domingo, agosto 13, 2017

Heeeeeelp



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No conforto da sala, fresquinha e ouvindo música baixinho, o remorso ataca, quando pensamos nas centenas (milhares?) de pessoas afectadas pela autêntica tragédia que assola Portugal. E vamos omitir as muitas dezenas de mortos, por respeito por eles próprios.

Dizer que, em matéria de incêndios, acho que este ano será o pior de sempre dá lugar a que me caiam em cima a dizer que estou a fazer aproveitamento político. Mas os factos estão aí. 33% de toda a área ardida em toda a Europa é portuguesa - nossa, o que é coisa que faz pensar. Enumerar as causas é já repetitivo, bem assim como o registo de outros acontecimentos que já são história, como Tancos e a triste figura de um general gorducho que veio palrar umas inanidades à Televisão.

E a Geringonça prossegue o seu trilho comunicacional e até para o pedido de auxílio à União Europeia tinha de incluir um parágrafo em que a patética ministra que nos saiu na rifa frisou que vários países já beneficiaram deste auxílio como a França, a Turquia e a Albânia, o que só prova como estamos bem acompanhados. Isto enquanto o rubicundo Costa deve andar ocupado a planear a defesa das cheias do Mondego que estão aqui, estão aí.

Um cineasta razoavelmente apetrechado poderia fazer um filme interessante destes episódios. Mas não dá… senão quem é que fazia mais filmes sobre os capitães de Abril e se ocupava dos destinos da TAP?


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Polvo seco - pitéu algarvio



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A memória é uma faculdade que nos foi concedida e que, por vezes, tratamos mal. Mas ela é caprichosa, faz questão de marcar presença, e esta noite sonhei que estava na feira de Lagoa, a comer polvo seco e a bebericar moscatel de Setúbal.

Acordei intrigado, porque polvo seco é uma daquelas coisas de que passam anos sem que me lembre do infeliz, como se ele não existisse, até. E, todavia, é um pitéu tradicional português, de tempos imemoriais e aparentemente associado ao aproveitamento dos excessos de pescado.

A verdade é que o tempo passa e de duas, uma: ou faz tempo que não vagueio em caminhadas por feiras algarvias e me deliciava com o petisco, ou começo a estar demasiadamente amestrado às modernices que nos vão gradualmente minando, como o “sushi” e outros. Tenho a certeza que já há gerações de jovens que não só nunca comeram polvo seco como não sabem, sequer, que ele existe. Um exemplo vivo desta colonização dos tempos modernos, reunido com um grupo de jovens amigos de uma filha, uma jovem, excitada, me perguntou se eu gostava de “tempura”, um pitéu japonês que agora estava na moda. Eu, com a bonomia devida aos “vinte e poucos”, disse que sim. No fim, não resisti e disse-lhe que a “tempura” era o nosso vulgar “peixinho da horta" e que foram os portugueses que o haviam exportado para o Japão. Dois dias depois, a moça ligou-me e disse que tinha “googlado” o “tempura” e que eu tinha razão.

Voltando ao polvo seco, parece que também há “tempura” de polvo. Haja ou não haja, achei divertido ter sonhado com o polvo seco. Para quem acredite no significado dos sonhos, de duas, uma. Ou é uma mensagem a dizer-me que devo ir ao Algarve, o que manifestamente repudio em Agosto, ou qualquer outra coisa de transcendência indefinida e que dá uma trabalheira para lhe aplicar uma simbologia mais ou menos etérea. Desisti da mensagem e prometo comer polvo ao almoço. Não será seco… talvez à lagareiro. Não engorda muito e tem o toque mediterrânico do azeite às toneladas que parece que faz muito bem e contribui para que os portugueses se ufanem de que temos uma dieta fantástica, desde os tempos em que dávamos às criancinhas “sopas de cavalo cansado” ao pequeno-almoço.

Por fim, percorre-me uma grata sensação de frescura e conforto por ter feito um modesto post sem falar de um primeiro-ministro que todos os dias me dá vontade que o “tempure” (olha, falei, mas saiu-me, juro…).



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sábado, agosto 12, 2017

Conversa de xaxa, p’ra boi dormir



Costa mandou a ministra assegurar o combate aos fogos enquanto ele vai para Montemor-o-Velho acalmar a população sobre as cheias no Inverno, que já não vão ser cheias porque ele... pois

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Quando um país reúne condições legais para ter um fulano deste calibre como primeiro-ministro, mesmo tendo sido preterido pelo voto popular, é legítima uma introspecção sobre que país somos e sobre quem somos.

Costa não é estúpido. E nem sequer é hábil, como sói dizer-se na nossa estuporada comunicação social. Está longe de ser hábil. Pelo contrário é tosco, bronco, inculto e de má índole. O que Costa consegue é um discurso que continua a colar numa sociedade vincada por longos períodos de continuado adestramento ao Estado que tudo faz, protege e promove em benefício dos cidadãos.

Infelizmente a revolução de Abril, salvaguardada a liberdade de, por exemplo, eu estar a escrever isto sem ir preso ou lançado no desemprego, tem agravado este desiderato, através do qual se explora esta faceta popular, por via da concessão de ridículos benefícios (custeados por elevadíssimos impostos indirectos e carência de meios em sectores fundamentais da nossa segurança e bem estar) e de uma retórica adequada, com base num processo de infantilização confrangedor. Isto é criminoso e repulsivo.

Costa, que não é hábil mas também não é estúpido, sabe tirar proveito deste fenómeno para se eternizar no poder, qualquer coisa que, no fundo, tem muito de Maduro, Chávez, Castro ou Morales. De tal maneira que não hesitou em deitar mão de inescrupulosos agentes da chamada Esquerda, para manter uma consuetudinária actuação, mantendo e nutrindo os costumes e natureza da nossa sociedade, o que lhe permite vir papaguear, com sucesso,  inanidades deste género, como se verifica no vídeo. Costa sonha manter-se no Poder, principalmente porque fora dele não há nada que se pressinta que ele saiba fazer a preceito. E o Poder afaga-lhe o ego e, já, agora, o proeminente ventre.

Numa altura em que meio Portugal arde, com auto-estradas cortadas, gente a dormir em instituições sociais, gente destituída de bens materiais e, mais grave, que perderam familiares mortos por via da mais atabalhoada desorganização que, tudo indica, poderá ter origem numa descarada acção de proselitismo na Protecção Civil e outros centros de controle, Costa aparece com um punhado de comparsas a anunciar o desassoreamento do Mondego, para prevenir… as cheias do Inverno (ver vídeo). É lastimável, amoral e absolutamente cretino. Independentemente do mérito de se desassorear o Mondego naquela área que, por acaso, conheço bem, ali bem perto de Montemor-o-Velho.

Esperemos que na época das cheias não ande toda a gente a desassorear o rio e falte alguma para limpar as sarjetas lisboetas (embora Costa tenha dito em 2014 que não havia solução para as cheias de Lisboa), mas contemos que lá para Dezembro ou Janeiro, Costa é bem capaz de aparecer em Pedrógão para avisar os cidadãos que temos de começar a pensar nos incêndios de Verão, enquando o Medina anda de fato-macaco a desobstruir sarjetas em Alcântara. 

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sexta-feira, agosto 04, 2017

Da importância de se andar a dizer que o homem é hábil



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Pelo caminho que as coisas estão a levar, um dia destes Costa “larga-se” sem querer no Parlamento, após o que faz uma prédica sobre o interesse nacional de não se dever impedir o livre trânsito do trato gastrointestinal, facilitando o livre escapamento dos gases resultantes. A bancada do PS aplaudirá freneticamente.

As prédicas de Costa são sempre iguais sobre seja o que for. Desta vez é sobre os sapadores florestais. Um evento tão importante como este revela que o homem está atento aos incêndios e, por razões que me escapam, andou distraído uma data de anos. Isso não o impediu de se manifestar orgulhoso por ter criado agora os sapadores e de liderar um governo com coragem de fazer a reforma florestal. A páginas tantas diz na TV que foi ele que os criara em 2006. Não explica é porque é que em 2009 desapareceram do mapa (mas também ninguém lho pergunta) e, assim sendo, cria-os outra vez e pronto. Fica tudo bem.

Qualquer coisa serve para esta peculiar criatura fazer uma festa com salvo-conduto para a continuada imbecilização e infantilização das pessoas. Porque há muito que havia guardas florestais que, entretanto, despareceram do mapa e eis que aparece um “sebastiânico”  Costa a (re) criar uma coisa, como se tivesse descoberto a cana para o foguete. E foi isso que ele afirmou no seu peculiar e trapalhão português. Deve ser por estas e por outras que a comunicação social passa a vida a chamar-lhe hábil.

Assente, assim, que para o ano não há incêndios. Graças ao sorridente e hábil Costa, orgulhoso por ter criado (???) sapadores florestais. Uma coisa, imagine-se, que não passou antes pela cabeça da Direita.


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quinta-feira, agosto 03, 2017

A desventura de andar toda a gente a falar do Boaventura outra vez



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Muito nosso. Muito cá de casa. Por vezes conhecemos as coisas ou as pessoas e esquecemo-nos que elas existem. Mas eis que qualquer coisa nos agita a memória e despoleta o fulminante… e é um rosário de comentários, análises, opiniões e, até, descobertas sobre a natureza das tais coisas ou pessoas que há muito conhecemos, mas jazem dormentes no cérebro, pela modulação sináptica que nos remete a memória de curto prazo para a memória de longo prazo. Por outras palavras. O sicrano é arquivado, com displicência, no “arquivo morto” de cada qual.

É o caso, agora, de Boaventura. De repente, o homem escreve uma série de disparates sobre a Venezuela e aqui d’el-rei que a torrente atropela os rápidos do leito do rio da inteligência de cada um de nós e a cada hora, a cada post, a cada comentário, achamos que o homem é uma besta quadrada, roído por ódios à liberdade e à democracia e amante intenso das ditaduras do proletariado (uma espécie de gente a que ele, graças a Deus, escapou pela sua rara inteligência).

Por mim, de há muito que me apercebera que a criatura não é uma variedade recomendável da minha espécie, se quisermos pôr isto em termos de taxonomia plana. As barbaridades e imbecilidades que lhe ouvi durante anos seguidos, sem embargo da sua reputação cultural e académica, foram suficientes para que me fosse esquecendo dele aos bocadinhos. Não seria agora, por via da tragédia em curso na Venezuela que voltaria a falar do beltrano. E mesmo este modesto desabafo, se virem bem, não tem a ver com o magano. Tem a ver com a quantidade de gente que não se cansa de andar a falar nele outra vez. O que ele, sorridente, agradece.


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sábado, julho 29, 2017

Terra de Nosso Senhor…




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«...Destaca-se também pelo nome: Marx Lenin, que por acaso prefere o pé direito ao pé esquerdo, tem sido por causa da sua graça um sucesso nos relvados e nas redes socIais.
Mas ele, garante, não percebe muito bem porquê. "Para falar a verdade, eu nem sei muito bem quem são esse dois caras, o Marx e o Lenin", diz o próprio Marx Lenin.
Conta o jogador que tudo o que sabe é que a mãe queria uma adaptação mais moderna do nome do pai, conhecido como Seu Marques. Dai usar a terminação em x, exatamente como o filósofo alemão. "Já Lenin", diz Marx Lenin a propósito do nome que partilha com o líder soviético, "não faço ideia como apareceu, só sei que não existe ninguém na família com esse nome"...»

«...E em 2018? Ano de eleições, à partida quentes e disputadas num Brasil cada vez mais polarizado, em quem Marx Lenin, já com cartão de eleitor, vai votar? Lula? Marina Silva? Jair Bolsonaro? "Não sei ainda", responde o jovem jogador, "voto em quem minha mãe mandar"...»

Ler a notícia aqui.


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António Lobo Costa Xavier



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Foi na Quadratura do Círculo. O programa onde supostamente se junta a nata dos comentadores/analistas políticos, mesmo com o terno e planeado pluralismo que naturalmente emana da presença de um político (!!!) do calibre de Jorge Coelho, de quem, Deus me perdoe, só oiço banalidades inanes, proselitismo nauseabundo e palavreado balofo onde abundam os “hadem” e, anteontem, a "grandidade" (suponho que ele queria falar na “grandeza” deste governo, mas saiu-lhe aquilo). Se houver dívidas é verem o vídeo do programa de anteontem.

Pois no cream of the crop do comentário político foi possível usar, sem exagero, 4/5 do tempo malhando no PSD em geral e no Passos Coelho em particular. Por mim, acho que a “coisa” assume já contornos de uma patologia estranha que não sei definir. Quando o comentário político que, por definição, presume um posicionamento crítico em relação ao Poder e se torna na mais despudorada, contínua e acéfala campanha contra um homem de quem há dois anos ouço dizer que está morto e enterrado, eu tenho de parar para reflectir e tentar fazer uma avaliação higiénica de tudo quanto se está passando, no meio de quem ando a ser pastoreado e a quem pago cerca de metade dos meus proventos anuais.

Não é crível, nem aceitável, que se assista ao presente desiderato. Sobretudo quando tenho um governo que, esse sim, deveria pedir desculpa aos portugueses pela sua arrepiante ineficácia, pela forma como conduz Portugal a um posicionamento dúbio no palco internacional que só nos envergonha e que nos encaminha, literalmente, para nova bancarrota e, sensivelmente, estende uma passadeira vermelha aos regimes obsoletos e danosos de totalitarismo, pensamento único e destruição de tudo quanto nos tem custado alcançar. E, neste caso, como gosta de dizer Jorge Coelho, são os próprios números que falam. Como os da dívida e dos juros, mas aqui diria eu, não Jorge Coelho.

Ontem, até Lobo Xavier parecia um caniche enclausurado em casa e que se leva ao parque ao fim da tarde e começa aos pinotes. Lobo Xavier anteontem ontem esperneou, saltou, fez cangochas, pinos e cambalhotas para acusar o homem que tem andado mais calado nos últimos tempos – Passos Coelho. Apesar, e reconheçamo-lo, de ter cometido um erro de que já se penitenciou e desculpou. E, naturalmente, daquela cena idiota das 24 horas, protagonizada por um inexperiente chefe da bancada parlamentar e que deu origem ao gáudio da geringonça.

Tudo isto é estranho. Como um homem morto e enterrado faz soltar tanta poeira é coisa que verdadeiramente me espanta. E faz-me lembrar aqueles cães com uma incrível e improvável mistura de genes que quando mordem não abrem a boca nem à paulada na cabeça, ou as barracudas, com o mesmo tipo de reacção. Com a diferença de que tanto o cão como a barracuda se limitam ao impulso dos genes, enquanto os malhadores de serviço no anterior legislatura e no lambebotismo de uma situação de conveniência têm, se quiserem, capacidade de pensar. E de manter um módico da dignidade que, obviamente lhes falta.


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Tintero de plata



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Foi ontem. Procedendo a um arrumo de alguns papéis, tropecei neste “cuento” de autor que desconheço (perdoe-se-me a ignorância), mas que guardei carinhosa e premonitoriamente e que me tinha sido enviado por meu pai, numa altura em que pelos 15 anos eu já deambulava pela “metrópole” para estudar. E vamos ao cuento:

"Con propósitos severos,
en bien de la religión, 
hallábanse en reunión
diferentes caballeros.
Uno era subintendente, 
otro dueño de una tienda, 
otro ministro de Hacienda 
y así sucesivamente.

 — Hay que contener la cosa con toda severidad, 
por que cunde la impiedad 
de una manera espantosa. 
Esto dijo el más anciano que era sastre 

—Viva el clero!

— Viva!—repitió un casero

 — Viva! — gritó un escribano.

Y mientras la gente pía 
se emociona y se arrebata, 
falta el tintero de plata 
que estaba en la escribanía.

— Señores—dijo altanero 
uno de los más fogosos,
— todos sois muy religiosos, 
pero aquí falta un tintero. 

Y como á nadie convenga 
saber quien el caco fué, 
yo la luz apagaré 
y sáquelo quien lo tenga... 

Sopló, por la sacristía 
tendióse el negro capuz, 
y cuando encendió la luz... 
faltaba la escribanía!".

Coisa simples, de humor afinado e que parece ter feito escola ao longo de algumas décadas. Fazendo alguns ajustes necessários, tudo hoje se passa da mesma forma. Os mesmos “Vivas”, a o mesmo fervor de claque, agora em sistema de vasos comunicantes. Também o tintero de plata se transformou em negociatas de milhões. E também o “apaga a luz e acende” possibilita que de cada vez que é feito falte sempre qualquer coisa mais. De referir também que hoje pretende-se apagões, mas que permaneçam apagados para que "à nadie convenga saber quien el caco fué", como na CGD. Ou seja, há um claro aggiornamento da coisa. Sinal dos tempos e dos tinteiros que são, hoje,  muito mais valiosos.

Não sei se no “cuento” alguém foi preso. Se não foi, então acho que neste articular, nada mudou. Porque continua a ninguém ir preso. Um ou outro, para disfarçar e mesmos esses ainda estamos para ver o que sai dali.


Nota: Numa pesquiza não muito fácil consegui finalmente encontrar este “cuento” na hemeroteca municipal de Santa Cruz de Tenerife.


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quinta-feira, julho 27, 2017

Agora, sim, está tudo esclarecido



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António Costa explicou ontem, com a inabilidade do costume e a quase inintegibilidade das palavras comidas a meio que lhe enformam o discurso, que os argumentos da oposição eram “parvos”. Entre outras pérolas, mentiu também, sobretudo naquela jogatina que metia datas, número de vítimas ministério público, etc. Toda a cena se passa entre o secretário de estado (aquele que chora com Marcelo), a imóvel, queda e muda Constança e a comandante Patrícia, aquela senhora  que todos os dias nos vem dizer que as coisas estão difíceis, mas que temos não sei quantos homens no local, mais não sei quantos meios aéreos, mais não sei quantos meios terrestres, mais não sei quantos espanhóis, mais não sei quantas mudanças de direcção de vento, baixas de humidade (e vá lá que não tem havido raios, nem os relâmpagos do Baldaia) e nos explica como se estabelece as prioridades nos ataques dos incêndios.

À noite, a SicN dá uma entrevista com Pedro Nuno Santos, aquele fulano de barba esbranquiçada e bem aparada que se senta quase sempre à direita de Costa, aquele que disse não pagamos, os alemães que se pusessem a pau que ele ia lá e partia-lhes as pernas, não sei se foram estas as palavras exactas, mas qualquer coisa por aí. E para mim, valeu o jornalista ter aflorado o fato de Costa ter dito e repetido que o número de mortos de Pedrógão Grande era assunto esclarecido e que afinal não estava nada esclarecido. E é aqui que o fulano que diz que vai dar umas caneladas aos alemães e não paga diz que Costa disse isso, sim, mas depois disso o Ministério Público listou as vítimas e agora o assunto estava esclarecido (!!!).


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quarta-feira, julho 26, 2017

Em rigor e em liberdade



Acho que se chama Patrícia e é suposta defender os civis. "Brifa" jornalistas... não se 1 se 100, as câmaras NUNCA mostram

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Volta e meia cruzo-me com esta senhora na TV que, aparentemente, faz um briefing diário sobre o desenvolvimento da situação dos incêndios, em obediência às normas emanadas da Geringonça.

Do que percebi antes, estes briefings destinam-se a formatar e normalizar o fluxo informativo da situação (Costa dixit) e supõe-se que sejam seguidos pela comunicação social. E digo supõe-se por NUNCA as câmaras rodarem para mostrar os jornalistas. Não sei se a senhora fala para um, dez, cinquenta ou nenhum jornalista. No local, continuo a ver repórteres a fazer perguntas a populares. Perguntas capciosas e inteligentes, como: Estão, está preocupada? Ou a presidentes de Câmara que vão dizendo qualquer coisa assim a modos que não querem dizer nada mas lá vão dizendo qualquer coisa. Isto entre gente ilustre que vai passando pelas objectivas como secretários de Estado e até o Presidente Marcelo ontem sacudiu o torpor e lá foi ele a Mação dizer que antigamente, na ditadura, que ele viveu, a informação era muito controlada. E agora, não. Era livre. Para mim isto soou um bocado a anedota, mas posso estar a exagerar, talvez Marcelo estivesse apenas bem disposto.

Mas desviei-me um pouco da ideia inicial. A tal senhora que aparece todos os dias no briefing é um exemplo acabado de um tipo de informação manipulador e, frequentemente, falso. Tudo o que acontece é grave, mas é brando. E fofo. Os helicópteros aterram em dificuldade em vez de se despenharem, o SIRESP falhou outra vez, mas a espaços e pontualmente (???) e por aí fora.

Fico na dúvida se este tipo de gente fala assim porque acha que é assim ou porque lhe dão um papel para ler – tipo cartilha de que falam muito agora, a propósito do futebol. O que é, no mínimo, confrangedor. E ridículo. No caso do helicóptero, por exemplo, enquanto a senhora falava, outra estação mostrava a foto de um helicóptero despenhado e retorcido, explicando o que se passou. Felizmente, com o piloto a salvo.

Nada disto é diferente do que se passava na ditadura que Marcelo ontem referiu. Só que dantes todos nós dávamos o desconto, sabíamos o que a casa gastava. E agora temos uma poderosa máquina de comunicação que nos convence que esta despudorada manipulação é feita com rigor e em liberdade.

NOTA: Não sei se ainda estou com sono ou se ouvi mesmo, ali nas notícias, Marcelo dizer três vezes: A luta continua, a luta continua, a luta continua. Deve ter sido sono. Meu.


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