segunda-feira, julho 06, 2015

Gone southing


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Won't be too long

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Onze anos


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O Espumadamente perfaz amanhã 11 anos de vida.

No último ano anda meio relapso e preguicento, mesmo assim produzindo um post ou outro, mesmo que longe do ritmo diário a que estava habituado durante os dez anos anteriores. Nos últimos meses, então, tem sido uma desgraça. Eu diria mesmo que ligado à máquina e suscitando em mim dúvidas atrozes entre uma reanimação eficaz ou uma piedosa eutanásia.

Por entre a escuridão da dúvida pipila e estremece entretanto uma luzinha vaidosa pela bonomia com que foi apreciada durante muitos anos *. E só por isso, o registo dos onze anos não tem a forma obituária que as circunstâncias aconselhariam mas, ainda, um repositório de esperança em dias melhores.

Mesmo assim, ligado á máquina, fica aqui, ainda, registo de um agradecimento pelos leitores fiéis que o vão lendo. E fica hoje, porque estou de viagem novamente. Por um par de semanas. Obrigado a todos.

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sábado, julho 04, 2015

Decidir que não há decisões


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Não que eu goste de Sampaio da Nóvoa. O que ele disse e me fez ouvir por via da excitação com que a comunicação social que temos chegou e bondou para que eu rapidamente concluísse o que vinha por ali. E se por um lado isso se encaixava com perfeição na noção que tenho do socialismo doméstico, nosso, por outro quedei-me resignado por ver que há coisas que por muito tempero que lhes cheguemos nunca perdem o gosto de estragado.

Afinal, as coisas conseguem ser piores do que aquilo que a nossa condescendência imagina. A. Costa deve ter concluído um competente tirocínio que lhe permite aquela centelha de fazer e desfazer com a maior naturalidade e sempre com artes de ficarmos todos a pensar que a culpa é nossa. Acossado e amedrontado, Costa escolheu «descontinuar» Sampaio da Nóvoa em favor de uma mulher que, se outros méritos não tivesse, ostenta o estandarte colorido de um célebre ministério de igualdade guterrista, uma das coisas que vêm e passam com o tempo e que depois de passarem as pessoas não se lembram mais.

Seja pelo que for, Maria de Belém está aí e Sampaio da Nóvoa fica a fazer contas de cabeça. Bem feito para Sampaio da Nóvoa, mal feito para os que continuamos à mercê dos apetites e humores destes neo-socialistas que, finalmente, parecem ter de todo perdido a noção do que andam a fazer. Que seja pelo nosso bem.

E.T. Entre o tempo de começar a escrever um post e acabá-lo, Costa decide que, afinal, não tinha decidido nada e que, decisão por decisão, há-de decidir sobre a melhor decisão a tomar. Alegre, Edite Estrela e Ana Gomes também acham que não havia decisões e que por estes dias a coisa se decide. A única pessoa que acha que o PS vai de disparate em  disparate é, esse mesmo, Alfredo Barroso, afinal aquele que sempre pareceu fazer mais disparates que os outros todos juntos.

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domingo, junho 28, 2015

Dever de cidadania


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Considero um dever de cidadania contribuir para que as vacuidades e a irresponsabilidade de A. Costa não prossigam a sua habitual prerrogativa de ziguezaguear por entre os pingos de chuva, sem se molharem. Mesmo que ajudadas pela cumplicidade ou abulia de uma comunicação social prestamista, sempre disponível para omitir ou branquear os dislates de um homem que muito possivelmente poderá a vir a ser primeiro-ministro.

Recordar as inanidades de Costa não tem, mas não tem mesmo, a ver com qualquer posicionamento partidário, mas tão só com o dever de as expormos para que não nos submetamos a um destino trágico como o da Grécia. Os portugueses deviam estar cansados dos consulados socialistas que ciclicamente nos conduzem a resgates, pobreza acrescida e a uma deplorável atmosfera de nepotismo e de gordas trafulhices que acabamos todos por pagar, ao mesmo tempo que somos literalmente agredidos por um tratamento em que somos inapelavelmente tomados por parvos.

Não é possível que voltemos a dar o poder a um homem  que afirma, alto e bom som, que «…a vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha…». Ou Costa não tem a mínima noção da realidade, ou está inapelavelmente obnubilado pelas névoas do alvor das manhãs que cantam que nunca mais chegam e não consegue raciocinar como as pessoas ou, ainda, peado por uma floresta de interesses e pressões de que não consegue libertar-se. Seja pela razão que for, eu tenho medo deste homem como primeiro-ministro. E por isso quero deixar aqui o meu testemunho. E a comunicação social devia cumprir igualmente as suas funções e atribuições e deixar de uma vez por todas de trazer o PS ao «colinho», para usar uma expressão futebolística.

Ainda assim, resta-me alguma confiança de que tirando o grupinho de comentadores e pivôs da Sic, a apopléctica Constança e um bem definido grupo de utilizadores do FB, o resto dos portugueses está razoavelmente informado sobre o tremendo embuste que se tem vindo  a esboçar para as eleições legislativas que se avizinham.


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segunda-feira, junho 22, 2015

Parabéns


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Oi Pai. Hoje farias anos. 94, uma idade bonita que poderias ter atingido não fossem os Camel e o stress que te toldavam a paciência e entupiam as veias de que precisavas para que o sangue te irrigasse convenientemente o coração.

A mãe já partiu, está quase a fazer um ano, já deves ter dado por isso, nessa vida «outra» em que nem tu nem eu acreditamos mas que dá jeito aceitar quando queremos pensar que é bonito a família se ir mantendo reunida, já que na vida «esta» nem sempre nos lembramos uns dos outros. E sabe bem acreditar que agora tens, de novo, quem te faça o chazinho, te recorde onde deixaste as chaves do carro e resmungue de vez em quando.

Por cá, pela vida terrena, as coisas vão cada vez mais na mesma. Ia a dizer pior mas quando penso no assunto acho que não está pior. Está como teria sempre de estar. Porque à medida que tenho crescido (o teu rapaz, eu, tenho crescido, sim) vou percebendo que a vida assenta numa dinâmica muito própria, numa girândola quiçá criada pelo deus em que nem tu nem eu acreditamos mas que dá jeito invocar de cada vez que não sabemos explicar algumas coisas. Mas que o absurdo tem tido lugar de bancada central, tem. Acontecem coisas que se tivesses a prerrogativa de optar pela ressurreição provavelmente a denegarias, mantendo-te no conforto e no sossego da alma.

Assim, muito pela rama, digo-te apenas que o Sócrates está (finalmente) preso, O Guterres anda pelo mundo de mão dada com a Angelina Jolie a dizer que o mundo está perigoso, na Europa vemo-nos gregos com os gregos, ainda há comunistas em Portugal, o PS continua na senda das suas atribuições escatológicas, o Mário Soares perdeu o resto da vergonha, as televisões tornaram-se impossíveis de seguir, a Internet tornou-se uma ferramenta indispensável, tivemos de pedir um resgate de novo (coisas de socialistas, tu bem dizias…), o Saramago morreu mas continua a publicar, o futebol está na mesma (o Eusébio morreu, é verdade), o Bush invadiu o Iraque depois de uns lunáticos perigosos deitarem as torres do World Trade Center abaixo, os americanos elegeram um presidente negro que recebeu logo um prémio Nobel, o novo Papa farta-se de ralhar com os europeus porque deviam ter vergonha de não saberem receber bem as centenas de milhar de refugiados que agora deram em atravessar o Mediterrâneo até Lampedusa, Cuba ainda existe como a conheceste e agora têm a Venezuela e a Bolívia a bater palmas (e uma tal de Dilma, brasileira, que já não é do teu tempo), enfim, nada que te espantasse muito, se ainda por cá andasses.

A família está bem. Não te digo o que faz nem por onde anda porque cada um dos nossos anjos da guarda te deve fazer relatórios periódicos. Toma cuidado com os relatórios que receberes de mim porque podem estar tendenciosos ou muito críticos, pela simples razão de que continuo a fazer algumas asneiras, mas sempre com aquele espírito que me ensinaste a cultivar e do qual não abdico, tomando-o como a mais rica herança que me poderias ter deixado. E o importante é saberes que sou, SEMPRE, um homem feliz.

Mas tenho saudade de ti, muita saudade. Logo à noite sou bem capaz de jantar sozinho, mas tenho ali um resto de uma garrafa de espumante que não te digo de onde trouxe porque o meu anjo da guarda deve ter-to dito. E vou beber um trago. Por ti, Pai. Parabéns. E envio uma mensagem dizendo, «Para ti, Pai, do Teu Rapaz».

A FOTO: A foto é de um dos teus recantos favoritos. Clica nela para veres grande. Onde nos levaste, algumas vezes a fazer campismo selvagem. Lá está o Poio do Judeu (nunca me conseguiste explicar a origem do nome), o Espinhaço do Cão e os Cântaros. Há muito poucos dias passei aqui e, finalmente com sol, pude referir pela enésima vez: - aqui, na Nave de Santo António, costumávamos acampar, uma vez o meu pai tirou uma foto a uma cabra a correr e pôs uma legenda dizendo «e nunca mais a vimos», lá em cima é o Poio do Judeu, subíamos o Espinhaço do Cão muitas vezes a pé e a montanha do meio é o Cântaro Magro que o meu pai escalou com a minha mãe… uma ladainha que só pára quando oiço: -Ui, já me contaste essa história mil vezes!

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sexta-feira, junho 19, 2015

Dos senhores Baetas ou das águas «sobreterrâneas»


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Chego a casa e ligo a TV. Apanho de imediato um tal Sr. Baeta dizendo que o pessoal da TAP (coisa vaga, pessoal, qual?) vai fazer uma demonstração no dia 24. Porquê? Porque os trabalhadores não foram ouvidos nem achados na estratégia e na gestão da empresa e porque não concordam com a privatização. E mais, que até à finalização do processo de privatização muita água vai correr sob(re) o rio (eu seja ceguinho).

Tenho de admitir que uma das coisas em que o socialismo terá tido mais sucesso foi terem conseguido convencer os trabalhadores de que têm um papel preponderante na gestão e estratégias das empresas. Claro que nunca nenhum Sr. Baeta se deu ao trabalho de tentar conhecer exemplos de países socialistas, actuais ou extintos, onde os trabalhadores tivessem voz activa. De vez em quando aparecia um ou outro com umas ideias, pelo menos enquanto não era mandado para um Gulag qualquer ou arrebanhado (como era mais frequente em África, e arrebanhado é o termo correcto), para um campo de reeducação. Onde eram silenciados ou reeducados no sentido de se deixarem de ideias de participarem em estratégias e gestões.

Para o bem do socialismo todos os senhores Baetas vão fazendo conspícuas aparições nos meios de comunicação social, sem perceberem o papel de idiotas úteis que lhes cabe. Deviam dar graças a Deus por viverem em regimes de liberdade que lhes permitem acreditar no seu papel de estrategas e gestores.


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terça-feira, junho 16, 2015

Rambos perigosos tomando conta das criancinhas


[5255]

Como se esperava, esta notícia tem espoletado uma corrente de comentários destinados a dar cada vez mais razão a Umberto Eco sobre o colégio de idiotas que se instalou nas redes sociais. Se não bastasse a origem da notícia (JN) bastaria lê-la com mais ourelo para perceber o aproveitamento tentado de militares na reserva, provavelmente até desempregados, em funções de préstimo. Mas não. Havia que empolar a coisa ao ponto de imaginarmos uma espécie de rambos, de fita vermelha na cabeça, camisa esgargalada, colares de munições ao pescoço, metralhadora numa mão e uma porção de granadas na outra, um facão à cintura e botas tintas do sangue de vítimas anteriores, tomando conta das criancinhas, uma vez mais agredidas na sua formação cívica e moral. 

O que vale é haver por aí umas «câmaras de Portalegre» que se vão encarregando de ministrar aos juvenis formas adequadas e nobres de defesa dos polícias, que poderão ser aproveitadas para se defenderem agora destes perigosos legionários «de botas cardadas», mesmo que puídas pelo peso da barriga de muitos anos de minis e tremoços.

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segunda-feira, junho 15, 2015

As sereias de Ulisses eram socialistas?


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È preciso não confundir as coisas e, sobretudo, não nos deixarmos afogar em considerandos técnicos do domínio da economia. É preciso não resvalar para a ideia fácil de que um punhado de aventureiros levou a Grécia para a desgraça. Quem realmente aproximou os gregos do abismo foram, como de costume, os socialistas com as suas tiradas e medidas infantis, em nome de uma ideologia que nem eles próprios sabem qual é. Qualquer coisa abastardada de um comunismo definhado e estéril, com efeito residual nos chamados socialistas democráticos, herdada do romantismo da faculdade, do Maio inebriante da Paris soixante-huitard ou cristalizada no sistema amorfo da idiotia. Foram os socialistas que conduziram a Grécia para uma situação sem retorno com as suas infantilidades habituais, mais o inevitável nepotismo, compadrio, venalidade e, em cima de tudo, uma total irresponsabilidade sobre as inevitáveis consequências que se abateriam sobre os eleitores, aqueles que de boa fé, vão dando o seu voto apoiado nas cantatas e promessas das campanhas eleitorais.

Os gregos tiveram ainda o azar de enveredarem, objectivamente, pelo voto num partido de aventureiros sem escrúpulos. Sentindo-se à beira do abismo, não cuidaram de tentar perceber como chegaram até ali, mas sim avalizar quem prometia salvá-los da queda. E foi o que se viu. Mais dia menos dia vem aí a verdadeira tragédia. Porque aqueles a quem foi dado o voto da salvação, mais nada saberão fazer que dar o último empurrão para o abismo. Quiçá convencidos que o bluff e a atitude espúria de uma arrogância própria deste tipo de aventureiros lhes traria os louros da vitória.

Que ao menos esta situação sirva para iluminar aqueles que se acham, eles sim, iluminados. Desde os que em algazarra patética, como o já impossível António Costa, se regozijaram com o Syriza até aos que, diligentemente, puxam dos galões e se atiram a exercícios de verdadeiro malabarismo para explicar e justificar a teoria de quanto pior melhor. Mas não ver ser fácil. Que isto da idiotia dos socialistas é um bocado como o imaginativo slogan de Pessoa à Coca-Cola, «primeiro estranha-se, depois entranha-se».

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