quarta-feira, novembro 04, 2015

Mentiras de papel passado


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Quando um comunista diz que a palavra de um comunista vale tanto como um papel assinado temos de admitir que ou ele anda mal informado ou muito provavelmente já introverteu a doutrina partidária e sabe que está a mentir quando diz que um comunista não mente.

João Oliveira é um jovem e admito até que viva ainda naquela auréola de pureza dos ideais comunistas. Mas, que diabo. É advogado, é deputado já há bastantes anos, tem obrigação de saber que a palavra de um comunista vale tanto como o paleio de um feirante a vender rifas de panelas. Nem sempre porque um comunista seja mentiroso, mas apenas porque o comunismo, ele sim, é mentiroso e um comunista que se preze deve total e singular submissão à cartilha que lhe deram, assim uma espécie de catecismo de uma catequese que ele não entende, mas sabe que deve obedecer.

Pessoalmente, podia dar mil exemplos de mentiras comunistas ao João Oliveira. Mas não vale a pena porque ele vai continuar sempre a dizer que a palavra dele vale tanto como um papel assinado. Mas com 35 anos… ele está bem a tempo de se informar melhor. E de duas uma, ou continua com a prosápia deste vídeo ou envergonha-se e passa a mentir menos.


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sábado, outubro 10, 2015

Por mim chega, já dei para este peditório


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Deixo a articulação das teorias sobre a legitimidade de um governo menos votado vir a constituir governo, bem assim como a interpretação de prováveis meandros da Constituição para os especialistas da matéria. Ainda que muitos desses especialistas não me inspirem qualquer confiança, já que eles se fundem na maioria dos comentaristas habituais que resfolegam de prazer e da fútil vanidade de se ouvirem a si próprios pelas televisões disponíveis. Mas há que reconhecer que tanto o FB como os blogues têm uma assinalável produção de crítica inteligente que aborda esta tremenda crise em que um fulano ressabiado se atirou para o colo de um grupo de outros fulanos, tão ressabiados como ele, mas com a substancial diferença de serem igualmente potenciais torcionários e violentos. Sei do que falo.

E por isso deixo aqui apenas uma palavra de espanto pela nossa (entenda-se nossa, portuguesa) capacidade de borrarmos a escrita de cada vez que se consegue fazer alguma coisa de jeito na remissão das habituais heranças do Partido Socialista, por via das acções espúrias que pontilham as sua legislaturas. Desta vez apanhamos com um indivíduo mal formado, refiro-me sem qualquer rebuço a um tal de A. Costa, de quem ouvi pela primeira vez falar quando resolveu fazer uma corrida entre um Ferrari e um burro na Calçada de Carriche, e que deixou uma marca política, como dizer… sem marca nenhuma, que não seja o seu insuportável populismo e o emblema da claque prosélita de governos duvidosos e personagens ainda mais duvidosas.

Por mim, que já não sou um garoto, cansei-me da impotência ou do condicionalismo que me obrigou durante uma considerável parte da minha vida a viver entre comunistas. Tive a minha dose. Não porque quisesse, mas porque cedo, muito jovem ainda, fui um joguete nas mãos deste maralhal oportunista, torcionário e que, por qualquer razão que nunca consegui entender, passou na malha de um regime democrático como o nosso, inserindo-se numa actividade parlamentar que eles, pelo seu lado, nunca permitiriam se fossem Poder, por exemplo. 

Para que se saiba. De certa forma, entendo as pessoas que nasceram depois do 25 de Abril e/ou que souberam ainda criancinhas, do colapso inevitável do comunismo e da criminosa União Soviética. Sabem das coisas por ouvir falar ou, frequentemente, pela história de arranjo doce, progressista e mentirosa que campeia por aí. Outros poderão ter uma ideia mais realista dos acontecimentos mas são suficientemente imbecis como um deputado comunista que uma vez emulou a Coreia do Norte no Parlamento e hoje anda por aí a presidir a uma autarquia qualquer, julgo que Loures.

Mas atenhamo-nos a Portugal e deixemos a Coreia do Norte, Cuba (em cómica reciclagem) e as versões «Coronel Tapioca» da Venezuela e da Bolívia ou as divagações oníricas de Dilma ou de Kirchner. Quando, depois de um esforço tremendo por parte de todos os portugueses para «endireitar» Portugal, esses portugueses votam num Partido que entenderam como responsável por essa quase ressurreição ou num Partido de matriz semelhante, com divergências de fundo sobre algumas políticas e quando, juntos constituem 70% do eleitorado que, obviamente, rejeita o aventureirismo e oportunismo dos comunistas, e aparece agora uma instável criatura que não admite a derrota e, circunstancialmente, consegue colocar-se numa posição-chave da problemática política, a situação torna-se muito complicada e exige medidas firmes. Não sei de quem, nem quais. Deixo isso aos especialistas. Talvez que ao Presidente da República, não sei. O que sei é que não é possível desperdiçar, pulverizar o capital de confiança que com tanto esforço e sacrifício adquirimos internacionalmente, a posição que retomámos no concerto da União Europeia (onde estamos porque quisemos, ninguém nos obrigou) e remetermo-nos a um futuro que nem consigo sequer projectar.

Pela minha parte, estou realmente farto. Já tive a minha conta. Ainda acredito na dinâmica da nossa sociedade civil e na seriedade de muitos dos nossos agentes políticos e das nossas instituições para pôr termo a esta doideira que se instalou e que já causou, não duvidemos, graves danos a todos nós. Duvido que internacionalmente olhem para nós com a confiança que olhavam há poucas semanas atrás. Para além de que, digo, a Europa deve estar farta de nos aturar. Passamos a vida nisto. A complicar e a pedinchar dinheiro de cada vez que damos com os burrinhos na água. Pela minha parte, repito, estou farto. Não me sujeitarei, JAMAIS, a um regime político que possa emanar destas «cortesias» que vão por aí, antes de começar a tourada propriamente dita. E se isso acontecer, que faça bom proveito aos que cá ficarem por gosto e a minha sincera solidariedade pelos que ficam porque têm que ficar. Que eu, aqui o afirmo com as vírgulas todas, vou pastar para outros prados.

Nota: Referi-me apenas ao PCP, porque o Bloco, para mim, não é mais que uma excrescência snobe do mesmo totalitarismo. O Bloco e a miríade de grupelhos que surgiram por aí e que acabam por se diluir na parolice nacional. Mais tarde ou mais cedo.

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terça-feira, outubro 08, 2013

O Arménio dormiu mal


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Agora é na Ponte sobre o Tejo. Uma manifestação/marcha contra a exploração, ela própria explorando e chateando quem quer ou precisa de passar a ponte sem percalços e em segurança. Com sorte (para o Arménio), até pode ser que morra alguém, tornando a «acção» muito mais vívida e eficaz.

Começa a ser muito penoso, a raiar o insuportável, ter que aturar os humores desta gente. Já cansa ouvir que os comunistas têm uma implantação mais ou menos residual na sociedade portuguesa quando, afinal, continuam a beneficiar duma exasperante bonomia por parte das autoridades, da comunicação social, das instituições democráticas e abulia por parte da maioria dos cidadãos que são frequente e severamente prejudicados por um punhado de agitadores e por uma massa de agitados, genuinamente convencidos que trilham o caminho do bem e desafortunadamente ignorantes sobre as virtudes do comunismo. Alguém que lhes explique.


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segunda-feira, julho 15, 2013

Cuidado com o Tiago...


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… põe-te a pau, Miguel. Põe-te a pau, porque já não há muitos países que te aturam como nós. Não só te aturamos como te emulamos, por qualquer razão que me escapa. Mas põe-te a pau. Na tua infinita ignorância e imbecilidade, não reparas, ou não sabes, que quando havia muitos países onde o povo era todo comunista, convicto ou à força, acabava tudo na miséria e a morrer de fome. Sério. Informa-te. Havia bichas para comer, para morar, para te ensaboares no banho, para teres uma vela para acender de noite (a luz fartava-se de faltar…) e acabava tudo em bichas para cantar vivas ao regime e a dar palmas organizadas (o termo não é meu, é vosso…) e aí, a solução era o impulso internacionalista. O impulso não era teu, era o impulso que te diziam para teres, porque nestas coisas só os comunistas que mandam é que podem ter impulsos, os outros, os que não mandam, limitam-se a tugir. Havia sempre uns «países em desenvolvimento», com imensos líderes voluntariosos e carregadinhos de matérias primas e lá iam vocês todos, «internacionalistar», mentalizar, doutrinar e, de caminho, ajudar a prender ou a matar uns quantos mais recalcitrantes que abriam demais a boca ou andavam com uma nota de vinte dólares no bolso para «sabotar a economia» e a coisa lá ia dando para ires ganhar uns trocos. Não muitos, mas compensados com umas benesses para quando chegasses a casa. Um aspirador ou uma torradeira já chegava. Com sorte, um emprego importante.

Mas até esses países são cada vez menos, Tiago. Os líderes políticos cansaram-se de vocês… vocês «comiam tudo e não deixavam nada», como dizia o nosso bem intencionado Zeca, os países em desenvolvimento não desenvolviam porra nenhuma e os líderes passaram a preferir regimes políticos melhores. Longe de perfeitos, mas incomparavelmente melhores e mais saudáveis. Por isso os teus correlegionários regressaram a penates e não lhes restou alternativa que não fosse deitar o muro abaixo, dar uma carga de lenha no Ceausescu e engrossar a multidão que passou a perceber o mundo e a ver aquele filme Good Bye Lenine uma data de vezes e a tirar-lhe a raíz quadrada. E como estavam habituados a bater palmas, voltaram a aplaudir, muito, com a vantagem de não precisarem de «palmas organizadas». Era à balda, cada um aplaudia como queria e pelo tempo que lhe aprouvesse.

E assim se foi andando. Restaram um punhado de países, que se contam pelos dedos de uma mão, onde o comunismo medra ou, melhor dizendo, se aguenta, porque os que não aguentam ou conseguem fugir num barquito qualquer para a decadente Miami ou descolam de uma equipa de uma qualquer modalidade desportiva. Mas, hélas, Portugal está aí. Com a sua proverbial bonomia e com a sua idiotia inata, achando que há tiranos maus, com a Le Pen e tiranos bons, bonzinhos, como tu, que insistem em achar que temos a obrigação de te dar de comer, de vestir, tratar o pé-de-atleta e de permanecer atento, venerador e obrigado perante a tua superioridade moral e até te dá um lugarzinho de deputado. E num regime livre. Jamais encontrarás um outro país como ele. Mas põe-te a pau, Tiago. Porque, for argument sake, se um dia fôssemos todos comunistas, quem é que paga os teus «direitos»? Lá estavas tu condenado à miséria, às bichas para o pão, aos talões de racionamento. Podia ser até que, no início, já que és deputado, conseguisses o direito a uma casita na província. Mas, lá está. Mais dia mais menos dia acontecia-te como aos teus camaradas e terias de te tornar internacionalista, ó Tiago. Mas, põe-te a pau Tiago. Internacionalista aonde? Que me conste só se for para Cuba, Coreia do Norte ou para uma selva remota da Bolívia ou da Colômbia. E nesses países, imagina, pedem-te visto. Tens ainda a chance de seres internacionalista num país islâmico qualquer. Mas aí, não há funfuns nem gaitinhas… como bom tuga que és, como é que era depois com o entrecosto e o tintol? Como é que fazias?

Hum! Põe-te a pau, Tiago. Vale-te estar no país mais idiota do mundo que te atura e benze porque és um tiranete bonzinho. Idiota, mas bonzinho. Mas não te fies. Põe-te a pau. Cada vez há menos destinos internacionalistas. Para não falar que cada vez mais vamos estando fartos de te aturar. E nem toda a gente terá medo das tuas ameaças à «integridade física», um termo que refinaste e que te achas com direito de infligir aos «fassistas», numa sociedade minimamente desenvolvida, mas que tu, lá no imo do teu universo trauliteiro, sabes que significa uma carga de porrada. Em casos benignos. Porque se for preciso, uma velha «Kalash» resolve o assunto.
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sexta-feira, julho 12, 2013

Ser comunista e ter cunha


[4929]

Tenho uma certa dificuldade em entender a razão por que os comunistas são tratados como uma espécie de vacas sagradas em que não se pode tocar com uma flor. Apesar de serem reconhecidamente trauliteiros e darem um uso indevido à liberdade que lhes é concedida pelo regime democrático em que têm a graça de poder viver, de poderem pensar e dizer o que lhes der na gana.

Acontece que os comunistas têm, em geral, um problema de base, qual seja o de conviverem muito mal (ou não conviverem, sequer) com a liberdade. Acreditam piamente que toda a gente é livre de pensar e agir como eles. Sempre assim foi e sempre assim será. Acresce que sempre que dispõem de poder, como é o caso da maioria dos sindicalistas, usam-no na manipulação hábil das massas, cultivando um proselitismo à la mode, infundido e apoiado em dois pilares principais – o uso de benesses (vide os barbeiros da Carris) e um clima de temor infligido àqueles a quem lhes apetece usar risco ao meio em vez de usar o risco do lado que lhe dizem.

O resultado é este afrontamento permanente, por via de grupos organizados, escalonados, nomeados e subsidiados para impedirem as pessoas de falar, insultar (e agredir) governantes, gargalhar em sessões públicas e, como ontem, fazerem a triste figura que fizeram no Parlamento.

Pergunto-me se, por exemplo, foi possível acabar com os «hooligans» identificando-os e pura e simplesmente proibindo-os de ir ao futebol, porque é que não é possível fazer o mesmo a todos aqueles que, como ontem, acham que a liberdade é a deles, espezinhando a liberdade dos outros? Porque não se identifica aquela gente e se proíbe que eles assistam a sessões da Assembleia durante um período de tempo? Afinal aquilo não é crime?

Uma última nota de registo à presença no grupo de arruaceiros da Assembleia de Mário Nogueira (o professor) e Ana Avoila. A comunicação social noticiou e episódio dizendo um grupo de sindicalistas e funcionários, ou um numeroso número de manifestantes. Também surgiram locais na imprensa onde a presidente da Assembleia era reverberada por se ter irritado e feito citações literárias.

Se eu fosse professor ou funcionário público tenho a certeza que não me reveria em qualquer sindicato encabeçado por aquele tipo de criaturas. Mas, enfim, os professores e os funcionários lá saberão!
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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

E ninguém vai preso?


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Mais uma vez, cerca de cinquenta tontos malcriados foram a Aveiro chamar ladrão e assassino ao primeiro-ministro. Este tipo de episódios torna-se recorrente e recolhe, habitualmente, a benevolência da comunicação social que acha que a liberdade é isto. As pessoas não gostam e dizem que não gostam. Ora, parece-me que ninguém já hoje discute a liberdade de cada qual se manifestar em acordo ou desacordo com o que quer que seja. Mas chamar liberdade a grupelhos que transvazam o seus humores e frustrações por via de uma ideologia que eles, de todo, desconhecem na sua realidade histórica, parece-me uma liberdade poética.

Não entendo porque é que tanta gente vai a tribunal responder por injúrias e outra se passeia incólume pelo país chamando assassino e ladrão a figuras que, goste-se ou não, são figuras institucionais de um regime democrático, foram eleitas e representam, em última análise, aqueles que ora os injuriam. Uns dirão que são os aleijões da própria democracia. Outros, como eu, acharão que isto mais não é que uma reverência idiota aos desígnios de um Partido, o PCP, que antes de chamar ladrão ou assassino a alguém deveria ter medo que lhe caia em cima algum caco de vidro dos telhados que tem.
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sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Contra a exploração e o empobrecimento...



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...dos franceses, está bem de ver, porque no que toca aos portugueses lá irão uns quantos mais para o desemprego. Mas nada que não se componha. O Arménio, depois de se certificar que nos sindicatos franceses não há «escurinhos», parecia mal, solta por aí mais umas diatribes sobre o internacionalismo, berra um «proletários de todo o mundo, uni-vos» e diz que a culpa é da troika e do Passos Coelho. Com jeitinho ainda manda marcar uma greve dos maquinistas da CP. Ou da Carris. Ou geral...
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terça-feira, julho 17, 2012

A liberdade de fazer o que lhes mandam

[4702]

Custa um bocado ver grupos de algumas centenas e pessoas, a toque de caixa (como ainda agora aconteceu com cerca de 100 pessoas em Borba), com megafones e uma beligerância que nos diz bem o que seria se esta gente um dia chegasse ao poder, a insultar membros do governo. Toda a gente sabe que a CGTP tem uma capacidade mobilizadora extraordinária (inclui «profissionais» que correm o país aglutinando multidões para se manifestarem, está provado com fotos e vários artigos) e lhe é relativamente fácil pôr umas centenas de pessoas na rua a berrar e a soltar impropérios em verso e em coro.

Independentemente do facto de este tipo de manifestações não representarem nada que não seja a capacidade de mobilização do Partido Comunista e do romantismo que envolve o cenário, exprimindo livremente as suas «opiniões», é irónico que sejam aqueles que jamais permitiram ou permitiriam que fosse quem fosse exprimisse o que quer que fosse se estivessem no poder, a alimentar espectáculos degradantes como os que se têm visto nas televisões. Para além de que não é admissível que um Partido que não chega a ter 8% de representatividade consiga chatear tanta gente e, objectivamente, dar uma imagem primária de um país onde se gostaria de ver participação e investimento estrangeiros.

Não sei como é que se faz, mas devia haver uma forma qualquer de chamar aqueles rapazolas à pedra lá na Assembleia da República e explicar-lhes que a sua legitimidade se confina a meia dúzia de românticos e alguns oportunistas e que eles deviam celebrar e ir beber uns copos de vez em quando, por viverem sob regimes políticos que lhes permitem fazer aquilo que eles jamais, mas jamais e sei do que falo, permitiriam, se o regime fosse o deles.
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domingo, fevereiro 12, 2012

A última manifestação promovida pela CGTP e o amorfismo generalizado da comunicação social

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A mim o que realmente me faz impressão não é a mentira dos comunistas quando afirmam ter «metido» 300.000 pessoas no Terreiro do Paço. Os comunistas encartados são doutrinariamente mentirosos (ao ponto de acabarem por acreditar naquilo que mentem), pelo que a coisa já não faz muita mossa. O que verdadeiramente me impressiona é a atitude da comunicação social em geral, quando reflecte os números dos comunistas. Sem pestanejar, num tom acrítico que incomoda e que resvala mesmo para a cumplicidade. Assim, de repente, ocorre-me o Público e o Expresso (sem necessidade de link, porque bem conhecidos).

É uma posição estranha, esta, a da comunicação social. Faz lembrar aqueles árbitros que se enganam sempre para o mesmo lado e que os adeptos da bola, polidamente, criticam dizendo que não sabem se eles erraram de propósito ou por pura incompetência.

Nota: Vale a pena ver aqui, no Insurgente, algumas imagens do Terreiro do Paço, quando enchia com cerca de 100.000 pessoas de «povo sereno». Foto do Jornal de Notícias. Clicar para ver melhor.
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quarta-feira, dezembro 28, 2011

Esta NÃO é uma das coisas com que o PCP não se identifica em relação à C. do Norte



[4504]

Bernardino Soares vai propor ao Partido Comunista Português a compra de andorinhas de inverno para serem criadas nas pedreiras da Serra de Aire. Nunca se sabe quando morre alguém no Partido e ele ficou muito comovido, a propósito da morte do Querido Líder norte-coreano, com a cena das andorinhas de luto e as montanhas a rasgarem-se de dor. Quanto à choradeira, a coisa está um pouco mais complicada, mas nada que uma visita ao Portugal profundo não resolva.
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segunda-feira, março 07, 2011

Congratular-me com quê?


[4076]

O Partido Comunista Português fez noventa anos. A coisa tem passado mais ou menos despercebida e não fora uma ou outra alusão avulsa ao acontecimento na comunicação social, arriscava-se mesmo a passar como o vento. Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, referiu-se à efeméride naquele estilo de sim, não, talvez, pode, não pode, trocado por miúdos, ele está nos antípodas da doutrina do Partido mas acha que lhe devemos muito, trocado por mais miúdos ainda, não prestam mas prestaram um grande serviço ao país, ao povo, à liberdade e à democracia, emprestando, enfim, aquela filigrana estética que terão dito a Marcelo que ele manejava como poucos e o resultado é o que frequentemente se vê nos seus comentários políticos. É uma maneira de estar bem com Deus e com o diabo.

Por mim, mesmo com o risco não calculado de me chamarem nomes, sinto que nada devo ao PCP. Pelo contrário. Antes de tudo, não partilho a ideia de que a Nação e a liberdade lhe devem seja o que for, pela convicção firme que tenho de que o Partido não lutava por isso mas apenas pela sua implantação no espectro político português, após o que geneticamente tomaria o poder e transformaria o país naquilo que toda a gente sabe ou deveria saber. Não era, assim, uma luta pela liberdade mas antes uma luta por um objectivo bem definido e claramente enquadrado em estratégias gizadas ao milímetro. Com o desenvolvimento do processo revolucionário, o Partido foi gradualmente ganhando consistência, muito por força do romantismo dos seus simpatizantes e pela férrea disciplina e proselitismo a que os seus membros eram sujeitos, não sendo mesmo excluídos o ostracismo violento, os misteriosos desaparecimentos e os assassínios. O culto da personalidade, um dos baluartes do sistema foi ganhando forma também e se as dificuldades criadas pela recém-conquistada liberdade (o paradoxo de os comunistas se movimentarem sempre melhor na clandestinidade do que na transparência dos processos livres) lhe tolhiam movimentos e limitavam o discernimento, por outro lado justificavam um apuro estratégico na emulação desse culto como pedra angular na construção de figuras intocáveis no presente e perpetuáveis na memória futura.

A necessidade de o Partido Comunista Português se enquadrar no regime democrático, condição absoluta para ser aceite no jogo político, fez com que aceitasse as regras do parlamentarismo e participasse no jogo colegial, mesmo que a contra-gosto, já que eram práticas exóticas à sua essência. Neste quadro, o Partido procurou e conseguiu com êxito estabelecer uma rede de influências através do qual pôde (e continua a poder) controlar aspectos fundamentais da nossa vida colectiva, como o trabalho, o ensino, a saúde, a justiça e o estabelecimento de novos paradigmas sociais, com destaque para o ataque continuado à religião católica, instituição familiar e mesmo quando alguns objectivos não se coadunavam com a sua doutrina (o comunismo não tolera a homossexualidade, por exemplo) não hesitou em fazer vista grossa sempre que isso constituía uma via segura para alcançar a destruição dos valores tradicionais da sociedade portuguesa, facilitando um caldo de cultura mais propício aos seus objectivos.

Pelo caminho, o Partido Comunista Português destruiu a economia, conseguiu o estabelecimento de um dos mais rígidos regimes laborais da Europa, contribuindo, assim, para o crescimento do desemprego e empobrecimento das pessoas, condicionou criminosamente o processo de descolonização dos territórios africanos atirando milhares de portugueses para a morte ou para um penoso recomeço de vida e milhões de africanos para a guerra civil, promoveu e alimentou um permanente estado de guerrilha entre várias instituições e o Estado, não por qualquer objectivo especial mas tão somente porque a guerrilha servia (e serve) os seus propósitos, alimentou ódios, conseguiu instilar nos trabalhadores a ideia de que os empresários são «o inimigo» a abater, os vilões, os capitalistas detentores do grande capital, a burguesia maldita e causadora de todos os males, escondendo, porém a grande verdade de que eram esses «malfeitores» que iam gerando empregos e segurança, ao contrário do Estado totalitário que o Partido defende que em nenhum país do mundo, repito, nenhum, conseguiu estabelecer um quadro social decente para os seus cidadãos e, muito menos, capaz, de suprir as suas necessidades básicas, com excepção dos seus dirigentes.

Não vejo bem o que é que o Partido Comunista Português me possa trazer que sirva para me congratular com os seus noventa anos. Lutou por ele próprio, não por mim, estabeleceu as suas vias de obtenção de objectivos, roubou bancos, matou, raptou, prendeu, torturou, denunciou, exilou, rendeu-se ao internacionalismo proletário, contribuiu objectivamente para o atraso de gentes simples e bem intencionadas, promoveu e mantém alianças com terroristas sanguinários, proclamou as virtudes de sociedades «livres» como a Coreia do Norte, contribuiu para o saneamento de quadros de empresas, jornalistas, técnicos, poetas, pensadores, professores e todos aqueles que não quisessem ser «livres» como os seus acólitos, fez alianças com outros países para guarida e segurança de assassinos, como no caso dos FP-25, colaborou no indulto de crimes de sangue a que chamaram de natureza política, prestou-se ao encobrimento e cumplicidade em matérias de legalidade duvidosa ou de ilegalidades sem dúvida nenhuma e permanece, por via dos seus «galarós» da liberdade, debitando prosa na Assembleia da República.

Assim sendo, congratular-me com quê?

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sábado, julho 04, 2009

Esta gente sai cara


[3223]

«Toda a gente sabe, embora os interessados não gostem que se diga, que os grandes meios de comunicação social (e não só) andam com o BE ao colo. Mas ao sr. António Chora, trazem-no em ombros.Compreende-se bem que assim seja. Se para o grande capital é precioso um tampão eleitoral que previna uma maior deslocação de votos para o PCP e a CDU - votos que julgam ir recuperar mais tarde ou mais cedo -, muito mais precioso é um quadro operário cuja cabeça esteja feita, de cima a baixo, pela ideologia da classe dominante.Na luta de classes há episódios marcados por um duplo valor: um valor intrínseco e um valor simbólico. É o caso actual da Autoeuropa, da resistência dos seus trabalhadores, e da violenta chantagem que sobre eles vem sendo exercida, sobretudo desde que rejeitaram o pré-acordo negociado entre a Administração e a CT. Desde Sócrates e o seu Governo à UGT e aos grandes meios de comunicação social, com destaque para o diário de Belmiro de Azevedo, não houve dia em que não fosse proferida uma ameaça, que não houvesse uma tentativa de encostar os trabalhadores à parede, que não fossem os trabalhadores aconselhados a juntar novas cedências às que há muito vêm sendo forçados a fazer. E não houve dia em que o sr. Chora, embora com todas as cautelas, não viesse fazer coro nesse processo.Onde se pedia a um dirigente firmeza na defesa de interesses de classe, da parte do sr. Chora o que se ouve é a repetição dos argumentos da administração, a reiterada disponibilidade para vender direitos, o ataque aos trabalhadores que tiveram o atrevimento de o desautorizar, a argumentação anti-comunista.O sr. Chora, e com ele certamente o BE, acha retrógrado o sindicalismo de classe (que escreve entre aspas), e acha que deve «adaptar-se» (25.01.09, www.esquerda.net). Adaptar-se aos «novos sistemas de trabalho», à «flexibilidade», às «novas polivalências», aos «novos horários de trabalho respeitando as cargas de trabalho». Para essa «adaptação» não é necessária luta, porque palavras dessas são música para o grande patronato.A luta da Autoeuropa seguirá o caminho que os seus trabalhadores quiserem. Depende, decisivamente, da sua unidade e da sua consciência de classe. Coisa que o sr. Chora não sabe o que é».

O PCP no seu melhor, ao estilo «temos de partir esta merda toda».

Era bom que se conseguisse explicar aos trabalhadores portugueses que comunistas como o autor deste artigo, um tal Filipe Diniz, com Autoeuropa ou sem ela arranjarão sempre uma moita de abrigo para escrever umas tretas e ganhar umas massas, entenda-se beneficiar directamente do sistema que parecem abominar – o capitalismo. E que a luta da Autoeuropa pode seguir o caminho que os seus trabalhadores quiserem. Já a empresa seguirá o caminho que ela própria entender. E se o caminho for fechar, os trabalhadores vão para casa com um subsídio (pago por todos nós) durante um período limitado, enquanto o Sr. Diniz, cheio de unidade e de consciência de classe, vai continuando a «fazer o dele».

Artigo do Avante via Jumento

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

A seriedade e a trampolinice


[2914]

O Presidente da República impediu mais um malabarismo dos socialistas, chumbando uma lei que exigiria o voto presencial para os emigrantes. Sabe-se que a tendência de voto dos emigrantes pendeu sempre para a direita, com uma única excepção, quando José Lello pegou na sua banha de cobra e a foi vender, diáspora fora, até a tendência retomar o seu fio de voto habitual. Mas isto, no PS, não admira, é o sinal a que nos habituaram da "xico-espertice" socialista cuja principal virtude é exactamente esta. A de conseguir atingir os fins sem olhar a meios, mesmo que adornados pela retórica habitual e piruetas de circo, fazendo jus à ideia de que o PS antes de ser de esquerda é esquerdista. O que é uma coisa totalmente diferente e não abona muito em favor do seu carácter.

Mas o que verdadeiramente me abespinha é a ver as virgens ofendidas do PC e do BE a eriçarem-se contra a decisão de Cavaco Silva. Porque, afinal, com que direito e moral é que esta gente se pode manifestar sobre eleições livres? Quando é que os comunistas alguma vez, em algum país, em alguma época, fizeram o jogo limpo e democrático do voto livre e secreto? Com que autoridade é que os comunistas se arrogam o direito de discutir sequer ou palpitar sobre uma prática que lhes é estranha e, mais, que só acatam dentro do espartilho democrático a que se obrigam, se quiserem sobreviver no espectro político? Os comunistas jovens, na eventual pureza das suas convicções ideológicas, deveriam questionar como é que os comunistas lidaram com votações que não fossem de braço no ar, seguidas de aclamação e palmas cadenciadas (as célebres palmas organizadas), para se sentirem convenientemente informados. A menos que esta coisa das votações seja já, para eles também, uma maçada que a democracia impõe. E os comunistas mais idosos… poderiam guardar um pouco mais de recato e pudor antes de se permitirem sequer comentar fosse o que fosse sobre eleições, votos e fiabilidade das mesmas, que foi a expressão usada pelo deputado António Filipe.

Já contra o Bloco de Esquerda, não dá sequer para emitir um comentário. Se os comunistas têm uma tradição que nos permite fazer um juízo sobre a reserva necessária à volta do conceito em que colocam as práticas de voto, os bloquistas, pela montra, não abonam muito o que devem ter lá pelo armazém. Mas tenho de convir que observar o empertigamento da deputada bloquista (creio que Helena Pinto) a dizer que a decisão do nosso Presidente foi um passo atrás na fiabilidade das eleições só não é risível porque é trágico.


Uma palavra final quanto aos socialistas. Um pouco de contenção não lhes ficava mal. E pudor. Ouvir José Lello exigir uma explicação política de Cavaco Silva chega a raiar a pornografia, vindo de quem vem. Por outro lado, e por uma vez, um pouco de seriedade e, no caso vertente, um pouco mais de respeito pelos emigrantes (mesmo por aqueles que não votam socialista) só lhes ficaria bem. E talvez lhes trouxesse mais votos.

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terça-feira, dezembro 30, 2008

O costume


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António Vilarigues é comunista (deduzo eu pelo que escreve no seu blogue e no Público) e não tenho nada com isso. Já tive com isso com outras gentes, outras latitudes e outras circunstâncias mas isso não vem agora ao caso.

Mas lendo o que Vilarigues escreve neste post, a propósito daquilo que ele chama a "derrota da Colômbia" não consigo evitar um sorriso. Ouvir um comunista falar de purgas, de pobreza, atentados à vida, à liberdade e integridade física, populações deslocadas à força só pode ser um exercício de mau gosto e humor duvidoso. Ou Vilarigues não sabe do que fala ou pensa que está a escrever para tolos.

Vale a pena ir ao Castendo. Por entre transcrições do Avante, fotos do Che, declarações de Cunhal, referências ao Médio Oriente e onde não falta mesmo o toque intelectual com uma referência a H. Pinter encontrará este post. Se, como eu, tiver uma noção mínima dos comunismos recentes em países de relativa proximidade a Portugal, acabará por sorrir. Outra opção é deixar a náusea vir ao de cima e desligar o blogue

Nota: Há transcrições avulso de Vilarigues aí pela Blogos e há comentários deliciosos. Atente-se neste comentário a um post que cita Vilarigues: "Pena… que a grande maioria dos cidadãos seja embalada na novela da tonta da Ingrid Bettancourt e não leia isto".

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quarta-feira, setembro 03, 2008

Comunismo - história e preconceito


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Alertado pelo Insurgente (confesso que na altura não me apercebi), tive ontem oportunidade de ver o documentário Comunismo – história de uma ilusão. É um documentário em três partes e que aparentemente já teria passado em Outubro do ano passado, mas apenas a 1ª parte, no que pode ser tomado como o resultado de um preconceito que muito boa gente não conseguiu ainda ultrapassar.

Esperemos que desta vez passem as partes todas. Porque é saudável e esclarecedor para as actuais gerações reavivar factos históricos que deram origem a passagens mais recentes da vida de alguns países (muito recentemente ainda se arrebanhava gente, como gado, para campos de concentração e se fuzilava portadores de uma nota de 20 dólares, acusados de sabotagem económica).

Ao mesmo tempo, interrogamo-nos como é possível que ainda hoje gente que se presume formada e informada mantenha como paradigma a solução social para as mazelas do mundo como a que o documentário expõe.

Por último, a não ter havido caso de força maior para a interrupção do programa em Outubro passado, acho que o mínimo que a RTP devia fazer era pedir desculpa às pessoas e sumariamente despedir quem emperrou a transmissão da série completa.

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quarta-feira, julho 18, 2007

Comunismo e comunistas



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Às vezes tenho de resistir ao impulso de escrever sobre comunistas e comunismo. Há quem se encarregue de o fazer com a autoridade própria de quem estudou a fundo o fenómeno e sobre ele escreve com a propriedade que o conhecimento lhe confere, há quem o faça porque o viveu em directo e, factor não despiciendo, há o facto indesmentível de o comunismo se parecer cada vez mais com um museu de obsolescência que a juventude vai visitando cada vez menos e cada vez com menos curiosidade, tal a bizarria das suas pretensas virtudes.

Mas, como dizia, às vezes tenho de resistir a esse impulso, como por exemplo quando leio textos extraordinários como este em que se vitupera o percurso de Zita Seabra, a propósito do seu livro Foi assim. Nós vamos desfiando as peças desses textos, no caso o de Nuno Ramos de Almeida do Cinco Dias e apercebemo-nos do à-vontade com que se passa por cima de uma realidade factual que emoldurou o comunismo e que só o desconhece quem não o viveu ou quem, mau grado a sua inteligência e cultura, não consiga ter a honestidade de reconhecer a verdade terrível sobre um regime sanguinário e, não menos grave, responsável por uma criminosa manipulação de gerações inteiras que tiveram que descobrir por si próprias a mentira.

Por isso me espanto (e "m’avergonho") como é, ainda possível produzir textos destes e à noite, adormecer bem. Espanto, porque não é único. Significa que há muita gente ainda a achar o comunismo como um regime defensável, mesmo que para isso tenha de fazer malabarismos teóricos como aquele que recentemente parece fazer escola, em que há que separar o comunismo do marxismo-leninismo e do stalinismo.

Já não me espanto com a forma adventícia com que alguns bem intencionados vão defendendo o regime, muito menos com a forma reciclada de uma esquerda pretensamente moderna, inteligente e elegante, que nos vai enxameando de boçalidades oportunistas, umas, puramente idiotas, outras.

Continuo a resistir. Mas que me apetece descrever um punhado de episódios que conheci e vivi de perto, apetece. Mas já não vale a pena perder tempo com tal defunto. Desde que não aparecem muitos textos como este.

Nota: Hilariante tem sido a referência crítica que alguns comunistas da nossa praça têm feito ao rebanho de excursionistas que o PS pastoreou até ao Hotel Altis em Lisboa, nas últimas eleições intercalares. Comunistas a glosarem o transporte de manifestantes "espontâneos"? Sim. Mais grave. Fazem-no, sem se rirem. Mas rio-me eu, que bem preciso.
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