segunda-feira, março 30, 2015

Só pode ter sido sem-querer


[5238]

É preciso assinalar a robustez (a resiliência, como agora soe dizer-se profusamente) do CDS-PP. Não me ocorre alguma sondagem em que os resultados do Partido não sejam estimados em baixa (muito baixa) para depois verificarmos que afinal não era assim como se estimava. De duas uma, ou as empresas de sondagem e opinião são geridas por gente incompetente ou ciosamente cometida à permeabilização dos eleitores a uma ideia falsa, com objectivos inconfessáveis.

No fundo, acho que se torna irrelevante, qual destas premissas estará certa e ambas são condenáveis. E por norma já não ligo muito ao desterro do CDS-PP para as ruas da amargura. Mas ouvir gente com a forma e o estilo de um Pedro Adão e Silva em sermões televisivos formatados pela sua (lá muito dele) ideologia, eivada por aquele tique escolástico e petulante de que ele não abdica, afirmar há pouco tempo na SICNotícias que o PS iria ganhar facilmente na Madeira e que o PSD e CDS, juntos, tentariam atingir os 30%, causa muita irritação. António Costa Pinto disse que sim, não só mas também e lá ficou aquilo no ar. Agora que o PSD ganhou maioria absoluta, o CDS se guindou ao principal Partido da Oposição e o PS foi humilhado, a Ana Lourenço poderia (deveria) confrontar Adão e Silva com a sua diatribe, talvez até mais pela forma do que pela substância. Mas ela vai-se esquecer…

Nota:

1 – Não milito no CDS

2 – Depois de ler alguns jornais de hoje fico na dúvida se a maioria dos comentários produzidos sobre o CDS-PP como primeiro partido da Oposição relevam do conhecido mau-perder dos socialistas (bem acompanhados pela generalidade da CS) ou se se limitam apenas a passar um certificado de burrice ao eleitorado. Porque se sabe que o eleitorado só é inteligente e bem informado quando vota socialista.

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sexta-feira, março 27, 2015

De víbora na mão


[5238]

A «Quadratura do Círculo» está caminhando a passos largos para uma versão revista, melhorada e tendencialmente intelectualizada do «Eixo do Mal». Tripas revoltas por tripas revoltas sempre dão mais sainete e audiências as de Pacheco Pereira que as de Pedro Marques Lopes ou da «Pluma Caprichosa».

Repare-se como ontem quase todo o programa se resumiu a um solilóquio de PP do qual, espremendo, se percebeu que:

- A Comissão Parlamentar (BES) esteve bem, de um modo geral, não fossem as mentiras do governo;
- A Comissão deu uma imagem putrefacta da nossa elite;
- A ministra das finanças, a descarada, tem ambições políticas o que, como se supõe, é um crime hediondo e um pecado mortal;
- As ambições da ministra das finanças percebem-se pelo facto de ela ter ido até a uma inauguração, PP lá disse que o ministro da economia estava no Japão com Passos Coelho, coisital, mas o facto de ela ter ido à inauguração é a prova acabada que a senhora tem ambições políticas;
- Finalmente, cereja no bolo, PP diz que a ministra das finanças é tal qual como Sócrates. Goza de benevolência e da simpatia do princípio de mandato e depois…

Estas afirmações, e sobretudo fazer delas o fio condutor de um programa de comentário político de uma hora, são condenáveis e relevam claramente de um ódio visceral que PP nutre por este governo. Que ele não goste deste governo ou de outro qualquer é uma circunstância com a qual eu posso conviver tranquilamente, o homem é livre de gostar ou não gostar de quem quiser, mas a forma acintosa, parcial, raivosa e desonesta como qualquer tema acaba numa sessão de tiro ao boneco diz bem de algumas ambições que ele verbera nas pessoas que abomina, açoitando-as e fustigando-as com a autoridade que lhe advém do seu prestígio de intelectual e da sua facilidade de expressão.

Uma nota final sobre a comparação que ele faz entre Maria Luís e Sócrates. PP ultrapassou os limites do aceitável, acho que ele próprio percebeu isso e exercitou umas desculpas esfarrapadas junto de Lobo Xavier, mas o mal estava feito. A comparação que ele fez, para além de má fé e mau carácter, revela desígnios absolutamente obscuros. Porque as pessoas sabem que Maria Luís não é como o 44. E Pacheco Pereira, também.

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quarta-feira, março 25, 2015

Não vão os Malianos ficar cheios de cancro


Infestação de jacinto de água no rio Niger


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Depois de escrever o post anterior, ocorreu-me um fenómeno de muita gravidade que ocorre no rio Niger, no Mali. Porque conheço e acompanhei a situação, antes da instabilidade que, entretanto se instalou recentemente no país. Mas a infestação ocorre noutros países na bacia do rio.

O rio Niger é um sustentáculo de incalculável valor para a sobrevivência da população radicada na sua bacia, porque lhes faculta peixe-capitão em grande abundância. Infelizmente o rio tem vindo a ser pasto (é o termo) de um flagelo, qual seja o aumento exponencial de uma planta que dá pelo nome de jacinto de água. Esta planta propaga-se à superfície das águas, e pode ter um sistema radicular de vários metros abaixo da superfície. Cortá-la não adianta, porque ela volta a reproduzir-se, por via do sistema radicular que se mantém intacto. O glifosato proporcionou resultados admiráveis no controle desta planta, já que pulverizando a parte aérea e visível, acabava por chegar ao sistema radicular, matando-a. Além do mais, o produto mostrou uma muito baixa toxicidade em peixes, abelhas e aves.

Com o evento da guerra, não sei bem o que se passa neste momento, mas não me custa adivinhar que muitos milhares de hectares na superfície das águas de um dos maiores rios africanos estejam cobertos de jacinto de água, impedindo as populações de acederem a um dos principais factores da sua dieta alimentar. E, entretanto, ainda se arranja maneira de descobrir que a Monsanto acorda de manhã a pensar como é que há-de dar cabo da saúde do pessoal e corta-se o mal pela raiz. Não a raiz do jacinto de água, antes a raiz do glifosato.

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Mais Monsanto


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A Monsanto é assim como uma espécie de Passos Coelho, salvaguardadas as devidas proporções. Disparar contra a Monsanto ou uma sessão de tiro ao boneco com Passos Coelho é um exercício corrente e legitimado pela esquerda que sabe tudo, incluindo a forma como utilizar ideias e manipular os veículos dessas ideias, vulgo idiotas.

À míngua e cansaço de falar dos transgénicos, os media seguem agora uma pista deixada por um movimento brasileiro que dá pelo nome de MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) que não faz a festa por menos: - A OMS tem experiências que provam que o glifosato (um produto da Monsanto) é um agente potencialmente causador de cancro, seja o que for que esta afirmação signifique. O «agrotóxico» glifosato (agrotóxico é o nome que a esquerda resolveu aplicar aos agro-químicos usados numa ciência que dá pelo nome de «protecção de plantas») é um dos produtos mais usados em agricultura em todo o mundo e a sua autorização e registo como produto de venda condicionada é necessariamente consistente com uma das mais extensas bases de dados de todo o mundo, cumprindo os rigorosos padrões estabelecidos pelas autoridades que regulam o uso dos produtos químicos em agricultura.

Uma entidade que se afirma ligada à Organização Mundial de Saúde, a IAPC (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer) também já se pronunciou afirmando que a substância glifosato é «um provável cancerígeno» para humanos, o que equivale mais ou menos a dizer que  a galinha é um provável agente de mortalidade por  perfuração da parede interna do estômago (por acaso, aqui, sei bem do que falo), na eventualidade de se engolir, inadvertidamente, um osso da asa.

O glifosato representa um admirável exemplo de ciência e de técnica, quando a Monsanto desenvolveu um produto praticamente sem acção residual no solo, ao contrário de praticamente todos os outros herbicidas, porque se degrada muito rapidamente e actua no controle da vegetação por translocação dentro da planta, levando o produto até ao sistema radicular. Uma acção a que apenas um outro produto, o paraquat, se assemelha, mas que é de muito mais elevada toxicidade e sem acção de translocação. Por isso, o glifosato é mundialmente utilizado com uma assinalável responsabilidade pelo aumento e melhoria de qualidade de colheitas.

Atenta a estas minudências, a União Europeia destacou já uma comissão para estudar a coisa e não me admiro que venha a achar que deve contribuir para a virtual assepsia dos europeus. Ouvi eu na TSF, a caminho do almoço, uma notícia dada com a tonalidade grave e circunspecta que o grito de alerta dos sem terra merece. Só por isso me decidi a escrever estas linhas.


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terça-feira, março 24, 2015

Patético


[5235]

Carlos César é um exemplo acabado da estirpe socialista que nos aflige. Arrogante, malcriado e manipulador, exerceu as suas funções nos Açores em rigorosa obediência às suas características de homem do aparelho, sem escrúpulos, sem hesitações e, grave, sem remorso.

Permite-se agora passar-nos um certificado de papalvos, prometendo reembolsar todos os lesados do BES, com a habitual música de fundo socialista. Não cuida sequer de pensar na lesão grave que o seu Partido causou a todos nós durante muitos anos, pelo que seria muito mais honesto que ele pusesse à disposição de todos os contribuintes, em geral, uma indemnização compatível com as despesas sumptuárias e «trambiques» ocorridos durante os governos a que pertenceu, com todas as conhecidas consequências.

É evidente que isto não justifica os danos graves que a trapalhada do BES causou a muitos dos seus depositantes, mas que venha um patusco agora prometer que os vais ressarcir, desde que que o PS ganhe as eleições, é de uma desonestidade inqualificável. Ocorre-me ainda uma resposta de César ao jornalista, no fim da conversa, pela qual afirmava que só não ressarciria se, entretanto, os cofres estivessem vazios. Tudo isto é desonesto, revelador de mau carácter e de uma absoluta falta de consideração pelos eleitores, chamando-lhes burros e pelos contribuintes, fazendo deles burgessos.

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domingo, março 01, 2015

Indecoroso


[5234]

Tenho votado ao Syriza e correlativos a indiferença e o desprezo que me merecem as acções de meia dúzia de lunáticos que vêm ao mundo convencidos que vão descobrir a cana para o foguete. Não escondo alguma irritação por algumas das suas acções e pelo foguetório de muita da sua verve idiota, mentirosa e que há-de conduzir a Grécia a um buraco sem fundo de onde dificilmente se safarão. Pior ainda, porque na queda do buraco arrastarão alguns fracos como eles, sem embargo de que esses, pelo menos, se ativeram a uma posição de reflexão que resultou no desenvolvimento de acções adequadas que, mau grado alguns acidentes de percurso estão a dar já resultados. Por muitos «tudólogos» que têm saído ao caminho e sairão sempre, faz parte do compêndio da história que nos há-de (des)carrilar por, quem sabe, mais 900 anos.

Mas há um pequeno incidente, no meio disto tudo, que realmente me eriçou a paciência e me fez apetecer desatar ao estalo. Que haja oposição, que cada um tenha a sua opinião, que cada um discorde, berre e até insulte, é coisa que com mais ou menos resiliência (outro vocábulo muito em uso nesta repartição…) do nosso aparelho gastrointestinal se vai ultrapassando. Mas que o Bloco de Esquerda se tenha prestado a trazer um fedelho malcriado ao Porto, aqui a casa, para papaguear umas macacadas, nas quais usa a prerrogativa que o Bloco lhe conferiu para insultar o nosso primeiro-ministro e me dar lições sobre liberdade já, genuinamente, me chateia. E não é por ser Passos Coelho. Fosse Costa, ou outro, a minha irritação manter-se-ia pela falta de estofo que esta gente do Bloco tem para a sua condição de políticos com legítima representação popular. Era só.

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Blasfémias e Insurgente


[5233]

O Blasfémias e o Insurgente completaram onze e dez anos.

Fica aqui o registo de um leitor diário de há dez anos também, com o apreço devido por dois dos mais representativos blogues do nosso meio. Dois blogues que me habituei a ler com deleite e com o respeito devido a gente escovada, inteligente, bem humorada e bem informada. E que venham mais dez com muitas blasfémias e insurgências.

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sábado, fevereiro 21, 2015

Homeward Bound... e porque hoje é fim de semana





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Em 1982 fiz duas horas de avião, ida e volta, expressamente para ir buscar este concerto completo numa preciosa cassete Betamax, gravada a partir de uma outra de um amigo em Joanesburgo! 

Parece que foi ontem. Ouvi-a vezes sem conta, semicerrava os olhos e «sentia-me» em Central Park vibrando com os meus «faves» e ainda hoje a tenho... e agora tropecei na cassete sem querer. Fica aqui, com um aceno de simpatia para quem ainda se lembra deste memorável concerto e, como eu, o considera do melhor que alguma vez tive o privilégio de ouvir e sentir. Para os que nasceram depois, o pedido para que ouçam (e vejam) o concerto até ao fim. Nem que seja a prestações.

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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Lembrou-se agora...


[5231]

Impressiona a constatação de um orgasmo colectivo que reina por aí depois da ejaculação tardia de Juncker, para manter o nível de pornochachada que o assunto me inspira. Ninguém, que eu tenha lido, se deu ao trabalho de se questionar porque é que Juncker tinha de vir agora com este acto de contrição, em vez de, oportunamente, ter feito reivindicar os seus pontos de vista. Ao contrário, o que se vê é um alarido ensurdecedor e uma erecção de meninges por um discurso patético proferido por um fulano que ainda há dias era vituperado como um amoral e esquemático de como se podia burlar o fisco e, eis senão quando, sai do silvado, cantarolando, muito excitado, um comissário, que num repente e olhar de luz, resplandecente, como a do sol e penetrante como diamante, diz umas tretas e põe a nossa intelligentzia vidrada com a confissão.

No meio de tudo isto dá para pensar é que raio de gente tem em suas mãos o nosso destino. E apetece mandá-los para um confessionário que eu cá sei, mas não digo aqui porque é pecado.

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