sábado, outubro 10, 2015

Por mim chega, já dei para este peditório


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Deixo a articulação das teorias sobre a legitimidade de um governo menos votado vir a constituir governo, bem assim como a interpretação de prováveis meandros da Constituição para os especialistas da matéria. Ainda que muitos desses especialistas não me inspirem qualquer confiança, já que eles se fundem na maioria dos comentaristas habituais que resfolegam de prazer e da fútil vanidade de se ouvirem a si próprios pelas televisões disponíveis. Mas há que reconhecer que tanto o FB como os blogues têm uma assinalável produção de crítica inteligente que aborda esta tremenda crise em que um fulano ressabiado se atirou para o colo de um grupo de outros fulanos, tão ressabiados como ele, mas com a substancial diferença de serem igualmente potenciais torcionários e violentos. Sei do que falo.

E por isso deixo aqui apenas uma palavra de espanto pela nossa (entenda-se nossa, portuguesa) capacidade de borrarmos a escrita de cada vez que se consegue fazer alguma coisa de jeito na remissão das habituais heranças do Partido Socialista, por via das acções espúrias que pontilham as sua legislaturas. Desta vez apanhamos com um indivíduo mal formado, refiro-me sem qualquer rebuço a um tal de A. Costa, de quem ouvi pela primeira vez falar quando resolveu fazer uma corrida entre um Ferrari e um burro na Calçada de Carriche, e que deixou uma marca política, como dizer… sem marca nenhuma, que não seja o seu insuportável populismo e o emblema da claque prosélita de governos duvidosos e personagens ainda mais duvidosas.

Por mim, que já não sou um garoto, cansei-me da impotência ou do condicionalismo que me obrigou durante uma considerável parte da minha vida a viver entre comunistas. Tive a minha dose. Não porque quisesse, mas porque cedo, muito jovem ainda, fui um joguete nas mãos deste maralhal oportunista, torcionário e que, por qualquer razão que nunca consegui entender, passou na malha de um regime democrático como o nosso, inserindo-se numa actividade parlamentar que eles, pelo seu lado, nunca permitiriam se fossem Poder, por exemplo. 

Para que se saiba. De certa forma, entendo as pessoas que nasceram depois do 25 de Abril e/ou que souberam ainda criancinhas, do colapso inevitável do comunismo e da criminosa União Soviética. Sabem das coisas por ouvir falar ou, frequentemente, pela história de arranjo doce, progressista e mentirosa que campeia por aí. Outros poderão ter uma ideia mais realista dos acontecimentos mas são suficientemente imbecis como um deputado comunista que uma vez emulou a Coreia do Norte no Parlamento e hoje anda por aí a presidir a uma autarquia qualquer, julgo que Loures.

Mas atenhamo-nos a Portugal e deixemos a Coreia do Norte, Cuba (em cómica reciclagem) e as versões «Coronel Tapioca» da Venezuela e da Bolívia ou as divagações oníricas de Dilma ou de Kirchner. Quando, depois de um esforço tremendo por parte de todos os portugueses para «endireitar» Portugal, esses portugueses votam num Partido que entenderam como responsável por essa quase ressurreição ou num Partido de matriz semelhante, com divergências de fundo sobre algumas políticas e quando, juntos constituem 70% do eleitorado que, obviamente, rejeita o aventureirismo e oportunismo dos comunistas, e aparece agora uma instável criatura que não admite a derrota e, circunstancialmente, consegue colocar-se numa posição-chave da problemática política, a situação torna-se muito complicada e exige medidas firmes. Não sei de quem, nem quais. Deixo isso aos especialistas. Talvez que ao Presidente da República, não sei. O que sei é que não é possível desperdiçar, pulverizar o capital de confiança que com tanto esforço e sacrifício adquirimos internacionalmente, a posição que retomámos no concerto da União Europeia (onde estamos porque quisemos, ninguém nos obrigou) e remetermo-nos a um futuro que nem consigo sequer projectar.

Pela minha parte, estou realmente farto. Já tive a minha conta. Ainda acredito na dinâmica da nossa sociedade civil e na seriedade de muitos dos nossos agentes políticos e das nossas instituições para pôr termo a esta doideira que se instalou e que já causou, não duvidemos, graves danos a todos nós. Duvido que internacionalmente olhem para nós com a confiança que olhavam há poucas semanas atrás. Para além de que, digo, a Europa deve estar farta de nos aturar. Passamos a vida nisto. A complicar e a pedinchar dinheiro de cada vez que damos com os burrinhos na água. Pela minha parte, repito, estou farto. Não me sujeitarei, JAMAIS, a um regime político que possa emanar destas «cortesias» que vão por aí, antes de começar a tourada propriamente dita. E se isso acontecer, que faça bom proveito aos que cá ficarem por gosto e a minha sincera solidariedade pelos que ficam porque têm que ficar. Que eu, aqui o afirmo com as vírgulas todas, vou pastar para outros prados.

Nota: Referi-me apenas ao PCP, porque o Bloco, para mim, não é mais que uma excrescência snobe do mesmo totalitarismo. O Bloco e a miríade de grupelhos que surgiram por aí e que acabam por se diluir na parolice nacional. Mais tarde ou mais cedo.

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sábado, janeiro 11, 2014

O oportunismo como acto político



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A mais pindérica manifestação do pinderiquismo e pelintrice nacionais. Pedro Abrunhosa quer voltar para os braços da mãe dele, diz que é tão cinzenta a Alemanha, a saudade é tamanha, que levou um pedaço de terra da terra dele a cheirar a pombos no beiral e que comprou amor em Amsterdão, pelo jornal (umas pegas, aquelas holandesas). Já em Paris faz um frio desgraçado, Pedro sente-se memória e desenraizado e pergunta-se porque é que havia de deixar a terrinha, onde estão as raízes e a paz. Por isso ele quer é voltar para os braços da mãe. Ver aqui.

Em paralelo, Pedro dá uma entrevista onde afirma que esta canção tem a ver com as grandes dificuldades do povo português e da sua sina em se ver obrigado a emigrar. Um acto político, pois. Só faltou encaixar uma rima, tipo, «...estou cansado do Catroga, um pintelho. E a culpa é do Passos Coelho...».

O pessoal vai gostar imenso e um dia destes ele canta isto no Pavilhão Atlântico, as lágrimas rolam e à noite a Ana Lourenço entrevista um «tudista» qualquer a falar na emigração.

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domingo, março 07, 2010

Um homem patusco


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"O Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, acusou hoje o poder judicial de estar “empenhado em derrubar o primeiro-ministro”.

Este homem é um homem do sistema e berra contra ele em seu benefício e de si próprio. Encolhe a barriga e equilibra-se nos bicos dos pés lavados na bacia do socialismo democrático, para “estrilhar” o mau feitio de que parece ter sido feito, usando o “estrilho” numa óbvia tentativa de desestabilização por via de reversão dos factos. Mas, à boa maneira do sistema vigente, em que as protuberâncias democráticas assentam no populismo, na mentira e numa total ausência de sentido de estado e cultura cívica, atira-se às canelas de quem quer que seja que lhe tolha os intentos. E tolher-lhe os intentos é, nesta altura, manter este estado de permanente suspeição em relação a um primeiro-ministro omnipresente e em relação ao qual não há forma como mantê-lo isolado do escrutínio popular.

Marinho Pinto, por outro lado, não pode esquecer-se de que tem a responsabilidade de representar uma classe, ele tem de manter presente que fala em nome da classe que representa e a forma como decidiu entregar-se á defesa incondicional de José Sócrates é um insulto a essa classe, é um abuso de opinião que ele não pode ter.

Resta a perversidade deste homem se valer de um argumentário onde escamoteia, de forma grosseira e, até, pouco inteligente, um conjunto de gatos que, por muito que ele tente esconder, lhes deixa sempre o rabo de fora.

Marinho Pinto devia ser obviamente responsabilizado pelas graves afirmações que tem vindo a produzir. A menos que sejam verdadeiras, o que tornaria as coisas ainda mais graves e instalaria, em definitivo, a desesperança final.

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terça-feira, outubro 13, 2009

A brincar, a brincar…


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Vai correndo por aí que Clara Ferreira Alves poderá vir a ser a nova ministra da cultura. Ficam explicadas algumas das vezes em que o leite veio por fora do fervedor. Clara não é parva e pode ter dado por isso antes dos demais. Daí que as suas fúrias ao PSD alternadas com a languidez com que se entregava à volúpia de se referir a Sócrates estejam agora amplamente justificadas.

Mesmo que não dê nada, fica, pelo menos, o território marcado.

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