sexta-feira, agosto 28, 2015

A desejada fossilização a prazo


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O poeta divide os socialistas entre os genuínos e os outros. E depois debita mais um rol de vulgaridades de onde releva o ferrete desta gente. Nascem no «reviralho», aderem à conveniência benfazeja do socialismo quando crescem, mesmo que para isso tenham de fazer uma série de condenáveis tropelias e usar um hediondo oportunismo, e envelhecem a berrar, na secreta esperança de terem um funeral na Basílica da Estrela com uma série de notáveis em arenga apropriada no velório, com muitas televisões a filmar. Quem sabe, até, ser levados para o Panteão.

Desde que comecei a entender minimamente a política e me concedi os meios para isso, eu concluí que a única forma de nos vermos livres destes puros (e então quando são poetas ou escritores, mais ainda) é que eles acabem por se extinguir, mais ou menos assim ao estilo do lince da Malcata. Serenamente, sem dor, dando lugar a estas gerações novas que, saudavelmente, andam já por aí e que encolhem os ombros com a indiferença que os Alegres e correlativos lhes merecem. Provavelmente extingo-me eu primeiro, mas guardo ciosamente esta esperança que estas criaturas atinjam com celeridade a fase de extinção. Mesmo que fique por aí um ou outro celacanto que, mais não seja, terá sempre a virtude de proporcionar uma ou outra prédica vagamente científica, do tipo «no tempo em havia socialistas».

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terça-feira, junho 24, 2014

Manuel Alegre, tenha paciência mas «há sempre alguém que diz não». Mesmo que seja em Ermesinde.


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É por estas e por outras que os socialistas democratas são intoleráveis. Inseriram-se numa taxonomia muito própria, conveniente, e armam-se em cavaleiros andantes, no fundo, são de má índole e não fora a roupagem democrática que pensam que vestem seriam piores que um comunista nu que tem, pelo menos, a virtude, de não esconder o que é e ao que vem.

Manuel Alegre é um exemplo acabado deste tipo de exemplar, um iluminado que acha ter descoberto o elixir da vida, mas de uma vida lá a moda dele, tal como Soares e mais uns quantos que se convenceram tratarem a alquimia por tu e transformar a sociedade em homúnculos que possam agir como deve ser.

Este post do Vítor Cunha tem diversos links, melhor é lê-los todos e entender bem o que esta maralha pensa. Pensar que têm sido eles que nos têm governado a maior parte deste quarenta anos e que, muito em breve, nos governarão de novo causa-me arrepios. E faz-me questionar a bonomia e/ou a ignorância com que continuamos a dar votos a esta gente.

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quinta-feira, abril 26, 2012

Unforgiven

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Foram cerca de duas semanas ausente da «zona de conforto» do Blogger e isso concedeu-me uma assinalável benfeitoria das meninges.

No regresso às leituras não pude disfarçar uma certa avidez pela actualidade política (????) o que, aliás, já ontem dera um pequeno sinal numa fugaz visita à Feira do Livro, debaixo de uma invernia desconfortável, onde constatei a desolação dos pavilhões vazios e a presença retemperadora de um stand de farturas para afagar o piloro.

Pelo que, entretanto, li, parece que pouco há de novo. As pessoas continuam a reagir como se o actual governo fosse responsável pelos desmandos de Sócrates, a comunicação social continua apostada em alimentar uma espécie de esquizofrenia nacional, empolando tudo o que remeta para a crise e o sindicato dos controladores de voo continua a fazer uma greve qualquer, chateando meio mundo, por razões que ainda não consegui perceber (juro) e me faz recordar Ronald Reagan com alguma nostalgia.

Faço apenas uma chamada à atitude imbecil de Mário Soares e Manuel Alegre, quando se solidarizam com os militares de Abril, não indo à Assembleia da República comemorar o 25 de Abril. E imbecil, porquê? Porque se aquele grupo de reformados que hoje se reclama ainda de herdeiros universais da democracia portuguesa são livres de não ir onde quer que seja, já Alegre e Soares têm obrigações institucionais a que não deveriam, nem poderiam furtar-se. Eles foram espécimes do Poder, devidamente legitimados pelo regime pelo qual dizem ter lutado, e não podem agora andar a brincar às rebeldias ou arvorarem-se em «donos da bola». Recordo ter ouvido, a ambos, que, naquela altura, estavam no exílio e dizem-no com um ar solene de quem quase lhes deve uma genuflexão. Tanto um como outro deveriam pensar que enquanto uns estavam no exílio outros trabalhavam no duro e dando o seu melhor pelo progresso do seu país e pelo bem estar e segurança da sua família. Provavelmente com mais sacrifico do que subir um coqueiro em S. Tomé para apanhar uns refrescantes cocos.

De Alegre, a coisa já não choca tanto, habituados que estamos a perceber que o seu prestígio (??) se fundou à volta de umas quantas trovas de qualidade duvidosa ou ao bucolismo de uma pescaria de sargos na Foz do Arelho. Mas Soares, a quem pagamos ainda salários e alforrias diversas, condescendemos na atribuição de dinheiros para uma Fundação que ainda ninguém percebeu bem para que serve, para além de uns conspícuos contratos de arrendamento ao Estado (e espero que ele pague do seu bolso as multas por excesso de velocidade, pagará?), esperar-se-ia, pelo menos, um módico de honorabilidade e decência. A não ser assim, Soares deita fora qualquer resíduo de respeitabilidade que possa ainda merecer, mesmo que apenas institucionalmente.
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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Não há pachorra



Constituição da República Portuguesa

Artigo 286.º
Aprovação e promulgação


1. As alterações da Constituição são aprovadas por maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções.

2. As alterações da Constituição que forem aprovadas serão reunidas numa única lei de revisão.

3. O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão.


Manuel Alegre não é só um medíocre poeta emproado. É muitas outras coisas. Dumas não tem culpa, doutras, poderá também não ter, mas tem idade e tarimba suficientes para poder ter percebido algumas realidades que claramente lhe passam ao lado. Ainda, dizer que uma parte substancial do seu carácter foi enformada pela atmosfera circunstancial que rodeava quem viveu e estudou em Coimbra nos anos sessenta, também não pode justificar tudo. Muito menos a atroz (e imperdoável) ignorância e impreparação para um cargo como o de presidente da república. Mesmo que a república seja portuguesa o que, a priori, concede uma generosa flexibilidade aos candidatos, pelo menos avaliando o que temos visto na campanha.

Manuel Alegre pode ser até impreparado e ignorante. Mas devia ter o cuidado de se informar melhor. Que é o que uma pessoa intelectualmente honesta faz quando não domina uma matéria. Só isso e o seu insuportável provincianismo justificam tiradas destas. Acresce que os portugueses não têm culpa nenhuma. Mesmo aqueles que gostam de Alegre. Ou até os que não gostam nem desgostam, antes pelo contrário, mas vêem no poeta (!!!) uma forma de combater Cavaco. Cavaco, o filho de um «gasolineiro» de Boliqueime, que come bolo-rei com a boca toda, diz que plantou batatas em miúdo, que não tem tempo para ler jornais, não tem dúvidas e raramente se engana. Dá para acreditar que as agências de marketing da campanha alegre até estes fantasmas ressequidos e mumificados pelo tempo foram buscar ao boião?

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segunda-feira, dezembro 13, 2010

Os restos



Foto daqui

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Confesso que as esparsas intervenções do candidato Alegre me vão passando ao lado. Porque não é possível ouvir tudo o que as televisões produzem, porque o discurso do poeta (!!!) se assemelha já a uma forma relha de estar na política, que pode funcionar entre um robalo e uma faneca pescados na Foz do Arelho e uma tertúlia romântica da velha Coimbra mas que nada tem a ver com a realidade presente dum país afogado em problemas agudos. Mesmo admitindo que os robalos assumiram recentemente um papel preponderante na actualidade nacional por força da acção prestável e patriótica do inefável Vara.

Mas nestes últimos dias há uma expressão que me tem ferido a sensibilidade. Desde que se fala no racional aproveitamento das sobras dos restaurantes, que a Asae obriga a destruir em quantidades consideráveis de comida em bom estado, Alegre fala dos restos de comida num tom de demagogo barato, de intelectual de pacotilha de passa-piolho coimbrão, convencido que este tipo de demagogia poderá prejudicar o seu adversário (!!!) Cavaco Silva.


Já passo por cima pelo longo período em que Alegre teve oportunidade de contribuir activamente para que as coisas hoje fossem diferentes em Portugal, já que não me consta que a sua contribuição tenha sido de nota, para além das tiradas habituais de uma esquerda que tão depressa é trauliteira como se obriga a ser de esferovite, da história do cantado milhão de votos e de um livro de valor duvidoso em que um rapaz pregava pregos numa tábua. Isto não devia ser suficiente salvo-conduto para o uso da demagogia que Alegre tem vindo a usar, nomeadamente neste caso dos restos de comida para os pobres. De resto, este homem de cada vez que abre a boca, angaria mais um punhado de votos para Cavaco. Só que Cavaco era bem capaz de dispensar estes votos por troca de uma certa reserva e dignidade no indigente discurso de Alegre.


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terça-feira, julho 27, 2010

Às armas...


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O poeta Alegre quer uma força militar para a CPLP. Isto não me impressiona verdadeiramente, Alegre é uma daquelas pessoas que têm o privilégio de estar sempre do lado correcto das coisas, tanto exprobram as acções militares naquilo que acham ser um atentado às liberdades como as emulam se forem aproveitadas na opressão daqueles que têm a veleidade de pensar ou agir diferente dele, nada de muito novo, afinal. O que me preocupa é que 26% dos eleitores do meu país, a números de hoje, ainda acham que os assuntos sérios deste planeta podem estar à mercê da sensibilidade discricionária e poética de quem parece perceber tanto de assuntos internacionais como eu percebo de órgãos de igreja e que não passam de bardos (ou bonzos, para usar um termo recentemente muito em voga na blogosfera) do regime. E que julgam que o mundo se resolve com umas quantas trovas glosadas pela musa inspiradora que vai vogando por aí com o vento que passa, bafejando os iluminados.

Alegre acha que a CPLP deveria ter uma foça para “resolver problemas” onde a democracia e estabilidade possam estar repetidamente postas em causa pela intervenção excessiva dos militares. Em bom português, sempre que mijarem fora do penico, perdoe-se-me a vulgaridade da expressão. Razão mais do que suficiente para chamar mais militares, os bons, claro, para pôr os maus na ordem.

Que pena Alegre não ter tido esta epifania quando lhe puseram uma farda em cima, aqui há uns anos atrás…

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quinta-feira, julho 01, 2010

O candidato que pregava pregos no nosso caixão


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Se eu me deitar a fazer comentários sobre a métrica das «trovas ao vento que passa» ou dissertar sobre os «rapazes que pregam pregos nas tábuas» posso fazer má figura que daí não vem mal ao mundo, afinal não sou purista de línguas, não sou poeta não sou crítico literário. Mas é razoavelmente aceitável emitir opiniões sobre temas que interfiram com a nossa sensibilidade e com o sentido estético que cada um de nós tem da vida, dos homens e da própria poesia.

Emitir verbo ideológico, que outro não me pareça poder ser, sobre a decisão do governo de exercer as suas prerrogativas numa operação financeira através de uma «golden share» na PT é que me parece pouco aceitável e denuncia uma assustadora irresponsabilidade. Um poeta é um poeta e não tem que perceber de operações de alta finança nem de estratégia económica. Por isso deveria ter mais cuidado e recato nas opiniões que emite, mesmo se for candidato à presidência da república. Assuntos de milhares de milhões de Euros não podem ser avaliados à luz bucólica de uma manhã de pesca na Foz do Arelho, muito menos enquadrados na visão poética de um rapaz a pregar pregos numa tábua ou no voluntarismo planfetário com que julgamos poder enquadrá-los nos alegados interesses nacionais. Por muito que isso nos doa. Ou então não estaremos a candidatar-nos a presidente de todos os portugueses, mas apenas dos republicanos, laicos e socialistas e dos superiormente iluminados pela centelha intelectual que nem todos tiveram a ventura de receber à nascença.

Os portugueses continuam a ser sensíveis a duas questões que incontornavelmente lhes circulam nas tripas. O quixotismo e o sebastianismo. Por isso eu acho que Manuel Alegre ainda é capaz de conseguir um número apreciável de votos. Basta-lhe ir produzindo este tipo de declarações, como as que produziu a propósito da interferência do Estado na venda da Vivo brasileira, mesmo quando lá fora já nos acusam de visão colonial obsoleta. Porque o povo profundo gosta da protecção dos guardiães do socialismo (léxico que ainda hoje «vai muito bem») e o povo intelectual gosta de se sentir acima da mediocridade generalizada onde só o «consumismo», a visão «economicista» e os «interesses» contam, sem respeito pelos superiores interesses duma sociedade moderna, correcta, solidária, providente e social, uma sociedade, enfim, «como deve ser».

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quinta-feira, outubro 08, 2009

Poetry in motion

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Já cheira um pouco a mofo aquela conversa de que o PS é um Partido democrático e plural, onde a divergência de opiniões é bem-vinda, de cada vez que interpelam Manuel Alegre neste sentido. Mas era suposto não ser? Ou estou a ser politicamente poeta?
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sexta-feira, abril 24, 2009

Coimbra é uma lição


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Nem sempre a esquerda gera anti-corpos pela sua forma ideológica mas, frequentemen-
te, pela soberba, pela arrogância dos seus mentores. Ontem na Quadratura do Círculo, numa emissão a partir de Grândola, Manuel Alegre disse, com um ar sério, compenetrado e, quase diria, messiânico, que poderia vir a formar um novo partido, porque os partidos, todos, frisou ele, precisavam de uma lição.

A esquerda é assim. Nem sempre interessa o desenvolvimento e o bem-estar social… das pessoas, como soe dizer-se. Frequentemente, é mesmo o que menos interessa. O que verdadeiramente interessa é dar uma lição àqueles que, e perdoe-se-me a vulgaridade do termo, se atrevem a “mijar fora do penico”.

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