segunda-feira, janeiro 26, 2015

Para não ter quer falar do Syriza…



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Já não sei quem foi que disse: Esquerdista aos 20 anos, social-democrata aos 40. A verdade é que as coisas estão a mudar e cada vez mais me sinto na mão de fedelhos mimados que nunca mais chegam a social-democratas mas têm engenho suficiente para arrastar carradas de votos. Música, portanto. E da boa. Da melhor que há. E não é preciso ser Teresa, para gostar. Ou gostar de Teresa. Ou de praia. Basta gostar da excelente música brasileira e esquecer o frémito que estremece por aí tudo o que é FB, blogues and the like!

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domingo, janeiro 25, 2015

É hoje


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Mais logo vamos perceber se os gregos vão ao baú buscar o enlevo, a inspiração e a beleza do Sirtaki (mesmo que de recente adopção do génio de Theodorakis, há cerca de cinquenta anos) e se adoptam
uma postura de dignidade e consciencialização da situação em que se deixaram mergulhar...



 …ou se vão na conversa de arrivistas que se adaptam, que amenizam, que se ajustam, que se moldam para obter um efeito parecido ao de Mr. Bean. Mesmo que apoiados por uma legião de gente excitada (muitos portugueses incluídos) que acham que o advento do Xyriza foi o melhor que poderia ter acontecido à democracia europeia. Quando mais não fosse para meter Merkel na ordem. Imagine-se que até Cohen foram huscar, vão todos cantar «first we take Manhattan and then we take Berlim». A claque delirou com a ideia, bateu palmas e está tudo à espera que tomem Manhattan, Berlim, tomem tudo o que lhes der na gana, mas de preferência que escorram mais uns cobres, coisa que, por sinal, só a partir de Julho e no caso de se portarem como homenzinhos.


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quarta-feira, janeiro 21, 2015

As Lajes, a adopção, o calote, coisital...


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O problema das Lajes parece estar a ser tratado à la mode de chez nous. O governador dos Açores vai falar com Cavaco e a seguir com António Costa. O governo deve estar a fazer qualquer coisa, (se é que pode fazer qualquer coisa…) mas, por qualquer razão que me escapa, apenas a visita do governador regional ao PR e ao líder do PS cabe no plano mediático da coisa. Costa diz umas banalidades e a seguir, Carlos César, hoje por hoje uma das figuras mais irritantes do panorama político nacional, a par do bastonário dos médicos e daquela deputada que mora em Paris, filha do maestro Vitorino de Almeida, resolve fazer esticar-nos a paciência com isto. Quo usque tandem abutere, Carlos César, patientia nostra? Já dou de barato a esperteza saloia de se pôr a circular o susto que devíamos aplicar aos americanos, ameaçando entregar as Lajes à China.

Entretanto, à míngua de assuntos mais importantes, Costa traz à liça a sublime pertinácia da regionalização, a meias com Rui Rio e subsequentes artigos de opinião de uns quantos autarcas a norte do Mondego, a adopção de crianças por duas pessoas a fazer de pais volta ao mento irrequieto e progressista de uns quantos deputados e a Catarina do Bloco reinicia mais uma cruzada contra a dívida (temos que pôr a Merkel na ordem e ponto final).

Mais coisa menos coisa, e à falta de problemas de duvidosa importância na Europa e no mundo (!!!), são estes os temas candentes do plano político nacional.

E.T. Pergunta de um apresentador da SIC Notícias, um fulano quase tão irritante como Carlos César, um apresentador pequenino e com uma barbicha daquelas que se usam agora, género barba de cinco dias, a Santana Lopes, ontem: - Pedro Santana Lopes, mas afinal para que serve a base das Lajes, para além de ter servido de palco a Blair, Bush, Hi, Hi, Hi, Hi, Hi, Aznar e Barroso para combinarem a invasão do Iraque? Juro que aquele Hi, Hi, Hi, Hi não é invenção minha, foi mesmo uma risadinha histérica. Realmente, como é que se pode levar esta gente a sério?

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domingo, janeiro 18, 2015

Quem se mete com a mãe de Sua Santidade, leva


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Eu sei que o Papa, organicamente, é um homem como os outros, deve ter dores de cabeça, gastroenterites e mesmo, aqui e ali, encrava uma unha. Mas é o chefe da Igreja Católica, tem a força e o pendor natural das santidades, um dia poderá mesmo vir a ser santo e sabe ou deveria saber que a sua palavra é a palavra de Deus, junto dos católicos.

Logo, se o Papa diz que se chamarem um nome à mãe ele resolve a coisa a murro ele revela uma forma estimável de amor filial, mas não percebe que está automaticamente a patrocinar, defender, desculpar e legitimar, os assassinos que resolveram matar uns quantos caricaturistas por terem desenhado o profeta, ainda que com evidente mau-gosto.

Essa é, para mim, a parte grave da questão. Um Papa não pode deixar esta ideia junto dos seus acólitos nem, muito menos, junto dessa fauna sub-humana que anda por aí a cortar cabeças, lapidar mulheres adúlteras, chicotear blogueiros e a atirar gays dos parapeitos dos prédios mais altos de Mossul e outras cidades, só porque são gays. O Papa devia ter tento na língua e perceber que a simpatia da sua figura se formou à custa de alguns episódios mais ou menos populistas e, exactamente por isso, sentir os limites do seu populismo. A menos que ele pense isso mesmo, que quem chamar nomes à mãe deve levar um soco e, outrossim, os ofendidos pelos desenhos do profeta tenham legitimidade para andar para aí aos tiros, a matar quem está. E, a ser o caso, acho que ele deveria ter rezado essa noite um acto de contrição e pedir a Deus que o ilumine.

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sexta-feira, janeiro 16, 2015

The importance of being Leitão...


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Ocorreu-me (honestamente, depois de ler um comentário de um prezado leitor do meu blogue), a seguinte dúvida: Perante isto, como é que se faz, ou o que é que se diz a um indesmentível talento em histórias infantis se tiver a desdita de se chamar Leitão? Muda de nome? Pode haver gente (?) que não goste.

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A baleia é um animal anfíbio porque se alimenta de leite e respira por guelras…


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Pouco a pouco vou chegando a um ponto de inconseguimento no que se refere a vários (muitos) programas da SIC Notícias. Acabei finalmente, de descontinuar o Eixo do Mal (aquilo estava a roçar já a pornografia… mas da má) e está a desenhar-se, de algum tempo a esta parte, o mesmo sentimento em relação à Quadratura do Círculo. Sucedem-se as situações inverosímeis, porque provindas de gente que me tem merecido, pelo menos, o respeito devido àqueles que considero de craveira intelectual acima da média mas, eis senão quando, parecem dominados por sentimentos de despeito e ódio que lhe toldam o discernimento (e a vergonha, diria eu). Agora, «apanhamos» com Jorge Coelho, uma personalidade de justa adequação à realidade nacional (circunstância de que já me tinha apercebido desde que o ouvi a cantar o Only You e a dizer que «hadem ver» uma coisa qualquer que já não me lembro, deu provas daquele populismo barato e rasteiro que os portugueses criticam mas de que gostam imenso, quando se demitiu do seu ministério por ter caído uma ponte e foi encarreirado para uma das mais importantes empresas nacionais, visceralmente entranhada no «poder».

O homem parece ter-se polido um pouco, fala melhor e perdeu aquela jactância que o caracterizava quando era ministro (quem se mete com o PS, leva) mas, ao que parece, ganhou em lógica da batata, um daqueles ditados portugueses que, à semelhança do «tempo da Maria Cachucha» toda a gente entende mas ninguém sabe verdadeiramente o que é ou o que significa. E é por via da lógica da batata que Jorge Coelho ontem afirma, com ar sério e doutoral, que todos os anteriores presidentes da república da democracia foram isentos, presidentes de todos os portugueses, equidistantes do governo e aquela lengalenga conhecida de quando se resolve bater em Cavaco. Lobo Xavier esboçou uma resposta tímida lembrando que Soares foi um dos presidentes mais parciais de que se lembra, fazendo uma oposição feroz ao governo, Ramalho Eanes, idem, idem, (com a particularidade atenuante de ser uma personalidade honesta que o diferenciava de Soares), chegando ao ponto de patrocinar e criar um novo Partido e que Jorge Sampaio estava longe de ser equidistante e isento, tanto que se pode gabar de ter despedido um primeiro-ministro por razões que, honestamente, me escapam, para além de que, ao que parece, Santana Lopes gostar de mulheres (um estimável desiderato), não se entender com alguns secretários de Estado, dormir umas sestas e ter afirmado que se sentia um recém-nascido a quem se dava pontapés. Mesmo tendo Santana a notável faceta de nada constar em seu desfavor do ponto de vista de aldrabices e corrupção (coisa que, mais tarde se veio a verificar fazer escola) não se livrou de ir para o olho da rua pelo equidistante e isento Jorge Sampaio.

Lobo Xavier terá feito Jorge Coelho ver isto mesmo… Jorge Coelho, perante esta evidência, limitou-se a responder:- Ah! Mas fizeram eles muito bem (entenda-se, feroz oposição a Cavaco, criação do PRD e despedimento de Santana Lopes). Temos, assim, que quando os presidentes fazem eles muito bem, a parcialidade é aceitável. Se é Cavaco Silva a tentar fazer prevalecer ideias e conceitos que, na sua (dele) opinião são a melhor via para o desenvolvimento e estabilidade do país, aqui d’el rei que o presidente está «coligado» com o governo, mesmo que frequentemente tenha demonstrado a sua isenção através de várias medidas impopulares para a coligação.

Lobo Xavier esboçou ainda uma contra-resposta mas Pacheco Pereira, à boa maneira da extrema-esquerda, não deixou. Interrompe, atalha, perora, ri e adopta aquele ar chocarreiro de quem fala para gente menor que não percebe peva do que ele está a dizer.

Carlos Andrade, do seu canto, sorri e acha que nessa noite vai dormir melhor.

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quinta-feira, janeiro 15, 2015

De uma vez por todas?


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Lembro-me bem disto. Na altura li muito, acompanhei as notícias, vi filmes e senti um frémito muito grande de admiração pelo rigor e perfeição com que esta operação foi desenrolada. Que me lembre, o número de baixas entre os operacionais e os reféns foi diminuto e os ugandeses tiveram de enterrar quarenta e cinco soldados (isto se o Idi Amin não lhe apeteceu comer algum ao jantar).

Pergunto-me se será assim tão difícil organizar e apoiar um punhado de operações com este rigor e eficiência que vá aos locais nevrálgicos (que são conhecidos) onde estes animais se acoitam e os reduza a pó. Parece que os diálogos de Mário Soares não foram avante e já cansa a submissão e hipocrisia que corre a Europa por causa desta gente (a última terá sido um punhado de idiotas militantes que se lembrou de querer banir as palavras porco e salsicha da literatura infantil no UK, lá ficam as criancinhas sem ler a história dos 3 porquinhos e ver o filme do porquinho Babe…). Chiça, que é demais. Não será tempo de contratar uns grupos de operacionais do tipo dos que foram a Entebbe dar uma lição àquela gente e salvar mais de cem passageiros judeus?

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Nem sempre Sócrates é culpado


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Confesso que de início pensei que fosse uma atoarda. Afinal não é. Como o prova a abertura de um inquérito aberto pela Inspecção Geral dos Serviços de Justiça e o comboio de opiniões que lhe sucederam. Incluindo as do actual advogado do 44. E não é culpa de Sócrates porque alguém aparentemente autoriza que Sócrates use o gabinete do director adjunto da prisão para fazer as chamadas telefónicas que lhe aprouver. E parece que há mais de duas semanas que o faz.

Tudo isto é inadmissível, tudo isto é uma vergonha, tudo isto é muito PS. Não só uma vergonha, como um total desrespeito pelos outros presos em especial e pelos cidadãos em geral. Estes, em última análise, estarão até a pagar com os seus impostos as chamadas do 44. E eu estou cansado de pagar coisas por causa do 44.

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terça-feira, janeiro 13, 2015

A propósito de nada. Ou a propósito de tudo…


[5215]

A cana vergou-se com violência, sustida pelo «copo» e a linha foi puxada com violência por duzentos a trezentos metros. Ponho os motores a zero e tento segurar a cana, mas a pressão é tão forte que torna-se até difícil tirá-la do copo. Finalmente, consigo pegá-la, encaixo-a no cinto e preparo-me para a luta. Mas a linha não parava, continuava a ser puxada e a esvair-se no molinete, entretanto já bem quente com a fricção, o que me fez recear mais ajuste de embraiagem.

O que seria? Era peixe grande, com certeza, mas, já conhecedor dos diferentes «toques» para muitos peixes, tive dificuldade em identificar tamanho esticão. Abri o «ficheiro cerebral», mas nada correspondia a nada. Pela força, poderia ser tubarão, mas o tubarão é mais pachorrento, puxa com força, abranda, mergulha, vem cá acima, nada para o barco, enfim, tudo diferente do que se estava a passar. Eis que junto ao barco, muito perto, não mais que dois ou três metros, surge um grupo de golfinhos, nadando nervosos e fixando-me com um olhar que eu iria poder jurar que era um olhar crítico e zangado. Nesta fase, o puxão da linha tinha parado, a cana estava completamente frouxa e a sensação era de que o peixe, fosse ele qual fosse, se tinha soltado. Começo a recolher a linha, rodando pausadamente o molinete e reparo que os golfinhos se mantinham bem perto do barco, nervosos e emergindo frequentemente, mantendo aquele olhar fixo em mim e eu jurando que aquele era um olhar de clara reprovação. Continuei a recolher a linha, sem esforço, e comecei a achar realmente estranho. Os golfinhos não se afastavam do barco, eram uns quatro ou cinco, corpulentos e magníficos e por vezes, um deles chegava mesmo a uma distância que me permitiria afagá-lo. Na minha experiência de «deep sea fishing», nunca tal tinha visto. Um deles, de repente, consegue mesmo colocar diria que um terço do corpo fora de água, na vertical, olhando-me de frente.

De súbito, percebo que a linha mantinha o peixe (??) preso. Porque sinto um novo esticão e um pequeno e jovem golfinho, já à beira do barco, dá um acrobático salto fora de água e eu vejo com nitidez, a rapala presa numa das barbatanas laterais e tudo estava explicado. O jovem tinha sido «apanhado» pela rapala e durante algum tempo tentou soltar-se dela. Não conseguindo, nada para o barco, provavelmente para perceber o que se passava e quando vê o barco dá um formidável salto e mergulha de novo na profundeza. E é aqui que fico claramente siderado com o que vejo. Os golfinhos adultos mergulham, eu sinto uma tremenda confusão na ponta da linha… puxões, reviravoltas, rapala abaixo, rapala acima, cana tensa, cana frouxa, uma confusão, enfim, até que sinto a linha lassa de vez, enrolo-a e a rapala me chega às mãos, livre do golfinho. E senti-me feliz por perceber que o golfinho estava livre dela. Reflectindo, tornou-se claro para mim que os golfinhos adultos, um deles provavelmente a mãe, mergulharam e diligentemente soltaram o filhote. Quando achei que tinha percebido o «filme» eis que o filhote e um adulto (a mãe?) vêm à superfície e dão outro salto, este claramente de contentamento e alívio. Viraram-me as costas e desapareceram. Não sem antes eu achar que aquele último salto era para me manifestarem a alegria pela criança solta e, quiçá, para me repreenderem e avisarem que para a próxima eu tivesse mais cuidado e me certificasse se não haveria crianças antes de começar a pescar.

Foi uma cena linda entre mil cenas que vi no mar. Em cada saída um prazer, em cada prazer um novo episódio, em cada episódio o convencimento de que o mar tem sempre qualquer coisa de novo para nos oferecer. Como a vida, afinal. É preciso é reparar nela.

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