terça-feira, dezembro 06, 2016

Crescimento do consumo pelo aumento do produto



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A geringonça é uma bem-aventurança dos portugueses. Não há jornal ou revista que não se esgalgue a fazer capas com múltiplas “boas notícias”. As boas notícias podem ser as coisas mais banais e incríveis, desde um aluno que foi o melhor num concurso qualquer, ao número de mortos na estrada que diminuiu, ao aumento do consumo dos portugueses via multibanco, passando pelos pacotes de férias esgotados para o Natal em países de sol, praia e alegria de viver. Os hotéis estão igualmente lotados de gente que vai sentar-se em mesas fartas e na paz do Senhor. São primeiras páginas atrás de primeiras páginas com as benesses da geringonça. Que nos fez "desausteridizados" e felizes por termos nascido.

Hoje é o papel higiénico. A Renova aumentou a sua capacidade de produção e lá foi Costa botar faladura. Como de costume, com o sorriso alarve que o caracteriza e o verbo típico de que não fosse ele e a Renova não investiria a ponta de um chavo. Por mim, apetece-me dizer que a renovação da fábrica deve estar na razão directa da necessidade, pela merda que a criatura tem feito. E perdoe-se-me a vulgaridade da expressão mas tenho ainda na retina o sorriso do homem a falar do investimento, do progresso, da confiança e da tranquilidade. Não ouvi mais porque ele acaba sempre naquele estilo chocarreiro a falar de Passos Coelho e eu já não consigo ouvir mais.


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segunda-feira, dezembro 05, 2016

Funeral de Txova



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Era o que faltava – deixar o socialismo por mãos alheias. E só elas, as mãos socialistas, poderiam fazer cabalmente jus à essência do socialismo. Entenda-se, a mão do Estado em tudo o que mexe. Eu, que já vi barbearias, pastelarias, capelistas e bancas de mercado serem nacionalizadas, entendo bem a razão porque, tarde ou cedo, não há lâminas para fazer a barba, pastéis, botões e alfinetes ou verduras. Depois…é só aplicar o método de análise à agricultura, à indústria, às finanças, à justiça e a todas as mariquices que os capitalistas inventaram e ver o resultado.

A tragédia da coisa é que gerações formatadas nestes sistemas (e ainda há dias foquei esse aspecto) não só entendem as “insuficiências” como acham que a culpa é dos corruptos capitalistas. Não fossem eles, os capitalistas e o Jeep transportando as cinzas do ditador (um Jeep soviético montado na Checoslováquia, com cerca de 50 anos de uso e certamente enviado para Cuba por conta do açúcar a preços políticos) não se iria abaixo. Mas, lá está. A multidão não teria como ulular as honrosas “insuficiências do socialismo” (não é ironia, as insuficiências tinham um lugar de honra nos regimes socialistas) e, muito menos, um motivo para vilipendiar o capitalismo.

Fidel vai para a cova de Txova, uma expressão moçambicana que significa “empurrar”, Sukuma em vários países da África Oriental e cuja equivalência não me ocorre para Angola. Vai-lhe bem com o caqui da farda, a barba, o Cohiba e a garrafita da Laurent Perrier. Enquanto, cá fora, ainda vivas, as vítimas berram, excitadas, Fidel, Fidel.

Em Portugal a coisa é mais sóbria mas nem por isso menos trágica. Duas moções de pesar na Assembleia e a torrente de panegíricos na nossa já insuportável comunicação social. Incluindo um sem número de comentadores televisivos. Bem que alguns deputados poderiam e deveriam ir a Cuba dar uma mãozinha ao féretro.


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domingo, dezembro 04, 2016

Ainda Fidel



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Estive “out of order” quando o tirano caribenho, de cuja ascendência galega os portugueses parecem sentir um estranho orgulho, se finou. E há uma torrente de comentários sobre o assunto, pelo que me dispenso de acrescentar seja o que for ao óbvio. Fidel era um tirano, um torcionário vaidoso e, no fundo e na minha modesta opinião, a utopia que defendia era tão utópica como o desejo real de obter ajuda material por quem lhe parecia mais habilitado para o fazer. Obviamente os Estados Unidos. 

Levou sopa, zangou-se, amuou e virou-se para os soviéticos que viram nele uma boa oportunidade. Uma forte ajuda material nos preços políticos da cana-de-açúcar em troca do estabelecimento de uma base de mísseis a escassos quilómetros do território americano. E assim se esteve à beira de um conflito nuclear por força dos dislates de um louco que, mais tarde e com as costas quentes, se entreteve a matar gente só porque usavam risco ao meio ou tinham mau hálito.

Nada disto é novidade, por isso faço apenas um registo de um facto que tive oportunidade de viver, qual seja a tremenda impressão que senti quando tive de lidar profissionalmente com bastantes cubanos num país africano. Gente jovem e que desenvolvia trabalhos de pulverização aérea em campos agrícolas. E foi impressionante perceber como a morte de muitos oposicionistas foi, seguramente, uma situação trágica e criminosa, mas tê-lo-á sido menos a verdadeira formatação de gerações nascidas já sob o jugo do tirano e que claramente manifestavam essa formatação? Não só acreditavam piamente que o mundo era composto por sociedades infectas e infelizes por não terem tido o privilégio de desfrutar os ensinamentos de um líder como Fidel como se sentiam extremamente felizes por serem eles os ditosos cidadãos dessa sociedade nova, solidária, revolucionária e internacionalista. 

E demonstravam-no cabalmente. Ao mesmo tempo que se sentiam felizes e honrados, repito, honrados, por serem espoliados num trabalho que era pago miseravelmente em moeda local enquanto os verdadeiros salários, equiparados àqueles que os “capitalistas corruptos” recebiam eram pagos directamente ao Estado cubano. Havia uma compensação, todavia. Esses pilotos recebiam “pontos”, semelhantes aos que as gasolineiras pagam por cada litro de combustível que consumimos, que lhes davam direito a adquirir um artefacto de luxo, como um electrodoméstico, um carro dos anos 50 ou, ainda, uma caderneta de abastecimento extra de alguns alimentos.

Foi só um registo. Matar gente por capricho é nauseabundo. Mas formatar jovens, durante gerações, como os que vi nesse país africano, felizes e contentes pelo seu líder e por poderem comprar um aspirador quando chegassem a casa não o era menos. Felizmente, havia os balseiros e os desportistas que acabavam por perceber o logro e escapavam o”paraíso”. Muitos não escapavam porque sabiam que lhes prendiam a família.

Sinto-me envergonhado pela forma como o meu país “tratou” o dossiê da morte do líder criminoso. Com particular relevância para o Presidente da República. 


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sábado, dezembro 03, 2016

E a página que nunca mais se vira...

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Aquele Passos Coelho é tramado. Arranjou para aí uma trapalhada que obrigou os jovens a emigrar. O que valeu foi ter aparecido o Costa mai-la a sua geringonça, para virar a página. A tal página da austeridade.

Não sei onde é que ele molhou o dedo para virar a página, mas o facto é que mais uma filha abalou. Fartou-se do sol e dos vestidos frufru




e aí vai ela para a neve e temperaturas subzero.




Ainda lhe disse para dar tempo ao tempo, deixar o Costa fazer o trabalho e virar a página toda, mas as trapalhadas com que ela (a filha) passou a ter de lutar todos os dias, incluindo corte de remunerações que lhe eram devidas pela custódia de uma filha pequena e a opinião mais ou menos segredada de uma funcionária que lhe disse que estas situações são provocadas e que as pessoas têm de esperar meses até se “desenrolarem”, por absoluta falta de verbas, ou cativações, como se diz agora, fez com que a referida filha resolvesse não esperar pelas sacanices (desculpem o plebeísmo do termo, mas trata-se de sacanices, mesmo…) da geringonça e foi à vida. Trocou o tal sol e a imperial pelo fim de tarde com os amigos, pela neve e um bife de rena (blharrrgggg!...) ao jantar.

Boa sorte, filha, o pai (na circunstância, eu) cá fica, que já lhe doem os ossos de tanta emigração, embora mantenha um estado potencialmente apopléctico de cada vez que vejo na TV o sorriso alarve daquela criatura que continua a virar a página… vai dando notícias, que ainda cá tens uma irmã. Quem sabe lhe salta a tampa também, que aquele Passos Coelho é danado.


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sexta-feira, dezembro 02, 2016

A Esquerda festiva


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Uma breve e aleatória consulta do Google para uma incompleta cronologia dos factos:


13.01.2014 - PCP alerta para estratégia criminosa de Paulo Macedo.

5.02.2014 - Bloco de Esquerda acusa Paulo Macedo de preferir tratar a saúde dos credores à dos doentes.

08.07.2014 - CGTP acusa Paulo Macedo de ser o coveiro da Saúde.

10.07.2014 - PS considera Paulo Macedo inadaptado ao lugar de Ministro da Saúde.

08.01.2015: João Semedo pergunta no Parlamento a Paulo Macedo "que tragédia é preciso acontecer para o senhor mudar de política?".

27.01.2015 - PS acusa Paulo Macedo de estar em negação perante os problemas.

19.02.2015 - PS exige que Paulo Macedo resolva caos no SNS.

24.02.2015 - O PS acusou hoje o ministro da Saúde de ser "o principal responsável político" pelos problemas no acesso a medicamentos para a hepatite C, desafiando Paulo Macedo a avaliar se tem condições para se manter no cargo.

02.12.2016 - Finanças confirmam Paulo Macedo como Presidente da Caixa.

Num artigo de 14 de Abril de 2015, João Semedo concluía perguntando o que mais teria de acontecer para Paulo Macedo se demitir ou ser demitido. Perante esta cadeia de acontecimentos, é caso para perguntar: o que mais terá acontecido para Paulo Macedo ser agora escolhido para presidir à Caixa?

E mais isto:

Pelo Rui Rocha no FB.

Insisto. Esta galeria de idiotas não tem culpa dos dislates que produz. Com uma honrosa excepção de Semedo, por ser médico e, naturalmente, com responsabilidades acrescidas por tal condição. E não tem culpa porque há uma dolência criminosa quanto à percepção da verdade intransferível de que esta rapaziada se apropriou, arvorando um registo de propriedade que consideram seu e de mais ninguém. A culpa é de quem os lê e mantém a referida indolência como se tudo isto fosse verdade e aceitável. As culpas maiores vão para a comunicação social que alberga um número indiscriminado e, infelizmente, crescente de idiotas úteis.

Esta cronologia organizada pelo Rui Rocha é um bom exemplo de tudo isto. E desenganem-se aqueles que acham que a Esquerda engole sapos. Porque a Esquerda não engole sapos nenhuns. Os seus próceres assistem impávidos e pesporrentes ao desenrolar dos acontecimentos e acham que as coisas são assim, porque sim. E no caso presente tudo se torna mais trágico. Porque não há nada pior que a Esquerda tomar gosto pelo Poder. E o nefando Costa tratou de lho dar. Agora aguentem.


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Quartel General em Abrantes



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Uma pessoa vem de um período de ausência, quando apenas lhe chegam os ecos das trapalhadas maiores como a CGD (uma atitude absolutamente indigna por parte da geringonça…) e consequentes tremedeiras internacionais, a atitude pirosa da D. Fernanda no banquete e a palhaçada do costume dos palhaços bloquistas do costume e a erecção mental, que varreu a nossa comunicação social pelo passamento de um ditador que se entretinha a matar gente e a formatar os cérebros das criancinhas que iam nascendo no período “revolucionário” e regressa ao dia a dia da intriga nacional. E a primeira impressão é que nada mudou. Calhou-me em sorte a comemoração do 1º de Dezembro, onde tanto o Presidente como o inenarrável primeiro não conseguiram evitar as alfinetadas do costume ao governo anterior. A Marcelo, pareceu-me mal a birra que ele mantém com PPC desde que lhe chamou catavento. Não conseguiu conduzir a cerimónia sem frisar que feriados destes não se suspendem, não me recordo se foram estas as palavras, mas era mais ou menos isto. E quanto ao lamentável Costa, também não disfarçou o conforto intestino (patológico) de referir que este feriado, «…ao contrário do que outros menosprezaram e “apucaram”…», etc., etc.

Uma cena lamentável… e não há ninguém que diga à criatura que deve ao anterior governo ele andar a fazer as flores que faz. E, já agora, lhe dissesse que não é “apucar”, de apoucar, o étimo do termo é “pouco”, diminutivo poucochinho, que é um termo que ele gosta e que representa bem o que lhe vai na cabeça. E que pare de aproveitar qualquer episódio para enaltecer a geringonça e “apucar” o anterior governo. E lhe lembre que se ele lá está a ele o deve.


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quinta-feira, dezembro 01, 2016

Bequinbizeness

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Return to routine. Safe, happy and sound.




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sábado, novembro 19, 2016

Time

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GONE ROVING





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