segunda-feira, dezembro 31, 2012

Figura portuguesa do ano


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É minha profunda convicção de que um dia este homem será recordado pela sua extraordinária competência e seriedade que colocou ao serviço do interesse nacional, para resgatar o país do pântano trágico em que os suspeitos do costume o colocaram. Além disso, tem demonstrado uma notável elevação pela forma como lida com uma oposição medíocre, trauliteira e incompetente.

Quando a história fizer justiça a este homem, o patético cortejo de críticos que se entretêm a zurzi-lo em jeito de desporto nacional cobrir-se-á de um imenso ridículo. Mas a memória é curta, a estirpe desta gente é dúplice e nessa altura já descobriram mais alguém como fonte inspiracional do seu desatino e toleima.

Não sendo meu hábito fazer referências nem panegíricos, não reprimi o impulso de considerar este homem como a figura nacional em 2012.
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sexta-feira, dezembro 21, 2012

Porque é que as coisas simples são tão difíceis de ser entendidas?


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«…Como toda a gente sabe, a Constituição da República Portuguesa foi feita num clima de pré-guerra civil, que não permitia uma discussão sensata e moderada sobre o que ela devia ser para servir e não ofender o país. Pior do que isso: a Constituição foi feita sob a pressão do MFA, do PCP e de várias facções de revolucionários, que chegaram a acercar a Assembleia e agredir uns tantos deputados. E, como se isto não chegasse, tirando a esquerda e uma pequena parte do PS, foi feita com os votos de gente sem a mais vaga experiência política, que o conformismo indígena levou a concordar com tudo, ou quase tudo, que o Dr. Cunhal e os comunistas lhe resolviam apresentar. Progressivamente, as revisões de 1982 e 1989 removeram uma dúzia de aberrações, com as quais, nem o Estado, nem a economia podiam funcionar…»

O resto deste artigo de VPV pode ser lido na edição papel no Público de hoje.
Fica a esperança de que a outra dúzia de aberrações seja removida ainda a tempo de as gerações actuais começarem a achar que «é assim» e que não há nada a fazer. E, entretanto, pode ser que o PS deixe de cavalgar esta forma de protagonizar a oposição, ponha a mão na testa e perceba que os socialistas seriam muito mais considerados e respeitados se se dispusessem a corrigir uma Constituição que continua a ser um considerável empecilho ao nosso progresso, bem-estar e justiça social.
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sábado, dezembro 10, 2011

O orgulho imaterial dos portugueses




[4486]

Anda o país alvoroçado com a perda de soberania decorrente da dívida soberana, das «malfeitorias» de Merkel e Sarkozi, da malandrice dos países ricos que não querem emprestar aos pobres para os pobres poderem continuar a comprar telemóveis, play-stations, férias em Punta Cana ou sapatilhas da Vans Dots; e do orgulho ferido por nos ameaçarem com sanções se não cumprirmos com aquela criancice de pagarmos o que devemos, como o nosso avozinho nos ensinava ser de bom-tom, ao mesmo tempo que ninguém ainda reparou que o país vai parar logo virtualmente pelas 21 horas para ver o grande embate entre o Real Madrid e o Barcelona.

Convenhamos que em termos de orgulho pátrio, só a equipa do Real Madrid apresenta mais jogadores portugueses que o Porto e o Benfica todos juntos (o Sporting é a reconfortante excepção), mas pensar que aquele desafio se desenrola ao mesmo tempo que dois jogos importantes da «Liga Sagres» (um do Porto e outro do Sporting) é caso para fazermos uma excursão a Guimarães e rezarmos um acto de contrição ao campo da batalha de S. Mamede e queimarmos algumas efígies da duquesa de Mântua.
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segunda-feira, agosto 22, 2011

Uma sensação agradável




[4390]

Jorge Carlos Fonseca é o novo presidente da República de Cabo Verde.

Candidato independente com o apoio da Oposição (MdP – Movimento para a Democracia) nasceu em S. Vicente, licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tem uma activa participação no meio universitário português, lê «A Bola» desde os nove anos, é do Vitória de Setúbal, fala português correcto, a par do crioulo e acha que o cabo-verdiano sofre da síndrome dos extremos. A do «coitadismo», achando que tudo de mal lhe acontece, desde a seca e à insularidade, ao «melhorismo do mundo», mostrando, assim que conhece bem os terrenos que pisa.

Eu, que nem sou destas coisas, deixei-me invadir por uma sensação estranha. Um presidente que fala português escorreito, jurista licenciado por uma universidade portuguesa de prestígio, que lê «A Bola» e é do Vitória de Setúbal, presidente de um país cujos cidadãos tão depressa acham que são uns «coitadinhos» como são os «melhores do mundo e arredores» tem um conjunto de indicadores que me faz pensar e acreditar no velho aforismo de que Portugal deu novos mundos ao mundo. Pena que o mundo que nos demos a nós próprios nem sempre seja lá «essas coisas».
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quarta-feira, abril 06, 2011

O último reduto?

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Este último episódio de ver um Conselheiro de Estado a acusar outro Conselheiro de ser mentiroso, virem depois mais dois Conselheiros desmentirem o primeiro e aparecer ainda um outro a confirmar que sim, que o segundo Conselheiro mentiu mesmo é o fim de uma história triste, de personagens tristes e, sobretudo, indignas de permanecerem no seio de uma instituição que, na eventualidade, ainda era a que me incutia o maior respeito.


Mas, pensando bem, um Conselho é constituído por Conselheiros. E quando de um lado temos Sócrates, Almeida Santos e aquela figurinha patética de Carlos César e do outro temos Bagão Félix e António Capucho, eu peço licença para não ter muitas dúvidas sobre de que lado está a verdade. Em todo o caso, vir lavar a roupa cá para fora… só mesmo numa legislatura desgraçada e vergonhosa como esta que atravessamos.

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sexta-feira, outubro 29, 2010

O meu otorrino é melhor que o teu. E eu é que sei onde é que se come o melhor leitão na Mealhada


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Quem conhece um «otorrino» melhor que o nosso? Ou dentista? E o ortopedista, onde a avó foi quando fracturou o fémur, não é o melhor da península? Já a mãe foi operada às cataratas no melhor oftalmologista de Portugal. Formado em Lisboa, mestrado em Barcelona, doutorado em Philadelphia. E o carro anterior ao que temos agora que foi vendido com 400.000 km e nunca teve qualquer avaria? De resto as revisões eram sempre feitas num mecânico que era, naturalmente, o melhor mecânico da grande Lisboa, um especialista. Em restaurantes, a coisa fia mais fino. A Mealhada tem os dez melhores restaurantes de leitão em Portugal. Só pode, porque dez dos meus amigos conhecem o melhor restaurante da Mealhada, lá onde o leitão é o melhor. A loja onde vamos buscar o frango assado ao domingo é, também, a melhor. Juntamente com cinquenta outra lojas, já que cinquenta pessoas me disseram que a churrasqueira onde compram o frango é o melhor da zona. Não posso esquecer também o cliente do Pingo Doce que tem a certeza que a carne do Pingo Doce é a melhor de todas as grandes superfícies. Mas o cliente do Jumbo diz que não. Lá é que a carne é boa. Pelo menos até aparecer o cliente do Modelo Continente que afiança comprar lá a melhor carne do mercado. O português conduz também o melhor carro existente na praça. Não tem avarias, pegou sempre todas as manhãs e a única chatice que teve foi aquele toque que sofreu por causa da besta cavalar que o abalroou. Valeu-lhe ele ter o carro segurado na melhor companhia de seguros portuguesa, a mais dinâmica, a mais séria e a mais rápida. Nem o popular Fernando Mendes resiste ao anúncio em directo sobre a excelência de um tal Dr. Póvoas a emagrecer gordos como ele. Há cinco anos que o oiço, cada vez mais gordo, a cantar as excelências desse tal Dr. Póvoas a emagrecer gente. Um pouco como o nosso tio que garante que as termas de S. Pedro do Sul são, de longe, as mais eficazes. Tratam tudo. O fígado, a coluna, a pele, as artroses, a rinite alérgica e a caspa. As águas são tão boas, o efeito é tão benéfico que ele vai lá todos os anos, durante os últimos trinta anos, e cada vez se sente melhor. Claro que temos um amigo que diz que Caldelas é que é bom e que o Vimeiro… uau… um especialidade.

Resumindo. O português é um homem feliz. Conhece o melhor de qualquer ramo. Porque para o melhor, ele, existe sempre o melhor. Que ele descobriu, conhece e cultiva como a flor viçosa e perene da idiossincrasia nacional.

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quarta-feira, outubro 20, 2010

Complicadex


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Se, olhando para uma manada de vacas, nos perguntam quantas vacas tem a manada, sabe-se bem que a nossa tendência é a de contar as patas e dividir por quatro. Não porque sejamos estúpidos, mas porque somos possuídos por uma estranha síndrome de «complicadorismo» idiota que nos advém eventualmente do pequeno manga-de-alpaca que há em nós. Porque um manga-de-alpaca é o exemplo acabado do cumpridor de tarefas, bem reguladas, bem enquadradas numa esmiuçada legislação (sempre a precisar duma revisão para se lhe adicionar uma alínea), logo isenta de grandes responsabilidades e, não menos importante, garante de uma remuneração certinha ao fim do mês e para a vida. Se no topo pudermos acrescentar uma pitada de «poder» aí estamos nós, então, realizados e felizes, usando-o de uma forma discricionária e, frequentemente, injusta. Mas tudo vale pelo prazer indizível de nos satisfazermos a nós próprios com o gozo que a pitada de «poder» nos dá. E complicar é o reflexo inegável do uso discricionário do «poder» por quem a ele não está habituado.

Isto explica muita coisa. Sobretudo o sistema «complicadex» que imprimimos a tudo em que nos metemos. Por muitos «simplexes» que inventemos, Por isso, esta notícia não admira ninguém. Sob o estimado pretexto de pensarmos na poupança, dispensando portageiros, “engendrámos” o mais complicado e caótico sistema de portagens que alguém possa imaginar.

Nada disto seria muito grave se não revelasse, para além da nossa idiossincrasia aplicada ao caso vertente, um profundo desrespeito pelas pessoas. Logo nós, que nos fartamos de pensar nas pessoas, como nos ensina a esquerda elegante.
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quinta-feira, setembro 03, 2009

Uma breve reflexão sobre cidadania


[3336]

Causa-me alguma impressão o prurido nacional que grassa aí pelo mundo da bola, relativamente à nacionalidade concedida ao jogador Liedson. Na rádio e na televisão multiplicam-se as considerações nacionalistas sobre a necessária preservação da nossa identidade na arte do pontapé na bola. Com mais ou menos empenho, tenho assistido a verdadeiras peças de retórica que, se usadas noutros sectores da nossa sociedade, seriam, no mínimo, apelidadas de racistas e xenófobas. Já no futebol, é diferente. O futebolista luso tem características inatas que importa preservar, segundo os nossos especialistas do ramo.

Ocorre-me que a salvaguarda dos valores nacionais, culturais, éticos, étnicos, tradicionais e outros que enformam o que se entende pela cultura de um povo deve estar a cargo de quem tem em mãos o poder de legislar sobre a matéria. Por outro lado, uma sociedade onde os valores essenciais de um povo são rigorosamente preservados cabendo aos imigrados integrarem-se nesses valores, conduzirá a que quem quer que seja que peça a nacionalidade portuguesa se sinta legitimamente português e não um permanente estrangeiro, que obteve a nacionalidade meramente para fins de legalização da sua situação. Por isso é que os americanos são americanos, independentemente das suas diferentes raízes. Da Irlanda ao México, do Quénia a Portugal. Já em Portugal, diria que na Europa em geral, o que continuamos a ter é muitos grupos de diversas origens que, não as ajustando no essencial aos valores do país que resolveram eleger como o seu, vão contribuindo alegremente para o fetiche corrente da esquerda modernaça e que dá pelo nome de multiculturalismo. Em desfavor da desejável integração.

Liedson é português. Legalmente preencheu os requisitos necessários a que lhe fosse concedida a nacionalidade. Se é português não vejo a razão para todos estes bruááás em relação á sua chamada à selecção nacional. Se alguma coisa está mal, discutam-na em sede própria. Mas não o venham fazer agora da forma que o fazem. Para não falar na distinta possibilidade de o homem se sentir tão condicionado com a situação que acabe por não conseguir marcar nem um dos golos que os outros jogadores, que já lá estavam, não conseguiram marcar até aqui.
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quinta-feira, abril 16, 2009

Siglas, utentes e feitios

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Gostamos imenso de siglas e associações e são lestos muitos os que se aprestam para chefiar, coordenar ou orientar tais associações. É muito nosso, muito associativo, muito “utentes”, mas nem sempre os resultados são os esperados. Por vezes, voluntariosos líderes de associações, frequentemente assessorados por advogados mais ou menos predadores, conduzem ingénuos cidadãos a situações complicadas, como esta que surgiu agora com a AFVTE-R (Associação de Familiares das Vítimas de Entre-os-Rios, chefiado por um senhor chamado Horácio Moreira), obrigada ao pagamento de cerca de €500.000 de custas de um processo que perderam em tribunal.
"Facilmente se conclui que os arguidos não praticaram os crimes de que vinham acusados, impondo-se a sua absolvição" , sentenciou o colectivo de juízes.

Não conheço bem os pormenores do processo mas tudo indica que o voluntarismo e protagonismo poderão ter tido muita importância nas intenções da Associação, sem cuidarem do rigor na instrução do mesmo. Agora, a decisão do tribunal está tomada e gera-se o clamor do costume.

"Num estado dito de Direito, é inconcebível que o ónus da queda da ponte recaia unicamente nas vítimas e suas famílias. Neste caso, a justiça não funcionou" , frisou Horácio Moreira. Ora eu julgo saber que não é bem assim e que as famílias foram devidamente indemnizadas. Mas, como se sabe, há sempre um advogado e um senhor Horácio nestas coisas. E o resultado está à vista. Agora vão querer que o Estado (nós) pague as custas e sobre isso mesmo vão pedir a intervenção do Presidente da República. Não vejo bem porquê.
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quinta-feira, novembro 06, 2008

Milú

[2757]

Portugal também teve namoradinhas. Agora, é que nem por isso. Mas teve. Tinha. Eu era um miúdo mas recordo-me bem da languidez e expressão reverencial perante uma das, ao que parece, mais bonitas mulheres portuguesas – Milú. Mesmo o meu pai, homem de apurado sentido de família, mulher, filhos, papagaio, histórias, aventuras, passeios e família, muita família, deixava escapar um indiscretíssimo brilho nos olhos sempre que se falava da Milú. Ocorre-me outros nomes da minha infância como a Maria de Lurdes Resende, a Maria José Valério, Maria de Fátima Bravo, Maria Clara e alguns outros, mas quando se ouvia falar em Milú era como se uma almofada de silêncio e solene recolhimento caísse sobre os mais velhos. E eu, miúdo, lá ia entendendo que o fascínio não tem idade. E que a noção de winners e loosers, mais tarde emulado nos Estados Unidos, fazia a sua própria escola, afinal, em todos os países do mundo, como se pode ver neste vídeo em que a menina bonita, de viva voz e muita graça estilhaça o patinho feio cheio de plumas e voz ridícula, tudo no meio da gritaria e arruaça dos presentes.

Milú faleceu ontem, em Cascais. Fez escola e era, dizem, muito bonita. Não conheci ninguém que dissesse o contrário.



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segunda-feira, setembro 03, 2007

Mancha negra



[1988]

Tenho pena de vir distraído e não ter fixado o nome. Mas pareceu-me ser um dos organizadores de uma meia-maratona que vai haver em Lisboa. E esse organizador publicitava a prova, com toda a legitimidade, como é evidente, no Rádio Clube Português. E é aí que ele diz (palavras minhas, mas tão aproximadas quanto me posso lembrar): - E não é só atletas africanos… porque… bom, não é racismo, mas quando há muitos atletas africanos as pessoas olham só para aquela mancha negra e têm dificuldade em identificar os atletas (esta parte em itálico é ipsis verbis, mesmo).

Eu acredito que o senhor não seja racista. Tanto quanto cada vez mais me convenço que a maioria de nós tem uma tremenda dificuldade em se expressar. Absolutamente aflitivo…

(Rádio Clube Português, cerca das 19:30)
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