segunda-feira, agosto 22, 2016

Havia de ser connosco...



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Uma breve nota para registar que vi o espectáculo de encerramento dos JO do Rio. Não há como ficar indiferente à beleza, alegria e poesia em estado puro que corre nas veias daquela gente. Mas admirei ainda o respeito que a organização revelou pela tradição cultural do país e, de maneira superior, o aliou à beleza e a um insuperável sentido estético. Aquele “Mulher Rendeira” (que não ouvia há tantos anos) configurando a tradição da mulher da renda de bilros, achei simplesmente uma obra-prima.

No fim lembrei-me que seria injusto se não acreditasse que os portugueses são capazes de fazer coisas bonitas também. Aliás, viu-se na Expo. O problema é que corremos sempre o risco de resvalar naquele gene estranho que muita gente possui e alimenta ciosamente, em pleno primeiro quartel do século XXI, e que normalmente nos concede uma espécie de inalienável "pedigree" e nos atira para uma abominável parolice, caldeada num estranho complexo. Daí que num espectáculo como o de ontem, se fosse em Portugal bem poderia acontecer que tudo caísse nos “capitães de Abril, na censura, colonialismo, liberdade, cravos vermelhos, Pide", com o Zeca Afonso em música de fundo a cantar o “eles comem tudo”. Mais ou menos em consonância com os tempos que atravessamos, com a geringonça a chefe de orquestra.






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sábado, agosto 20, 2016

Um biquini para a Câncio e uma passagem de férias, rapidamente e em força.



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A f. pertence a um grupo selecto de gente que se eriça de cada vez que se bule com  a tradição islâmica e inicia um processo capcioso de argumentação em que mistura liberdade com laicismo, liberdades, respeito, democracia, reaccionarismo e, em última e inevitável análise, com o «fassismo» que atormenta as mentes iluminadas que o vêem em tudo o que mexe.

Presta-se aqui a f., como alguns elementos da nossa atenta, veneradora e obrigada comunicação social, a um exercício retórico que mais não pretende que objurgar os mentores das últimas medidas contra o burqini porque isso contende com as liberdades e o respeito pelas tradições de outrem. Chega mesmo a considerar a proibição do burqini como histeria, perseguição e xenofobia disfarçadas de laicidade e feminismo. Não o faz por menos.

Se não houvesse argumentos sólidos e honestos para contradizer a f., bastaria dizer-lhe que o uso do burqini, mais do que seguir uma tradição é uma opressão machista sobre a mulher, menor e parideira, como ela deve ser nestas sociedades e um meio de clara provocação dos decadentes infiéis.

E olhe f., aqui as mulheres de burqini são impedidas de estar na praia e multadas. O que configura uma matriz que poderia ser comparada com o que lhe fariam a si se a f. usasse um bikini numa praia de uma pais islâmico. É uma questão de experimentar e, se se safar, poderá depois escrever uma crónica bonitinha como esta que produziu num momento de enlevo politicamente correcto.

Nota: A talhe de foice, entrei uma vez num avião comercial em Rihad com destino a Londres. O avião era da BA. Logo, território inglês no seu interior. Ainda o avião estava em terra e era um corrupio de jovens a correr para as casas de banho do avião e tirar aquelas roupas que só deixam ver as mãos e a cara e substitui-las por T. shirts e jeans. Umas patuscas aquelas saudis.


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quarta-feira, agosto 10, 2016

Oui. Ou a vã glória de mandar




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Este deveria ter sido o título do filme de Manuel de Oliveira (de resto, um filme que tentei compreender, sem resultado, e me fez duvidar da minha inteligência, face à torrente encomiástica que já na altura corria impetuosa pelo leito da fama) e não o “Non”.

Porque mandar, para os portugueses, é um artefacto mental só ao alcance de certos funcionários que vêem no mando a afirmação antagónica à sua pequenez. Essa terá sido, por exemplo, uma razão do êxito rotundo dos fiscais das licenças de isqueiro, nos idos de cinquenta e sessenta, para proteger a indústria dos amorfos. E era vê-los, disfarçados e sub-reptícios numa mesa de café, aguardando pelo gesto descuidado de um cidadão acendendo um cigarro com isqueiro para se levantarem, impantes, da cadeira e exigir a necessária licença de isqueiro. Os contínuos das universidades eram outro exemplo categórico da êxtase do "poder".

Esta cena das bolas de Berlim é muito semelhante. Não consigo estimar quantas bolas de Berlim se vende nas praias, mas consigo adivinhar que os réditos são exíguos e sem qualquer expressão nas receitas do erário público. Mas sei imaginar o gáudio de um “fiscalete” das finanças e a sensação orgástica de um yes-man durante as quarenta horas semanais (quase a serem trinta e cinco) a passar uma multa a um homem que numa manhã de árduas caminhadas na praia trabalha mais que o fiscal durante o mês todo. Ah! E com a virtude de, ao contrário destes tiranetes de esferovite, tornarem muita gente satisfeita.

NOTA: este post incluia uma foto de um repórter do JN que foi erradamente tomado como um fiscal de finanças multando um vendedor de bolas de Belim. A Alexandra Sobral chamou-me a atenção para o facto pelo que de imediato retirei a foto e peço desculpas.. E agradeço sinceramente à Alexandra.




Peço desculpa


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sexta-feira, agosto 05, 2016

Globalização, multiculturalismo, psicopatias, espontaneidade …e o mexilhão



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Um norueguês, natural da Somália, matou uma americana, esfaqueou outro americano e mais uns quantos israelitas, australianos e britânicos, em plena Praça Russel, junto ao Museu Britânico. Está assente que o norueguês da Somália actuou espontaneamente, apresentava sinais de perturbação mental e atacou de forma aleatória.

O assassino espontâneo era um jovem de 19 anos, pelo que se subentende que devia estar sem emprego e, sobretudo, deverá ter tido uma aculturação deficiente na Noruega, pelo que, muito provavelmente terá tentado o Reino Unido onde poderá não ter tido melhor sorte. Sentindo-se segregado, “guetizado” e incompreendido, o jovem deixou-se levar pela espontaneidade e desatou às facadas, aleatoriamente, sobre quem passava. Presume-se que a faca teria sido levada por ele aleatoriamente, espontaneamente e sem segundos sentidos.


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quarta-feira, agosto 03, 2016

...ainda acabam a mandar-nos pedir desculpa por estarmos de costas.



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O que torna esta gentinha verdadeiramente desprezível já nem é o facto de tributarem tudo o que mexe, no esbulho generalizado a que se cometeram. O que é verdadeiramente repulsivo á a retórica usada, os Galambas, os Rocha Andrades (ouvir com deleite esta intervenção) e correlativos.

É repulsivo (repito no termo) a forma como esta gente acha que faz de todos nós parvos. Neste particular o chefe da geringonça é verdadeiramente primus inter pares o que para ele deve funcionar um pouco como o espelho da rainha da Branca de Neve mas que para nós, em geral, o classifica como um pateta encartado.


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Dizer bem



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Para que não se pense que passo a vida a dizer mal, desta vez vou dizer bem.

Ontem saí do duche, escorreguei no tapete, bati com a nuca no degrau separador do recinto do duche e, ao que parece, desmaiei. Recuperei os sentidos e assustei-me com uma poça de sangue ao meu lado. Em poucos minutos estava no hospital de Cascais (a ambulância do INEM parece que demorou exactamente 4 m a chegar…), onde:

1 – Fui tratado de imediato;

2 – Fui sujeito a uma bateria de testes (TAC; análises, exame de medicina interna, electrocardiograma e, pelo meio, uma simpática e risonha enfermeira aplicou-me quatro pontos na nuca que, ao que parece, tinha uma fenda maior que a Tundavala (para quem conhece Angola);

3 – Às 22 horas deram-me alta e submeteram-me a uma série de medidas protocolares, incluindo como devia passar a noite e como devia permanecer hoje em casa;

4 – Todas estas operações foram executadas com extrema cordialidade, eficiência e num meio rigorosamente asséptico, asseado e ordenado;

5 – À saída dirigi-me ao guichet para pagar, fosse o que fosse, e o mocinho viu a minha pulseira de internamento e perguntou: Foi trazido pelos bombeiros do INEM não foi? Fui, disse eu. Então não paga nada.

Sabe bem sentirmo-nos apoiados por esta eficiência em cadeia. Sobretudo para quem conhece um bocado de mundo e sabe como as coisas correm por outras latitudes. O Hospital de Cascais está na lista das minhas boas referências.

NOTA APARTE: Pelas dores e terríveis tonturas que tive durante o dia, questionei-me sobre aquelas cenas recorrentes de vários filmes em que “o herói” leva uma coronhada do bandido, desmaia e passados minutos levanta-se e desata aos socos outra vez…


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domingo, julho 31, 2016

Querem ver que atropelaram o homem?



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Uma referência encomiástica à acção da Polícia que em cerca de trinta minutos neutralizou e deteve quatro passageiros argelinos que tentaram fugir ao controle da emigração e desataram a fugir pelo aeroporto fora.

Uma outra referência à forma educada mas intransigente como o porta-voz da polícia respondeu aos jornalistas. Disse aquilo que estava autorizado a dizer e, certamente, nos moldes em que foi instruído para o fazer. Mesmo perante a quase histérica insistência de uma repórter de exteriores da SicN que queria saber se o detido que sofreu ferimentos ligeiros tinha sido objecto de atropelamento por um carro da polícia. Este era o pormenor que realmente interessava à enviada da SicN.


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sábado, julho 30, 2016

E é isto



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Começa a ser uma questão de higiene não deixar a TV ligada em roda livre, Usá-la só quando quisermos ouvir alguma coisa especificamente é fundamental para mantermos o nosso equilíbrio psíquico em boa condição. Ou arriscamo-nos a estar distraídos, com a TV aberta e apanhar com alguns dos incontáveis comentadores do fenómeno do terrorismo islâmico dizer alarvidades em torrente. Ainda agora tive de ouvir, sem querer e sem me precaver, mais um jornalista do Expresso e um professor qualquer dizer as parvoíces do costume. Antes de desligar, ainda ouvi o tal professor dizer que o ocidente está a pagar o preço de não ter sabido integrar os emigrantes. Chiça, que é demais. Não há resistência para semelhante cretinismo. Par além do desrespeito absoluto destes intelectualóides pelas vítimas de toda esta tragédia.

Nota: Mudei de estação e acabei agora de ouvir que os quatro invasores da pista do aeroporto da Portela são argelinos. Certamente gente que não foi bem integrada e que, segundo as notícias que estão a ser dadas, saíram do avião da TAP proveniente de Argel e fugiram pista fora porque não queriam passar na emigração. Eles lá saberão porquê. Entretanto, mais um comentador vai dizendo, a talhe de foice, que lá por serem argelinos não temos que começar já a pensar tratar-se de terroristas. Temos que ter cuidado em não generalizar. E acrescentou que Trump está a agravar o clima de medo. E que há cristãos que estão a organizar-se para uma guerra com o Islão. Que há emigrantes integrados, como o mayor de Londres. Que a radicalização é feita em jovens sem emprego ou que andam pelos cafés de Bruxelas. E que o recrudescimento dos ataques terroristas não tem nada a ver (ia jurar que o homem disse não tem “nada a haver”, mas não garanto…) com a onda migratória de 2015… juro, eu ouvi tudo isto assim, quase de seguida e sem anestesia. E é isto.


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