domingo, julho 28, 2013

Barba «à la mode de chez nous»

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Tem de haver uma razão forte para a grande quantidade de portugueses que usa barba. Não se trata de uma barba convencional. É uma barba cuidadosamente desalinhada, meticulosamente rebelde e não maior que uma barba de meia dúzia de dias. 

Naturalmente que uma barba deste tipo tem de dar comichão e destrói colarinhos de camisas a um ritmo acelerado, para além de não dar muito jeito para a sopa ou para determinados tipos de sobremesa. Mas tem de ser assim. Os porquês é que não consigo descortinar. Terei as minhas opiniões mas guardo-as para mim, primeiro porque não estou verdadeiramente certo de que estejam correctas, segundo porque me arrisco a que um barbudo me pergunte o que é que eu tenho a ver com isso ou, pior, afirme que não entende porque é que eu faço a barba todos os dias.


Mesmo assim é curioso que a barba que refiro, e que de repente parece ter-se tornado «viral», como agora se diz, marca indubitavelmente um estereótipo. Normalmente, ainda, enquadrado num determinado cenário. Só a SIC, por exemplo, conta pelo menos com dez barbudos do tipo referido. E falo só de figuras conhecidas. Mas não pode ser só uma questão ambiental. Tem de haver uma razão qualquer. Ainda que uma para cada um dos barbudos, aceito a existência de uma qualquer afinidade subjacente.















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domingo, setembro 25, 2011

O homem desvairou-se

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Do Eixo do Mal é reconhecida a sua presente condição de pornografia (barata) televisiva. Mas ninguém contaria, ontem, com os «desváiros» do Pedro Marques Lopes. Por duas vezes o homem se desvairou. Era «desváiro» atrás de «desváiro», de cada vez que falava nos desvarios de A. J. Jardim. E dos seus companheiros de painel, ninguém se riu ou, no mínimo e piedosamente, lhe segredou o termo correcto.

Com comentadores deste quilate quem não se «desváira» com o que lhes ouve?


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quarta-feira, setembro 08, 2010

Enquanto nos assoamos à gravata...


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Tem de haver uma razão plausível para esta autêntica esquizofrenia nacional, qual seja a de transformar notícias perfeitamente razoáveis numa mostragem de estética duvidosa mas de indesmentível eficácia na formação de opinião pública, sobretudo quando essas notícias permitem evocar uma ética e um pensamento políticos que não deixem dúvidas sobre a superioridade moral de um colectivo asséptico e imune às aleivosias retrógradas e fascizantes de alguns dos nossos líderes europeus – o nosso.

É assim que eu começo a ouvir uma arenga interminável sobre uma acção policial… em Itália, arredores de Milão, a alusão amiúde aos nomes de Sarkozy, Berlusconi, fascismo, ciganos, xenofobia, recentes medidas contra ciganos, expulsão, até à passagem para o concreto de uma operação que envolveu uma força policial de duzentos elementos fardados e armados para a expulsão de duzentas famílias ciganas que tinham estabelecido o seu acampamento e que eram forçadas a retirar.

À medida que a notícia se desenvolve, o tom e o conteúdo vão (não havia escolha) carrilando a história para o que, afinal, parece ter sido uma meritória acção da polícia milanesa que ordeira e civicamente conduziu a retirada das famílias ilegalmente acampadas numa área industrial reservada e inapropriada à ocupação humana, transferindo-as para uma área onde previamente tinham organizado um complexo residencial que lhes proporcionasse condições dignas de vida, ao mesmo tempo que se libertava a tal zona industrial que não comportava a presença humana.

Esta notícia, embrulhada no pré-suspense referido, dita por um jornalista anónimo num tom semelhante ao das vozes-off dos documentários sobre o holocausto, sobretudo nos episódios em que se vê filas de vítimas a serem conduzidos de pijamas às riscas para os fornos crematórios, saiu na SIC e é um bom exemplo de como se manipula a opinião pública, trabalhando-a a um ponto em que, às tantas, o fim da notícia já não interessa e se retém apenas o essencial. O que interessa.

Continuo a dizer que tem de haver uma razão para esta… patologia enervante, de arraiais mais ou menos assentes nas televisões. Saliento, particularmente, as vozes-off destas pérolas noticiosas. O tom acusatório, trágico, irremediavelmente cometido à permanente injustiça em que estamos mergulhados por causa dos ricos, poderosos e governos de direita (basicamente Sarkozi, Berlusconi e Merckel) revela a existência de um fenómeno de difícil compreensão, mas que claramente denuncia esta mania nacional que somos de esquerda, progressistas, moralmente superiores, politicamente correctos e atentos à solidariedade internacionalista. Só me espanta que sendo nós assim tão escorreitos de ideias e princípios não consigamos bater a besta e arrastar a carroça para os níveis médios europeus de uma desejável sociedade mais justa e qualitativa. Pelo contrário, continuamos a registar uma trágica linha de divergência nos indicadores económicos e sociais. Mas isso deve ser, necessariamente, culpa de Sarkozi, Merckel e Berlusconi, uns pulhas incultos, xenófobos, racistas e insensíveis que se entretêm a transferir ciganos de zonas de fixação humana proibida para outras com aceitáveis condições de vida dignas e enquadradas na legalidade. Não fossem eles e outro galo cantaria. Olarila.


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segunda-feira, novembro 09, 2009

Os zelotas da paróquia


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Pacheco Pereira censurado por um zeloso editor de política do Expresso em 1978. Ainda o muro estava bem de pé…


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quinta-feira, setembro 03, 2009

Uma breve reflexão sobre cidadania


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Causa-me alguma impressão o prurido nacional que grassa aí pelo mundo da bola, relativamente à nacionalidade concedida ao jogador Liedson. Na rádio e na televisão multiplicam-se as considerações nacionalistas sobre a necessária preservação da nossa identidade na arte do pontapé na bola. Com mais ou menos empenho, tenho assistido a verdadeiras peças de retórica que, se usadas noutros sectores da nossa sociedade, seriam, no mínimo, apelidadas de racistas e xenófobas. Já no futebol, é diferente. O futebolista luso tem características inatas que importa preservar, segundo os nossos especialistas do ramo.

Ocorre-me que a salvaguarda dos valores nacionais, culturais, éticos, étnicos, tradicionais e outros que enformam o que se entende pela cultura de um povo deve estar a cargo de quem tem em mãos o poder de legislar sobre a matéria. Por outro lado, uma sociedade onde os valores essenciais de um povo são rigorosamente preservados cabendo aos imigrados integrarem-se nesses valores, conduzirá a que quem quer que seja que peça a nacionalidade portuguesa se sinta legitimamente português e não um permanente estrangeiro, que obteve a nacionalidade meramente para fins de legalização da sua situação. Por isso é que os americanos são americanos, independentemente das suas diferentes raízes. Da Irlanda ao México, do Quénia a Portugal. Já em Portugal, diria que na Europa em geral, o que continuamos a ter é muitos grupos de diversas origens que, não as ajustando no essencial aos valores do país que resolveram eleger como o seu, vão contribuindo alegremente para o fetiche corrente da esquerda modernaça e que dá pelo nome de multiculturalismo. Em desfavor da desejável integração.

Liedson é português. Legalmente preencheu os requisitos necessários a que lhe fosse concedida a nacionalidade. Se é português não vejo a razão para todos estes bruááás em relação á sua chamada à selecção nacional. Se alguma coisa está mal, discutam-na em sede própria. Mas não o venham fazer agora da forma que o fazem. Para não falar na distinta possibilidade de o homem se sentir tão condicionado com a situação que acabe por não conseguir marcar nem um dos golos que os outros jogadores, que já lá estavam, não conseguiram marcar até aqui.
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sexta-feira, julho 24, 2009

À atenção do Pedro Correia

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Acabei de ouvir ali na TVI (09:19, programa da manhã) um senhor de bigode, fato de marca, a falar sobre não sei quê mas que parecia ser coisa importante porque estava a ser entrevistado em directo pela apresentadora, a dizer aproveitacionismo. Duas vezes a criatura falou em «aproveitacionismo».
Ajudei nalguma coisa? Ou só contam palavras que existem?
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segunda-feira, junho 29, 2009

"Duzentas" gramas de instrução para os JÚ-ni-o-res (e para os SÉ-ni-o-res) da comunicação social

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O futebol tem uma lógica muito peculiar e muito própria. Nem todos estão preparados para entender cabalmente esta lógica e eu, humildemente, incluo-me nesta classe.

Clubites aparte, decorre um desafio de futebol entre as categorias niores (Ainda há dias Vasco Graça Moura se envergonhava e nos envergonhava com o nível paupérrimo do português falado nas televisões e, sobretudo, com a incapacidade dos respectivos directores em obrigar os apresentadores e repórteres a expressarem-se de forma enxuta, escorreita e correcta. Palavras acentuadas na sílaba antes da antepenúltima sílaba não existem em Português, o que não invalida que não tenha havido um só apresentador que tivesse pronunciado correctamente a palavra ju-ni-o-res, no relato dos acontecimentos) do Sporting e do Benfica em Alcochete. O jogo decorre sem incidentes, até que uma turba de fedelhos, comodamente designados por claque, entra no recibo e desata a atirar pedras para o recinto de jogo. Confusão, pedradas e um grupo de elementos de autoridade com óbvio receio de dar umas bastonadas nos energúmenos, para evitar chatices na imprensa do dia seguinte.

Acalmados os ânimos, as opiniões são quase unânimes. A culpa foi dos dois lados. Rui Costa, ao volante do seu Maserati, discretamente identificado no emblema do volante, diz mesmo que o Sporting tem culpas no cartório porque o recinto estava mal policiado. Aliás, o Benfica já o fez formalmente. Do que eu vi, é mentira. Tudo estava bem até um rancho de canalhada ter vindo dos arbustos e desatado à pedrada. Aparentemente, o Sporting teve culpa, diz o Rui…
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segunda-feira, dezembro 01, 2008

Dever cumprido


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Como se sabe, uma das principais contrariedades nos acidentes de automóvel é a curiosidade do português que circula em sentido contrário. Ele tem de ver bem para poder explicar aos filhos e à mulher quem é que teve a culpa. Poderão existir outras razões mas essas entrarão porventura no domínio da patologia e juro que não me apetece enveredar por aí, na serenidade de uma manhã chuvosa, fria e aconchegada como esta.

Isto vem a propósito da reportagem ali no televisor ao lado, agorinha mesmo, sobre o cidadão que não resiste e tem de ir ver porque é que algumas estradas estão cortadas. Ele já ouviu a GNR, a televisão, a rádio e os jornais dizerem que nevou muito, que os limpa-neves estão a tentar desimpedir o tráfego a todo o vapor e que as pessoas se deviam abster em absoluto de viajar, mas ele, cidadão em pleno dos seus direitos, tem de ir ver como, onde e porquê. Vai daí pega no carrinho e vai por ali fora. Pouco depois tem de parar, há neve aos montes, a estrada está fechada. Resigna-se e tenta voltar para trás. Faz a manobra de inversão. Não dá. O carro patina e acaba por resvalar para a berma. Uma trapalhada. Tenta o telemóvel e, imagine-se, não há rede. O português, de curiosidade satisfeita mas começando a ficar nervoso, lá acaba por ser auxiliado por uma viatura de desobstrução da estrada e volta para trás, devidamente admoestado pelos operadores da outra viatura, mas com a sensação do dever cumprido. Acaba por deparar com a reportagem da televisão (a glória final) a quem diz mais ou menos o que acabei de descrever. Acrescentando que sabia que a estrada estava cortada mas tinha que ir ver. Mas di-lo a rir. Como a rir se diz tudo, desde que seja para a televisão. Desde a neve da estrada, ao incêndio do prédio da esquina. O português ri. No caso presente, o nosso automobilista curioso ri com o ar travesso de quem acabou de ir aos figos. Aliás, o português ri muito.
Frequentemente, sem dentes e a risada torna-se um esgar absurdo e a roçar o burlesco. Mas as televisões gostam. E filmam. Tanto que às tantas ficamos a pensar que todos os portugueses são desdentados e não resistem a ir ver a partir de onde é que a estrada está cortada pela neve.

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sábado, março 15, 2008

A sanha


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Não me conformo. Não que eu goste de piercings por aí além, mas não me furto a render-me ao encanto e à sensualidade de uma peça de bom gosto, pequena e discreta. No mais, acho absurdo. Mas ter de suportar esta suposta assepsia do Governo diluída em tortuosos e tenebrosos instintos de controle do corpo de cada qual tira-me do sério.

A continuar esta sanha de controle sobre o corpo dos portugueses, ai daqueles que se suicidarem. Um dia destes haverá, certamente, legislação que aplique coimas aos familiares.

Já agora senhores legisladores: Então e aquela unhazinha de dois centímetros que muitos homens usam para escarafunchar aquelas orelhas cheias de pelos nos opérculos? Hein? Fica tudo na mesma? Não se limita, ao menos, o comprimento?

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