sábado, maio 28, 2016

Crossed my mind



[5406]

1 – Um primeiro-ministro useiro e vezeiro em baixarias como a de ontem no Parlamento, quando se lembrou de dizer que Passos Coelho procurava objectivamente prejudicar a Grécia para que Portugal pudesse surgir melhor colocado, só pode ser um fulano de mente obscura e formatada em sacanice, mesquinhez e mal dizer;

2 – Não me admira, assim, que ele seja capaz de manobras mirabolantes como promover uma reunião FINAL com o sindicato dos estivadores onde haveria uma data limite. Mas Costa tem tanto de esquemático como de mente quadrada (pode ser até dos tempos da Quadratura, aquilo pega-se…) e daí que fiquei logo desconfiado quando percebi a firmeza com que ele declarou (berrou, ele não declara, não fala, ele berra…) que o acordo teria de ser alcançado hoje (ontem);

3 – Após uma reunião de 15 horas, o acordo chegou. Arrepio-me só de pensar sobre as vezes e a intensidade com que vou ter de ouvir Costa e os seus rapazes afirmarem que Passos Coelho não conseguiu acordo durante 4 anos e eles agora, de uma penada, resolvem a coisa.

4 – Não esquecer o empolamento dado pela comunicação social aos prejuízos causados pelos estivadores e até a gravidade da coisa, usando a Madeira e Açores como arma secreta, como no futebol;

5 – Quero ver como o PSD vai agora descalçar a bota. Se e quando um dia for governo, o sindicato (entenda-se o PCP, via CGTP) vai atacar de novo e o povo recordará com saudade os dias em que o PS fazia reuniões de 15 horas e resolvia os problemas.

Posso até estar a fazer filmes mas, como digo no título, são aspectos que cross my mind. O PS é capaz de tudo. O PCP ainda é capaz de mais “tudos” que o PS. E a verdade é que sinto que estamos reféns de uma situação meticulosamente preparada para que tudo fosse resolvido numa data limite que Costa, tonitruante, apregoou ontem no Parlamento. Sem pejo nem vergonha em alinhar naquilo que me parece um bem elaborado plano para que continuemos nas mãos dos últimos e lídimos seguidores do marxismo-leninismo (Estaline já não, Nogueira diz que ele foi um assassino) da União Soviética.

É… posso até estar a fazer filmes. Mas correu tudo tão bem que isto só pode mesmo é acabar mal.


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sexta-feira, maio 27, 2016

Bastardices



[5405]

Às vezes quedo-me pensativo, questionando a minha capacidade em processar o sentido de humor que campeia pela nossa comunicação social. Direito ao assunto, o repórter de serviço da TVI24, ao fazer uma breve peça sobre a abertura da Feira do Livro, referiu haver bastantes autores estrangeiros e deu como exemplo, pegando num livro do autor americano Richard Ford (não, não é o filho bastardo de Richard Nixon e de Gerald Ford, é o autor de "O Dia da Independência"). Em parêntesis nada que me tenha vindo à cabeça mas, literalmente, o que o repórter afirmou na apresentação de Richard Ford. 

Tomei nota de que provavelmente, Nixon e Ford devem ter algum filho bastardo, mas que não é o escritor em causa.


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A graça e o tique



[5404]

Ontem abriu a Feira do Livro em Lisboa. Lá fui cumprir uma certa peregrinação e confesso que me desiludiu um pouco a ausência de novidades. Mas fica o sol, fica o enquadramento único daquela parte de Lisboa, ficam as pessoas percorrendo os stands, fica aquela sensação de paz que releva da consulta de vários autores expostos e de uma ou outra novidade, sobretudo em matéria de biografias.

E fica o sol. Aquele sol radioso que filtra e produz a mais vívida luz que alguma vez encontrei em várias cidades que conheço. Mas faltou qualquer coisa. Porque este ano, a Feira, por muito bonita que esteja (e glosando um tal de João Maria Tudela cantando sobre Moçambique), por muito bem que o sol lhe fique, faltou-lhe a graça e faltou-lhe o tique dum sorriso de mulher.


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quarta-feira, maio 25, 2016

Pois...

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[5403]

Vem-se agora a saber que o ministro da educação beneficiou de bolsas de estudo que lhe permitiram o acesso a universidades dos EEUU, Reino Unido e, salvo erro, até em Espanha.

As pessoas admiram-se, primeiro, e indignam-se depois com a desfaçatez e hipocrisia com que ele se comporta agora perante o modelo de educação que preconiza, promove e patrocina no seu consulado ministerial. Não vejo bem porquê. Este Tiago Rodrigues é um exemplo acabado do miúdo mimado, de ascendência progressista e correcta que acha ser predestinado para monitorizar o homem novo no tempo novo que temos de ser e a que temos de pertencer.

É uma situação frequente no Portugal de hoje, daí os grupelhos folclóricos que, sem saber bem como, se alcandoraram ao poder e se dedicaram à série de diatribes a que temos assistido e que nos levará, de novo, a uma situação económica insustentável e a uma acelerada erosão do prestígio que recuperámos em tempos recentes.

Também aleija verificar que com tantos doutorandos no exterior, às nossas custas, continuamos a ostentar aquela matriz parola e pesporrente que, ao que parece, nos acompanha, fez ontem 873 anos.


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terça-feira, maio 24, 2016

Por causa das moscas...



[5402]

Ainda falando de moscas… esta manhã a SIC exibiu uma pequena peça, na qual o ecologista Van der Bellen fazia uma pequena alocução sobre a sua difícil vitória nas eleições austríacas. A páginas tantas, ele refere-se ao super, híper, extra nacionalista, xenófobo, nazi  Hofer e dá para perceber que lhe vai endereçar um cívico cumprimento de elegante cortesia pelo embate eleitoral. É aí que a SIC corta abruptamente a emissão. Por causa das moscas…


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Da conveniência dos costumes bizarros



[5401]

Hei-de confessar que me agrada esta técnica do FB nos avivar a memória com posts escritos há vários anos.

Este post das moscas parece-me divertido, ao mesmo tempo que me mostra como passados cinco anos tudo continua na mesma. As moscas, os homens comedores de moscas e as mulheres que guiam (ou gostariam de) viaturas. O que muda um bocadinho é esta estranha complacência da Esquerda para com regimes bizarros, desde que eles representem como que uma espécie de artefacto político para partir as fuças à Direita (expressão uma vez usada por um homem que o nosso presidente Marcelo classificou ontem como o mais brilhante político da era dele e o mais amado primeiro-ministro português). Presumo que Marcelo se referia aos portugueses de Esquerda, porque os de Direita deverão ter o cuidado de manter as fuças a precato, não vá Guterres chatear-se.

Ah! E em Riad ainda há pragas de moscas, que eu sei.


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segunda-feira, maio 23, 2016

Os afectos de Marcelo



[5400]

“Já disse várias vezes que o engenheiro António Guterres é a figura mais brilhante da minha geração e considero que ele foi, porventura, o primeiro-ministro mais amado de Portugal”

Marcelo Rebelo e Sousa

Almocei sozinho e fui lendo as gordas do DN, avulso. Tropecei nesta pérola, logo agora que tenho andado retirado das escritas (o que me faz recear que a opinião de Lobo Antunes sobre Pessoa trasponha as barreiras entre os génios e as pobres criaturas que escrevem modestos blogues).

Voltando à pérola, li aquilo e senti que Marcelo tentou fazer de mim um idiota, coisa que, confesso, não me dá jeito por aí além e que particularmente me irrita. Para além de que em matéria de brilho, eu, que até sou, mais coisa menos coisa, da idade de Marcelo, conheço um punhado de políticos cujo brilho faria parecer Guterres um bafo de CO2 numa vidraça fria, numa fria tarde de Inverno. Já o pormenor de ser amado, há gente para tudo

É por estas e por outras que eu acho que isto está tudo ligado.


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quarta-feira, maio 11, 2016

Farto disto



[5399]

Faz hoje exactamente cinco anos (FB dixit) que escrevi este post. Curioso que já há cinco anos eu me sentia espartilhado pela acção de um Sócrates de má sina e eu não sabia ainda da missa a metade. Hoje reparo que voltei a este sufoco socialista e que me leva a escrever (pouco e sem paciência) sobre eles, mas só sobre eles, o que torna este blogue particularmente desinteressante. Esta colecção de socialistas (?) que parece apostada em desfazer o que, aqui e ali, se faz bem, em complicar, desfazer, em estilhaçar o nosso conforto, a nossa segurança e o nosso prestígio. Gente sem preparação, obcecada com ideologias apócrifas e sem qualquer respeito pela identidade individual dos seus concidadãos, com a ideia perene e atávica de igualitarismo mas onde eles, bem entendido, possam postular como os homens do leme, para o que se julgam especialmente destinados.

Nada de muito novo afinal. Tivemos já varias experiências na História e deu no que deu. Tudo ruiu, mas ao custo de milhões de vidas. Mas isso não conta para esta gente eivada de ódio (é ver a expressão raivosa de Nogueiras, Avoilas e semelhantes), de arrogância (as Catarinas, Mortáguas, Rosas e comandita), de ignorância e idiotia (o homem da educação cujo nome não me ocorre, Tiago qualquer coisa, mais o jovem da barbicha que senta ao lado de Costa e que jurava que não pagava e que rebentava com os alemães), a parolice enquistada dos Césares com cheiro e sabor a queijo da Ilha e, finalmente, o rebanho acéfalo e pateta dos meninos do coro do Amém, assim seja e assim é que é.

Há cinco anos ainda me dava para desabafar um pouquinho com um post modesta e razoavelmente interessante, glosando o desencanto com Sócrates. Hoje, nem isso. Farto desta trupe, farto disto tudo. Tivesse eu menos vinte anitos e de há muito que respiraria outros ares.



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segunda-feira, maio 09, 2016

As voltinhas do Marão




[5398]


"José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.



You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up. Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable. This is not a debt crisis. This is a political crisis. The eurozone will soon face the choice between an unimaginable step forward to political union or an equally unimaginable step back…"

A 9 de Maio, faz hoje exactamente cinco anos, escrevi este post (deferência do Face Booka propósito do artigo abaixo do FT.

É uma vergonha nacional que Sócrates levou a rir, ao mesmo tempo que ia curtindo o dinheiro que o amigo lhe dava. O resto da história, nós sabemos.

Cinco anos depois, um primeiro-ministro sacado das circunvoluções estranhas da legitimidade democrática tem a lata de levar o energúmeno ao Marão para inaugurar um túnel rodoviário. No fim da risada e salamaleques os comentadores costumeiros e a CS acharam que o que realmente interessou se centrou no facto «inaceitável» de Passos Coelho ter faltado à função.

Chegámos ao ponto zero da vergonha. Antes de criticarmos os episódios mirabolantes dos futebóis, devíamos pensar em Costa. Aquele que a Comunicação Social determinou ser um homem com grande capacidade negocial.


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