domingo, março 01, 2015

Indecoroso


[5234]

Tenho votado ao Syriza e correlativos a indiferença e o desprezo que me merecem as acções de meia dúzia de lunáticos que vêm ao mundo convencidos que vão descobrir a cana para o foguete. Não escondo alguma irritação por algumas das suas acções e pelo foguetório de muita da sua verve idiota, mentirosa e que há-de conduzir a Grécia a um buraco sem fundo de onde dificilmente se safarão. Pior ainda, porque na queda do buraco arrastarão alguns fracos como eles, sem embargo de que esses, pelo menos, se ativeram a uma posição de reflexão que resultou no desenvolvimento de acções adequadas que, mau grado alguns acidentes de percurso estão a dar já resultados. Por muitos «tudólogos» que têm saído ao caminho e sairão sempre, faz parte do compêndio da história que nos há-de (des)carrilar por, quem sabe, mais 900 anos.

Mas há um pequeno incidente, no meio disto tudo, que realmente me eriçou a paciência e me fez apetecer desatar ao estalo. Que haja oposição, que cada um tenha a sua opinião, que cada um discorde, berre e até insulte, é coisa que com mais ou menos resiliência (outro vocábulo muito em uso nesta repartição…) do nosso aparelho gastrointestinal se vai ultrapassando. Mas que o Bloco de Esquerda se tenha prestado a trazer um fedelho malcriado ao Porto, aqui a casa, para papaguear umas macacadas, nas quais usa a prerrogativa que o Bloco lhe conferiu para insultar o nosso primeiro-ministro e me dar lições sobre liberdade já, genuinamente, me chateia. E não é por ser Passos Coelho. Fosse Costa, ou outro, a minha irritação manter-se-ia pela falta de estofo que esta gente do Bloco tem para a sua condição de políticos com legítima representação popular. Era só.

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Blasfémias e Insurgente


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O Blasfémias e o Insurgente completaram onze e dez anos.

Fica aqui o registo de um leitor diário de há dez anos também, com o apreço devido por dois dos mais representativos blogues do nosso meio. Dois blogues que me habituei a ler com deleite e com o respeito devido a gente escovada, inteligente, bem humorada e bem informada. E que venham mais dez com muitas blasfémias e insurgências.

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sábado, fevereiro 21, 2015

Homeward Bound... e porque hoje é fim de semana





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Em 1982 fiz duas horas de avião, ida e volta, expressamente para ir buscar este concerto completo numa preciosa cassete Betamax, gravada a partir de uma outra de um amigo em Joanesburgo! 

Parece que foi ontem. Ouvi-a vezes sem conta, semicerrava os olhos e «sentia-me» em Central Park vibrando com os meus «faves» e ainda hoje a tenho... e agora tropecei na cassete sem querer. Fica aqui, com um aceno de simpatia para quem ainda se lembra deste memorável concerto e, como eu, o considera do melhor que alguma vez tive o privilégio de ouvir e sentir. Para os que nasceram depois, o pedido para que ouçam (e vejam) o concerto até ao fim. Nem que seja a prestações.

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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Lembrou-se agora...


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Impressiona a constatação de um orgasmo colectivo que reina por aí depois da ejaculação tardia de Juncker, para manter o nível de pornochachada que o assunto me inspira. Ninguém, que eu tenha lido, se deu ao trabalho de se questionar porque é que Juncker tinha de vir agora com este acto de contrição, em vez de, oportunamente, ter feito reivindicar os seus pontos de vista. Ao contrário, o que se vê é um alarido ensurdecedor e uma erecção de meninges por um discurso patético proferido por um fulano que ainda há dias era vituperado como um amoral e esquemático de como se podia burlar o fisco e, eis senão quando, sai do silvado, cantarolando, muito excitado, um comissário, que num repente e olhar de luz, resplandecente, como a do sol e penetrante como diamante, diz umas tretas e põe a nossa intelligentzia vidrada com a confissão.

No meio de tudo isto dá para pensar é que raio de gente tem em suas mãos o nosso destino. E apetece mandá-los para um confessionário que eu cá sei, mas não digo aqui porque é pecado.

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domingo, fevereiro 15, 2015

Cansado



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Estou cansado de dois exemplares de «homo lusitanus» que sobre os ataques terroristas têm duas versões em regime de permanência. Uns condenam os ataques, com certeza, mas acham que em Portugal não há necessidade de se aumentar as medidas de precaução sobre possíveis ataques terroristas, como ainda há pouco ouvi o nosso Rui Machete, a propósito do ataque na Dinamarca. Outros receiam imenso que na prevenção do terrorismo se entre numa deriva securitária, uma expressão que vai muito bem com a retórica em curso, especialmente quando ninguém lhes pergunta nada.

Mas, já agora, há uma terceira classe de gente, aqueles que escrevem para jornais e ainda lhes pagam por cima e que acham que a sociedade portuguesa está anatematizada por um corpo de polícia agreste, boçal, xenófobo e racista. Como a Fernanda Câncio, por exemplo, que há dias reproduzia, literalmente, um desabafo de um polícia num dos chamados bairros problemáticos, quando depois de um ataque à pedrada a uma esquadra, ele disse, pretos do caralho se eu pudesse exterminava-os (DN de há dias, sendo que de há uns tempos para cá está a tornar-se moderno escrever caralho com as letras todas). A Fernanda Câncio ainda não veio a Cascais ao bairro da Torre onde, entre várias grafites simpáticas se pode ler brancos de merda, morte aos brancos

A Fernanda tem de viajar mais e exibir-se menos em exercício literários de nível duvidoso e de conteúdo racista, ainda que em sentido contrário ao chamado main stream. E pensar na pressão de um polícia que diariamente se tem de ver com episódios do tipo de apedrejamento de esquadras, por contraponto de expressões racistas e violentas em bairros onde por acaso não se apedreja ninguém.

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sábado, fevereiro 14, 2015

Desculpas a Costa


[5229]

A Costa o que é de Costa e em obediência ao mais elementar sentido da justiça e autocensura, retrato-me aqui publicamente. Por várias vezes me referi à ponte pedonal e ciclável (ciclável dá erro aqui no corrector e também acho que não existe, mas vem assim na notícia…), reclamando do facto de ali se ter gasto uma pipa de massa, se ter obstruído o trânsito durante mais de um ano e jamais se ter lobrigado (lobrigado existe) um peãozinho ou uma bicicletinha atravessando a via (pedonal e ciclável). Pois, a verdade é só uma, como se dizia da Rádio Moscovo, os peões e as bicicletas não passavam porque a via ainda não tinha sido inaugurada.

Foi hoje. Costa aplicou um capacete e fez-se à chuva e ao vento, atravessando a ponte com galhardia e pundonor. Não sem antes ter feito um discurso com elevado sentido de Estado, onde nos explicou a importância de uma coisa qualquer nos edifícios e nas emissões, na preservação do clima. E terminou o discurso com a seguinte tirada: «…Claro, já sabemos, devemos comer menos pastéis de nata, também já sabemos que não devemos abusar dos enchidos no cozido à portuguesa, mas para além disso tudo devemos ter uma atividade que nos permita manter atividade, quer andando, quer pedalando, isso é uma forma de termos uma cidade mais saudável» Eu seja ceguinho! SIC , sintaxe e acordo ortográfico respeitados.

Tenho a certeza que a partir de amanhã é que vai ser um corrupio de bicicletas e peões entre Telheiras e Carnide. Tal como confio no aumento do consumo de pastéis de nata e do cozido à portuguesa já que, seguramente, poderemos ir reciclá-los para a pente pedonal e ciclável. Com moderadas emissões, espera-se. E peço a Costa que me releve a desatenção de ter falado no assunto, num tom crítico, antes da magna inauguração.

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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Não dá jeito nenhum...


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Depois disto, lá vão os socialistas ter de começar a pedir dinheiro emprestado uns aos outros, pagar funerais aos irmãos de cada um e comprar casas às mães de cada qual…

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sábado, janeiro 31, 2015

A primeira vez que andei num avião foi num Dakota da East Africa Airways e tinha 13 anos. Mas no ano seguinte já andei num Superconstellation da TAP. Uau...



Um argumento válido para não nos TAParem os olhos. Não deve ser do tempo dos 10 anos do Camané, mas agora estão em uso e gratuitamente distribuídos às criancinhas

[5227]

Hoje vai haver por aí mais uma manifestação. Tem a ver com a Tap, uma coisa assim ao jeito do Je suis TAP e onde, entre outras coisas, se vai dizer para não nos TAParem os olhos.

A RTP vai fazendo a divulgação do evento e seleccionou duas personagens, o realizador António Pedro de Vasconcelos e o fadista Camané. O primeiro começou por dizer que a primeira vez que andou de avião foi na TAP. O segundo disse que tinha dez anos quando andou na TAP pela primeira vez. Como se vê, duas poderosas razões provindas de duas representativas personagens para alguém meter dinheiro naquilo e continuar a ser nosso. À la Syriza.

Confesso que já não ouvi mais nada. Percebi que eles se desmultiplicavam numa retórica monocórdica do tipo de não me TAPem os olhos e realmente não dava para perceber mais nada. Deu, apenas, para reflectirmos na seriedade e elevação com que estes assuntos são tratados. Imagine-se que Vasconcelos se estreou na TAP e o Camané tinha 10 anos quando…

No fundo esta rapaziada terá a esperança que mesmo que se inicie a privatização, depois vem por aí um Syriza qualquer e reverte o processo, assim a modos que o porto do Pireu.

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À portuguesa


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Houve um tempo em que trabalhei para uma empresa suíça, representando-a num país africano. Daí resultavam viagens frequentes a países africanos e asiáticos, pelo que sempre que o fazia pela primeira vez eu consultava a embaixada suíça que, em poucas horas, me mandava abundante e precisa informação sobre tudo o que eu precisava de saber e de observar antes de embarcar. Eficientes, profissionais e com total respeito pelos interessados.

Por cá, É DIFERENTE. Uma filha e genro resolveram ir a S. Tomé de férias. Consultaram o Portal das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros e guiaram-se pela informação produzida no «site»respectivo. E hoje de manhã, chegados ao check-in e a cerca de uma hora de embarcarem é-lhes negado o embarque porque não tinham visto obtido previamente ainda em Portugal.

De pouco valeu afirmar que a informação no «site» afirmava CLARAMENTE que os vistos turísticos eram concedidos à chegada a S. Tomé. À boa maneira portuguesa, a funcionária do balcão de check-in afirmou, com ar de quem diz aquilo todos os dias, que ela sabia da informação do «site» e que em TODOS os voos para S. Tomé havia casos semelhantes, pessoas que confiavam no «site» e ficavam em terra.

É triste, é sintomático e a falta de rigor e de respeito pelos cidadãos releva claramente desta forma de sermos e de estarmos. E isso explica muita coisa. Não nos podemos queixar. A culpa é nossa.

Se este post ajudar nalguma coisa para possíveis viajantes àquele país já não é mau de todo, não acredito que o conteúdo do «site» seja actualizado nos tempos mais próximos. Provavelmente estarão ocupados a discutir as fotos das mulheres de Obama e Machete e das respectivas toilettes em países árabes.

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