terça-feira, Outubro 21, 2014

Mesquinhez


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«Primeiro-ministro voltou ontem a pedir que sejam cumpridos os prazos constitucionais… constitucionalistas são claros: o Presidente é que decide»

Este título do DN de hoje é um desaforo. Passos Coelho não pediu nada. Apenas afirmou, alto, claro e bom som que não percebia o empenho dos jornalistas em fazer perguntas sobre eleições antecipadas, e que as eleições teriam lugar nos prazos determinados pela constituição. E foi mais longe, disse que a data não era aproximada, mas exacta, segundo a constituição. Uma jovem repórter ainda perguntou: Mas então e o orçamento para 2016? Passos Coelho respondeu o inevitável. O orçamento seria apresentado e o novo governo deveria fazer um rectificativo se achasse que devia fazê-lo.

A leitura do título do DN preconiza uma crise grave que suscitaria eleições antecipadas para ontem. E que PC pede para não o fazerem. Pelas alminhas do purgatório. No Brasil chamariam a isto de baixaria. Por cá, eu limito-me a achar que a comunicação social continua a acolher os mais acabados exemplos de mesquinhez que a Lusitânia consegue (com êxito) produzir.

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Por um serviço melhor aos utentes e a compreensão e solidariedade do bom povo


[5183]

O metro de Lisboa está, de novo, em greve. Nada de muito novo e espanto-me com a bonomia das pessoas directamente atingidas pela falta de um meio de transporte essencial para as suas vidas.

A greve é para protestar contra a privatização da empresa e contra o mau serviço prestado aos utentes. Só a enunciação destes dois motivos me leva à náusea. A privatização significaria, provavelmente, o despedimento de alguns trabalhadores e certamente o estabelecimento de uma estratégia de exploração que acabasse de vez com o mastodôntico prejuízo acumulado por uma empresa especialista nos mais absurdos prémios e subsídios que tornam os trabalhadores do metro uma das mais bem pagas classes de trabalhadores. Acontece que esses subsídios absurdos são pagos por mim e por todos aqueles que pagam impostos. Quanto ao mau serviço prestado aos utentes é uma falácia bem ao estilo da CGTP que continua a manobrar os trabalhadores a seu bel-prazer e sempre por forma a manter a coordenação total dos seus associados.

A comunicação social não está isenta deste escândalo. Nas reportagens, surge um cortejo de opiniões de utentes que invariavelmente referem que compreendem a luta dos trabalhadores do metro. De duas uma, ou as televisões fazem uma cirúrgica selecção dos utentes a entrevistar ou então o povo está definitivamente estupidificado. Por mim, inclino-me mais para a primeira premissa mas da forma como as coisas estão, nunca se sabe.

É exasperante perceber que continuamos a ter de suportar (e a pagar) os delírios de Arménios, Avoilas, Nogueiras e comandita. Não creio haver paralelo nos restantes países da Europa. E quanto à comunicação social, esperaria que tivesse a honestidade suficiente e desejável para «descobrir» alguns utentes descontentes ou mesmo furiosos com esta contínua palhaçada das greves dos transportes.

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domingo, Outubro 19, 2014

Socialismos


[5182]

Nós é que não sabíamos disto. Se tivéssemos sabido, arranjávamos uma terra qualquer para geminar com Tarna e lá construíamos um aeroporto como o de Beja, um campo de golfe das Amoreiras, seis rotundas e sessenta quilómetros de auto-estrada para ligar ao hospital. Os turistas teriam ainda direito a várias sessões de esclarecimento sobre os urogalos e de como eles contribuíram para a revolução dos cravos, apesar de não ter funcionado tão bem com o advento do «generalíssimo». António Costa ia lá fazer uma perninha para umas ciclovias aéreas sobre a auto-estrada para o hospital. Constituía-se também um indispensável Observatório. Por fim, um bairro de multiculturalismo onde Costa organizaria um gabinete para ir a despacho uma vez por ano, a meias com o alcaide lá do sitio. Provavelmente, haveria ainda um TGV para ligar os 100 habitantes de Tarna a Vigo.


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Não fosse a austeridade...


[5181]

Num infeliz acidente de viação com dois autocarros numa auto-estrada de Espanha morreram três pessoas. Os ocupantes eram todos emigrantes que regressavam a França, depois de férias.

A nossa esquisita comunicação social tem um engenho indesmentível em dar a notícia de acidentes de viação que metam emigrantes com um tom e um estilo muito próprios. Do tipo de acharmos que se não fossem as políticas de austeridade do governo os portugueses não eram obrigados a emigrar e, naturalmente, não morreriam emigrantes na estrada. Só falta mesmo pôr Abrunhosa a cantar que quer voltar para os braços da mãe dele.

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Isto é como as inundações – não há solução


[5180]

Tinha jurado a mim próprio que ignoraria a meteórica ascensão e pasmosa consolidação da figura messiânica de António Costa. Mas há dias, num jantar de amigos, eis que me vejo rodeado por um grupo de «costistas», indefectíveis da extraordinária criatura, aos quais, perante a alegação que estavam fartos dos políticos que nunca tinham feito nada a não ser estudar para ser políticos, perguntei o que é que Costa teria realmente feito para merecer  a distinção corrente. A resposta veio célere de uma amiga – fez a reabilitação da baixa. E como o túnel de Santana Lopes era uma obra caríssima e sem qualquer préstimo, Costa teve de dar um jeito com aquela baralhada que arranjou na Rotunda, Para corrigir o túnel, está bem de ver.

Perante esta argumentação eu tinha duas alternativas. Ou bebia outra margarita ou sintonizava a conversa para o Porto x Sporting do dia seguinte. Escolhi a margarita.

Hoje, excretados os malefícios das margaritas e confortado com os 3-1 do Sporting, penso sobre o que levará gente escovada e formada a emular um homem que pelo meu acervo de conhecimentos se notabilizou pelo seguinte:

1 - Promoveu uma corrida entre um burro e um Ferrari na Calçada de Carriche. Parece que ganhou o burro e o povo gostou imenso e faltou pouco para se gritar abaixo os Ferraris e vivam os burros;

2 – Foi um socratista atento venerador e obrigado e activo participante (cúmplice, diria eu…) das diabruras e malfeitorias de um Partido que se entreteve a espatifar a fazenda e o prestígio nacionais. Para tal, foi ministro da justiça do XIV governo e ministro da administração interna do XVII governo. Não me ocorre nada de relevante que tenha feito nestas funções, salvo a permanente aquiescência e reverente atitude perante a magna figura dos seus chefes, dando sempre sinais de um desprezível proselitismo;

3 – Autarca da capital, onde se tem entretido a revitalizar a baixa (lá está…) promovendo restaurantes, esplanadas (com o «Zé faz falta» a perorar sobre a cor e tamanho das toalhas, lembram-se?) e zonas pedonais, dada a sua manifesta fobia pela coisa motorizada, como ensina a cartilha socialista. Ah! E fez uma ciclovia por cima da 2ª Circular onde eu aguardo pacientemente ver passar uma bicicleta, depois de me incluírem no rol de pagantes e de ter aguentado com estoicismo vários meses de engarrafamentos.

Fica por registar algumas acções pelos bombeiros, a Associação para o Polo Tecnológico de Lisboa (que eu não sei bem o que é, mas Costa deve saber), apadrinhar (entenda-se, dar) mais umas massas para a fundação Mário Soares, a novela Saramago e uma participação contínua na Quadratura do Círculo, onde produz arrepiantes banalidades e, surpreendentemente, é acolitado pelo Pacheco Pereira e delicadamente contraditado pelo Lobo Xavier.

Este homem vai ser, muito provavelmente, o primeiro-ministro da minha terra e eu não consigo perceber porquê. Produz diariamente um molho acabado de banalidades e aos costumes diz nada. Sound bytes como não há solução para as inundações, ou subordinados que acusam o SMA de não avisar a tempo sobre intempéries, acabam por cair bem neste regime de manadio em que nos mantemos, em que a etimologia da palavra socialismo continua a deslumbrar uma fatia enorme da população que, ao que parece, andou distraída de cada vez que os socialistas pegam no poder e espatifam o que vai havendo (ainda) por espatifar.

Costa vai, provavelmente, manter o mesmo discurso que usou para a fatalidade de não haver solução para as inundações, para o défice, desemprego, dívida pública e outras minudências. A herança de Passos Coelho vai ajudar imenso, também, na desculpa de muitas medidas a que ele se vai sentir obrigado a tomar. Entretanto vai-se rodeando de um friso de arrepiantes criaturas, escolherá «diferentes quadrantes» mas, naturalmente, ater-se-á aos suspeitos do costume, exactamente aqueles que contribuíram objectivamente para nos atascarmos. Só economistas já são desassete. E com jeitinho ainda nos aparece por aí um filósofo formado em Paris. Ao menos que não se tenha licenciado num Domingo!

Mas os portugueses gostam. Costa dá um pum (ele deve dar, como as pessoas…) e a malta aplaude. Espirra e o pessoal diz santinho. E, com jeitinho, vão até dar-lhe uma maioria absoluta. E a comunicação social alimenta e afaga esta masturbação colectiva, chegou mesmo a usar photoshop para pôr o homem mais alto e mais branco. O que é, no mínimo, para além de uma rematada imbecilidade, lamentavelmente racista. Mas foi o que aconteceu durante as primárias. Como é que se vai aturar esta gente de novo?

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quarta-feira, Outubro 15, 2014

Back to basics

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Safe landing. Precious luggage missing...

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quarta-feira, Outubro 01, 2014

Here and there



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Gone roving.

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segunda-feira, Setembro 22, 2014

Calúnia à portuguesa


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Quem tiver mais de 40 anos e o saudável hábito de gostar de cinema poderá lembrar-se de um excelente filme do S. Pollack, Absence of Malice (A Calúnia), interpretado pelo Paul Newman e pela Sally Field, um filme de 1981, no qual se estripa toda a imoralidade e despudor com que determinados agentes da vida pública manipulam a imprensa. Um homem vê a sua vida destruída, por via de uma repórter ingénua e idealista que veicula notícias manipuladas por agentes interessados e chega até a haver um suicídio.

Aqui pela paróquia, a coisa hoje está diferente. Suicídios, verdadeiramente, já não há por causa dos jornais. Primeiro porque o escândalo banalizou-se e, demais, há um verdadeiro exército de gente, de jornalistas a comentadores de televisão, repórteres, politólogos, sociólogos, analistas, especialistas, jornalistas desportivos e outros que baralham muito as coisas. Não se calam, dão-lhes guarida a troco de interesses inconfessados e tudo isto é agravado por uma evidente incultura, falta de mundo, iliteracia, arrepiante desconhecimento da gramática e, no caso dos mais jovens, subprodutos de currículos de educação amestrada por aberrações ideológicas totalmente desadequadas à realidade contemporânea e civilizacional.

Para «cobrir o bolo» há ainda uma camada de especialistas em manipular os media à medida das conveniências dos seus mentores, coadjuvados pelos inevitáveis idiotas-úteis que surgem em todos os sectores da nossa sociedade.
Isto explica a procura incessante de «escândalos» que vão sendo cavados à medida dos interesses de cada qual, chegando a ser ridícula a permanente sabatina entre os homens das notícias, tendo como resultado a alternância de escândalos. Se um PS é condenado, aqui d’El Rei que há um PSD que fez uma malandrice qualquer e anda a ser investigado. E vice-versa, convenhamos.

O escândalo recente de Passos Coelho ter recebido €5.000 mensais em regime de exclusividade é um bom exemplo, seguido à condenação de Maria de Lurdes Rodrigues. A oposição salivou, os jornais venderam, a Judite de Sousa quase que sorriu, a Ana Lourenço põe a expressão nº 3 de cara laroca que sabe tudo sobre estes maraus e a Constança Cunha e Sá continua a ser acometida daquele nervoso habitual que a leva às raias da apoplexia e até lhe entrelaça as cordas vocais, não a deixando falar como deve ser e os jornais e televisões «de referência» espremeram-se a noticiar a coisa. Socorro-me do João Miranda mencionando este post no qual, por via do link, podemos observar o tipo de notícias dadas por esses órgãos de comunicação (e quais). Entretanto, parece que o homem não tinha exclusividade coisa nenhuma, percebendo os salários na maior das legalidades. E “prontes” não se fala mais nisso.

Assim como assim, vale mais rever A Calúnia. Pelo menos há uma história interessante, a jornalista é mais ingénua que imbecil e os vilões são vilões a sério. Nada desta actual infantilidade reinante.

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quinta-feira, Setembro 18, 2014

Senadores????????



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Assim noticia o Expresso o despeito de senadores (??????) do calibre de Ferro Rodrigues, Jorge Lacão, Alberto Costa, José Lello, Vitalino Canas e mais uns quantos relativamente a uma decisão daquele que ainda é o seu Secretário-Geral, pela boca do chefe do Grupo Parlamentar do Partido.

É este o conceito que a tralha socialista tem de democracia. Ou as coisas são como eles querem ou emaranham-se numa retórica violenta, estridente e do tipo «quem manda sou eu», onde não falta sequer o elemento intimidatório e ameaçador, como trazer à ideia o deputado ucraniano que foi deitado a um contentor de lixo. E dão espectáculos como o que se pode ler na notícia onde o Expresso, numa atitude de notável comicidade, chama senadores a esta rapaziada.

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quarta-feira, Setembro 17, 2014

O Socialismo – sempre ele




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«…Para começar, o SNS de Arnaut funcionaliza os médicos e burocratiza a medicina. Sabe-se o que são os funcionários e burocracias em Portugal e o incrível sistema da Previdência salazarista está aí para o demonstrar…»  

«…Os defensores do SNS argumentam que isto não chega para garantir à população inteira cuidados gerais e gratuitos. E que para tanto é indispensável controlar e, a prazo, suprimir o sector privado, os chamados «latifundiários da medicina». E querem controlá-lo pagando a toda a gente pelo orçamento, retirando na prática aos doentes o direito de escolher o médico e pondo de pé uma enorme organização,em que mandariam como num regimento e que sofreria das lentidões e indiferença imagináveis…» 

Vale a pena ler este artigo. Sobretudo, reparar que Vasco Pulido Valente o escreveu em 1979.


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Tenho de ir ao médico


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Baptista Bastos, um dos principais responsáveis por algumas das mais acesas reacções do meu sistema imune de cada vez que oiço ou leio algum dos seus exercícios idiomáticos, fez uma análise brilhante sobre o putativo lóbi que há-de levar Guterres à Presidência. Pôs-me em estado de choque, fez-me duvidar do meu bem-estar psíquico e obrigou-me a ler a crónica duas vezes.

Esta é a verdade, li aqui e tenho de me render à lucidez da crónica. Pelo menos até ao último período em que BB se revolta por os portugueses se estarem a esquecer de António Carvalho da Silva. Mas isto é um bocadinho como os medicamentos. Não se pode ter tudo. Digamos que a crónica sobre Guterres é o medicamento e o destempero sobre Carvalho da Silva, os irritantes efeitos secundários.

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