sexta-feira, abril 08, 2011

Afinal não foi bem assim...


Foto daqui


[4125]


De manhã fui mais ou menos impregnado com a notícia de que Israel tinha atacado Gaza, novamente, com tanques, aviões e helicópteros. As notícias ficavam por aí e confesso que costumo deixar às capacidades do meu subconsciente o processamento deste tipo de notícias. Há pouco, porém, li isto e percebi que o meu subconsciente tem razões fortes e estimáveis para um processamento adequado deste tipo de notícias antes que as mesmas se arrumem no meu arquivo de memória. Afinal, Israel não atacou, aquilo não foi bem atacar. Foi retaliar perante um ataque de mísseis anti-tanque vindo do território palestiniano a um autocarro que por acaso, coincidência certamente, ia cheio de crianças. Esta a parte, despicienda, que aqui pela paróquia ficou no tinteiro e que faz jus à nossa peculiar forma de noticiarmos tudo o que tem a ver com os alegados ataques de Israel. Verdade se diga que não são só os jornais e rádios portugueses. Li vários jornais brasileiros onde o pormenor do autocarro com crianças era omisso. E até a vetusta BBC não resistiu em vitimizar os agressores.

É nestas alturas, entre outras, que me dá vontade de ir buscar o falecido almirante Pinheiro de Azevedo e pedir-lhe, cortesmente, que do lado de lá de onde quer que ele esteja, mantenha ainda a estamina para soltar um saudável bardamerda.

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sábado, agosto 07, 2010

Shoooooshhhh


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Fernanda Câncio quer calar José António Cerejo que, pacientemente, vem a desenvolver uma meritória actividade no sentido de descascar este tremendo embuste do Freepoort. Ela está incomodada e brande uma retórica muito própria para justificar o injustificável.

Fernanda poderia ser, com facilidade uma boa substituta da Drª Cândida Almeida. É uma questão de engordar um bocadinho e pensar bem no assunto.

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segunda-feira, agosto 02, 2010

When Costa met... qualquer coisa na cabeça


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Na passada sexta-feira, a pressão de ver e ouvir Ricardo Costa numa fase de autêntica histeria, vertendo sobre os convidados do Expresso da Meia-Noite e sobre os telespectadores todo o protagonismo que ele não sabe conter e, claramente, extravasa do seu contentor de emoções, obrigou-me a mudar de canal. Foram apenas alguns minutos em que Costa, adunco, histérico e mal contido descolou da terra para espraiar nos céus a sua tremenda imbecilidade e impreparação, em qualquer coisa que tão depressa parecia a acirrada defesa de Sócrates como uma qualquer outra coisa indefinida, que nem ele próprio, quiçá, conseguiria definir. Costa zangou-se e ralhou com os participantes, com os espectadores e com o mundo, sendo que o mundo deveria ser a última coisa com que ele deveria zangar-se, tão probo o mundo tem sido para ele.

Voltando ao programa, não percebi bem o que Costa pretendia. A comparação do prazo dos magistrados para fazer perguntas ao primeiro-ministro com uma folha Excel que ele, Costa, tem de preencher, para apresentar aos chefes, foi a gota que fez transbordar o copo da minha paciência e me fez mudar para um tvcine qualquer.

Hoje leio o Portugal dos Pequeninos e vejo que fiz bem. Tão bem quanto ler o post todo e perceber que afinal não sou filho único na desgraça de me ver sujeito à impreparação, ou má formação, desta gente que acha que é dona da pantalha e se vem em directo, na explanação das mais improváveis manifestações de pedantismo e narcisismo. Ora, em matéria de orgasmos públicos, antes a Meg Ryan a jantar com o Billy Crystal. Muito mais saudável, muito mais bonito, naturalmente mais erótico e, sobretudo, mais inteligente.

Resta o registo de agradecimento ao João Gonçalves pelo seu post, bem assim como a vários dos seus preclaros comentadores.

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domingo, março 07, 2010

Lavagem de roupa suja

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Rendo-me ao humor, ironia e ao sentido de oportunidade com que alguns blogues colocaram este vídeo da Manuela Moura Guedes. Já não me rendo à forma como alguns o aproveitam para vituperar a apresentadora, mais preocupados pelo facto de ela lavar a roupa suja do que haver tanta roupa para lavar. Por mim, acho ainda mais grave que ela lave a roupa e ninguém se preocupar com a quantidade da roupa e grau de sujidade e, ainda, como é que a roupa se sujou e de haver tanta gente a recorrer aos mais variados e inesperados tira-nódoas.


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sexta-feira, março 05, 2010

Depois queixem-se...


[3677]


Há uma estratégia evidente na abordagem de todos os assuntos que, de uma maneira ou de outra, poderão fazer oscilar a opinião pública contra figuras ou factos desfavoráveis ao governo, ao Partido Socialista e, em última análise à figura que, sem saber bem como nem porquê, se tornou peça fulcral neste fenómeno – Sócrates, ele mesmo.


A forma cirúrgica como a prestação de Rangel (indubitavelmente menos feliz que o expectável) nos debates com Passos Coelho e Aguiar-Branco tem sido escalpelizada pelos media em geral e pela socrática em particular é um exemplo vivo disso mesmo. Uma escolha cuidadosa, todavia devidamente enfatizada, dos momentos mais titubeantes, das expressões menos felizes, das hesitações e de expressões faciais que denotem algum embaraço tem sido a imagem de marca das reportagens que respigam aquilo que se pretende mostrar como o todo da prestação de Rangel.


É uma prática deplorável, muito cínica, muito socialista e na qual, infelizmente, o PSD parece estar alegremente, a alinhar. Depois queixem-se…


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quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Mentiras sem vídeo


Henrique Monteiro, director do Expresso

[3665]


«José Sócrates terá pressionado o director do Expresso para que o jornal não publicasse a notícia sobre os atropelos do processo da sua licenciatura, revelou ontem Henrique Monteiro na Comissão Parlamentar de Ética. Na véspera da saída do artigo, o director recebeu "um telefonema de uma hora, bastante desagradável", do primeiro-ministro, em que este lhe pediu "por tudo para não publicar", mas nem sequer quis fazer um desmentido ou alguma correcção, salientou Henrique Monteiro».

Começa a ser para mim irrelevante a substância das trapalhadas de Sócrates. Porque chegámos a um ponto em que tropeçamos numa pedra e (rufos) aí está ele no seu esplendor, através de tios, filhos dos tios, boys, amigalhaços, sócios, ligado a episódios mais ou menos espúrios e que comprometem claramente a imagem que se exige preenchida pelos mínimos da decência, no caso de um primeiro-ministro de uma nação europeia.

A mim, o que verdadeiramente me impressiona é a contínua, contínua, repito, evidência, do carácter da criatura, quando sou confrontado com declarações deste género e que, como sabemos, não são desmentidas. As declarações são produzidas e depois, Pinto Monteiro this, Presidente do Supremo that, mais o bastonário que não só, juristas avulsos que também e tudo se plasma depois num limbo que tresanda a trapaça, por um lado, e a uma forma pouco recomendável de lidar com as exigências da vida e com o respeito aos cidadãos que o elegeram.

No caso da licenciatura, e em contraponto aos argumentos mais díspares com que os “abrantes” do costume infestaram a blogosfera, jornais e televisões, é preciso vincar bem que o que está em causa não é o facto de Sócrates ser ou não licenciado mas sim a forma como a obteve, que reflecte bem a noção que Sócrates tem de ética e, não menos importante, do respeito que lhe deveriam merecer aqueles que andaram quatro anos a obter uma licenciatura (cinco e mais um de estágio, no meu tempo…).

Sendo do domínio geral que a licenciatura de Sócrates inclui datas rasuradas, datas suspeitas, “fins-de-semana de trabalho” para assinar despachos, cartões de visita e, sobretudo, a desfaçatez com que Sócrates continua a tomar toda a gente por parvos nas entrevistas com que vai sendo obsequiado (a última foi a de Miguel Sousa Tavares que se não quiser ser tomado por Socrático deveria desde já apresentar uma declaração de interesse), gritando, insultando, tergiversando, achincalhando (adoro o seu “era o que mais faltava”…) e negando-se SEMPRE a responder cabalmente às perguntas que, apesar de tudo, lhe vão sendo colocadas.

Quando um director de um jornal como o Expresso produz as declarações acima e tudo parece ficar na mesma, conclui-se que Sócrates está realmente a mais. E comungo da opinião de alguns de que não há custos acrescidos, eleições antecipadas, agravamento da situação económica, dificuldades acrescidas para a já difícil vida dos portugueses, que justifiquem a manutenção em exercício de um homem que consabidamente mantém uma linha de rumo muito prejudicial para todos nós e que claramente nos envergonha. Digam os “Abrantes” o que disserem. Este episódio relatado pelo Público (que, de resto, já era conhecido) não requer provas, nem configura constituição de arguidos ou crime de quebra de segredo de justiça. Reflecte, tão só, uma lamentável falta da vergonha que Sócrates não tem.
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terça-feira, fevereiro 23, 2010

Encore


[3663]

O que significa para o Tomás Vasques a entrevista ter corrido bem a José Sócrates? Se significa que ele fez um repositório de toda a retórica que tem vindo a usar para dispersar e diluir factos iniludíveis e incontornáveis, usando das facilidades que lhe confere a sua excelente oralidade e a apatia de um Miguel Sousa Tavares, mais preocupado em apontar a dedo aos malefícios da quebra do segredo de justiça, correu muito bem. Só que nada “daquilo” é novo. Nem o argumentário de Sócrates, nem um MST absolutamente moldado às circunstâncias, colaborante, titubeante e incapaz de agarrar num facto que fosse e submetê-lo, ali e no momento, a ser descascado sem ser da forma que Sócrates já fez com Judite de Sousa, no Parlamento, à porta de vários gabinetes, em comícios… quiçá na casa de banho, treinando para um espelho.

Se a isto se chama uma entrevista correr bem, então o Tomás Vasques pode estar descansado porque ela não correu bem – correu de forma excelente. Mesmo tendo ficado tudo na mesma e com o MST com cara de quem, com o seu novo programa, descobriu a cana para o foguete.

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domingo, fevereiro 14, 2010

A vergonha geral


[3652]

«...Consta que lhe chamam agora "mentiroso" na Assembleia da República, eufemística ou directamente. António Capucho sugeriu que o próprio PS o substituísse por uma criatura mais previsível e cordata. E até socialistas com alguma influência se afastam dele. Não há dúvida de que, no estado em que está (e de que não tem maneira de sair), Sócrates já não pode ser primeiro-ministro. E só continua porque o Presidente e a direita o aguentam, em nome de uma responsabilidade espúria e de uma discutível conveniência partidária. Entretanto, Portugal vai ao fundo e Sócrates, metido num bunker, anda em guerra com os seus fantasmas. Perdeu a confiança do cidadão comum e, naturalmente, arrastou o Governo com ele. É uma presença perigosa. Pior ainda: é uma presença nociva...»

Vasco Pulido Valente, Público
Ler a crónica toda, aqui
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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Os idiotas do costume

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Hoje há um programa de choque na RTP. Chama-se… não me ocorre agora, e trata de duas mulheres lésbicas que, exactamente porque o são, não se podem casar, não têm emprego, não têm casa e passam fome.

Eu acho que o enunciado do programa é dramático, infeliz e de gosto grosseiro, porque associam a desgraça ao facto de as moças serem lésbicas. Por duas razões. A primeira, porque sei de muita gente sem emprego sem casa e com fome e, em alguns casos, também não podem casar, por razões económicas e que não são lésbicas nem gay. Depois, porque acho imoral e profundamente imbecil que se associe, “tout court” o lesbianismo às dificuldades de inserção social de muita gente e, "en passant" se associe o fenómeno ao estrépito qjue um programa destes pode eventualmente provocar, apenas porque se acha que o drama de duas lésbicas sem-abrigo vai tocar fundo no coração das audiências e cumpre o ritual de focar o “politicamente correcto” numa religião e a homossexualidade numa virtude teologal.
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segunda-feira, janeiro 18, 2010

Paquetices


[3593]

“…Não comecei no jornalismo como paquete. Vítor Rainho foi paquete no ‘Expresso’ e é subdirector no ‘Sol’. Está pior no ‘Sol’ que no ‘Expresso’. É subdirector sem ter deixado de ser paquete. Um paquete pacóvio e mal-educado…”

Que Emídeo Rangel se expressava mal e era um malabarista medíocre no circo do proselitismo em redor do Grande Líder, já eu tinha percebido. Que era um casca-grossa e com uma noção totalmente distorcida do mérito é que foi novidade para mim. Mas também, who cares?
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terça-feira, janeiro 12, 2010

Asfixiante


[3581]

Ainda me lembro do gáudio que a asfixia democrática de Ferreira Leite provocou nas hostes progressistas e claques socretinas, à altura. O termo foi glosado nas 1001 posições que a fértil e abnegada imaginação dos conhecidos paladinos do regime podia proporcionar.

O tempo passou e agora aconteceu isto. Se isto não é asfixia, então o que é? Não tanto o desfecho (saída de Marcelo) mas mais o percurso meticuloso, paciente e milimétrico que foi usado até Rebelo de Sousa se fartar daquela gente.

Asfixiante!
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domingo, janeiro 10, 2010

Será que eles não dão por ela? Se calhar, não (leitura obrigatória)

[3578]

Pacheco Pereira hoje, no PÚBLICO:


«O que mais me assusta é a irresponsabilidade de toda esta “festa”. Os jornais e as televisões ardem de falsa indignação quando um deputado chama palhaço a outro ou o manda a qualquer lugar feio, mas não é isso que ajuda a estragar o Parlamento: é o momento em que este, sem sequer parar para pensar, se desvia do país para navegar causas absurdas com as quais gasta as melhores das suas palavras. Quando ouvia interiormente o «tirem-me daqui», foi quando assistia aos discursos grandiloquentes sobre o dia da «decência», o momento de «grande dignidade», a «reparação dos direitos ofendidos», a dádiva da “maior felicidade”, com hipérbole sobre hipérbole, desde o primeiro-ministro aos Verdes, do Bloco de Esquerda ao discurso de puro insulto inflamado de um deputado da JS.
No meio disto tudo, o discurso de Vale de Almeida parecia um exemplo de moderação, apesar do seu tom de oração evangélica aos «irmãos e irmãs», que fazia chorar as pedras da calçada. E mesmo Assis, que é bem melhor do que a sua bancada, colocava entre parêntesis o seu pessimismo antropológico para saudar o «progresso» daquele dia, em que o Sol rasgava as trevas ignaras da Reacção. Parecia o Congresso a aprovar a Declaração da Independência. Só o PCP, embora votando junto com a esquerda, mantinha uma reserva e discrição envergonhada, eles que ainda mantêm o fio da corrente ligado à terra e sabem bem que tudo aquilo é mais folclore do que qualquer emancipação de um direito. E era tudo, no fundo, tão ridículo, que eu me perguntava:
será que «eles» não dão por ela? Se calhar não.
As principais vítimas de tudo isto serão aqueles que amam ou desejam alguém do mesmo sexo, homossexuais e lésbicas, mais os primeiros do que as segundas, que sitiados por uma sociedade que efectivamente os hostiliza e maltrata, serão vítimas de ver o seu amor ou o seu desejo ainda mais marginalizado pela exibição mais ou menos folclórica e «fracturante» de meia dúzia de intelectuais, pequenos e médios criadores e artistas, gente do mundo da comunicação social, das indústrias culturais, da moda, urbana, jovem, bem arranjada e chique, que em conjunto com alguns políticos, deram origem a uma pseudocausa, de um pseudodireito, o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Partido Socialista frágil nas suas convicções e sem uma ideia consistente para o país, que cada vez menos conhece, abriu a brecha por onde o Bloco de Esquerda entrou. E não o fez só agora, já com a legislação sobre o divórcio se andam a meter nas andanças da engenharia social «fracturante», gerando uma sociedade mais fragilizada e menos justa para os fracos, como as mulheres divorciadas por carta e os homossexuais que não pertencem à beautiful people.»
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terça-feira, janeiro 05, 2010

Ele há gente…


[3566]

…esquisita. No mínimo.

«Todas estas medidas, adoptadas na sequência do tentado atentado do jovem nigeriano e da maléfica histeria crónica de Dick Cheney, poderão vir a ser ainda complementadas por outras até que a democracia americana se torne virtualmente indistinguível de um país fundamentalista muçulmano. Os hábitos serão diferentes, mas o grau de liberdade semelhante.» – José Vítor Malheiros, PÚBLICO, 5 de Janeiro de 2010

Se isto não é esquisito, não sei o que esquisito é. Gosto particularmente do «tentado atentado» e do «jovem nigeriano». Ah! E da «maléfica histeria», claro.

Via Helena Matos no Blasfémias

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segunda-feira, outubro 05, 2009

Machos «sementeiros»


[3392]

Há aquilo que normalmente se designa por baterias de jaulas para poedeiras. As galinhas são metidas num espaço exíguo onde praticamente não se podem mexer para que não gastem energias e ali ficam, cumprindo a sua nobre missão de postura, fornecendo ovos para alimento da grei.

Ora, em face disto, o que eu sugiro é que se construam jaulas para machos humanos heterossexuais, com um espaço apropriado para o aumento de volume dos respectivos pénis sempre que artificialmente erectos, antes de serem masturbados para recolha de sémen. Independentemente dos postos de trabalho que isto provocaria (já agora, e assim como assim, mulheres) isto teria a vantagem de proporcionar às crianças pais mais tranquilos e seguros, afectuosos e confiantes, através de casais homossexuais, em vez de pais neuróticos, ansiosos e inseguros como os pobres heterossexuais que tiveram a animalesca ideia de gerar um filho através de uma pouco científica e promíscua cópula.

É isto que um jornalista abalizado (balizado???) da nossa praça refere, Céu Neves de seu nome, baseado em conclusões surpreendentes de uma tese em psicologia sobre homoparentalidade, que desfaz estereótipos como o de que uma criança criada por homossexuais tem maiores probabilidades de ser gay ou lésbica. Há ainda uma psicóloga, Vanessa Ramalho, que afirma que a "identidade sexual da criança é formada muito precocemente, muito antes do bebé conseguir distinguir um homem de uma mulher. O que conhece são os cuidadores e faz uma síntese das características que gosta e que não gosta neles".

Segundo a tese daquela psicóloga, "Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental", os homossexuais revelam ser bons cuidadores. "Verificam-se características idiossincráticas e comportamentos educativos adequados, promotores de boa parentalidade, que assim assumem índices desenvolvimentais e relacionais, indutores de adaptação emocional e maturidade psicológica." E vai ao ponto de afirmar que pais homossexuais até podem trazer vantagens para a educação de uma criança, até porque um filho resulta, em geral, de muita ponderação e tempo de espera.

Há ainda e até, uma Ana que é lésbica e foi mãe de gémeos através de uma inseminação artificial no estrangeiro. E acredita que a homossexualidade pode ser uma vantagem. Considera que "um pai/ mãe homossexual que seja assumido é, à partida, um indivíduo mais flexível, de mentalidade mais aberta ao mundo e ao que possa fugir do padrão instituído pela sociedade".

Ana recorda a "felicidade imensa" que foi para os seus pais o nascimento dos seus filhos, numa altura em que "já tinham perdido a esperança de ter netos", aceitando "naturalmente" a namorada e a relação que ela tem com os gémeos. E conclui: "Parecem-me crianças felizes e despreocupadas e, apesar da pouca idade, já perceberam que a mamã não tem um marido e que não têm um pai nos moldes da maioria dos amiguinhos, mas sinto que vivem isso de uma forma natural, porque eu e a minha família isso lhes transmitimos."

E não falta um Manuel com uma história de paternidade para contar. O filho, de 12 anos, resultou de um casamento heterossexual. A criança viveu com ambos os pais até aos sete anos, altura em que o pai se assumiu como gay. Ficou a viver com a mãe, mudando-se no último ano para a companhia do Manuel e do companheiro por "uma questão de logística". Imagine-se a sorte do filho do Manuel que, mesmo assim, teve de esperar sete anos para ser feliz, quando o pai assumiu a homossexualidade.

Voltando às jaulas (ou gaiolas, para quem não saiba gaiola é o calão para punheta em Trás os Montes. As coisas que eu sei…). Eu penso que é premente avançar com a ideia. No fundo, os heterossexuais só atrapalham, para além de encher a sociedade de preconceitos que até, no limite, podem muito bem provocar disfunção eréctil nos homossexuais. Além de que não se pode acabar com a matéria-prima para o fabrico de bebés. Selecciona-se as castas e estirpes, cataloga-se a morfologia e caracteres genéticos e mete-se os machos nas gaiolas (não esquecer a geometria variável das mesmas, para a erecção induzida, antes de cada colheita) e vamos procriando alegremente. Numa sociedade justa, descomprometida, moderna e, sobretudo, sem a chatice da queca, uma coisa que só atrapalha e, naturalmente, um mau exemplo para as criancinhas.
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Agricultura geral


[3391]

«A Associação Internacional Shark Alliance refere que existem poucos limites na Europa para a captura destes mamíferos (SIC) …»

(Maria Mateus, que eu não sei quem é, numa reportagem do último Sol sobre o «finning», pesca de tubarões para aproveitamento das barbatanas, a páginas 33 do referido semanário)

Por mim sempre dispensei a sopa de barbatana de tubarão. Sabe-me a leite, logo eu que mamei até aos dezasseis meses.

Em todo o caso, a reportagem de Maria Mateus é interessante. Não fala só de tubarões. Também fala de organismos fitoplanctónicos, que são assim, como dizer, uma espécie de batráquios anuros a dar ares de coleópteros em fase de gravidez ectópica e que podem ser facilmente confundidos com seres lamelibrânquios, como o ornitorrinco que, como se sabe, abunda nas florestas tropicais da costa leste da Gronelândia.

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quarta-feira, setembro 30, 2009

Coitado! E agora?


Foto que o DN escolheu hoje para ilustrar a comunicação de Cavaco Silva. Esta gente não brinca em serviço

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A propósito da comunicação de ontem e passando pelos jornais e posts de hoje, acho verdadeiramente hilariante a preocupação dos adversários de Cavaco Silva sobre a distinta possibilidade de ele ver a sua recandidatura ameaçada. Só falta dizer. E agora?
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terça-feira, setembro 22, 2009

Pecado capital


[3366]

Por causa deste post, ou muito me engano ou deve estar a sair por aí um artigo modernaço e esclarecido acusando Pacheco Pereira de ser católico, o que, como se sabe, é pecado. Pior, um católico camuflado, embutido, disfarçado, envergonhado mas activo e, por isso mesmo, retrógrado, passadista, saudosista e, de caminho, «fassista». Ou muito me engano ou deve estar a aparecer por aí. Num jornal ou blogue perto de si.
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sexta-feira, setembro 04, 2009

«Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade»


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Está tudo aqui, neste notável artigo de Eduardo Cintra Torres, no Público:


«A decisão de censurar o Jornal Nacional de 6ª (JN6ª) foi tudo menos estúpida. O núcleo político do PS-governo mediu friamente as vantagens e os custos de tomar esta medida protofascista. E terá concluído que era pior para o PS-governo a manutenção do JN6ª do que o ónus de o ter mandado censurar. Trata-se de mais um gravíssimo atentado do PS de Sócrates contra a liberdade de informar e opinar. Talvez o mais grave. O PS já ultrapassou de longe a acção de Santana Lopes, Luís Delgado e Gomes da Silva quando afastaram a direcção do DN e Marcelo da TVI. A linguagem de Santos Silva e do próprio Sócrates na quinta-feira sobre o assunto não engana: pelo meio da lágrimas de crocodilo, nem um nem outro fizeram qualquer menção à liberdade de imprensa. Falaram apenas dos interesses do PS e do governo. Sócrates, por uma vez, até disse uma verdade: o PS não intervinha no JN6ª. Pois não, foi por isso que varreu o noticiário do espaço público. O PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros. Criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas. Intervém nas empresas de comunicação social. Legisla contra a liberdade. Fez da ERC um braço armado contra a liberdade (a condenação oficial do JN6ª pela ERC em Maio serviu de respaldo ao que aconteceu agora). Manda calar os críticos. Segundo notícias publicadas, pressiona e chantageia empresários, procura o controle político da justiça e é envolvido em escutas telefónicas. Cria blogues de assessores com acesso a arquivos suspeitos que existem apenas para destruir os críticos e os adversários políticos. Pressiona órgãos de informação. Coloca directa ou indirectamente “opiniões” e “notícias” nos órgãos de informação. Etc. O relato da suspensão do JN6ª, no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias e outros jornais de ontem é impressionante, sinistro e muito perigoso. Provir de supostos “socialistas”, portugueses e espanhóis, em nada diminui a gravidade desta censura. Esta suposta “esquerda” dos interesses, negócios e não resolvidos casos de justiça é brutal. Intervindo na TVI, o PS-Governo atingiu objectivos fundamentais. Como disse Mário Crespo (SICN, 03.09), o essencial resume-se a isto: J.E. Moniz e M. Moura Guedes foram eliminados —e com eles as direcções de Informação e Redacção e um comentador independente como V. Pulido Valente. Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade. Até o seu fundador está preso nesta teia, por razões que têm sido referidas. Ao reduzir a censura anticonstitucional, ilegal e protofascista do JN6ª a um caso de gestão, Soares desceu ao seu mais baixo nível político. É vergonhoso que seja ele, o da luta pela liberdade, a dizer uma coisa destas. Será que em 1975 o República também foi calado só por “razões de empresa”? O PS-governo segue o mesmo caminho de Chàvez, ao perseguir paulatinamente, um a um, os seus críticos: e segue o mesmo caminho de Putin, ao construir uma democracia meramente formal, em que se pode dizer que a decisão foi da Prisa não dele, em que se pode dizer que os empresários são livres, que os juízes são livres, que os funcionários públicos são livres, que os professores são livres, que os jornalistas são livres, que a ERC é livre, etc — mas o contrário está mais próximo da verdade. Para todos os efeitos, Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo.»

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quinta-feira, setembro 03, 2009

É o que dá ter a espinha direita

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quinta-feira, junho 18, 2009

Careless whisper


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Adormeci dengoso e acordei anda sensibilizado e de alma doce pelo mel que Sócrates derramou ontem na sua entrevista à SIC. Sócrates não falou, murmurou, Sócrates sorriu, em regime permanente, deixou bucolicamente fluir as perguntas e acenava com a cabeça, ainda as perguntas vinham a meio. Verdade que a entrevistadora, pestanuda, sensual e com aquele tom imutável que ela usa e nos transporta irresistivelmente para um romance etéreo, em cenário de nuvens brancas e céu azul, ajudou. Mas, francamente. Ouvir Sócrates plastificado e cirurgicamente convertido a um registo sussurrante, cordato e empático teve em mim o mesmo efeito que me causaria, por exemplo, ver e ouvir o Mário Crespo aos berros, de dedo no ar, invectivando um qualquer entrevistado assustadiço e encurralado.
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