domingo, dezembro 11, 2016

Saudade, poesia...au temps des amours mortes



Que c'est triste Venise 
Au temps des amours mortes 
Que c'est triste Venise 
Quand on ne s'aime plus 
On cherche encore des mots 
Mais l'ennui les emporte 
On voudrait bien pleurer 
Mais on ne le peut plus 
Que c'est triste Venise 
Lorsque les barcaroles 
Ne viennent souligner que les silences creux 
Et que le coeur se serre 
En voyant les gondolles 
Abriter le bonheur des couples amoureux 
Que c'est triste Venise 
Au temps des amours mortes 
Que c'est triste Venise 
Quand on ne s'aime plus 
Les musées, les églises 
Ouvrent enfin leurs portes 
Inutile beauté 
Davant nos yeux doux 
Que c'est triste Venise 
Le soir sur la lagune 
Quand on cherche une main 
Que l'on ne vous tend pas 
Et que l'on ironise 
Devant le clair de lune 
Pour tenter d'oublier 
Ce que l'on ne se dit pas 
Adieu tous les pigeons 
Qui nous ont fait escorte 
Adieu Pont des Soupires 
Adieu rêves perdus 
C'est trop triste Venise 
Au temps des amours mortes 
C'est trop triste Venise 
Quand on ne s'aime plus

[5474]

Quando um homem de 92 anos não troca o seu mister e a sua realização espiritual e continua a trabalhar, em vez de se sentar a uma mesa de um parque de bairro jogando à sueca com os seus colegas de reforma, todos eles na casa dos sessenta anos, merece toda a minha admiração. Independentemente de quanto sempre amei muitas das suas canções. La Bohème, Hier encore, She (o eterno “She”), Et Pourtant e tantas e tantas outras.

Que cést triste Venise foi sempre uma das minhas favoritas. Com a poesia casando com a melodia, como a tristeza casa, frequentemente, com a saudade. E depois, quem de nós não tem ou teve uma Venise triste dentro de si?


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sexta-feira, agosto 26, 2011

Natural born free (No mundo «desrotinado» a que, por ventura, pertenço)



[4395]

Tive tudo e não tive nada
fui rico e pobre de pedir
e para o resto da jornada
dava-me jeito descobrir
se o que me espera além da estrada
é uma nova madrugada
ou uma noite de fugir.

E desta dúvida cativo
sinto-me livre e sobrevivo.

O título do post é meu mas o poema é do Torquato da Luz. Sensível, certeiro e prenhe de gosto pela liberdade em vida, apesar da evidente angústia pelo desconhecido. Como é que o Torquato em tão poucas linhas diz tanto? E tão bem?
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terça-feira, julho 12, 2011

…acácias rubras, salpicando de sangue as avenidas, longas e floridas…



[4349]

E apesar de tudo,
ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a irmã-mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto!...

- A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
nascendo dos abraços
das palmeiras...
A do sol bom,
Mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim! ainda sou a mesma.
- A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11...Rua 11...)
pelos negros meninos
de barriga inchada
e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu revendo ainda
e sempre, nela,
aquela
longa historia inconsequente...

Terra!
Minha, eternamente...
Terra das acácias,
dos dongos,
dos cólios baloiçando,
mansamente... mansamente!...
Terra!
Ainda sou a mesma!
Ainda sou
a que num canto novo,
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu Povo!...

Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela, Angola, a 9.6.1930. Faleceu em Cambambe, Angola, a 30.1.1962. Porque é que se fala tão pouco da vida e da poesia desta mulher?

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quarta-feira, março 30, 2011

Saudades do amanhã


clicar na foto


[4110]


As cerejeiras já se cobrem de flores. Delicadas, belas e de cor indefinida. São um espectáculo magnífico e prenunciam frutos irresistivelmente apelativos, doces, carnudos, sumarentos e sensuais. Talvez por isso mesmo as cerejas sejam um prazer efémero, um gosto que bate forte e se retira depressa. Mas deixando sempre a promessa de que os ciclos de vida são inexoráveis e que no ano seguinte aparecerão de novo, como se vê já pelas estradas deste país.

São uma boa notícia estas flores. Porque reanimam saudades de tempos não muito distantes e prenunciam mais um afago de generosa felicidade, amor, cumplicidade e alegria que urge saber aproveitar. E quando, uma vez mais, as cerejas acabarem, sabemos que para o ano, e nos anos seguintes, elas virão de novo. Prenhes de beleza, de cor, doçura e um manto de esperança em forma de infinito.

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segunda-feira, março 07, 2011

Ar fresco



[4078]

A roda e quem inventou a roda.


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terça-feira, novembro 30, 2010

Post dedicado


[3979]



Quando te disse que era da terra selvagem do vento azul e das praias morenas...

Do arco-íris das mil cores, do sol com fruta madura e das madrugadas serenas...

Das cubatas e musseques, das palmeiras com dendém,

Das picadas com poeira, da mandioca e fuba também...

Das mangas e fruta pinha, do vermelho do café,

Dos maboques e tamarindos, dos cocos, do ai u'é...

Das praças no chão estendidas com missangas de mil cores,

Os panos do Congo e os kimonos, os aromas, os odores...

Os chinelos no chão quente, do andar descontraído,

Da cerveja ao fim da tarde, com o sol adormecido...

Dos merengues e do batuque, dos muxiques e dos mupungos,

Dos embondeiros e das gajajas, da macanha e dos maiungos...

Da cana doce e do mamão, da papaia e do cajú...

Tu sorriste e sussurraste...

- Sou da mesma terra que tu


Do livro «Beijo sem nome» de Ana Paula Lavado
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segunda-feira, novembro 29, 2010

Ofício Diário


[3976]

O Ofício Diário completou seis anos. Aqui fica a expressão sincera das minhas felicitações e os meus votos sinceros de que o Torquato da Luz continue a mimar-nos a alma com a sua poesia e com o seu sentimento ímpar pelas coisas bonitas.


Tchin Tchin


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terça-feira, setembro 21, 2010

Fall


[3905]

Na linguagem botânica são chamadas de folhas caducas. Na linguagem da vida são chamadas de velhas, em final de ciclo e, por isso, engelham, definham e caem. São o anúncio do Outono, a estação que começa hoje, o tempo de muitos poetas que lhe conseguem erigir verdadeiros hinos de beleza e significado. Em música, em literatura, no cinema e outras formas de cultura, o Outono ocupa um lugar especial na sensibilidade dos seus autores.

Por mim, que não sou poeta, limito-me a assinalar o início da mais bela de todas as estações do ano. Como aliás o faço todos os anos. É uma época de nostalgias, de alguma forma de recolhimento, de contemplação da indizível beleza gerada pelas cores na terra e no céus, de retiro espiritual, de reconhecimento de um final de ciclo consubstanciado no simbolismo das folhas que caem das árvores para, depois do extraordinário espectáculo de cor que nos proporcionam como último legado em vida, se submeterem ao destino inexorável da sua morte. Mesmo assim, prestando-se à inestimável dádiva de contribuir para a fertilização orgânica do seu leito de morte, ajudando à formação de outras folhas como elas. Porque a vida continua, os ciclos são isso mesmo, são períodos de uma vida que não pára e que é feita de muitas folhas que todos os anos caem para dar lugar a outras que irão nascer, iniciando um novo ciclo.

Há quem não repare, mas também há quem se sensibilize especialmente pela demarcação bem clara das quatros estações do ano. Neste último caso, hoje será um dia especial. Mesmo que a geografia possa contribuir para que o dia se arme em travesso e tente passar despercebido. Mas não passa…

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quinta-feira, maio 27, 2010

O espelho íntimo ( 2 )



Foto de cima: Sandra Macedo (editora), João Gonçalves, Torquato da Luz e Inês Ramos. Na foto de baixo, parte da assistência, com este vosso criado na companhia sempre estimável da Laura Amaral (clicar para ver melhor).

[3772]

A Inês Ramos leu poesia. O João Gonçalves conseguiu dizer bem de alguém (mesmo dando de barato do mal que disse de muita gente…) e o Torquato irradiava a simplicidade tranquila que imprime aos seus próprios versos.

Foi bonito de se ver. Uma reunião informal, elegante e prazenteira. E o livro é uma edição lindíssima, com algumas inovações gráficas que o tornam muito atraente.

Um grande abraço ao Torquato de Luz e os parabéns sinceros.

Adenda: Como nota pessoal, o “aparecimento” da Laura na assistência. Foi muito bom revê-la e gostaria que a este aparecimento correspondesse o seu ressurgimento. A blogoesfera agradeceria. De registar ainda a grata presença de Isabel Wolmar, uma referência da nossa televisão que deixou um rasto difícil de igualar.

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quarta-feira, maio 26, 2010

Espelho íntimo


[3770]

Apenas é real o que é sonhado.
A nossa imaginação
é que faz o que vemos e tocamos.
Seja qual for o lado
por que se encare a questão,
só existe o que arrancamos
do fundo do coração.
Tudo o mais em que teimamos
não passa de ilusão.


(Do livro "Espelho Íntimo", a lançar hoje, dia 26, às 19 horas, na Livraria Barata, Av. de Roma, 11-A, Lisboa)

Hoje lá estarei na Livraria Barata, pelas 19 horas para ouvir o João Gonçalves fazer a apresentação do livro, dar um abraço ao Torquato e pedir-lhe a honra de um livro assinado.

Vai na meia dúzia já o número de anos em que privilegio a alma com a frescura, a sabedoria, a sensibilidade e o engenho que o Torquato empresta a tudo o que escreve. Afinal é isso mesmo que enforma os poetas, não será?

Meu bom amigo, até logo. E todos aqueles que gostarem de poesia que apareçam também. Porque a poesia do Torquato é de fina água. E um refrigério da alma.

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domingo, março 21, 2010

A Calçada de Carriche


[3701]

Calçada de Carriche (António Gedeão)

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Há quanto tempo eu não ouvia ou lia este poema… Obrigado, NancyB

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sábado, janeiro 16, 2010

De vez em quando, o Torquato


Pormenor da cachoeira da Gabela - Angola

[3590]


Às vezes o tranquilo rio dos dias
encontra um precipício,
mas, por mais que sejam frias
as suas águas, os rios cumprem o ofício
de ir sempre rumo à foz.
Não assim nós,
que não raro hesitamos na corrida
e com avanços e recuos,
bravatas e amuos,
infernizamos a vida.

Para além do prazer imenso em ler o Torquato, há uma vantagem. É que sabemos quase de cor o que vem no livro que ele publicou e, ainda por cima, ele encarrega-se de todos os dias nos oferecer uma poesia nova. Coisa que, de resto faz parte do seu ofício diário. Com a elegância e a sensibilidade de sempre. E, às vezes, tão apropriada que não resistimos a roubá-la para enriquecer os nossos blogues. Sempre assim foi…
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domingo, novembro 15, 2009

Direito à indignação

[3479]

Usam e abusam do poder como se fosse
direito próprio que algum deus lhes trouxe,
num jogo absurdo que se joga à margem
de regras, normas, ordens e preceitos.
E, porque tudo é seu, eis que a paisagem
se amolda aos seus caprichos e defeitos
e as leis ganham contornos e alçapões
que os poupam a quaisquer complicações.

O direito à indignação do Torquato da Luz
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quinta-feira, outubro 08, 2009

Poetry in motion

[3398]

Já cheira um pouco a mofo aquela conversa de que o PS é um Partido democrático e plural, onde a divergência de opiniões é bem-vinda, de cada vez que interpelam Manuel Alegre neste sentido. Mas era suposto não ser? Ou estou a ser politicamente poeta?
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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Novo livro do Torquato da Luz


[2969]

O Torquato da Luz vai lançar mais um livro. Sinto-me muito honrado pelo convite e lá estarei na Livraria Barata, à Avenida de Roma. Desta vez não tenho desculpa, meu caro.

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sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Cor, perfume e movimento


[2924]

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem o perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta e a flor é apenas flor.

Fernando Pessoa
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sábado, junho 14, 2008

O poeta lá teria as suas razões

[2545]

Para a Madalena, com um beijinho amigo, a propósito deste post.

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores
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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Viola chinesa


[2229]

Ao longo da viola morosa
Vai adormecendo a parlenda,
Sem que, amadornado, eu atenda
A lengalenga fastidiosa.

Sem que o meu coração se prenda,
Enquanto, nasal, minuciosa,
Ao longo da viola morosa,
Vai adormecendo a parlenda.

Mas que cicatriz melindrosa
Há nele, que essa viola ofenda
E faz que as asitas distenda
Numa agitação dolorosa?

Ao longo da viola, morosa...

Camilo Pessanha

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sábado, setembro 22, 2007

Romance


[2032]

Romance, who loves to nod and sing
With drowsy head and folded wing
Among the green leaves as they shake
Far down within some shadowy lake,
To me a painted paroquet
Hath been—most familiar bird—
Taught me my alphabet to say,
To lisp my very earliest word
While in the wild wood I did lie,
A child—with a most knowing eye.
Of late, eternal condor years
So shake the very Heaven on high
With tumult as they thunder by,
I have no time for idle cares
Through gazing on the unquiet sky;
And when an hour with calmer wings
Its down upon my spirit flings,
That little time with lyre and rhyme
To while away—forbidden things—
My heart would feel to be a crime

Unless it trembled with the strings.

Romance - E. Allan Poe

Bom fim de semana para todos

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sábado, junho 02, 2007

Viagens de todos nós






[1785]



Tomou na vida o autocarro errado
e em vez de sair na primeira paragem
continuou a viagem
para nenhum lado.

Perdeu-se do passado que não teve
e do futuro que não tem,
mero episódio de novela breve
que não termina bem.

E um fumo pesado e espesso
diz-lhe que não há regresso.

Há sempre um bocadinho em cada um de nós que se identifica com qualquer poema.

“Viagem”, do Torquato da Luz.

Bom fim de semana para todos.


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