terça-feira, maio 18, 2010

Afinal...

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A excitação foi tanta que assistimos a um claro exemplo de ejaculação precoce.

Parece que já há tratamento para a coisa mas, pelo sim pelo não, nada como estar tudo a postos para o que se der e se vier.

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domingo, janeiro 10, 2010

Será que eles não dão por ela? Se calhar, não (leitura obrigatória)

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Pacheco Pereira hoje, no PÚBLICO:


«O que mais me assusta é a irresponsabilidade de toda esta “festa”. Os jornais e as televisões ardem de falsa indignação quando um deputado chama palhaço a outro ou o manda a qualquer lugar feio, mas não é isso que ajuda a estragar o Parlamento: é o momento em que este, sem sequer parar para pensar, se desvia do país para navegar causas absurdas com as quais gasta as melhores das suas palavras. Quando ouvia interiormente o «tirem-me daqui», foi quando assistia aos discursos grandiloquentes sobre o dia da «decência», o momento de «grande dignidade», a «reparação dos direitos ofendidos», a dádiva da “maior felicidade”, com hipérbole sobre hipérbole, desde o primeiro-ministro aos Verdes, do Bloco de Esquerda ao discurso de puro insulto inflamado de um deputado da JS.
No meio disto tudo, o discurso de Vale de Almeida parecia um exemplo de moderação, apesar do seu tom de oração evangélica aos «irmãos e irmãs», que fazia chorar as pedras da calçada. E mesmo Assis, que é bem melhor do que a sua bancada, colocava entre parêntesis o seu pessimismo antropológico para saudar o «progresso» daquele dia, em que o Sol rasgava as trevas ignaras da Reacção. Parecia o Congresso a aprovar a Declaração da Independência. Só o PCP, embora votando junto com a esquerda, mantinha uma reserva e discrição envergonhada, eles que ainda mantêm o fio da corrente ligado à terra e sabem bem que tudo aquilo é mais folclore do que qualquer emancipação de um direito. E era tudo, no fundo, tão ridículo, que eu me perguntava:
será que «eles» não dão por ela? Se calhar não.
As principais vítimas de tudo isto serão aqueles que amam ou desejam alguém do mesmo sexo, homossexuais e lésbicas, mais os primeiros do que as segundas, que sitiados por uma sociedade que efectivamente os hostiliza e maltrata, serão vítimas de ver o seu amor ou o seu desejo ainda mais marginalizado pela exibição mais ou menos folclórica e «fracturante» de meia dúzia de intelectuais, pequenos e médios criadores e artistas, gente do mundo da comunicação social, das indústrias culturais, da moda, urbana, jovem, bem arranjada e chique, que em conjunto com alguns políticos, deram origem a uma pseudocausa, de um pseudodireito, o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Partido Socialista frágil nas suas convicções e sem uma ideia consistente para o país, que cada vez menos conhece, abriu a brecha por onde o Bloco de Esquerda entrou. E não o fez só agora, já com a legislação sobre o divórcio se andam a meter nas andanças da engenharia social «fracturante», gerando uma sociedade mais fragilizada e menos justa para os fracos, como as mulheres divorciadas por carta e os homossexuais que não pertencem à beautiful people.»
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quarta-feira, janeiro 06, 2010

Os superiores interesses não sei das quantas


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Por uma vez, e sem exemplo, me manifestarei sobre o «casamento», que não é casamento, entre um «casal» do mesmo sexo, que também não é casal, quanto mais não seja por definição. É uma questão de abrir o dicionário. Mas adiante, que a reflexão não é esta. É tão só a desprezível hipocrisia que sustenta o tema, sobretudo atentando na forma como é justificada a proibição de um “casal” do mesmo sexo adoptar crianças. E porquê? Por causa dos superiores interesses da criança. Donde, tanto quanto a literacia me permite entender, o casamento entre dois indivíduos do mesmo sexo não se enquadra numa moldura compatível com os superiores interesses da criança. Não sou eu que digo, dizem eles, os da lei.

Isto parece meio kafkiano, senão kafkiano por inteiro. O Partido do Governo promete agendar o casamento gay para a legislatura corrente. Depois leva o assunto ao Parlamento, «contratando» mesmo um conhecido gay para deputado, expressamente para as cortesias do evento, mas depois proíbe a adopção. No superior interesse das crianças. Supõe-se, assim, que o casamento gay, aos olhos das crianças, seja uma malfeitoria sem nome, ou então andamos todos a brincar à apanhada.

É a chamada conversa da treta. Infelizmente o assunto é demasiado sério e delicado para ser tratado com tamanha irresponsabilidade. Nada, afinal, que surpreenda com o governo que temos.
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quinta-feira, dezembro 17, 2009

You may now kiss the... spouse


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Parece ser hoje o primeiro dia do resto da vida dos Manueis que vão, enfim, poder casar com os Joaquins, as Manuelas casarão com as Marias e tudo ficará na paz do Senhor. E como nos contos de fadas, após a aprovação da lei casam-se todos e só não terão muitos filhinhos porque desconfio que ainda não dá. Nada que não se resolva quando debaterem a adopção dos filhos feitos pelos Joaquins que em vez de casarem com os Manuéis casarão com as Manuelas e pelos Manueis que casarão com as Marias. Nada de muito complicado, é preciso é flexibilidade e quem não salta… não é da malta.

Depois da lei haverá ainda um período de nojo durante o qual os Manueis que casam com as Marias continuarão a ser apelidados de incultos, alarves e homofóbicos, mas sem servir beberete. As críticas permanecerão pela comunicação em geral e pelo Prós e Prós da Fatinha em particular e, ainda, o Manuel Acácio do Forum da TSF continuará a ralhar com os estúpidos dos ouvintes que ousem botar discordância. Até que a coisa se dilua, que até as coisas se diluem na voragem da rotina dos casamentos.

Resta-me deixar aqui as melhores felicidades aos nubentes. You may now kiss the bride… the groom… well… whoever.
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terça-feira, agosto 18, 2009

Uhhhh! He needs a cocktail, now!

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"Eu acredito que um casamento deveria acontecer entre um homem e uma mulher. Isso não é nenhuma ofensa às outras pessoas, mas é como eu fui criada."

"Eu não aceitaria dizer qualquer outra coisa. Eu disse o que eu sinto. Eu dei uma opinião que é verdadeira comigo mesma e isso é tudo o que eu posso fazer".

E eis que, de repente, aparece uma miss que além de bonita fala de forma escorreita e pensa pela própria cabeça. O resultado é que em vez de se pronunciar pela paz, pela justiça entre os homens e se referir às criancinhas a ser comidas pelas moscas na Etiópia, achou que devia responder com sinceridade à pergunta sobre a sua opinião acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo, feita por um blogger e activista gay de nome Perez Hilton que, entre outras coisas, achou que Carrie se resumia a half a brain e era uma bitch ordinária e que acabara de ser vaiada com toda a justiça (este Hilton, com jeitinho e se tivesse um blogue português ainda chamava filho da puta a alguém), por causa da resposta que ela deu.

Bem se esforçou Carrie Prejean em tornar claro que aquela era a sua opinião e que nada tinha contra gays, isso não evitou que Hilton espumasse uma série de diatribes contra a atrevida que, entretanto, perdeu o concurso a favor de uma outra concorrente, objectivamente porque o juiz Hilton ficou «arrasado» e achou que a resposta de Carrie «alienou milhões de americanos gays e lésbicas, as suas famílias e os seus apoiantes».

Vale a pena ver o vídeo aqui. A partir deste vídeo pode aceder a vários outros sobre o mesmo tema, incluindo uma entrevista do arrasado Hilton a Larry King.

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sexta-feira, julho 31, 2009

Lá terão que se amancebar...


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Ora aqui está mais matéria para a solução de continuidade de mais um dos grandes desígnios nacionais. O casamento de papel passado entre homossexuais. Vai haver, de certeza, a tonitroância do costume nos jornais, televisões e correlativos, Louçã vai rrrrrrrrrrecalcitrrrrrrrar loucamente, desafiando uma vez mais a apoplexia, sobre o tema, Joana Amaral Dias é muito bem capaz de ficar boa, salvo seja, da rouquidão que a tem atacado ultimamente e Sócrates vai usar o termo «desde logo» e «aquilo que são» mais vinte vezes a propósito do casamento gorado das senhoras.

Quanto ao cerne da questão, àquilo que verdadeiramente interessa, deixo aqui uma sugestão: Hotel Íbis na A5 está com preços de promoção,
derivado à season.
Estou certo que os quartos estão com uma tarifa mais barata que o custo dos recursos em tribunal.

Já quanto a mim, preparo-me para deixar que um par de amigas modernaças me chame homofóbico, apesar de saberem que o não sou, situação que tratarei com bom feitio pela amizade que lhes tenho, mas a que não darei grande saída porque não me está a apetecer muito falar sobre cretinismo. Nem homo nem hetero.
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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Casamentos unissexuais

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Ler todo o texto aqui.

Manuel João Ramos terá feito falta no debate da RTP.
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quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Chuac!


[2948]

Nestes dias de convulsa discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apetece-me desconstruir o emaranhado de teorias, teses, convicções, evidência científica e desabridas intervenções sobre a verdade única do amor entre dois indivíduos, independentemente do género, e eleger o beijo entre o homem e a mulher como um das mais elevadas manifestações de amor, desejo, erotismo, amizade, cumplicidade e paixão. Só o beijo de uma mulher consegue pôr um homem com a expressão do Donald, cabelos em pé e pingas de suor a espirrar do couro cabeludo, olhos semi-cerrados de gozo e surpresa pela magia “aparvalhante” decorrente de um beijo, e a mulher com a expressão coquete, sensual e apetitosa, olhos pestanudos, lábios molhados e cabeça a expelir coraçõezinhos vermelhos como nos postais de S. Valentim, como a da Daisy.

Peço licença para achar que não sou homofóbico (expressão totalmente errada, parece que a maioria das pessoas desconhece o significado de fobia, mas não quero desmerecer da vulgata semântica que percorre a espinha dos “prós”, apesar de bastar uma simples ida ao dicionário para tirar dúvidas), que tenho o máximo respeito pelo próximo e me é totalmente indiferente o que se passa na cama de cada um (penso que esta expressão "na cama com" vai perdurar, depois do último "Prós e Contras"). Tal qual agradecia que me deixassem em paz e não me violentem a razão e a paciência com a imposição de regras e conceitos científicos para justificar campanhas e movimentos claramente inquinados por posições e conteúdos políticos. Sobretudo quando estas posições políticas remetem para os suspeitos do costume, aqueles que dada a sua comprovada inabilidade para assumirem responsabilidades políticas mais elevadas, se entretêm alegremente a eleger as tais causas fracturantes como émulos da sua própria existência.
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terça-feira, fevereiro 17, 2009

Prós e Contras (não há como evitar...)


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Sobre o Prós e Contras de ontem, não concordo muito com esta ideia de que os "contras" foram cilindrados. Nem sempre a capacidade histriónica de alguns dos "prós" (incluindo os crónicos valetes de serviço) chega para cilindrar opiniões serenas e bem estruturadas como as do Padre Vaz Pinto e de um jurista (que não conheço), salvo erro de nome Pinheiro Torres. É verdade que intervenções infelizes como a do representante das famílias por vezes deitam a perder o contexto geral mas, por outro lado, os "prós" também tiveram os seus momentos de desgraça (e estou a lembrar-me dos termos desabridos e desarticulados da jurista magrinha que estava na mesa e de quem não me ocorre o nome).

Importante para Sócrates e para o Governo é que o essencial foi conseguido. Reabrir uma fonte de debate que precederá a eutanásia e a adopção e enquanto o pau vai e vem folgam as costas. Acolitado com eficiência pelos convidados permanentes, Sócrates vai levando a água ao seu moinho. Quanto ao debate em si, nada de verdadeiramente novo surgiu. Para além de que um casaco amarelo com meias azuis relevam de um gosto no mínimo duvidoso.

Nota: Via João Gonçalves apercebi-me deste post escandalizado de Miguel Vale de Almeida, Dizia ele “Como é que um ser humano normal se sujeita a ir ao programa de Fátima Campos Ferreira?” Uma semana depois desta dúvida pungente, lá estava ele a perorar sobre a matéria. De duas, uma. Ou não é um ser normal (e nada me indica que o não seja) ou descobriu a virtude num programa que abominava. São os segredos e os encantos da televisão.

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terça-feira, outubro 14, 2008

A gritaria


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Tenho acompanhado a abundante vaga de opiniões sobre a legalização do casamento entre homossexuais. Sem surpresa, as opiniões coincidem com o que vamos conhecendo dos blogues que lemos.

Do que tenho lido, há um aspecto (entre outros, claro) que me impressiona bastante. A convicção de que muitos homossexuais verão com profundo desagrado a intervenção dos arrivistas do costume, dos que se auto-elegem seus fiéis mandatários e mais não fazem nem dizem que marcar a sua posição de caprichoso proselitismo, insuportavelmente vaidosos e de um atroz oportunismo.

Tenho a certeza de que muitos homossexuais gostariam que estes procuradores de ocasião se calassem e não contribuíssem decisivamente para o aviltamento da sua orientação sexual.

Nota: vale a pena ler alguns posts e comentários no Blasfémias sobre este tema.
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