sábado, novembro 28, 2015

Vá lá saber-se porquê



[5344]

O cortejo de louvaminhas que a comunicação social (comentadores incluídos) imediatamente pôs em marcha relativamente ao novo governo, ainda que não totalmente inesperado, deixa-me absolutamente atordoado. Porquê? O que está por detrás deste galanteio generalizado em relação a um governo que nasce torto e inspira a maior desconfiança, seja pelo que se propõe fazer seja pela galeria de métodos e figuras desconfiáveis?

Os comentários e a forma (a forma, valha-me Deus…) como as notícias são dadas são disso prova eloquente e atingem as raias do paroxismo, sobretudo quando se consome minutos intermináveis a bater na coligação e em Cavaco Silva, ao invés de se dedicarem ao governo que nos caiu em azar. Tem de haver uma razão qualquer. Não pode ser só «tachismo» nem nepotismo, há aqui uma fatia considerável de pura imbecilidade e raivinhas mal contidas, por parte dos «beatos» do costume. Vá lá saber-se porquê.


*
*

Etiquetas: , ,

segunda-feira, junho 27, 2011

Álvaro is a jolly good fellow



[4332]

O Álvaro está deslumbrado por ser Álvaro e tratar o seu colega por Mark. São ambos professores catedráticos e eu concordo com o Álvaro no sentido de que os anglo-saxónicos cultivam mais o nome que o título. É saudável, é linear e assim é que deve ser, ao invés do que se passa no nosso país em que somos todos engenheiros, doutores e professores.

Falo por experiência própria porque também eu tive a felicidade de me entrosar na forma de valermos pelo nome, enquanto, profissionalmente somos engenheiros, doutores ou professores. Mas tenho de discordar da forma simplista com que o senhor ministro da economia vulgariza o Estado e os seus agentes primeiros, ao dar-se a tratar pelo nome. Um ministério não é uma faculdade e uma universidade não é um país. Há um módico de respeito e dignidade que em coisas de Estado tem de ser mantido. Não me passa pela cabeça eu pedir uma audiência ao senhor ministro da Economia para, por exemplo, discutir um projecto de um investimento e dizer: Ó Álvaro dê aí uma olhada e se tiver alguma dúvida a gente fala com o Vítor. Em última análise levamos o assunto ao Pedro para o mostrar ao Aníbal. Para além de que quem nos ouvisse poderia penar que somos todos um grupo de «good fellas»!
.

Etiquetas: ,

domingo, junho 19, 2011

O novo governo



[4322]

Do que vi e ouvi dos novos membros do governo, tenho de me regozijar com alguns pontos que considero essenciais:

1 – Falam português correcto e escorreito;
2 – Têm currículos de insuspeita competência;
3 – Não falam aos gritos, são educados, exprimem-se com fluidez e não usam aquele discurso estereotipado de falar para o «rebanho» e dizer-lhe, quando ele se mexe muito ou tresmalha, «que se habitue»;
4 – Todos têm uma situação profissional que lhes permite deixar o governo sem grandes constrangimentos. Alguns deles vão até ganhar salários bem mais baixos;

Agora preparemo-nos para a gritaria dos paineleiros do costume, quase todos afinando pelo mesmo diapasão. Pouca experiência, ultra-liberais (para uns, para outros são neo, um dia destes vou esgravatar para ver se descubro as diferenças, como fiz com o célebre «economicista») e meros executores. Pelo que já ouvi nos comentários e análises disponíveis dá-me ideia que o elenco é prometedor. Entenda-se, o que ouvi de mal.
.

Etiquetas: ,

quinta-feira, março 24, 2011

Para entender melhor

[4100]

Um grupo de rapazolas machistas, marialvismo inaceitável, desonestidade do primeiro ministro, manifesta ignorância de matérias sensíveis da vida dos portugueses por parte do governo, desrespeito pelos cidadãos e pelas instituições democráticas, apego ao poder, clientelismo e a saída de Sócrates com a única boa notícia do dia. E ainda a necessidade e o dever que todos temos de nos defendermos de Sócrates. Uma análise serena e muito lúcida de António Barreto à Ana Lourenço.

.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, setembro 09, 2010

Olá Pedro, estás bom? Dá-me daí um beijo...


Alt + Ctrl + Esc. Um dia calhará...

[3894]

E o Pedro, meio embaraçado, com cara de quem não estava a perceber bem o que se estava a passar na sua escola, lá recebeu um exemplar da edição revista e melhorada dos Magalhães. São mais 250.000. E foi ministerialmente osculado também, na bochecha. Que haja alguém que um dia explique a este petiz estes comportamentos absurdos e hipócritas dos adultos. Sobretudo se primeiros-ministros.

Enquanto isso Sócrates vai distribuindo beijos, Magalhães melhorados, e berrando (literalmente) contra os municípios que não querem fechar as escolas e fazendo comícios de cada vez que os diligentes jornalistas lhe colocam um microfone à frente. São as magnas questões deste país que o governo tem de enfrentar.

Na retaguarda, Basílio Horta (quem diria...) vai continuando a sua inacreditável campanha de propaganda pura ao governo de Sócrates. Era vê-lo, pedagógico, cordato e prazenteiro ontem na SIC-N «batendo papo» com o simpático Gomes Ferreira. Só visto.

Alguém me acorde deste pesadelo!
.

Etiquetas: , , ,

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Almoço de mulheres


[3623]

Sócrates vai almoçar hoje com as mulheres do governo. Eu, se fosse mulher chateava-me. Não por ser mulher ou por ter de almoçar com Sócrates. Mas pela patetice em que se insiste, em fazer da presença de mulheres no governo um facto político. Ou humano. Ou social, ou o que lhe quiserem chamar. É do mais sexista, machista, idiota e uma das mais vincadas formas de menorizar as mulheres como elementos natural e inquestionavelmente inseridos na nossa sociedade.

Eu, se fosse mulher, ficava chateada. Ou nem isso. Era mesmo capaz de não ir, mesmo arrostando com o perigo do Grande Líder não me justificar a falta ou se irar. E todos nós abemos do que Sócrates, irado, é capaz!
.

Etiquetas: ,

sábado, setembro 19, 2009

Custa-me a crer, mas...

[3360]

Posso estar redondamente enganado mas palavra de honra que não consigo imaginar um quadro em que o Presidente da República pede a um assessor para mandar, à sorrelfa, uma nota para os jornais segundo a qual ele, presidente, se queixa de que anda a ser escutado. Não encaixa mas, desde que o outro viu um porco a andar de bicicleta já não digo nada. Peço licença porém para conceder todo o benefício da dúvida a um homem que me habitou à seriedade e lisura de processos. Já o governo não me permite um mícron de confiança, habituado como estou ao seu percurso eivado de mentiras, artimanhas, compadrios, estratégias obscuras, suspeitas, favores, cumplicidades (esta história recente da classificação do juiz Rui Teixeira é absolutamente espantosa e quase não merece notícia…) e cujo primeiro ministro contribuiu decisivamente para adensar o cenário com as sua própria forma de estar e lidar com as questões.

Assim sendo, ainda que admitindo estar errado, toda esta história me parece mais esturrada que uma posta de carne numa panela sem molho, tenho mesmo de referir que não consigo ver Cavaco Silva a conspirar da forma como parece querer-se fazer crer. Ou então está tudo tontinho. E a verdade é que os jornalistas também não ajudam.

Nota: Discordo em absoluto da forma como Cavaco Silva não disse nada, acabando por dizer muito, quando adiou para depois das eleições alguma acção sobre a matéria das escutas. Penso que uma situação delicada como esta mereceria acção imediata. Com eleições ou sem eleições. Mesmo que causasse muito burburinho, fosse ele qual fosse, talvez ajudasse a clarificar muita coisa.
.

Etiquetas: , ,