sábado, março 10, 2012

Deixem lá dar ração às vaquinhas...

Cachorro biológico. Recusa-se a comer ração. Só come ossos. Mas, razoavelmente, não se importa se é osso de vaca biológica

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Assunção Cristas vai pedir a Bruxelas para que possamos dar ração às vacas biológicas. Esta notícia ilustra bem a hipocrisia que tem rodeado o fragor à volta da chamada agro-pecuária biológica. Mães conscienciosas e paladinos do politicamente correcto percorrem dezenas ou centenas de quilómetros para comprar um nabo, uma cenoura ou um cestinho de morangos isentos de nitratos (uma coisa que qualquer ecologista traz na ponta da língua, mas poucos saberão exactamente o que seja ou que mal fazem).

Ocorre-me uma banca de produtos biológicos aqui ao pé de mim, na Casa da Guia, aos Domingos, onde normalmente se aglomeram grupos de senhoras conscienciosas e correctas para comprar produtos bacteriologicamente puros… como ouvi no domingo passado e sem que ninguém lhes explique que é porque os produtos são possivelmente portadores de bactérias e/ou doenças criptogâmicas que não são bacteriologicamente puros coisa nenhuma, já que não sofreram tratamento químico. Falta dizer que a maioria dos produtos expostos são enfezados, raquíticos, razoavelmente disformes e super caros. E ocorre-me ainda aqueles que fazem dezenas ou centenas de quilómetros, poluindo a atmosfera, para comprar um pepino marreco, mas saudavelmente isento de nitratos.

Havia tanto para dizer sobre a agro-pecuária biológica…mas talvez baste as pessoas perceberem que sem o elevado padrão atingido na eficácia e reduzido grau de toxicidade de muitas das moléculas de síntese hoje disponíveis no mercado, milhões morreriam de fome no mundo.

Voltando a Assunção Cristas, acho bem que alguém lhe tenha dito que se poderia e deveria dar ração aos biológicos animais que nos dão carne, leite, ovos, manteiga, iogurtes, queijo, requeijão, salsichas, bife com ovo a cavalo, presuntos, paios, fiambres, chourição e outras mariquices que o nosso conforto e padrão de vida inventaram. E se um ou outro destes produtos vierem com um bocadinho de vitaminas a mais ou vacinas a menos, a gente perdoa, em face da seca que atravessamos. E rezemos para que um qualquer comissário de uma qualquer comissão em Bruxelas, não seja alérgico à lactose nem zelota encartado e, em função disso, menos sensível à magna questão de se poder dar ração aos animais.
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quarta-feira, agosto 26, 2009

Pensar nas pessoas 2


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Evidentemente que concedo algumas excepções aos desígnios de António Costa. Ver as ruas do Bairro Azul assim, como na foto, poderia constituir uma plausível razão para acabar com os carros em Lisboa.

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segunda-feira, outubro 20, 2008

Biologias...


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Li algures no Expresso, mas confesso que não me lembro em que rubrica, que se designa impropriamente por agricultura biológica aquela que nos proporciona alimentos vegetais isentos de produtos de síntese. É claro, assim, que se chegarmos um bocadinho de sulfato de amónio a uma batateira, a batata não deixa de ser biológica. É evidente que a pessoa que escreveu aquilo tem toda a razão porque a batata é sempre biológica por muitos remédios e/ou nutrientes que lhe cheguemos.

Na mesma linha de raciocínio, imagino que sempre que algum representante da Quercus tomar uma aspirina deixa imediatamente de ser biológico e passará à condição de um ser desprezível que recorreu aos produtos de síntese. Mais grave, se em vez do genérico ácido acetilsalicílico a aspirina for da Bayer, que é um produto defendido, creio mesmo que essa pessoa passará de desprezível a pouco recomendável. Há que seguir o main stream, que é como se diz agora.

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sábado, março 17, 2007

VEJA, diz a capa. E eu, obediente, vi...



Clicar na foto para entender melhor

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Um cidadão levanta-se, dá uma volta pela blogoesfera, rasa meia dúzia de notícias e dá, de chofre e supetão, com esta foto.

E a questão põe-se: Após uns minutos de contemplação, pergunto-me por que carga de água se torna assim tão imperioso conhecer as mulheres, como diz a revista? O que é que me interessa que a ciência entenda as mulheres? Mas o que é que há para entender numa foto destas? E para quê? Não é estarmos (todos), desnecessariamente, a ligar o “complicómetro”?


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