terça-feira, fevereiro 02, 2010

Almoço de mulheres


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Sócrates vai almoçar hoje com as mulheres do governo. Eu, se fosse mulher chateava-me. Não por ser mulher ou por ter de almoçar com Sócrates. Mas pela patetice em que se insiste, em fazer da presença de mulheres no governo um facto político. Ou humano. Ou social, ou o que lhe quiserem chamar. É do mais sexista, machista, idiota e uma das mais vincadas formas de menorizar as mulheres como elementos natural e inquestionavelmente inseridos na nossa sociedade.

Eu, se fosse mulher, ficava chateada. Ou nem isso. Era mesmo capaz de não ir, mesmo arrostando com o perigo do Grande Líder não me justificar a falta ou se irar. E todos nós abemos do que Sócrates, irado, é capaz!
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terça-feira, dezembro 02, 2008

O homem, esse injustiçado


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Vinha escrever um post compostinho e a condizer com o início de mais uma semana de trabalho, quando oiço ali nas notícias da manhã que “… as mulheres que vivem acompanhadas têm mais tendência para engordar do que as que vivem sozinhas. Isto porque têm tendência para alinharem com os companheiros a comer guloseimas e alimentos de elevado valor calórico”.

Ora isto é de uma injustiça flagrante. À uma porque desde que as mulheres foram queimar os sutiãs para o topo do Eduardo VII não há razão para que as mulheres se obriguem a comer o que os maridos ou companheiros comem. À outra, porque por muito elevado que seja o índice calórico dos alimentos que a mulher acompanhada ingere, há certamente uma correspondência natural ao índice de calorias consumidas pelo desgaste em exercício despendido com o companheiro, em regime de comum de dois. Pelo menos, numa reflexão teórica.

Acresce que conheço muito mais mulheres... hammm... humm... com um relativo excesso de peso… (hummm… saiu mal…) na faixa daquelas que vivem sozinhas do que mulheres acompanhadas, mesmo aquelas cujos maridos ou companheiros se empanturram de favas com chouriço em regime contínuo. Uma coisa, porém, é certa. Também os ginásios, segundo julgo (isto sou eu a julgar e nem sempre julgo muito bem, eu sei) têm mais mulheres… como direi… disponíveis… convidáveis que, talvez por mor disso mesmo e para manterem essa condição, vão queimar calorias e expulsá-las em pérolas de suor pelas costas abaixo, depois de centenas de quilómetros pedalados em bicicletas sinistras e que não saem do mesmo sítio, levantando pesos ou obrigando os gémeos (uns músculos que os futebolistas costumam lesionar mas que as mulheres também têm) a uns indecentes exercícios de estiramento.

Resumindo. A mulher pode ser gorda porque sim e o homem come gorduras, hidratos de carbono e correlativos porque também. Não é aceitável é que estabeleçam nexos de causalidade (é assim que se diz, agora, não é?) entre as farinheiras, entrecostos e rojões dos maridos e a falta de força de vontade das mulheres. De resto elas acabam sempre no ginásio. Casadas ou solteiras, sooner ou later. Não há nada a fazer. Está-lhes à flor da pele!

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sábado, março 17, 2007

VEJA, diz a capa. E eu, obediente, vi...



Clicar na foto para entender melhor

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Um cidadão levanta-se, dá uma volta pela blogoesfera, rasa meia dúzia de notícias e dá, de chofre e supetão, com esta foto.

E a questão põe-se: Após uns minutos de contemplação, pergunto-me por que carga de água se torna assim tão imperioso conhecer as mulheres, como diz a revista? O que é que me interessa que a ciência entenda as mulheres? Mas o que é que há para entender numa foto destas? E para quê? Não é estarmos (todos), desnecessariamente, a ligar o “complicómetro”?


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sexta-feira, março 09, 2007

A gift of nature



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As coisas estão a mudar. Para melhor.
A verdade é que consegui atingir a meia-noite de ontem sem ouvir, uma vez que fosse, qualquer alusão àquela centena e meia de mulheres trancadas numa fábrica dos Estados Unidos a quem a mão assassina dos patrões lançou fogo. Não foi bem assim, sabemo-lo hoje, mas foi o mote para a institucionalização do 8 de Março como o dia internacional da mulher.
Até a propaganda se vai mostrando cansada…

Houve uns ameaços, regozijo geral, entrevistas com mulheres brasileiras a berrar que se sentiam oprimidas pelo Bush e houve até um grupo de cerca de cem cidadãos (eles e elas, que “eles” também não perdem pitada) que caminharam até à Assembleia a gritar que as políticas têm de mudar. Não explicaram bem que políticas, mas também não era preciso. É uma rapaziada pouco exigente, esta. Se lhe dizem que as políticas têm de mudar eles concordam. Sobretudo no dia internacional da mulher, que é um dia propício à mudança.

Por acaso não li foi nenhuma palavra sobre a excisão genital feminina, o uso da mulher como utensílio sexual e de trabalho, a lapidação de adúlteras, os casamentos forçados, as burkas e outras maravilhas em que alguns países parecem ser peritos. Talvez porque sejam países sujeitos à humilhação que lhes foi imposta pelos “ocidentais”. Têm desculpa, portanto…


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domingo, março 04, 2007

Regressar ao caos



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Para uma adorável criancinha que ainda há escassos quatro ou cinco anos andava de umbigo arejado e de calças rotas nos joelhos, a minha filha mirim tornou-se na expressão mais sofisticada que alguma vez eu poderia esperar de algum prolongamento do meu ADN. A criança fez-se mulher, tapou o umbigo, já não veste calças rotas nem botas Dr. Martaens (não sei se é assim que se escreve…) e ei-la aprumadinha e mais ao gosto do pai, embora eu tenha certeza que não foi pelo pai que ele actualizou o visual.

A casa de banho dela aumentou exponencialmente o número de ferramentas e produtos destinados às operações de manutenção e conservação que o gineceu não dispensa, desde uns cotonetes especiais de corrida que não sei quê não sei quantos não empurra o cerúmen para o interior do ouvido até à mais completa bateria de cremes, óleos, unguentos e pomadas, moisturisings, hidratantes (para os que pensam que se trata da mesma coisa diferindo apenas na língua, não é…), amaciadores, non-alergig this e softener that, loções, perfumes e colónias, desodorizantes, xampôs e amaciadores, body lotions, hand lotions, mais lotions para os pés, depiladores, vaselinas, toucas de cabelo, “coisas” indefinidas para cabelos loiros e outras ainda mais indefinidas para cabelos pretos, sabonetes de pH alto, lixas para calcanhares, pinças, estojos de unhas (aparentemente um não chega por causa dos alicates…), várias escovas de cabelo com diferentes medidas de comprimento e espessura, vernizes, acetonas e outros derivados e um nunca acabar de materiais e apetrechos que fazem empalidecer de vergonha o meu xampô, sabonete, estojo de barba e pasta de dentes, estratégica e envergonhadamente distribuídos pelo meu espaço.

É… há pormenores que nos fazem repensar a natureza das prioridades, prazeres e necessidades de uma mulher, por comparação aos homens. Mesmo estúpidos e burros, como
esta amiga aqui refere. E equacionar esta questão da igualdade dos sexos quando, afinal, somos intrinsecamente diferentes. Convenhamos, porém, que muito mais práticos. Nós, os homens. Deliciosamente vãs, elas, as mulheres.

Nota: Este post vem a propósito de percebermos melhor estas coisas quando se está ausente cerca de uma semana, regressamos e acabamos por mergulhar na parafernália descrita.


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