sexta-feira, junho 01, 2007

Tempos recicláveis



[1782]

A Quercus também classifica praias. Esta classificação não tem a ver com as bandeiras azuis europeias mas sim com um conjunto de factores alinhados em critérios ecológicos e correctos. Neste critério, a Praia das Moitas em Cascais acabou de ser classificada como “praia de ouro”. Como ouvi esta notícia só com um olho, abri logo o outro e ordenei ao cérebro para conceder mais acuidade ao resto dos meus sentidos ensonados e percebi então que a Praia das Moitas é “praia de ouro” porque todos os materiais usados, desde as passadeiras aos toldos são feitos de materiais reciclados.

Os nadadores-salvadores também não são uns salvadores quaisquer, são jovens de mentalidade nova (???), treinados numa perspectiva ecológica para que os banhistas possam ecologicamente ser salvos, nos intervalos em que não se estendem à sombra dos toldos reciclados, para não apanhar cancro de pele. Curiosamente, não ouvi uma palavra sobre a qualidade da água, conhecida que é a “qualidade” da água das praias da linha, mas o senhor da Quercus estava tão entusiasmado e tão correcto a explicar-me a bondade dos materiais reciclados na praia, que rapidamente secundarizei os “coliformes fecais” e outras maçadas que me habituei a ouvir dizer que infestam as águas.

O ar do senhor da Quercus era tão feliz e a onda correcta em que todos surfamos é tão intensa que cedo virá o dia em que a Quercus juntará ao critério de classificação das praias a ausência de batatas fritas (cheias de gorduras poli-insaturadas), dos gelados (cheios de chocolate, gorduras, açucares e da mortífera lactose) e das bolas de Berlim que são aquele “pecado” que todos nós conhecemos. Aí eu quero ver como é que a
formiga e o ideiafix resolvem o problema (o das bolas de Berlim do Guincho…), mas reconfortados ficarão por saber que a Quercus lhes está a tratar da saúde.

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Bolas de Berlim, nãããão!


[1781]

Já cansado do estilo monocórdico do homem da Quercus e porque o espírito me vagueava pelas praias Chips-icecream-bolas de Berlim free, mudei para a 4, que também tem uma manhã informativa. A cena era uma entrevista a uma criança de cerca de 10 anos a perguntar-lhe pelas asneiras que ele fazia logo de manhã pelo pequeno-almoço, com aquilo que comia. O pobre do jovem, com a lição mal estudada, lá ia titubeando (os miúdos portugueses não sabem falar, titubeiam, mas isso é uma questão que não vem agora ao caso e que um dia fica resolvida com mais um par de provas de aferição) a quantidade de asneiras que fazia de manhã, leia-se, comer as batatas fritas, os bolos, os cereais com chocolate e outras ameaças ao desenvolvimento correcto das suas faculdades físicas e cognitivas (esta do “cognitivas” não é da minha lavra, foi a apresentadora a explicar qualquer coisa ao miúdo que se ia engasgando com o palavrão e juro que fiquei com a impressão que se ele estivesse sozinho comia logo um queque para “empurrar”).

Resumindo: Manhã correcta, perspectiva da treta para o resto dia. E com esta tirada de elevado substrato poético me retiro para o duche para ir trabalhar e, mais uma vez, sentir pena pelos
meus amigos que um dia destes, quando menos esperarem, não têm bolas de Berlim. Nem cigarros, como é evidente!

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