quinta-feira, maio 18, 2017

Quem se mete com o PS leva



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Acabei de chegar de uma viagem por estrada de cerca de três horas. Neste tipo de coisas, as pessoas entretêm-se a testar os consumos, a apreciar a paisagem ou ouvindo a “smooth”. Por qualquer razão que não me ocorre, vim sintonizado com uma estação de rádio normal e, em vez de consumos e paisagem, entretive-me a contar o número de vezes e a cadência com que davam a notícia que o presidente da Câmara do Porto era sócio duns terrenos onde queria construir, mas os terrenos afinal são da Câmara e blá blá blá. Ouvi várias opiniões, uma delas chegando ao ponto, mesmo, de dizer que Rui Moreira deveria ser destituído. Assim uma espécie de “impeachment” à portuguesa. Chego a casa, tomo um banho, sento-me ao computador, ligo a TV e…adivinhem… já são três vezes que oiço a ladainha.

Eu, que nem conheço Rui Moreira nem por ele tenho uma especial simpatia, não pude deixar de reconhecer que o PS ameaça quem se mete com ele e não demora a partir “as fuças” seja a quem for ou, em casos mais benignos, a dar um par de bofetadas (isto para usar léxico socialista). Dai que não me surpreenda que Rui Moreira tenha passado de presidente-modelo a um desprezível corrupto que até quer construir obra particular em terrenos camarários, imagine-se o despautério.

O PS pode ser duma incompetência aflitiva, duma irresponsabilidade atroz, pode ser até uma espécie de agente oficial de falências soberanas pela maneira como parte (e, alegadamente, rouba, por via de alguns dos seus mentores) o dinheiro dos contribuintes que continuam alegremente a votar nele. Mas uma coisa é certa. Quem se mete com ele, leva mesmo.


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sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Lisboa e «essas coisas todas»



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Antigamente havia um programa desportivo na RTP em que entrava Rui Moreira, defendendo a honra e a alegada batota do F.C.P. De tal maneira o fazia que uma vez, sem argumentos, deu-lhe uma fúria e abandonou o directo.

Mais tarde, com alguma mestria convenceu os eleitores e alcandorou-se a presidente de Câmara da Cidade Invicta.

De repente, alterações na TAP, certamente provindas de um modelo de gestão que Moreira não conhece, condicionam algumas rotas de e para o Porto. Aqui d’El Rei, que os lisboetas estão de novo a atacar o Porto. O homem ensandeceu e a criação de uma linha Vigo/Lisboa foi a gota que fez transbordar o copo. Uma revolução tripeira e um total boicote à TAP, preconiza Moreira. porque o que a TAP quer é aumentar o tráfico da Portela, fazer uma nova ponte, uma via de alta velocidade, um aeroporto novo, uma nova Expo e «essas coisas todas». Fiquei curioso, sobretudo em saber o que se refere a «essa coisas todas», provavelmente zonas habitacionais de qualidade onde muitos portuenses, pressurosamente, vêm comprar apartamentos, relembrando um sketch saboroso do Herman dos bons tempos.

O Porto não merece este grau de parolice que, aqui e ali, sobressaem pelas razões mais estúpidas. Isto, por um lado. Por outro, este tipo de episódios reflecte a noção que os «Moreiras» do nosso descontentamento têm do mercado, não hesitando em usar (ou tentar usar) uma pulsão centralizadora do poder e enaltecer o nobre desígnio da pastorícia de que, normalmente, os lisboetas são acusados.


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quinta-feira, outubro 10, 2013

Viró disco?



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Nunca cheguei a falar das autárquicas. Talvez porque não houvesse muito que falar. Todavia, gostaria apenas de registar o facto de o Porto ter dado a vitória a Rui Moreira. O que acho óptimo, em face da asneirada do PSD em ter depositado as suas “odds” de vitória na base das benesses de um Meneses que, impressão minha ou ia chorando outra vez na hora da derrota. Juraria que se fosse no Coliseu em Lisboa, tê-lo-ia feito, por entre uns queixumes sobre o elitismo sulista.

Com Meneses mai-los seus porcos, rendas de casa e impulsos discursivos mais apropriados aos parolos que ele continua a julgar que os eleitores são, restava o Pizarro socialista e Moreira. Por isso… acho que está bem. Mas lembrando-me de Moreira num daqueles programas desportivos em que ele abandonou a sala em directo por não ter argumentos para defender o que, na verdade, era indefensável (falava-se do «apito dourado»), relativamente ao seu FêQuêPê, mais a sua indesmentida aderência ao «fixe» Soares, leva-me a recear que a segunda cidade portuguesa passe a ter, de novo, aqueles arraiais na varanda da Câmara Municipal de cada vez que o clube da terra ganha campeonatos, o que acontece com frequência. Coisa com que Rui Rio tinha acabado, afirmando que aquele era um lugar cuja desejável solenidade não se compaginava com os festejos do campeonato. Quanto ao Soarismo de Moreira, quero crer que os humores recentes de Mário Soares poderão ter arrefecido os entusiasmos do autarca agora eleito pelos portuenses.

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