segunda-feira, janeiro 11, 2016

As irritações boas e as irritações más



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Eu acho extraordinário o escarcéu que se gerou por aí porque Marcelo Rebelo de Sousa se irritou (foi o termo mais usado) com Sampaio da Nóvoa. No que me diz respeito, acho mesmo que Marcelo demonstrou uma notável contenção em face da mesquinhez e do estilo rasteiro dos argumentos de Sampaio da Nóvoa. Mas dando de barato que parece ser de bom-tom as pessoas não perderem a fleuma em momentos tão elevados como os debates para as (nossas) presidenciais, há que registar como há a irritação boa e a irritação má. Como em tudo o que mete as benfeitorias do socialismo e as malfeitorias do «fascismo». Por isso, atentos veneradores e obrigados, os artífices da opinião pública, vulgo comunicação social, vão dando conta das irritações boas, mesmo que elas configurem pura má-educação ou um lamentável e complexo «feitio» de gente que acha que tem prerrogativas que lhe foram concedidas por um respeitável passado antifascista.

O Expresso, por exemplo, vai passando uma galeria de indignações, das boas, como esta. E como tal devem ser tomadas como reacções intrínsecas aos dotados das práticas dos bons costumes e da bondade de espírito. Por isso, Soares pôde berrar com um pobre GNR e as pessoas digerem um misto de respeito e consolo por ter tão insignes figuras que se indignam assim, com a nobreza e fibra do «homem novo», no «tempo novo». Já Marcelo, irritado mas claramente nos limites da decência e do respeito pelo próximo, foi amplamente remetido para a ralé política. Porque se zangou, porque se irritou, mesmo que isso tenha acontecido com uma das mais irritantes criaturas como Sampaio da Nóvoa. Acresce que, pela calada, é partidário de Durão Barroso, Cavaco e Passos Coelho, hoje por hoje perigosos representantes da camarilha fascista que luta denodadamente pela manutenção do tempo velho.



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sexta-feira, julho 24, 2015

Está-nos nas tripas


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Onze horas de voo sem escalas trazem-me de regresso a Portugal. E por muito que eu tentasse abstrair-me do facto, não houve como consegui-lo. Uma tripulação masculina com aquela barba que se usa agora, uma barba de cinco dias que nem é barba nem é barba por fazer e que é a imagem de marca do homem (português) novo, avisou-me que estava de volta à paróquia. Ainda fiquei à espera que a tripulação feminina usasse, pelo menos, um buço apresentável, mas não aconteceu. Tirando a barba, tenho de registar a eficiência e simpatia dos barbudos e alguma «coqueterie» delas, sempre benvinda.

Onze horas sem escala passaram com normalidade e com o conforto de poder escolher entre cerca de quarenta filmes e uma refeição sofrível mas comível. Mas a achegada a Lisboa despertou-me de novo para as realidades de um país malcriado. Na fila e guichet para apresentação dos passaportes, para aí uns quinze, subdividida em passageiros da Europa e outros, estava UM ÚNICO oficial do SEF carimbando os ditos. Naturalmente que poucos minutos depois a bicha de europeus e não europeus era uma, una e indivisível apenas desfeita de cada vez que cada uma daquelas famílias, cheias de saris e de filhos, cumpria as formalidades.

Eis que aparece um segundo oficial do SEF a quem fiz ver a inadmissibilidade de haver apenas um funcionário para toda aquela gente (cerca de 250 pessoas). O SEF respondeu-me com aquela truculência em uso nesta repartição, dizendo que a culpa não era dele. Eu que me queixasse ao primeiro-ministro. Não me contive e com a polidez que o meu pai me inculcou de pequenino, disse-lhe que lamentava este cartão de visita. Dizer alto e bom som que a culpa era de Passos Coelho. E disse-lhe mais. Que ainda que o fosse, ele tinha a responsabilidade de apresentar desculpas e reclamar lá pelas «vias competentes» (se há coisa em que somos exímios é em vias competentes) sobre fosse o que fosse que fazia com que houvesse um funcionário para uma longa lista de guichets às moscas. Disse-lhe que estava a fazer um mau serviço, sem respeito por hierarquias, sem respeito pela instituição que serve, sem respeito por aqueles que lhe pagam o salário. E, ainda, por aqueles que pagaram um bilhete e passagem aérea para serem servidos com competência e eficiência. E, já agora, com educação.

O homem surpreendeu-me, ao começar a bater a bola baixo Talvez tenha pensado que eu era alguém da «nomenklatura». O que abona a minha opinião de que somos, em geral, cobardes, apenas picados pelo vírus da truculência e do desrespeito pelas instituições. Assim «à la mode» de Soares, criatura malcriada e com imenso espírito socialista quando berrou com o polícia que pedia documentos a um viatura onde ele se encontrava.

Portugal igual a si próprio.

Nota: Episódio a 20/7/15 cerca das 18:15


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sexta-feira, janeiro 02, 2015

Todos os dias



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Isto é quase todos os dias. Não falta muito para se começarem a ouvir as vozes do costume (provavelmente ainda em ressaca do champanhe do fim do ano) a clamar contra a Itália em particular e a União Europeia em geral, apontando as deficientes condições e eficiência em resgatar estes infelizes. O que eu não ouvirei, porque nunca ouvi antes, será vozes que vituperassem os líderes e as políticas que originam estes movimentos maciços de refugiados que diariamente tentam chegar à Europa. Mesmo debochada, laica, imperialista, decadente e amoral. Pelo contrário, não tardará uma versão revista e renovada do coro do costume onde nem o Papa, lesto, se furtou a acusar as autoridades e as instituições europeias, clamando mesmo por vergonha, num passado recente.

Que o novo ano traga algum bom senso a esta situação trágica e que se ponha em prática meios persuasivos firmes (não sei quais, mas os líderes políticos têm obrigação de saber), que aliviem este drama. E já agora que não excluam a evidente possibilidade de no meio de tantos infelizes viajarem agentes de uma bem organizada urdidura terrorista, prontos a colaborar na extirpação e aniquilamento dos cães infiéis. Sei que dá trabalho e originará a berraria da clientela do costume, mas talvez não fosse, de todo, despiciendo.

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segunda-feira, novembro 18, 2013

Feeling blue

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Até os gansos... Mesmo «C».

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segunda-feira, novembro 11, 2013

Banditismo


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Pondo-me, pouco a pouco, em dia com a actualidade, após uns dias de retiro, vou tropeçando nos factos do costume. Onde não faltaram as tropelias de Soares, uma figura mais ou menos sinistra para qualquer português com mais de sessenta anos e a que a comunicação social continua a achar imensa graça e interesse.

Desta vez Soares acha que Cavaco pertence ao bando. Será, assim, um bandido. Cavaco faz bem em não recalcitrar. Porque isso é que o Soares quer. E a melhor maneira de ele se ir reduzindo à sua desejável e rápida «anodinização»  é não lhe «passar cavaco». Mas que é lamentável ter de continuar aturando a sua gritaria idiota, é.

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terça-feira, outubro 29, 2013

Repulsa


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Já uma vez me repugnou ver a arrogância de M.M. Carrilho quando, após um debate com Carmona Rodrigues, recusou ostensivamente apertar-lhe a mão. Depois, ao longo dos anos, o homem foi passando mais ou menos despercebido, apesar das referências laudatórias do João Gonçalves à criatura.

Agora revela-se um sujeitinho repugnante e viscoso. Tudo o que ele diz da mulher, na vil apascentação da voragem da comunicação social, é absolutamente asqueroso. E um pouco mais de respeito pelos próprios filhos não lhe ficaria mal.

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sexta-feira, julho 19, 2013

Uma autêntica verruga da democracia e da liberdade...




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Uma vez mais Mário Soares, desta vez acolitado por Manuel Alegre e devidamente coberto pelo sinuoso Vítor Ramalho, soltou umas diatribes, pelas quais Seguro ficou a saber como é, no caso de as decisões dele não serem as que Soares quer. De resto, em linha com a conduta habitual de Soares, muito egocêntrica, arrogante, malcriada (ver o registo do tom em que ele avisa Seguro) é bem reveladora de como este homem nunca soube lidar com a liberdade, servindo-se dela para alcançar os seus fins e, mais importante, poder exercer o direito às bravatas imbecis a que ele nos habitou. Nos intervalos da sua irresponsável acção como governante e negociador, raiz da desgraça que açoitou milhares de pessoas.


Neste caso particular, nem interessa saber se Seguro deve fazer o acordo ou não. O que interessa é ver como Soares acha que deve ser. E como acha que o que ele acha não pode nem deve ser achado de forma diversa por mais ninguém. Acho eu.
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quarta-feira, julho 17, 2013

Engraçadismo ordinareco


[4935]

Os portugueses têm um excelente sentido de humor. E têm, sempre tiveram, grandes humoristas. Por isso, os portugueses não merecem que de vez em quando apareça alguém que acha que tem imensa graça mas que mais não consegue que revelar uma nota de mau gosto e deplorável grosseria. E transformar uma presumível chalaça numa «chachada» sem graça, ordinareca e que mostra bem vir de quem vem.

A chachada releva da capa do Jornal de Notícias de hoje e teve imediata repercussão nas redes sociais, como era de esperar. Já li por aí que «isto só acontece a quem não se faz respeitar». Deplorável.
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quinta-feira, junho 27, 2013

De volta. Coisas más e coisas boas



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Nunca estive dezasseis dias sem escrever um post. «Inho» que fosse. Mas desta vez deu-me para aqui. Algumas vezes me sentei para escrever uma linha mas havia sempre uma força estranha a encarreirar-me para as teclas do costume. O que já cansa. Cedo, quiçá por preguiça, e faço uma súmula dos assuntos que mais me sensibilizaram, para o bem e para o mal, desde que saí da«oficina».

PATETICE.- A patetice é um fenómeno. Não é propriamente uma substância. Mas existe. Tal como a sarna, a caspa ou o pé-de-atleta. A diferença é que se para os últimos podemos usar um acaricida, um champô ou um fungicida, já a patetice não tem tratamento possível. A solução é ignorá-la, ao contrário do que faz a generalidade da nossa comunicação social que, pateticamente, dá guarida às patetices diárias de Mário Soares. As enormidades que produziu sobre Dilma e o Brasil ultrapassam tudo o que a paciência à patetice pode comportar.

SINDICATOS.- Alguém se lembrou de questionar quanto é que nos custam os sindicatos. Caiu o Carmo, a Trindade e deve ter caído mais coisas a gente que eu até leio com prazer e regularidade como Vasco Pulido Valente, que aproveitou para dar uma sova à rapaziada das «jotas». Melhor, aos «jotas» do PSD, já que bater no PSD é o desporto nacional corrente. Por entre tanta gente escandalizada fiquei, porém, por saber quando é que nos custa ter MILHARES de sindicalistas a viver do erário público. A isso parece-me que ninguém respondeu cabalmente. Apenas se zangaram imenso, não percebi foi bem porquê.

BRASIL.- É fácil escalpelizar agora a bolha que rebentou no Brasil. Difícil era fazê-lo antes, quando muita gente de boa fé atingia o Nirvana com Lula, Dilma e correlativos. Uma vez mais, para esta ínclitas criaturas, se estabeleceu uma raia bem nítida entre os corruptos maus, os «fassistas» de direita, e os corruptos bonzinhos, aqueles que se abotoam com umas massas mas são muito bons para os pobrezinhos e se interessam imenso pelo povo. Muito se escreveu sobre os acontecimentos no Brasil, curiosamente a esquerda inteligente «martelo-pilão» do FB não se manifestou muito. Por mim, esta crónica do FJV diz tudo. E bem.

PROFESSORES.- Tenho tantos amigos e familiares professores que me arrisco a levar um estalo. Mas não há como aceitar esta cada vez mais na mesma situação em que os nossos professores se mantêm, no quentinho e na zona de conforto, como se a nobreza da sua missão fosse diferente de outras profissões e merecesse, por isso, tratamento especial. Não é aceitável. O cume da repugnância, na parte que me toca, foi o boicote aos exames, sem qualquer respeito por alunos que para eles estudaram e se prepararam. A outra parte repulsiva é a facilidade com que a maioria (ao que parece) da classe se encosta a um comunistóide encartado (toda a diferença para um comunista convicto), com o ego do tamanho de um mamute da Sibéria e se entregue aos desígnios de gente como Mário Nogueira. Uma parte final, de preocupação, é a de que com professores assim, não sei que «tipo» de jovens «fabricamos» para entrarem nas universidades. Mas isso não se deve só aos professores obtusos que insistimos em ter e pagar.

SPORTING.- Estou mais animado. E mais não digo.

COISAS BOAS. – Sem dúvida o facto de eu poder voltar a correr, caminhar e entregar-me a esforços vários sem ter uma manápula a apertar-me o gasganete e a espetar-me um escopro nas artérias coronárias. Fica aqui uma palavra encomiástica para o nível de competência e humanismo do corpo médico e de enfermagem do Hospital de Santa Marta. A segunda coisa boa foi a estrondosa vitória de Michelle Larcher de Brito ontem, em Wimbledon, batendo a excelente russa. A menininha vive nos USA, mas tem raízes na A. do Sul (apesar de ter nascido em Lisboa) e tem um ADN da antiga Nova Lisboa. Por isso me deu uma particular alegria, a genica e a técnica daquela miúda. Quanto aos gritinhos… bom… cada qual grita pelo que gosta. E, vistas bem as coisas, tanto guinchava ela como a Maria!


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