O lado bom do vídeo da "miúda do telemóvel"

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O vídeo da “miúda do telemóvel” do Carolina Michaelis teve a virtude de "soltar" uma imensidão de outros vídeos para o You Tube mostrando cenas de violência sobre os professores.
Pela minha parte confesso que sabia haver violência, que tinha a noção da costela simiesca que se formou nos nossos jovens, muito (ou quase toda) por culpa dos sociólogos, “pedos”, professores avançados, técnicos de educação e outros inomináveis agentes do eduquês e do politicamente correcto e tinha ainda a noção da componente inata na “maralha nacional” para comportamentos deste tipo, sempre que à solta. Mas confesso que não tinha a noção da dimensão do problema. Esta última reflexão nada tem a ver com saudades de qualquer tipo de autoritarismo, que abomino, mas com o reconhecimento de que cada vez mais estou convicto que uma sociedade como a nossa não tem capacidade de sobreviver sem um capataz. Isso, um capataz. Que nos desconte na féria, nos puna, nos ralhe e, porque não, nos chegue a roupa ao pelo sempre que a outra argumentação não chegue para nos portarmos como “deve ser”, já que não vivemos em cavernas e temos de conviver com o resto do mundo.
Os programas, debates e intervenções a que tenho assistido a propósito da “miúda do telemóvel” fazem-me prever o pior. Ou seja, que nem para aprendermos o episódio serviu. É que por um lado surgem aqueles que acham que a miúda devia pura e simplesmente levar uma “carga de porrada” e ser banida do sistema. E depois há os que continuam a lenga-lenga conhecida, de vocabulário conhecido, de ideias pré estabelecidas ou pura e simplesmente sem ideias e fluindo uma verbosidade adequada ao vazio e/ou à imbecilidade que marcaram os caminhos da nossa educação (?).
Inapelavelmente vem-me à ideia a total irresponsabilidade dos sindicatos (muitos, como se sabe) que, aparentemente, nunca se preocuparam muito com os problemas da segurança dos professores e dos próprios professores que ano após ano se foram refugiando no silêncio cúmplice, blindado no receio de represálias tanto dos órgãos de tutela como dos próprios pais que não hesitam em agredir professores, o que, como se sabe, é verdade. Mas se professores e sindicatos conseguiram reunir 100.000 pessoas (não 100.000 professores, como se vulgarizou) em militância feroz contra a ministra, ocorre-me perguntar porque é que nunca os professores e os respectivos sindicatos exerceram tamanha capacidade de aglutinação para se indignarem com a verdadeira tragédia em que se tornou o estado da educação em Portugal e, especificamente, contra a insegurança dos professores. Ao invés andamos todos entretidos a apontar as culpas da frágil (e inábil, diria eu) professora, ou da energúmena criança, ou do sistema ou, ou, ou, ou, ou. O essencial, seja o reconhecimento de que a educação em Portugal é um exemplo vivo de um fio de actuação política em que a esquerda é exímia através da desconstrução, por via de um conjunto de acções que só poderiam resultar no que está à vista ficou para trás. O que era isso comparado com o achincalhamento dos professores, a progressão na carreira, as férias, a avaliação e outras prementes questões que arrastaram milhares de professores para a rua?
Adenda: Agora é o divórcio simplex. Mas afinal para que é que há casamentos civis? Por outro lado, e dentro da mesma linha de raciocínio, porquê a excitação em homologar, rapidamente e em força, o casamento entre homossexuais?
.O vídeo da “miúda do telemóvel” do Carolina Michaelis teve a virtude de "soltar" uma imensidão de outros vídeos para o You Tube mostrando cenas de violência sobre os professores.
Pela minha parte confesso que sabia haver violência, que tinha a noção da costela simiesca que se formou nos nossos jovens, muito (ou quase toda) por culpa dos sociólogos, “pedos”, professores avançados, técnicos de educação e outros inomináveis agentes do eduquês e do politicamente correcto e tinha ainda a noção da componente inata na “maralha nacional” para comportamentos deste tipo, sempre que à solta. Mas confesso que não tinha a noção da dimensão do problema. Esta última reflexão nada tem a ver com saudades de qualquer tipo de autoritarismo, que abomino, mas com o reconhecimento de que cada vez mais estou convicto que uma sociedade como a nossa não tem capacidade de sobreviver sem um capataz. Isso, um capataz. Que nos desconte na féria, nos puna, nos ralhe e, porque não, nos chegue a roupa ao pelo sempre que a outra argumentação não chegue para nos portarmos como “deve ser”, já que não vivemos em cavernas e temos de conviver com o resto do mundo.
Os programas, debates e intervenções a que tenho assistido a propósito da “miúda do telemóvel” fazem-me prever o pior. Ou seja, que nem para aprendermos o episódio serviu. É que por um lado surgem aqueles que acham que a miúda devia pura e simplesmente levar uma “carga de porrada” e ser banida do sistema. E depois há os que continuam a lenga-lenga conhecida, de vocabulário conhecido, de ideias pré estabelecidas ou pura e simplesmente sem ideias e fluindo uma verbosidade adequada ao vazio e/ou à imbecilidade que marcaram os caminhos da nossa educação (?).
Inapelavelmente vem-me à ideia a total irresponsabilidade dos sindicatos (muitos, como se sabe) que, aparentemente, nunca se preocuparam muito com os problemas da segurança dos professores e dos próprios professores que ano após ano se foram refugiando no silêncio cúmplice, blindado no receio de represálias tanto dos órgãos de tutela como dos próprios pais que não hesitam em agredir professores, o que, como se sabe, é verdade. Mas se professores e sindicatos conseguiram reunir 100.000 pessoas (não 100.000 professores, como se vulgarizou) em militância feroz contra a ministra, ocorre-me perguntar porque é que nunca os professores e os respectivos sindicatos exerceram tamanha capacidade de aglutinação para se indignarem com a verdadeira tragédia em que se tornou o estado da educação em Portugal e, especificamente, contra a insegurança dos professores. Ao invés andamos todos entretidos a apontar as culpas da frágil (e inábil, diria eu) professora, ou da energúmena criança, ou do sistema ou, ou, ou, ou, ou. O essencial, seja o reconhecimento de que a educação em Portugal é um exemplo vivo de um fio de actuação política em que a esquerda é exímia através da desconstrução, por via de um conjunto de acções que só poderiam resultar no que está à vista ficou para trás. O que era isso comparado com o achincalhamento dos professores, a progressão na carreira, as férias, a avaliação e outras prementes questões que arrastaram milhares de professores para a rua?
Adenda: Agora é o divórcio simplex. Mas afinal para que é que há casamentos civis? Por outro lado, e dentro da mesma linha de raciocínio, porquê a excitação em homologar, rapidamente e em força, o casamento entre homossexuais?
Etiquetas: eduquês, professores, PS


