quinta-feira, dezembro 18, 2014

É IMPERATIVO fazer qualquer coisa


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Na educativa (!!!)  rubrica da RTP destinada a pôr o rebanho a falar segundo o chamado acordo ortográfico assisti hoje ao segundo exemplo:

- Traz o teu amigo também
- Trás o teu amigo também

Depois das perguntas da repórter pela rua sobre se traz se escrevia com «z» ou com «s» e acento, a decisão chegou, sábia, de que era com «z», porque correspondia à terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo trazer.

Perante isto, é imperativo fazer qualquer coisa. Ou mesmo fazer qualquer coisa na terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo fazer.

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terça-feira, setembro 25, 2012

Deplorável

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O almoço nem me soube bem. A RTP, aquela do milhão de euros por dia, parte dos quais nos sai compulsivamente do bolso através da factura da luz, apresentou uma reportagem, pretensamente séria sobre o facto vergonhoso de Mitt Romney não saber porque é que as janelas dos aviões não podiam ser abertas em voo. E quando eu pensava que a notícia era um chiste, ainda que de gosto duvidoso, eis que surge o visado durante uma alocução num jantar de recolha de fundos em que, claramente e visivelmente, faz humor, dizendo que ainda não percebeu porque é que as janelas dos aviões não se abrem em voo, esboçando mesmo um sorriso a propósito.

Foi perfeitamente claro que o candidato pretendeu fazer humor com a cena, mas a RTP achou que não. Em definitivo, o homem é burro e vai daí, a nossa RTP explica elaboradamente porque é que as janelas não se podem abrir. Há a pressão atmosférica, coiso e tal e há até, para os mais distraídos como Romney, uma temperatura exterior que nos faria morrer de hipotermia. E explicou, com a ajuda de vídeos auxiliares com cenas de filmes em que as janelas de aviões se partem e é tudo sugado para o exterior.

A RTP, pela voz de uma Sónia qualquer coisa e num ar de quem percebe imenso de aviões, janelas, pressão atmosférica e temperaturas negativas, acha que Romney falou a sério, logo é burro, como a generalidade dos americanos que votam no Partido Republicano. E disse mesmo que esta notícia sobre a ignorância de Romney está já a correr mundo. E a RTP, cumprindo a sua nobre missão de serviço público achou que nos devia dar conta da burrice de Romney, a partir de um episódio humorístico em que toda a gente se riu, menos a RTP. Não porque seja demasiadamente burra, mas por ser execrável e deprimente.

Sónia perita em lições sobre janelas de aviões aproveitou os segundos finais para noticiar que Romney afirmou que ele só se preocupa com metade dos americanos, porque a outra metade vota Obama. Vejam bem o risco que corremos se aquele burróide sectário calha ser eleito.

Sinto-me deprimido com esta nossa insustentável maneira de ser…

Adenda: A «coisa» agrava-se. Agora é o Diário Digital. E assim se fabrica notícias. À la carte, está bem de ver.
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domingo, setembro 02, 2012

É por estas e por outras...


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…que me apetece ir embora e ando farto desta gente.

«...O novo conselho de administração, sem dever, naturalmente, dar garantias hipócritas de apartidarismo, deve ter um perfil de compromisso autêntico com o imperativo constitucional do serviço público e deve pôr esse compromisso acima das suas inclinações partidárias, religiosas ou outras...»,

Ler tudo aqui.

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terça-feira, agosto 28, 2012

Um caso de polícia

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Miguel Sousa Tavares, um senhor que parece que percebe imenso de roças de cacau e escreve que se farta, disse ontem, preto no branco, que o que o Governo está a fazer à RTP é um caso de polícia. Que pena que Miguel não tenha tido a mesma epifania (só pode ter sido uma epifania…) de cada vez que se meteu a defender Sócrates e Pinto da Costa.

O que me irrita é pagar-se a um cidadão para ir dois minutos para uma televisão dizer este tipo de coisas. Juro que eu também era capaz. Quiçá com mais empenho e sem fazer aquele esgar de quem precisa urgentemente de um antiácido. E, quem sabe, levaria mais barato…
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sábado, agosto 25, 2012

Mexeram na vaca sagrada

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E de repente fez-se luz. A RTP dá lucros e as explicações de peritos encartados despejam uma catadupa de algarismos que ninguém entende, mas de onde releva a palavra lucro (aparentemente um vocábulo de virtude e geometria variáveis, conforme o contexto) mas se escamoteia uma coisa qualquer que dá pelo nome de dívida acumulada de centenas de milhões de euros, vou repetir, centenas de milhões de euros, decorrente de má administração e créditos avalizados pelo Estado. Há ainda o pormenor do ridículo, o Expresso, por exemplo, ir ao cúmulo de fazer um exercício de antecipação e num anteprojecto tipo 3 x 9 = 27 e vão dois, noves fora nada, concluindo que os privados, contando com a contribuição dos cidadãos vão ter um exercício positivo de € 20 milhões. «Ganda Ricardo Costa». Via Blasfémias.

Paralelamente multiplicam-se abaixo assinados e «likes» da RTP2, uma estação que eu duvido que a maioria dos portugueses se lembra que existe. Mas nós continuamos a ter uma espécie de intelectualidade de mansarda parisiense, que é pequena mas tem a força que falta ao português profundo e que é preciso cultivar e daí à multiplicação à náusea de «likes» à RTP 2 foi um passo. Admira-me só a rara referência ao «Acontece», imagem de marca que, aparentemente, os intelectuais têm indesculpavelmente votado ao ostracismo. «Passou-se-lhes», acontece!

Não tenho uma ideia sólida sobre este cenário que foi passado ao público por António Borges. Tenho uma ideia sólida de que foi uma forma inábil e inaceitável, má, sem jeito, a de usar esta forma de comunicar. Mas, para mim, o fundamental é o «bueiro» de euros em que a RTP se tornou e que todos nós sustentámos, as elites amiguistas e seguidistas geradas e alimentadas a salários e honorários milionários e a medíocre qualidade de uma estação que dispõe de modernos e dispendiosos meios de produção. E fica esta imagem peregrina de se querer passar a imagem que o nosso serviço público é o mais barato da Europa. Primeiro, porque é mentira. Segundo, porque comparar a RTP com a BBC, por exemplo é um exercício de pura fantasia e demagogia.

Assim sendo, acabe-se com o forró. E acabe-se ainda com a vaca sagrada dos trabalhadores que poderão ser dispensados. Se os trabalhadores de uma fábrica de sapatos ou de têxteis podem (e são-no, frequentemente, sem ninguém colocar «likes» no FB) ser despedidos, não percebo esta preocupação com os trabalhadores (milhares…) da RTP.

Nota: No meio desta generalizada incompetência e forma relapsa de tratar dos nossos problemas, lembro-me que conviria que alguém se lembre de preservar o valioso espólio da estação. Parece ser do conhecimento geral que o arquivo tem uma importância histórica muito para além do seu valor intrínseco.
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quinta-feira, março 22, 2012

A RTP diz que foi um erro

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Isto coloca-me duas questões. Uma, a de que eu gostaria de saber que o romântico autor do inquérito colocado na página da RTP teria sido sumariamente despedido, com direito a uma carta de recomendação para um emprego na Venezuela. Outra a de que em casos com esta alarvidade, a culpa não é só dos alarves. É de um provável jovem pimpão que, saído da faculdade, deixou correr a sua torrente idealista na direcção do estuário de cretinice em que todos parecemos navegar. Mas também do «caldo político» em que vivemos, em que, a par de uma verdadeira esquizofrenia (reportagens, notícias e factos ao minuto sobre as desgraças da crise), a nossa comunicação social se encontra inquinada por um complexo a que alguns continuam a apelidar de esquerda mas que, no meu entender, se converteu já numa demonstração de idiotia militante e num impulso pueril de subir à ribalta, entenda-se, comentador, analista, ou «paineleiro» de um dos vários programas de opinião que enxameiam os nossos monitores.
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quinta-feira, janeiro 06, 2011

RTP - Uma questão de gramagem


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Há uma rubrica no «Bom dia Portugal» chamada de «Bom Português». Ver a RTP, provavelmente a estação televisiva que mais efeminou o s.m. grama, a perguntar aos transeuntes se se diz trezentos gramas ou trezentas gramas, não lembra ao careca. E proporciona uma boa risada.

Mais vale dizer que não nos gramam!

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terça-feira, abril 13, 2010

"Suspense" matinal


A tensão aumenta: O que responderá Manuel José?

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A notícia dominante desta manhã é de grande impacto. Pergunta-se a Manuel José o que é que ele diria se fosse convidado para treinar o Sporting. E o que responde Manuel José? Adivinhe-se (rufo) … bom, para não prolongar o “suspense”, MJ respondeu que se o Sporting lhe fizesse essa proposta (deduz-se, assim, que ainda não fez) ele ia pensar. Ora embrulhemos, que o serviço público fez-se para estas momentosas e superlativas questões, sobre as quais temos o direito de seguir esclarecidos para o trabalho.


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Melhorar o serviço público

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A Carla Trafaria soltou o cabelo e passou a apresentadora do "Bom Dia Portugal". Para já, o ganho é evidente, se nos lembrarmos de algumas massas lêvedas, masculinas, que faziam aquele trabalho. “Trafariemos” pois, regozijemo-nos com a mudança.

A propósito do Bom dia Portugal… ainda não perdi a esperança de arranjar um emprego pós reforma em que me paguem para ir ao programa dizer que a dieta mediterrânica é muito boa, que os hambúrgueres e batatas fritas blá blá blá, que devemos comer muitos vegetais, saladas e assim e evitar fritos, açúcares, sal, gorduras e carnes vermelhas e fazer muito exercício. Afinal, trata-se de dizer o que toda a gente sabe a uma data de gente que não liga nenhuma. Mas pagam-lhes por cima e é fácil, fácil. O inconveniente é uma pessoa ter de se levantar muito cedo. Nada que não se remedeie depois do programa com uma tosta mista e um galão com três colheres de açúcar.

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quarta-feira, agosto 19, 2009

Ouve o que eu te digo...


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Giro, giro, é estar a ouvir as notícias matinais na RTP e, na rubrica «falar bem português», ouvir a repórter perguntar aos transeuntes se se diz trezentos gramas ou trezentas gramas…

Nota: A grande maioria dos interpelados respondeu trezentos gramas pelo que deduzo que a maior parte deles não vê a RTP.

Adenda: A Ana, com o seu rigor que muito aprecio, chama a atenção no seu comentário a este post para o facto de a unidade ser sempre singular. Fica o registo mas pergunto à Ana: Se de cada vez que vou à charcutaria e peço duzentos gramas de fiambre a menina já olha para mim como se eu fosse um ET, imagina tu eu chegar e pedir dê-me duzentos grama de fiambre, por favor.

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quarta-feira, abril 22, 2009

Fuuuuuuu!


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Há aqueles casos em que nos cruzamos com alguém a sair de uma casa de banho, visivelmente embaraçado pelo fedor que causou e deixou ao triste utilizador seguinte.

Por muito que me esforce em evitar a imagem, a sensação que tive ontem ao fim da entrevista de Sócrates foi mesmo essa. Um fedor incómodo, causado por ele próprio, com a agravante que, ao contrário do exemplo acima, Sócrates não mostra embaraço nenhum.

E peço desculpa pelo exemplo grosseiro mas foi exactamente o que me veio à cabeça. Do resto, sobre a entrevista, pouco há a dizer. Ficam os longos minutos (habilmente deixados para o fim da entrevista) concedidos ao Grande Líder para mais uma barrela (limpeza de imagem) no caso “Fripór”, na forma redonda, pesporrente e ameaçadora que se lhe conhece, citando até que “a liberdade de dar um murro termina no nariz do parceiro”, como refere Manuela Moura Guedes, na reacção ao destemperado ataque de Sócrates à TVI.

O meu primeiro-ministro embaraça-me. Cá dentro e lá fora. Espero veementemente que ele saia, democraticamente, de cena. E possamos esquecer este trágico intermédio.

Adenda 13:15 - Ouvi o forum da TSF quase todo. Coincidentemente, ou não, uma enorme parte dos opinantes apoiou sem reservas o primeiro-ministro. Mais trágico que ter o Grande Líder a ganhar de novo as Legislativas só o Grande Líder ganhar as Legislativas e o FêQuêPê ganhar o campeonato. Tudo ao mesmo tempo. Aos trambolhões...

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quinta-feira, dezembro 18, 2008

Cuidarem de nós


[2838]

Hoje acordei cedo. Como adormeci de televisão ligada, acordei de televisão ligada. Feitas as contas, conclusão extraordinária de que só me apercebi de manhã.

Acordar com a sensação aconchegante de que estamos a ser minuciosamente cuidados no sentido de nos tornarmos (não o seremos já?) uma sociedade bonita, saudável, ecológica e boazinha é qualquer coisa que nos pode estragar o resto dia. Eu não sei quem é o responsável pelo alinhamento das notícias e dos conteúdos matinais, mas repare-se neste alinhamento da RTP, durante cerca de vinte minutos e sem nada pelo meio, apesar de serem notícias separadas, pelo menos na parte que consegui ouvir antes de me levantar da cama de supetão, sob pena de atirar um sapato ao televisor, gesto muito em moda, como se sabe:

- Aquele senhor careca de voz melíflua e cujo nome nunca me ocorre, da Quercus, explicou-nos que no Natal devemos comer só coisas da nossa região. Assim, estaremos a contribuir para uma menor emissão de CO2 porque não serão necessários tantos transportes. Como se vê, é uma lógica imbatível e estou a ver já nomear-se comissões regionais no Natal do próximo ano a fazer inquéritos para se poupar gasóleo e pôr o pessoal todo a comer produtos da região a que pertence;
- De seguida, um jovem de mento sereno e compenetrado, anuncia que está a vender umas T-Shirts com um apito pendurado. Esse apito toca de cada vez que entramos numa loja, contribuindo assim para combatermos o consumismo compulsivo (esta parte é dita com uma expressão severa...). O resultado, dizia o dono da loja, sem se rir, é que o site está entupido com pedidos e ele pedia que fossem antes à loja levantar as t-shirts, ao preço de € 19,99. Aqui o fulano não se lembrou de dizer às pessoas que ficassem quietas e não fossem consumir compulsivamente camisetas idiotas com apitos pendurados ao peito;
- O apresentador passou então à notícia de uma senhora inglesa enamorada da cozinha mediterrânica, muito boa e muito saudável, com aquelas vitaminas todas que nós já sabemos mas que nos são anunciadas a cada instante como se fosse a primeira vez, gorduras especiais de corrida e outras benfeitorias. A senhora ensinou-nos então a cozer um robalo em vapor, acompanhado de batatinhas e legumes que, como sabemos, é um prato desconhecido para a maioria dos portugueses. Ah! E disse que um copinho de vinho tinto também faz muito bem. Não disse a quê, mas acho que já no-lo disseram muitas vezes pelo que devemos saber;
- Passa-se aos fritos de Natal. Aqui, o apresentador entrevista uma nutricionista. Surpreendentemente não convidaram a Dra. Isabel do Carmo que, como sabemos, tem assinatura vitalícia na RTP. E então a nutricionista disse coisas fantásticas, desconhecidas para todos nós. Que os fritos fazem mal mas como é Natal, tudo bem, podemos comer cusculhinhos, coscorões (a ver se não me enganei…), sonhos e rabanadas. Mas… alto e pára o baile. Com moderação. Esta parte da moderação é muito importante e com óbvia sustentação científica. Ela aconselha mesmo que de cada vez que vamos á mesa buscar comida, levemos apenas meio sonho (eu seja ceguinho) ou meia rabanada. Depois, se quisermos, vamos buscar mais;
- Falou-se depois em fornos. A comida deve ser cozinhada em fornos à temperatura mínima de 240º. Estudos recentes concluíram que a essa temperatura, as gorduras… não sei quê. Não me lembro bem. Devem ficar esturricadas, penso eu, mas isto é a voz de um cidadão estremunhado e puxado à realidade do dia a dia pelo "Bom dia Portugal", só porque adormeceu com o televisor ligado.

Se pensarmos que todas estas notícias foram dadas de seguida, sem intervalos nem outras matérias pelo meio, concluímos que estamos realmente em face de um fenómeno estranho, onde uma série de gente ganha a vida a dizer-nos o que e como devemos fazer, sob pena de sermos uns cidadãos incorrectos. A série continuou mas eu não resisti mais, foi na altura em que começavam uma notícia de uns espanhóis que falavam muito bem português e estavam encantados com a nossa comida em Ponte da Barca. Gostavam muito de bacalhau e… não ouvi mais. Vim para a sala tomar o pequeno almoço e liguei para a SIC Notícias onde, finalmente, ouvi algumas notícias-notícias.

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quarta-feira, dezembro 17, 2008

Carta aberta ao presidente George Bush


[2837]

Senhor Presidente

Venho através da presente apresentar-lhe sinceras desculpas por um facto lamentável que passo a expor sucintamente.

Esta manhã, a estação oficial de televisão do meu país deu a notícia do aparecimento de uma chuva de jogos de computador relacionados com o episódio do sapato que lhe atiraram em Bagdad. Enquanto a notícia desfilava uns quantos jogos, alguns deles, havemos de confessar, com muito humor, uma voz-off de um apresentador ia dando a notícia. Num dos jogos, o apresentador, num arroubo de consciência crítica, disse que o jogo parecia uma cena dos "três estarolas", cena em que aliás Bush iria muito bem no papel (sic).

Peço-lhe desculpa pelo facto da estação pública de televisão do meu país não ter consciência disso mesmo, que é pública e que não pode permitir-se "dichotes" deste género quando se refere à figura de um presidente da república. O que acontece é que em Portugal os jovens vão para as faculdades e aprendem mais depressa a não gostar de si e a saber como resolver os problemas do Iraque e do Afeganistão do que a expressar-se na própria língua materna. O resultado é este. Vão trabalhar para televisões e jornais e uma grande maioria deles fala mal e escreve pior. São erros atrás de erros mas, por outro lado, aprenderam que o senhor é uma besta quadrada, um imbecil, um atrasado mental, o responsável pelos males do mundo e, provavelmente, de outros mundos que porventura existam e que o povo americano é semi-idiota porque elegeu por duas vezes um energúmeno como o senhor.

Também sabem que podem dizer o que lhes apetece numa estação pública porque ninguém lhes diz que são pagos por mim e pelos outros cidadãos, a partir de uma elevadíssima carga fiscal e, sobretudo, ninguém lhes explica que se quiserem dizer mal de si podem escrever um livro ou, em última análise, abrir um blog, onde podem escrever o que lhes der na real gana.

Peço-lhe, assim, desculpa, pelo facto de estar sujeito a que um fedelho qualquer que, quase de certeza, nada sabe de si a não ser que o senhor é uma besta inculta e perigosa, que foi o que os professores e as brigadas de uma coisa que nós cá temos e que se entretém a visitar as universidades e que dá pelo nome de bloco de esquerda lhe ensinaram. Peço-lhe ainda desculpa pelo facto de a Rádio Televisão Portuguesa, um órgão institucional com profissionais pagos por mim e pelos restantes cidadãos, não dispor de responsáveis que interpelassem de imediato o garotelho da notícia dos jogos e lhe explicassem que uma televisão oficial não chama "estarola" a um presidente de república. E não interpelam porque, se calhar, eles próprios acharam muita graça.

Atenciosamente,


Já depois deste episódio ouvi Chávez a emitir a sua corajosa opinião sobre a cena do sapato. Concluo que há razões efectivas para os amores correntes entre nós e os venezuelanos. É que estamos bem uns para os outros.

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terça-feira, novembro 25, 2008

Cretinismo militante


Amílcar Cabral, na selva guineense, pacificando com Kalashnikov.

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Amílcar Cabral terá sido, para uns, um terrorista. Para outros terá sido um combatente da liberdade, um guerrilheiro, um político, um engenheiro agrónomo e, até, um poeta. Uma coisa ele não foi com certeza. Pacifista. Isso não obstou a que a nossa preclara RTP, em dois telejornais, lhe tenha chamado isso mesmo – pacifista, o que me faz pensar que de duas uma: ou lá pela televisão do Estado não se sabe português ou, pior, sabe-se, mas acha-se que é necessário manter vivo o primado da idiotia ou a chama de que alguns se sentem imbuídos no sentido de "pacificarem" o pensamento único das pessoas e de lhe incutirem a sua, deles, verdade histórica e semântica privada. Acima de tudo parece-me ser uma dose forte de cretinismo e uma falta de respeito, quer pelos telespectadores quer pelo próprio Amílcar Cabral que ganhou, muito antes da esquerda de esferovite da RTP, o seu lugar na história.

Adenda: Verifico, com prazer, que JPP não deixou passar este pormenor em branco. De resto, parece-me que o pacifismo de Cabral tenha sido "pacífico" para a maioria das pessoas.

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domingo, março 11, 2007

Serviço público

[1614]

Não há por aí ninguém que telefone à RTP e informe que em Madrid houve uma manifestação com mais de um milhão de pessoas na rua?

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