quarta-feira, março 08, 2017

A culpa é de A . Costa



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Nogueira Pinto, uma personagem ao largo de quaisquer exercícios especulativos, ia fazer uma conferência sobre Populismos, Brexit, Trump e Le Pen na FCSH (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova).

Um grupo de fedelhos idiotas, cerca de 30, armou o folclore do costume e, sem que eu conheça os detalhes, parece ter colocado em risco a segurança de diversas individualidades, incluindo o próprio Nogueira Pinto. A conferência foi cancelada.

As notícias enxamearam as redes sociais e os jornais e todos se atiravam ao exercício académico de saber de quem era a culpa. Por mim, a culpa é exclusivamente de António Costa. Não é do director da faculdade, não é de Nogueira Pinto, dos Partidos, da Polícia, nem sequer do Benfica. A culpa é de Costa, porque foi este traste soez e mal-educado (eu costumo chamar-lhe malcriado, mas hoje Montenegro foi mais polido) que conseguiu trair uma grande percentagem de socialistas que votaram nele sem fazerem a mínima ideia das intenções que lhe iam por detrás daquele sorriso cínico e conseguiu, depois, aliciar, o grupo de esganiçadas do Bloco e toda aquela arqueologia vestida de gente do vetusto e perigoso PC. Umas e outros rotulados agora de gente “diferente” e reciclada, condição que a Direita não consegue digerir, pensando que ainda andam a comer criancinhas ao pequeno-almoço.

Regressando a Costa. Ele é o culpado da loucura deste PREC em que lamentável e tristemente estamos a cair, sem que, ao que parece, ninguém dê um berro de gente a esta miudagem estúpida que saltita pelas universidades em “missão de combate” ou ao grupo de deputados que, de repente, se acomodam ao quentinho do “poder” e parecem gostar como um gatinho gosta de leite.

Não entendo o que é preciso para um director de uma faculdade chamar a Polícia e dizer que vai proceder a uma conferência científica e que um grupo de fedelhos (a caligrafia daquela gente confrange… e diz muito de todos nós) se prepara, ou preparava para armar um estribilho qualquer. Provavelmente ao nível de uma plantação de milho algarvio que destruíram, sob o beneplácito e a bênção de um fulano qualquer que a SicN gosta muito de entrevistar e que o ministro das finanças achou ser a pessoa indicada para ser consultado sobre assuntos de Estado.

Repito. A culpa é de Costa. Fosse ele um homem honesto e não teria enganado os portugueses que votaram nele e lhe permitiram geringonçar como geringonçou. E, muito menos, estaríamos a assistir a esta lenta, gradual mas firme escalada de regresso ao pico dos contentamentos e aos orgasmos mútiplos desta rapaziada. Por mim, sinto vergonha.


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quinta-feira, junho 04, 2015

Parasitas



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Parasitismo: Pode definir-se por aquele que come ao lado de outro. É a associação entre seres vivos, na qual existe um ser apenas que se beneficia, sendo um dos associados prejudicado nessa relação. Desse modo, surge o parasita, agente agressor e o hospedeiro, agente que abriga o parasita. O parasita por sua vez, retira os nutrientes do ser no qual está hospedado, representando uma relação desarmónica.

Em português: Um parasita não tem que ser necessariamente um endoparasita (verme, por exemplo) ou um ectoparasita (um piolho, por exemplo). Numa versão romântica, um parasita pode até ser um apelativo cogumelo, o que não lhe retira a condição de se alimentar à custa de um resignado carvalho negral, um elegante pinheiro patula ou um altaneiro plátano.

Neste caso, estamos perante um tipo de parasita abundante na paróquia e, mais grave, glorificado por uma grande número de portugueses inebriados pelo main stream. Esses parasitas não fazem (não querem, não sabem?) nada sem o contributo abnegado do hospedeiro. Seja um filme medíocre que o Estado subsidia para que os parasitas não acabem e não se dê lugar a realizadores de cinema com o génio e a centelha de não precisarem de subsídios para coisa nenhuma, seja a inominável atitude de exigirem que os contribuintes suportem o estratosférico prejuízo da TAP, permitindo ao parasita alimentar o corpo e o ego.

Espero, sinceramente, que isto não dê em nada e que o governo possa concluir a sua tarefa. Estou cansado de gente que se gaba de ter causado trinta milhões de prejuízo e de cinéfilos frustres envolvidos em acções catárticas, sem qualquer respeito por quem está.

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quarta-feira, janeiro 15, 2014

Em defesa do prejuízo dos trabalhadores


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Sobre a recente querela que vai por aí a propósito dos ENVC, vale a pena ler este post do José, do Porta da Loja.

A nossa esquerda passa por ser a mais estúpida da Europa, sabe-se. Talvez por isso, os trabalhadores não se apercebam do efeito pernicioso que os Arménios, Nogueiras, Avoilas e outros têm na defesa dos seus interesses. Mas o melhor mesmo é ler o post. Claro como a água e límpido como o céu duma manhã de sol de Lisboa.

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quinta-feira, abril 12, 2012

Afinal, basta «uma visão de esquerda»

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A situação está má. Mas não nos aflijamos. Isto um dia vai ao rego. Basta ajudar a estabelecer padrões mínimos de coesão social na análise da sociedade portuguesa e lutar contra o pensamento único, com uma visão de esquerda. Interagir entre o mundo da academia e da cidadania, ser uma alternativa crítica de esquerda dado ser questionável a interpretação institucional dos dados oficiais. Ter uma intervenção regular de análise, mas não nervosa, produzir reflexão sobre o que se passa em Portugal e no mundo e apontar saídas para a crise. Elaborar um reforço de cidadania para dar a conhecer a situação da sociedade e apontar soluções.

Não percebo, mesmo, a preocupação que por aí vai. Troikas, redução de défice, austeridade e blá blá blá. Afinal, uma visão de esquerda e a aplicação dos considerandos (?) atrás referidos e que vão estar disponíveis ao grande público na próxima segunda-feira em Lisboa por via das intervenções de Boaventura Sousa Santos e Carvalho da Silva são a solução – aí, à mão de semear. Nós é que temos andado distraídos. Vale-nos a S. José Almeida para no-lo lembrar.
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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

A esquerda sacana

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A esquerda democrática não pode ser apenas incompetente, jacobina, laica, republicana e visceralmente idiota. Tem de ser sacana, também. Só isso explica que na ânsia desmedida de desculpabilizar a sua cíclica responsabilidade no estado caótico em que faz despenhar este país, essa esquerda se desmultiplique em acções concretas de verdadeiro incitamento à violência. A consegui-lo, poderá sempre dizer que por força do estado em que nos encontramos os cidadãos perderam a paciência e extravasaram as suas emoções provocando o caos social.

Por isso eu acho que a esquerda democrática, ou consensualmente designada como tal, é, para além do que atrás referi, manifestamente sacana e irresponsável. Tanto os que objectivamente se entregam à mobilização da grei, como aqueles que, impunemente, tiveram responsabilidades de governo. Uns, provavelmente nem se apercebendo do mal que estavam causando à sociedade (Soares? Guterres? Sampaio?). Outros, possuídos por ambições inconfessáveis, que não hesitaram em levar a direito os seus propósitos, absolutamente indiferentes a danos colaterais (Sócrates?).

Este post é um bom exemplo do que acabo de citar, a juntar à catadupa incessante de notícias com que as televisões nos massacram e aos múltiplos comentadores, politólogos, sociólogos, paineleiros, fazedores de opinião, historiadores e correlativos a quem pagam para debitar constantemente, uniformemente, com perseverança, denodo e uma inconfessável falta de pudor as vacuidades do costume, aos costumes dizendo nada. Uma autêntica barragem de artilharia de onde ressalta uma clara condenação do actual governo pelo actual estado de coisas, ao mesmo tampo que tentam dar uma barrela ao socialismo em geral e a Sócrates em particular. Lamentável, vergonhoso, sacana.

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segunda-feira, dezembro 14, 2009

O povo a resolver

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Já desabrocham por aí (foi o termo que saiu, mas existe, não existe?) orgasmos múltiplos por causa do murro que partiu dois dentes e cortou o lábio a Berlusconi. Não me dou ao trabalho de fazer links, porque quem anda por estas lides da blogosfera sabe onde encontrar a voluptuosa esquerda que se aquenta e arrebenta com esta «forma de democracia». Há mesmo já quem diga que o que a democracia não resolve tem o povo que resolver.

A apologia da violência deixou de há muito de ser apanágio da esquerda de bota e sarrafo. Hoje está instalada na pluma omnisciente da esquerda bem pensante, sempre à frente na procissãodo homem novo, transportando o andor do iluminismo que nos há-de pôr todos ao estalo um dia destes. Até lá, vamos assistindo a uma dinâmica continuada de cretinismo com este. Pode ser que um dia «eles» se cansem. Ou nos cansemos «os outros que». E, lá está, ou desata tudo ao estalo ou isto cai tudo de maduro.

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

Também uma questão de decência


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Porque é que a esquerda sente esta necessidade intestina de estabelecer alianças estratégicas com tudo o que pareça susceptível de descontruir os alicerces de uma sociedade onde, de resto, a própria esquerda confortavelmente se acomoda e movimenta?

Poderão existir um milhão de razões para isso mas uma é, de certeza, comum ao fenómeno: Uma aflitiva falta de seriedade.
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sexta-feira, novembro 14, 2008

Os nossos pioneiros. Ou a nova "mocidade portuguesa"


[2767]

É uma fatalidade histórica. Dos chefes de quina e comandantes de castelo do Estado Novo passámos agora a contar com diligentes enquadradores e dinamizadores de uma juventude indignada, mesmo que os jovens não façam a mínima ideia porquê. A visão dos nossos pioneiros a berrar contra nem eles sabem o quê, enquadrados por alguns professores (eu vi na TV, por muito que me tenha custado…) que acharam muito bem que as criancinhas corram membros do governo à tomatada e ovos, ao mesmo tempo que iam dizendo que elas eram muito pacíficas, são um quadro em tudo demonstrativo do actual estado de coisas.

Passámos do Portugal atrasado, salazarengo e cinzento para o país álacre e boçal da indignação permanente que tão diligentemente aprendemos a ser, fazendo jus aos "mestres da indignação" que temos tido. Se “isto” fosse um país decente e com hierarquias definidas e gente verdadeiramente consciencializada na formação dos nossos jovens, o espectáculo de Chelas (dois dias depois do de Fafe) jamais seria possível.

Pulido Valente bem nos tem avisado que o mundo está perigoso. No nosso caso acho que já nem perigoso está. Está simplesmente perdido.

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quinta-feira, novembro 13, 2008

O direito à indignação das criancinhas


Munições em Fafe

[2766]


Tenho desesperado por uma alocução sábia de Mário Soares a explicar aos portugueses (uma coisa que ele adora fazer, explicar-nos coisas), que os putos também têm direito à indignação, como se viu agora em Fafe. Mas Mário Soares meteu-se nas covas e tem andado calado, mais ocupado com programas na televisão e artigos meio infantilóides no DN.

Um dia alguém se lembrará de explicar (os portugueses adoram explicações) aos portugueses da importância das tiradas de Soares, indignadas, quando invectivava polícias ou fazia campanha presidencial com visões apocalíticas sobre a distinta possibilidade de não ser ele a ganhar Belém. E é bom que essas explicações venham depressa porque as criancinhas que foram esperar a ministra com ovos estão a crescer e acabam por sublimar um substrato (!!!, não acredito que escrevi isto) político revanchista, indignado, em suma, profundamente malcriado.

Talvez também alguém se lembre de incluir nessas explicações a forma como Mário Nogueira (sobre quem ainda ninguém disse ao João Miranda de que é que ele é professor…) vai conduzindo o descontentamento dos professores dos quais, alguém já disse e eu subscrevo, já toda a gente percebeu o que não querem mas ainda não se entendeu claramente o que querem.

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segunda-feira, junho 04, 2007

Parasitas da liberdade


[1790]



Ainda sobre os incidentes em Rostock, ler Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado:



"...Esta negação - por desonestidade intelectual ou por subserviência - da violência das esquerdas é tão mais patética quando se conhece a história do terrorismo europeu dos últimos 40 anos, para não falar das matanças que todos os projecto utópicos tiveram que fazer para atingir (?) os seus objectivos. É justo dizer que existem esquerdas que há muito despediram esta escatologia macabra, que lutam por coisas com as quais facilmente me identifico.Mas nem é isso que incomoda. O que deixa um amargo na boca é que esta negação da violência revela a parte do pensamento de esquerda que abomino. Desde logo, a superioridade arrogantemente salvífica: somos perfeitos, o Inferno são os outros ( os fascistas, os Pinochet, os Franco etc). Depois, e muito pior, é uma esquerda que sabe o que é melhor para mim se eu fosse diferente daquilo que sou; é uma esquerda que, embora vivendo parasitariamente entre os ramos da liberdade, tem sempre um machado na mão.*



Agora ( edição de 4 de Junho) são "espontaneístas". Vale tudo o que acabe em "istas" menos "esquerdistas. É o que eu digo, esta gente é ungida..."


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