segunda-feira, dezembro 22, 2014

Apoios às centenas…


[5207]

Mais um ilustre visitante de Évora, tornada capital dos ilustres. Desta vez foi Paulo Campos que, e cito, «…fui portador de um abraço de centenas de pessoas que nos têm contactado para que transmitíssemos ao engenheiro Sócrates que o apoiam e que estão com ele. E que acreditam nele, tal como eu…». Fica por entender quem é neste «nos» que querem transmitir apoio a Sócrates mas, pelo menos, ficamos a saber que são centenas.

Paulo Campos, como se sabe, é um dos mais sérios presumidos inocentes até julgamento e condenação transitada em julgado, coisa mais ou menos inverosímil, já que não é arguido de coisa nenhuma.

Tremo só de pensar na pose e no verbo destes Campos todos (mais as centenas de pessoas que mandaram recomendações) no caso de uma qualquer vírgula processual mandar o julgamento de Sócrates «down the drain» e voltarmos a assistir a mais um rocambolesco regresso do mártir Sócrates de Sousa com a chancela de Paulo Pedroso. Nada que, bem vistas as coisas, não possa vir a acontecer.


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sábado, dezembro 20, 2014

Agora deu-lhes a pressa


[5206]

Isto causa uma profunda irritação. Tiveram tantos anos e oportunidades (e assuntos) para entrevistar o homem e raramente o faziam. Agora deu-lhes a pica, o tesão, para usar um simpático e saudável termo brasileiro, e toda a gente acha que entrevistar a criatura corresponde a um inestimável serviço público.

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sexta-feira, dezembro 19, 2014

Protestar – como acto político


[5205]

Ontem assisti a uma das mais patéticas sessões da Quadratura do Círculo que me ocorre. Pacheco Pereira, pois claro. E pasmo como um homem com a sua envergadura intelectual esteja verdadeiramente peado por preconceitos ideológicos (por vezes me interrogo se será mesmo por razões ideológicas), sempre que se dispõe a tosar o governo. Vilipendiar o actual governo tornou-se para PP uma verdadeira obsessão e vá lá perceber-se porquê. Ontem falava-se da greve da TAP e da requisição civil. PP desbobinava um verbo erudito, mas falacioso e inconsequente. 

Ele não é contra a greve. Mas também não é contra a privatização. Ele acha é que… perdi-me na sintaxe do que ele acha, apenas me ocorre a sua forma verdadeiramente insidiosa de abordar questões sérias, primordiais para o nosso país, sobretudo no estado depauperado em que o puseram. E nessa forma insidiosa, PP relembra-me aquela forma mais ou menos romântica de se fazer oposição como, por exemplo, quando eu era um jovem estudante, politicamente impreparado e me atrevi a perguntar aos mais velhos sobre a substância política que me deveria levar a partir montras nas lojas da Rua da Sofia e me foi dito que isso era um acto político. E quando pedi para serem mais específicos, foi-me dito que tudo na vida era um acto político, que o cagar era um acto político.

PP parece viver ainda essa fase de romantismo quando faz a apologia do protesto. Ele acha que é preciso protestar. No caso da TAP, ele concorda com a privatização, ele concorda com a greve, mas é preciso protestar. Sobretudo se estamos a ser governados por um governo mentiroso. Ora esta forma de estar, que eu chamaria um caldo de romantismo e reviralho inconsequente acaba por inquinar o pensamento político de um intelectual como ele. Que chega aos sessenta e cinco anos e ainda acha que independentemente do propósito, o que é preciso é protestar. Não deixa de ser um acto político mas isso, já nos meus verdes vinte anos me diziam que actos políticos até o movimento peristáltico produzia.

Esperemos que ele proteste muito mas que não interrompa tanto o Lobo Xavier sempre que este proteste sobre o protesto de PP. E, por uma vez, que se protestasse menos, não penteássemos tanto o ego e, sobretudo, que deixássemos de ser um país engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano.

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quinta-feira, dezembro 18, 2014

É IMPERATIVO fazer qualquer coisa


[5204]

Na educativa (!!!)  rubrica da RTP destinada a pôr o rebanho a falar segundo o chamado acordo ortográfico assisti hoje ao segundo exemplo:

- Traz o teu amigo também
- Trás o teu amigo também

Depois das perguntas da repórter pela rua sobre se traz se escrevia com «z» ou com «s» e acento, a decisão chegou, sábia, de que era com «z», porque correspondia à terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo trazer.

Perante isto, é imperativo fazer qualquer coisa. Ou mesmo fazer qualquer coisa na terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo fazer.

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A TAP é dele… mas o qu’olhão de fazer?


[5203]

A TAP é dele. Diz ele. Acho que tem razão. Para quem está habituado a que a autarquia lhe dê casas em regime de posse compartilhada com o resto dos cidadãos a coisa faz sentido. Como sentido faz ainda haver gente que se sente habilitada para possuir qualquer coisa por via do Estado Providencia, imune aos avanços capitalistas e dos poderosos.

Isso não obsta a que eu considere BB fundamentalmente idiota. Que se trate. E que deixe quem está, aqueles que continuam a ter de trabalhar para ter alguma coisa de seu.

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Cuba e os EUA trocam embaixadas


[5202]

Muito positiva esta decisão de abrir embaixadas em Havana e Washington. Sempre é um passo mais para arrancar os cubanos ao degredo. Negativo, verdadeiramente, foi a excitação registada na generalidade da nossa comunicação social que ia relatando o facto com a alegria dos grandes acontecimentos, o menor dos quais não seria o facto de os cubanos se terem finalmente libertado do jugo americano, do bloqueio económico, da Baía dos Porcos e outras malfeitorias dos americanos. O facto de Cuba ter sido governada por mais de 50 anos por um regime torcionário do qual milhares de cubanos fugiram em frágeis balsas para a Florida ou de desertarem das representações desportivas sempre que podiam e, pior, a mentalidade de gerações de cubanos ter sido moldada à imagem e semelhança de um grupelho de facínoras no poder não contou nada para a nossa comunicação social. Era ouvi-la cantando loas a Obama por, finalmente, ter acabado com as injustiças dos USA perante a injustiçada Cuba.

Às vezes, a idiotia estabelecida em muita da nossa comunicação social poderia ser amenizada por alguma cultura geral e pelo elementar bom senso.

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quarta-feira, dezembro 17, 2014

Faltava-nos esta


[5201] 

No tempo das colónias foi a psicossocial Mais tarde foi a chamada discriminação positiva, uma forma de diferenciação quase sempre com efeitos colaterais conducentes a exacerbar ódios e racismo, em países como a África do Sul, Moçambique, Brasil e outros. Na Europa assistiu-se a uma forma mais ou menos camuflada de exercer essa discriminação por via do pensamento novo, do homem novo, dado à solidariedade internacionalista e ao conjunto de «boas práticas» que se convencionou adoptar como alma mater dos cidadãos como deve ser. 

Foi toda a vida assim. Faltava-me agora António Costa processar um conjunto de práticas através das quais ele acha que o funcionalismo público beneficiaria da inclusão de imigrantes nos seus quadros. Não vejo como isto seria possível sem a prática, uma vez mais, de discriminação positiva. Sem embargo do reconhecimento das capacidades e competências de muitos imigrantes que se estabelecem em Portugal, esta ideia de Costa não passa, uma vez mais, de conceitos sociais enquistados, quem sabe, até, de uma forma apurada e mal disfarçada de racismo ou, mais prosaicamente, dum pensamento pateta. 

Este tema é delicado e abordá-lo da forma que aqui faço pode espoletar opiniões avulso sobre a maldade do meu carácter ou, até, uma putativa associação à perigosíssima Marine Le Pen que ganhou fama de comer imigrantes ao pequeno-almoço. Mas esta é apenas a expressão de cansaço de ter levado toda a vida com campanhas, ou para um lado ou para outro. Por isso mesmo elegi como uma das mais sábias afirmações de sempre, a do actor Morgan Freeman quando uma vez disse que a melhor maneira de se combater o racismo é ignorá-lo. Talvez que a melhor maneira de ter imigrantes na função pública portuguesa seja, exactamente não falar no assunto, encarar a situação com normalidade em vez de termos de ouvir os «Costas» do meu descontentamento a papaguear frases feitas que mais não fazem que contribuir, decisivamente, para aumentar o número daqueles que acham que não devem haver imigrantes coisa nenhuma ao guichet duma repartição.

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quinta-feira, dezembro 11, 2014

Carrossel da vida. Mais uma corrida, mais uma viagem


[5200]

A minha mãe, poucos dias antes de nos deixar, em Julho passado. E a minha irmã caçula que resolveu brincar aos casamentos com cinquenta e taaaaaais. Perdeu a cabeça, só pode. Mas  como ela é fixe, sem ser Soares, lá vou eu fazer um cabaz de quilómetros, porque ela resolveu casar em terras de Cid, El Campeador.

É assim, a mãe foi e a filha mais nova é como se começasse agora. É o carrossel em que todos giramos e a que todos nós pertencemos.

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Coisas de primos


[5199]

Eu sei que os grandes conflitos radicam em questões familiares. Segundo a «narrativa», até a 1ª guerra mundial resultou do facto de dois primos andarem ao estalo.

No fundo, o status mantém-se nos anais da história e hoje verificamos como o azedume entre dois primos direitos esfrangalha um império financeiro e empresarial de 145 anos e coloca em risco os interesses de dez milhões de portugueses.

A esquerda insiste em achar que este tipo de conflitos tem uma raiz ideológica, porque provinda de um caldo capitalista muito propício a estas coisas. Nada de mais errado. Estes conflitos relevam de vaidades, invejas, ganância, espelhos mágicos e, não menos importante, de matérias de cueca tout court. Para além de que o capitalismo possibilita o escrutínio destes desmandos, enquanto o socialismo os tranca a sete chaves, sendo que entre os socialistas também há vaidosos, invejosos, gananciosos, espelhos mágicos e também abunda a cueca. É bom, portanto, que a esquerda não atire pedras ao telhado do vizinho.

Mas que me encanita eu e mais uns milhões andarmos ao sabor dos humores de primos desavindos, irmãs que precisam de ajuda e cuecas avulso, lá isso encanita.

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De volta à intriga nacional



[5198]


Paulatinamente regressando à intriga nacional, sensibilizam-me dois casos maiores.

Um, o decurso da Comissão Parlamentar ao Banco Espírito Santo. Ouvi várias intervenções e ocorre-me equacionar se algum daqueles ilustres deputados tem envergadura e conhecimentos para discutir questões de gestão bancária com Ricardo Salgado. Uma Comissão Parlamentar estabelece-se para apurar dados e responsabilidades e não para a expressão comicieira frequentemente usada ou, em alternativa, para a exibição narcisista da bem conhecida truculência de José Magalhães.

Outro, esta inusitada greve da TAP, prevista para quatro dias de intenso tráfego entre o Natal e o Fim do Ano, através da qual parece que os empregados não concordam com a privatização da Companhia. Também não dizem onde vão buscar os, números redondos, mil milhões de Euros que devem e para os quais, na minha maneira de ver, de alguma forma terão contribuído.

Esta greve parece-me revestida de um total desprezo pelos interesses de quem trabalha lá fora ou, simplesmente, deseja aqui vir em época festiva, para além de que me suscita sérias cogitações sobre a legitimidade de uma greve apenas porque os empregados não concordam com decisões de fundo sobre a privatização de uma empesa estatal falida. A menos que os empregados dessa empresa achem que os seus concidadãos têm a obrigação de lhes pagar as contas. Mas fundamentalmente, fica-me esta profunda dúvida sobre a legitimidade e legalidade dos vários fudamentos das greves. Não é bem esta a ideia que tenho - esta de fazer greve porque os empregados não querem que as empresas sejam privatizadas.

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quarta-feira, dezembro 10, 2014

As boas práticas, a saúde, o homem novo, a comida nova, a TAP nova ( 2 )


[5197]

Cheguei a Lisboa anteontem, num voo de médio curso. Um dos assistentes (agora praticamente todos de barba, daquela barba de três dias que cada vez mais nos liga aos «cavalos de Deus») anunciou a lengalenga do costume e, pelo meio, disse que nos ia ser servido um almoço. Eu até estava com fome, na véspera tinha feito um voo de onze horas e não havia comido grande coisa. E foi com alegria que vi surgir o carrinho. E sabem o que me deram? Eu explico:

«- Pão nórdico (49%), farinha de trigo, água, farinha de centeio, xarope de glucose, sacarose e frutose, fermento, açúcar, glúten de trigo, óleo vegetal, fibras de beterraba, sal, emulsionantes (E471 e E472), fermento em pó (E503), açúcar de uvas, agente de tratamento da farinha (E300), enzimas, salmão fumado (20,3%) (salmão da Noruega, sal, açúcar e fumo de madeiras nobres), queijo Filadélfia (6,5%) (leite, nata, concentrado de proteína de soro de leite e vaca, cabra e ovelha, sal, estabilizadores E410, E412), ácido cítrico, conservante (E200), fermentos (lácteos), tomate, coentros, rúcula, sumo de limão (limão, ácido cítrico, conservante (metabissulfito) de potássio). Contém trigo, ovo, leite, glúten e sulfitos»

Resumo: 123 g de duas fatias dum biscoito meio cinzento, mais ou menos do tamanho do meu celular, com uma fatia de salmão lá dentro. Ao lado, uma garrafinha mais pequena que a maioria dos perfumes da Chanel contento sumo de maçã da Compal e um guardanapo, não vá a gente babar-se com a gula. Claro que fiquei cheio de fome mas satisfez-me ficar tão cientificamente informado sobre o que comi. E devidamente avisado sobre a presença de cada um de vários componentes, não vá eu ser alérgico. Para além de que eram rigorosamente 123 g de pão nórdico, não 124 nem 122. Certamente que consultaram uma nutricionista para determinar o tamanho e peso de tão opípara refeição.

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Notas de viagem ( 1 )



Lulas suicidas em S. Tomé  - 26/11/14

[5196]

Eu viajo um bocado, normalmente aceito com naturalidade vários episódios que me envolvem durante as viagens e raramente faço registo deles no blogue.

Desta vez, porque passei por, «xacaver», seis países e porque se multiplicaram alguns episódios dignos de registo e porque cheguei a Lisboa e ainda estão no Sócrates e no Espírito Santo, vou abrir uma excepção e registar alguns deles.

Em S. Tomé passei ao longo da marginal e vi… muitas centenas de pessoas cantando alegremente ao longo do areal, apanhando qualquer coisa que, parada a viatura, vi serem lulas. Não os «da Silva», lulas a sério. E quedei-me por ali, assistindo a um verdadeiro suicídio em massa, no qual muitas centenas (milhares???) de lulas se deixavam arrastar nas águas mornas são-tomenses para virem, resignadamente, morrer à praia. Os passantes apanhavam-nas com sofreguidão e, segundo me contaram, cortam-nas em pedaços e salgam-nas.

Este episódio acontece duas a três vezes por ano. Segundo os locais, isto deve-se a grandes cardumes de tubarões que passam periodicamente ao largo e dos quais as lulas preferem escapar para não serem comidas pelos tubarões e serem, ao invés, comidas pelos homens.

Fica a ideia de que há, em África, terras abençoadas, onde até a comida vem ter connosco. Já uma vez vi chover peixe em Moçambique, ocorre-me uma barracuda suicidária que me saltou para dentro do barco enquanto eu me entretinha a tentar içar um «yahoo», entre outras recordações de abundância e prodigalidade que talvez expliquem muita coisa em África.

Desta vez foi lulas a dar à costa e não são umas lulas quaisquer, como se pode ver pela foto que eu próprio tirei. São bichos para quatro ou cinco quilos. Uma versão mais científica (no caso, colhida junto do nosso corpo diplomático do local) indica diferenças termais muito sensíveis no mar, as lulas baralham-se e correm para o suicídio.

Seja o que for, fica-me a ideia de que quando pensamos que já vimos tudo há sempre qualquer coisa de novo para ver.

Já agora: Falando de mar, um apontamento de 2006.

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