ESPUMADAMENTE

puro auto-entretenimento
segunda-feira, abril 26, 2010
quinta-feira, junho 11, 2009
Bora todos para o Caramulo - mandou o Sr Ferreira

[3180]
Será possível passar a mensagem àquele senhor da Quercus (acho que se chama Ferreira) que é saudável e necessário uma pessoa ir de férias com a cabeça livre de peias ecológicas e politicamente correctas? Não basta uma pessoa ter o seu dia a dia mais ou menos dominado pelos conselhos diários do Sr. Ferreira de que deve apagar a luz da cozinha, usar lâmpadas económicas, condicionar a água do duche a quantidades ecologicamente aceitáveis, não lavar muitas vezes o carro, usar transportes públicos, visitar os ecopontos e comer produtos isentos de fito-fármacos e desenvolvidos em terrenos pobrezinhos porque isentos de adubos químicos ou, alternativamente, fertilizados com estrumes e outros produtos orgânicos, mesmo que isso traga uma carrada de ovos de parasitas e bactérias às culturas que, naturalmente, não podem depois ser tratadas?
É assim tão esquisito para a Quercus uma pessoa ir de férias sem pensar que deve ir ao Caramulo ao Hotel Rural (ele o disse…) porque tem aquecimento natural e dietas ecológicas? Seria possível passar a mensagem a esta gente que é saudável e necessário uma pessoa ir de férias e comer o que lhe apetece, de preferência uns pratos daqueles que fazem mal à saúde e tudo e tudo e tudo, aumentam o colesterol e apertam as coronárias e promovem a formação de ácido clorídrico no estômago e estar horas seguidas no banho? Porque é assim que eu acho que as férias devem ser. O resto, Quercus e senhores Ferreiras temos nós todos os dias e, mesmo distraídos, estamos a tomar o café da manhã e a ouvir os seus conselhos. Por isso a ideia de que quem vai de férias ou de fim-de-semana comprido se deva absolutamente alhear dos conselhos doentios do Sr. Ferreira. Senão um dia destes o Sr. Ferreira está a dizer como nos devemos vestir, a fazer um calendário de sexo (frequência e timing), horário e tempo máximo de banho e cardápio a preceito. Por isso o meu apelo é que mandemos o Sr. Ferreira dar uma volta ao bilhar grande (com uma máscara na boca e um frasquinho de colírio por causa do pó de giz) e passemos o fim-de-semana comprido a fazer o que nos der na real gana. De preferência, uma série de asneiras. Incluindo banhos longos e a degustação de pratos assassinos, cheios de colesterol, sal, açucares, lípidos e muitos, mas muitos hidratos de carbono. Coisas que, aparentemente, o tal Hotel Rural do Caramulo não pode oferecer. Provavelmente porque parece mal.
.Será possível passar a mensagem àquele senhor da Quercus (acho que se chama Ferreira) que é saudável e necessário uma pessoa ir de férias com a cabeça livre de peias ecológicas e politicamente correctas? Não basta uma pessoa ter o seu dia a dia mais ou menos dominado pelos conselhos diários do Sr. Ferreira de que deve apagar a luz da cozinha, usar lâmpadas económicas, condicionar a água do duche a quantidades ecologicamente aceitáveis, não lavar muitas vezes o carro, usar transportes públicos, visitar os ecopontos e comer produtos isentos de fito-fármacos e desenvolvidos em terrenos pobrezinhos porque isentos de adubos químicos ou, alternativamente, fertilizados com estrumes e outros produtos orgânicos, mesmo que isso traga uma carrada de ovos de parasitas e bactérias às culturas que, naturalmente, não podem depois ser tratadas?
É assim tão esquisito para a Quercus uma pessoa ir de férias sem pensar que deve ir ao Caramulo ao Hotel Rural (ele o disse…) porque tem aquecimento natural e dietas ecológicas? Seria possível passar a mensagem a esta gente que é saudável e necessário uma pessoa ir de férias e comer o que lhe apetece, de preferência uns pratos daqueles que fazem mal à saúde e tudo e tudo e tudo, aumentam o colesterol e apertam as coronárias e promovem a formação de ácido clorídrico no estômago e estar horas seguidas no banho? Porque é assim que eu acho que as férias devem ser. O resto, Quercus e senhores Ferreiras temos nós todos os dias e, mesmo distraídos, estamos a tomar o café da manhã e a ouvir os seus conselhos. Por isso a ideia de que quem vai de férias ou de fim-de-semana comprido se deva absolutamente alhear dos conselhos doentios do Sr. Ferreira. Senão um dia destes o Sr. Ferreira está a dizer como nos devemos vestir, a fazer um calendário de sexo (frequência e timing), horário e tempo máximo de banho e cardápio a preceito. Por isso o meu apelo é que mandemos o Sr. Ferreira dar uma volta ao bilhar grande (com uma máscara na boca e um frasquinho de colírio por causa do pó de giz) e passemos o fim-de-semana comprido a fazer o que nos der na real gana. De preferência, uma série de asneiras. Incluindo banhos longos e a degustação de pratos assassinos, cheios de colesterol, sal, açucares, lípidos e muitos, mas muitos hidratos de carbono. Coisas que, aparentemente, o tal Hotel Rural do Caramulo não pode oferecer. Provavelmente porque parece mal.
Etiquetas: não há pachorra, Quercus
quarta-feira, outubro 29, 2008
Só de anzol

[2143]
Aquele senhor da Quercus que tem a missão de debitar um conselho ecológico todos os dias (todos os dias, reparem que é obra) na televisão logo pela manhãzinha tem, na verdade, uma missão espinhosa. Os conselhos são dados, supostamente, sem rir e com aquele ar compenetrado de quem vai salvar o planeta e nos tornar melhores cidadãos. Convenhamos ser uma tarefa difícil. Por outro lado, também não é fácil, para nós, cidadãos modernos e conscientes, seguirmos à risca os conselhos do senhor… pois, passa-me agora o nome.
Hoje, por exemplo, para seguir o conselho matinal, quando me sentar para almoçar e me apetecer peixe (o que acontece frequentemente) deverei ter o cuidado de perguntar à simpática brasileirinha que me serve, e juro que não há ponta de xenofobia nem machismo nesta asserção, a mocinha é mesmo uma lufada de ar fresco no atendimento aos clientes de restauração, comparada com a prata da casa, se o peixe:
- foi capturado por anzol ou por arrasto, que esta coisa do arrasto é condenável, traz muito peixe na rede ainda com muita vida e ciclos de reprodução á frente;
- Se o peixe que quero não pertence a nenhuma espécie proibida ou condicionada como os Aphanopus carbo, Hoplosthetus atlanticuso, Phycis blennoides, Coryphaenoides rupestris e o Pagellus bogaraveo;
- ou se, no caso do Gadhus morua, Clupea harengus, Platichthys flesus, não esquecendo claro o Psetta máxima, foram capturados segundo as medidas regulatórias de captura no mar Báltico, obedecendo a medidas recentes do Conselho Europeu de Agricultura e Pescas;
- Devo cuidar ainda se o peixe tem gorduras saturadas, poli-insaturadas ou pura e simplesmente sem saturação nenhuma não vá eu sofrer do colesterol. A questão do mercúrio deverá ainda ser considerada mas por acaso agora não têm falado muito no assunto, pelo que vou deixar passar;
- Finalmente deverei mirar bem as proporções do bicho, não vá o mesmo ser ainda uma criança.
Observados estes preceitos passarei à acção. Muito provavelmente, esqueço-me do senhor da Quercus e mando vir “jaquinzinhos”. Só para chatear e dar de comer à saudável costelinha de rebeldia que mantenho bem tratada e que me dá ânimo para continuar a comer peixe. E a rir. Todos os dias, se possível.
Nota: a enumeração das espécies condicionadas pelo Conselho Europeu de Agricultura e Pescas foi surripiada, com a devida vénia, do Blasfémias.
Aquele senhor da Quercus que tem a missão de debitar um conselho ecológico todos os dias (todos os dias, reparem que é obra) na televisão logo pela manhãzinha tem, na verdade, uma missão espinhosa. Os conselhos são dados, supostamente, sem rir e com aquele ar compenetrado de quem vai salvar o planeta e nos tornar melhores cidadãos. Convenhamos ser uma tarefa difícil. Por outro lado, também não é fácil, para nós, cidadãos modernos e conscientes, seguirmos à risca os conselhos do senhor… pois, passa-me agora o nome.
Hoje, por exemplo, para seguir o conselho matinal, quando me sentar para almoçar e me apetecer peixe (o que acontece frequentemente) deverei ter o cuidado de perguntar à simpática brasileirinha que me serve, e juro que não há ponta de xenofobia nem machismo nesta asserção, a mocinha é mesmo uma lufada de ar fresco no atendimento aos clientes de restauração, comparada com a prata da casa, se o peixe:
- foi capturado por anzol ou por arrasto, que esta coisa do arrasto é condenável, traz muito peixe na rede ainda com muita vida e ciclos de reprodução á frente;
- Se o peixe que quero não pertence a nenhuma espécie proibida ou condicionada como os Aphanopus carbo, Hoplosthetus atlanticuso, Phycis blennoides, Coryphaenoides rupestris e o Pagellus bogaraveo;
- ou se, no caso do Gadhus morua, Clupea harengus, Platichthys flesus, não esquecendo claro o Psetta máxima, foram capturados segundo as medidas regulatórias de captura no mar Báltico, obedecendo a medidas recentes do Conselho Europeu de Agricultura e Pescas;
- Devo cuidar ainda se o peixe tem gorduras saturadas, poli-insaturadas ou pura e simplesmente sem saturação nenhuma não vá eu sofrer do colesterol. A questão do mercúrio deverá ainda ser considerada mas por acaso agora não têm falado muito no assunto, pelo que vou deixar passar;
- Finalmente deverei mirar bem as proporções do bicho, não vá o mesmo ser ainda uma criança.
Observados estes preceitos passarei à acção. Muito provavelmente, esqueço-me do senhor da Quercus e mando vir “jaquinzinhos”. Só para chatear e dar de comer à saudável costelinha de rebeldia que mantenho bem tratada e que me dá ânimo para continuar a comer peixe. E a rir. Todos os dias, se possível.
Nota: a enumeração das espécies condicionadas pelo Conselho Europeu de Agricultura e Pescas foi surripiada, com a devida vénia, do Blasfémias.
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Etiquetas: peixinho para o almoço, Quercus
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Minuto verde, cor de burro quando foge

[2274]
Aquele senhor baixote e careca que todos os dias me entra em casa ali pelas dez para as oito da manhã, hoje resolveu ir à escola e entre umas quantas tiradas sobre reduzir, reutilizar e reciclar materiais disse às criancinhas que sempre que irem ao supermercado poderiam ir já com os resíduos preparados para depois colocar nos respectivos depósitos.
Por mim, preferia ter putos menos reciclados mas que soubessem conjugar verbos. Infelizmente vivemos numa época de total laxismo, ou com os professores muito ocupados a discutir que nomes é que deverão chamar à ministra. E se o senhor da Quercus não tem obrigação de saber conjugar verbos correctamente, a partir do momento que lida com crianças, já tem. E se não sabe, deveria haver algures um professor menos distraído a contactar a RTP e obrigá-la a corrigir o anúncio de imediato. Foi há pouco, no Bom dia Portugal!
Aquele senhor baixote e careca que todos os dias me entra em casa ali pelas dez para as oito da manhã, hoje resolveu ir à escola e entre umas quantas tiradas sobre reduzir, reutilizar e reciclar materiais disse às criancinhas que sempre que irem ao supermercado poderiam ir já com os resíduos preparados para depois colocar nos respectivos depósitos.
Por mim, preferia ter putos menos reciclados mas que soubessem conjugar verbos. Infelizmente vivemos numa época de total laxismo, ou com os professores muito ocupados a discutir que nomes é que deverão chamar à ministra. E se o senhor da Quercus não tem obrigação de saber conjugar verbos correctamente, a partir do momento que lida com crianças, já tem. E se não sabe, deveria haver algures um professor menos distraído a contactar a RTP e obrigá-la a corrigir o anúncio de imediato. Foi há pouco, no Bom dia Portugal!
E.T. Asneira repetida às 08:52. Não se admite.
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Etiquetas: Ai Portugal, Quercus
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Bacalhau graúdo

[2197]
A Quercus escolheu o Natal para me dizer que o bacalhau está em perigo de extinção. Há na televisão um senhor de óculos e voz melíflua a recomendar-me que coma apenas bacalhau grande, porque o bacalhau pequeno significa que anda a ser pescado antes de tempo.
Lá vamos todos comer bacalhau grande. O pequeno, presumo que será devolvido ao mar?
A Quercus escolheu o Natal para me dizer que o bacalhau está em perigo de extinção. Há na televisão um senhor de óculos e voz melíflua a recomendar-me que coma apenas bacalhau grande, porque o bacalhau pequeno significa que anda a ser pescado antes de tempo.
Lá vamos todos comer bacalhau grande. O pequeno, presumo que será devolvido ao mar?
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quinta-feira, julho 19, 2007
Idiotia sistémica

A vinha que a Quercus acha que não devemos ter
[1895]
Há um senhor que se usasse gravata e guardanapo ao pescoço quando almoça poderia muito bem ser João Proença da UGT, tal a semelhança fisica entre eles. Como não usa, é apenas um senhor da Quercus de quem não conheço o nome mas que me entra em casa quase todas as manhãs para me avisar que se eu tiver uma torneira a pingar devo chamar o canalizador e que não devo deixar o televisor em "mode stand by" porque me custa mais €30/ano. Tudo funções nobres e, sobretudo, educativas, não fosse eu chamar um técnico oficial de contas para me arranjar a torneira ou entrar numa forma desbragada de consumo de energia eléctrica.
Este senhor e outros como ele funcionam assim tipo educadores de infância, pelo menos ganham deles (e delas, como se diz no PS) o trejeito. Depois, é uma questão de adicionarem ao trejeito (o senhor em causa tem trejeito, jeito é que nem por isso…) politicamente correcto em uso nesta repartição que se chama Portugal e "voilá". Mantêm o senhor que é parecido com o João Proença ocupado e Deus o proteja e o ilumine sobre os conselhos a dar á "pequenada".
Mas hoje, irritou-me. Diz o senhor parecido com João Proença sem guardanapo ao pescoço que os produtos viticolas e vinicolas podem e devem provir de vinhas biologicas pelo que os senhores viticultores não deveriam tratar as vinhas a não ser com sulfato de cobre e nunca usar produtos sistémicos. E falava com uma vinha em plano de fundo, totalmente coberta de ervas infestantes. Sem que me passe sequer pela cabeça fazer disto uma aula sobre fitossanidade, é necessário referir apenas alguns rudimentos sobre a coisa, não vá a grei convencer-se que existe mesmo a tal seita malévola que acorda todos os dias disposta a lixar alguém. Assim:
1 – O sulfato de cobre não é suficiente para uma acção profilática das vinhas. Há outras doenças e estirpes de fungos para os quais o cobre poderá ter de ser utilizado na forma oxicloretada ou de hidróxido;
2 – Os produtos sistémicos são, normalmente, de mais elevado "LD50" que os produtos de contacto e, portanto, de menor toxicidade;
3 – Os produtos sistémicos são de maior e mais rápido grau de degradação, o que os torna mais seguros para o ambiente. Os produtos foliares de contacto acabam por se depositar no solo ou por acção de chuvadas ou pela queda das folhas;
4 – Os produtos sistémicos são mais económicos que os de contacto porque têm acção tanslaminar e menores doses chegam para penetrar na circulação das plantas. Isto resulta em vantagens económicas e de eficácia porque se os produtos de contacto não forem aplicados através de cobertura suficiente (maiores quantidades de calda) funcionam deficientemente. Ou, simplesmente, não funcionam;
5 – Hoje há uma gama avançada de produtos, sistémicos ou não, que combatem diferentes formas e tipos de doenças criptogâmicas para as quais o sulfato de cobre não chegaria;
6 – Finalmente, o cenário de fundo do senhor da Quercus parecido com o João Proença da UGT é tudo aquilo que uma vinha não deve ser. Uma plantação coberta de ervas daninhas (é extraordinário que o tal senhor apontou as infestantes dizendo que era assim que as vinhas deviam ser…) que "roubam" à cultura até 45% dos nutrientes disponíveis e é um ninho óptimo para um conjunto de pragas que poderão não só atacar a vinha como culturas limítrofes mais apetecíveis, como o milho, a batata e, de um modo geral, culturas de material não lenhoso, mais doce e mais fácil de comer, que nesta coisa de insectos, eles podem ser bons "gourmets". O controle de infestantes de uma vinha hoje pode ser feito com produtos sistémicos (lá está), com uma toxicidade semelhante à do ácido acetilsalicílico que é aquela coisa, vulgo aspirina, que nós tomamos quando nos dói a cabeça ou sofremos das coronárias e, sobretudo, totalmente degradáveis e, portanto, sem qualquer acção residual no terreno.
E antes que pareça eu estar a fazer concorrência à Riquita com os seus excelentes e elucidativos posts, fico por aqui. Até porque perderia em brilho. Aliás, limitei-me a tentar dizer, polidamente, que o minuto verde da Quercus, na RTP, é, frequentemente, o minuto idiota. Porque sobre o que aqui referi de forma rudimentar poderia escrever páginas e páginas. Mas isso seria desinteressante e creio ter deixado o essencial.
Há um senhor que se usasse gravata e guardanapo ao pescoço quando almoça poderia muito bem ser João Proença da UGT, tal a semelhança fisica entre eles. Como não usa, é apenas um senhor da Quercus de quem não conheço o nome mas que me entra em casa quase todas as manhãs para me avisar que se eu tiver uma torneira a pingar devo chamar o canalizador e que não devo deixar o televisor em "mode stand by" porque me custa mais €30/ano. Tudo funções nobres e, sobretudo, educativas, não fosse eu chamar um técnico oficial de contas para me arranjar a torneira ou entrar numa forma desbragada de consumo de energia eléctrica.
Este senhor e outros como ele funcionam assim tipo educadores de infância, pelo menos ganham deles (e delas, como se diz no PS) o trejeito. Depois, é uma questão de adicionarem ao trejeito (o senhor em causa tem trejeito, jeito é que nem por isso…) politicamente correcto em uso nesta repartição que se chama Portugal e "voilá". Mantêm o senhor que é parecido com o João Proença ocupado e Deus o proteja e o ilumine sobre os conselhos a dar á "pequenada".
Mas hoje, irritou-me. Diz o senhor parecido com João Proença sem guardanapo ao pescoço que os produtos viticolas e vinicolas podem e devem provir de vinhas biologicas pelo que os senhores viticultores não deveriam tratar as vinhas a não ser com sulfato de cobre e nunca usar produtos sistémicos. E falava com uma vinha em plano de fundo, totalmente coberta de ervas infestantes. Sem que me passe sequer pela cabeça fazer disto uma aula sobre fitossanidade, é necessário referir apenas alguns rudimentos sobre a coisa, não vá a grei convencer-se que existe mesmo a tal seita malévola que acorda todos os dias disposta a lixar alguém. Assim:
1 – O sulfato de cobre não é suficiente para uma acção profilática das vinhas. Há outras doenças e estirpes de fungos para os quais o cobre poderá ter de ser utilizado na forma oxicloretada ou de hidróxido;
2 – Os produtos sistémicos são, normalmente, de mais elevado "LD50" que os produtos de contacto e, portanto, de menor toxicidade;
3 – Os produtos sistémicos são de maior e mais rápido grau de degradação, o que os torna mais seguros para o ambiente. Os produtos foliares de contacto acabam por se depositar no solo ou por acção de chuvadas ou pela queda das folhas;
4 – Os produtos sistémicos são mais económicos que os de contacto porque têm acção tanslaminar e menores doses chegam para penetrar na circulação das plantas. Isto resulta em vantagens económicas e de eficácia porque se os produtos de contacto não forem aplicados através de cobertura suficiente (maiores quantidades de calda) funcionam deficientemente. Ou, simplesmente, não funcionam;
5 – Hoje há uma gama avançada de produtos, sistémicos ou não, que combatem diferentes formas e tipos de doenças criptogâmicas para as quais o sulfato de cobre não chegaria;
6 – Finalmente, o cenário de fundo do senhor da Quercus parecido com o João Proença da UGT é tudo aquilo que uma vinha não deve ser. Uma plantação coberta de ervas daninhas (é extraordinário que o tal senhor apontou as infestantes dizendo que era assim que as vinhas deviam ser…) que "roubam" à cultura até 45% dos nutrientes disponíveis e é um ninho óptimo para um conjunto de pragas que poderão não só atacar a vinha como culturas limítrofes mais apetecíveis, como o milho, a batata e, de um modo geral, culturas de material não lenhoso, mais doce e mais fácil de comer, que nesta coisa de insectos, eles podem ser bons "gourmets". O controle de infestantes de uma vinha hoje pode ser feito com produtos sistémicos (lá está), com uma toxicidade semelhante à do ácido acetilsalicílico que é aquela coisa, vulgo aspirina, que nós tomamos quando nos dói a cabeça ou sofremos das coronárias e, sobretudo, totalmente degradáveis e, portanto, sem qualquer acção residual no terreno.
E antes que pareça eu estar a fazer concorrência à Riquita com os seus excelentes e elucidativos posts, fico por aqui. Até porque perderia em brilho. Aliás, limitei-me a tentar dizer, polidamente, que o minuto verde da Quercus, na RTP, é, frequentemente, o minuto idiota. Porque sobre o que aqui referi de forma rudimentar poderia escrever páginas e páginas. Mas isso seria desinteressante e creio ter deixado o essencial.
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sexta-feira, junho 01, 2007
Tempos recicláveis

[1782]
A Quercus também classifica praias. Esta classificação não tem a ver com as bandeiras azuis europeias mas sim com um conjunto de factores alinhados em critérios ecológicos e correctos. Neste critério, a Praia das Moitas em Cascais acabou de ser classificada como “praia de ouro”. Como ouvi esta notícia só com um olho, abri logo o outro e ordenei ao cérebro para conceder mais acuidade ao resto dos meus sentidos ensonados e percebi então que a Praia das Moitas é “praia de ouro” porque todos os materiais usados, desde as passadeiras aos toldos são feitos de materiais reciclados.
Os nadadores-salvadores também não são uns salvadores quaisquer, são jovens de mentalidade nova (???), treinados numa perspectiva ecológica para que os banhistas possam ecologicamente ser salvos, nos intervalos em que não se estendem à sombra dos toldos reciclados, para não apanhar cancro de pele. Curiosamente, não ouvi uma palavra sobre a qualidade da água, conhecida que é a “qualidade” da água das praias da linha, mas o senhor da Quercus estava tão entusiasmado e tão correcto a explicar-me a bondade dos materiais reciclados na praia, que rapidamente secundarizei os “coliformes fecais” e outras maçadas que me habituei a ouvir dizer que infestam as águas.
O ar do senhor da Quercus era tão feliz e a onda correcta em que todos surfamos é tão intensa que cedo virá o dia em que a Quercus juntará ao critério de classificação das praias a ausência de batatas fritas (cheias de gorduras poli-insaturadas), dos gelados (cheios de chocolate, gorduras, açucares e da mortífera lactose) e das bolas de Berlim que são aquele “pecado” que todos nós conhecemos. Aí eu quero ver como é que a formiga e o ideiafix resolvem o problema (o das bolas de Berlim do Guincho…), mas reconfortados ficarão por saber que a Quercus lhes está a tratar da saúde.
A Quercus também classifica praias. Esta classificação não tem a ver com as bandeiras azuis europeias mas sim com um conjunto de factores alinhados em critérios ecológicos e correctos. Neste critério, a Praia das Moitas em Cascais acabou de ser classificada como “praia de ouro”. Como ouvi esta notícia só com um olho, abri logo o outro e ordenei ao cérebro para conceder mais acuidade ao resto dos meus sentidos ensonados e percebi então que a Praia das Moitas é “praia de ouro” porque todos os materiais usados, desde as passadeiras aos toldos são feitos de materiais reciclados.
Os nadadores-salvadores também não são uns salvadores quaisquer, são jovens de mentalidade nova (???), treinados numa perspectiva ecológica para que os banhistas possam ecologicamente ser salvos, nos intervalos em que não se estendem à sombra dos toldos reciclados, para não apanhar cancro de pele. Curiosamente, não ouvi uma palavra sobre a qualidade da água, conhecida que é a “qualidade” da água das praias da linha, mas o senhor da Quercus estava tão entusiasmado e tão correcto a explicar-me a bondade dos materiais reciclados na praia, que rapidamente secundarizei os “coliformes fecais” e outras maçadas que me habituei a ouvir dizer que infestam as águas.
O ar do senhor da Quercus era tão feliz e a onda correcta em que todos surfamos é tão intensa que cedo virá o dia em que a Quercus juntará ao critério de classificação das praias a ausência de batatas fritas (cheias de gorduras poli-insaturadas), dos gelados (cheios de chocolate, gorduras, açucares e da mortífera lactose) e das bolas de Berlim que são aquele “pecado” que todos nós conhecemos. Aí eu quero ver como é que a formiga e o ideiafix resolvem o problema (o das bolas de Berlim do Guincho…), mas reconfortados ficarão por saber que a Quercus lhes está a tratar da saúde.

