sexta-feira, dezembro 11, 2009

Florilégios

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Uma oportuna reflexão do João Miranda no Blasfémias, transcrevendo o discurso de Bush e de Obama sobre o mesmo tema. De um lado, a objectividade, a seriedade de se transmitir uma ideia sem rodriguinhos, falando loud and clear, straight forward e com um grande sentido de responsabilidade sobre os grandes problemas da humanidade. Do outro, para dizer exactamente a mesma coisa, um cortejo de florilégios, um desfile de retórica politicamente correcta onde nem sequer faltou o recurso ao conceito do mal (“…for make no mistake: evil does exist in the world. A non-violent movement could not have halted Hitler’s armies… ») que tão bem serviu para a chacota com que durante anos nos entretivemos a dedicar a Bush.
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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Já cá faltava


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Ainda não tive tempo para ler reacções ao discurso de Obama na tomada de posse, na imprensa estrangeira. Mas numa análise rápida e paroquial, estremeço com a frequência do uso do prefixo “re”. Obama vai retomar, refundir, reforçar, reencaminhar, repor, vai, enfim, "meter nos eixos" de novo (esta expressão, “meter nos eixos” foi aliás utilizada em cru numa das diligentes traduções dos nossos repórteres que, na maioria dos casos, nem traduziam nem deixavam ouvir…) uma América tresmalhada e perdida pela inoperância, pelo arrepio aos direitos e humanos, pela ganância e, sobretudo, má catadura de um dos homens mais odiados do mundo, vá lá saber-se porquê. George W. Bush, ele mesmo.

João Luís Pinto, porém, que eu não sei quem é mas se alcandorou à fama efémera mas gostosa da blogoesfera, deixou-se de rodriguinhos, de prefixos e outras tergiversações e mariquices relativas e acha que George Bush foi um filho da puta. Ponto final. Vai-se embora e o ar fica mais limpo. Não sei se de putas, se de filhos, mas mais limpo.

É a velha simbiose lusa de sabermos tudo, conhecermos tudo e perorarmos sobre tudo e dispormos de uma elevada forma de o afirmarmos. Mas de tudo o que se passa fora de portas porque das portas cá para dentro de casa parece que não sabemos dar conta de recado e só fazemos merda (já agora para aproveitar a embalagem do léxico de JLP). Mas modernaços, sabichões e filhos de gente séria.

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Aleluia


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Já lá vão mais de vinte e quatro horas e ainda não ouvi ninguém dizer que a culpa do avião cair ao Hudson foi do Bush. É que nem sequer no Forum TSF desta manhã. Mas não desesperemos...

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quarta-feira, dezembro 17, 2008

Carta aberta ao presidente George Bush


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Senhor Presidente

Venho através da presente apresentar-lhe sinceras desculpas por um facto lamentável que passo a expor sucintamente.

Esta manhã, a estação oficial de televisão do meu país deu a notícia do aparecimento de uma chuva de jogos de computador relacionados com o episódio do sapato que lhe atiraram em Bagdad. Enquanto a notícia desfilava uns quantos jogos, alguns deles, havemos de confessar, com muito humor, uma voz-off de um apresentador ia dando a notícia. Num dos jogos, o apresentador, num arroubo de consciência crítica, disse que o jogo parecia uma cena dos "três estarolas", cena em que aliás Bush iria muito bem no papel (sic).

Peço-lhe desculpa pelo facto da estação pública de televisão do meu país não ter consciência disso mesmo, que é pública e que não pode permitir-se "dichotes" deste género quando se refere à figura de um presidente da república. O que acontece é que em Portugal os jovens vão para as faculdades e aprendem mais depressa a não gostar de si e a saber como resolver os problemas do Iraque e do Afeganistão do que a expressar-se na própria língua materna. O resultado é este. Vão trabalhar para televisões e jornais e uma grande maioria deles fala mal e escreve pior. São erros atrás de erros mas, por outro lado, aprenderam que o senhor é uma besta quadrada, um imbecil, um atrasado mental, o responsável pelos males do mundo e, provavelmente, de outros mundos que porventura existam e que o povo americano é semi-idiota porque elegeu por duas vezes um energúmeno como o senhor.

Também sabem que podem dizer o que lhes apetece numa estação pública porque ninguém lhes diz que são pagos por mim e pelos outros cidadãos, a partir de uma elevadíssima carga fiscal e, sobretudo, ninguém lhes explica que se quiserem dizer mal de si podem escrever um livro ou, em última análise, abrir um blog, onde podem escrever o que lhes der na real gana.

Peço-lhe, assim, desculpa, pelo facto de estar sujeito a que um fedelho qualquer que, quase de certeza, nada sabe de si a não ser que o senhor é uma besta inculta e perigosa, que foi o que os professores e as brigadas de uma coisa que nós cá temos e que se entretém a visitar as universidades e que dá pelo nome de bloco de esquerda lhe ensinaram. Peço-lhe ainda desculpa pelo facto de a Rádio Televisão Portuguesa, um órgão institucional com profissionais pagos por mim e pelos restantes cidadãos, não dispor de responsáveis que interpelassem de imediato o garotelho da notícia dos jogos e lhe explicassem que uma televisão oficial não chama "estarola" a um presidente de república. E não interpelam porque, se calhar, eles próprios acharam muita graça.

Atenciosamente,


Já depois deste episódio ouvi Chávez a emitir a sua corajosa opinião sobre a cena do sapato. Concluo que há razões efectivas para os amores correntes entre nós e os venezuelanos. É que estamos bem uns para os outros.

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Sinal dos tempos

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Um jornalista atirou com os sapatos a George Bush, numa conferência de imprensa.

Há bem pouco tempo atrás, este jornalista seria preso e sumariamente fuzilado se tivesse feito o mesmo a Saddam. Desta vez o homem foi imobilizado e retirado da sala, Bush proferiu uma frase anódina mas educada. No meio disto tudo, um jornalista do Público achou que Bush mereceu ir para aquele lugarzinho assassino, com as setas para cima e para baixo. Com a seta para baixo, obviamente, que estas coisas de levar com sapatos numa conferência de imprensa não se faz. Só mesmo um presidente bronco e idiota como ele.
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segunda-feira, novembro 26, 2007

Almoçar com Miguel Sousa Tavares




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Miguel de Sousa Tavares entrega-se, no último Expresso, à corrente da moda recente envolvendo-se numa onda de simpatia para com Chávez. Sousa Tavares fá-lo de um forma subtil. Acha que Chávez chegou ao poder por golpe de estado mas que se fez eleger (!...). Acha que um demagogo é sempre perigoso, mas de um demagogo na Venezuela não pode vir grande mal ao mundo, mesmo com petróleo. Acha uma data de coisas mas acaba sempre por considerar que Chávez ou é inimputável e deve ser desculpado ou é a expressão pueril do poder latino-americano e acha, finalmente que Bush é muito mais perigoso. Porque os negros da Flórida não votaram nele e que na necessidade de almoçar com Bush ou com Chávez, almoçaria sempre com Chávez.

Apesar da extensão da crónica, MST não explica bem porquê esta questão da companhia para o almoço. A coisa acaba por ser tratada assim como uma espécie de assunto do FCP em que MST reage como se sabe. Não almoçava e pronto.
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