segunda-feira, novembro 09, 2015

Preocupados com o PS?


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Reparo que uma das preocupações mais citadas por aí é o facto de o PS estar em risco de desagregar-se, diminuir de importância, desagregar-se ou, até, desaparecer. Não percebo bem porquê esta preocupação se é a ele próprio que o PS deve este estado de coisas. Por outro lado, excluindo aquela tirada emblemática da Fonte Luminosa, não reconheço ao PS qualquer mérito, sem prejuízo de um grupo de individualidades socialistas genuinamente cometidas à social-democracia e dignas do maior respeito e apreço. Pelo contrário, e com mágoa o afirmo, vejo nele uma fonte perene de problemas e graves prejuízos para o país. Desde bancarrotas sequenciais até manifestações frequentes de uma má convivência com a liberdade, uma arrogância e truculência manifestas e, não esquecer, uma teia abjecta de cumplicidades que resultaram em múltiplas actividades criminosas (com gente presa e, provavelmente, outra por prender), de tudo se viu um pouco, não esquecendo até uma repulsiva forma de domínio e controle das instituições judiciais, para o que basta lembrar actos recentes de branqueamento das trafulhices de Sócrates.

Por mim, dito isto, como agora se diz, estou bem mais preocupado com as inevitáveis consequências de um governo golpista, incompetente, perverso, inescrupuloso e irresponsável que nos vai conduzir a mais um período negro da nossa história, sobretudo porque derruba de uma assentada um laborioso trabalho de sacrifício e ourelo a que, goste-se ou não do estilo, o governo da Coligação pôde levar a efeito. Isto é factual e tudo o que se possa dizer em contrário é meramente circunstancial e suspeito. Para além de verificar que, contrariamente ao que eu ia pensando, continuamos a ser um exemplo de um atávico posicionamento na realidade europeia, pela existência do único partido comunista europeu com a ortodoxia do nosso. Que só o é por via do atraso e da insuficiente informação de uma considerável parte da nossa população. Situação que, de resto, serve bem os propósitos do PCP.

Estimo e venero a distinta possibilidade de que a tempestade passe depressa. E parem de me vir com a conversa de que o comunismo do Séc. XXI não tem nada a ver com 1917 ou com o muro de Berlim. Porque tem tudo. Não há comunismos antigos nem modernos. Há comunismo «tout court» e por isso mesmo ele desapareceu da face da terra, com uns infelizes e conhecidos respingos pelo globo. Que nós insistamos em nos tornarmos num desses respingos é que me causa uma repulsa extrema e um desgosto profundo.


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2 Comments:

At 2:43 da tarde, Blogger Gonçalo Calheiros disse...

Totalmente de acordo!

 
At 2:43 da tarde, Blogger Gonçalo Calheiros disse...

Totalmente de acordo!

 

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