quarta-feira, setembro 20, 2017

Não é que sonhei com ele?



[6182]

Isto está grave. Por muito estranho que pareça, acordei estremunhado, saído de um sonho onde eu percorria várias ruas de Lisboa, pedindo que alguém me desse uma razão, UMAZINHA que fosse para se dar o voto a Medina nas autárquicas. Já acordado, reflecti, entre os golos do meu habitual e delicioso café, que pagaria de bom grado um almoço a quem me explicar a razão pela qual as sondagens, os jornais, as TV’s, a opinião publicada, são unânimes em considerar Medina o natural e legítimo (???) vencedor das autárquicas.

O que terá feito este genro feliz, este ajustador directo de obras urgentíssimas, este afortunado herdeiro da Câmara mais importante do País, este jovem de sonsa expressão e verbo trivial, este aprendiz de político hábil, este protegée das televisões que o entrevistam amiúde, com temas e perguntas inócuas e de respostas óbvias, este trapalhão de estratégias eleitorais que transformou Lisboa numa cidade caótica para se circular e estacionar, tudo em nome do sacrossanta doutrina de acabar com os malditos carros, em linha com o pensamento idiota de que devemos todos andar de bicicleta ou caminhar em extensos e largos passeios desoladoramente vazios, criando até curvas e nós onde algumas viaturas, como os transportes públicos, não conseguem sequer circular, este homem sem ideias, de fala mansa e expressão submissa, atenta, veneradora e obrigada, este candidato, enfim, a merecer o estatuto de inevitável vencedor das autárquicas em Lisboa?

Vão por mim. Pago mesmo um almoço num restaurante agradável, perto do mar e cardápio excelente a quem me souber explicar este fenómeno. Mas quem me manda a mim sonhar com Medina?


*
*

Etiquetas: , , ,

quinta-feira, outubro 10, 2013

Viró disco?



[4998]

Nunca cheguei a falar das autárquicas. Talvez porque não houvesse muito que falar. Todavia, gostaria apenas de registar o facto de o Porto ter dado a vitória a Rui Moreira. O que acho óptimo, em face da asneirada do PSD em ter depositado as suas “odds” de vitória na base das benesses de um Meneses que, impressão minha ou ia chorando outra vez na hora da derrota. Juraria que se fosse no Coliseu em Lisboa, tê-lo-ia feito, por entre uns queixumes sobre o elitismo sulista.

Com Meneses mai-los seus porcos, rendas de casa e impulsos discursivos mais apropriados aos parolos que ele continua a julgar que os eleitores são, restava o Pizarro socialista e Moreira. Por isso… acho que está bem. Mas lembrando-me de Moreira num daqueles programas desportivos em que ele abandonou a sala em directo por não ter argumentos para defender o que, na verdade, era indefensável (falava-se do «apito dourado»), relativamente ao seu FêQuêPê, mais a sua indesmentida aderência ao «fixe» Soares, leva-me a recear que a segunda cidade portuguesa passe a ter, de novo, aqueles arraiais na varanda da Câmara Municipal de cada vez que o clube da terra ganha campeonatos, o que acontece com frequência. Coisa com que Rui Rio tinha acabado, afirmando que aquele era um lugar cuja desejável solenidade não se compaginava com os festejos do campeonato. Quanto ao Soarismo de Moreira, quero crer que os humores recentes de Mário Soares poderão ter arrefecido os entusiasmos do autarca agora eleito pelos portuenses.

*
*
*

Etiquetas: , ,

sábado, setembro 21, 2013

Snobíssimo


[4983]

Pacheco Pereira «estragou» a festa da Quadratura do Círculo, depois do inefável Jorge Coelho (há-dem ver como ainda vamos ver Coelho a cantar o Only you outra vez) parodiar os cartazes das autárquicas que andam por aí. PP afirmou que brincar com os cartazes era uma snobeira (SIC) intolerável. Mas, como em tudo em Portugal, há snobeiras boas e snobeiras más, dependendo de quem é snob. E assim, Pacheco Pereira já achou que com os cartazes do porco no espeto se podia gozar à vontade. E como ele gozou. Até levava um exemplar duma festa de porco no espeto e Quim Barreiros (este, felizmente, sem espeto, mas acho que o mote está dado para Barreiros lançar uma nova letra que meta espeto…), organizada pelo PS.

Há necessidade de andarmos atentos às celebridades. E só nos rirmos depois de vermos se podemos. Se são piadas como deve ser.

*
*
.

Etiquetas: , ,

Lisboetas trocistas... trocem, trocem, trocem



 [4982] 

 …o Benfica nunca perde, às vez não ganha, mas o Benfica nunca perde. E os lisboetas vão no passeio cheios de buracos e …trocem um pé (aos 1:37minutos).  


*

Etiquetas: ,

segunda-feira, outubro 12, 2009

Até à próxima

[3401]

Na onda socialista que nos vai gradualmente submergindo, o PS renova razões para estar satisfeito. Ganhou votos, ganhou câmaras e os portugueses parecem definitivamente rendidos à rosa socialista. Assim sendo, pouco há que dizer. É o sufoco completo. Provocado por uma eficiente campanha de propaganda. Portugal enleou-se numa estranha forma de submissão a um partido que poucas razões nos dá de satisfação e isso que seja explicado por quem percebe do assunto, se ainda restar alguém que o consiga explicar. Um fenómeno de conjugação de factores e de pormenores aparentemente despiciendos releva o Partido Socialista de um conhecido lote de acções danosas para o país e isso faz com que as pessoas verberem com veemência actos condenáveis de várias pessoas e ignorem em absoluto inúmeros motivos de suspeição e crítica que deveriam condicionar personalidades do Partido Socialista, que continuam alegremente a passar incólumes por entre matéria factual.

A comunicação social colabora activamente neste desiderato (esta cábula do Portugal dos Pequeninos ajuda) através de uma acção que é difícil de definir e de uma forma em que ela própria parece acreditar. Gerou uma indisfarçável sanha ao PSD e crucificou figuras sem razão aparente. Ainda ontem, num programa execrável e sem qualquer centelha de mérito e que dá pelo nome de «Eixo do Mal» (apreciaria bastante que alguém me desse uma ideia das audiências deste programa) se entregou de alma e coração a uma operação bizarra de emulação do Partido Socialista e chacota grosseira ao PSD. De onde sobressai, «claramente» a senhora Ferreira Alves, de jugular inchada e olhos a quererem saltar das órbitas, sem que se chegue a perceber bem porquê, Daniel de Oliveira, em jeito intragável, também se entregou a um exercício de crítica a Santana Lopes sobre a teoria dele, Santana, de transferência de votos da CDU para o PS para depois, ele próprio, Daniel Oliveira, se perder em explicações sobre a transferência de votos do Bloco para o PS. Noutros palcos e noutras estações o tom era mais ou menos o mesmo, ainda que revestido de alguma pretensa elegância como acontecia na SIC-Notícias, apesar de Bettencourt Rodrigues lhe saltar o pé para a chinela com mais frequência.

Enfim, ciclo completo por uns tempos, resta aguardar que não caminhemos alegremente para o abismo, apesar de, no fundo, percebermos que caminhamos para o abismo há várias décadas e nunca termos acabado de cair do penhasco. Falando ainda das autárquicas, uma nota final para:

1 – A elegância e dignidade de Pedro Santana Lopes no discurso da derrota. PSL terá feito a sua melhor campanha de sempre;
2 – O fim da era da fugitiva Fátima e do truculento Avelino;
3 – O trovejante Valentim, que já começou a ralhar com toda a gente outra vez;
4 – As derrotas merecidas de Ana Gomes e de Elisa. Uma volta para a gamela de Bruxelas. Outra parece que fica a «verear» em Sintra. Não gabo a sorte de Seara. Mas é a vida.
5 – A derrota confortável de Pedroso em Almada;
6 – A quantidade de Câmaras comunistas que ainda existem em Portugal;
7 –A vergonha que eu já sinto com a actuação das empresas de sondagens. Começa a ser pornográfico (Santana, ontem, chegou a estar a quinze pontos de Costa....);
.

Etiquetas: ,

terça-feira, outubro 06, 2009

There are nine million bycicles in Beijing


[3393]

Percebi, segundo o amigo António Torres, que uma das preocupações de Helena Roseta é alargar a faixa bus em um metro, pondo-o ao serviço das bicicletas que todos nós, idealmente, deveríamos e poderíamos usar.

O problema desta gente correcta é que acorda todos os dias pensando como é que há-de chatear os cidadãos que se levantam todos os dias com preocupações bem mais apropriadas à vida comum do homem comum, disparando hipérboles de conteúdo idiota mas que lhes fica bem com a linhagem do politicamente correcto que decidiram adoptar como forma de vida.

Pensar em formas de amenizar a utilização do automóvel como meio de transporte indispensável numa sociedade moderna, sobretudo numa cidade como Lisboa em que dificilmente se pedala mais de quinhentos metros sem nos aparecer uma íngreme ladeira, equacionando os horários de distribuição e descargas, disciplinando o estacionamento nas ruas (e não me perguntem como, que não sou técnico, mas havia uma ideia segundo a qual a vinda de um vulgar agente de trânsito londrino no-lo ensinaria), aumentando o parqueamento em altura (já agora com suficiente espaço de manobra de entradas e saídas) e planeando vias de comunicação que assegurem o escoamento dos veículos em vez de perorarem sobre os malefícios de pontes que só aumentam o tráfego automóvel, seria uma atitude mental muito mais profícua do que debitar tiradas politicamente correctas como esta do metro extra para as bicicletas.

Tenho para mim que este tipo de tiradas remete para quadros de difícil definição mas que, segundo os quais, algumas pessoas se acham no dever e no direito de zelar por todos nós, para isso contribuindo com dislates, escorados, frequentemente, em pura idiotia e narcisismos indisfarçáveis. Mas o que é verdadeiramente grave é que o povo, sempre ele, gosta e aplaude. O povo gosta destas coisas, sobretudo se em cada uma delas está implícita, de forma mais ou menos camuflada, um ataque aos ricos que têm automóvel. O que se passa é que hoje há mais carros de pobres que de ricos e poucos se apercebem disso. E, portanto, aplaudem tiradas estultas como esta da Helena Roseta. Siga a dança!

.

Etiquetas: ,

domingo, julho 12, 2009

A salada do José ( * )


[3238]

Na questão das candidaturas dúplices do PS, Sócrates informou a vassalagem que está farto (Sócrates farta-se com facilidade, farta-se que se farta…) de explicar. E explica outra vez: «a posição para o Parlamento Europeu teve a ver com o que consideramos de importância política sendo as candidatas que mais se destacaram no Parlamento Europeu e com isso dar à delegação portuguesa uma afirmação superior no contexto do Parlamento Europeu», explicou, cada vez mais farto, que os portugueses (e as portuguesas) são assim meio para o burrote. É que a prioridade política da Ana Gomes e Elisa Ferreira são as candidaturas às câmaras, ou seja, destacaram-se no parlamento europeu mas a prioridade, essa, é das candidaturas e por outro lado esta maçada do intervalo das legislativas e das autárquicas serem com quinze dias de intervalo não ajuda nada, porque a prioridade europeia não ofusca a candidatura vencedora de cada uma das duas socialistas, e depois esta decisão do Partido de não permitir candidaturas em duplicado quando foi tomada, já a decisão das candidatadas estava tomada, uma maçada, uma trapalhada, isto da política é difícil, mas daqui para a frente é que é. A Sanfona não gosta mas não tem outro remédio senão ir afinar o instrumento para Alpiarça ou, então, dar uns concertos em S. Bento, agora tudo ao mesmo tempo não dá, ou há moralidade ou comem todos (neste caso, todas), com a excepção já bem explicadinha da Elisa e da Ana, ainda por cima a Ana já disse que não precisa disto para nada porque já foi embaixadora e se quiser pode ser embaixadora outra vez e a Elisa se perder o Porto sujeita-se ao cinzento de Bruxelas, tudo a bem da Nação. Não pode é haver mal-entendidos e vistas bem as coisas Alegre tem razão porque tem que haver moralidade, mas ao mesmo tempo não tem razão coisa nenhuma porque a Elisa e a Ana foram apanhadas a meio e Alegre está a embirrar, é o que é, ele podia e devia muito bem estar calado porque estas duas … pois, já se explicou lá em cima, além de que, e para que conste, Alegre também foi candidato a PR e não deixou de ser deputado por causa disso, então e o milhão?

Não se percebe bem esta salada? Sócrates tempera-a bem, no Público. Qualquer tergiversação da coisa é pura má vontade. É da oposição. Da reacção (aqui está um termo que cai bem dizer de vez em quando para não se diluir nesta apagada e vil ausência de ideologia do presente). É do governo anterior, é da campanha negra, é do clima, é da tempestade perfeita. E não há nada pior que a coisa tergiversada.

Já devíamos estar habituados, que Vitorino bem nos avisou, a tempo e horas. Se não estiverdes (habituados) ainda vão a tempo. Custa um bocadinho mas não dói por aí além.

(*) Sabem os apreciadores de séries televisivas americanas, cinéfilos, residentes na zona metropolitana de Los Angeles e turistas não acidentais que há restaurantes na cidade que criam e anunciam saladas com o nome de celebridades. Sócrates, não escaparia.

.

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, junho 08, 2009

Sondagens???




[3175]

Já no rescaldo dos resultados das europeias, o que é para mim claro (estou aberto a desmentidos) é que as sondagens funcionam mais como um instrumento eleitoral do que como uma ferramenta de análise de opinião pública, cientificamente sustentada. O que se passou nestas últimas eleições é um indício claro de que não só as sondagens (as que temos) são um instrumento político, como um instrumento objectivamente ao serviço do Partido Socialista. Fica a dúvida se o tratamento dado ao Bloco de Esquerda releva também de uma estratégia política ou se é apenas porque lhe acham graça e é modernaço.

Os factos mais evidentes destas últimas eleições são, sem dúvida, o badalado empate técnico entre o PS e o PSD, mas onde nunca o PSD apareceu como possível vencedor (salvo erro, isso aconteceu uma única vez, vantagem desconstruída no imediato) e onde o CDS-PP é enxovalhado (é o termo) e enviado para uma espécie de logradouro, onde deixou de entrar nas contas.

Finalmente, a decisão da SIC em dar a conhecer a já célebre sondagem feita há cinco dias antes das eleições, anunciando uma vitória estrondosa do PS e de Sócrates SE as eleições para as legislativas fossem hoje. Pode ser mau feitio meu mas “isto” cheira a António José Teixeira. Mas pode ser mau feito, mesmo. António Barreto e Pacheco Pereira ainda esboçaram um protesto, mas nada de grande monta. Por mim, achei a atitude da SIC de uma total falta de vergonha. E de nível.
.

Etiquetas: ,

domingo, abril 12, 2009

Faria se não fôssemos esclarecidos


[3059]

Santana Lopes deve andar a somar pontos, com certeza. Um cidadão lisboeta, com sotaque não sei bem donde e chamado Paulo Fidalgo, que eu julgo ser médico comunista mas não tenho a certeza, resolveu fazer uma petição que, como se sabe, é uma coisa actualmente muito em voga. Esta petição parece que já tem setenta e quatro assinaturas e só não ponho aqui o link porque o desconheço. Nessa petição, o senhor Fidalgo diz que os lisboetas andam preocupados e têm de evitar os erros recentes. Para isso, a esquerda deve unir-se, o PC, o BE e o PS, porque nos arriscamos a uma grande desmobilização e a cidade pode ficar ingovernável. E, além disso, os eleitores têm maturidade.

Estas são razões que ouvi nos noticiários. Se convivo bem com a ideia de que os senhores Fidalgos façam as petições que lhes apetecerem para as uniões de esquerda, pasmo com os argumentos apresentados. Os lisboetas são esclarecidos, há perigo de desmobilização e a cidade pode ficar ingovernável. Repare-se no fio de lógica destes argumentos. Mas Saramago e Sampaio assinaram logo. Terão, certamente, sido sensíveis aos argumentos.

Uma coisa é certa. Com fidalguia desta a aparecer, o sinal de que Santana Lopes representa um verdadeiro perigo para a esquerda é demasiado real. Quem diria!

.

Etiquetas: , ,