quinta-feira, julho 30, 2015

Garotos de programa


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Havia uma expressão oriunda do Brasil mas mais ou menos consensual por onde quer que se falasse português, as garotas de programa. As garotas deveriam ter as formas sinuosas das caricaturas de Vilhena e os programas dependeriam da capacidade financeira de cada um, desde o simples cineminha com direito à mão no joelho ou, mesmo, na coxa, até ao jantar de menu sofisticado e recinto de dança. Qualquer dos programas acabava, naturalmente, num cenário de alcova. Hoje, com os ajustes da época, a coisa mantém-se mais ou menos na mesma, sendo que a qualidade do programa (e da garota) continua a depender do plafonamento (para usar uma expressão em uso) do cartão de crédito.

Mas há uma variante de tomo. Eis que os garotos de programa impõem igualmente a sua presença. Não têm decotes, saias justas ou salto-agulha, usam fatos, sapatos e gravatas de marca e, ao contrário, das garotas de programa, não cuidam da discrição. Pelo contrário, falam que não se calam e com o mento grave, severo e inspirador da seriedade dos seus intentos aproveitam todo o microfone, gravador ou celular que lhes metem à frente para falar dos seus programas. Ele é pensões, salários, medidas mirabolantes sobre o progresso e bem-estar e tudo faz parte dos seus programas. Por isso são, com propriedade, os garotos de programa. Saem é mais caro que as tais garotas. Não querem dinheiro, nem lagosta, bailarico ou mão no joelho numa sala escura de cinema. Querem um papelinho a que, prosaicamente, dão o nome de voto. E, se tiverem muitos, a coisa então fica-nos cara a valer. Locupletam-se com uma série infinda de prebendas e nós, os que lhes damos os votos, continuamos tesos, «isso»…  e mal pagos. Alguns deles vão presos (poucos), outros não. Mas os garotos de programa, ciclicamente, continuam a atacar. Como agora. É programas por todo o lado. E o dia da paga, do voto, está a chegar.

Não posso deixar de registar que a garota de programa dá muito mais gozo e, sobretudo, tem um capital de nobreza que os garotos de programa não têm. Não escondem nada e todos sabemos ao que vamos (os programadores e os programados). Já com os garotos…

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segunda-feira, julho 27, 2015

José Alberto Carvalhice


É «isto» o que espera os nossos emigrantes em Amsterdam. Como é que eles não hão-de querer voltar para os braços das mães deles?

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O anti-passismo, passe o neologismo mais ou menos pateta, não tem limites. Ainda há dia algumas pessoas (não muitas) se insurgiam contra a criteriosa escolha de «perguntadores» ao primeiro-ministro. Deram nas vistas alguns deles, sendo que houve um a quem foi dada a prerrogativa de fazer um comício antes da pergunta. Sendo que a pergunta era qualquer coisa como  porque é que ele nasceu do lado errado, ao contrário do primeiro-ministro que terá nascido no lado certo.

Claro que o episódio foi razoavelmente burlesco para ser levado a sério por gente de bem mas, ainda assim, não deixou de merecer reparos e José Alberto Carvalho não escapou a merecidas críticas. Mas houve um pormenor em que poucos parecem ter reparado. No fim das perguntas, José Alberto Carvalho afivelou o sorriso do repórter expedito e pediu a Passos Coelho um comentário a uma canção «muito em voga» (SIC). E a canção veio. Por acaso eu até já me tinha referido a ela há algum tempo atrás. Mas quando se goza Passos Coelho por nos ter chamado piegas (o que, de resto, não é verdade, ele não chamou piegas a ninguém, mas foi o que ficou) e se põe a rodar uma canção tenebrosa do não menos tenebroso Pedro Abrunhosa, onde se diz que a Alemanha é cinzenta, a saudade é tamanha, e o Verão que nunca mais chega e o Abrunhosa quer ir para casa, pisar a terra em brasa (o quentinho dos portugueses) e voltar para os braços da mãezinha. Para além de que o homem emigrou mas levou um pouco de terra a cheirar a pinheiro e a serra e a imagem de pombas a voar no beiral…e depois, em Amsterdam, não é que aquilo está cheio de putas, compra-se amor pelo jornal, logo ele que até tem diploma que leva na mala mas deixou o amor para trás. E em Paris? O frio que faz? Ná… ele quer é voltar para os braços da mãe. Problema é que o Passos Coelho não deixa, mandou os jovens emigrar e anda a roubar nas pensões dos pais.

Se há dúvidas na pequenez, mesquinhice e mariquice da canção e na grandeza da chico-espertice de Abrunhosa e Carvalho é ler a letra toda aqui. E quando me lembro da crítica das letras das «cançonetas» e do «nacional-cancenotismo» do Estado Novo, não posso deixar de reflectir que não só comemos daquilo que gostamos como estamos, sem dúvida, a refinar os nossos méritos. José Alberto Carvalho, a sério ou em provocação, escolheu a canção certa para pedir a opinião de Passos Coelho.

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quinta-feira, junho 02, 2011

(Des)empate técnico

Sportinguista, anti-benfiquista, Socretino, anti-Passista, um bom exemplo de empates técncicos (isto do futebol ajuda bem a conhecer as pessoas).


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Ou é da minha vista ou a comunicação social anda mais cautelosa e maneirinha. Da euforia do empate técnico com que nos bombardeavam a todo o instante, passaram a um registo «tufinha» e simpático e até as imagens de Sócrates passaram a ser diferentes (mais feionas) na televisão.

Entretanto as empresas de sondagens iniciaram igualmente um exercício desmultiplicador de razões técnicas para o PSD ter, finalmente, descolado do PS. E explicam-nos didacticamente essas razões para a descolagem. Cá por mim foi do tempo e de outras coisas boas. Está sol, a selecção joga esta Sábado, os pepinos portugueses são de confiança e não têm bactérias malvadas, o Sócrates anda rouco e o povo, assim como quem vai de caminho, resolveu empurrar o PSD para a descolagem.
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Mente até ao fim



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Sócrates foi apanhado na sua última (torpe) mentira. As mentiras deste homem já se instalaram livremente nas vias da nossa resignada tolerância, Mas convenhamos que esta última, entenda-se ter baseado grande parte da sua campanha eleitoral no pressuposto de que o PSD queria baixar a TSU em 4%, coisa que ele, Sócrates, de todo rejeitava, ainda que acedesse em estudar a situação, quando em 17 de Maio havia já um acordo assinado onde se previa uma major reduction da taxa, esta última mentira, dizia eu, ultrapassa em muito o esperado, mesmo de uma criatura para quem a decência e integridade são palavras vãs. Simplesmente repulsiva a forma como Sócrates conduziu esta matéria.

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terça-feira, maio 31, 2011

Matéria factual







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«Isto» é matéria factual. Devia sustentar um «case study» sobre o que faz com que ainda cerca de 30% de eleitores se disponham a votar nesta patética criatura.

Paternidade: 31 da Armada
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Pouca vergonha




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A acusação generalizada de que, durante a campanha, os Partidos se limitaram ao insulto e à acusação não é verdadeira. Antes, faz parte de uma estratégia meio tosca de meter no mesmo saco a forma trauliteira com que Sócrates se dispôs estrategicamente a atacar os adversários, sobretudo o PSD. A comunicação social, na minha opinião, conscientemente, faz passar essa mensagem, com especial incidência por parte da SIC Notícias, mas essa é um forma desonesta de rotular uma campanha na qual, em boa verdade, os outros Partidos se limitam a defender-se do PS. E, naturalmente, a ripostar. Na verdade, julgo até ser de exaltar a forma elegante, paciente e educada com que o PSD, o CDS e o PCP conduziram a campanha, O mesmo não poderei dizer do BE, mas deste Partido será sempre difícil esperar alguma elevação no debate.

Sócrates fez uma campanha vergonhosa. Ele deliberadamente escamoteou todos os temas eventualmente interessantes para o debate, para se entregar ao insulto continuado e às acusações permanentes aos seus adversários. Vale a pena ver aqui uma curiosa selecção de acusações, dispostas de forma cronológica e que dizem tudo. Entretanto e porque hoje também é dia, Sócrates acusou outra vez.

De Sócrates, não esperaria outra coisa. Da comunicação social, sinceramente, sim. Fazer passar a mensagem de que os Partidos se acusam e agridem uns aos outros é uma falácia, é desonesto e remete a generalidade dos comentadores políticos para o lugar que merecem. Parciais, politicamente desonestos, mariolas, claquistas e sem uma réstea de vergonha.
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segunda-feira, maio 23, 2011

Internacionalismo?

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Com tantos apoiantes indianos, paquistaneses, moçambicanos, chineses, o PS regressou à sua génese internacionalista, um termo que há bem poucos anos só não ia bem com a gravata porque os socialistas não usavam gravata. Proletária é que nem por isso. Estes apoiantes é mais bolos, cabeleireiros, lojas de trezentos, restaurantes e lugares de fruta, ali para o Intendente e Martim Moniz. Um ou outro operário de construção civil dão a desejável pincelada cromática à coisa.

Esta poderia ser uma estimável inciativa do PS se obtivéssemos como contrapartida o envio de Sócrates para Nova Délhi, Islamabad, Maputo ou Pequim. Fazer o quê? Problema dele. Vender magalhães em segunda mão, porque não? Projectar marquises e garagens para talibãs reconvertidos em Peshawar podia ser uma possibilidade também...
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domingo, maio 22, 2011

Afinal havia outros...


«Pakistanistas» do Intendente em Évora



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E estava eu posto em sossego a irritar-me com o uso (o tal trabalho precário que o PS agita para acusar o PSD?) de miúdos moçambicanos que foram a Évora gritar viva o PS, quando dou uma volta de final de domingo pelas notícias e verifico que, afinal, a coisa metia paquistaneses, indianos e outros voluntariosos apoiantes de Sócrates que, a troco de um passeio e de uma sanduiche (!!!!!), atracaram à Praça do Giraldo. Ver a notícia aqui.

Sócrates tem que ser espremido. Já. Como um furúnculo. E com o cuidado necessário a não deixar o «carnicão» lá dentro para a coisa não infectar outra vez. Este homem é pouco sério, é trambiqueiro e não olha a meios para se manter no poleiro (não digo «pote» para não soltar a ira «abrantina»). E, repito, Sócrates não faz apenas mal. Às pessoas e ao país. Ele embaraça-nos. Cá dentro e lá fora. Basta ler meia dúzia de jornais insuspeitos. Ele é motivo de chacota generalizada e, por ele, já ninguém nos respeita. Este homem tem de ser corrido a votos. Já que corrê-lo de outra forma não está de acordo com os trâmites em uso nas democracias.
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