terça-feira, fevereiro 14, 2012

Os utentes dos hospitais estão a ficar doentes

[4559]

Isto de estar a tomar o pequeno-almoço ouvindo distraidamente as notícias, ou seja, impreparados e de guarda baixa, pode ser perigoso. No momento exacto em que se sorve um golo de café, com a boca ainda a saber a um pãozinho com um bom queijo e ouvir a Carla Trafaria dizer que os utentes dos hospitais estão doentes…pode engasgar. Pelo menos àqueles que, como eu, mantêm um certo rigor tanto à forma de dar as notícias como à sensibilidade aos conceitos que se vão criando nesta sociedade. Utentes dum hospital… doentes. Isto excede largamente a minha capacidade de encaixe.

Em todo o caso fiquei a saber que «a linha» (agora mede-se tudo em linhas e em curvas) da gripe ultrapassou ligeiramente o cinzento (isto há-de querer dizer alguma coisa…), provavelmente devido ao frio que se vai fazendo sentir. A voz da Carla passa a voz de fundo e as imagens mostram várias mulheres muito encasacadas, apesar de banhadas por um sol radioso, dizendo… adivinhemos… que está muuuuuito frio. E a pergunta, inevitável e capciosa, surge. «E como é que faz»? Pois, «trazendo muitos agasalhos», dizem elas, rindo (o português ri sempre, seja qual for a pergunta).

Este tipo de reportagens, somando aos inúmeros alertas laranjas que por aí vão ajudam à ideia que tenho, de há muito, que somos mesmo um povo piegas. Mais, eu diria, mariquinhas pé de salsa. Porque num país abençoado como este, que nos oferece sol dias a fio, com temperaturas de 10 a 14 graus durante o dia, haver televisões que vão para a rua perguntar se temos frio e os alertas laranjas se sucedem, enquanto por essa Europa fora as pessoas sobrevivem (muitas morrem) entre metros de neve e temperaturas de muitos graus abaixo de zero, é … como dizer… no mínimo, idiota. E dizer que os utentes dos hospitais entretanto adoeceram (esta expressão, só por si, já é bem reveladora, utentes de hospital a adoecerem…) porque está frio, mas estejamos descansados porque a estirpe da gripe deste ano é susceptível à vacina, é revelador de uma autêntica esquizofrenia nacional.

E agora deixa-me ir ver se está tudo bem fechado, que tenho de ir trabalhar. Não vá ficar por aí uma greta aberta e eu logo apanhar uma pontada ou um choque «anafriolático»!
.

Etiquetas: ,

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Os «utentes» irritados e a democracia directa




[4490]

Os comunistas em geral são assim uma espécie de claque de futebol. Recebem ajuda, cantam-lhes promessas e como não sabem fazer mais nada vão para os estádios rebentar petardos, atirar bolas de golfe, encadear jogadores com laser e, quando perdem, deitam fogo às cadeiras. São uma parte ínfima dos sócios de uma colectividade desportiva, mas a demagogia e desonestidade dos dirigentes dos clubes fazem-nos sentir importantes e o resultado é conhecido.

Esta analogia ocorre-me por mor dos acontecimentos recentes na Via do Infante, onde grupos de «utentes» se entregam à orgia do descontentamento e do «reviralho». Em vez de queimarem cadeiras dos estádios e lançarem bolas de golfe, incendeiam os «caganissos» e disparam caçadeiras. Depois aparecem os Joões de Vasconcelos com o topete moralista de condenarem os actos de vandalismo, mas que os utentes têm razão para estar descontentes, têm. Porque a esquerda é assim. Dispõe de todo o equipamento das democracias, dá-se-lhes urnas para os votos, um parlamento, programas de promoção política e uma imprensa boazinha e, frequentemente, imbecil, mas como nada disso funciona, porque já não há pachorra para os aturar, têm de deitar mão das organizações populares e de «democracia directa» que, como se sabe, tem dado imenso resultado em países socialistas e que vai muito bem em fóruns da TSF, palestras e reflexões existenciais da maioria dos nossos «paineleiros» de rádio e televisão.

Numa reflexão mais detalhada eu até acho que a culpa não é destas comissões de utentes, incendiárias de paixões e moralistas na crítica aos resultados (a propósito, alguém me explica bem o que é uma comissão de utentes e qual o seu peso e natureza jurídicos? Até quando temos de apanhar com utentes por tudo e por nada?), a culpa é dos demagogos Cravinhos, Guterres, Sampaios e Sócrates do nosso descontentamento que andaram por aí a prometer SCUTS e deixaram para os vindouros a tarefa de descascar o abacaxi (e perdoe-se-me o termo dos nossos irmãos brasileiros, mas cai aqui tão bem…). Entenda-se saber onde vão buscar o dinheiro contratualizado com as concessionárias por várias gerações.

Eventualmente, esta coisa dos tiros e dos incêndios dos «caganissos» vai-se resolver. Até vir um outro governo socialista qualquer que borra a escrita toda outra vez… que é o que nos tem acontecido desde Mário Soares!
.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, abril 16, 2009

Siglas, utentes e feitios

[3065]

Gostamos imenso de siglas e associações e são lestos muitos os que se aprestam para chefiar, coordenar ou orientar tais associações. É muito nosso, muito associativo, muito “utentes”, mas nem sempre os resultados são os esperados. Por vezes, voluntariosos líderes de associações, frequentemente assessorados por advogados mais ou menos predadores, conduzem ingénuos cidadãos a situações complicadas, como esta que surgiu agora com a AFVTE-R (Associação de Familiares das Vítimas de Entre-os-Rios, chefiado por um senhor chamado Horácio Moreira), obrigada ao pagamento de cerca de €500.000 de custas de um processo que perderam em tribunal.
"Facilmente se conclui que os arguidos não praticaram os crimes de que vinham acusados, impondo-se a sua absolvição" , sentenciou o colectivo de juízes.

Não conheço bem os pormenores do processo mas tudo indica que o voluntarismo e protagonismo poderão ter tido muita importância nas intenções da Associação, sem cuidarem do rigor na instrução do mesmo. Agora, a decisão do tribunal está tomada e gera-se o clamor do costume.

"Num estado dito de Direito, é inconcebível que o ónus da queda da ponte recaia unicamente nas vítimas e suas famílias. Neste caso, a justiça não funcionou" , frisou Horácio Moreira. Ora eu julgo saber que não é bem assim e que as famílias foram devidamente indemnizadas. Mas, como se sabe, há sempre um advogado e um senhor Horácio nestas coisas. E o resultado está à vista. Agora vão querer que o Estado (nós) pague as custas e sobre isso mesmo vão pedir a intervenção do Presidente da República. Não vejo bem porquê.
.

Etiquetas: ,

terça-feira, abril 08, 2008

Um país de utentes


[2437]

Há muito que os utentes se vulgarizaram no léxico nacional. Significam muito mais que aquilo que parecem, um utente não é só alguém que usa. Neste país um utente é alguém que usa algo a que tem direito por força das conquistas da revolução, qualquer coisa que aconteceu vai para 35 anos mas que serve para manter em pé uma série de coisas que dão muito jeito.

Por falar em manter em pé, ontem vi de raspão qualquer coisa que tinha a ver com preservativos. Uma mostra de preservativos, qualquer coisa no género, não vi bem, estava a chegar a casa e olhei para o telejornal enquanto me desembaraçava do casaco, da pasta e de outros empecilhos que trazemos sempre connosco e lá falava-se de preservativos, sida, cuidados, sexo seguro, tudo isto ataviado por uns quantos cidadãos que aparecem sempre nestas coisas, muito correctos e muito telegénicos. Pois, eis senão quando vejo um jovem em grande plano, com um preservativo na mão, a debitar verbo sobre o sexo seguro e, em rodapé, leio: Fulano de tal (não fixei) – Utente. Esfreguei os olhos mas a palavra lá estava – Utente. Utente de preservativos, só podia. É claro que esta condição lhe dá, com certeza, um estatuto diferente ao aplicar em si próprio um preservativo. Tenho a certeza que o sexo que pratica, além de mais seguro é muito mais correcto. Não fosse ele um utente que é uma coisa que, como se sabe, deve dar um gozo tremendo na cama.

.

Etiquetas: , ,