terça-feira, novembro 25, 2008

Cretinismo militante


Amílcar Cabral, na selva guineense, pacificando com Kalashnikov.

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Amílcar Cabral terá sido, para uns, um terrorista. Para outros terá sido um combatente da liberdade, um guerrilheiro, um político, um engenheiro agrónomo e, até, um poeta. Uma coisa ele não foi com certeza. Pacifista. Isso não obstou a que a nossa preclara RTP, em dois telejornais, lhe tenha chamado isso mesmo – pacifista, o que me faz pensar que de duas uma: ou lá pela televisão do Estado não se sabe português ou, pior, sabe-se, mas acha-se que é necessário manter vivo o primado da idiotia ou a chama de que alguns se sentem imbuídos no sentido de "pacificarem" o pensamento único das pessoas e de lhe incutirem a sua, deles, verdade histórica e semântica privada. Acima de tudo parece-me ser uma dose forte de cretinismo e uma falta de respeito, quer pelos telespectadores quer pelo próprio Amílcar Cabral que ganhou, muito antes da esquerda de esferovite da RTP, o seu lugar na história.

Adenda: Verifico, com prazer, que JPP não deixou passar este pormenor em branco. De resto, parece-me que o pacifismo de Cabral tenha sido "pacífico" para a maioria das pessoas.

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quarta-feira, outubro 17, 2007

A guerra do Ultramar



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A série de Joaquim Furtado começou ontem. À partida parece-me isenta daquela linguagem corrente que os portugueses adoptaram e que o José da Grande Loja do Queijo Limiano chama, com propriedade, de linguagem de esquerda.

A série é longa e Furtado ainda vai nos preliminares, apesar de já se notar, em relação a Angola, que a génese do início da chacina de brancos (e de pretos bailundos, de etnia umbundo) está a milhas de distância da consciência autonómica que as populações, de repente, pudessem ter adquirido e que foi a verdade que nos foi passada. Mas estou curioso em ver os episódios lá mais para a frente, por dois aspectos distintos. Um pela ideia de que Angola, ao contrário da Guiné e, possivelmente, de Moçambique, poderia constituir um exemplo único de como se ganhar uma guerra de guerrilha. Ninguém me contou, eu estava lá, eu vi. O outro aspecto para ver como a série tratará a forma como os nossos governantes lidaram com a transferência de poder para as colónias, à revelia do respeito mínimo que as populações (portuguesa e autóctone) lhes deveria merecer, fossem quais fossem as pressões a que estivessem eventualmente sujeitos. Vamos aguardar.


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