segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Bottom line - uma colecção de venais



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«Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo».

Se alguma vez neste país eu voltar a ouvir críticas a Chávez, Morales, Castro, Mugabe ou o Kim Il Coiso, digo um palavrão em três dimensões.
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sexta-feira, janeiro 22, 2010

O insustentável peso de ser


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Esta coisa das escutas obtidas à sorrelfa e expostas na net, sejam de Pinto de Costa a manipular o futebol da paróquia ou de uma aluna a agredir uma professora por causa de um telemóvel, meteu-me sempre uma grande confusão. Pois se o acto é ilícito e remete para um campo viscoso de ausência de ética, havendo mesmo quem afirme alto e bom sono que jamais as ouvirá, em nome da decência e da reserva de privacidade de cada um, a verdade é que elas existem e são sempre lidas ou ouvidas por uns quantos milhares de pessoas.

Dito isto, eu compreendo que:

- A quebra do segredo de justiça e a subtracção de meios que permitem a divulgação de escutas é um acto que configura crime e como tal deve ser tratado. Deverá ser investigado e deverá ser garantido um tratamento adequado para que as instituições da justiça não pareçam uma casa de alterne onde, a troco de favores, tudo se consegue;

- Que os visados usem o seu pleno e legítimo direito de apresentar queixa e, naturalmente, serem ressarcidos pelos prejuízos morais e materiais advindos de toda esta balbúrdia que caldeia as instituições de Estado, muito por culpa dos seus próprios agentes.

Já não compreendo nem aceito que:

Os visados, na circunstância actual o Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa, actor principal da peça de coscuvilhice em curso, realize comícios inflamados afirmando que as escutas são uma invenção de Lisboa, que o quer derrubar, afagado por estrepitosos aplausos dos grupos mastigantes habituais que lhe vão prestar vassalagem. É a «cacicagem» no seu melhor, é o nacional «carneirismo» em uso corrente e é esta intolerável mania de alguns que acham que lhes é fácil fazer dos outros lorpas.

Repito. No caso presente, em que toda a gente, ou quase, ouviu ou vai ouvir as escutas, tem de ouvir o Sr. Pinto da Costa afirmar em regime inflamado que é tudo invenção, repito, in-ven-ção e que os lisboetas acordam todos os dias a pensar: o que é vamos inventar hoje para lixar o Pinto da Costa?

Nota: Esta reflexão é aplicável a muitos e conceituados bloggers da nossa praça, a quem assiste todo o direito de questionar a licitude da publicação das escutas, mas que deviam, tal como Pinto da Costa, ter alguma reserva (e pudor) em fazer dos outros parvos.

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terça-feira, novembro 24, 2009

A berraria a fazer jurisprudência


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Marinho e Pinto continuou ontem, no Prós e Contras, a sua cruzada em defesa de José Sócrates. Baseou a sua defesa na estridência, na intimidação e na manipulação hábil da palavra. A este propósito ocorre-me como «atentado ao Estado de direito» passou a «destruição do Estado de direito», expressão repetida á exaustão pelo patrono oficioso do primeiro-ministro no programa de ontem.

Marinho e Pinto segue o caminho ínvio das técnicas exauridas da esquerda, quais sejam de entre elas, por exemplo, a de não deixar falar ninguém, interrompendo a todo o momento toda a gente e, especialmente, sobrepondo a sua voz, engordada por muitos decibéis, de cada vez que pressente uma afirmação mais agressiva e menos conveniente por parte do seu interlocutor. Marinho e Pinto é agressivo, obcecado e obsessivo. Desconheço as razões e já me cansa escrutinar comportamentos para perceber o que vai na alma das pessoas.

À primeira vista, Marinho e Pinto poderia ser confundido e esbatido na vaga de esquerda que os portugueses insistem em cavalgar, mas eu creio que Marinho e Pinto é tão de esquerda como eu. Ele é assim porque de duas uma; ou é de uma ingenuidade atroz, o que custa a acreditar, ou está deliberadamente a assumir a defesa de um homem, José Sócrates, por força de uma zanga com a vida e com os homens que lhe rói as entranhas e de ódios que estima e cuida como se de um gato doméstico se tratasse. Como não sou psicanalista tenho de me render às insuficiências da minha ignorância e limitar-me à posição mais cómoda de que a defesa que Marinho e Pinto faz de Sócrates é, no essencial, pouco séria e lhe serve de afago para o seu imenso ego. O resto é fogo de vista.

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sábado, setembro 19, 2009

Custa-me a crer, mas...

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Posso estar redondamente enganado mas palavra de honra que não consigo imaginar um quadro em que o Presidente da República pede a um assessor para mandar, à sorrelfa, uma nota para os jornais segundo a qual ele, presidente, se queixa de que anda a ser escutado. Não encaixa mas, desde que o outro viu um porco a andar de bicicleta já não digo nada. Peço licença porém para conceder todo o benefício da dúvida a um homem que me habitou à seriedade e lisura de processos. Já o governo não me permite um mícron de confiança, habituado como estou ao seu percurso eivado de mentiras, artimanhas, compadrios, estratégias obscuras, suspeitas, favores, cumplicidades (esta história recente da classificação do juiz Rui Teixeira é absolutamente espantosa e quase não merece notícia…) e cujo primeiro ministro contribuiu decisivamente para adensar o cenário com as sua própria forma de estar e lidar com as questões.

Assim sendo, ainda que admitindo estar errado, toda esta história me parece mais esturrada que uma posta de carne numa panela sem molho, tenho mesmo de referir que não consigo ver Cavaco Silva a conspirar da forma como parece querer-se fazer crer. Ou então está tudo tontinho. E a verdade é que os jornalistas também não ajudam.

Nota: Discordo em absoluto da forma como Cavaco Silva não disse nada, acabando por dizer muito, quando adiou para depois das eleições alguma acção sobre a matéria das escutas. Penso que uma situação delicada como esta mereceria acção imediata. Com eleições ou sem eleições. Mesmo que causasse muito burburinho, fosse ele qual fosse, talvez ajudasse a clarificar muita coisa.
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