segunda-feira, janeiro 11, 2016

As irritações boas e as irritações más



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Eu acho extraordinário o escarcéu que se gerou por aí porque Marcelo Rebelo de Sousa se irritou (foi o termo mais usado) com Sampaio da Nóvoa. No que me diz respeito, acho mesmo que Marcelo demonstrou uma notável contenção em face da mesquinhez e do estilo rasteiro dos argumentos de Sampaio da Nóvoa. Mas dando de barato que parece ser de bom-tom as pessoas não perderem a fleuma em momentos tão elevados como os debates para as (nossas) presidenciais, há que registar como há a irritação boa e a irritação má. Como em tudo o que mete as benfeitorias do socialismo e as malfeitorias do «fascismo». Por isso, atentos veneradores e obrigados, os artífices da opinião pública, vulgo comunicação social, vão dando conta das irritações boas, mesmo que elas configurem pura má-educação ou um lamentável e complexo «feitio» de gente que acha que tem prerrogativas que lhe foram concedidas por um respeitável passado antifascista.

O Expresso, por exemplo, vai passando uma galeria de indignações, das boas, como esta. E como tal devem ser tomadas como reacções intrínsecas aos dotados das práticas dos bons costumes e da bondade de espírito. Por isso, Soares pôde berrar com um pobre GNR e as pessoas digerem um misto de respeito e consolo por ter tão insignes figuras que se indignam assim, com a nobreza e fibra do «homem novo», no «tempo novo». Já Marcelo, irritado mas claramente nos limites da decência e do respeito pelo próximo, foi amplamente remetido para a ralé política. Porque se zangou, porque se irritou, mesmo que isso tenha acontecido com uma das mais irritantes criaturas como Sampaio da Nóvoa. Acresce que, pela calada, é partidário de Durão Barroso, Cavaco e Passos Coelho, hoje por hoje perigosos representantes da camarilha fascista que luta denodadamente pela manutenção do tempo velho.



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quarta-feira, abril 25, 2007

Irritações

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Se uma pessoa
pode escrever como lhe der na real gana, malbaratando regras gramaticais e fazendo alarde do arbítrio dos seus apetites, designadamente na aplicação de maiúsculas, porque carga de água é que um deputado do PSD não pode usar o casaco que lhe apetecer ou que julga lhe fica bem?

E porque é que um casaco de mau gosto leva
a senhora de Glória Fácil a irritar-se tanto com o epíteto senhora de (situação aliás bem destrinçada pela Helena Matos no Blasfémias) que até se preocupa em saber quem é que escreve estas merdas? Ou a embirrar com a presença do Cardeal Patriarca na Assembleia da República e, por via disso, achar que o João Miranda produziu uma lamentável aleivosia e manifestou a sua pequenez e revelou o seu carácter e o seu pensamento?

No fundo, do que se trata é da habitual superioridade da esquerda e da sua intratável incapacidade de acatar o jogo democrático. Tenha a ver com o gosto por casacos de deputados da direita ou com a irritação de um primeiro ministro que não suporta críticas e as acha uma forma de permanente botabaixismo.

E porque é que estou a falar nisto se não tenho nada a ver com estas merdas?

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