sexta-feira, julho 11, 2014

E se não nos rimos ainda acham que não temos senso de humor...


o «share» não ajudou...

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Fico sem entender muito bem se isto de se ser socialista é feitio ou se fomos operados em pequeninos. A coisa é de tal maneira pérfida e de tal maneira bem feita que, frequentemente, as coisas se nos deparam de maneira que quase nos envergonhamos de não ser socialistas como «eles», não porque concordemos com os seus dislates mas porque a dinâmica que se instalou nesta sociedade é de tal maneira transversal (um termo deles…) que nos faz duvidar se em vez dos canários são os gatos que gostam de alpista e comem os canários apenas para despistar.

Ontem calhou ouvir um programa de Ricardo Araújo Pereira no qual ele entrevista Francisco Anacleto Loucã. Não sei se o programa é (pretende) ser humorístico ou se as alarvidades produzidas não fazem mesmo parte de um conteúdo previamente elaborado. E a sensação que fica é que a um disseram-lhe que tinha graça e ao outro disseram-lhe que percebia imenso de economia. Na dúvida, riam-se os dois.

Em todo o caso, a ideia matriz é de que esta rapaziada acha que o desenvolvimento e bem-estar dos povos se faz através da colecta de impostos junto do cidadão que trabalha. Que os bancos são um empecilho e que as famílias que os gerem deviam ser feitas em picado. Os empresários são umas bestas-quadradas e…resumindo, isto devia era toda a gente trabalhar para o Estado que iria pagando as contas. Enquanto houvesse dinheiro, bem entendido, porque ainda ninguém disse a estas luminárias que os Estados não produzem riqueza. Comem-na. E quando ela se acaba… endividam-se junto dos Estados com economias saudáveis (capitalistas, sim, é isso) porque é assim que deve ser. Países limítrofes (este foi o nome que resolvemos dar a nós próprios num senso mais lato que um mero posicionamento geográfico) deveriam ser levados à conta de gente a quem Deus não deu a prerrogativa de saber fazer BMW’s, apenas conduzi-los, e não temos culpa nenhuma que os outros saibam. 

A isto, um psicólogo estagiário chamaria qualquer coisa a roçar uma psicopatia qualquer, mas os socialistas acham que tudo isto de deve à nossa condição de país limítrofe. De vez em quando ensaiamos umas orgias emocionais (assim a modos como o Scolari fez com a camiseta do Neymar), mas acabamos por reconhecer, ainda que considerando uma injustiça divina, que uma sociedade racional, trabalhadora, competente e, sobretudo, séria, acaba por ganhar às emoções. Mas não aprendemos. Ficamos à espera que outro Neymar qualquer se aleije, rezamos uma Ave Maria ou fazemos uma caminhada a Fátima e refilamos imenso enquanto os frios teutónicos não nos mandam o ordenado do mês seguinte. Porque não fazem mais que a sua obrigação.

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sábado, março 08, 2014

A comunicação social do costume


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Tenho estado a trabalhar e a ouvir em ruído de fundo um comentário da actualidade feito pela actriz Maria do Céu Guerra. No miolo de tal comentário subjaz algumas das razões que justificam o nosso atraso e o ambiente conflitual em que todos vivemos. Quando uma actriz de reconhecido mérito e cultura afirma que o mundo está complicado porque a culpa dos acontecimentos na Ucrânia é dos poderosos, a primavera árabe surgiu porque os árabes conseguiram libertar-se dos carniceiros que os governavam mas os poderosos também não sei quê não sei quantas… e em África… e os poderosos… e na América latina… os poderosos, embora (este embora é importante no contexto e demonstra bem o grau de entendimento da senhora) a Venezuela seja uma excepção, porque Chávez sabia muito bem o que queria, mas este actual presidente, o Maduro, está um pouco… imaturo, mas os poderosos… enfim, uma cantata de poderosos e , nem por isso, a sonata conduzida pela pivot se opôs muito no concerto porque se complementavam, nunca se opondo. A actriz também falou muito do nosso país, isto está podre e perigoso… veja bem o que aconteceu agora ao banqueiro Jardim Gonçalves que a justiça deixou escapar

De resto este escapar, logrou fugir e outras expressões semelhantes são frequentes hoje na nossa já insuportável media. Aquela velha corrente da presunção de inocência até a condenação transitar em julgado, bem assim como a ilegalidade de provas (ocorre-me, assim de repente, as gravações de Sócrates e Pinto da Costa, apenas para falar em pormenores) aplica-se apenas aos presumíveis criminosos bons, porque aos maus, como Jardim Gonçalves não é aplicável. O homem devia ser preso e, quem sabe, aproveitando até alguns daqueles polícias que telefonam para a SIC dizendo que é preciso começar a matar por aí, apedrejá-lo, castrá-lo e dar o dinheiro dele aos pobrezinhos. E isto não dando sequer confiança à ligeireza com que alguns jornais misturam habilmente condenações com contra-ordenações do Banco de Portugal. Enfim, a miséria da vergonhosa comunicação social que temos.

A propósito de Jardim Gonçalves, ler aqui. E aqui. Vale a pena.

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segunda-feira, junho 25, 2007

Pois!



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É o que dá pensar que um par de pernas até à upper part of the thigh, uma cara laroca e a ideia que os povos atrasados, com mulheres de varizes e buço, apreciarão sempre uma acção mimética e voluntariosa de querermos parecer aquilo que, frequentemente, nem sonhamos o que seja. Há exemplos vários, desde o chamado capacete colonial, um capacete de cortiça para absorver calores e suores e aumentar a respeitabilidade de boss, ao colete sem mangas e cheio de bolsos para levar coisa nenhuma ou, por vezes, um pequeno moleskine, uma esferográfica BIC e um maço de cigarros, que os jornalistas gostam de levar às reportagens de guerra.

Em casos extremos em que se tem de apelar ao politicamente correcto, faz-se como Cameron Diaz fez na sua última viagem ao Peru. Saltou da sua mansão de Beverley Hills, soltou os cabelos louros, deu as ultimas recomendações à maid mexicana, vestiu uma roupa tranguelemanga e ala que lá vai ela, solidária, loura e não segura para Machi Pichu. Para aprimorar a cena, achou que um saco com uns caracteres chineses ia bem com a fatiota e a ocasião. Se "aquilo" era Peru e terceiro mundo havia que dar aquele toque de "chique comunista" (expressão feliz do DN) e, para isso, nada melhor que o tal saco cheio de caracteres vermelhos e ininteligíveis, mas que certamente quereriam dizer qualquer coisa de muito correcto e que haveria de ajudar imenso o ânimo dos pobrezinhos do Peru.

Ninguém avisou a loira natural que o saco era uma réplica dos sacos dos Guardas Vermelhos durante a revolução cultural chinesa onde se podia ler as palavras de Mao Tse Tung “servir o povo”, sob uma grande estrela, também vermelha. E ninguém avisou a loira natural que a organização terrorista Sendero Luminoso era de inspiração maoista. Pior que isso, é uma organização geralmente odiada pela população, por força dos massacres e assassínios que vitimaram milhares de peruanos. Dai a um desconfortável incidente com as populações foi um passo.

Tudo explicadinho à loira natural e incidente sanado, ela terá substituido o saco por outro e pensado que nem sempre as coisas são como se comenta nos mentideros de Sunset Boulevard. E que o chique comunista às vezes só funciona mesmo no seio do glamour de uma distribuição de Óscares ou com uns quantos M. Moores alarves a debitar umas idiotices. No terreno, ao vivo e a cores, nem sempre é assim...

Via DN.


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