidade e a impunidade com que cada um vai para a televisão dizer o que lhe apetece começam a ser um lugar comum. Sobretudo quando provindas desta rapaziada que detém o poder e que dão a ideia de se divertirem imenso, fazendo de nós parvos. Ou, hipótese não descartável, levam-se realmente a sério no que dizem e aí estaremos perante uma situação a roçar uma patologia mais ou menos indeterminada, mas contra a qual temos de estar devidamente avisados.

Vem isto a propósito do nosso ministro de agricultura que nos ”ministrou” um autêntico certificado de idiotia dizendo que há cerca de vinte seis toneladas de carne irlandesa com umas toxinas e tal e que já entraram no mercado de enchidos e portanto já não é possível detectar, mas que os portugueses podem estar descansados porque a carne é de excelente qualidade. É o que se pode chamar de um ministro a encher chouriços. Virtualmente. Com toxinas, mas de qualidade.

Já os trabalhadores da limpeza de Lisboa resolveram fazer greve porque, imagine-se o descaramento, a Câmara quer privatizar o sector. António Costa apareceu a desmentir, pelo que de duas uma, ou Costa é mentiroso e deveria ser sumariamente despedido (se houvesse quem o fizesse que, aparentemente não há), ou o sindicalista de serviço é o mentiroso de serviço também. Para além de dever ser despedido deveria ser responsabilizado pelos prejuízos e inconveniência que está a causar aos lisboetas que vão nadar em lixo até quinta feira.

Passo por cima do pormenor despiciendo de, aparentemente, a gestão camarária estar à mercê de sindicatos que acham o que deve ser privatizado ou não. Mas isso já é outra história.

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sexta-feira, junho 20, 2008

Onde pára a militância?




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Tenho andado com uma certa curiosidade em ouvir os professores sobre o alegado “facilitismo” dos exames que estão a decorrer. Afinal, quando eu julgava que a sua militância poderia e deveria ser utilizada no tratamento de questões tão sensíveis e importantes como esta, parece que ela, a militância, se esgotou na defesa dos direitos adquiridos, das conquistas e na prossecução de programas políticos, milimétrica e religiosamente observados. E todavia seriam exactamente os professores as pessoas mais indicadas para se pronunciarem sobre aquilo que à primeira vista parece ser uma autêntica fraude a nível nacional, com resultados de assustadora imprevisibilidade. Mas não. Parece que tudo se resolveu depois das cedências do ministério. O "resto" parece já não incomodar muito.

Ler este post do Jorge Ferreira com detalhes, sobre o assunto.

E ainda Avaliar no Hole Horror


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quarta-feira, abril 16, 2008

Dinheiro na mão, costas no chão


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"Se querem paz, têm de a pagar. Em linguagem coloquial, eles que se cheguem à frente" (SIC).

Ouvi esta pérola na televisão, da boca de um dirigente do Sindicato dos Quadros Tecnicos do Estado, a propósito da perda de poder de compra dos portugueses. Ela é reveladora da mentalidade de uma considerável parte dos funcionários públicos. Esta casta de funcionário funciona, assume a função. No privado, um trabalhador trabalha, progride por força de uma avaliação continuada e faz uma carreira. Não tem estatuto, não conhece termos rebuscados como progressão de carreira e sabe que do sucesso da empresa depende o seu próprio. Consciencializa-se disso mesmo e integra-se. Ou não se integra e procura outro poiso. Já o funcionário, funciona. E acha que o dinheiro para lhe pagar tem de vir de algum lado. E que venha rápido. E mais. Sempre mais. E ameaça e chantageia publicamente a entidade patronal, que somos todos nós, que ou pagam ou não há paz.

No fundo, esta mentalidade e este desempenho não andam longe daquela máxima velhinha, da mais velhinha profissão do mundo, dinheiro na mão, costas no chão. Ponham-lhes o dinheiro na mão que eles põem as costas no chão. Não fazem ondas e contemplam-nos com a almejada paz. É preciso é que lhes paguem. Ou não foi isso que o tal dirigente sindical disse?

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