segunda-feira, janeiro 16, 2017

Cachecóis, chazinhos e tisanas.



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Há um intolerável modo paternalista no corrupio de especialistas de frio que vão desfilando pelas televisões, aconselhando-nos sobre o que devemos fazer com a vaga de frio que vem aí. A “nossa“ vaga de frio não tem nada a ver com o frio corrente de muitos países da Europa, mas o nosso frio é mais perigoso, mais “correspondência”, mais exigente em “inhos” (como uma sopinha, um cobertorzinho, um chazinho, um casaquinho) e mais matreiro.

Ouvidos os "especialistas", fiquei a saber que devemos ingerir bebidas quentes (chás e tisanas !!!), usar gorros, cachecóis e camisolas (eu seja ceguinho), não vá alguém lembrar-se de ir de bermudas e T-Shirts para a Baixa. Também fiquei a saber que o nosso país está apetrechado com cerca de duzentos postos de saúde, pelo que os cidadãos podem dormir descansados. E já agora, como estão mais habituados, ir às “urgências” dos hospitais, se derem um espirro.

Farto de ser tomado como um débil mental ou um miúdo traquinas, mais ao menos ao estilo de come a sopa toda se não te deixo jogar no computador, fico pensando nesta mentalidade mesquinha que formata a comunicação com as pessoas e pergunto-me sobre o que vai na cabeça deste pessoal que vem para a televisão dizer para usarmos luvas e cachecóis. Se acham que estão fazendo genuíno serviço público ou se, bem lá no fundo, lhes brilha aquele espírito tutorial que acham que devem ter, porque lhes foi concedido, sabe-se lá por quem. Chiça!


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sábado, janeiro 14, 2017

Então não querem lá ver que o PSD vota contra? E a servir de muleta ao BE e PCP? Que safados…



Entendam-se. E lixem-nos só um bocadinho. Tudo isto já fede...

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A vozearia que vai por aí sobre a intenção de Passos Coelho votar contra a baixa da TSU pelo governo é simplesmente ridícula (faltava a Ferreira Leite, mas já apareceu, feita D. Constança…) e suscita em mim um par de comentários a que não resisto deitar para o lixo dos energúmenos do Vitorino e do MST. Quais sejam:

1 – Acho extraordinário criticar-se o sentido de voto de qualquer bancada partidária. Ou está tudo doido, ou pensa-se que estão a lidar com débeis mentais, ou estão eles próprios, os críticos, com uma assustadora debilidade mental. Deixem-me repetir a questão: Criticar o sentido de voto de um Partido? Isto é uma nuance claramente socialista, para quem a democracia é boa desde que seja a deles. Vão por mim, que sei do que falo;

2 – Quanto à substância do tema, acho que é tempo, mesmo arrostando com as consequências, sejam elas quais forem, de demonstrar que Costa deve ter absorvido em demasia a opinião pública de que é um político hábil e astuto. Não é. É, na minha modesta opinião, um fulano sem princípios, sem sentido de Estado, vingativo e mal formado. Não pode descartar o facto de que tem um acordo com a extrema-esquerda e era o que faltava estabelecer esta trapalhada de, face à objecção dos parceiros, contar com o beneplácito dos seus opositores;

3 – Finalmente e que isto sirva de crítica também ao PSD em geral e a Passos Coelho em particular. Já começa a doer esta situação de impunidade em que os socialistas navegam, acusando o PSD de falta de sentido de Estado e de “mau perder”. Para isso usam uma linguagem grosseira, malcriada, em que são exímios e usam todos os meios, incluindo a manipulação de uma esquisitíssima parte da comunicação social para convencer os eleitores de que a culpa disto tudo é do PSD. Por mim, já chega. Meteram-se nisto, desenrasquem-se, falando português curto. E quanto às doutas opiniões que oiço por aí, Presidente incluído, ao que parece já ouvi que Marcelo está “furioso” (sic) com PPC e até Lobo Xavier se mostrou muito crítico, que lhes faça bom proveito.


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Tá feia a festa, pá



Maria de Lurdes com a festa estragada

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Maria de Lurdes Rodrigues foi ministra de educação e do que me lembro, zangava-se imenso com aquela estranha criatura comunista que vai ditando, tragicamente, os cânones da educação em Portugal e que dá pleo nome de Nogueira.

Maria de Lurdes, mais tarde, foi confrontada com críticas severas sobre os milhões desbaratados num tal “Parque Escolar”, coisa que, se não estou em erro, derivou ainda da paixão de Guterres pela educação e do tempo em que ele, ao som de Vangelis, ia dizendo que o país iria ser o paraíso na terra, sem serpentes nem maçãs. Maria de Lurdes teve a desfaçatez de afirmar, numa qualquer entrevista, que ao contrário da voz popular, o “Parque Escolar” foi uma “verdadeira festa”. Aquele tipo de discurso, formatado, em que os socialistas são exímios para se desculparem daquilo em que acham que não têm culpa nenhuma e que a mesma é sempre dos outros.

A realidade mostra hoje que não foi festa nenhuma, foi mais uma nefasta acção dos socialistas em geral e de alguns deles em particular. Pelo meio, parece que houve uma cadeia de jeitinhos e nepotismo militante que chegou mesmo a levar Maria de Lurdes a tribunal onde, salvo erro, foi condenada e, mais tarde, declarada inocente, em fim de festa.

Hoje há notícias como esta que, infelizmente, não é filha única. E são estas coisas que acabam por criar energúmenos e lixo só para chatear o Pacheco Pereira, o Miguel Sousa Tavares e o António Vitorino. Mas, um dia estas almas sábias e impolutas resolvem as “festas” e vamos ter um mundo melhor. Sem o lixo nem os energúmenos que o lixo e os energúmenos correntes dizem que enxameiam as redes sociais.


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quarta-feira, janeiro 11, 2017

Náusea



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Mário Soares é já um factor secundário na pantomina que tem entretido a grei nestes últimos dias. Jamais pensei ser possível tamanha manipulação das pessoas por via da televisão e dos jornais A morte de Soares tornou-se um exemplo vivo (irónico, porque vindo de um morto) da força dos órgãos de comunicação social, da influência e domínio que ela tem nos seus fautores e na náusea máxima que conseguem causar a quem, com a serenidade e sentido crítico destas coisas, vai acompanhando a evolução dos acontecimentos. Os jornalistas mais novos mostraram à saciedade uma comoção que terá eventualmente mais a ver com o contexto profissional em que estão inseridos do que propriamente com o passamento de Soares. E os comentadores e peritos de opinião descascaram o evento até ao caroço, com a agravante de mesmo chegando ao caroço continuarem a roê-lo com banalidades do discurso redondo a que nos habituaram e amestraram ao longo dos anos.

O funeral e luto de Soares constituiu para mim, que já não sou propriamente um garoto, o exemplo mais chocante de como continuam a existir ditaduras, ainda que com vestes diversas. Através dos que ditam, pelas mais variadas razões e pelos mais diferentes meios e através dos ditados que uma vez mais mostraram esta notável e trágica tendência para serem pastoreados. Por um cardeal, uma santa que apareça a uns quaisquer pastorinhos, um rei, um futebolista, basicamente, um ditador que lhes cuide da alma e do corpo. É a mais triste das verdades. E convenhamos que é uma situação que não desperta um particular orgulho ou uma assinalável nobreza.

Continuo a não falar de Soares por respeito pelos que partem. Mas reconheço uma inesperada surpresa pelo grau de proselitismo, ignorância, arrogância (ocorre-me, assim de repente Miguel Sousa Tavares e António Vitorino, que da cátedra da sua projecção pública chamaram lixo e energúmenos a todos os que se atreveram a criticar Soares. Apetece-me chamar-lhes idiotas, oportunistas, enjoado militante e careca baixinho, mas isso iria colocar-me ao nível deles, coisa que liminarmente recuso) que reinou por aí, como que “proibindo” as pessoas de criticar Soares. E não me apetece ser lixo nem energúmeno aos olhos daqueles dois. Começo a fartar-me do assunto. E já bastaram estes dias em que ouvi música de encomenda e vi séries e filmes em regime contínuo.


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terça-feira, janeiro 10, 2017

Temer devia ter trazido uma camisola de Pelé... quem sabe, um boião de geleia de jabuticaba



Temer devia ter trazido uma camisola de Pelé Para oferecer a Marcelo, tiravam uma selfie e a coisa ficava mais soft...os brasileiros ainda têm que aprender muito connosco


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Os brasileiros irritaram-se porque Temer veio a Portugal ao funeral de Mário Soares, numa altura em que os reclusos andam ao estalo em algumas cadeias brasileiras. São tiques tugas que ficam ao longo dos séculos, estes de se criticar por dá cá aquela palha, por muito que isso irrite os nossos irmãos brasileiros.

Por cá a coisa está mais reciclada, mais europeia. Os meus patrícios acham muito bem e sentiram um frémito patriótico por António Costa se ter mantido pela Índia em preponderante acção de visita de Estado e faltado ao funeral (acho que vai aparecer numa vídeo-conferência, prática, como se sabe, muito a propósito num enterro). De tal maneira, que muito gostariam que a visita se prolongasse por muito mais tempo ou, mesmo, que o homem tivesse uma epifania qualquer e se mantivesse por lá.


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segunda-feira, janeiro 09, 2017

A propósito de nada


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Estão 6 graus. E o sol brilha. Adoro o frio com sol, adoro olhar pelas janelas rasgadas do meu escritório em casa e ver as azedas no jardim, doces de tão amarelas e viçosas. Adoro gente de quem gosto e, felizmente, cheguei a um ponto em que já não me zango com as pessoas de quem não gosto. Apenas as desprezo e as considero um pedaço de desperdício na oficina de Deus, se é que Deus existe, coisa que ainda ando a tratar de confirmar. Adoro o café fresquinho da manhã, puro e sem cápsula, em moagem de máquina, a borbotar no topo da vetusta cafeteira que continua a fazer o melhor café do mundo. Adoro gostar. Mesmo quando temos um rosário de coisas a implicar e a tentar atrapalhar o que eu gosto e não gosto. E adoro dizer coisas, umas coisas assim soltas que parecem não vir a propósito de nada, que não significam nada para ninguém, mas têm um especial significado para mim e mais meia dúzia, muito meia mesmo, de pessoas. Algumas delas muito especiais. E adoro dizer meia dúzia de banalidades que me dão prazer, como estas que agora me ocorreram, quanto mais não seja porque ocupam o espaço de que as coisas más se tentam frequentemente apropriar. E a essas dou cada vez menos importância, o que pode ter um assinalável efeito terapêutico. Por exemplo, depois de algumas tentativas, quebrei o meu costume diário de vir ao computador logo pela manhã com a TV em ruído de fundo, apagando o televisor e proibindo-me de o ligar de novo, pelo menos durante uns quatro ou cinco dias, fazendo uma ou outra excepção, como o Dia Seguinte mais logo e os Olhos nos Olhos depois de amanhã. E ficar-me pela música. Pela Smooth Radio.


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domingo, janeiro 08, 2017

Os idiotas úteis e os inúteis imbecis



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Este período pós-passamento de Soares está a tornar-se doentio e reflecte bem o que somos a exercer domínios e a sermos dominados. Deliberadamente não falarei sobre Soares e tanto me apetecia dizer… basta “googlar” «Espumadamente Mário Soares» e quase que dava um livro… mas já o meu avozinho dizia que não se bate em mortos. E Soares está morto e o mínimo a que me sinto obrigado é não aproveitar a maré.

Mas, todavia, há uma questão que me provoca arrepios. Não na TV (sintonizada há dois dias para filmes, futebol e séries…) mas em crónicas e comentários. Qual seja a voz corrente de que Soares é o pai da democracia para a generalidade dos portugueses, com excepção da Direita e dos retornados. Causa-me uma urticária severa ouvir uns quantos badamecos (que de badamecos de trata) falar de coisas de que não têm o mais remoto conhecimento. À partida, fazem um caldeirada entre a Direita e os “retornados” o que é uma prova evidente de ignorância e pura estupidez. E depois quando vejo os autores das crónicas e dos comentários e percebo que grande parte deles nem teriam nascido no 25 de Abril e/ou muito provavelmente jamais terão ido a África no tempo colonial, não consigo evitar um frémito de repulsa por tanta imbecilidade. São frequentes as referências aos colonos como uns “direitolas” que passavam a vida e beber uísque, a caçar gazelas e a bater em pretos. Já li até de pessoas que sabem que a maioria das crianças brancas passava a vida a andar de baloiço, empurradas pelas crianças negras.

É muita imbecilidade e muita ignorância por parte destes cronistas, comentaristas, especialistas, todos muito sociólogos, muito ISCTE, muito Adão e Silva para ficar calado. O que geralmente se tem estado a afirmar é de um desrespeito total por cerca de um milhão de portugueses que viviam nas ex-colónias. E achar que a maioria tinha os filhos a andar de baloiço empurrados por crianças negras enquanto os pais bebericavam uísque no Clube de Caçadores em Luanda é de uma exasperante imbecilidade.

E não precisavam de Soares ter morrido para falar no assunto. Podiam falar antes, porque os retornados já acabaram há cerca de 40 anos (cabe aqui dizer que muitos deles ocupam hoje lugar de relevância no empresariado nacional e, muitos outros, no estrangeiro, em vez de irem para a frente do ministério da educação com cartazes a dizer que saíram da faculdade há mais de um ano e o governo ainda não lhes arranjou emprego). Mas falar agora dá mais sainete. Mesmo que o falecido tenha muito mais a exprobar que enaltecer. Mas isso é outra história de que prometi não falar, em respeito total pela máxima do meu avozinho que Deus tem.


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sábado, janeiro 07, 2017

A patine e a falta de solarine




Clicar na foto para ver bem o OUTfit da MAI e a "barbatana do respectivo marido, que devia estar com frio no pescoço e calor na barriga


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Dizia um treinador de futebol, cujo nome não me ocorre, que para se ganhar o campeonato era preciso ter estofo de campeão. Para representar o governo, também. Tem que se ter estofo. Nem que seja poucochinho.

Por mais que uma vez afirmei que esta geringonça me embaraça. À revelia da forte contribuição para a vinda do diabo quando menos se esperar, há uma questão de decoro que imposta preservar, quanto mais não seja pelo respeito devido a uma nação a caminho do milénio de História. E a geringonça não o tem. É preciso saber vestir, saber, estar, saber falar, saber receber e agir com um mínimo da dignidade que se espera de uma elite que representa um país. Para além da observância de um módico de ética que esta gente (e não me refiro apenas à foto) claramente não tem.

Não é o caso.


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