sexta-feira, agosto 28, 2015

A desejada fossilização a prazo


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O poeta divide os socialistas entre os genuínos e os outros. E depois debita mais um rol de vulgaridades de onde releva o ferrete desta gente. Nascem no «reviralho», aderem à conveniência benfazeja do socialismo quando crescem, mesmo que para isso tenham de fazer uma série de condenáveis tropelias e usar um hediondo oportunismo, e envelhecem a berrar, na secreta esperança de terem um funeral na Basílica da Estrela com uma série de notáveis em arenga apropriada no velório, com muitas televisões a filmar. Quem sabe, até, ser levados para o Panteão.

Desde que comecei a entender minimamente a política e me concedi os meios para isso, eu concluí que a única forma de nos vermos livres destes puros (e então quando são poetas ou escritores, mais ainda) é que eles acabem por se extinguir, mais ou menos assim ao estilo do lince da Malcata. Serenamente, sem dor, dando lugar a estas gerações novas que, saudavelmente, andam já por aí e que encolhem os ombros com a indiferença que os Alegres e correlativos lhes merecem. Provavelmente extingo-me eu primeiro, mas guardo ciosamente esta esperança que estas criaturas atinjam com celeridade a fase de extinção. Mesmo que fique por aí um ou outro celacanto que, mais não seja, terá sempre a virtude de proporcionar uma ou outra prédica vagamente científica, do tipo «no tempo em havia socialistas».

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quarta-feira, janeiro 22, 2014

A doçura das azedas



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Aí estão elas de novo. Viçosas, deliciosamente azedas e amarelas. A cor que os entendidos associam à felicidade, riqueza e ouro. E, ainda, à inteligência, luxo e nobreza. Diz-se que Vincent van Gogh tinha uma especial predilecção pelo amarelo e a verdade é que ele explorou as suas diferentes tonalidades com fervor. Há ainda quem, de uma forma bem mais simples, identifique o amarelo com a luz, calor, descontracção, optimismo e alegria.

Por mim, as azedas são um pouco de tudo o que o amarelo das suas flores encerra. Não sei especialmente porquê, mas deixo-me envolver por uma dinâmica relaxante em que os atributos atrás referidos assumem um relevo essencial. E há um particular sentimento que elas, as azedas, me trazem invariavelmente. O sentimento de renovação, já que todos os anos, por esta altura, elas cobrem os campos e um sentimento profundo de luz, calor interior, optimismo e alegria. E, ainda, uma saudade boa de ter. Boa, porque transporta a reminiscência de um passado recente e de um porvir cada vez próximo, sempre renovados no significado do amarelo das suas flores e na magia que incute a quem delas gosta.

Uma vez mais, os campos estão cobertos com a doçura das azedas.  *

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terça-feira, fevereiro 09, 2010

Encanitadelas

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Quando a gente lê o Pitta
E vê como ele se encanita
Então, sim, acredita
Que nesta terra bendita,
Por muito que ele faça fita,
Há sempre quem nele acredita.
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