quinta-feira, março 16, 2017

Adormecer com a TV ligada é o que dá...





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Acordei estremunhado com a TV ligada e uma salgalhada de notícias que metiam portugueses residentes na Holanda eufóricos com a derrota da extrema-direita e Santos Silva a anunciar que o populismo começou finalmente a estiolar.

É aquela sensação estranha de que há populismos de direita, maus, perigosos, horríveis e que é preciso combater a todo o custo e os populismos de esquerda, os bons, os moralmente superiores e, sobretudo, redentores. Que devemos, portanto, absorver, cultivar, introverter e exercer com o fim sublime de extirparmos o mal e preservarmos a espécie.

E essa sensação estranha traz-me ainda uma dúvida angustiante: - se os portugueses já nasceram assim ou se foram operados em pequeninos, assim como quem faz a circuncisão. Por alguma razão somos o ÚNICO país europeu (e quase mundial) onde o comunismo puro e duro ainda faz fé, onde o povo acha que os comunistas já "resolveram" uns pequenos desmandos com que se entretiveram até o muro cair (o muro bom, não o mau como o que Trump quer aumentar) e onde é possível que uma excrescência política semelhante a um quisto infectado como António Costa seja considerado um político hábil e suba nas sondagens do bem-aventurado povo português.


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terça-feira, outubro 08, 2013

Vergonha de quem?


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Por razões várias andei um pouco arredado de blogues. Mas um post da Margarida fez-me recordar este episódio que, na altura, confesso, também me fez reflectir. Tem a ver com o Papa Francisco achar que o trágico naufrágio em Lampedusa foi uma vergonha. Eu também acho que foi. Só que o Papa não terá sido bem explícito ou as notícias, com a habitual comunicação social atenta a estas coisas, logo tratou de sugerir que a vergonha era dos países europeus que não sabem ainda tratar bem os infelizes que tentam fugir, com as respectivas famílias, de países párias, tiranizados por gente corrupta e indiferente ao sofrimento dos seus cidadãos e mentores de regimes mais ou menos conhecidos por todos nós.

Simpatizei com o Papa Francisco, apesar de me soar um pouco a Renault 4 L a mais e a histórias de sapatos baratuchos mais ou menos populistas. Enfim, são estilos, mas algo me dizia que mais tarde ou mais cedo o Papa Francisco acabaria por cair num episódio infeliz como este de deixar transparecer a ideia de que temos todos uma culpa imensa por terem morrido mais de duzentas pessoas num naufrágio, enquanto tentavam fugir do despotismo e miséria dos seus países de origem. No caso vertente, os países de origem eram o Gana (onde há escravatura), a Eritreia e a Somália, países modelo de virtudes que todos nós conhecemos. E o Papa acha que é uma vergonha. E eu, pergunto, tal como a Margarida já o fez, vergonha de quem?

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domingo, agosto 25, 2013

Se o cretinismo tivesse pernas, havia por aí uma praga de centopeias


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Criticar o simulacro do incêndio de há vinte e cinco anos no Chiado corre o risco de se diluir na opinião dos socialistas que acham que os seus adversários os criticam só por criticar. Mas eu não me importo. Não gosto de António Costa, mas não é por isso que me arrepio ao ver a palhaçada estúpida que vai neste momento ali pela Rua do Carmo. Um simulacro para comemorar um incêndio é uma atitude idiota e até ofensiva. Mas Costa gosta. E o pormenor excitante de ter que fechar umas ruas ao trânsito, coisa em que ele é especialista, fará com que o nosso presidente exulte na alacridade do momento e na recordação de quando ele punha burros a competir com Ferraris na Calçada de Carriche. Para além de que nisto os socialistas são realmente bons. E, de resto, vendo as imagens com atenção, não é que a reportagem nos dá a ilusão de que fosse outro o presidente da Câmara à altura, com os meios muito mais avançados de que a Câmara hoje dispõe, e o incêndio não teria passado de uma fogueirinha de brincadeira?

E.T. Morro de curiosidade em saber o que a comunicação social diria se o simulacro tivesse sido organizado por Santana Lopes.
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sexta-feira, dezembro 11, 2009

Stinks


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O presidente Lula da Silva quer tirar o povo da merda. Ele disse, mas ele não se importa. Ele é do povo e ele disse que o povo também diz merda. Disse-o algures numa discursata qualquer que fez ao rebanho brasileiro e que nem reparei bem sobre quê. E se o povo diz merda, acho bem que o presidente, que veio do povo, como se sabe, diga umas merdices também.

Gostei da merda do Lula. Pelo menos ele diz. Por cá não dizem. Arriscam um palhaço de vez em quando, um esquizofrénico aqui e ali, mandam as pessoas ter juizinho e, no entanto, suspeito que fazemos mais merda que os brasileiros. Provavelmente uma merda europeia, supostamente primeiro-mundista, mas nem por isso mais bem cheirosa. Pelo menos não é à falta de sermos uns cagões encartados.
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