sexta-feira, junho 01, 2012

Patético e sem respeito

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Quando Carlos Zorrinho, uma grada figura do Partido Socialista se desmonta com um argumentário idiota a propósito do relatório do Tribunal de Contas sobre as trampolinices de Sócrates e sus muchachos (uma de muitas) e, não satisfeito, afirma, patético, lamentar que o Partido do Governo tente personalizar e afunilar o assunto e não queira saber a verdade (???!!!?) é um sinal bem claro de que este Partido Socialista é uma instituição nefanda, sem respeito por si próprio e, muito menos, pelos portugueses que, entre outras coisas, lhe pagam as contas.

Esta atitude de Zorrinho é condenável mas, mais do que isso, demonstra bem o quilate da gente a que estivemos entregues durante anos, para não falar já do antecedente guterrista. E a Procuradoria Geral da República, tão lesta noutros assuntos, parece anestesiada perante tamanha enormidade, ou é preciso fazer um boneco para que se perceba a «moscambilha»?
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quarta-feira, dezembro 14, 2011

Os «utentes» irritados e a democracia directa




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Os comunistas em geral são assim uma espécie de claque de futebol. Recebem ajuda, cantam-lhes promessas e como não sabem fazer mais nada vão para os estádios rebentar petardos, atirar bolas de golfe, encadear jogadores com laser e, quando perdem, deitam fogo às cadeiras. São uma parte ínfima dos sócios de uma colectividade desportiva, mas a demagogia e desonestidade dos dirigentes dos clubes fazem-nos sentir importantes e o resultado é conhecido.

Esta analogia ocorre-me por mor dos acontecimentos recentes na Via do Infante, onde grupos de «utentes» se entregam à orgia do descontentamento e do «reviralho». Em vez de queimarem cadeiras dos estádios e lançarem bolas de golfe, incendeiam os «caganissos» e disparam caçadeiras. Depois aparecem os Joões de Vasconcelos com o topete moralista de condenarem os actos de vandalismo, mas que os utentes têm razão para estar descontentes, têm. Porque a esquerda é assim. Dispõe de todo o equipamento das democracias, dá-se-lhes urnas para os votos, um parlamento, programas de promoção política e uma imprensa boazinha e, frequentemente, imbecil, mas como nada disso funciona, porque já não há pachorra para os aturar, têm de deitar mão das organizações populares e de «democracia directa» que, como se sabe, tem dado imenso resultado em países socialistas e que vai muito bem em fóruns da TSF, palestras e reflexões existenciais da maioria dos nossos «paineleiros» de rádio e televisão.

Numa reflexão mais detalhada eu até acho que a culpa não é destas comissões de utentes, incendiárias de paixões e moralistas na crítica aos resultados (a propósito, alguém me explica bem o que é uma comissão de utentes e qual o seu peso e natureza jurídicos? Até quando temos de apanhar com utentes por tudo e por nada?), a culpa é dos demagogos Cravinhos, Guterres, Sampaios e Sócrates do nosso descontentamento que andaram por aí a prometer SCUTS e deixaram para os vindouros a tarefa de descascar o abacaxi (e perdoe-se-me o termo dos nossos irmãos brasileiros, mas cai aqui tão bem…). Entenda-se saber onde vão buscar o dinheiro contratualizado com as concessionárias por várias gerações.

Eventualmente, esta coisa dos tiros e dos incêndios dos «caganissos» vai-se resolver. Até vir um outro governo socialista qualquer que borra a escrita toda outra vez… que é o que nos tem acontecido desde Mário Soares!
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segunda-feira, outubro 10, 2011

Os caganissos




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Sexta-Feira passada fui a Viana do Castelo e utilizei a A28 do Porto a Viana. Pelo caminho atravessei uns quantos pontos anunciados como portagem electrónica/electronic toll e umas luzes laranja intermitentes anunciavam que eu estava a ser devidamente registado como utilizador pagador. Sem saber bem como aquilo funcionava, continuei o meu caminho, accionando as tais luzes à medida que prosseguia a viagem.

À chegada à cidade perguntei a um amigo com quem almocei como é que aquilo funcionava, qual seria o procedimento, se a via verde era o suficiente, se era necessário fazer um pagamento diferenciado, confessei a minha ignorância. O meu amigo perguntou-me se eu me estava a referir aos «caganissos»… à minha pergunta «cagaquê»? Ele repetiu: «Caganissos, aquelas luzes que piscam à nossa passagem». Acontece que nesta parte do diálogo entrou uma terceira personagem e a conversa ficou por ali. Uns minutos mais tarde e porque se proporcionou, voltei à carga e tentei perceber o funcionamento das tais portagens electrónicas. A personagem recém-chegada perguntou: «Estão a falar dos caganissos?» Aí não resisti e perguntei que diabo de nome era aquele. Ao que ambos me responderam, com a maior naturalidade que «são os caganissos, ou seja, caga nisso, não te chateies que ninguém liga e eles estão entupidos com milhares de cobranças a enviar para os endereços dos donos das viaturas pelo que o melhor era mesmo cagar naquilo».

Percebi duas coisas. A facilidade com que pomos o nosso reconhecido humor ao serviço do nosso reconhecido défice de cidadania e a competência dos nossos responsáveis em adoptarem caminhos e procedimentos conducentes a essa mesma falta de cidadania. Sistemas complexos, confusos, luzinhas que piscam, falta de informação conveniente, pagamento a posteriore em pay shop, maquinetas que podem ser compradas nos correios, carregamentos com quantias mínimas quase sempre superiores à despesa da viagem de um dia e consequente notificação para a residência na falta de pagamento ao quinto dia após a viagem. Percebi ainda, ou tentei perceber, como é que um galego que lhe apetece ir ao Porto via Viana vai a um pay shop pagar uma dívida de cerca de €9, aos correios comprar uma maquineta ou como é que ele é notificado na falta de pagamento ao quinto dia.

Percebi, assim, com propriedade, a razão dos «caganissos» se chamarem «caganissos». Porque realmente parece que toda a gente se caga naquilo.
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quarta-feira, outubro 20, 2010

Complicadex


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Se, olhando para uma manada de vacas, nos perguntam quantas vacas tem a manada, sabe-se bem que a nossa tendência é a de contar as patas e dividir por quatro. Não porque sejamos estúpidos, mas porque somos possuídos por uma estranha síndrome de «complicadorismo» idiota que nos advém eventualmente do pequeno manga-de-alpaca que há em nós. Porque um manga-de-alpaca é o exemplo acabado do cumpridor de tarefas, bem reguladas, bem enquadradas numa esmiuçada legislação (sempre a precisar duma revisão para se lhe adicionar uma alínea), logo isenta de grandes responsabilidades e, não menos importante, garante de uma remuneração certinha ao fim do mês e para a vida. Se no topo pudermos acrescentar uma pitada de «poder» aí estamos nós, então, realizados e felizes, usando-o de uma forma discricionária e, frequentemente, injusta. Mas tudo vale pelo prazer indizível de nos satisfazermos a nós próprios com o gozo que a pitada de «poder» nos dá. E complicar é o reflexo inegável do uso discricionário do «poder» por quem a ele não está habituado.

Isto explica muita coisa. Sobretudo o sistema «complicadex» que imprimimos a tudo em que nos metemos. Por muitos «simplexes» que inventemos, Por isso, esta notícia não admira ninguém. Sob o estimado pretexto de pensarmos na poupança, dispensando portageiros, “engendrámos” o mais complicado e caótico sistema de portagens que alguém possa imaginar.

Nada disto seria muito grave se não revelasse, para além da nossa idiossincrasia aplicada ao caso vertente, um profundo desrespeito pelas pessoas. Logo nós, que nos fartamos de pensar nas pessoas, como nos ensina a esquerda elegante.
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domingo, junho 27, 2010

Trambique?


[3808]

Não falo mais nas SCUT. Considero esta questão um exemplo vivo da gestão danosa que o PS tem aplicado a esta empresa chamada Portugal e que submete a tratos de polé, em defesa de interesses pessoais de muitos dos seus próceres, descaradamente, impunemente, numa forma afinal só possível num pais em que a bovinidade geral é, assim, uma espécie de anticiclone a nordeste dos Açores que, juntamente com a Virgem Maria, nos vai protegendo das intempéries. E das guerras, já agora. Ou não traduzissem as SCUT a irresponsabilidade de um Guterres bonzinho e pateta e de um João Cravinho ladino que ousou afirmar in tempore que as SCUT se pagavam a si próprias e agora anda por aí a investir contra a corrupção, corruptos e correlativos. Devia ter decoro este João Cravinho. De Sócrates já nem falo. Porque me embaraça, porque me causa dispepsia, porque me causa a sensação conhecida daquele parente que levamos a uma festa e fala muito alto ou dá puns pelos cantos da sala e nós, discretamente, fazemos de conta que não conhecemos.

Mas tenho de referir que me faz uma certa confusão ver toda a gente entretida com os DEM e com a invasão da nossa privacidade, isto numa altura em que todos nós estamos bem «invadidos» e nalguns casos ainda temos de pedir desculpa por estar de costas, e se esquecem de que esta forma de pagamento é abusiva e atenta contra os mais elementares princípios de razoabilidade. Para os nacionais, obriga toda a gente a ter uma conta bancária operacional o que, contrariamente ao que muitos secretários de estado especializados em águas julgam, não é o caso. Alternativamente, há carregamentos pré-pagos como os telemóveis, mas o carregamento mínimo é de €50… se uma pessoa for uma vez por ano a Viana de Castelo, digamos que às festas da Senhora da Agonia, gasta cerca de €8. E os outros €42? Ficam para os cinco anos seguintes? Ou vai pedir o reembolso? Aonde? Quanto tempo perde? Há bichas? Há senhas de atendimento para receber o dinheiro de volta? Como é que funciona? Já para os estrangeiros, a coisa torna-se ainda mais caricata. Imagine-se que moro em Lisboa e vou uma vez por ano a Santiago de Compostela. Imagine-se que em Espanha há secretários de estado especializados em águas e que resolvem seguir o mesmo sistema. Lá vou eu… aonde? Comprar o DEM… mas aonde? Em Vigo? Tuy? Pontevedra?... e também pago € 50? E no regresso? Cansado e com pressa de chegar a casa vou buscar o reembolso aonde? A Vigo outra vez? Aonde? Aos correios? Ao mercado? E se for tarde da noite? Espero pelo dia seguinte? Ou venho para Lisboa e guardo o saldo para as minhas visitas nos cinco anos seguintes? Sendo certo que muito provavelmente deixei de ter vontade de ir a Santiago e passarei a procurar destinos onde possa pagar as portagens em dinheiro. É pôr as coisas ao contrário e fazer de conta que somos galegos de Santiago e queremos ir uma vez por ano às festas de A-ver-o-Mar.

Eu acho tudo isto de um abuso intolerável. Há quem pense que esta trapalhada se insere no quadro das trapalhadas habituais deste governo. Eu não acho. Eu acho que isto é tudo menos uma trapalhada. Habituado a desconfiar, já que este governo me foi dando, com frequência, motivos de desconfiança, eu acho que temos a burra nas couves, Eu acho que alguém está ligado já a alguém que por sua vez tem um filho que namora com a sobrinha de um boy que já não é boy, mas que tem um primo qualquer, provavelmente a aprender reiki no Peru, mas que deixou recado a um cunhado para receber um secretário de estado qualquer para avançar com o negócio dos DEM. Assim tipo good old Magalhães style! Ainda por cima é fácil de convencer os papalvos… basta dizer que a cobrança em dinheiro representaria custos da ordem dos € 470 Mio…

É por isso que eu acho tudo isto abusivo, intolerável e só possível num país onde a chico-espertice continua a ser a moeda de troca em primus interpares. Chiça!

Nota: Ler aqui, via Blasfémias, a forma de pagamento prevista para as portagens. Dá direito a foto do secretário de estado dos transportes, especializado em águas e que percebe imenso de portagens.

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quarta-feira, junho 23, 2010

Agora que nos dói o dente...


[3806]

Quanto ao pagamento das SCUT’s, em si, apetece-me dizer que é bem feito. Porque nos tempos que parecem já longínquos, em que o bonzinho Guterres prometia auto-estradas para toda a gente “à borla” para evitar a desertificação do interior e o não tão bonzinho João Cravinho emprestava um ar mais racional à coisa, dizendo que as scut´s se pagavam a si próprias (lembram-se???), o rebanho foi votar obediente nestes émulos da economia moderna, apesar dos avisos sérios de que pura e simplesmente tal não seria possível e que íamos empenhar as futuras gerações por mais trinta ou quarenta anos. Mas o povo gosta de pão, circo, futebol e auto-estradas de borla e foi a correr votar naquela rapaziada, ao som de Vangelis e dos ralhetes de Sampaio aos polícias.

A realidade obriga a que o Governo, agora, tome o caminho que era óbvio já há uns anos atrás, ou seja a velha máxima de que não há almoços grátis, só Guterres e Cravinho (e, provavelmente, alguma agência de comunicação) acreditavam. E fazer a grei pagar pela utilização de uma das mais vastas e eficazes redes de auto-estradas europeias.

O que me parece verdadeiramente bizarro é a ausência de portagens e portageiros. Para poupar dinheiro? Será… mas não é de prever uma grande atribulação com utilizadores ocasionais dessas estradas? Parece-me evidente que o famigerado «chip» pressupõe uma utilização regular dessas estradas e esquece aqueles que esporadicamente tenham necessidade de o fazer, obrigando-os, de resto, a cativar quantias (€50?) que poderão levar muito tempo até serem usadas.

A verdade é que gostamos muito destas coisas, somos especialmente atreitos ao uso e abuso da «tecnocracia» sem cuidarmos da burocracia ou dos efeitos secundários desta febre tecnológica. Temos, aliás, uma fronteira muito ténue entre a tecnocracia e o «mangadalpaquismo». Daí que me pareça um perfeito disparate e um abuso a obrigatoriedade do «chip». É preciso pagar portagem? Pois que ponham lá os portageiros e lhes paguem e os que não quiserem ir para a bicha que adiram à «via verde». Mas obrigar-nos, feitos bovinos em fila para marcar as orelhas, não.

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