sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Simplesmente complicados





[5366]

Provavelmente numa análise demasiado simplista, tenho para mim que uma vasta maioria dos servidores públicos que chegam ao governo são reconhecidamente inexperientes e incompetentes. Em alguns casos não por culpa deles, apenas porque, como diria Jacques de la Palice, lhes falta experiência e competência, que são coisas que não se arranjam num supermercado, antes requerem mundo e oportunidade de trabalhar em exigentes condições de produtividade, competição e assertividade. Também os há venais, mas isso requer alguma competência e esperteza o que desde logo os retira da categoria que refiro atrás.

Como muitos deles ascendem a lugares que lhes conferem poder, acontece aquilo que eu reputo como uma das directas razões do tortuoso sistema em que vivemos, sempre que o poder público se entrelaça com os nossos interesses e com o sagrado princípio da nossa individualidade. E depois, há, claro, o esbulho directo e violento, muitas vezes ao arbítrio de valores que a tal incompetência, inexperiência e, como também referi, venalidade, que nos atinge, sem dó nem piedade. A cereja no topo do bolo (eu sei que é um cliché e que há quem goste mais de enfeites de morango, banana ou talhadas de pêssego, mas tradição oblige) é esta pulsão que o poder gera no governante que, incompetente, inexperiente e venal não resiste a determinar, legislar, alinear, regular, em resumo, chatear o concidadão.

Leia-se este texto do João Miranda. Entenderão melhor o que digo


*
*

Etiquetas: ,

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Má sorte



[5365]

Ao longo da minha vida já aturei miúdos birrentos; mulheres caprichosas; estradas escorregadias e pontes perigosas; feras traiçoeiras; mares bravios e temerosos; carros “subviradores”; climas agrestes; migrações forçadas; dificuldades económicas; doenças ameaçadoras; acidentes de viação. E outras situações que requeriam paciência, perseverança e força de vontade. Na maioria dos casos que referi, porém, a vítima potencial era eu ou, em casos mais graves, a minha família também. Mas fui-me saindo bem.

Mas ter de suportar uma criatura manhosa e traiçoeira que, por desígnios que acho que «vejo mas não vislumbro» (como diria o eloquente Rogério Alves nos seus comentários desportivos), não só me ameaça a mim como o destino de muitos milhões de portugueses é uma missão tão espinhosa como inesperada. A. Costa está de cabeça perdida e conduz este país para um beco sem saída. Provavelmente, seremos recuperados, quando a poeira assentar mas à custa de imensuráveis sacrifícios e da perda definitiva do prestígio e credibilidade que, entretanto vínhamos honrosamente recuperando.

Tenho uma vaga esperança de que haja ainda tempo para soprar uma aura de bom senso que induza este homem a parar e pensar e achincalha-me bastante ser um comissário europeu que se permite isso mesmo – aconselhar-nos bom senso. Mas também receio que ferva nesta gente que nos caiu em sorte num governo não eleito, uma mistura estranha de ódio, incompetência e loucura que nos há-de levar a um fim trágico. Já que não podemos pensar que o facto de termos quase mil anos de história acaba por nos resolver tudo. E se isso acontecer, em nome dos meus filhos, netos e (se lá chegarmos…) bisnetos, nunca perdoarei esta estranha personagem.


*
*




Etiquetas: ,

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Sarar as feridas?



[5364]

Nunca apreciei o estilo de Sampaio. Sempre o tive por um homem culto e íntegro (lamento ter de enaltecer cultura e a integridade como qualidades de referência no meu país, mas as coisas são como são) mas tenho um trauma de juventude, qual seja o de ter ouvido uma longa conversa no bar do Hotel Florida entre ele e outros socialistas e que na altura me pareceram fortemente eivadas de utopia. Mas eu era um jovem e na verdade, que sabia eu de política progressista? Com o tempo fui podendo fazer uma desejável adequação do estilo e da substância daquele tipo de verve socialista e alguns anos depois apercebi-me que a utopia transvasava a estupidez para se tornar trágica.

Esta nota para dizer que não gosto da «proa» de Sampaio. E, no meu entender, o seu consulado na Presidência reflectiu exactamente a opinião que eu fui formando do homem, à medida que fui fazendo a tal adequação de estilos e conteúdos da célebre conversa que eu ouvira no Florida, seguramente há quarenta anos atrás.

Mas hoje, Sampaio, «acha» que Marcelo pode ser um bom estadista. Para além do paternalismo da asserção, o que noto é esta atitude corrente e generalizada, consubstanciada na ideia de que o importante agora é corrigir este clima de crispação e da necessidade de sarar feridas. Repare-se:

Terá esta omnisciente classe consciência de que as feridas foram eles que as abriram? Lembrar-se-ão de que foram os socialistas que ciclicamente nos remeteram para uma situação de indigência e que, não obstante, insistem em manobras diletantes e irresponsáveis que, como agora se verifica, nos levam à ruína de novo e nos colocam num conceito ridículo e embaraçoso perante o concerto europeu?

Costa e sequazes são responsáveis pela inevitável tragédia que se perfila, de novo, no horizonte de curto a médio prazo. Todavia, à semelhança da opinião de Jorge Sampaio, é recorrente ouvir a asserção de que é preciso sarar feridas. Não oiço é nada sobre quem insiste em nos infligir estas feridas. Nem de como o evitar.



*
*

Etiquetas: ,

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Pudores e fedores



[5363]

Eu tive um amigo que era um consagrado entomologista e com o qual eu privava com alguma frequência, porque éramos vizinhos num bairro nobre da cidade de Maputo e porque tinha assuntos correntes a tratar com ele, relativamente a trabalhos de pulverização aérea de culturas algures no norte de Moçambique.

O homem recebia-me afavelmente, mas levei algum tempo a perceber que de cada vez que ele me convidava para entrar em casa dele, a mulher e a filha, uma miúda de cerca de 10 anos, vinham à sala saudar-me reverencialmente, após o que se retiravam para a cozinha, enquanto nós comíamos no sala de jantar.

De outra vez, no Senegal, fui recebido por uma personagem importante de uma instituição governamental de Dakar, convidado para jantar. Recebido com lhaneza, foi-me servida uma dose abundante de refrigerantes, antes do repasto  e em determinada altura, mulher e a filha, esplendorosamente vestidas e maquilhadas, vieram à sala cumprimentar-me com simpatia, após o que se retiraram para a cozinha, onde aguardaram até que eu e o meu anfitrião jantássemos sozinhos.

Estas são práticas estranhas mas que do meu ponto e vista, devo acatar, por mais condenáveis e chocantes que me pareçam. Ao fim e ao cabo estava em pais e casa alheios, nada me aconselhava, humana ou eticamente, exigir a presença da mulher e da filha em comunhão de convívio. E sou capaz de, ainda que com dificuldade, aceitar.

Este tipo de episódios vulgarizou-se à medida que o tempo foi passando e eu percebendo o respeito de usos e costumes em casa de cada um.

O que não entendo e reverbero, com veemência, é que venha um cidadão a minha casa e me obrigue a esconder manifestações artísticas da minha cultura para não «ofender» a criatura. Sobretudo se, entretanto, tive bastas ocasiões para me aperceber da hipocrisia desta rapaziada que se choca em ver uma pilinha (God knows why...) mas que se prestam a práticas condenáveis onde a pilinha tem um papel activo. Lembro-me que numa primeira viagem a Rihad (fui fazer um curso intensivo de controle de musca doméstica L., que naquela cidade eclodem ao mesmo tempo e sobrevoam a cidade em populações de biliões e requerem práticas apropriadas de extermínio) encontrei a cada passo homens de meia-idade com lugares de proa no sistema, correntemente acompanhados de um grupo de garotos de entre 10 a 12 anos. Levei algum tempo a perceber que aqueles grupos de miúdos eram uma espécie de caravana permanente de respeito e submissão, entenda-se miúdos onde os tais senhores introduziam as tais pilinhas que não gostam de ver na Itália ou no Louvre, sempre que lhes apetece ou as hormonas lhes fervem.

Por isso me repugna esta decisão dos italianos. Não é aceitável que se castre (literalmente) estátuas de nus porque suas excelências se ofendem. No fundo, uma manifestação de complexas tempestades psíquicas que lhes varrem o mento de cada vez que têm de mostrar aos ocidentais a sua impoluta formação religiosa. Pelo menos até voltarem a casa e poderem estuprar, a seu bel-prazer, centenas de garotos que crescem a pensar que as coisas são mesmo assim – pelo menos até crescerem e poderem fazer o mesmo aos outros.


*
*

Etiquetas:

terça-feira, janeiro 26, 2016

Sorrisos



[5362]

Quem me conhece sabe bem como aprecio uma boa gargalhada. Sabe, também da importância que dou a um sorriso bonito, franco e leal (*), sobretudo daqueles que nos mostram a alma (e, já agora, uns dentes bonitos). E também sabe como gosto de gente que emoldura o que diz com um sorriso sincero, mas apropriado.

Ao contrário, detesto duas manifestações de riso e sorriso. A risada alarve com que alguns dos mastigantes de alguns restaurantes nos importunam, com estridentes gargalhadas que fazem vibrar a colher da sopa ou saltar a tampa do galheteiro e, em matéria de sorrisos, abomino as pessoas que sorriem SEMPRE, seja por que lhes aconteceu alguma coisa de bom, seja por que estão com uma terrível dor de cabeça. Aquelas pessoas que afivelam o sorriso permanente que faz com que nos dêem a notícia de que nos saiu a lotaria ou de que nos morreu um parente próximo, sempre com o mesmo sorriso. Melhor, com o mesmo esgar.

Isto para dizer que o nosso primeiro Costa exibe um sorriso per-ma-nen-te anexado ao seu fácies gorducho. Havia qualquer coisa que eu não sabia definir exactamente mas me chamava a atenção para a expressão dele, para tudo o que ele dissesse. E descobri. É o sorriso, melhor, dizendo, o tal esgar. Aquele homem sorri sempre. Por tudo. Por nada. Pelo que diz, não diz e gostava de dizer. Pelo que faz, não faz e nunca será capaz de fazer. É um exemplo acabado de um «sempre-em-pé» sorridente, aqueles bonecos que havia quando eu era miúdo e que me divertiam imenso por estarem sempre de pé, por mais que os tentássemos deitar. Costa é um sempre-em-sorriso. O homem ri. Sorri. Não sei bem é de quê. Palpita-me que nem ele.




*
*

Etiquetas: , ,

Engraçadismos



[5361]

E quando Jerónimo fez alarde da sua proverbial simpatia (A Comunicação Social di-lo a toda a hora e por tudo que é jornal e TV) e do seu refrescante humor, dizendo que se soubesse tinha arranjado uma candidata engraçadinha, o FB deu-me a memória de um post que escrevi faz hoje exactamente cinco anos. No tempo em que os posts tinham quinze comentários, como este, e eu me divertia escrevendo banalidades e brejeirices sem precisar da Catarina, Isabel Moreira, Galamba, Silva Pereira, Santos Silva, Jerónimo, Arménio, Avoila, Nogueira, Mortágua, Costa, César e de mais uns quantos que formam uma verdadeira galeria de horrores que nos conduzem a postar todos os dias sempre sobre as mesmas coisas.

Fica aqui a moça do post … pode ser eu dê ideias a Jerónimo. E com uma candidata assim engraçadinha o que é que interessa o que ela diz? Melhor ainda, o que é que interessa o que diz o Jerónimo?

Nota – Havia de ser um esbirro da direita machista e «womanizer» a dizer o que disse Jerónimo e caía o muro de Berlim que o Costa quer deitar abaixo outra vez.


*
*


Etiquetas:

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Ufffffff!



[5360]

Confesso que cheguei a preocupar-me. Comecei a ver as bandeiras e o folclore em que o PS é exímio, com as arruadas, as bandeiradas e a histeria de aluguer dos figurantes da campanha de Nóvoa. Com tudo a acabar naquela zoada de palavreado barroco e vão, tipo papas e bolos, mas nem por isso menos parolo, de Nóvoa e cheguei a pensar naquela frase de um falecido locutor de futebol que dizia «é disto que o meu povo gosta».

Mas pronto. Enganei-me e ainda bem e Marcelo ganhou. E se nunca me passou pela cabeça que Marcelo pudesse vir a ser o vingador, pelo menos a sua eleição vai poupar-me a qualquer um dos nove pesadelos que o acompanharam na campanha. E verifico, com deleite, que os representantes da gerinconça nem todos juntos chegaram perto sequer da votação de Marcelo. Ou seja, o povo mantém um módico de estimável bom senso e esta votação é a prova provada de que estamos entregues a uma geringonça  sem préstimo que não seja escaqueirar «isto» tudo de novo para depois virem os outros arranjar.

Uma última palavra para a figura execrável de Costa que veio no fim da votação botar faladura. Mas afinal, por quem é que realmente este figurão se toma?


*
*

Etiquetas: ,

quinta-feira, janeiro 21, 2016

A «fonética apardalada» do que me apetece dizer disto tudo



[5359]

Do cansaço passei a um sentimento de intolerância e repulsa face às continuadas demonstrações de impreparação, irresponsabilidade e má índole por parte deste grupo de gente que, por qualquer carga de água, governa Portugal. Ainda há dias o ministro da economia, questionado quanto à possível reversão da privatização da TAP e de como é que o governo faria para injectar capital, sabendo que essa é uma prática vedada pela UE, respondia, jactante: - Perguntem à direita.

Por outro lado, tenho um primeiro-ministro que fala mal. Da «precaridade» à matéria «insxucional» há de tudo no verbo calino daquela criatura malquista e oportunista. Daí que tenho deliberadamente evitado a notícia política e retornei ao desporto. Só que, ainda agora ouvi:

- O meu trabalho aqui no Porto será feito step a step (adorei o preciosismo patriótico do aportuguesamento da preposição intermédia) e nos timing apropriados – José Peseiro, novo treinador do FCP;

- A contratação do novo treinador obedeceu a uma unanimidade total (Pinto da Costa carregou bem no «total») da SAD e do Clube - Pinto da Costa, presidente do FCP;

- É mentira. Fui bem expulso, mas não disse vocês são uns corruptos. Até porque não gosto da palavra corrupto, porque tem uma fonética apardalada – Bruno de Carvalho, presidente do SCP.

Resumindo, estou a ficar sem opções. Valem-me algumas séries e os filmes da Fox e da Telecine.


*
*

Etiquetas: ,