quarta-feira, outubro 18, 2017

Já não dava mais...



[6186]

Não conheço Constança Urbano de Sousa de lado nenhum, mas confesso que achava suspeito aquele ar desolado e a pender para o trágico que ela apresentava nas suas aparições. Custava-me a acreditar que a teimosia em não se demitir fosse genuína.

A carta de demissão publicada no Expresso revela que a mulher não era assim tão estúpida e que tudo remetia para o calibre de uma criatura como Costa. Um biltre. Um tipo sem carácter e com as barbas a arder por ser o responsável pela nomeação de uma colecção de patetas que percebem tanto de protecção civil como eu de ponto cruz e que haviam sido nomeados por ele, não por Constança. Ainda ontem ou anteontem, Costa afirmava sobranceiro  que a demissão de Constança seria uma infantilidade.

As tragédias deste Verão/Outono não são o azar de Costa. São o azar de quem morreu, o azar de quem perdeu familiares, haveres, tudo. Esses são os verdadeiros azarados, por causa das trafulhices partidárias de Costa que, esse sim, se tivesse aquilo que sabemos que não tem – vergonha, apresentaria desde já a sua demissão.

Não sei bem o que se vai passar. Não confio totalmente em Marcelo e peço desculpa se me enganei. Mas acho que a firmeza de ontem não joga muito com os seus ziguezagues recentes. Posso estar enganado e, se estiver, penitenciar-me-ei com sinceridade. Mas acho isto tudo esquisito. O homem zanga-se, troca as selfies por uma “reprimenda” (termo usado por António Vitorino, ontem), Constança demite-se, os figurantes canhotos votam contra a moção de censura e fica tudo na mesma.

E acho que não devia ficar tudo na mesma. Marcelo teria razões fortes para dissolver a Assembleia e acabar com esta marmelada de um gripo de gente amoral que não tem qualquer noção de competência ou de sentido de Estado. E depois venham as eleições. E se o PS ganhar outra vez, espero bem que lá entre eles arranjem maneira de extirpar meia dúzia de furúnculos que continuam a infectar um Partido que, apesar de tudo, há-de ter gente decente.


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domingo, agosto 13, 2017

Heeeeeelp



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No conforto da sala, fresquinha e ouvindo música baixinho, o remorso ataca, quando pensamos nas centenas (milhares?) de pessoas afectadas pela autêntica tragédia que assola Portugal. E vamos omitir as muitas dezenas de mortos, por respeito por eles próprios.

Dizer que, em matéria de incêndios, acho que este ano será o pior de sempre dá lugar a que me caiam em cima a dizer que estou a fazer aproveitamento político. Mas os factos estão aí. 33% de toda a área ardida em toda a Europa é portuguesa - nossa, o que é coisa que faz pensar. Enumerar as causas é já repetitivo, bem assim como o registo de outros acontecimentos que já são história, como Tancos e a triste figura de um general gorducho que veio palrar umas inanidades à Televisão.

E a Geringonça prossegue o seu trilho comunicacional e até para o pedido de auxílio à União Europeia tinha de incluir um parágrafo em que a patética ministra que nos saiu na rifa frisou que vários países já beneficiaram deste auxílio como a França, a Turquia e a Albânia, o que só prova como estamos bem acompanhados. Isto enquanto o rubicundo Costa deve andar ocupado a planear a defesa das cheias do Mondego que estão aqui, estão aí.

Um cineasta razoavelmente apetrechado poderia fazer um filme interessante destes episódios. Mas não dá… senão quem é que fazia mais filmes sobre os capitães de Abril e se ocupava dos destinos da TAP?


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sábado, agosto 12, 2017

Conversa de xaxa, p’ra boi dormir



Costa mandou a ministra assegurar o combate aos fogos enquanto ele vai para Montemor-o-Velho acalmar a população sobre as cheias no Inverno, que já não vão ser cheias porque ele... pois

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Quando um país reúne condições legais para ter um fulano deste calibre como primeiro-ministro, mesmo tendo sido preterido pelo voto popular, é legítima uma introspecção sobre que país somos e sobre quem somos.

Costa não é estúpido. E nem sequer é hábil, como sói dizer-se na nossa estuporada comunicação social. Está longe de ser hábil. Pelo contrário é tosco, bronco, inculto e de má índole. O que Costa consegue é um discurso que continua a colar numa sociedade vincada por longos períodos de continuado adestramento ao Estado que tudo faz, protege e promove em benefício dos cidadãos.

Infelizmente a revolução de Abril, salvaguardada a liberdade de, por exemplo, eu estar a escrever isto sem ir preso ou lançado no desemprego, tem agravado este desiderato, através do qual se explora esta faceta popular, por via da concessão de ridículos benefícios (custeados por elevadíssimos impostos indirectos e carência de meios em sectores fundamentais da nossa segurança e bem estar) e de uma retórica adequada, com base num processo de infantilização confrangedor. Isto é criminoso e repulsivo.

Costa, que não é hábil mas também não é estúpido, sabe tirar proveito deste fenómeno para se eternizar no poder, qualquer coisa que, no fundo, tem muito de Maduro, Chávez, Castro ou Morales. De tal maneira que não hesitou em deitar mão de inescrupulosos agentes da chamada Esquerda, para manter uma consuetudinária actuação, mantendo e nutrindo os costumes e natureza da nossa sociedade, o que lhe permite vir papaguear, com sucesso,  inanidades deste género, como se verifica no vídeo. Costa sonha manter-se no Poder, principalmente porque fora dele não há nada que se pressinta que ele saiba fazer a preceito. E o Poder afaga-lhe o ego e, já, agora, o proeminente ventre.

Numa altura em que meio Portugal arde, com auto-estradas cortadas, gente a dormir em instituições sociais, gente destituída de bens materiais e, mais grave, que perderam familiares mortos por via da mais atabalhoada desorganização que, tudo indica, poderá ter origem numa descarada acção de proselitismo na Protecção Civil e outros centros de controle, Costa aparece com um punhado de comparsas a anunciar o desassoreamento do Mondego, para prevenir… as cheias do Inverno (ver vídeo). É lastimável, amoral e absolutamente cretino. Independentemente do mérito de se desassorear o Mondego naquela área que, por acaso, conheço bem, ali bem perto de Montemor-o-Velho.

Esperemos que na época das cheias não ande toda a gente a desassorear o rio e falte alguma para limpar as sarjetas lisboetas (embora Costa tenha dito em 2014 que não havia solução para as cheias de Lisboa), mas contemos que lá para Dezembro ou Janeiro, Costa é bem capaz de aparecer em Pedrógão para avisar os cidadãos que temos de começar a pensar nos incêndios de Verão, enquando o Medina anda de fato-macaco a desobstruir sarjetas em Alcântara. 

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sexta-feira, agosto 04, 2017

Da importância de se andar a dizer que o homem é hábil



[6164]

Pelo caminho que as coisas estão a levar, um dia destes Costa “larga-se” sem querer no Parlamento, após o que faz uma prédica sobre o interesse nacional de não se dever impedir o livre trânsito do trato gastrointestinal, facilitando o livre escapamento dos gases resultantes. A bancada do PS aplaudirá freneticamente.

As prédicas de Costa são sempre iguais sobre seja o que for. Desta vez é sobre os sapadores florestais. Um evento tão importante como este revela que o homem está atento aos incêndios e, por razões que me escapam, andou distraído uma data de anos. Isso não o impediu de se manifestar orgulhoso por ter criado agora os sapadores e de liderar um governo com coragem de fazer a reforma florestal. A páginas tantas diz na TV que foi ele que os criara em 2006. Não explica é porque é que em 2009 desapareceram do mapa (mas também ninguém lho pergunta) e, assim sendo, cria-os outra vez e pronto. Fica tudo bem.

Qualquer coisa serve para esta peculiar criatura fazer uma festa com salvo-conduto para a continuada imbecilização e infantilização das pessoas. Porque há muito que havia guardas florestais que, entretanto, despareceram do mapa e eis que aparece um “sebastiânico”  Costa a (re) criar uma coisa, como se tivesse descoberto a cana para o foguete. E foi isso que ele afirmou no seu peculiar e trapalhão português. Deve ser por estas e por outras que a comunicação social passa a vida a chamar-lhe hábil.

Assente, assim, que para o ano não há incêndios. Graças ao sorridente e hábil Costa, orgulhoso por ter criado (???) sapadores florestais. Uma coisa, imagine-se, que não passou antes pela cabeça da Direita.


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quarta-feira, julho 26, 2017

Em rigor e em liberdade



Acho que se chama Patrícia e é suposta defender os civis. "Brifa" jornalistas... não se 1 se 100, as câmaras NUNCA mostram

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Volta e meia cruzo-me com esta senhora na TV que, aparentemente, faz um briefing diário sobre o desenvolvimento da situação dos incêndios, em obediência às normas emanadas da Geringonça.

Do que percebi antes, estes briefings destinam-se a formatar e normalizar o fluxo informativo da situação (Costa dixit) e supõe-se que sejam seguidos pela comunicação social. E digo supõe-se por NUNCA as câmaras rodarem para mostrar os jornalistas. Não sei se a senhora fala para um, dez, cinquenta ou nenhum jornalista. No local, continuo a ver repórteres a fazer perguntas a populares. Perguntas capciosas e inteligentes, como: Estão, está preocupada? Ou a presidentes de Câmara que vão dizendo qualquer coisa assim a modos que não querem dizer nada mas lá vão dizendo qualquer coisa. Isto entre gente ilustre que vai passando pelas objectivas como secretários de Estado e até o Presidente Marcelo ontem sacudiu o torpor e lá foi ele a Mação dizer que antigamente, na ditadura, que ele viveu, a informação era muito controlada. E agora, não. Era livre. Para mim isto soou um bocado a anedota, mas posso estar a exagerar, talvez Marcelo estivesse apenas bem disposto.

Mas desviei-me um pouco da ideia inicial. A tal senhora que aparece todos os dias no briefing é um exemplo acabado de um tipo de informação manipulador e, frequentemente, falso. Tudo o que acontece é grave, mas é brando. E fofo. Os helicópteros aterram em dificuldade em vez de se despenharem, o SIRESP falhou outra vez, mas a espaços e pontualmente (???) e por aí fora.

Fico na dúvida se este tipo de gente fala assim porque acha que é assim ou porque lhe dão um papel para ler – tipo cartilha de que falam muito agora, a propósito do futebol. O que é, no mínimo, confrangedor. E ridículo. No caso do helicóptero, por exemplo, enquanto a senhora falava, outra estação mostrava a foto de um helicóptero despenhado e retorcido, explicando o que se passou. Felizmente, com o piloto a salvo.

Nada disto é diferente do que se passava na ditadura que Marcelo ontem referiu. Só que dantes todos nós dávamos o desconto, sabíamos o que a casa gastava. E agora temos uma poderosa máquina de comunicação que nos convence que esta despudorada manipulação é feita com rigor e em liberdade.

NOTA: Não sei se ainda estou com sono ou se ouvi mesmo, ali nas notícias, Marcelo dizer três vezes: A luta continua, a luta continua, a luta continua. Deve ter sido sono. Meu.


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segunda-feira, junho 26, 2017

A D. Natércia



Serra do Caldeirão - 2012. A D. Natércia não aparece, devia estar em ensaios

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Por duas vezes, em poucas horas, a SicN transmitiu um compacto de largos minutos sobre um “grande incêndio” na Serra do Caldeirão.

Fui ouvindo, incomodado, pensando que ali estaria outro incêndio com consequências imprevisíveis. O compacto era razoavelmente longo e o cenário era o habitual, gente a chorar, as labaredas altaneiras cumprindo a sua destruidora missão e gente a apagar o fogo com os baldes da ordem e mangueiras de jardim. Vários populares se queixavam sobre a falta de bombeiros, desorganização, matas por limpar e dificuldades de ligação. Não se falava em mortos. Mas as reclamações sobre a desorganização e incúria continuavam e há uma D. Natércia (nome real) que gritava, e cito, “este governo é uma merda, este governo é uma merda”. Depois de largos minutos, a SicN (porque é da SicN que se trata, acabou por dizer que este incêndio era de 2012 e que, imagine-se já em 2012 havia incêndios com deficiências deste género. Não morreu ninguém mas havia uma D. Natércia aos gritos “este governo é uma merda, este governo é uma merda”.

Fiz umas contas de cabeça e percebi que em 2012, o governo era o de Passos Coelho. Porque é que a SicN passava aquela longa peça aos gritos é que não percebi. Mas cerca de duas horas depois, quando a estação repetiu a pantomina com a D. Natércia, percebi.

Fiquei sem saber se a pobre da D. Natércia recebeu algum pagamento pelo serviço e se passou recibo, mas se não recebeu devia ter recebido, já que os seus “este governo é uma merda” foram repetidos à exaustão de forma convincente e assinalável competência.

A SicN perdeu o resto da vergonha que tinha. E uma vez mais fico sem perceber esta sanha contra Passos Coelho (não se confunda o que digo com partidarite. É factual). E quanto ao Partido Socialista, bem nutrido com estes mimos da comunicação social, continua a usar técnicas comunicacionais que eu julgava de há muito expurgadas, desde a queda do muro de Berlim. Pelo visto, aqui em Portugal ainda não. Continuam de boa saúde e recomendam-se. O que é, no mínimo, confrangedor. E reflectem fielmente como é possível que em Portugal estas técnicas ainda funcionem.

Nota: Esta preciosidade de comunicação teve lugar ontem, no período da tarde. Desconheço se durante a manhã houve mais “este país é uma merda”.


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sexta-feira, junho 23, 2017

Algaraviada



[5536]

A propósito deste meu post sobre florestação na Swazilândia, recebi um telefonema de um professor com larga experiência em silvicultura, no qual fui diplomaticamente considerado um razoável ignorante sobre floresta e sobre a realidade da situação da floresta dos privados. Sobre isso, e porque o telefonema foi correcto e construtivo, vou responder correcta e construtivamente, também:

1 – Não sou especialista em floresta;

2 – Tenho perfeita noção que as grandes empresas de produção de pasta de papel têm mecanismos de procedimento que praticamente inviabilizam os incêndios;

3 – Sobre a acção nefasta do eucalipto, tenho as minhas opiniões. Sei que esta árvore (uma mirtácea) tem grande poder invasor devido à sua sôfrega necessidade de água e à sua capacidade de regeneração mas que, em exploração, pode e deve ser sujeita a uma criteriosa gestão, proporcionando um equilíbrio estável ao solo em matéria de nutrientes e de água. Nada, afinal, que não se passe com a gestão dos oligoelementos (trace elements) que têm de ser regularmente compensados durante a exploração continuada dos solos, sobretudo se tratarmos de culturas muito exigentes em alguns micronutrientes específicos.

4 – Também tenho uma razoável noção do, provavelmente, sector mais nefasto da gestão dos eucaliptais privados. Pequenas áreas, baixa rentabilidade, e a peculiar tendência dos portugueses para se excluírem de condutas cívicas, sempre que os problemas os atingem não só a eles como ao próximo. Um pequeno quintal de 1 ha de floresta não limpa pode fazer perigar muitos milhares de hectares à volta, por muito limpos que estejam. Acresce que à falta de sentido cívico dos cidadãos reina a mais completa confusão na aplicação da profusa legislação em que os portugueses se realizam. Há leis para tudo. E para nada. Um português feliz é um português que legisla. Dêem-lhe uma pontinha de poder e ele legisla sobre o número de borboletas no quintal. E, finalmente, a confusão generalizada de magotes de gente a mandar, a deliberar, a fazer favores, a falar às TV’s, a perorar sobre isto, aquilo e aqueloutro. 

Qualquer português num país estrangeiro, confrontado com uma lei que diga que não pode ter eucaliptos a menos de “x” metros de uma estrada ou de uma residência, cumpre. Em Portugal, discute, protesta, zanga-se imenso, fala com o presidente da junta, refila com o presidente da Câmara e presta-se a jogos de poder tão estúpidos como pueris que só complicam a questão e que são o espelho fiel de nós próprios.

Professor, como vê, conheço a diferença entre as florestinhas e as grandes explorações silvícolas. Não nos ponhamos à espera que um português espere uma vida pelo desenvolvimento de um azinho, de um sobreiro ou de um mero bosque de prazer e bem-estar, antes limitemo-nos a cumprir a basta legislação existente. E, sobretudo, que os autarcas e outras forças de comando se tornem realmente efectivos em vez de forças de bloqueio ou ninhos de inconfessados interesses. Pela sua estupidez, pelo seu nepotismo ou por pura parolice.

De tudo isto, o governo (qualquer governo) não sai ileso. Muito menos quando se gastam 500.000 euros num sistema que não se sabe bem o que é e que avaria quando se precisa dele, ou não há o cuidado de regularmente, ver se um camião frigorífico funciona em condições, em vez de estar anos parado à espera que morra alguém. Ou que ninguém se entenda quando é preciso abrir ou fechar uma estrada. E, neste particular, a geringonça é um bom exemplo de inoperância, ignorância e desorganização. Representa bem a falência geral do Estado, pelo menos do Estado que se deseja A MAI aflige só de ouvi-la ou olhar para ela, Costa faz-nos ferver por dentro e até Marcelo nos faz pensar, ao vê-lo por aí aos beijinhos e abraços. E depois, há toda aquela multidão que aparece, ao minuto, a botar faladura e que ninguém entende. Ou que interessa, já, entender. Da Comunicação Social já nem falo. Pacheco Pereira ontem deu bons exemplos sobre o quilate da comunicação social.


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quarta-feira, junho 21, 2017

Não sei que título hei-de dar a isto...



[5534]

Começam a surgir alguns vultos por aí, que se auto-avaliam em supra-sumos da iluminação cerebral com que cada um de nós é dotado ao nascer, clamando pela inevitável queda da plebe cultural na politiquice baixa, usando o rescaldo (literalmente) da tragédia que nos bateu à porta.

Não há como convencer esta gentinha de que a politiquice baixa está precisamente em achar politiquice baixa a enumeração de alguns dos mais elucidativos exemplos da nossa peculiar desorganização, ânsia de protagonismo e absoluta falta de sentido de responsabilidade nas diferentes tarefas que nos são cometidas. Um pais como o nosso só podia mesmo ter uma multitude de organismos, organizações, comissões, institutos, presidentes disto, daquilo e daqueloutro, centros de decisão (bombeiros profissionais é que nem por isso), numa variedade, enfim, de gente que ganha o seu minuto de ouro em vir a uma qualquer televisão botar uma faladura qualquer, dizendo nada, antes exibindo uma forma pueril de estar que nos envergonha e atrofia a réstia de sentido cívico que não fazíamos mais que a nossa obrigação em ter.

Ele é o SIRESP (que nem sei bem o que é) que não funciona, ele é o camião frigorífico que avariou (obrigando ao aluguer de uma camião de transporte de peixe…), ele é o avião que caiu mas que afinal era uma roulotte com gás, ele é um  secretário de estado com uma deplorável dicção e que vai debitando umas tretas, ele é uma ministra que fala como se estivesse a fazer um grande frete e lhe devêssemos dinheiro, ele é o IPMA (isto sei o que é…) a explicar o que é uma trovoada seca, ele é a jornalista que noticia já se ter encontrado a árvore que apanhou com um raio (atingida por um relâmpago, segundo o Paulo Baldaia) ele é a GNR que nem percebe bem o que está a acontecer e dá indicações erradas, ele é os Kamov que não voam, ele é o atropelo geral das pobres pessoas despojadas, feridas ou mortas em sessões contínuas duma tragédia que tem como único responsável um chamado estado social que de social não tem porra nenhuma a não ser o desfile idiota de figurinhas inoperantes e patéticas que vão dizendo o que podem, mal, ele é um presidente da República estranho que vai ensaiando a sua comoção e coração destroçado por via de abraços e beijinhos enquanto brada, poucos minutos depois do início da tragédia, que era impossível fazer melhor, ele é, enfim, uma comunicação social espúria e venal que se desdobra numa acção indescritível de desculpabilização de um governo não eleito, onde não se vislumbra competência para além dos pontapés gerais na gramática e no bom senso, sem qualquer sentido de Estado que não seja bater na Oposição (como o inenarrável Capoulas Santos), uma comunicação social que leva já dias seguidos de transmissão ininterrupta com tantos momentos idiotas e estupidificantes (como a Judite de Sousa a mostrar um cadáver, acho que faltou pouco para levantar uma pontinha do lençol), como o número de especialistas que surgem do nada para explicar ao rebanho meio estupidificado uma série de vulgaridades, desde o acompanhamento psicológico até às verdadeiras razões dos incêndios, onde não podiam faltar especialistas silvícolas, como aquele estranho Miguel Sousa Tavares que fala de eucaliptos com a mesma segurança e assertividade com que eu falo das diferentes técnicas de hibridação de aves canoras.

Uma lástima. E um desrespeito condenável pelos mortos. Pelos cidadãos. Pelos eleitores que ciclicamente vão depositar um voto que permite a esta gentinha continuar a não perceber nada do assunto e a passear a sua arrogância e insignificância, de repente transformada numa significância que não merecem.

Passos Coelho tem passado ao largo e faz muito bem. Um deputado do CDS por ter falado em “beijinho no doi-dói” ia sendo esfolado vivo. Também já houve um, do milhão de especialistas e comentadores, que já experimentou trazer à liça o facto de Passos Coelho andar muito calado. Não teve grande êxito, provavelmente porque há outros que há bem pouco tempo se desfizeram em dislates idiotas e hoje andam calados como ratos. Refiro-me, naturalmente, àquele rancho pateta de gente que dá pelo nome de “esquerda” não sei das quantas a quem Costa deu o respaldo e o quentinho de uma coisa que nunca tinham experimentado e que lhes está a proporcionar sensações orgásticas que não esperavam – o Poder. E aqui refiro-me, naturalmente, a essa gentinha do Bloco e do PC, um grupo de gente anquilosada, sentada em teorias anquilosadas que nos vão tolhendo o progresso.

E pronto, apeteceu-me dizer isso. Dificilmente voltarei a falar no assunto. Faltou dizer que corre à boca cheia que estão a ”tratar” o número real de mortos, que parece ser bem superior à realidade. Mas admito que seja boato da reacção.


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segunda-feira, junho 19, 2017

Causas e estupidez naturais



[5532]

Em matéria de proselitismo, temos para todos os gostos. Temos os que aspiram a um tachinho, os que têm medo de ser despedidos pelos jornais ou pelas televisões, os que têm o mundo limitado pelas pálpebras, os que não gostam do Passos Coelho, os que lhes disseram para não gostarem do Passos Coelho e há os simplesmente parvos. Também há uns quantos que leram umas cartilhas, mas alguns deles confundem-nas e às vezes enganam-se e quando pensam que estão a ler matéria universalista, internacionalista e sobre o homem novo estão a ler os mails que aquela criatura façanhuda do FêQuêPê “amanda” para o Porto Canal, ou as alarvidades de um tal Bruno Carvalho que anda por aí a dizer disparates ou mandar as pessoas bardamerda.

Nenhum destes casos é recomendável, mas consciente ou inconscientemente aconselha-se os prosélitos que não caiam em exageros. Até por uma questão de higiene. O povo é meio iletrado, falam pouco dele e vive esquecido nos «interiores», (como diz o Marcelo) mas há limites para a coisa e haver televisões que anunciam (não me contaram, eu ouvi) que já tinham identificado a estúpida da árvore que se deixou apanhar por um maléfico raio duma tempestade cruelmente seca ultrapassa tudo o que o bom senso pode admitir.

Portugal é um sítio (mal frequentado, eu sei, mas não era isso o que eu ia dizer…) onde a notícia de hoje se esquece no dia seguinte. Um exemplo recente é eu reparar que ninguém mais alude ao facto do Governo ter dito na véspera do grande incêndio em Pedrógão, que no dia seguinte iam prender os incendiários (ou reter, já não me lembro bem) em casa, não se desse o caso de eles andarem a fazer disparates. Com a árvore atingida pelo raio é a mesma coisa. Mais um dia ou dois e já ninguém fala da árvore, dizem mais uma baboseira ou outra sobre em que festa estaria a Constança Urbano de Sousa (não há festa nem festança… etc.), Marcelo solta mais umas iniquidades e tudo volta à forma original. Costa explanará mais uma série de medidas (acho que nenhuma das que ele poderia e deveria ter tomado quando foi nr. 2 de Sócrates e enchia o espaço hertziano com medidas fantásticas que, entretanto se iam diluindo com os afazeres da época.

E assim vai o mundo. O português. Tenho um respeito profundo por todos aqueles que morreram com a catástrofe. Incluindo aqueles que as autoridades já foram dizendo que não tinham nada que ir meter o nariz onde não eram chamados. Quanto às causas naturais…apetece-me dizer que não gosto nem me dá jeito (como dizia o outro) continuar a fazer figura de parvo. Envergonha-me pertencer ao país do sul da Europa com a maior incidência de fogos. Dijsselbloem disse que os portugueses gostam de copos e de mulheres. Só se esqueceu de dizer que gostam de saltar à fogueira, também.

Todos os anos é isto. Com o PS na Oposição é porque é a Direita que é composta por umas bestas quadradas que não fazem o que devem. Com o PS no Poder é esta lengalenga das causas naturais para a qual já não há saco. Ainda mais quando dispõem dum catavento sensível às inesperadas mudanças de direcção do vento. Lá dizia um presidente de qualquer coisa ligada aos bombeiros, não sei bem o quê… causas naturais.


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domingo, junho 18, 2017

Impossível fazer melhor... e dizer pior



[5531]

Quando ontem escrevi este pequeno post, glosando a habitual jactância e irresponsabilidade da geringonça quando afirmou que ia prender os incendiários todos em casa para não haver mais incêndios, eu não tinha ainda a noção da enorme tragédia que se abateu sobre o país. Só mortos já são quarenta e três (and counting…) e feridos, mais de cinquenta.

Aceito e concordo que o momento é de recolhimento e pesar perante tão grande tragédia e não para política baixa. Mas ainda assim não consigo esquecer-me do anúncio patético e pateta de que iam prender os incendiários (logo no dia seguinte) para eles não poderem andar a deitar fogo às coisas. Foi um dichote boçal e, mais grave, acolhido com compenetração atenta e veneradora pelas televisões, emocionadas com o alcance da medida.

Não quero ainda deixar de registar um sentimento de repulsa pelos palavras que, a propósito, Marcelo proferiu. O que ele disse foi uma verdadeira arenga de comício, quando afirmou que era impossível ter feito mais e melhor. Tipo, não nos atrevamos a dizer mal da geringonça.

Uma vergonha, senhor Presidente, o senhor envergonhou-me porque é, intrinsecamente, uma vergonha. E ainda mostrou uma inqualificável falta de respeito pela meia centena de cidadãos que pereceu no incêndio, vá saber-se porquê.

Uma palavra de apreço pela forma séria, assertiva e sem rodriguinhos como o secretário de estado Jorge Gomes foi fazendo os briefings com a comunicação social

Era só.



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sábado, junho 17, 2017

Esqueceram-se prender os incendiários em casa



[5530]

Há quarenta e oito horas, as TV’s anunciavam a intenção do Governo manter os presidiários em casa a partir do dia seguinte.

O dia seguinte era ontem e hoje o país está a arder, como de costume.

A farsa em que a geringonça nos mantém e endromina já sufoca. Como é que uma televisão consegue transmitir uma notícia destas com a gravitas apropriada à importância das diligentes medidas deste governo. Ou seja, em vinte e quatro horas passaríamos a ter um sistema jurídico que proibiria os incendiários de sair de casa. Durante quanto tempo, se poderiam sair nos dias de chuva, se poderiam ir às compras num raio de “x” metros é coisa que não se sabe, mas que não interessa muito saber. O que interessa é que temos um governo diligente em resultado do que este ano não temos fogos. Ou qualquer coisa por aí. Ao contrário da Oposição que não pensava nesta profilaxia do fogo e, sem vergonha, deixava arder o país.

Mais do que os fogos repugna-me esta, repito, farsa, em que viemos onde começo a suspeitar que há elementos do governo que acreditam no que dizem. O que é, no mínimo, preocupante. E há os que não acreditam nem deixam de acreditar mas que têm a noção exacta do impacto que este tipo de notícias “à boca das urnas”, tem no rebanho que pastoreiam.

Isto é uma atitude terceiro-mundista. Noticiar que “a partir de amanhã” o governo vai reter os incendiários em casa, acho que nem ao Maduro ocorre. Mas ocorre aos ”Maduros” que detêm o poder. E é trágico que, vistas bem as coias, acaba por funcionar. Durante quarenta e oito horas a grei regalou-se por ter um governo que, finalmente, resolveu os problemas dos fogos, prendendo os incendiários em casa.

Hoje Portugal está a arder. Também é verdade que já ninguém se lembra da notícia de anteontem. Mas também, que interessa isso? As televisões vão andar, de novo, entretidas a entrevistar a gente que fugiu de casa, que perdeu os haveres, que perderam as cabras ou que acham, como eu, que isto não tem ponta por onde se pegue. E para o ano. a geringoinça pensa noutra coisa qualquer.

E.T. Todos sabemos como o nosso primeiro é um homem de taludas. Ao que parece, começou a chover em Pedrógão onde, como se sabe, lavra um grande incêndio. Provavelmente porque se esqueceram de prender os incendiários em casa.


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quinta-feira, agosto 12, 2010

Os espanhóis não percebem nada disto


Mapa palmado daqui . Clicar na imagem para ver melhor.

Este mapa, retirado do site do European Forest Fire Information System (EFFIS), mostra onde ocorreram fogos de médias ou grandes dimensões este ano. Alguém pode mostrá-lo a Rui Pereira para ele não andar a dizer as coisas que diz?

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Estes espanhóis são uns morcões, carago. Tirando a Galiza, provavelmente pela proximidade connosco, sempre há as fagulhas e assim, o melhor que arranjaram foi duas «fogueiritas» em todo o resto do território, como se pode ver pelo mapa. Pusessem os olhos em nós, carago, e aprenderiam como se «ignita» o território. Foguetes, fogo posto, cacos de vidro, uns churrascos, umas pontas de cigarro… fácil, fácil. E depois… eles que arranjassem um MAI como nós. Eu sei que não é fácil, que MAI a preceito só há um, Rui Pereira e mais nenhum. Mas podiam ao menos ouvi-lo a perorar um pedacinho ou ler as crónicas da mulher e já ficavam com umas ideias. Depois era só levá-las para o outro lado.


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quarta-feira, agosto 11, 2010

Shhhhhhhhhuiiiit....PUM


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Deus omnipotente e misericordioso ensinou o português a escolher melões. Ensinou-o a rir sempre que um directo de uma televisão lhe pergunta quantas pessoas morreram no acidente e ensinou-o a ter opinião sobre o "off-side" não assinalado ao Foculporto, sobre as razões por que o lançamento do último foguetão espacial teve de ser adiado ou sobre o último orçamento geral do estado. Deus disse aos portugueses que o bigode lhes ficava bem e concedeu-lhe a graça do sorriso único sempre que “viram” uma caneca de verde minhoto, carrascão do Cartaxo ou uma bagaceira vadia. Leia-se, um sorriso de prazer e sapiência. Mas Deus esqueceu-se de explicar aos portugueses porque é que eles têm de lançar foguetes nas romarias, nas feiras, nos baptizados, quando a Maria “alcança” ou quando o Benfica ganha. Deus ensinou os portugueses a lançar foguetes e vai daí, os portugueses, crentes, lançam os foguetes nas festas e prontos. E fora das festas. Muitos deles apanham mesmo as canas. Outros não apanham, deixam-nos nos matos que não roçaram, porque dava muito trabalho ou porque acham que o Estado é que tem de roçar. E de foguete em foguete lá vamos tendo, ao que parece, 400 fogos por dia. Claro que é exagero dizer que são todos por causa dos foguetes. Muitos deles são feitos com isqueiro mesmo. É o chamado «fogo-posto». Ou «de mão criminosa». Mas ignições (sigamos, de novo, a ladainha) são 400/dia.

Um dia destes chove. Os fogos acabam, as romarias também, os emigrantes regressam a França enquanto não vem a “retrête” e os jornais têm que se agarrar a outra coisa qualquer. É o ciclo da vida. Da nossa vida. Todos os anos é a mesma sina e desta vez nem nos podemos queixar muito porque até a Rússia, país dos frios, também tem incêndios. E só em Moscovo, dizem os repórteres, morrem 700 pessoas por dia. Quer dizer… dizem os repórteres porque depois a reportagem mostra que não é bem assim. Parece que morrem 400 pessoas por dia em Moscovo por causas diversas mas este ano morrem 700. O que indica que 300 são por causa do calor. Mas o repórter acha que morrem 700 por causa do calor. E todos nós sabemos que quando os portugueses começam a achar, o melhor é deixá-los e não lhes dizer nada...

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domingo, outubro 04, 2009

Asfixia democrática?


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Quando me lembro, há bem poucos anos atrás, dos repórteres histéricos enxameando os noticiários de incêndios florestais, com directos de bombeiros, vítimas, familiares de vítimas, vizinhos de vítimas, testemunhas de actos pirómanos, pirómanos alegados e sem ser alegados, ministros, secretários de estado, comandantes de bombeiros, chefes da GNR, velhinhos sem dentes e com dentes, animais sedentos, carcaças carbonizadas e uma noção mais ou menos consensual que a culpa era de Santana Lopes e do Bush e assisto agora a uma autêntica conspiração de silêncio, não posso deixar de sorrir. E de achar que, na realidade, os nossos jornalistas têm muito menos do que se queixar do que nós dos jornalistas.
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