sexta-feira, junho 12, 2015

Eu acho que um mês ainda é de mais



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Somos um povo com algumas limitações. Questões geográficas, de parentesco, de ascendência, na volta somos poucos e somos todos primos ao fim de cerca de oito séculos, enfim, um encadeamento de circunstâncias que nos conduziram a uma situação de case study de muitos sábios e cientistas, sendo que nenhum deles verdadeiramente conseguiu perceber-nos. Parece que a coisa vem de longe, é velha a ideia de «lá longe, na península, há um povo que nem se governa nem se deixa governar». Mas, que diabo. O tempo correu, houve avanços, há a internet, o progresso, a tecnologia, aviões low cost, alguns bons exemplos, há mesmo um razoável índice de coesão com gente mais escovada. Eu sei que temos um Partido político sui generis, também do tipo que nem governa nem deixa governar mas, francamente, saber que existe um Jorge Ascensão saído de trás de um penedo e que ascende (fazendo jus ao nome) a presidente de uma Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), que é uma coisa que só serve para atrapalhar e de alternativa a quem não consegue ser administrador dos condóminos, um Jorge Ascensão, repito para retomar o fio da meada, que acha que os miúdos só devem ter um mês de férias no Verão leva-me a ponderar sobre a categoria em que devo rotular esta gente. Se patéticos, se meramente palermas militantes que vêm ao mundo para chatear quem está. Atente-se nesta pérola do Ascensão:

"Começo a recear que as escolas tenham mais pausas do que aulas. Toda a gente se queixa de que os programas são extensos e os alunos não têm tempo para aprender e tirar dúvidas. É preciso tempo", disse à Lusa Jorge Ascensão.
Além disso, considerou que a recomendação do CE "é redutora, tendo em conta tudo o que é preciso mudar" no ensino e que é necessária uma "revolução na educação".
A Confap entende que é preciso repensar o tempo em sala de aula e a forma de ensinar: "As aulas podem começar logo em setembro mas é preciso haver mudanças. Podem estar na escola sem atividade letiva, sem estar a estudar o programa curricular. Os miúdos precisam de respirar a escola sem ser dentro das paredes da sala de aula. Tem de haver um envolvimento com a biblioteca e com os espaços exteriores".
O Português pode aprender-se através do teatro, a História com visitas a zonas históricas ou o Inglês através de "Semanas da Língua" promovidas pela escola, exemplificou.
"A Educação não acompanhou as mudanças do 25 de Abril. Houve uma revolução na sociedade mas não na escola, que continua centrada na sala de aula, no quadro preto do professor e nas secretárias alinhadas", criticou o representante dos pais.
Jorge Ascensão lamentou que o Conselho das Escolas, um órgão consultivo do Ministério da Educação, "não consiga pensar fora da caixa" e continue a apresentar "pequenas medidas que não se traduzem em grandes mudanças".
"Este órgão, que representa quem trabalha todos os dias nas escolas, tem de refletir de forma mais alargada a Educação. Mesmo sabendo que algumas das medidas não são exequíveis de imediato, temos de as pensar e apresentar", defendeu.

40 anos depois do 25 de Abril ainda há Ascensões…

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domingo, setembro 08, 2013

As paixões do socialismo


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Ou, talvez com mais propriedade, as paixões dos socialistas. Uns apaixonam-se mesmo, outros nem se apaixonam nem deixam de se apaixonar, limitam-se a achar que é assim e que toda a gente deve achar o mesmo e assumir a obrigação moral, o dever cívico de votar nas pessoas correctas com paixões correctas.

O problema reside no facto destas paixões serem como que uma espécie de erecção matinal e de os socialistas acharem que elas são as «boas práticas». E então apaixonam-se imenso, sem respeito por nada nem por ninguém, muito menos reflectindo sobre as gravosas consequências destes estados de alma. Quando a erecção lhes passa, vão-se embora. Uns vão cuidar de refugiados por esse mundo fora, outros vão estudar filosofia para Paris. Uns calam-se, outros continuam na sua tagarelice idiota, imoral e obscena em frente de uma qualquer câmara de televisão. Às vezes mesmo em televisão estatal.

A tragédia é que as paixões podiam aparecer, passar e as coisas retomarem o fio normal da sensatez e do respeito pelos interesses das pessoas. Mas ainda a poeira não assenta e começam logo a aparecer mais apaixonados. Mesmo quando, como no momento presente, não se sabe bem de apaixonados por quê ou por quem.


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sábado, julho 27, 2013

A «luta dele»


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Aqui estaria uma boa oportunidade para os professores em geral se assumirem como uma entidade de maior influência e responsabilidade cívica e consagrarem um módico de respeito que frequentemente desbaratam. Bastaria que pusessem este indivíduo na ordem, esta espécie de Che de bigode aparado à ribatejana curta, sonegando-lhe o apoio para este tipo de iniciativas. Porque nenhuma luta tem a prerrogativa de jogar com o futuro de crianças, de desrespeitar a vontade e os desígnios dos pais que não têm dinheiro para pôr os filhos no privado e, muito menos, de manipular a formação de crianças ao jeito de um qualquer revolucionário cubano, colombiano, boliviano ou nicaraguense.

Há anos que Mário Nogueira se diverte exercendo a luta dele, porque da luta dele se trata, usando aqueles que diz representar. E mal vai a classe dos professores em não se aperceber, (ou não querer aperceber-se) disso. E, já agora, o cortejo de idiotas úteis que lhe acham, a Nogueira, muita graça.
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sexta-feira, julho 20, 2012

Os bons exemplos

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Já não tenho filhos em idade escolar. Mas se tivesse, iria sentir muito desconforto e constrangimento em explicar-lhes a atitude grotesca e a agressividade, as palavras de ordem (gatuno, gatuno, gatuno, gatuno) e o reboliço, que obrigou mesmo à intervenção da polícia expulsando-os da Assembleia, de um grupo de professores (muitos afectos à Fenprof, dizia o comentador…). Porque não é fácil explicar a crianças que aqueles são as pessoas que os formam e ensinam e que, em última análise, para além da tabuada, lhes devia dar um exemplo de comportamento cívico e de educação. Que demonstraram não ter.
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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Um comunista é um comunista e uma máquina de fazer tostas mistas é uma máquina de fazer tostas mistas


[4043]

Um cretino é um cretino e um vintém é um vintém. Lá dizia o treinador do Guimarães num arroubo de inesperada sabedoria. Eu acrescentaria que um comunista é um comunista e uma máquina de fazer tostas mistas é uma máquina de fazer tostas mistas. Nada a opor à simplicidade da asserção. Mas este cavalheiro exorbita claramente das suas atribuições. E efervesce com a mesma facilidade com que se presta a jogadas estratégicas nem que para isso precise de fazer alianças espúrias como esta que fez agora com Isabel Alçada, a propósito da manifestação das escolas do ensino privado.

Este homem é objectivamente prejudicial à educação em Portugal. Deixa-se arrastar pelas suas convicções (???) ideológicas e, mais grave ainda, consegue arrastar consigo uma considerável torrente de professores para situações de inadmissível prejuízo daqueles que deveriam merecer o respeito de todos os agentes de educação. Os alunos. Mas isso não conta para este homem, para quem a única coisa que interessa é o movimento continuado das suas alcatruzes, carregadas de uma suposta ideologia, quem sabe capaz de um dia o guindar à proeminência política que ele claramente ambiciona.

Não há outro sindicato para onde ele possa ser removido? Porque… as crianças, Senhor?

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Saltou a tampa a Alçada


[4041]

A cordata e suave Ministra da Educação perdeu a compostura. A manifestação do ensino privado saiu da alçada da senhora ministra e configura um caso flagrante de manipulação de criancinhas. Parece que os pais não devem levar criancinhas às manifestações porque é indigno e manipulativo. A não ser que sejam organizadas e enquadradas por professores modernaços e pelo Bloco e comecem a atirar tomates aos ministros, como há bem pouco tempo atrás. Mas assim, não. Gente da privada, com meninos que andam em escolas que fazem lucros altíssimos (horrível esta alergia aos lucros altíssimos, ainda se fosse para pagar salários a um jovem diligente que vá buscar o Figo a Itália para um pequeno-almoço de trabalho ainda que vá que não vá), a gerarem lucros, lucros, assim altíssimos, lucros, ná!

Eu não entendi bem as razões da manifestação. O que ressalta é este fervor incontido da nossa rapaziada governativa pelo ensino público. Porque o privado, diz a cartilha tem lucros altíssimos.

Houve aquela blague conhecida dum progressista da nossa praça que há uns anos foi à Suécia dizer que queríamos acabar com os ricos em Portugal, tendo-lhe sido respondido que na Suécia, ao contrário, queriam acabar era com os pobres. Isto agora vai dar mais ou menos no mesmo. O que interessa é que cheguemos à universidade a contar pelos dedos e a escrever e falar como escrevemos e falamos.

Mário Nogueira da Fenprof e aquele inenarrável chefe da comissão dos pais (é assim que se diz?) puseram-se de imediato «salivando» (desculpe lá Santos Silva, mas esta agora «encuquei») ao lado da ministra. Talvez fosse tempo destas duas obscuras criaturas «alçarem» para outra. O povo agradecia.

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domingo, outubro 24, 2010

A avaliar pela montra…


[3943]

…avalio bem o que deve haver pelo armazém. E o armazém é um programa anunciado para logo à noite na SIC, «feito por crianças. Para sabermos o que as crianças pensam». E na apresentação do programa (assim uma espécie de letselucatdetreila à boa maneira do Laurodérmio), aparece uma repórter de voz melíflua e aparentemente acometida de tripanossomíase a fazer perguntinhas às criancinhas (deviam ter dito meninos, como agora se usa). E as perguntas são fantásticas. Uma delas queria saber o que é que o menino gostava de dizer ao engenheiro Sócrates e o menino dizia que gostava de dizer para não falarmos tanto da crise na televisão senão as pessoas ficam muito deprimidas e depois ainda é pior. Outra pergunta que me lembro de ter ouvido, eu seja ceguinho… foi porque é que o menino acha que há ricos e há pobres. O menino respondeu prontamente: - Não sei. Mudança de plano e o menino responde. Porque há uns senhores mais distraídos e quando ganham os dinheiros estão mais distraídos e depois os outros senhores se eles estão distraídos levam mais dinheiro do que aos outros que não estão distraídos.

Há mais pérolas do género, mas uma pergunta se perfila desde já; - Será que endoidámos de vez? E não varrem esta gente?

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terça-feira, setembro 14, 2010

Tempos modernos. Ou, quanto eu não dava por ter tido uma ministra assim…



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… e não tragam facas nem pistolas. Preservativos, temos cá. Peçam aos paizinhos para não virem cá bater nos professores nem pôr cadeados nos portões que é um mau aspecto. Podem fumar de vez em quando, mas cigarros não. Quando cá vierem os senhores do Bloco, vejam se não faltam. Há uma coisa que se chama estatuto do aluno que podem ir ler, se não entenderem não há problema que o Sr. Mário Nogueira depois explica. Se a professora vos quiser tirar o telemóvel não lhes batam porque depois vem no U Tube e assim e há sempre um de vocês que se ri e diz “olha a velha”. Não se diz preto nem cigano. Monhé e paneleiro também é chato, se não souberem como dizer perguntem aos senhores do Bloco. Finalmente não se peguem ao estalo e se se lembrarem vão ao Google ver quem é o Saramago, porque têm de ler o Memorial do Convento. E agora ide e se tiverem tempo estudai um bocadinho que há para aí uma gente que se anda a lembrar de vos chumbar se vocês não souberem nada, ou lá como é que é.

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segunda-feira, agosto 02, 2010

Dum lado chove, do outro faz vento


[3840]



De um lado temos a boníssima Isabel Alçada a explicar, com diligência, como é que pretende acabar com os chumbos das criancinhas. Não é bem acabar… assim por decreto… é acabar… criando o meios necessários, os métodos, a consciencialização, a intervenção alargada… abrangente… a participação dos pais, dos professores, dos elementos da educação (incluindo o governo, está bem de ver), a criação duma qualquer coisa, que não me lembro assim muito bem, pro-activa e que permita, no curto prazo, acabar com os chumbos, «quer-se dizer», não se decreta o fim dos chumbos, que Alçada não gosta de «facilitismos», gera-se um campo, uma plataforma de entendimento, estabelece-se um campo de exigências e objectivos que.


Por outro lado, as notícias matinais da televisão mostram o grande êxito do momento. Dezenas e dezenas de festas, bailaricos de rua e outras funções dançantes onde os pares rodopiam e cantam com alacridade um estribilho, no qual se pergunta quem é o pai da criança. E cantam e dançam e riem, sobretudo riem imenso quando chegam à parte quem é o pai da criança, e a repórter indaga e os pares, rindo, rindo muito, dizem que não sabem quem é o pai da criança, eh eh eh eh, lol, lol e eh eh eh, enquanto um sujeito rubicundo com ar de angariador de pessoal para a campanha do morango na Andaluzia diz para a repórter, circunspecto, que não se sabe quem é o pai da criança. Numa parte da sua intervenção televisiva diz que não se sabe quem é o pai nem quem é a mãe, eh eh eh eh e lol, lol e lol. A repórter, cumprindo a sua missão, vai saltitando entre os pares fazendo a pergunta – ninguém sabe quem é o pai da criança. Finalmente, uma criança. A repórter pergunta: - E tu? Sabes quem é o pai da criança? A criança olha de soslaio, responde; Nããão. E gostas da música? - Siiiim. E gostavas de saber que é o pai criança?Simmmm.


Vamos parar longe, vamos. E o mais grave é que um dia destes damos connosco a pensar, olhando para o nobre povo, nação valente e imortal, quem será o pai desta criança?


Na minha rua mora uma sopeira
Tem 20 anos e ainda não namora (x2)

Aqui à dias apareceu inchada

Ai coitadinha, está perto da hora (x2)

Mas quem será, mas quem será, mas quem será
O pai da criança

Eu sei lá, sei lá
Eu sei lá, sei lá

Mas quem será, mas quem será, mas quem será
O pai da criança

Eu sei lá, sei lá
Eu sei lá, sei lá

Mas quem será o atrevido
Que nesse dia pela porta entrou (x2)

Maldita a hora que a patroa descobriu
O malandro do patrão com a sopeira dormiu (x2)

Mas quem será, mas quem será, mas quem será


O pai da criança


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quarta-feira, março 24, 2010

Estamos aqui, estamos nos "pioneiros" outra vez...


[3706]

Pegando ainda na educação. Parece que hoje cai haver uma “manif” de alunos do ensino básico, secundário e superior. Entre outras coisas parece que os alunos do básico vão manifestar-se sobre o Estatuto do Aluno, cujas alterações hão-de ser para pior, diz um senhor chamado Luis Encarnação que eu não sei quem é mas deve perceber imenso de estatutos de aluno e achar que as crianças do básico devem ter uma voz activa na matéria. Mas não só, eles irão manifestar-se pelos ataques à liberdade em democracia e a privatização dos serviços escolares, porque o Estado anda a fazer obras na escola a troco de privatizar o bar, a cantina, a papelaria e o espaço das escolas. Como se vê tudo questões a exigir a opinião abalizada e experiente dos alunos do básico. A tabuada pode ficar para depois…

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Quem quer acabar com a violência nas escolas?

[3705]

É isso! A gente cresce e vai perdendo o grip com a realidade. Cheguei ao escritório dei uma volta pelas notícias e deparei-me com este aliciante programa do Forum da TSF para hoje. Parece que se vai discutir o estatuto do aluno, um documento que estará já a ser revisto e, entre outras coisas, prevê a punição (!!!) das famílias de alunos violentos e agravamento de sanções disciplinares. Os intervenientes no Forum, entretanto, vão ser questionados sobre se concordam com as medidas do governo de voltar a distinguir faltas justificadas das não justificadas (eu seja ceguinho se sabia que faltas justificadas ou injustificadas eram a mesma coisa…), acabar com a obrigatoriedade das provas de recuperação (não faço a mínima ideia do que isto seja mas deve ser alguma coisa importante). A TSF também quer saber se os portugueses concordam com a necessidade de tomar medidas para acabar com a violência nas escolas (hummm… xacaver… talvez deixar tudo como está), com a necessidade de voltar a contemplar o chumbo por excesso de faltas e outras preciosidades inerentes à nobre missão de educar e formar os nossos cidadãos de amanhã.

Que pena eu não poder ouvir este Forum!
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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Nogueira ataca de novo


[3557]

O truculento e insuportável Mário Nogueira, talvez o comunista a quem é concedido o mais longo de tempo de antena em qualquer intervenção, achou que era altura de voltar a mexer o estrugido. No estrugido onde apuram uns quantos professores (é vê-los de novo nos comentários do Educação do meu Umbigo do Paulo Guinote, alguns incitam mesmo à violência), que encontraram no conflito com o ministério de educação a Némesis da sua ética peculiar.

A balbúrdia reinstalada conduz a que, mais uma vez, quem não é professor ou secretário de estado da educação fique completamente a Leste do que está verdadeiramente em discussão. Fica, outrossim, a ideia de que nada está em discussão que não seja pôr o leite ao lume outra vez até que venha por fora. Para isso, os professores contam com a eficiência de Nogueira e dos seus prosélitos e do mode de bovinidade de uma grande parte de professores. Uns porque já não estão para se maçar, outros porque acham que entre mortos e feridos alguma coisa há-de pingar para eles. Outros, ainda e felizmente, por pudor em se verem envolvidos com esta trupe.

Restam os alunos. Os sempiternos prejudicados. Provavelmente um dia destes serão de novo treinados a atirar ovos e tomates à ministra, nos intervalos dos recreios em que anda tudo à chapada. Entre eles e aos professores. Continuarão também os capciosos artigos na comunicação social sobre o défice de formação da nossa juventude como causa principal do nosso atraso.
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sexta-feira, maio 22, 2009

E se?


[3147]

Fui dos que reagiram a quente sobre a professora de Espinho. Hoje, depois de ler este post do Besugo, é sem rebuço que me rendo à evidência do que ele escreve. Realmente… e se?

Este episódio teve, ainda assim, o efeito positivo de me lembrar que devemos sempre contar até dez de cada vez que nos irritamos. E eu que já tenho idade para saber que contar até dez faz bem à saúde e, sobretudo, nos põe a coberto de, aqui e ali, dizermos asneiras…

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terça-feira, maio 19, 2009

Professora avançada

[3140]

Ora aqui está um caso interessante. Se a juventude socialista se tivesse interessado pelo caso há uns vinte ou trinta anos atrás já esta professora não explicava aos alunos como é que os pais lhe tinham rasgado o hímen e não teria dito as barbaridades que disse. Provavelmente teria ido à máquina de preservativos da escola e tinha dado um queca e os jovens socialistas teriam hoje um legítimo motivo de orgulho. Já quanto ao jipe
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domingo, março 08, 2009

Chantagem


[2996]

Os professores fizeram ontem mais um cordão humano, que é uma expressão que vai muito bem. Segundo ouvi aí pelas notícias, a coisa esteve para o fraquito, mas a verdade é que se muita gente já não tem paciência para ouvir falar de professores, a verdade é que haverá igualmente muitos professores que já não têm pachorra para Mário Nogueira.

Mas Mário Nogueira não perdeu a oportunidade de manifestar a sua tarimba ao dar à estampa a sua forma de resolver os problemas da classe. Ouvindo-o, percebemos que aos professores não interessa a situação económica do país, a segurança, a justiça, a assistência médica, as injustiças sociais, o problema das reformas e da segurança social e outras minudências mais ou menos basilares duma sociedade. Para os professores, o que verdadeiramente interessa é avisar bem os partidos da oposição para que se portem bem. E portarem-se bem significa apresentarem propostas para resolver os problemas do sector, sublinhando que isso poderá ajudar os docentes a decidir o seu voto nas próximas legislativas.

É o comunista, o oportunista e o sindicalista sem escrúpulos caldeados em Mário Nogueira, um comunista de maneirismos actuais e de pensamento da velha guarda. É a chantagem política sem decoro que Mário Nogueira usa para atingir os seus fins. E a chantagem é feia. Vinda de quem vem, não admira. Mas é feia. É o desrespeito total pelos interesses gerais da sociedade em favor dos interesses específicos da classe.

Esta brilhante alocução foi feita com a música de fundo dos professores a cantarem que está na hooooora está na hooooora, da ministra se ir embora, entrecortada pela declaração de uma senhora idosa dizendo que está pouca gente porque é fim-de-semana e as pessoas têm muito que fazer.

E ficou ainda o aviso de que ou o ministério faz alguma coisa ou a luta continua. A luta continua inclui, segundo Mário Nogueira, greves na altura da avaliação dos alunos. Assim. Tal e qual.

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sábado, março 07, 2009

Agora é a minha vês* de me dirijir* ao Magalhães


[2994]

Querido Magalhães

Venho aqui deichar-te uma palavra de inssentivo para que não dezanimes e procigas na tua nobre mição de dessizivo contributo para a inducassão em Portugal. Eu sei que é defissil, tens rezistido a muito. Ele é o desanho (paresses uma balanssa) ele é a prumussão (Sócrates vendeu-te na Venezuela como se fosses uma pessa de lanjeri), ele é até o nome que como sabes é defíssil de prununciar no estranjeiro. Não xegavão estas desgrassas vi ontem (e li, valha-me deus, e li) que estás xeiinho de erros ortugráficos. Cumessei a ler os erros e não cria acreditar. E quando eu pençava que a situação era sufissientemente grave para, pelo menos, pôr alguém na rua, oisso dizer que, prontes, a coisa resolve-se (vai-se a ver e o ME como não tem lucros não pode despedir ninguém, como dis o Loussã) e alguém, já nem sei quem, vai mandar corrijir o softeuére, porque a culpa foi de um senhor que é imigrante na França e não tem a quarta classe. Como ninguém me explicou porque é que um imigrante na França que não tem a quarta classe é que foi encarregado de fazer a tradussão do tal dito prugrama prás crianssinhas fiquei na esperança que o minestério da inducação fizesse alguma coisa e no mínimo, pusesse alguém na rua, em última análise a peçoa que se lembrou do tal imigrante, sem qualquer respeito pelas criancinhas que és suposto de encinar. Mas sabes o que é que a ministra diçe, sabes? Diçe, meio zangada, que o ministério não podia tratar de tudo. Prontes. A coisa fica açim, muda-se o softeuére e paga-se ao luso francês. Nada de muito grave.

* "vês" em vez de "vez" e "dirijir" são exemplos reais dos erros do Magalhães.

Nota: A propósito deste post, recebi um mail de um tal senhor Manuel Videira que me pede para divulgar um vídeo que começa mais ou menos assim: O Manuel Videira, subiu a vida a pulso, saiu do liceu, sem acabar o curso, entrou para a política, o cenário era perfeito… e por aí fora. Está aqui o link. Por aqui se vê que está tudo bem, estamos todos bem uns para os outros e nada como subir na vida como o Manuel Videira, que não conheço mas que, tal como me pediu, aqui fica devidamente divulgado.

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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Quem não se aceita é inaceitável ou a arte de bem falar pertuguês...


Sugestão de cartaz para colocar nas nossas fronteiras terrestres e nos aeroportos de Lisboa, Faro e Porto.

[2968]

3. Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola dos professores, dos alunos e de toda a população que muito tem orgulhado o nosso país pela valorização que à escola tem dado

Margarida Elisa Santos Teixeira Moreira


Os direitos de autor desta pérola de português pertencem a Margarida Moreira, a já célebre directora da DREN. Não sei se a senhora em questão é professora ou não, penso que o seja e eu começo a sentir uma vergonha indisfarçável pela forma como esta gente se exprime. Sobretudo gente com a responsabilidade de uma directora de um Direcção Regional de Ensino.

Quem quiser poderá ler o documento todo aqui.
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segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Os maus exemplos


[2966]

Há qualquer coisa de errado nesta foto. Não porque se discorde ou concorde com as razões que possam assistir a esta professora que decidiu desfilar amordaçada e agrilhoada, ou porque se defenda ou condene a celebração do carnaval como uma festa institucionalizada pelo ministério de educação. O que soa mal nesta foto é a forma como essa professora transmite às crianças o protesto do seu desacordo com as ordens que recebeu. É claro que isto daria pano para mangas, sobretudo do ponto de vista de quão discutíveis poderão ser as ordens emanadas de uma hierarquia, seja ela qual for. Em todo o caso há, à partida, um princípio profundamente errado, qual seja o de os professores acharem que a hierarquia e o poder são sempre discutíveis e que nada poderá ou deverá ser feito à revelia do seu escrutínio e vontade. Ainda não perceberam, por exemplo, ou não quiseram perceber, porque os professores não são estúpidos, que não é possível moldar o poder de uma pirâmide hierárquica à opinião de cada qual. E que fosse.

Neste caso, parece que estava em causa os professores se recusarem a participar nos cortejos de carnaval, dando expressão à continuidade da sua luta. É evidente que a ser assim, os professores estão abusivamente a usar os alunos como ferramenta da sua luta e isso é, no mínimo, inaceitável. Por muito idiota e peregrina que pudesse ser a ideia de pôr criancinhas a desfilar no carnaval, os professores não deveriam dar este exemplo de insurreição, de desafio da autoridade, àqueles que, em última análise, são os destinatários naturais da sua forma de actuação.

Quanto ao resto, se devia haver ou não carnaval isso é perfeitamente secundário. O que está mal é este espectáculo insólito de porem professores a desfilar amordaçados e acorrentados. Por muitas voltas que se dê ao texto, é uma instigação á revolta e à insurreição. Nada, de resto, muito diferente da linha doutrinária do PC e do BE que ainda recentemente promoveram cursos intensivos de desobediência civil.

As crianças não precisam de ser ensinadas a ser insurrectas. Precisam é de ser formadas para, mais tarde, serem insurrectas ou não, conforme aquilo que, em consciência, decidirem. E era nessa direcção que estes professores algemados e acorrentados deveriam ter ido. Se conseguissem.

Nota: Como se esperava, esta foto ilustrou alguns blogues e foi devidamente exaltada nos meios da especialidade.

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Deprimente


[2847]

Há um senhor que vive no Porto, chama-se Manuel Valente e pertence a uma coisa que se chama Federação das Associações dos Pais do Porto. Vai daí, o senhor Valente soube do incidente recente numa escola do Cerco, em que um aluno apontou uma pistola de brincar à cabeça da professora e lhe exigiu que a mesma lhe desse positiva. A professora zangou-se um bocadinho e disse que ia marcar falta disciplinar, a DREN já disse que foi tudo uma brincadeira, apesar de um bocadinho de mau gosto, aquilo é tudo alunos "pacholas" e só um é que tinha negativa e mesmo essa negativa era uma negativa porreira, apenas um nove e até o sindicalista Nogueira já veio dizer que não foi ele que instigou os alunos a fazer o vídeo e a pô-lo na Net.

Mas o senhor Valente é que não se ficou nas covas e disse que era absolutamente necessário acabar com os telemóveis ligados nas salas de aula (gosto deste pormenor do "ligados"). E afirmou ainda que já denunciámos isso em Março, ao nível do Conselho de Educação (é espantoso o número de órgãos, conselhos, directórios e etecaeteras que existem na Educação em Portugal), mas infelizmente ninguém quis ouvir (feitios, diria eu…) e agora lá temos outro vídeo a circular na net, que é o que o Público diz hoje, só para os assinantes.

A mim o que surpreende mesmo (surpreende?) é o senhor Valente achar que os professores têm a obrigação estrita de forçar uma educação que as criancinhas deveriam, supostamente, receber em casa, por outras palavras, já que os pais não conseguem impedir os filhos de levar os telemóveis para as aulas (ligados, ainda por cima) então os professores que o façam. Que para isso é que há conselhos, directórios, comissões, plataformas e associações para se debater estes problemas e, com sorte, vir no telejornal do dia seguinte…

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sexta-feira, dezembro 12, 2008

Picareta falante - Nova versão (de bigode)


[2825]

Já se sabia o que ia acontecer após mais uma reunião (???) entre os sindicatos e o ministério. Estaca a zero em tudo. Por mim, até sabia que as declarações posteriores haviam de caber no estilo educado e contido da ministra e na truculência desabrida de Mário Nogueira. Para além da truculência há aquela sensação de carrossel em que as coisas são ditas de forma torrencial (é sempre preciso interromper Mário Nogueira, ele começa a falar e fala ininterruptamente repetindo chavões de cartilha, sound bytes e aquele tipo de coisas que caem bem aos incautos, repisando por exemplo, o salto na prestação qualitativa dos professores, fala, fala, fala e volta ao mesmo).

Acho curiosa a extraordinária semelhança na forma e no estilo entre Mário Nogueira e Sócrates na forma de se expressarem. Abruptos, torrenciais, demagógicos, arrogantes e, sobretudo, vazios de conteúdo, que não de sentido. Já Guterres era assim, ao ponto de VPV lhe ter chamado, apropriadamente, “picareta falante”, e viu-se no que deu aquele partir de pedra hipócrita e inconsequente.

O PS teve uma apreciável acção didáctica nesta forma provinciana e arrogante de se fazer política. Desde os protestos da ponte até às tiradas espectaculares contidas em cada resposta que se dá a um jornalista, enformadas num estilo comicieiro que deve ir bem com a América do Sul mas que a mim, pessoalmente, me incomoda e dá uma triste ideia da nossa verdadeira índole. E, aparentemente, não sou o único.

Os professores, por seu lado, não se importam e apreciam o estilo. Muitos porque são farinha do mesmo saco de Mário Nogueira. Outros porque lhes sabe bem. Os miúdos, esses, vão atirando uns tomates aos governantes. Bem ensaiados e felizes por terem nascido.
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