sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Simplesmente complicados





[5366]

Provavelmente numa análise demasiado simplista, tenho para mim que uma vasta maioria dos servidores públicos que chegam ao governo são reconhecidamente inexperientes e incompetentes. Em alguns casos não por culpa deles, apenas porque, como diria Jacques de la Palice, lhes falta experiência e competência, que são coisas que não se arranjam num supermercado, antes requerem mundo e oportunidade de trabalhar em exigentes condições de produtividade, competição e assertividade. Também os há venais, mas isso requer alguma competência e esperteza o que desde logo os retira da categoria que refiro atrás.

Como muitos deles ascendem a lugares que lhes conferem poder, acontece aquilo que eu reputo como uma das directas razões do tortuoso sistema em que vivemos, sempre que o poder público se entrelaça com os nossos interesses e com o sagrado princípio da nossa individualidade. E depois, há, claro, o esbulho directo e violento, muitas vezes ao arbítrio de valores que a tal incompetência, inexperiência e, como também referi, venalidade, que nos atinge, sem dó nem piedade. A cereja no topo do bolo (eu sei que é um cliché e que há quem goste mais de enfeites de morango, banana ou talhadas de pêssego, mas tradição oblige) é esta pulsão que o poder gera no governante que, incompetente, inexperiente e venal não resiste a determinar, legislar, alinear, regular, em resumo, chatear o concidadão.

Leia-se este texto do João Miranda. Entenderão melhor o que digo


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quinta-feira, janeiro 21, 2016

A «fonética apardalada» do que me apetece dizer disto tudo



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Do cansaço passei a um sentimento de intolerância e repulsa face às continuadas demonstrações de impreparação, irresponsabilidade e má índole por parte deste grupo de gente que, por qualquer carga de água, governa Portugal. Ainda há dias o ministro da economia, questionado quanto à possível reversão da privatização da TAP e de como é que o governo faria para injectar capital, sabendo que essa é uma prática vedada pela UE, respondia, jactante: - Perguntem à direita.

Por outro lado, tenho um primeiro-ministro que fala mal. Da «precaridade» à matéria «insxucional» há de tudo no verbo calino daquela criatura malquista e oportunista. Daí que tenho deliberadamente evitado a notícia política e retornei ao desporto. Só que, ainda agora ouvi:

- O meu trabalho aqui no Porto será feito step a step (adorei o preciosismo patriótico do aportuguesamento da preposição intermédia) e nos timing apropriados – José Peseiro, novo treinador do FCP;

- A contratação do novo treinador obedeceu a uma unanimidade total (Pinto da Costa carregou bem no «total») da SAD e do Clube - Pinto da Costa, presidente do FCP;

- É mentira. Fui bem expulso, mas não disse vocês são uns corruptos. Até porque não gosto da palavra corrupto, porque tem uma fonética apardalada – Bruno de Carvalho, presidente do SCP.

Resumindo, estou a ficar sem opções. Valem-me algumas séries e os filmes da Fox e da Telecine.


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quinta-feira, dezembro 18, 2014

É IMPERATIVO fazer qualquer coisa


[5204]

Na educativa (!!!)  rubrica da RTP destinada a pôr o rebanho a falar segundo o chamado acordo ortográfico assisti hoje ao segundo exemplo:

- Traz o teu amigo também
- Trás o teu amigo também

Depois das perguntas da repórter pela rua sobre se traz se escrevia com «z» ou com «s» e acento, a decisão chegou, sábia, de que era com «z», porque correspondia à terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo trazer.

Perante isto, é imperativo fazer qualquer coisa. Ou mesmo fazer qualquer coisa na terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo fazer.

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domingo, junho 01, 2014

Em defesa de Jesus


[5130]

O treinador do Benfica continua a ser um saboroso saco de pancada de uma grande parte dos virtuosos jornalistas e comentadores da paróquia. Eu tenho de reconhecer, sem qualquer esforço, que o homem tem um invejável cortejo de calinadas. É isso, o homem é um calino encartado. MAS:

1 - Jesus, como o próprio afirma na reportagem, é um homem sem instrução (palavras dele), Isto significa, para os mais distraídos, que não estudou;
2 – Depois, há o facto, não despiciendo, de ter nascido e medrado num subúrbio pobre de Lisboa (igualmente palavras de JJ) onde a linguagem adquire contornos conhecidos. Jesus deu até exemplos do «tamem» a significar o também ou «ganda» no lugar de grande;
3 – Tudo junto e somado, parece que o homem é sério, trabalha a sério, não depende de lóbis, não rouba nada a ninguém e conseguiu evoluir ao ponto de ganhar €4 M por ano.

Ora só mesmo os distraídos poderão passar ao lado da inaceitável série de pontapés na gramática desferidos em profusão por uma grande parte dos elementos da nossa comunicação social e dos nossos comentadores (desportivos e não só). As enormidades sucedem-se, para não falar até nos irritantes vícios de linguagem como o «pelos vistos» o «muitas das vezes», o «é assim», o «desde logo» a «janela de oportunidade», isto para falar numa ínfima parte deles. Com a diferença que agora estamos a falar de gente licenciada e com a obrigação estrita de falar bem. A mesma que Jesus tem em ensinar os atletas a jogar bom futebol.

Claro que muita desta rapaziada da comunicação social precisará, cá pelas minhas contas, de cento e sessenta anos (disse bem, cento e sessenta anos) para auferir o que Jesus ganha em apenas UM ano. Convenhamos que é uma «ganda» diferença e «tamém» pode explicar muita coisa.

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sexta-feira, novembro 02, 2012

Os hemorrégicos

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Os portugueses são exímios na arte de falar bem o falar mal. Porque há coisas que relevam do nosso feitio em forma de assim e que nos leva a dizer mal aquilo que sabemos dizer bem. Um exemplo corrente é o helicóptero, cuja leitura atenta deveria corresponder a uma fonética adequada e correcta em vez do vulgar ilecóptero.

Por vezes, o erro gira à volta de pessoas com menos qualificações académicas mas mesmo essas são ordinariamente descuidadas e não reparam que se uma cliente de charcutaria pede duzentos gramas de fiambre, elas poderiam, pelo menos, reparar na diferença e pensar, antes de repetirem perguntando: - duzentas gramas? Mas, enfim, este é um caso menor, mesmo atendendo que conheço gente de cátedra que sabe que grama é masculino mas fá-lo feminino, porque dá mais jeito. Não é verdade, João? Sem link, por se ele ler isto sabe que é ele.

Hoje de manhã, a notícia era de que um bebé tinha saído do hospital com uma hemorragia no umbigo. Inevitavelmente, a repórter da RTP disse que o bebé saiu com uma grande hemorregia, como lhe competia, não fosse ela licenciada em comunicação social. O caricato da coisa foi a repórter entrevistar a mãe da criança, a mãe ter dito três ou quatro vezes hemorragia e a repórter continuava alegremente a dizer hemorregia, se a hemorregia era grande, se achava que a hemorregia era perigosa e se achava que a hemorregia se devia a erro médico. E a mãe lá ia dizendo que sim, a hemorragia era grande, a hemorragia era perigosa, a hemorragia isto e a hemorragia aquilo.

Pontos nos i’s e traços nos t’s. Eu jurava que a repórter sabe escrever hemorragia, mas por que carga de água tem que dizer hemorregia? Preguiça mental, descuido, desleixo, falta de rigor, enfim tudo o que caracteriza este bom povo português, lá diz Gaspar, e que, neste momento, está causando uma verdadeira hemorragia de cérebros por falta de condições de trabalho. Tenho a certeza que os hemorrégicos da paróquia passam a hemorrágicos, mal tenham necessidade de aprender a trabalhar, agir e actuar com rigor e eficiência.
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segunda-feira, setembro 24, 2012

Matriz

[4775]

O Benfica ontem não ganhou. Apanhou com duas grandes penalidades pela barba duma forma que tira a vontade e o ânimo ao mais pintado. O árbitro nem sequer soube ser aquilo que se espera de um árbitro nacional. Habilidoso q.b. para logo de início ir pondo fora de combate qualquer possível rival que faça sombra ao campeão anunciado. Pelo contrário, foi de um xicoespertismo pacóvio que nem o próprio FêQuêPê deve ter apreciado.

É interessante como as nossas imagens de marca se cruzam e confundem em diferentes campos de acção. No futebol, na política, nas empresas e, grave, no próprio funcionalismo público onde é flagrante o autoritarismo de muitos que só no seu mister encontram a oportunidade soberana de sentirem poder.

Um árbitro não é muito diferente de um político, um gerente, um chefe de recursos humanos, um militar lateiro, um taxista, fiscal de finanças ou um activista itinerante que corre o país a chamar gatuno a qualquer político que se movimente por aí. Parecemos cunhados à nascença para a volúpia de um momento de poder e glória ou para, sem escrúpulos, concorrer para o poder e glória de alguém a troco de umas moedas. Ou de um emprego. Ou mesmo fruta da época. O jogo de ontem foi um bom exemplo.

Declaração de interesses. Não sou simpatizante do Benfica, como sabem os que me conhecem.
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quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Bom dia Portugal - Uma questão cromossómica

[4545]

Está ali uma senhora de fato-casaco (Drª Rita Castelo???) a dissertar na televisão sobre as diferenças entre o homem e a mulher. Entre o cérebro maior dos homens (para nos dar mais força) e a capacidade limitada dos homens (só conseguimos fazer DUAS coisas ao mesmo tempo) e a eficiência das mulheres (fazem mais que duas coisas ao mesmo tempo e melhor… lembrem-me de lembrar a algumas mulheres a sua «polifacetagem»), disse que entre o homem e a mulher há evidentes diferenças… cromossómicas. Prontes, borrou a pintura. A Drª Rita consegue fazer mais coisas do que eu ao mesmo tempo, está visto que é uma questão cromossómica! Logo agora que eu estava a pensar com os meus botões quando é que eu conseguiria fazer uma terceira coisa ao mesmo tempo para vir no Guiness…
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quinta-feira, janeiro 26, 2012

Barulho trincado

[4528]

Desabamento de dois prédios no Rio. O repórter da RTP para um residente próximo:

-...mas diz-se que houve uma explosão. Ouviu algum barulho de explosão?
- Não, senhor. Ouvi um barulho, sim, mas não foi um barulho explodido, foi um barulho trincado.
- Barulho quê? Não se importa de explicar melhor? É que esta reportagem é para Portugal…
- Trincado, ouvi um barulho trincado, não foi explodido, não.

Reconheçamos que a grafia do português brasileiro frequentemente não faz sentido. É preguiçoso e desvirtua grosseiramente a etimologia das palavras. Mas que os brasileiros têm uma criatividade ímpar na sua forma de expressão, têm. Assim que ouvi barulho trincado, percebi exactamente o que o homem dizia, imaginei até o barulho e entendi que o prédio deveria ter desabado por si. Na verdade, na peça seguinte, o repórter anunciava que o prefeito do Rio de Janeiro aventava a forte possibilidade de tudo se ter devido a deficiências de construção.

Sei de muita gente compostinha cá da paróquia que bem podia ir ao Brasil exercitar a sua oralidade (salvo seja…) para evitar figurinhas tristes de cada vez que os repórteres lhes pedem para dar opiniões.
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domingo, setembro 25, 2011

O homem desvairou-se

[4423]

Do Eixo do Mal é reconhecida a sua presente condição de pornografia (barata) televisiva. Mas ninguém contaria, ontem, com os «desváiros» do Pedro Marques Lopes. Por duas vezes o homem se desvairou. Era «desváiro» atrás de «desváiro», de cada vez que falava nos desvarios de A. J. Jardim. E dos seus companheiros de painel, ninguém se riu ou, no mínimo e piedosamente, lhe segredou o termo correcto.

Com comentadores deste quilate quem não se «desváira» com o que lhes ouve?


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quinta-feira, maio 19, 2011

Uma questão de método



Cada um usa os métodos que acha melhor



[4267]

Sócrates descobriu um novo brinquedo. A metodologia. À medida que se vai destapando mais minhocas nas tímidas cavadelas ao quintal da sua legislatura, algum dos seus conselheiros ou assessores lhe segredou a metodologia como a causa de males que, segundo Sócrates não são males. São tão-só o resultado de uma diferente metodologia. A mim, que não sou homem de letras e, já agora, também percebo pouco de finanças, salta-me à vista que Sócrates não sabe o que é metodologia. Nada que espante no seu currículo de novas oportunidades ao domingo mas, que diabo, o homem sempre é primeiro-ministro e poderia, pelo menos, disfarçar. Metodologia, no meu modesto entender é a ciência que estuda os métodos. Ora… o que Sócrates deve querer dizer é que os métodos e/ou critérios para a avaliação de certas situações, como aconteceu agora com a desgraça do desemprego, para o qual ele contribuiu decisivamente, podem ser diferentes. Ninguém anda a estudar métodos. O que eventualmente poderá acontecer é o uso de métodos diferentes de avaliação. Por exemplo, ele disse que iria criar 150.000 empregos, mas usou métodos diferentes e em vez de pôr mais 150.000 a trabalhar contribuiu para que tenhamos 12,4 % de desempregados. Foi o método, só pode. Já com o défice foi a mesma coisa. Andam eles a fazer contas e depois vem essa gente conspirar com métodos diferentes borrar a escrita. Uma maçada, é o que é.

Mas o que estava em causa era a metodologia versus uso de métodos diferentes. Alguém esclareça o nosso primeiro sobre as elementares diferenças da coisa. Para tristes figuras já chegam as que andamos a fazer. Não precisamos de enaltecer a pobreza cultural de cada um, sobretudo em se tratando de português escorreito. Ele não deve perceber, mas há alturas em que talvez falando com ele como ele fala à massa bovina que o rodeia a coisa funcione - aos berros. Para que não tenhamos de estar à mercê dos desmandos e ignorância da criatura. Quanto mais não seja por uma questão de método.
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quinta-feira, maio 12, 2011

Pintelhices



Pintelho: Ave canora da família dos pintassilgos, muito comum em Portugal




[4158]

Depois da saída de Catroga quanto às «pentelhices» nacionais, a magna questão é se ele queria dizer pintelhos ou pentelhos. Antes que isto resvale mais ainda para o mau gosto, Catroga que esclareça a grei sobre o que realmente significava quando se saiu com aquela.

Curiosa foi a forma como os vários blogues se referiram ao facto. Tanto se referiam a pintassilgos como a pêlos púbicos. Um bocadinho à la mode de chez nous. Escreve-se o que estiver mais à mão de semear. Do que li, tem ganho o pintelhos com o que genuinamente me congratulo. É um vocábulo mais harmonioso, de inegável beleza no significado e admitamos mesmo que em muitos casos substituiria com vantagem, mesmo em termos anatómicos, a outra horrenda expressão vocabular.


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domingo, janeiro 23, 2011

É assim


[4036]

«...Apesar de continuar elevado, o número de jovens que é mãe está a diminuir e 2009 foi o ano em que houve menos nascimentos desde 1970...»

Portantes, o número de jovens que é mãe quer dizer que isto vão haver menos bébés, e além disso eles nassem com muitas menos gramas que o costume, quinda agora a minha sobrinha nasseu com três quilos e trezentas e eu ainda onte me lembro de ouvir um jornalista do Público preguntar a um colega: - Então tu ouvistes dizer que o ano passado houveram menos bebés? E não ficas-te ademirado?

Resultado é que o melhor é mesmo a gente não esperarmos mais. Rezaide para que começardes a fazer crianças, fazendo sexo como Nosso Senhor e o Cardeal Patriarca mandarão, ou seja não useides perzervartivo e os filhos reproduzirão-se-ão.

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quinta-feira, janeiro 06, 2011

RTP - Uma questão de gramagem


[4013]

Há uma rubrica no «Bom dia Portugal» chamada de «Bom Português». Ver a RTP, provavelmente a estação televisiva que mais efeminou o s.m. grama, a perguntar aos transeuntes se se diz trezentos gramas ou trezentas gramas, não lembra ao careca. E proporciona uma boa risada.

Mais vale dizer que não nos gramam!

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terça-feira, dezembro 28, 2010

Gente escovada. Uma questão de latitude?




[4004]

Ontem, distraidamente, dei-me conta de uma análise do ano futebolístico nacional. Comecei a perceber uma entoação agradável, um perfeito posicionamento de voz, uma dicção impecável, uma eficaz e judiciosa articulação das ideias na construção do tema em apreço, uma sobriedade notável, um português escorreito, correcto, elegante e com miolo.

Eram dois conhecidos jornalistas, David Borges e Ribeiro Cristóvão. Curiosamente ambos de origem ou oriundos de Angola. Há momentos avulso que me fazem reflectir que ir além da Trafaria e pular o equador para o lado de lá nos fez muito bem. Que pena os retornados não terem sido mais…
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quinta-feira, novembro 04, 2010

A balística em tratos de polé


[3952]

Prontesdesde logo e é assim e naquilo que é a insustentável tendência para o neologismo parolo, aprendi hoje que os coletes à prova de bala aqui, em Portugal, se chamam coletes balísticos. E eu que julgava que balística era o movimento dos projécteis, especialmente das armas de fogo, seu comportamento no interior destas e também no seu exterior, como a trajectória, impacto, marcas, explosão, etc., utilizando-se de técnicas próprias e conhecimentos de física e química. Mas devo ser eu que ando a ver CSI’s a mais ou a versão portuguesa do inspector Max…

A insistência dos repórteres da TSF, a propósito da cimeira da NATO, a perguntarem à PSP se já tinham recebido os coletes balísticos faz-me recear o pior. De que não há remédio mesmo. Já anteontem eu andava meio descoroçoado com a ignorância da nossa rapaziada da comunicação social (licenciada, é bom não esquecer) sobre o Tea Party. Hoje apanho com os coletes balísticos. E há bem pouco tempo era a gripe… aviária, se bem se lembram. É bem feito para mim!

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sábado, setembro 04, 2010

"...Espero que não se voltem a repetir, outra vez, de forma reiterada..."


[3885]

Cristina Fangueiro, actual directora da Casa Pia, pode ser tudo menos enfática. É reparar na frase do título acima e perceber como há gente asmática, uma doença respeitável e que apenas cede a paliativos e outra … «pleonasmática», que não cede a coisa nenhuma, quando muito cederia a um desejável provedor da língua portuguesa que se entretivesse a corrigir as figuras públicas, com responsabilidades mediáticas e que fazem da língua um relvado e da gramática uma bola.

Reiteradamente me afirmo, outra vez e reiteradamente volto a repetir, que me choca esta gente que fala e que reiteradamente não faz a mínima ideia do que está a dizer…

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quarta-feira, agosto 11, 2010

«Hajam» saúde e dinheiro para gastos

[3856]

A tropa já não é o que era. Aquelas fardas brancas, ataviadas de condecorações e símbolos e galões dourados infundiam o respeito devido à instituição. Mesmo nós, oficiais ou mesmo sargentos milicianos, fauna menor de um grupo de voluntários à força, concedíamos uma deferência genuína a quaisquer galões acima das três tiras douradas horizontais, o que equivalia a dizer que a partir de major era esperável lidar-se com gente da Academia Militar, gente estudada e razoavelmente culta, sobretudo numa altura em que as circunstâncias determinavam que quem tivesse pelo menos o acesso à faculdade pudesse ser oficial miliciano.

Mudam-se os tempos, quiçá as vontades, não mudam os galões, mas muda com certeza a formação de muitos oficiais. Só assim consigo entender que um tenente-coronel (uma larga e duas estreitas, lembro-me bem…), de dentro da sua imaculada farda branca e reluzente de galões e dourados correlativos, diga repetidamente «póssamos» à RTP, numa entrevista sobre os fogos que assolam o país. Eu sei que não é a gramática que apaga fogos, a coisa vai mais com água, mangueiras e aviões (meios aéreos, siga-se a ladainha), mas o busílis é que uma má gramática torna sempre desconfiável a competência e as capacidades de quem lidera situações de risco e emergência. Isto pode parecer um preciosismo, mas não é. Para decidir bem é preciso pensar bem, pensar sem erros. Para que «póssamos» todos ficar mais descansados. «Tênhamos» fé, que o homem da Fenprof e o senhor Albino da Comissão de Pais, através da boas práticas (esta das «boas práticas» concorre decididamente para destronar o «é assim») da educação, «há-dem» de contribuir definitivamente para que os tenentes-coronéis passem a ter uma esmerada educação em pequeninos. Já «houveram» casos semelhantes, ainda agora o senhor Albino se congratulava com a acção do governo no manejo e solução da indisciplina escolar. «Tênhamos» fé.

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terça-feira, junho 22, 2010

Os puristas


[3805]

Ontem vinha para a casa e na rádio (TSF) ecoava a ressaca dos 7-0 à Coreia. É claro que à euforia do momento, e assente a poeira, começaram a surgir os cientistas do pontapé na bola a balizarem o feito, sendo que uma das questões tratadas era a linha clara que alguns dos nossos críticos estabelecem entre o que chamam uma selecção pura e uma selecção descaracterizada (sic). Ora este «descaracterizada» só pode referir-se a Deco, Pepe e Liedson que são de origem brasileira. Um dos puristas, por exemplo, repetia à exaustão que ontem, até aos 4-0, TODOS os jogadores eram exclusivamente de origem portuguesa.

Alguém explique a estes puristas que há leis de nacionalidade e estas, como quaisquer outras, deverão ser observadas na pureza da sua substância. Um cidadão tem ou não tem condições para ser cidadão nacional. Se não tem… paciência. Se tem, tem e as dúvidas terminam ali. Um cidadão nacional é um cidadão nacional. Vota, tem os direitos e os deveres de um cidadão nacional e, entre outras coisas, o de representar a selecção nacional. Talvez não fosse mau, igualmente, explicar a estes puristas que nem sempre é aconselhável esmiuçar muitas gerações acima, não vá a pureza da nacionalidade ser inquinada com algumas surpresas mais ou menos desagradáveis.

Isto é uma atitude típica de alguns (muitos) portugueses. Fazemos um escarcéu desgraçado se se identifica um ladrão ou um «hikacker» pela sua etnia, aqui d’el rei que somos um bando de racistas. Chega-se ao pontapé na bola e é isto. Há lugar para questionar a pureza das origens dos jogadores da selecção. Não dá para perceber… ou dá, que nestas coisas de nos percebermos a nós próprios somos peculiares, ou seja, ninguém percebe ninguém e todos achamos que todos têm obrigação de nos perceber. A nós, pois «atão».

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domingo, junho 06, 2010

Blow job – The one and only


[3786]

Eu tenho uma empregada moldava que fala razoavelmente português. Anda zangada porque o namorado comprou uma vulvozela (sic) e ela não gosta, diz que soprar na «vulvozela» faz muito barulho, vibra-lhe os tímpanos e faz mal aos ouvidos. Estive quase para lhe dizer para ir ao médico, talvez fosse a tensão, talvez fosse nervoso, talvez hipersensibilidade dermo-estética-erógena mas achei que não devia. Mesmo assim ainda disse que tínhamos de entender que a vuvuzela era um instrumento de sopro que… pois, mas ela insiste que viu um jogo na televisão passado na A. do Sul e que o barulho das «vulvozelas» era ensurdecedor e não deixavam concentrar no jogo.

Resolvi deixar a coisa, para não baralhar mais a pequena. E se o namorado «vulvazelar» muito ela tem mais é que fazer coro e «vulvazelam» os dois em coro. E um dia destes, passado a World Cup eu digo-lhe para melhorar o português… e ir ao Google aprender a dizer vuvuzela.

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terça-feira, abril 13, 2010

Prudencial, está bem de ver

[3726]

Agora que o barulho das luzes se vai esvaindo e começam, aqui e ali, a surgir as primeiras dissonâncias (a primeira é de que a mulher de Passos Coelho, “afinal”, tem um arzinho de dona de casa, seja o que for de pejorativo que a frase possa encerrar…) e com licença de “Vocelências”, vou-me ali sentar com a Joana e esperar um bocadinho, também. Uma atitude meramente prudencial.

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